Dez por cento de mulheres sul-africanas declaram ter praticado sexo anal nos últimos três meses

5 11 2009

Um inquérito transversal revelou que 14% de homens e 10% de mulheres heterossexuais na Cidade do Cabo, África do Sul, praticam relações sexuais anais. O preservativo é usado com uma frequência semelhante à do uso em sexo vaginal, segundo a edição online da Sexually Transmitted Infections.

O autor do estudo acredita que apesar do sexo anal precisar de ser abordado nas intervenções comportamentais, a sua contribuição para epidemia sul-africana é insignificante.

Todavia, os autores do editorial argumentam que esta conclusão é prematura e sublinham que o sexo anal não contabilizado pode enviesar os resultados dos ensaios clínicos com microbicidas.

As relações sexuais anais entre homens e mulheres não têm de forma geral recebido tanta atenção como o sexo anal entre homens. Contudo, existe evidência (especialmente nos Estados Unidos) de que este é praticado por um grande número de adultos sexualmente activos, o que sugere que pode desempenhar um papel importante na transmissão de VIH entre heterossexuais.

A investigação deste tópico nos países africanos tem sido limitada, apesar de um inquérito de grandes dimensões em sul-africanos entre os 15 e os 24 anos ter demonstrado que 3,6% da amostra tinha tido relações sexuais anais. Os homens jovens que declaravam ter sexo anal tinham mais probabilidades de estar infectados pelo VIH, de ter tido mais parceiros sexuais e de ter tido relações sexuais no mesmo período em que consumiam drogas e álcool. As mulheres jovens que declaravam ter tido sexo anal não tinham, no entanto, mais probabilidades de estar infectadas pelo VIH.

Para o novo estudo, Seth Kalichman e os seus colegas recrutaram duas amostras convenientes na cidade do cabo. Na primeira, 1 360 adultos foram recrutados numa clínica de infecções sexualmente transmissíveis bastante frequentada. Na segunda amostra, 3 051 adultos foram recrutados de locais públicos, tais como paragens de autocarros e ruas de comércio. Apesar de a primeira amostra ser predominantemente composta por homens, quase todos de etnia negra e africana, a segunda amostra era equilibrada dividindo-se igualmente entre homens e mulheres e entre pessoas de etnia negra africana e outras. A idade média dos participantes era de 30 anos.

Foi entregue aos participantes um questionário de auto-preenchimento (em Inglês, Xhosa e Africânder) que inquiria acerca dos comportamentos sexuais dos últimos três meses. Os 6% de homens que declararam ter tido relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, naquele período de tempo, foram excluídos desta análise, dado que se centrava no sexo anal heterossexual.

Um total de 14% dos homens e 10% das mulheres declararam ter tido relações sexuais anais.

Mais de metade das pessoas que declararam sexo anal, tinham-no na mesma proporção que o sexo vaginal ou ainda mais frequentemente.

Os preservativos foram utilizados com quase a mesma frequência para o sexo anal do que para o sexo vaginal. Os homens declararam que o usavam em 75% das ocasiões em que tinham sexo anal (80% para o sexo vaginal), contudo as mulheres declararam o uso de preservativo em 50% das relações anais (57% sexo vaginal).

Determinados factores demográficos e comportamentais estavam estatisticamente associados ao sexo anal:

 

  • Sexo masculino

     

  • Idade mais jovem

     

  • Solteiro ou a viver com um parceiro

     

  • Mais parceiros sexuais

     

  • O uso de preservativo e o uso recente de preservativos para sexo vaginal

     

  • Infecções sexualmente transmissíveis

     

  • Sexo comercial

     

  • Uso de álcool e drogas

     

  • Teste de despistagem do VIH

     

  • Um diagnóstico positivo para o VIH

     

Todavia, os investigadores não apresentaram nenhuma análise multi-variável de forma a clarificarem os factores que eram independentemente associados ao sexo anal.

