A história da Aids contada pelos pacientes

31 08 2009

Homem recebeu a notícia de que só teria mais seis meses de vida, vendeu todos os bens, mas sobreviveu

BRASÍLIA. O administrador de empresas Gerson Barreto Winkler recebeu, em 1986, aos 27 anos, a notícia de que estava com AIDS e que teria seis meses de vida. Vendeu todos os seus bens em Porto Alegre (RS) para, depois desse diagnóstico, dar ao volta ao mundo antes de morrer. Hoje, aos 50 anos, Gerson está saudável e vivo para contar a história de um dos poucos portadores do vírus HIV daquela época que sobreviveram à doença.

 

 

O administrador é um dos vencedores do concurso “Vidas em crônica”, do Programa de AIDS, do Ministério da Saúde, que selecionou relatos de quem vive ou participa da vida de portadores do vírus e convive com essa epidemia. São histórias ambientadas nas décadas de 80, 90 e nos anos 2000 que traçam uma evolução da doença no país, os avanços no tratamento, com a chegada do coquetel de antirretrovirais, e o aumento da sobrevida de quem tem AIDS.

 

 

Gerson chegou a se aposentar por invalidez. Depois, virou um ativista da causa e conta como viveu aqueles dias: – Não tínhamos esperança.

 

 

O resultado positivo era declaração e condenação de morte.

 

 

A pergunta era: quanto tempo eu tenho? Na crônica vitoriosa, ele escreveu: “Cada vez que ouvia os dados da epidemia pensava: em qual desses números fui classificado? Em qual grupo de risco fui jogado? Eu me transformei num dado epidemiológico”.

 

 

Portadora do vírus, a pedagoga Maria (nome fictício) foi uma das vencedoras na categoria década de 90. Ela tem 48 anos e contraiu o vírus em 1992, depois de uma relação sexual sem PRESERVATIVO: – Fiquei muito doente e estive três vezes internada à beira da morte. Era uma questão de quando ia morrer.

 

 

A pedagoga orgulha-se de ter sido a primeira vítima da AIDS a conseguir na Justiça, em 96, o direito de ter acesso a medicamentos, todos importados. Hoje, reclama dos efeitos colaterais dos antirretrovirais.

 

 

- Os remédios atacam feio nas mulheres. Deixam a gente com aspecto feio, rosto e perna fina e barriga e seios enormes.

 

 

Alice Belém de Oliveira é enfermeira e trabalha com portadores do HIV no Rio. Sua história está entre as premiadas. Ela contou o drama da primeira morte de uma criança com AIDS que testemunhou, em 1987. “Senteime ao lado daquele leito e, segurando naquelas mãos já frias e pálidas, orei e pedi a Deus que permitisse que crianças-anjos vivessem neste mundo. Chorei um choro que estava reprimido há anos desde que perdi o meu primeiro paciente de AIDS. Duas décadas se passaram. Perdi alguns pacientes para a AIDS, mas muitos conseguimos recuperar. Com avanço tecnológico, a qualidade de vida melhorou”.

 

 

Ano de 87; quase todas as noites perdíamos pacientes para a AIDS, a maioria com poucos dias de internação, alguns até em 24 horas. Era devastadora a situação. O pior era o estigma que as pessoas tinham em relação aos soropositivos”

 

Alice Belém, enfermeira que trabalha com pacientes com HIV

Passaram-se 23 anos desde meu primeiro exame de HIV. As novas gerações de medicamentos vêm ocupando as estantes do meu armário. Nunca imaginei que chegaria tão longe, a ponto de ver minhas filhas casando, meus netos cruzando pela sala. Parece que tudo está certo, cumprindo seu destino

Uma aventura contemporânea: a arte de viver com aids 

A AIDS na minha vida é uma aventura contemporânea, pois tento efetivar, apesar dos desafios, a arte de existir. Entretanto, aprendi por questão de sobrevivência física, intelectual e afetiva a lidar com as diferentes nuances que surgem neste contexto. O difícil é quando o arcoiacute;ris surge de uma só vez. Respiro e sigo.

