Novo fármaco da Pfizer para o VIH parece ser seguro para nova utilização

30 10 2009

Na Terça-feira, a Food and Drug Administration disse que o fármaco da Pfizer para o VIH o Selzentry parece ser “bem tolerado” em doentes com uma certa variação de VIH-1 que nunca tinham tomado medicação. O Selzentry, também conhecido pelo seu nome genérico de maraviroc, já está aprovado para uso combinado com outros fármacos em doentes com VIH já tratados. A Pfizer está a tentar que o Selzentry seja aprovado para toma com outros fármacos antirretrovirais em doentes não tratados.
A Pfizer diz que no ensaio clínico do Selzentry verificou que o fármaco é seguro e eficiente. Disseram ainda que o mercado americano precisa de tantos fármacos quanto o possível. “Apesar de haver disponíveis boas opções de tratamento para os doentes, são necessárias mais opções para ir ao encontro das necessidades de uma população tão heterogénea de doentes,” disse a companhia na Terça-feira.
Num documento da agência, a FDA disse que uma revisão das suas bases de dados verificou não terem sido reportadas novas preocupações de segurança em doentes VIH já a tomar o Selzentry. A agência disse que da análise dos dados fornecidos pela Pfizer o fármaco reduz o VIH nos doentes comparando com aqueles que estão a tomar o efavirenze, que é comercializado como Sustiva pela Bristol-Myers Squibb.
A FDA fez sair o seu relatório antes da reunião pública de Quinta-feira quando a agência perguntará a um painel externo de peritos por uma recomendação acerca da aprovação do uso generalizado do Selzentry. A FDA normalmente segue os conselhos dos seus consultores.
Se o Selzentry for aprovado para uso em doentes não tratados, deverá apenas ser indicado para adultos com o VIH-1 com tropismo para o receptor 5 das quimiocinas ou CCR5,  disse a FDA.

Susan Heavey/Reuters – 06.10.2009





MATRAM quer que próximo Governo respeite Declaração de Abuja e invista 15 por cento do orçamento do Estado na saúde

30 10 2009
Na passada quarta-feira, 28 de Outubro, milhões de moçambicanos foram às urnas escolher a pessoa que irá dirigir o Governo do país nos próximos cinco anos.

Dados compilados pela Rádio Moçambique, apesar de não oficiais, apontam para a reeleição do actual presidente Armando Guebuza, da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), com grande vantagem em relação aos seus concorrentes Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), e Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), que aguardam pelo apuramento final para saber quem será o maior partido de oposição no país.

Tendo em vista que o enfrentamento do HIV e Sida continua entre os maiores desafios para o Governo de Guebuza, a Agência de Notícias de Resposta ao SIDA procurou saber, dos representantes das principais redes de organizações e associações que actuam na área, quais as prioridades para o combate da epidemia.

Na opinião do Movimento para o Acesso ao Tratamento em Moçambique (MATRAM), o Governo deve investir os 15 por cento do orçamento do Estado para a saúde, conforme o prometido na Declaração de Abuja.

“Com isso poderíamos esperar a alocação de uma parte desse fundo para a área do HIV e Sida”, acredita o oficial de advocacia dessa organização, Leonel Chavier.

Em Abril de 2001 vários Chefes de Estado africanos, incluindo o presidente de Moçambique na altura, Joaquim Chissano, se reuniram na capital da Nigéria para uma cúpula sobre a Sida e outras pandemias, e assinaram um Plano de Acção comum de luta contra a epidemia.

Além dos 15 por cento do orçamento anual do Estado à saúde, eles se comprometeram a suspender as tarifas aduaneiras e as barreiras económicas a todos os produtos vinculados à luta contra a Sida, em particular os remédios.

Chavier disse ainda que a MATRAM espera que o Governo envolva mais a sociedade civil nos planos de acesso ao tratamento antiretroviral.

“Temos como meta para os próximos cinco anos, tornar acessível o tratamento contra a Sida uma realidade para pelo menos 80 por cento das crianças, o que nos ajudaria a diminuir muito os efeitos dessa epidemia”, finalizou Chavier.

Os recentes dados do Ministério da Saúde, referentes até o mês de Setembro, informam que 161.381 pessoas estão em tratamento antiretroviral em todo o país, entretanto, estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 500 mil pessoas precisariam estar a receber esses medicamentos vitais.

Enia Boavida/Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 30.10.2009





Alta incidência do HIV e Mundial de Futebol fazem ressurgir discussões sobre a legalização do trabalho sexual na África do Sul

30 10 2009

O trabalho do sexo é uma realidade na África do Sul e com a Copa do Mundo de Futebol, que terá lugar no país em Junho do próximo ano, teme-se um grande aumento dessa prática, quem sem o uso correto e constante do preservativo, pode levar a uma rápida propagação do HIV.

Em Hillbrow – subúrbio de Johannesburg -, por exemplo, há mais de 30 casas noturnas onde é possível comprar sexo; e um estudo revela que 60 por cento da população adulta desta região vive com HIV e Sida.

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Sida (ONUSIDA), a África do Sul é um dos países com mais casos dessa doença em todo o mundo.

Estima-se que 5 700 000 sul-africanos vivem com HIV, o que corresponde a uma prevalência nacional, entre os adultos, de 18.1 por cento.

Frente a esse cenário, muitos activistas daquele país estão a defender a legalização da venda do sexo, pois, segundo eles, os trabalhadores sexuais teriam melhores direitos e poderiam obrigar os clientes a usar o preservativo.

Mas críticos defendem que a legalização não vai impedir a infecção do HIV. E vai até aumentar o tráfico de droga, de mulheres e a exploração de crianças.

Rodeada de polémica, uma  proposta de legalização do trabalho sexual está sendo analisada pela Comissão de Reformas Legislativas da África do Sul.

Na prática, a lei é uma forma de permitir o trabalho em determinadas áreas e fiscalizá-lo. Se a conclusão for favorável, o Parlamento vai iniciar as discussões para aprovação ou não de uma nova lei.

A profissão mais antiga do mundo continua a dividir opiniões. O maior evento do futebol no próximo ano vem recolocar a questão em debate.

Agência de Notícias de Resposta ao Sida - 30.10.2009





Pesquisadores dos EUA decifram como proteína impede que o vírus HIV se espalhe pelo organismo

30 10 2009

Proteína coloca vírus da Aids na coleira

Molécula na membrana das células humanas se prende ao HIV e impede que ele continue seu avanço pelo organismo

Parasita já tem meios de evitar estratégia, mas dados podem inspirar novo modo de fortalecê-la; mecanismo também afeta outros vírus

Uma proteína presente nas células humanas leva ao pé da letra a ideia de domar o vírus HIV, temido causador da Aids. Ela é capaz de se transformar numa coleira molecular, que acorrenta o vírus e impede que ele inicie a invasão de outras células do organismo.

Pesquisadores americanos acabam de decifrar como esse processo acontece, em artigo na revista científica “Cell”. O grupo coordenado por Paul D. Bieniasz, do Centro Aaron Diamond de Pesquisa sobre Aids (EUA), descobriu até como criar uma forma sintética da “coleirina” (tradução livre do inglês “tetherin”), que funciona tão bem quanto ela.

Embora, pelo visto, o HIV já seja capaz de se safar da coleira proteica, o entendimento dos detalhes do mecanismo pode trazer pistas para fortalecer esse sistema de correntes e, quem sabe, fazer com que ele volte a ser eficaz. E o achado não é relevante apenas para o estudo da Aids: muitos outros vírus, como o Ebola e os causadores da gripe, também parecem ser suscetíveis à “coleirina”.