Seth Kalichman e os seus colegas concluíram que as relações sexuais anais são praticadas em “taxas relativamente baixas” por homens e mulheres heterossexuais e acreditam que o sexo anal é, provavelmente, responsável por um número pequeno de infecções na África do Sul.

Porém, um editorial de Marie-Claude Boily e dos seus colegas questiona estas conclusões. Questionam se os números apresentados por Kalichman são realmente “taxas baixas”, e sublinham que a sua revisão sistemática dos riscos revela que o sexo anal receptivo é aproximadamente vinte vezes mais arriscado para a infecção do VIH que uma relação sexual vaginal receptiva.

Adicionalmente, destacam que as pessoas que declararam ter tido sexo anal tinham mais probabilidades de ser seropositivas para o VIH e de ter mais parceiros sexuais nos últimos três meses, factores que amplificariam a contribuição do sexo anal para a epidemia sul-africana.

Argumentaram ainda, que as infecções continuadas com origem no sexo anal poderiam dar a impressão que um determinado microbicida vaginal é menos eficaz do que na realidade é. Pelo que pensam ser necessário estimativas mais rigorosas sobre as relações sexuais anais em ensaios sobre microbicidas, de forma a assegurar que os estudos têm poder estatístico.

Referências

Kalichman S et al. Heterosexual anal intercourse among community and clinical settings in Cape Town, South Africa. Sex Transm Infect (published online ahead of print), 2009.

Boily MC et al. The role of heterosexual anal intercourse for HIV transmission in developing countries: are we ready to draw conclusions? Sex Transm Infect (published online ahead of print), 2009.

Roger Pebody/nam – 05.11.2009





Debate na internet discute testagem para o HIV

5 11 2009

A organização Pathfinder International realiza nesta sexta-feira, 6 de Novembro, um debate pela internet sobre as “As diferentes modalidades de acesso a testagem para o HIV em Moçambique e em outros países.”

Participarão da discussão as especialistas Cristina Raposo e Della Correia, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC); e Regina Benevides e Ivone Zilhão, da Pathinder.

Para assistir e participar do debate, acesse o endereço www2.pathfinder.org.mz/debate ou, como link alternativo, http://196.46.4.96/debate; e preencha os dados solicitados.

Quando for pedido a passkey, digite “pathfinder” (sem as aspas).

No momento da navegação, o sistema testará seu computador e talvez queira instalar um plugin, que deve ser aceito para que o sistema funcione normalmente.

Esta sala virtual somente estará disponível 15 minutos antes do início da sessão, que será às 9h.

Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 05.11.2009





Batata-doce: Moçambique receberá apoio internacional para produzir esse alimento rico em vitaminas para as pessoas com HIV

5 11 2009

Moçambique foi seleccionado para receber uma verba de 21 milhões de dólares doada pela fundação Bill e Melinda Gates, para promoção da cultura da bata-doce na África Sub-sahariana, informou nesta semana a agência de notícias OJE/Lusa.

Serão beneficiados ainda o Uganda, Quénia, Ruanda, Tanzânia, Malawi, Gana e Nigéria, de acordo com o Centro Internacional da Batata (CIP, na sigla inglesa).

Ajudar os camponeses mais pobres a produzirem mais batata e a transportá-la para o mercado é a única forma de reduzir a fome e a pobreza, disse Bill Gates, falando no lançamento do projecto, que se realizou no Estado de Lowa,nos Estados Unidos.

A iniciativa, designada Acção da Batata Doce para a Segurança Alimentar e Saúde em África (SASHA), terá uma duração de cinco anos na fase inicial e visa explorar as potencialidades da batata-doce para melhorar a nutrição, renda e segurança alimentar de um milhão de famílias na região da Africa Sub-sahariana.

“Este projecto vai melhorar a segurança alimentar, nutrição e o padrão de vida de pelo menos 150.000 famílias directamente envolvidas no projecto e beneficiar indirectamente um milhão de famílias na África Sub-sahariana, nos próximos cinco anos. Também vai criar condições para atingir 10 milhões de famílias durante os próximos dez anos”, disse Pamela K. Anderson, directora geral do CIP, citada no comunicado.