 

Casei duas vezes, trabalho, faço cabelo em salões baratos, mas no vinho e nos cosméticos costumo gastar um pouco mais. Cinema é quase sempre, gosto dos dramas e das comédias. Nada de terror! Adoro percussão e os tambores me emocionam.

 

 

Atuo em movimentos sociais, vou a congressos de AIDS, e sonho com um mundo melhor.

 

 

Fiz sexo sem PRESERVATIVO e peguei HIV em 1992.

Um novo ritmo se apresentou a partir daí na minha vida: algumas internações, tratamentos que não deram certo, medos, tuberculose óssea, morte iminente, discriminação, enfim, uma profusão de experiências, que marcam o corpo e a alma até hoje. Permanecer viva tem sido definitivamente um ato de rebeldia.

 

 

O rumo dessa história mudou com uma mágica farmacológica: a chegada dos antirretrovirais, drogas que trouxeram a revolução no tratamento para a AIDS, e o acesso a eles define quem vive e quem morre com AIDS no mundo.

 

 

Viver com AIDS é possível.

Hoje, meus amigos (as) com AIDS morrem menos, e eu não adoeço tanto. Entretanto, o final da história não é aqui. Desejo a cura e, com a curiosidade de menina, aguardo o dia em que anunciarão: “Foi encontrada a estrela da cura para a AIDS“.

Maria (nome fictício)

Sobrevida dobrou entre 2000 e 2007 

Portadores ainda lutam contra o preconceito, mas conquistam direitos

 

BRASÍLIA. Três décadas depois dos primeiros registros dos casos de AIDS no Brasil, a principal categoria de exposição da doença não é mais a dos homossexuais, mas a dos heterossexuais.

 

 

A diretora do Departamento de AIDS, Mariângela Simão, diz que ainda assim, até hoje, há resquícios do estigma contra os portadores do HIV.

 

 

Ela lembra que documentos do Ministério da Saúde daquela época classificavam a doença como uma “epidemia gay” e se pregava a restrição a um único parceiro nas relações sexuais: – Até hoje há discriminação, uma marca do início da epidemia.

 

 

Essa questão moralista sempre esteve presente. No começo, as pessoas se aposentavam, eram afastadas do emprego.

 

 

A luta hoje ainda é pela não exclusão do SOROPOSITIVO.

 

 

A diretora se recorda de que o final dos anos 80 e o início dos 90 foram períodos marcados também pela aparição de celebridades contaminadas pelo HIV, como a atriz Sandra Bréa, o cantor e compositor Cazuza e o sociólogo Betinho.

 

 

- A doença ganhou publicidade.

 

 

Mas foi só a partir de 1996, numa conferência internacional de AIDS em Vancouver, no Canadá, quando foi apresentado o coquetel antiAIDS, que o cenário começou a mudar. No Brasil, a sobrevida dos pacientes dobrou entre 2000 – quando era de 58 meses – e 2007, quando chegava a 108 meses.

 

 

- Na década de 80, o tempo entre o diagnóstico e o óbito era de cinco meses. Nos anos 90, foi para cinco anos e chegamos agora a dez. Isso muda a perspectiva – diz Mariângela.

 

 

“O tratamento passou a ser ambulatorial”, diz paciente

Gerson Winkler diz que a chegada dos medicamentos foi um momento mágico para quem vive com o HIV e desenvolveu a AIDS: – Foi um sopro de vida.

 

 

Para ele, a atual década é a da conquista dos direitos civis dos portadores do vírus.

 

 

- É uma época em que as pessoas estão retomando suas vidas e voltando ao trabalho.

 

 

Acabou a internação dos pacientes e o tratamento passou a ser ambulatorial.

 

 

Segundo dados do Ministério da Saúde, 85% dos municípios do país têm pelo menos um caso de HIV registrado.

 

 

O Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência de infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos.

 

 

Do total de registros de AIDS no país, foram identificados cerca de 315 mil casos em homens e cerca de 160 mil em mulheres. Mas, ao longo do tempo, a razão entre os sexos diminuiu de forma progressiva.