“Nas células onde a “coleirina” está funcionando bem, esperaríamos que a replicação viral ficasse atenuada. Não sabemos a que ponto isso afetaria a carga de vírus no organismo ou a transmissão para outros indivíduos, mas é razoável imaginar que um desses parâmetros, ou ambos, seriam reduzidos”, disse Bieniasz à Folha.

Os pesquisadores chegaram à “coleirina” seguindo a pista de outro tipo de molécula, os interferons do tipo 1, que parecem coordenar, entre outras coisas, parte das reações do sistema de defesa do organismo contra vírus. Já se sabia que a “coleirina” era ativada pelos interferons, e que ela era capaz de diminuir a saída de partículas virais (grosso modo, os vírus “individuais”) das células já infectadas pelo HIV. Também se sabia que a Vpu, uma proteína do vírus da Aids, tem como função desarmar a molécula.

Com essas informações, os pesquisadores passaram a estudar a composição química da molécula, bem como o papel dela na célula. Verificaram, então, que a “coleirina” costuma ficar atravessada na membrana que envolve as células, com um ganchinho espichado para fora. E conseguiram testar o que acontece quando o HIV, sem a proteção da Vpu, tenta sair de uma célula infectada.

Âncora

A “coleirina” se incorpora ao envelope protetor do vírus e vira uma espécie de âncora na membrana da célula. Preso, o parasita não alcança outras células. “O vírus escapa disso normalmente. Com o escape bloqueado, vimos do que ele escapava”, diz o biólogo Atila Iamarino, doutorando da USP que estuda a evolução do HIV.

Para o médico Luís Fernando Brígido, diretor do laboratório de retrovírus do Instituto Adolfo Lutz, o trabalho é um primeiro passo importante para usar o sistema da “coleirina” como um alvo de novos medicamentos contra o vírus da Aids.

“Eles mostraram que uma forma sintética dela seria mais eficaz contra o HIV, mas seria complicado induzir uma alteração da proteína dentro da célula. Por outro lado, inibir a Vpu, que permite ao vírus escapar, seria um caminho”, afirma.

Ele chama a atenção para outro ponto importante: a “coleirina” age sobre o envelope do vírus, que é produzido com material da própria célula. “É como uma barraca de praia que o vírus compra e leva.” Como é mais difícil para o HIV modificar o material que vem da célula com mutações, a chance de resistência a drogas baseadas nesse conceito seria menor.

Estudo traz pistas sobre defesa inata

DA REPORTAGEM LOCAL

A pesquisa sobre a ação da coleira molecular chama a atenção para um pedaço importante da ação natural do organismo contra invasores. Trata-se da chamada resposta imune inata, uma primeira linha de defesa contra parasitas.

“Ela é diferente daquele processo no qual o organismo primeiro analisa o agente e só então produz anticorpos contra ele”, diz Luís Fernando Brígido. “Existem outros mecanismos parecidos, como a Apobec, uma molécula que destrói o DNA usada pelo HIV como intermediário em sua replicação”, diz Atila Iamarino.

“Acho que a aplicação mais direta [da nova pesquisa] é conhecer esse mecanismo de ação e descobrir a importância dele contra outros vírus que não se dão tão bem em humanos”, afirma Iamarino. Para Brígido, um exemplo é o Ebola, muito letal, mas felizmente ainda incompetente para infectar muitas pessoas. (RJL)

REINALDO JOSÉ LOPES/Folha de S.Paulo – 30.10.2009





Drogas injetáveis são a principal causa de infecção pelo HIV na Rússia

30 10 2009

Diferente de outros países, na Rússia a principal causa de infecção pelo HIV é a utilização de drogas injetáveis: os usuários correspondem a 66% dos casos de pessoas com o vírus da aids. Além disso, as campanhas nacionais de saúde excluem a distribuição de camisinhas e promovem a abstenção sexual. As informações são do site G1. Confira a notícia na íntegra a seguir.
Epidemia de Aids cresce na Rússia

País insiste em campanhas que pregam o absenteísmo sexual.
Distribuição de camisinhas não faz parte das campanhas de saúde.

Retrato de atraso e preconceito, a epidemia de Aids cresce na rica Rússia, enquanto paradoxalmente começa ser contida na África Subhaariana. Atualmente 1,5 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV na Europa Oriental e Ásia Central.

Segundo informações divulgadas pelas agências de notícias mundiais o numero de pessoas infectadas continua a aumentar em um país que reluta em adotar medidas de contenção de risco.

As autoridades de saúde russas insistem em campanhas que pregam o absenteísmo sexual e que se evitem as drogas, evitando estratégias que se mostraram eficientes em outros países.

A distribuição de camisinhas não faz parte das campanhas de saúde, embora 32% dos casos novos seja por conta de sexo não-protegido. As mulheres já são quase a metade dos infectados.

As tentativas de implantação de políticas de redução de risco como as trocas de seringas para usuários de drogas injetáveis não são sequer discutidos ficando para as ONG’s sua implementação em um país onde 66% dos casos são desses usuários.

O único avanço do sistema de saúde russo nesse campo foi a disponibilidade de medicamentos contra o HIV para as mulheres grávidas diminuindo a transmissão de mãe para filho.

Em uma reunião regional para discutir o problema, um outro alerta. Os recursos aplicados naquele país por organizações não-governamentais que atuam na luta contra a Aids deve diminuir.

O crescimento econômico do país o coloca de fora da lista de quem precisa de ajuda para as campanhas.

G1 – 30.10.2009





Sociedade Brasileira de Hepatologia agradece ministério por nova portaria sobre hepatites

30 10 2009

O Ministério da Saúde lançou nesta semana o Novo Protocolo de Hepatites Virais. Três novos medicamentos para hepatite B foram incorporados ao tratamento oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS). Um deles é o tenofovir, que já era utilizado em casos de aids, mas não tinha registro no Brasil, ao contrário do que ocorre nos EUA e Europa. Os outros dois antivirais incluídos no protocolo do ministério são o entecavir e o adefovir. A Sociedade Brasileira de Hepatologia lanço comunicado agradecendo ao órgão a nova portaria de diretrizes terapêuticas. Veja a seguir.

A Sociedade Brasileira de Hepatologia agradece ao Ministério da Saúde pela nova portaria de diretrizes terapêuticas para a Hepatite B e Hepatite Delta

Além da Hepatite C , o Brasil enfrenta a Hepatite B e a Hepatite Delta. Estas últimas vitimam 3 a 20% da população na Amazônia Ocidental Brasileira, a depender do município e da etnia indígena.

Para complicar a situação, o material genético do vírus B e do vírus Delta nesta região difere daquele observado em outras partes do país e do mundo. Portanto temos a necessidade de construir a história natural, o diagnóstico e tratamento dessas Hepatites na nossa realidade Brasileira. Teremos também que enfrentar todas as adversidades sociais e geográficas que se impõem na Amazônia.

Dentro deste contexto, consideramos que a Hepatite Delta é a doença mais negligenciada deste país. Apesar de lidarmos com surtos de hepatite Delta descritos desde o inicio do século passado (descrição clinica de hepatite fulminante), lembrando as prováveis epidemias durante a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, pouco avançamos. Desde então, testemunhamos sucessivas notícias vinculadas na imprensa sobre surtos de Hepatite na região, às vezes com elevada mortalidade, sobretudo entre índios do Vale do Purus, do Juruá e do Javari.