A batata-doce é a terceira cultura alimentar mais importante na África Oriental e a quarta na África Austral. Possui um maior rendimento por hectare em condições climáticas adversas e precisa de menos fertilizantes e mão-de-obra comparativamente a outras culturas.

É por isso mais apropriada para famílias mais afectadas por imigrações, instabilidade política ou doenças tais como a Sida.

No âmbito do projecto, está prevista a criação de três centros regionais de apoio em Moçambique, Gana e Uganda, para melhorar a capacidade técnica a nível nacional.

As variedades da batata-doce, com polpa alaranjada, podem reduzir significativamente a deficiência de Vitamina A, que ameaça cerca de 43 milhões de crianças com idade inferior a cinco anos na região da Africa Sub-sahariana.

OJE/Lusa – 05.11.2009





Graça Machel critica G8 pela escassez de dinheiro na luta contra a Sida

5 11 2009

O relatório de especialistas mundiais em saúde pública, publicado recentemente na revista científica norte-americana Health Affairs, alertando sobre a escassez de recursos financeiros para conter o avanço do HIV e Sida nos países em desenvolvimento ganhou notoriedade nos veículos de comunicação social internacional e moçambicano nesta semana.

O jornal Notícias, por exemplo, trouxe como destaque no dia 04 do corrente mês a reportagem “Recessão ameaça combate à Sida.” Segundo o texto, o aumento acelerado dos custos de tratamento e prevenção do HIV e a recessão económica mundial colocam em alerta a luta contra a pandemia. (Saiba mais)

Entrevistada pela Agência de Notícias de Resposta ao SIDA, durante a sua participação na 5ª Conferência Internacional sobre Patogênese, Tratamento e Prevenção – realizada pela Sociedade Internacional de Sida (IAS, em inglês) em Julho passado na Cidade do Cabo -, Graça Machel criticou o G8 por essa possível escassez de recursos contra a Sida.

A Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade e viúva de Samora Machel – primeiro presidente de Moçambique – disse que o Grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia encontraram da noite para o dia bilhares de dólares para conter a crise económica mundial, mas que até hoje não têm prestado apoio financeiro suficiente para barrar a doença que já matou mais de 25 milhões de pessoas em todo o planeta.

“Para mim, o enfrentamento da Sida não está na falta de dinheiro, mas na falta de consciência desses países”, enfatizou.

Mamã Graça, como é popularmente chamada, disse ainda naquela altura que “a África tem que deixar de ser um campo de pesquisa em Sida para ser um campo de se colocar em prática as soluções que já existem para esta epidemia.”

Durante o mesmo evento, a organização Aliança para os Direitos relacionados à área da Sida na África Austral (ARASA, em inglês) promoveu um manifesto em que comparava o uso supervicial de milhões de dólares ao combate da epidemia.

Activistas dessa organização distribuíram aos pesquisadores, médicos, jornalistas, entre outros participantes da conferência, réplicas do dólar norte-americano com imagens de líderes internacionais.

A cédula com a foto do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, traz o valor de 700 bilhões de dólares gastos para socorrer a economia mundial, o que é 100 vezes mais que o orçado para este ano no Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para Combate da Sida (PEFPAR).

A do ditador líbio Muamar Kadafi foi associada à estimativa de 148 bilhões anuais perdidos devido à corrupção em África, o que seria suficiente para se tratar, com antiretrovirais, 704 milhões de pessoas durante um ano.

E a imagem do Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, com o valor de 250 mil dólares usados para seu aniversário de 85 anos, foi comparada ao tratamento da tuberculose para 10.500 pessoas.

“Essas são provas de que não há desculpa de falta de dinheiro para a Sida”, disse a representante da ARASA, Paula Akugizibwe. “Não estamos a pedir dinheiro para uma festa, mas para salvar a vida de milhões de pessoas”, acrescentou.