 

 

Em 1985, eram 15 casos de doença em homens para um em mulher. Essa relação, hoje, é de 1,5 para 1.

O Globo – 30.08.2009





Gripe A H1N1: Seropositivos estão a ser aconselhados, maior preocupação é com quem não sabe que tem HIV

31 08 2009

Lisboa, 30 Ago (Lusa) – Os doentes com HIV há meses que estão a receber informações sobre os riscos da gripe A para a sua condição, mas a grande preocupação dos profissionais de saúde diz respeito aos seropositivos que desconhecem estar infectados.

Segundo o coordenador nacional para a infecção HIV/sida, os doentes seropositivos estão, há cerca de dois meses, a receber informação sobre a gripe A e os cuidados que devem ter para evitar contágios com um vírus H1N1, que pode agravar a sua doença.

Em declarações à agência Lusa, Henrique Barros pormenorizou que estas informações estão a ser dadas aos doentes nos hospitais em que os mesmos são seguidos.

O médico Eugénio Teófilo, que presta esta consulta no Hospital dos Capuchos, é um dos clínicos que dispensa aos doentes seropositivos estes esclarecimentos e entrega aos mesmos um folheto que foi elaborado pela Coordenação Nacional para a Infecção HIV/sida.

O clínico internista explicou que o grande perigo do vírus H1N1 para os doentes imunodeprimidos deve-se ao facto de estes estarem mais expostos à infecção.

O risco é maior quanto maiores forem os níveis da imunodepressão, a qual abre as portas à infecção e sujeita estes doentes às complicações mais graves do vírus da gripe A, que são as pneumonias.

Eugénio Teófilo considera ainda que os perigos da gripe A não se limitam à altura da pandemia, pois o conhecimento científico actual indica que “após a infecção, o organismo fica mais susceptível de infecções bacteriológicas”.

Por esta razão, o médico defende a continuação da vacinação contra determinadas pneumonias bacteriológicas, que actualmente já é feita junto dos doentes com HIV.

O especialista acredita que as medidas de prevenção são suficientes e considera que os doentes estão conscientes dos riscos, embora preocupados com a fragilidade da sua doença face à gripe.

Porém, Eugénio Teófilo está mais preocupado com os doentes que não sabem que estão infectados com HIV e que, por isso, não são seguidos clinicamente nem reforçam as precauções, ficando assim “mais expostos ao vírus”.

Segundo este médico, “são alguns milhares os portugueses que estão infectados com o HIV e que não sabem”.

Os doentes seropositivos são considerados de risco e, por isso, prioritários no acesso aos medicamentos antivirais e às vacinas, assim que estas estiverem disponíveis em Portugal, disse Henrique Barros.

Expresso – 31.08.2009





África aborda analisa acesso universal ao tratamento da sida

31 08 2009

Dakar, Senegal (PANA) - Em colaboração com três redes regionais da sociedade civil, a AfriCASO, Aliança Internacional contra a SIDA e Enda Santé; a equipa regional de apoio da ONUSIDA para a África Ocidental e Central iniciou sábado em Dakar uma reflexão sobre a questão do acesso universal aos cuidados da sida, o reforço das capacidades e da parceria na luta contra a pandemia.

“Na região da África Ocidental e Central, a situação epidemiológica revela uma heterogeneidade geográfica no interior e entre os países e uma sexo-especificidade, declarou a directora da região africana da ONUSIDA, Meskerem Grunnitzky Békélé.

Békélé indicou que, no tocante à resposta à doença, há uma variabilidade no alcance dos objectivos, em particular a cobertura em matéria de acesso aos serviços de prevenção e tratamentos.

“Os países forneceram esforços importantes nestes últimos anos para acelerar o acesso à prevenção, aos tratamentos e aos cuidados, contudo desafios permanecem a enfrentar”, disse.