A Hepatite Delta é muito pouco discutida no Brasil. Talvez por vitimar, quase exclusivamente, ribeirinhos pobres ou indígenas isolados na região mais ocidental do país. Assim, a grande imprensa brasileira não deu o devido destaque ao tema. Talvez, também por isso, as nossas autoridades de saúde tenham, por longo tempo, mantido uma atitude passiva no enfrentamento desse grave, senão o maior problema de Saúde Pública da Amazônia Ocidental Brasileira. O vírus da Hepatite Delta, aquele vírus que parasita o vírus da Hepatite B, situação única entre viroses que causam agravos a humanos, seja o que faz a maior agressão ao fígado dentre todos os vírus causadores de Hepatites virais. Este é encontrado única e exclusivamente na região Amazônica

Já a Hepatite B não se restringe só a Amazônia. É endêmica em todas as áreas do país, incluindo os Bolsões das áreas povoadas por imigrantes Asiáticos e Italianos no Sul/Sudeste, além do Vale do Jequitinhonha e de outras regiões do Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.

O Brasil demorou muito para enfrentar as Hepatite virais como problema de saúde pública. Lembramos que em 1994, quando a Sociedade Brasileira de Hepatologia iniciou os primeiros passos junto ao Ministério da Saúde, encontramos as Hepatites virais no escopo de ação das doenças de transmissão hídrica, numa clara demonstração de que o Brasil dispensava muito pouca importância a esta doença.

Posteriormente, quando fomos mundialmente reconhecidos pelo nosso excelente programa de DST/AIDS, percebemos que a vontade política é tudo neste país. Enquanto éramos premiados pelo excelente programa DST/AIDS, com muita justiça e louvor, pouco se falava sobre Hepatite Virais no Ministério da Saúde.

É preciso lembrar que a própria OMS reconhece que no mundo existem 600 milhões de portadores de Hepatites Virais. Mesmo com todo o flagelo Africano da AIDS, estima-se que para cada morte pelo vírus HIV tenhamos de oito a dez mortes, direta ou indiretamente, relacionadas aos vírus das Hepatites B, C e Delta em todo mundo.

Posteriormente, mais um clamor ecoou junto ao Ministério da Saúde, desta vez ouvido pelo Drº. Jarbas Barbosa, então Diretor do CENEPI. Ele juntamente com o Drº Eduardo Hage em 2000, iniciou os primeiros passos para que enfrentássemos esse grave problema de Saúde Pública no Brasil, todavia problemas internos do Ministério e até mesmo a falta de entendimento de alguns setores quanto a importância do problema, acabou por prejudicar o andamento da formação de um verdadeiro programa nacional de Hepatites Virais.

Só em 2003 tivemos a formação de um programa de Hepatites Virais junto a Secretaria de Vigilância a Saúde, hoje muito bem conduzida pelo Dr Gerson Penna. Demos, então, os primeiros passos no sentido de resgatar essa imensa dívida para com os milhões de portadores das Hepatites B, C e Delta do país, a maioria deles fora da rede por diversos motivos. Dentre as justificativas da falta de acesso destes pacientes à rede destacamos: 1. a necessidade de capacitação dos profissionais da Rede Básica, 2. o silêncio clínico da doença que evolui por décadas e 3. a dificuldade de acesso as meios diagnósticos e terapêuticos e 4. a escassez de Hepatologistas de formação no país..

Aos poucos, a partir de 2003 tivemos avanços impressionantes. Embora ainda muito longe do ideal, não podemos negar que o Brasil arregaçou as mangas para enfrentar a situação, ainda que tardiamente. Dentre as diversas ações de capacitação, educação médica e cooperação com as organizações não governamentais de apoio aos portadores de Hepatites virais do país, tivemos as nossas Portarias Ministeriais disponibilizando de forma universal o tratamento para Hepatite – B e C, através do Programa de Assistência Farmacêutica de Alto Custo do SUS.

Infelizmente a Hepatite Delta não foi contemplada durante este período. Além disso, as portarias sofrem com a morosidade nas suas atualizações. Mesmo assim, os avanços aconteceram e os pacientes com Hepatite B e C que tiveram a oportunidade de chegar à rede (uma minoria). Deste modo, puderam se beneficiar de opções terapêuticas até então inexistentes no Serviço Público do país.

Infelizmente, no caso tanto na Hepatite B e também na Hepatite C, temos problemas na demora da atualização das portarias Ministeriais, principalmente no momento em que há uma forte mudança de paradigmas nos esquemas terapêuticos dessas doenças, motivada pelo grande número de publicações acerca deste tema, mormente no que se refere às novas opções terapêuticas e/ou as mudanças nos esquemas terapêuticos com intuito de otimizá-los.

O Volume de publicações de qualidade em revistas de conceito internacional é muito grande, mas, a velocidade com que o Ministério da Saúde absorvia e transformava essas aquisições científicas em benefício para a população não acontecia na mesma proporção. O caso da Hepatite B ilustra bem a angústia que médicos e pacientes passaram ao longo de sete anos com o uso de uma única medicação, a lamivudina. Este medicamento já não era opção de 1a linha na maioria dos países em função da elevada taxa de resistência que alcança cerca de 70% ao longo de quatro anos de tratamento. Pior ainda, utilizamos a Lamivudina sem que tivéssemos estruturada uma rede para o diagnóstico da resistência, fato que nos faz supor uma legião de pacientes resistentes a lamivudina no país sem ter tido a oportunidade do diagnóstico e do resgate precoce tão importante para garantir a sua sobrevida livre de complicações da doença hepática.

Alguns estados, a exemplo da Bahia e do Acre, se anteciparam na oferta dos novos medicamentos na rede pública, mas a maioria das unidades da federação não apresentava outra opção ao paciente portador de Hepatite B.

Enquanto em outros países já usávamos opções terapêuticas mais avançadas, no Brasil continuávamos utilizando única e exclusivamente a Lamivudina ou Interferon na maioria dos estados, até que, recentemente, o Ministério da Saúde, através da Secretária de Vigilância a Saúde, atendeu ao clamor das Sociedades Médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Hepatologia, assim como das Organizações não Governamentais e de toda comunidade médica do país, além dos parlamentares sensíveis à causa.

Assim, no dia 27 de Outubro de 2009, o Brasil deve comemorar uma nova portaria de Hepatite B. O Ministro Temporão deverá assinar uma portaria ministerial atualizando a terapêutica desta doença no SUS, incluindo também diretrizes terapêuticas para Hepatite Delta. Este último aspecto é emblemático no resgate dessas dívidas.

Louvável atitude do Drº Gerson Penna da Secretária de Vigilância a Saúde, de todo o grupo do PNHV, do departamento do DST/AIDS e, principalmente, do Ministro Temporão que tomou para si a responsabilidade do atendimento a este clamor.

A Sociedade Brasileira de Hepatologia sente-se honrada em participar da Cerimônia de Assinatura desta Portaria, não só pelo fato de ter contribuído para que a mesma tenha chegado ao seu termo, assim como pelo entendimento de que esta Portaria simboliza o compromisso deste Governo, doravante, com a atualização periódica de todas as Portarias de Hepatites Virais.