David Sander, da organização internacional Movimento para a Saúde da População, reforçou que é lamentável que ainda milhões morram de uma doença que pode ser prevenida e tratada.

“O valor gasto para combater a Sida é directamente proporcional a quantas pessoas irão morrer ou viver”, finalizou.
O assunto “dinheiro para o combate do HIV e Sida” também ganhou destaque no jornal O País, no dia 5.

Sob o título “Fundos para combate à Sida em África pouco fizeram para reforço de sistemas de saúde nacionais”, a reportagem traz opiniões de alguns especialistas internacionais.

Enquanto alguns defendem o problema mencionado no título da matéria, outros afirmam que, ao contrário de outras doenças, a epidemia de Sida suscitou melhorias consideráveis no auxílio internacional à saúde, o que é benéfico para os sistemas de saúde em vários aspectos.

Em Moçambique, cuja população é estimada em aproximadamente 20 milhões, 1.6 milhão vivem com HIV e Sida, segundo o Impacto Demográfico.
Recentemente, o Governo divulgou que mais de 160 mil pessoas estão em tratamento antiretroviral em todo o país.

Entretanto, estimativas feitas pela Organização Mundial da Saúde apontam que pelo menos 500 mil moçambicanos precisariam estar a receber esse tratamento contra a Sida.

Agência de Notícias de Resposta ao SIDA – 05.11.2009





Programa Estadual de DST/Aids de SP recomenda atenção integral à saúde dos soropositivos

5 11 2009

As recomendações foram formuladas de acordo com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), sobre direitos humanos, política nacional de humanização e outras políticas públicas de saúde.

Foram identificados como temas prioritários para a melhoria da qualidade da assistência e de vida das PVHA, na perspectiva da atenção integral, o protagonismo e direitos humanos, a sexualidade e direitos reprodutivos, o acesso aos insumos de prevenção, a adesão e prevenção.

O tratamento das toxicidades aos antirretrovirais, comorbidades (profilaxia para tuberculose, coinfecção hepatites B e C, diagnóstico precoce de neoplasias e outras DSTs) e redução de danos também foram temas prioritários.

Entre os que irão implementar estas recomendações estão os profissionais de saúde, a sociedade civil, os coordenadores municipais, segundo explicou a Gerente de Assistência Integral de Saúde do Centro de Referência e Treinamento (CRT),Rosa de Alencar Souza.

O Diretor do Grupo de Incentivo a Vida (GIV), Cláudio Pereira, defende a existência de um debate sério sobre a Prevenção Positiva.

“Ainda há muita gente que tem dificuldades em usar o preservativo, temos que mudar a forma de trabalhar, as pessoas devem ter acesso aos insumos, pois a camisinha é uma ferramenta de prevenção e empoderamento para a mulher”, concluiu Cláudio.

Fernando Fidélis/Agência de Notícias da Aids – 05.11.2009





Descriminalização não aumenta uso de drogas em Portugal

5 11 2009

O relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) indica que não houve aumento do consumo após a descriminalização, tampouco Portugal passou a destino de narcoturismo, disse nesta quinta-feira o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT).

Em declarações à Agência Lusa, João Goulão declarou que “os dados, desde a descriminalização até agora, apontam para uma evolução positiva do fenômeno da droga e da toxicodependência” em Portugal.

“Aquilo que se constata é que Portugal não se transformou num destino para o narcoturismo nem houve um disparar dos números da toxicodependência na sequência da descriminalização. Estas eram as bandeiras agitadas pela oposição, nomeadamente o CDS, com Paulo Portas a dizer que iria ser o paraíso dos drogados de todo o mundo”, recordou Goulão.

O OEDT destaca a solução de descriminalização portuguesa, em que os consumidores são encaminhados para uma Comissão de Dissuasão da Toxicodependência, acrescentando que “este programa está a funcionar há oito anos e os receios iniciais de que essa abordagem suscitasse um aumento do turismo da droga ou aumentasse os níveis de consumo não parecem ser confirmados pelos dados disponíveis”.