Segundo ela, em matéria de prevenção da transmissão do vírus da mãe à criança, apenas 11 por cento das mulheres grávidas que necessitaram destes serviços têm acesso e que apenas 25 por cento das pessoas portqdoras da sida recebem os antiretrovirais (ARV) entre as que deles necessitam.

Békéle estimou que a qualidade e a cobertura dos serviços e intervenções em direcção aos grupos vulneráveis deverão ser melhoradas na maioria dos países.

Para o responsável dos programas da AfriCASO, Innocent Laison, os países africanos devem fornecer mais esforços com vista a contribuir para os financiamentos das respostas nacionais e respeitar os seus co,pro,issos de consagrar no mínimo 15 por cento dos orçamentos nacionais à saúde, continuando ao mesmo tempo a explorar as abordagens inovadoras de mobilização dos recursos.

Laison sublinhou que, no tocante ao acesso aos tratamentos e a intensificação da prevenção, as respostas eficazes são as que combinam a prevenção, os tratamentos e os cuidados acessíveis a todos.

panapress – 30.08.2009





New York Times elogia em editorial nova postura sul-africana contra a Sida

31 08 2009

Na edição deste domingo, 30 de Agosto, o jornal norte-americano e um dos mais importantes do mundo, The New York Times, traz um editorial a elogiar a nova postura do governo sul-africano frente ao HIV e Sida.

Sob o título “Esperança para a África do Sul”, o editorial diz que “o Governo do presidente Jacob Zuma parece ter uma visão mais clara do que seu antecessor sobre o problema.”

É importante, entretanto, ressaltar que há um pouco mais de três anos Zuma sentou-se no banco dos réus para depor num caso de estupro. Acabou absolvido, mas selou ali a ira eterna dos activistas de combate à Sida. Ele disse aos juízes que sabia que a mulher tinha Sida, mas levou a relação sexual adiante, sem camisinha, porque “o risco de pegar HIV para o homem é mínimo”, e arrematou por dizer que tomou uma ducha em seguida, porque isso reduziria ainda mais o risco.

Confira o artigo na íntegra:

Esperança para a África do Sul

Durante anos, a África do Sul foi motivo de piada internacional por causa de sua postura absurda em relação à epidemia de Sida. Agora, aquele pesadelo nacional pode estar a terminar.

O novo governo do presidente Jacob Zuma parece ter uma visão mais clara do que seu antecessor sobre o problema, suas soluções e a necessidade de melhoria do sistema de saúde como um todo.

“Consertar o que está quebrado não será fácil, mas nos sentimos encorajados pelos sinais de compromisso em se fazer isto.”

Para entender aonde os líderes sul-africanos chegaram, é preciso relembrar de onde vieram.

O presidente anterior, Thabo Mbeki, deixou um histórico que ainda é difícil de entender: ele abraçou teorias malucas que disputavam o facto de que a Sida é transmitida por um vírus tratável. Ele insistia que drogas antiretrovirais são tóxicas e encorajava o uso de remédios à base de ervas inúteis.

Ele chegou a reivindicar até mesmo que não conhecia ninguém com a doença, embora quase 20 por cento da população adulta esteja a viver com o HIV.

Milhares de africanos foram desnecessariamente infectados e morreram. E o país mais influente da África subsaariana desperdiçou a oportunidade de conter a epidemia da Sida.

Embora tenha menos de um por cento da população mundial, a África do Sul agora representa 17 por cento do fardo das infecções mundiais pelo HIV.

Uma postura mais sã começou a tomar forma no ano passado, depois que Mbeki foi forçado a abandonar a presidência e Barbara Hogan foi nomeada ministra da saúde.

Na semana passada, o novo ministro da saúde, Dr. Aaron Motsoaledi, foi ainda mais adiante.

Ele aceitou uma crítica de cientistas sul-africanos, que disseram que a postura do partido governante do Congresso Nacional Africano em relação à Sida e aos cuidados médicos está cheia de problemas, e prometeu acções para remediar isto.

“Nós assumimos responsabilidade pelo que aconteceu e responsabilidade sobre como iremos avançar”, disse Motsoaledi num artigo de Célia Dunger para o The Times.