Voto de louvor para todos os Parlamentares que se envolveram nesta luta e que buscaram sensibilizar as nossas autoridades de saúde para que chegássemos a esta Portaria. Voto de louvor a todos os funcionários do Ministério da Saúde que buscaram a melhor maneira possível de construir uma Portaria que atendesse, de maneira racional, a política de saúde pública no tratamento da Hepatite B e Delta num país onde a definição de prioridades é muito difícil pelas suas múltiplas carências, assim pela imensidão do nosso maior patrimônio social que chama SUS.

É justamente em nome deste SUS, o grande programa de inclusão social deste país, que agradecemos ao Excelentíssimo Sr.º Ministro da Saúde e a sua equipe por ter corrigido esta injustiça e por ter assumido o compromisso de não permitir que ela aconteça novamente.

A Sociedade Brasileira de Hepatologia será sempre uma parceira do Ministério da Saúde para que o acesso dos portadores de Hepatite B, C e D seja cada vez mais democratizado na rede pública e que as nossas Portarias Ministeriais no tratamento destas doenças atendam com racionalidade e adequação a realidade brasileira.

Atenciosamente,

Raymundo Paraná
Presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia

Agência de Notícias da Aids -29.10.2009





Preconceito é tema da campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids de 2009

30 10 2009

O Departamento Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde, informa em comunicado que o slogan deste ano para celebrar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, 1 de Dezembro, será “Viver com aids é possível. Com preconceito não”. Leia o comunicado na íntegra a seguir.

Agência de Notícias da Aids -30.10.2009





A FDA recomenda a aprovação do maraviroc como tratamento de primeira linha nos Estados Unidos

29 10 2009

Após a decisão da US Food and Drug Administration’s Antiviral Drugs Advisory Committee de recomendar a aprovação do maraviroc (Selzentry® nos Estados Unidos, Celsentri® no resto do mundo), o inibidor CCR5 produzido pela Pfizer, os doentes com infecção pelo VIH nos Estados Unidos têm dentro das próximas semanas, mais opções de terapêuticas de combinação de primeira linha.

O maraviroc já foi aprovado para o uso em combinação com outros antiretrovirais nos doentes com experiência em tratamentos e que estejam infectados pelo VIH CCR5 (vírus que utilizam o receptor CCR5 para entrar nas células CD4). O maraviroc é o primeiro de uma nova classe de medicamentos anti-retrovirais que bloqueiam o receptor CCR5.

Todos os doentes que sejam considerados para o tratamento com o maraviroc devem ser submetidos a um teste de tropismo para assegurar que a estirpe da sua infecção pelo VIH é de facto trópica para o CCR5. Os doentes cuja população viral não apresente tropismo para o CCR5 não obterá uma redução na carga viral quando tratados com o maraviroc.

O maraviroc foi agora recomendado para aprovação como parte do tratamento de primeira linha, com base na repetição das análises aos resultados do estudo MERIT, que comparou o maraviroc com o efavirenze em doentes naive, tendo a totalidade dos participantes recebido AZT/3TC (Combivir®). A análise inicial do estudo não conseguiu provar que o maraviroc não era inferior ao efavirenze quando foram comparadas as proporções de doentes que atingiram uma carga viral inferior a 50 cópias/ml às 48 semanas.

No entanto, a análise subsequente dos participantes do estudo, utilizando uma versão mais sensível do teste Trofile® (tropismo viral) determinou que não existiam taxas diferentes de supressão viral nos doentes que eram do tipo CCR5. As análises anteriores tinham incluído um número de doentes que se revelaram como tendo uma estirpe do vírus não trópico para o CCR5, não detectada pelo teste de primeira geração do Trofile®.

O estudo MERIT também demonstrou que o maraviroc era melhor tolerado do que o efavirenze, em alguns aspectos. Significativamente, menos doentes sofreram efeitos secundários relacionados com o sistema nervoso central no grupo sob tratamento com o maraviroc.

O requisito para o teste ao tropismo atrasou a aprovação do maraviroc devido ao custo elevado deste teste, mas as investigações recentes sugerem que a tecnologia utilizada para o teste à resistência -genotipagem- também pode ser utilizada, com o mesmo grau de precisão do que o teste ao tropismo, para determinar se o tropismo do vírus do doente é CCR5.

O maraviroc irá ainda enfrentar uma desvantagem significativa no mercado de medicamentos de primeira linha; é de duas tomas ao dia, enquanto que o efavirenze (Stocrin®) e o inibidor da protease líder no mercado, atazanavir (Reyataz®) são de toma única diária.

As duas doses diárias irão impedir a co-formulação com o comprimido de análogos dos nucleósidos uma vez ao dia da Glaxo SmithKline, que contém abacavir e 3TC (Epzicom® nos Estados Unidos, Kivexa® no resto do mundo). A Pfizer e a Glaxo SmithKline anunciaram em Abril que planeavam fundir o seu sector do VIH para criar uma nova companhia especializada.

Keith Alcorn/nam – 29.10.2009





Projecto de lei ugandês propõe a pena de morte para homossexuais seropositivos para o VIH que sejam sexualmente activos

29 10 2009

O Ministério Público do Uganda apresentou um projecto de lei que poderá aplicar a pena de morte a homossexuais seropositivos para o VIH que tenham relações sexuais com outros homens.

O projecto de lei apresentado por David Bahati procura introduzir o crime de “homossexualidade agravada” que poderá, igualmente, aplicar a pena de morte às pessoas que têm relações sexuais com outras do mesmo sexo, se um dos parceiros for portador de deficiência ou menor de 18 anos.

Um Promotor Público independente do Uganda, John Otekat Emile, citado pela BBC Online afirma que há “99% de hipóteses” deste projecto de lei passar.

Os primeiros esboços desta “lei Anti-Homossexual”, previa a punição da homossexualidade com a elevada multa de 10 milhões de xelins ugandeses e a pena máxima 10 anos de prisão.

O projecto de lei procura punir a “promoção da homossexualidade” – incluindo o financiamento e patrocínio de organizações LGBT e a difusão, publicação ou venda de materiais informativos sobre homossexualidade – com a aplicação de multa e pena de prisão, no mínimo, de cinco anos.

De acordo com a International Lesbian and Gay Human Rights Commission, qualquer pessoa que tenha conhecimento de violações à lei e não as reporte num prazo de 24 horas, será sujeita a uma pena de prisão de seis meses por ter negligenciado denunciar os colegas, familiares ou amigos.

O projecto de lei também reivindica jurisdição sobre os ugandeses que violem estas disposições, quando se encontrem fora do país, por exemplo, um cidadão ugandês, residente no Reino Unido, em visita ao Uganda, poderá ser condenado e preso com base em alegações de ter cometido qualquer delito enquanto se encontravam no Reino Unido.

O Uganda é beneficiário de considerável ajuda internacional para a SIDA. Têm sido expressas preocupações sobre o facto de o dinheiro disponibilizado pelo programa norte-americano PEPFAR ter sido canalizado para organizações homofóbicas.

Em 2008, durante uma conferência internacional realizada no Uganda, diversos activistas foram presos quando protestavam contra a decisão tomada pela governo ugandês de não autorizar os homossexuais a receber qualquer tipo de apoio.

Nos últimos meses, no Uganda, houve um nível crescente de acções de discriminação e violência relacionada com a orientação sexual das pessoas.