Para o presidente do IDT, os “bons resultados” são consequência de um conjunto de políticas nas áreas da prevenção, tratamento, redução de danos, reinserção social e trabalho de dissuasão, “num quadro genérico de descriminalização que tornou as medidas muito mais harmônicas”.

Portugal acompanha a tendência mais lata nos países da Europa Ocidental e não deixou de o fazer pelo fato de ter descriminalizado o consumo, o que “reforça a ideia de que a descriminalização não teve um efeito negativo”, frisa.

A evolução tecnológica tem permitido a adoção de esquemas legais para situações ilícitas, escapando ao controle das autoridades, mas tal acontece em Portugal e na Europa no seu conjunto.

“Há novas formas de comercialização das substâncias através de lojas virtuais, distribuição pela Internet ou via postal e o aparecimento de produtos que têm rótulos enganadores e tentam iludir o controlo exercido pelas forças policiais”, um mercado que terá “alguma importância” na realidade portuguesa, mas cuja dimensão não é conhecida, afirma Goulão.

Além disso, ele indica que Portugal é apontado como um dos países mais problemáticos nas taxas de infecção HIV/Aids, embora se reconheça uma diminuição entre da taxa entre os toxicodependentes.

Os dependentes não constituem mais o contingente mais importante da infecção e a sua porcentagem tem baixado nos números totais da Aids em Portugal, mas há “ainda uma situação bastante complicada”, conclui Goulão.

Agência Lusa – 05.11.2009





Comunicação é tema de workshop do 1º Encontro Paulista de Prevenção e Controle das DST/Aids

5 11 2009

Comunicação e aids – desafios e conquistas, esse foi o tema do workshop que marcou a tarde de quarta-feira, 04, durante o 1º Encontro Paulista de Prevenção e Controle das DST/Aids. Um dos temas mais discutidos foi sobre um jogo virtual que o assistente social do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) Henfil, Talmany Lima, adaptou. Ou seja, as pessoas têm a oportunidade de aprender e tirar dúvidas sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e aids brincando na internet.

“O jogo MMORPG ( Mossive Multiplayer Online Role- Playing game) é um game como qualquer outro, tem obstacúlos, monstros, mas além disso tem o objetivo de estimular a prevenção principalmente de crianças e adolescentes, pois eles estão mais ligados em tecnologia”, explicou Lima.

Segundo ele, cada pessoa tem um personagem, por isso ninguém precisa se identificar, o que acaba tornando mais fácil de as pessoas serem sinceras na hora de fazer perguntas, ou até mesmo relatar alguma experiência. “Os temas mais discutidos são a primeira transa, uso de preservativo, testagem, entre outros”. O assistente social explicou que pessoas do Brasil inteiro já acessaram o game.

Atendimento humanizado para todos

Outro destaque é o trabalho realizado com surdos no CTA Barueri – SP. A psicóloga Karen Ribeiro, que estudou libras três anos, explicou que o local é referência aos surdos. No lugar, eles atendem cerca de 120 surdos (todos preferem ser chamados de surdos por uma questão política, pois dizem que deficientes auditivos são aqueles que não sabem a língua de sinais), 58 homens e 62 mulheres.

“O trabalho que realizamos com esse público é o mesmo atendimento para qualquer pessoa. Fazemos teste de HIV, sífilis, hepatite B e C, ofertas de preservativos. O nosso principal objetivo é tentar diminuir a dificuldade de comunicação”, acrescentou Ribeiro.

Além disso, a psicóloga também informou que existe uma lei que obriga todos os serviços de saúde a ter pelo menos um técnico que saiba a língua de sinais. “Existe um material direcionado para esse público, mas não existem muitos profissionais que sejam fluentes na libra”. Segundo ela, o CTA Henfil tornou-se até um local de encontros deles.