Os líderes da África do Sul têm que aderir a conselhos sensatos e com base científica a respeito da Sida e colocar em acção programas que busquem tanto tratar quanto prevenir a doença.

Isto significa ampliar os esforços para impedir que mães infectem seus bebés, desencorajar as pessoas de manter relações sexuais com múltiplos parceiros e oferecer a circuncisão aos homens, um procedimento cirúrgico relativamente simples que comprovadamente reduziu o risco de infecção na África do Sul.

O problema é maior que a Sida. Ainda que a África do Sul gaste mais em saúde do que qualquer outro país africano, a tuberculose é excessiva e os índices de mortalidade infantil estão a subir.

O governo tem que trabalhar para melhorar a qualidade dos cuidados médicos, garantir que todos os sul-africanos tenham acesso ao sistema e demitir funcionários incompetentes.

Nada disso irá reverter os danos e mortes do desastroso legado de Mbeki, mas pode oferecer às pessoas da África do Sul um futuro melhor.

New York Times – 31.08.2009





Moçambique: Deficientes no acesso às informações sobre o HIV e Sida

31 08 2009

Excluídos das campanhas de prevenção, os deficientes físicos e mentais são populações muito vulneráveis ao HIV em Moçambique, afirma o Coordenador da área de HIV e Sida na Handicap Internacional, João Vembane.

Em África, 60 milhões de pessoas são portadoras de pelo menos uma deficiência física ou mental.

Elas representam entre 15 a 30 por cento da população nas comunidades mais pobres, as quais são igualmente as mais afectadas pelo HIV, segundo a Campanha Africana sobre a Deficiência e o HIV e Sida.

Esta campanha, que começou em 1999 e termina no corrente, constatou que apenas dois por cento das crianças deficientes em África têm acesso à educação, o que as deixam automaticamente com menos oportunidades de informações sobre o HIV.

Os deficientes, ainda de acordo com esta campanha, são estigmatizados e acabam tendo grande dificuldade em conseguirem matrimónio, o que lhes conferem uma maior propensão de terem mais parceiros sexuais; além de serem até três vezes mais susceptíveis à violência sexual.

“Aqueles que são transportados por uma carinha de rodas ainda conseguem acessar alguma informação sobre a Sida, mas os deficientes mentais, auditivos ou visuais raramente. A situação entre eles é ainda mais preocupante”, ressaltou Vembane.

Com aproximadamente 20 milhões de habitantes, Moçambique tem cerca de 10 por cento da sua população com algum tipo de deficiência, informa a Organização Mundial da Saúde.

Estima-se que 324 mil moçambicanos deficientes físicos sejam seropositivos.

Fárida Gulamo, Directora para Área de Desenvolvimento Institucional da Associação dos Deficientes Moçambicanos, critica o estado actual de acesso a informação sobre a Sida no país.

“Será que não tenho o direito de estar informada sobre esta doença por ser deficiente auditiva ou visual? Como posso ir fazer teste de HIV nos centros de testagem voluntária se as condições lá não me permitem”, comentou.

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Sida reconhece que devido à falência do sistema de defesa do organismo de um seropositivo e às consequentes doenças oportunistas, muitos infectados desenvolvem algum tipo de deficiência física, como cegueira e alguns transtornos mentais.

“Os próximos planos nacionais de resposta ao Sida em Moçambique não podem ignorar os deficientes”, reforçou Gulamo.

A Handicap Internacional, a Associação dos Deficientes Moçambicanos e outras organizações que actuam nesta área em Moçambique estão a fazer pressão, por meio de suas representações como sociedade civil, para inserir a vulnerabilidade dos deficientes frente ao HIV no Terceiro Plano Estratégico Nacional de Combate ao SIDA, o PEN III que arranca a partir do próximo ano.
Fernando Fidélis/Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 31.08.2009





Brasil prepara-se para intensificar disputa comercial com os EUA

31 08 2009

O Brasil está se preparando para quebrar as patentes de produtos farmacêuticos norte-americanos se a Organização Mundial do Comércio decidir hoje que o país pode fazê-lo, em retaliação aos subsídios concedidos aos fazendeiros de algodão norte-americanos, informou a imprensa brasileira.