A International Gay and Lesbian Human Rights Commission (IGLHRC) destacou a detenção de quatro homens durante 90 dias, sem que estes tivessem direito a julgamento ao abrigo das já, por si, draconianas leis anti-homossexualidade. Um quinto homem, Brian Pande, morreu em meados de Setembro, quando estava hospitalizado, sem se saber a causa de morte. Em Agosto, organizações anti-homossexuais organizaram uma manifestação como forma de protesto, na capital ugandesa Kampala.

O IGLHRC destacou também que a legislação proposta constitui uma violação de várias convenções internacionais de direitos humanos das quais o Uganda é signatário.

Além disso, acreditam também que esta lei viola várias cláusulas da Constituição do Uganda, que supostamente garante o direito à privacidade, o direito à liberdade de opinião, expressão e reunião, a protecção de grupos minoritários e a protecção dos direitos e actividades cívicas.

O Alto Comissariado do Uganda poderá ser contactado através deste link.

Michael Carter/nam – 28.10.2009





Vinte e dois jovens participam de formação de líderes no tema HIV/aids

29 10 2009

Vinte e dois jovens com HIV de todo o Brasil participam, em Brasília, de uma iniciativa inédita para formação de líderes no tema HIV/Aids. O grupo com idade entre 16 e 24 anos terá a carteira de trabalho assinada e, durante onze meses, fará “estágio” em setores públicos e não governamentais que atuam no enfrentamento da epidemia.

Eles receberão uma bolsa de iniciação profissional no valor de R$ 472. A intenção é despertar nos adolescentes o interesse em serem futuros gestores da política de aids brasileira. A oficialização dos contratos ocorre nesta quinta-feira, às 11h, no Centro de Convenções Israel Pinheiro, no Lago Sul. O projeto é uma parceria do Departamento de DST,Aids e Hepatites Virais com a Pact Brasil e agências das Nações Unidas.

Fonte: Departamento de DST,Aids e Hepatites Virais

Agência de Notícias da Aids – 28.10.2009





Tenofovir poderá ser produzido no Brasil no próximo ano, informa Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

28 10 2009

Com a decisão do Brasil de recomendar o tenofovir aos pacientes com hepatite B, a Anvisa autoriza, por meio de uma RDC (Resolução da Diretoria Colegiada), publicada no Diário Oficial de 27 de outubro, o uso off label do medicamento (uso do medicamento para uma indicação diferente da que está registrada na agência).

“O Brasil coloca, mais uma vez, o interesse da saúde acima dos interesses da indústria farmacêutica. Não tem sentido não garantirmos o acesso a uma melhor terapia aos pacientes brasileiros por uma questão de mercado”, diz o ministro José Gomes Temporão.

Fonte: Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

Agência de Notícias da Aids – 28.10.2009





ONG francesa promove feira de alta costura, moda e decoração para arrecadar fundos e ajudar pessoas com HIV

28 10 2009

A ideia surgiu em 1993, quando o companheiro de Yves Saint Laurent, Pierre Bergé, decidiu mobilizar profissionais da moda na luta contra a aids. A partir de doações, uma grande venda de roupas e acessórios agitou Paris e mobiliza, até hoje, milhares de pessoas para a questão do HIV. A próxima edição da Braderie Arcat começa nesta quinta-feira (29/10) e vai até sábado (31/10), na capital francesa.

A feira é realizada pela organização da sociedade civil ARCAT (www.arcat-sante.org) duas vezes por ano, uma em cada semestre. No início, as vendas eram mais concentradas na alta costura, mas, com o passar do tempo, outras doações vieram. Além das grandes marcas, como Christian Lacroix, Jean-Paul Gaultier e John Galliano, outros produtos como artigos esportivos, cosméticos, peças de decoração, livros e jogos infantis são oferecidos com descontos que vão de 30 a 90%.

A última edição, realizada em maio deste ano, vendeu mais de 10 mil artigos e envolveu 200 doadores e 50 voluntários. O público foi de mais de 5 mil visitantes. A ARCAT arrecadou 200 mil euros. O fundo contribui para o financiamento dos programas de assistência às pessoas vivendo com HIV desenvolvidos pela ARCAT, como assessoria jurídica, acompanhamento psicológico e inserção social e profissional.

Braderie Arcat
Local: Espace Showroom 30, 30 rue de Lisbonne, Paris

Entrada: 2 euros.
*A repórter participa, em Paris, do estágio do Programa de Cooperação Técnica Brasil-França em HIV/aids
Nara Anchises*/Agência de Notícias da Aids - 28.10.2009





Pesquisa traça panorama sobre resistência à terapia antirretroviral no Brasil

28 10 2009

Um panorama epidemiológico brasileiro sobre a prevalência da resistência à terapia antirretroviral em portadores do HIV que nunca se trataram – os chamados pacientes virgens de tratamento – acaba de ser publicado pela revista AIDS Research and Human, Retroviruses. “A prevalência e as características de pacientes com esse perfil são pouco documentadas no Brasil”, afirma o professor Eduardo Sprinz, infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e um dos autores do estudo.

Idealizado pela Pfizer, o estudo “Resistência à terapia antirretroviral em pacientes com HIV/AIDS virgens de tratamento no Brasil” envolveu 400 pacientes de 20 centros clínicos de 13 cidades brasileiras: São Paulo, Campinas, Santo André, Santos, Ribeirão Preto, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Salvador e Brasília.

Seguindo consenso da Sociedade Internacional da AIDS, testes de genotipagem (para identificar a presença de vírus mutantes) foram conduzidos nos pacientes do estudo. “Esse tipo de teste é obrigatório em alguns países. O procedimento é feito antes de se iniciar o tratamento para detectar características específicas do HIV e identificar o tratamento adequado a cada paciente”, explica Sprinz. Entre os pacientes que apresentaram algum tipo de resistência, a maioria (91%) apresentou o vírus subtipo B, o mais prevalente no Brasil. No mundo, o vírus mais prevalente é o subtipo C.

Resultados do estudo revelam que 7% dos pacientes virgens de tratamento apresentaram mutações no vírus HIV, ou seja, resistência à terapia com uma classe de antirretrovirais. Pacientes virgens de tratamento, cujos parceiros já se tratavam com antirretrovirais, apresentaram mais chances de ter algum grau de resistência aos medicamentos antiaids.

Segundo Sprinz, testes para verificar a resistência à terapia antirretroviral em pacientes virgens de tratamento deveriam ser considerados, especialmente junto àqueles cujos parceiros estão em tratamento com o coquetel antiaids. “É importante realizar estudos dessa natureza periodicamente. Os resultados podem influenciar na resposta ao tratamento da doença”, conclui.

A epidemia da Aids
Segundo o programa das Nações Unidas para Aids (Unaids), a epidemia já infetou 33 milhões de pessoas no mundo, atingindo cada vez mais pobres e cada vez mais jovens. Desde 2001, o número de novos casos por ano caiu cerca de 10% – foram 3,1 milhões de infecções contra 2,7 milhões em 2007. No Brasil, a epidemia de aids está estabilizada em cerca de 30 mil novos casos por ano desde 2000. Estima-se que 630 mil pessoas no país sejam portadoras do HIV.

Fonte: cdn comunicação corporativa

Agência de Notícias da Aids – 28.10.2009





Ministério da Saúde anuncia novo tratamento para portadores de hepatite B crônica

28 10 2009

O Sistema Único de Saúde (SUS) adotou mais três medicamentos antivirais como alternativa de tratamento para o controle da hepatite B crônica. As drogas são o tenofovir, que também é usado no tratamento antiaids, o entecavir e adefovir. Segundo o Ministério da Saúde, os medicamentos estarão disponíveis até o fim do primeiro trimestre de 2010.