Disponível.com

O jornalista Erik Galdino, do site de relacionamento disponível.com, explicou a estratégia de prevenção que o veículo adotou para abordar todo público gay que acessar o site.
“A maioria das pessoas que acessa a página tem o objetivo de encontrar contatos sexuais, por isso fomos em busca de mecanismos que elas pudessem também ter informações sobre as DSTs e aids, uso do preservativo, entre outros. Mas a intenção não era forçar essas pessoas a ter esse tipo de informação e sim deixar que elas busquem no momento em que achar necessário”, afirmou.

Segundo ele, a equipe participa de todas as paradas gays do Brasil. Em primeiro de dezembro, dia mundial de luta contra a aids, toda renda do site é revertida para uma casa de apoio aos portadores do vírus HIV – em 2008 a beneficiada foi a casa Brenda Lee.

Campinas em parceria com os bares GLBTT

Em Campinas, São Paulo, uma das ações de prevenção foi focada nas noites GLS. “O objetivo era fazer parcerias com bares que recebem esse público e durante a festa divulgar a marca “Vista – se”, além de disponibilizar preservativos. “Todas as pessoas que trabalhavam no local vestiam uma camiseta da marca ou tinham a marca estampa. No caso dos gogo boys, a marca era na cueca”, explicou Tiago Duque, técnico do Programa Municipal de DST/Aids de Campinas.

Segundo ele, essa parceria foi tão importante, que depois os donos dos bares procuraram o programa para fazer novos projetos.

Talita Martins/Agência de Notícias da Aids – 05.11.2009





A sociedade desconhece a maioria das DSTs, afirma representante do Fórum de ONG/Aids de São Paulo, Albertino Barbosa, durante 1º Encontro Paulista de Prevenção

5 11 2009

Com exceção da aids, a sociedade desconhece as DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). Foi o que afirmou o representante do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo, Albertino Rodrigues Barbosa, durante oficina realizada no 1º Encontro Paulista de Prevenção e Controle das DST/Aids. O evento é organizado pela Coordenação Estadual de DST/Aids de São Paulo e ocorre entre os dias 4 e 6 na capital paulista.

Segundo Albertino, os profissionais das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) estão despreparados para acolher corretamente os usuários que buscam atendimento relacionado às doenças sexualmente transmissíveis. “Por outro lado, a população tem preconceito na hora de procurar um serviço especializado. As pessoas acham que esses locais são apenas para quem tem HIV/aids.”

O resultado é o tratamento inadequado dessas enfermidades. “Muita gente vai à farmácia e pega um remédio qualquer, que faz com que os sintomas desapareçam temporariamente. Porém, a doença segue evoluindo e, assim, aumentam as chances de infecção pelo HIV/aids”, declarou o ativista.

Como mudar essa realidade?

Albertino citou algumas estratégias que podem ser utilizadas pela sociedade civil para melhorar a prevenção e o tratamento às doenças sexualmente transmissíveis:

- Sensibilizar a população para a prevenção e tratamento das DSTs, por meio de divulgação na mídia

- Exigir dos gestores maior investimento na veiculação de materiais formativos e informativos nos serviços de saúde

- Pautar o tema no Conselho Municipal de Saúde para melhor socialização e busca de melhorias da qualidade dos serviços oferecidos aos usuários

- Buscar parcerias em escolas, associações de bairros e outros Conselhos, como os de negros, mulheres, crianças e adolescentes

Durante a oficina, o representante do Fórum de Ong/Aids do Estado de São Paulo também abordou os sintomas e tratamentos de algumas doenças sexualmente transmissíveis. Conheça um pouco mais sobre elas a seguir. As informações são do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.

Sífilis

Sintomas

Manifesta-se inicialmente como uma pequena ferida nos órgãos sexuais (cancro duro) e com ínguas (caroços) nas virilhas, que surgem entre a 2ª ou 3ª semana após a relação sexual desprotegida com pessoa infectada. A ferida e as ínguas não doem, não coçam, não ardem e não apresentam pus. Em, seguida a ferida desaparece sem deixar cicatriz, dando à pessoa a falsa impressão de estar curada. Se a doença não for tratada, continua a avançar no organismo, surgindo manchas em várias partes do corpo (inclusive nas palmas das mãos e solas dos pés), queda de cabelos, cegueira, paralisias, e até a morte. Caso ocorra em grávidas, poderá causar aborto/natimorto ou má formação do feto. Pode, ainda, ocorrer a transmissão vertical da doença (de mãe para filho).