O Brasil desafiou os subsídios dos EUA ao algodão em 2002 e, dois anos depois, a OMC decidiu que os cerca de US$ 3 bilhões (R$ 5,6 bi) pagos aos fazendeiros de algodão dos EUA por ano distorciam os preços globais e violavam as regras de comércio.

Desde então, os EUA continuaram com os subsídios, argumentando que as medidas eram coerentes com as obrigações da OMC. Mas a OMC apoiou a posição do Brasil. Ela permitiu que o Brasil retaliasse em 2005, mas Brasília em vez disso tentou negociar um acordo para evitar prejudicar as relações com os EUA, até recentemente seu maior parceiro comercial.

Entretanto, o Brasil ficou cada vez mais frustrado com a recusa dos EUA em retirar os subsídios e, sob pressão de seus próprios produtores de algodão, deve se preparar para retaliar.

Uma opção seria aumentar as tarifas de importação contra os bens norte-americanos. Mas o Brasil é um mercado relativamente pequeno para os EUA, representando US$ 32 bilhões (R$ 60 bi) dos US$ 1,2 trilhões (R$ 2,2 trilhões) de exportações norte-americanas no ano passado.

Em vez disso, o país está se preparando para tomar medidas em relação à propriedade intelectual, uma área muito mais significativa para os EUA. A OMC deve incluir essa possibilidade em sua decisão de hoje. De acordo com uma matéria publicada num jornal brasileiro, o governo preparou uma medida provisória – um decreto presidencial que tem efeito imediato, que precisa ser mais tarde aprovado pelo Congresso – para permitir às indústrias farmacêuticas brasileiras copiarem medicamentos protegidos por patentes norte-americanas.

Em 2007 o Brasil seguiu o exemplo da Tailândia ao desconsiderar a patente para um remédio essencial contra o HIV, permitindo comprar equivalentes do Efavirenz, patenteado pela Merck, de fornecedores genéricos rivais, de acordo com as regras permitidas pela OMC.

A atitude veio depois de anos de pressão durante os quais o Brasil conseguiu descontos cada vez maiores nos medicamentos contra o HIV através de ameaças de violar as patentes.

A decisão esperada para hoje vem à tona num contexto de frustração crescente em Brasília em relação à relutância do governo Obama de agir sobre os subsídios à produção agrícola que afetam o algodão e outros setores do agrobusiness brasileiro, incluindo o açúcar e o etanol.

Tradução: Eloise De Vylder/24 Horas News – 31.08.2009

Jonathan Wheatley/Financial Times





Brasil: “O SUS é exemplo para outros países”

31 08 2009

O diretor-executivo da Unitaid (Fundo Internacional para a Compra de Medicamentos Contra Aids, Tuberculose e Malária), Jorge Bermudez, afirmou ao Estado de S. Paulo que o SUS (Sistema Único de Saúde) é exemplo para os demais países em desenvolvimento.
Brasil tem desafios na área da saúde, mas vários programas têm sido apontados como modelo pela OMS, afirma Jorge Bermúdez, diretor-executivo do Unitaid

Apesar dos problemas internos, o Sistema Único de Saúde (SUS) é um modelo para os demais países em desenvolvimento. A afirmação é de Jorge Bermudez, diretor-executivo do Unitaid, fundo internacional para a compra de medicamentos contra aids, tuberculose e malária.

Para Bermudez, o aumento da cooperação promovida pelo governo brasileiro com os países africanos nos últimos anos e outras ações, como a que criou a Unitaid em parceria com a França, em 2006, coloca o Brasil como ator de destaque no cenário. Porém, diz, a falta de qualificação dos laboratórios públicos e privados impede que o País alcance um desempenho comercial à altura do que vem tendo politicamente.

Em apenas três anos, Bermudez – que trabalha em Genebra, na Suíça, com uma equipe equipe pequena (cerca de 30 pessoas) – conseguiu arrecadar quase US$ 1 bilhão e comprar medicamentos que foram distribuídos em 93 países pobres.