Portadores de hepatite B crônica terão novas opções de tratamento no SUS

Protocolo atualizado recomenda três novos medicamentos para a doença, principal causa de câncer no fígado. Documento uniformiza terapia para todo o país

Os portadores da hepatite B contarão com novas opções para tratamento – três medicamentos antivirais, que, associados a outros dois já adotados no Sistema Único de Saúde, ampliam as alternativas de tratamento para o controle da ação do VHB (o vírus causador da doença) no organismo. As drogas fazem parte do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Hepatite Viral Crônica B e Coinfecções, lançado pelo Ministério da Saúde na terça-feira, dia 27 de outubro. A pasta está finalizando as negociações com os laboratórios e os medicamentos devem estar disponíveis nas unidades de saúde até o fim do primeiro trimestre de 2010.

MEDICAMENTOS INCORPORADOS

Os antivirais tenofovir, entecavir e adefovir.

Lamivudina e interferon convencional já fazem parte do protocolo anterior

De acordo com dados do Estudo de Prevalência de Base Populacional das Infecções pelos Vírus das Hepatites A, B e C nas capitais do Brasil, a prevalência da hepatite B 7,44% da população do conjunto das capitais brasileiras e do DF entre 10 a 69 anos já tiveram contato com o VHB (vírus causador da doença). Desses, quase todos o eliminaram do organismo. Mas 0,37% da população pesquisada – em torno de 127 mil pessoas – continuavam com o vírus. Ou seja, estavam com a forma aguda da doença ou desenvolveram a forma crônica.

A evolução para a forma crônica ocorre em aproximadamente 5% a 10% dos adultos expostos ao vírus. Associada ao consumo de álcool e fumo, à idade e ao histórico familiar, aumenta o risco de cirrose e câncer no fígado. É o tratamento que, ao reduzir a replicação da carga viral e o dano hepático, diminui as chances de evolução para essas doenças graves.

Tratamento – O último protocolo para tratamento de hepatites estava em vigor desde 2002. A publicação do atual, associada à centralização da compra dos medicamentos pelo Ministério da Saúde, estabelece uma nova política nacional para o tratamento da doença. Ele deve pautar a atuação de hepatologistas e infectologistas de todo o país.

Ao longo dos anos, os estados começaram a adotar medicamentos independentemente da recomendação do Ministério da Saúde, o que levou a uma oferta de terapia diferenciada entre as unidades da federação. “Com a compra centralizada dos medicamentos, o país vai oferecer as melhores opções de tratamento a menores custos, já que aumentará seu poder de negociação com os laboratórios”, explica Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, ao qual o Programa Nacional de Prevenção e Controle das Hepatites Virais foi recentemente integrado.

Em recente negociação, finalizada em outubro, o Ministério da Saúde reduziu em 31,10% o valor pago pelo comprimido de tenofovir. Passou de US$ 2,54 para US$ 1,75, o que gerou uma redução de gasto de R$ 42,4 milhões para o orçamento de 2010. Com essa gestão, a pasta pode destinar parte dos recursos – cerca de R$ 20 milhões – para atender os portadores de hepatite B crônica no próximo ano sem grande impacto no orçamento, aumentando a eficiência do gasto.

Além dos novos medicamentos, o documento avança por recomendar a combinação de drogas para tratar pacientes em caso de resistência viral, além de propiciar o uso racional dos medicamentos. Isto é, o melhor medicamento ao custo mais baixo. Outra característica importante do novo protocolo é a recomendação da abordagem sequencial do tratamento, que preserva alternativas futuras de tratamento para eventual resistência viral e falha terapêutica.

Vacina

A vacina contra hepatite B é uma das principais medidas de prevenção contra a doença. Após as três doses da vacina, mais de 90% dos adultos jovens e 95% das crianças e adolescentes ficam imunizados contra a doença. Ela é oferecida na rede pública a toda a população até 19 anos desde 1998. Também está indicada para grupos específicos, como profissionais de saúde, independentemente da faixa etária.

A cobertura acumulada atual é cerca de 80% da população nessa faixa etária. Isso equivale a mais 50 milhões de pessoas que receberam as três doses da vacina. Já na faixa etária de 11 a 19, a cobertura cai para 63%. É uma das prioridades do Ministério a ampliação dessa cobertura para perto de 80%.

Cobertura vacinal acumulada contra hepatite B
Número de vacinados com três doses acumuladas da vacina contra a Hepatite B na população de 11 a 19 anos de idade, por estado no Brasil, de 1994 a março de 2009.

Aguda X crônica

A infecção pelo vírus da hepatite B pode tornar-se crônica. Cerca de 30% dos adultos expostos ao VHB apresentam os sintomas da forma aguda – icterícia (cor amarela da pele e do branco dos olhos), febre, mal estar, náuseas, vômitos, dor nos músculos, colúria (urina escura) e hipocolia fecal (fezes claras). Essa porcentagem é ainda menor entre as crianças. A confirmação do diagnóstico da hepatite crônica se dá pela persistência do HBsAg por mais de seis meses, detectado por meio de testes sorológicos.
Os testes estão disponíveis na rede pública de saúde. Os estados têm autonomia para realizar a compra dos marcadores sorológicos para as hepatites virais B, pagos por procedimento pelo Ministério da Saúde.

Os testes de biologia molecular para a hepatite B são adquiridos por compra centralizada pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos estados de acordo com a demanda por eles apresentada. Os resultados desse exame e da biópsia de fígado, quando necessária, definem o início do tratamento da hepatite crônica. Já está em processo de finalização a compra de 16.170 testes de carga viral para atendimento das unidades da federação ao longo de 2010.

Formas de transmissão da hepatite B

A hepatite viral B é transmitida pelo sangue, esperma e secreção vaginal. Assim a transmissão pode ocorrer pela relação sexual desprotegida, pelo compartilhamento de objetos contaminados como: lâminas de barbear e de depilar, escovas de dente, alicates de unha, materiais para colocação de piercing e para confecção de tatuagens, instrumentos para uso de drogas injetáveis (cocaína, anabolizantes e complexos vitamínicos), inaláveis (cocaína) e pipadas (crack), acidentes com exposição a material biológico e procedimentos cirúrgicos, odontológicos e de hemodiálise, em que não se aplicam as normas adequadas de biossegurança. A transmissão via transfusão de sangue e hemoderivados é rara em face da triagem sorológica obrigatória nos bancos de sangue (desde 1978 para a hepatite B e 1993 para a hepatite C).

Geralmente, a transmissão vertical ocorre no momento do parto e dentre as hepatites virais o risco é maior para hepatite B, ocorrendo em 70% a 90% dos casos cujas gestantes apresentam replicação viral. Ressalta-se que os recém-nascidos de mães HBsAg reagentes devem receber a primeira dose da vacina contra hepatite B e imunoglobulina. A infecção via transplacentária é incomum. Na hepatite C esse mecanismo de transmissão é menos frequente, podendo ocorrer em cerca de 6% dos casos, chegando a 17% nas gestantes coinfectadas com o vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).

Apesar da possibilidade de transmissão pelo aleitamento materno, não há evidências conclusivas de aumento do risco à infecção, exceto na ocorrência de fissuras ou sangramento nos mamilos.

Assim como para a prevenção da aids, o MS vai intensificar seus materiais informativos de prevenção para Hepatite B durante o carnaval.