Tratamento

Ocorre principalmente por meio da penicilina. O maior problema do tratamento é o seu diagnóstico, visto que a sífilis pode ser confundida com muitas outras doenças. A gestante deve realizar controle de cura mensal.

Herpes

Sintomas

Manifesta-se através de pequenas bolhas localizadas principalmente na parte externa da vagina e na ponta do pênis. Essas bolhas podem arder e causam coceira intensa. Ao coçar, a pessoa pode romper a bolha, causando uma ferida.

Tratamento

A herpes é altamente transmissível. Por isso, a primeira orientação aos pacientes sempre diz respeito aos cuidados locais de higiene: lavar bem as mãos, evitar contato direto com outras pessoas e não furar as bolhas sob nenhum pretexto são recomendações importantes.

O tratamento é feito com medicamentos antivirais, por via oral e tópica, e tem como objetivo encurtar a duração dos sintomas, prevenir as complicações e diminuir os riscos de transmissão, pois o vírus não pode ser completamente eliminado.

Você pode conhecer outras doenças sexualmente transmissíveis acessando o site do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.

Fábio Serrato/Agência de Notícias da Aids – 05.11.2009





Mundo necessita pelo menos de 2/3 dos recursos de aids em prevenção, diz Pedro Chequer em conferência de abertura do 1º Encontro Paulista de Prevenção

5 11 2009

Para impedir a progressão da epidemia de aids no mundo, cada país deveria deveria alocar pelo menos 2/3 de recursos financeiros de aids na área de prevenção, de acordo com estudo intitulado Projeto Aids 2031. “Isso não acontece em nenhum lugar e muito menos no Brasil”, destacou o representante do Unaids (Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids) no Brasil, Pedro Chequer. Ele fez um panorama da doença no mundo na noite desta última quarta no 1º Encontro Paulista de Prevenção e Controle das DST/Aids, na cidade de São Paulo.

O estudo internacional teve origem no Unaids e prevê algumas séries de vertentes da epidemia até a década de 2030. De acordo com a pesquisa, se o mundo concentrar recursos no combate à epidemia somente em grupos vulneráveis como usuários de drogas injetáveis, homens que fazem sexo com homens, mulheres, entre outros, a redução da epidemia também seria satisfatória a um custo mais baixo. “Mas o ideal seria um plano estrutural que seria mais equânime e trabalharia também aspectos como identidade de gênero. É inaceitável por exemplo trabalhar a prevenção sem abordar a violência contra a mulher”, disse Chequer.

O representante do Unaids também mostrou os principais estudos evolvendo métodos de prevenção, lembrando que tanto a produção de preservativos masculinos e femininos no mundo são insuficientes. De acordo com o órgão das Nações Unidas, em estudo de 2006, haveria um déficit estimado de camisinhas masculinas em cerca de pelo menos 27 bilhões de unidades por ano se metade da população de homens de 15 a 49 anos passasse a usar preservativos uma vez por semana. “Além disso, a acessibilidade dos preservativos para a população sob maior risco é de apenas 9%”, lembrou Chequer.

Além de falar sobre prevenção e diferentes métodos, Chequer também comentou outros aspectos que envolvem o tema e, principalmente, com foco local nos dados epidemiológicos. “Temos que pensar menos em dados gerais e entender mais porque certas regiões como o Nordeste e Norte no Brasil apresentam casos tão particulares”.

Pedro Chequer também afirmou acreditar que a prevenção da transmissão vertical (mãe para filho) com procedimentos realizados no pré-natal é uma vacina eficaz contra a doença. “Temos que entender porque a cobertura no Brasil ainda não é tão ampla. Remédio, nós temos. Essa política foi implantada em 97 mas atinge cerca de 60 a 70% da população”, disse.