Na semana passada, o diretor-executivo esteve no Rio de Janeiro para reuniões com representantes dos ministérios da Saúde e das Relações Exteriores e, entre um encontro e outro, conversou com o Estado. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Como funciona a Unitaid e por que ela foi criada?

O Fundo Global de Combate à aids, Tuberculose e Malária financia todo tratamento inicial contra essas três doenças. Nós trabalhamos com medicamentos pediátricos e de segunda linha (para quando há resistência aos remédios utilizados). A Unitaid foi criada a partir da Assembléia Geral da ONU de 2006, quando países como França e Brasil achavam necessário discutir mecanismos financeiros inovadores para saúde e desenvolvimento. Chile, Noruega e Reino Unido juntaram-se a eles e fundaram a Unitaid. Trabalhamos com a compra de medicamentos para áreas que não são cobertas por outros programas, complementando ações de organismos como o Fundo Global.

E qual é balanço dos resultados?

Conseguimos baixar o preço de produtos e introduzir no mercados novas formulações – pediátricas e de medicamentos que não existiam porque não havia demanda suficiente. Um exemplo é um novo antirretroviral infantil que não era fabricado porque apenas 30 mil crianças no mundo precisavam dele. Passamos a comprar 100 mil tratamentos por ano e criamos uma demanda. Isso levou um laboratório da Índia a fabricá-lo, e o preço anual caiu de US$ 200 para US$ 60 por criança. Esse produto foi aprovado pela OMS e hoje já está disponível. Atualmente, apoiamos 93 países com remédios ou diagnóstico. Recebemos cerca de US$ 350 milhões por ano para atuar nessas áreas.

Como você arrecadam recursos?

Por meio de financiamento junto aos países que têm comprometimento de médio prazo, como o Brasil – que contribui com US$ 12 milhões por ano – e a Espanha. Também utilizamos um mecanismo inovador: a cobrança de imposto sobre a emissão de tarifas aéreas, como fazem o Chile e a França. Começamos com 5 países contribuintes e hoje temos 29. Entre as nações africanas, 18 querem, além de receber o remédio, contribuir com recursos.

Como é feita a distribuição desses medicamentos?

Trabalhamos em parceria com organismos internacionais, como a Unicef, Fundação Clinton e a Stop TB. Em todos os países temos acordo com o Ministério da Saúde, que é o gestor. Queremos ter a certeza de que o produto entrará no sistema de saúde do país para não criar um mercado paralelo. Por isso, nos espelhamos na experiência do Ministério da Saúde. O Brasil é sempre visto como um exemplo de como se integra um sistema de saúde.

Mas o SUS não tem muitos problemas para resolver?

O SUS é um modelo que tem cobertura universal e tratamento gratuito para todo mundo. Diferentes programas brasileiros têm sido colocados pela OMS como modelo para países em desenvolvimento, como o de aids, tuberculose, malária, diabetes e hipertensão. O governo brasileiro tem se esforçado para aumentar a cooperação na área de saúde, sobretudo com países africanos.

O Brasil não deveria solucionar primeiro os problemas externos?

As duas coisas podem ser feitas ao mesmo tempo. A África tem problemas que o Brasil já enfrentou e ainda enfrenta, com sucesso. A Europa pode ajudar com recursos, mas dificilmente terá soluções que se apliquem a eles. Nos países que ajudamos não se pode pensar em cobrar – é preciso um esforço internacional, coordenado com o Ministério da Saúde local, para fortalecê-los. Nos últimos anos, o Brasil tem aumentado muito a sua cooperação internacional. Um dos exemplos é a fábrica de antirretrovirais que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está ajudando a implantar em Moçambique. A produção regional desses produtos na África vai, além de baratear o custo, gerar emprego.

Uma das missões da Unitaid é a criação de mecanismos inovadores. Além da taxação de tarifas aéreas, o que mais já foi proposto?