Como as principais formas de infecção são muito similares às da transmissão do vírus da AIDS, o carnaval fará parte das ações para prevenção da hepatite B no próximo ano. Salões de beleza e estúdios de tatuagem também serão espaços estratégicos para a divulgação de informações sobre a prevenção da doença.

Mais informações: www.aids.gov.br

Fonte: Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

Agência de Notícias da Aids – 27.10.2009





Demissão de funcionário com HIV/aids sem justa causa é reconhecida pela justiça como discriminatória, afirma o advogado Otávio de Oliveira

28 10 2009

De acordo com o advogado especializado em direito trabalhista Otávio Romano de Oliveira, as demissões sem justa causa de funcionários com HIV/aids estão sendo reconhecidas como discriminatórias pelo Poder Judiciário. “Isso ocorre devido à dificuldade de se comprovar uma atitude de discriminação”, explicou.

Recentemente o advogado entrou com uma ação trabalhista depois que uma seguradora de grande porte no país dispensou um funcionário por causa da doença. Segundo Otávio, esse empregado precisou se afastar da empresa temporariamente em decorrência da aids e, quando voltou ao trabalho, foi demitido.

“O argumento utilizado pelo empregador foi que o funcionário não atingia as metas. Porém, em avaliações realizadas pela própria empresa, ele sempre se destacava com os bons resultados que obtia”, disse.

O advogado declarou que o cliente não conseguiu emprego em outras seguradoras, mesmo estando capacitado. “Os departamentos de recursos humanos pedem informações aos ex-patrões do candidato. Certamente souberam que ele tem aids e por isso não o empregaram.”

Otávio deu entrada na ação em 2008 e, um ano e meio depois, a decisão foi que o empregado deveria ser reiterado à empresa, receber todos os salários desde quando foi dispensado até a data em que retornaria à função, além de uma indenização de R$ 200 mil por danos morais. Porém, segundo o advogado, a empresa recorreu. ”Como há a questão da jurisprudência é muito provável que o meu cliente ganhe a causa. Acredito que a finalização de todo o processo ocorra em torno de seis meses.”

Outros direitos trabalhistas desrespeitados

O desrespeito aos direitos trabalhistas das pessoas com HIV/aids foi tema de discusssão durante o Seminário Declaração dos Direitos Fundamentais da Pessoa Portadora do Vírus da Aids, realizado em Porto Alegre (RS) em setembro deste ano (saiba mais).

Na ocasião, a procuradora do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul Márcia Medeiros de Farias afirmou que recebe com frequência denúncias na área.

Segundo ela, na seleção para uma vaga de emprego muitas vezes existem perguntas que, indiretamente, têm o objetivo de saber se o candidato possui o vírus, a doença ou comportamento de risco. “Isso é feito, por exemplo, por meio de questões sobre lugares que a pessoa frequenta ou se ela sai com garotos e garotas de programa”, explicou. “Além disso, muitos que disputam uma vaga de emprego são submetidos a testes de HIV, mesmo sendo proibido pela legislação.”

“Os empregadores abusam do poder e os empregados não sabem dos seus direitos. Essa realidade, aliada à precarização do trabalho e à crise econômica mundial fazem com que o mercado de trabalho seja um campo propício ao preconceito”, completou a procuradora.

Também durante o evento na capital gaúcha, a advogada e coordenadora do Gapa/SP (Grupo de Apoio à Prevenção à Aids), Áurea Abbade, afirmou que atualmente a discriminação às pessoas com o vírus ou a doença ocorre de forma mais sofisticada que antigamente. “Hoje ninguém diz abertamente que não aceita um soropositivo.” Áurea contou que desde que a ONG foi fundada, em 1985, realiza atendimento jurídico semanal a pessoas com HIV/aids, e que sempre recebe denúncias relacionadas ao mercado de trabalho.

Fábio Serrato/Agência de Notícias da Aids – 27.10.2009





Portugal cai cinco lugares no índice global que mede a desigualdade de géneros

27 10 2009

Pode não ter sido uma consequência directa, mas num ano marcado pela crise financeira, a desigualdade entre homens e mulheres ficou mais vincada. No Global Gender Gap Index 2009, que o Fórum Económico Mundial apresenta hoje em Nova Iorque, Portugal caiu cinco posições face a 2008 (tendo em conta o mesmo número de países analisados) e ocupa, agora, o 46.º lugar, numa tabela de 134 países dominada pela Islândia, Finlândia e Noruega.

Há um ano, Portugal conseguia mais pontos nos indicadores que medem a participação económica e as oportunidades de carreira dadas às mulheres, e conquistava vantagens no acesso à educação básica e superior. Comparando com 2008, há uma quebra na igualdade dos salários pagos para a mesma função, no acesso a cargos de topo nas empresas ou na justiça, e às profissões técnicas em geral. Mais: esta é a primeira vez nos últimos três anos que há uma descida na pontuação obtida. O ano passado, o fosso entre géneros reduziu 70,5 por cento. Hoje, essa diferença é de 70,1 por cento.

Nem tudo são más notícias. Olhando para os resultados gerais do ranking, Portugal está acima da média em três dos quatro indicadores utilizados pelo Fórum Económico Mundial para calcular os resultados. Apenas na participação política os pontos obtidos são inferiores (este indicador mede desde o número de mulheres no Parlamento, ao número de anos que uma mulher foi chefe do executivo). Portugal consegue atingir a igualdade de géneros nas profissões técnicas, no acesso ao ensino secundário e superior e na esperança média de vida.

O Global Gender Gap Index avalia a forma como cada país distribui as oportunidades existentes, independentemente do tipo de recursos de que dispõe. É por isso que à frente de Portugal estão o Uganda (40) e o Botswana (39). Este último conseguiu subir 26 posições graças a um enorme aumento da participação das mulheres na força laboral, e a uma maior igualdade salarial.

Na linha da frente da tabela está a Islândia, que subiu quatro lugares e tirou o pódio à Noruega, agora, empurrada para terceiro. Na Islândia há igualdade no acesso a todos os níveis de educação, na esperança de vida à nascença, na conquista de um lugar em profissões mais técnicas, e uma presença equilibrada dos dois géneros na política. Já a Noruega, por exemplo, é o país que mais se destaca pela presença de mulheres no Governo. A Finlândia mantém-se como o segundo país do mundo com menos desigualdade entre géneros.

Em 2009 houve estreias nos dez melhores: África do Sul (6) e o Lesoto (10) entraram pela primeira vez nos lugares cimeiros do ranking. O país de Nelson Mandela, em particular, saiu da 22.ª posição devido ao aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, no Parlamento e no Governo. Já as Filipinas perderam o 6.º lugar (estão agora em 9.º), mas continuam a ser o único país da Ásia a liderar nesta matéria.

Alemanha (12) e Reino Unido (15) perderam pontos, mas dos países da União Europeia, a Itália continua a ser um dos mais mal classificados: está na 72.ª posição, caindo três lugares face a 2008 devido aos maus resultados obtidos nos indicadores sobre a participação das mulheres na economia.

Os países que menos fazem pela igualdade de género são o Iémen, o Chade, o Paquistão e o Benim.

Ana Rute Silva/Público – 27.10.2009





Brasil: Correia Picanço inaugura laboratório para doenças infectocontagiosas

27 10 2009

Já está funcionando o novo laboratório do Hospital Correia Picanço, na Tamarineira, zona norte do Recife. O centro deve realizar uma média de 500 exames por mês, contribuindo para agilizar no diagnóstico dos pacientes com suspeita de graves doenças infectocontagiosas, como Aids e meningite.