Abertura

Na noite de ontem, 1º Encontro Paulista de Prevenção e Controle das DST/Aids teve mesa de abertura oficial teve diferentes atores importantes que integram a resposta à epidemia no Estado de São Paulo. O principal tema abordado por eles foi a prevenção em níveis locais e mais responsabilização dos municípios nesta área. “Precisa existir um monitoramento maior sobre isso, do que está sendo feito”, disse o presidente do Fórum de ONGs/Aids de São Paulo, Rodrigo Pinheiro. Para o secretário adjunto de Saúde de São Paulo, Nilson Paschoa, é necessário fortalecer as respostas locais na área de prevenção.

De acordo com a coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids, Maria Clara Gianna, a ideia do evento é mostrar a diversidade. “Aprofundar debates sobre diversos trabalhos realizados em diferentes locais e apontar novos desafios”, comentou.

Maria Eliza, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, disse que ainda falta mais aconselhamento reprodutivo. “Mulheres soropositivos muitas vezes não sabem como ter filhos livres do HIV”, afirmou.

O encontro segue até esta próxima sexta-feira em São Paulo.

Rodrigo Vasconcellos/Agência de Notícias da Aids – 05.11.2009





Sociedade civil francesa pede mais engajamento do Fundo Global

5 11 2009

Um grupo de sete organizações da sociedade civil francesa fez uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (4/11) para chamar a atenção quanto aos problemas do financiamento do Fundo Global de Luta contra a Aids, Tuberculose e Malária. Pauline Londeix, da ONG Act Up, classificou como “dramática” a situação já que o Fundo não deverá mais responder aos pedidos de subvenção depois de 2010.

Outro ativista, Eric Fleutelot, do Sidaction, afirmou que as demandas de financiamento destas doenças não serão cobertas, caso a medida se mantenha. O financiamento do Fundo é crucial para o aprimoramento das ações pelo mundo. “A redução dos financiamentos mundiais desencadeou uma redução de 25% do orçamento de luta contra a aids na Tanzânia”, disse Fleutelot. Além deste país, ele citou outros países da África, como Uganda e Malaui, que tiveram interrupção da distribuição de antirretrovirais devido à escassez de recursos.

A mobilização ocorre às vésperas da reunião do Conselho de Administração do Fundo, que será realizada em Addis Abeba, na Etiópia, de 9 a 11 de novembro. “A França e outros países ricos podem aumentar sua contribuição e fazer mais”, avaliou Pauline Londeix. Em julho, o diretor executivo do Fundo, Michel Kazatchkine, estava preocupado com a baixa dos financiamentos. Na época, ele lembrou que faltavam ainda 3 milhões de dólares para 2010 devido à demanda crescente de tratamento.

Outras 49 ONG africanas de luta contra a aids lançaram uma chamada de urgência para que os países do Fundo desistam da decisão. Os países do G8 (grupo de oito países ricos industrializados) se comprometeram a subvencionar o acesso universal aos antirretrovirais até 2010. “Os países ricos precisam responder ao seu engajamento urgentemente”, convocou a representante do Act Up.

Desde sua criação, em 2002, os recursos do Fundo Global permitiram acesso ao tratamento antirretroviral a mais de 2,3 milhões de pessoas com HIV que vivem em países em desenvolvimento. Na convocatória de imprensa, o grupo francês diz que o Fundo é “vítima do seu sucesso e não é mais capaz de honrar o conjunto de demandas de financiamento feitas. A ameaça de um 2010 sem financiamentos se torna real e será discutida no próximo Conselho de Administração”.

As sete ONG participantes do manifesto são Act Up-Paris, AIDES, Avocats pour la santé dans le monde, Coalition PLUS, Positive Generation, Sidaction, Solidarité Sida. Juntas, elas participam da campanha mundial de mobilização Remind the gap, que pede maior engajamento e compromisso dos países ricos no financiamento do Fundo.

Nara Anchises/Agência de Notícias da Aids – 05.11.2009