Em Pernambuco, apenas o Correia Picanço tem os profissionais capazes de fazer a retirada do líquido cefalorraquidiano, que fica entre as meninges na cabeça. O resultado fica pronto em aproximadamente 40 minutos. Nas unidades particulares, esse tempo de espera chega a cerca de seis horas, de acordo com a Secretaria de Saúde.

Entre os exames feitos no laboratório do Hospital Correia Picanço, estão os de hematologia, bioquímica e baciloscopia, além do teste para diagnosticar a tuberculose e Aids. Os pacientes portadores dessas duas últimas doenças recebem todo o acompanhamento ambulatorial na unidade de saúde.

O laboratório teve sua área útil ampliada, saindo de 25 para 250 metros quadrados. O espaço comporta agora uma sala de espera climatizada e com capacidade para cerca de 30 pessoas, além de três postos de coleta. Os exames são analisados dentro do próprio laboratório por uma equipe de 22 profissionais de saúde. O valor do investimento é de mais de R$ 240 mil.

pe360.com – 27.10.2009





Moçambique: Sociedade civil entrega ao Governo manifesto com recomendações para o próximo plano nacional contra a Sida

27 10 2009

A sociedade civil organizada que actua na reposta contra a Sida – composta por associações de pessoas vivendo com HIV, de pessoas com deficiência física, pelas minorias sexuais, pela terceira idade, entre outras – fez nessa terça-feira, 26 de Outubro, ao Conselho Nacional de Combate ao HIV e Sida (CNCS), à entrega do seu manifesto com recomendações para os próximos anos.

A ideia é que no Terceiro Plano Estratégico de Combate ao HIV e Sida (PEN III), a vigorar entre 2010 e 2014, estejam espelhadas suas exigências contra este flagelo, concebidas depois de um longo processo de planificação, discussão e reflexão.

“Este documento foi construído com base em constatações ao longo da implementação dos planos anteriores”, disse Linda Chongo, uma das representantes da sociedade civil. “Esperamos que este manifesto seja tomado em conta, não só pelo esforço empreendido, mas pelo impacto que terá nas pessoas infectadas e afectadas pela Sida”, acrescentou.

Rui Maquene, também representante da sociedade civil, disse que o manifesto “é o reflexo dos conhecimentos técnicos do dia-a-dia do combate ao HIV e Sida.”
Em Moçambique, factores como as parcerias múltiplas e concorrente; baixos índices de circucisão masculina; o baixo uso do preservativo; a migração; as desigualdades de género; e o estigma contribuem para a elevada prevalência do HIV.

O Impacto Demográfico do HIV/SIDA aponta para cerca de 1.6 milhão de pessoas vivendo com esse vírus actualmente no país, o que configura uma prevalência nacional de 14 por cento, entre os adultos.

Diogo Milagre, secretário executivo do CNCS, garantiu que este documento será tomado em conta no processo de produção do PEN III e que será também entregue aos apoiadores que dão o suporte financeiro àquela instituição do Governo e a todos os envolvido na produção do plano.

Por seu turno, o representante do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Sida, Maurício Cysne, afirmou que o ocorrido se trata de um passo importante para o futuro da resposta da epidemia, já que as preocupações da sociedade civil são essenciais.

“Este manifesto é uma fase dum processo e reflecte um esforço conjunto no combate à este flagelo”, comentou Cysne.

O Governo de Moçambique ratificou diversas declarações e convenções internacionais com vista a reduzir os casos de HIV e Sida, como, por exemplo, a Declaração de Compromisso sobre o HIV e Sida das Nações Unidas (UNGASS) e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

E agora, no desenho do PEN III, a sociedade civil exige que sejam reafirmados claramente os compromissos do país perante ao mundo.

André Manhice/Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 26.10.2009





Fórum de ONG/Aids de São Paulo quer informações sobre a não aprovação do projeto brasileiro de aids no Fundo Global

27 10 2009

No dia 13, o Departamento divulgou que tanto o projeto brasileiro de aids quanto o de tuberculose apresentados na 9ª rodada de negociações do Fundo Global foram classificados na categoria 3 pelo Painel de Revisão Técnica. Isso significa que os projetos não estão em condições de serem financiados no momento, mas podem ser reapresentados em futuras rodadas do Fundo Global, com reformulações.

No entanto, se mantidos os atuais critérios de elegibilidade, o país poderá não ser elegível para a próxima rodada, pois o Brasil passou recentemente a ser considerado como país de renda média alta.

Durante reunião mensal do Fórum, que em outubro ocorreu no dia 16, os participantes decidiram enviar um comunicado à coordenadora do Departamento de DST, Aids e Hepatiteas Virais, Mariângela Simão, solicitando informações como o motivo da reprovação do projeto de aids e o impacto desse resultado no combate à doença no país. Confira o comunicado na íntegra:

São Paulo, 26 de outubro de 2009.

Ao Departamento de DST/HIV/AIDS e Hepatites Virais

Prezada Dra Mariângela Simão

Conforme deliberado em reunião mensal do Fórum das ONG/AIDS do Estado de São Paulo servimo-nos desta para solicitar algumas informações no que se refere à não aprovação na 9ª rodada de negociações do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária da proposta nacional.

Gostaríamos de saber: já existem dados? E quais são? A respeito do impacto da negativa do envio de fundos via Fundo Global para financiamento de políticas e ações no âmbito da temática HIV/AIDS. E quais outras fontes poderão vir a suprir esta lacuna?

Neste sentido, também, gostaríamos de saber quais foram os motivos que levaram a não aprovação do projeto apresentado.

Nossos votos de estima e consideração

Rodrigo de Souza Pinheiro
Presidente

Agência de Notícias da Aids – 27.10.2009





Ministério da Saúde orienta pessoas com aids a não viajarem para países com casos de gripe A

27 10 2009

O Ministério da Saúde voltou a recomendar às pessoas que vivem com aids e outras doenças consideradas de risco que evitem viajar a países do Hemisfério Norte, especialmente onde há casos de H1N1. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo. Confira a notícia na íntegra a seguir.

Viajante deve reforçar higiene

Mariana Mandelli

O Ministério da Saúde brasileiro informou ontem não haver nenhum tipo de restrição para viagens internacionais por causa da gripe suína. Contudo, os turistas brasileiros que viajarem para países do Hemisfério Norte, especialmente para aqueles com casos confirmados de H1N1, devem seguir as orientações das autoridades sanitárias locais.

Pessoas que fazem parte do grupo de risco devem evitar viajar para esses países. Compõem o grupo idosos, crianças de até 2 anos, gestantes, obesos mórbidos, hipertensos, diabéticos e pacientes com câncer, AIDS e doenças crônicas cardíacas, pulmonares ou renais. O ministério também reforça os os cuidados com a higiene pessoal, como lavar as mãos constantemente, evitar colocar as mãos na boca, nariz e olhos, evitar aglomerações em ambientes fechados, proteger boca e nariz ao tossir ou espirrar, usar lenço descartável e não compartilhar objetos de uso pessoal.

O diretor de relações internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagens, Leonel Rossi, acredita que não haverá prejuízo para o setor. “Não tivemos caso de cancelamento de viagem até agora”, diz. Segundo ele, o impacto da gripe já passou.

O Estado de S. Paulo – 27.10.2009