Estamos discutindo com laboratórios a criação de um pool de patentes. A ideia é combinar dois ou mais produtos de patentes diferentes que, espontaneamente, dificilmente entrariam em um acordo. O primeiro passo já foi dado pelo nosso comitê de especialistas. Eles definiram quais os medicamentos que deveriam estar no mercado. Agora estamos discutindo com os detentores dessas patentes a possibilidade de produzir um medicamento com três princípios ativos diferentes para facilitar o tratamento. É um remédio para aids, mas depois também negociaremos medicamentos para tuberculose e malária. Inicialmente temos tido uma receptividade muito boa, tanto dos produtores de laboratórios com patente como dos genéricos, que produziriam a nova formulação.

Quais são as próximas metas?

Queremos estimular laboratórios da América Latina e da África a se capacitarem no sistema de pré-qualificação da OMS para fornecerem para a Unitaid e outros organismos internacionais. Foi uma oportunidade que os laboratórios da Índia souberam aproveitar. A Fiocruz já se comprometeu a entrar com o processo, mas é um trabalho que leva meses. Esperamos que avance porque a Fundação produz antirretrovirais e medicamentos para a malária e tuberculose que poderiam ser exportados. O setor privado indiano fez isso muito bem. Esperamos em breve poder comprar mais produtos brasileiros.

Fabiana Cimieri/O Estado de S.Paulo – 31.08.2009





Transexuais podem competir nas provas

30 08 2009

As pessoas que mudaram de sexo podem participar nas competições olímpicas e de atletismo, embora sob algumas condições se a operação de mudança de género tiver ocorrido depois da puberdade. É isto que define um regulamento aprovado pelo Comité Executivo do Comité Olímpico Internacional (COI), em Maio de 2004, e que foi também adoptado pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF).

Segundo este regulamento, as mulheres e homens que mudem de sexo antes da puberdade são vistos como elementos do género para que mudaram, não havendo qualquer tipo de limitação à sua participação em provas desportivas. Já se a operação decorrer depois da puberdade há três condições para se poder participar em competições desportivas.

Uma é as mudanças anatómicas serem completas, o que implica a remoção dos testículos e pénis. A segunda é a operação de mudança de género ser reconhecida pelas autoridades oficiais. E a terceira é que os transexuais sejam sujeitos a uma terapia hormonal, de forma a minimizar vantagens desportivas decorrentes da mudança de sexo. Para o COI e a IAAF, apenas dois anos depois da operação de mudança de género um transexual está autorizado a participar nas suas competições desportivas.

E se a situação dos transexuais está regulamentada, já as situações de intersexualidade são avaliadas caso a caso. Pedro Branco, médico da Federação Portuguesa de Atletismo e membro da Comissão Médica e Anti-doping da IAAF, explica que, sempre que há dúvidas, se procede a um estudo individual e aprofundado. A investigação dos casos que surgiram nos últimos anos foi sempre sigilosa, o que não acontece agora com Caster Semenya, devido a uma fuga de informação.

Alexandre Miguel Mestre, advogado e autor do livro Direito e Jogos Olímpicos, diz que a atleta sul-africana pode “intentar uma acção para ser ressarcida por responsabilidade civil extracontratual”, depois de ter visto a sua privacidade violada.

Sobre a legitimidade de uma federação proceder à realização de testes de determinação do sexo, Alexandre Miguel Mestre refere que há um conflito de direitos: “Por um lado, há o direito à vida privada e, por outro, a protecção da saúde dos atletas, a integridade das competições e a igualdade de condições entre atletas.” No combate ao doping (de alguma maneira a verificação de sexo enquadra-se aí), “tem-se entendido que a protecção da saúde dos atletas e a igualdade entre eles prevalece sobre o direito à privacidade”.

Outra questão é a das exigências das federações internacionais. Em caso de dúvida, são efectuados testes de verificação de sexo. A IAAF tem sido confrontada, admite Pedro Branco, com uma média de “um a dois casos por ano”. Tudo pode acabar com a decisão de que nada há de mais ou então chegar-se à conclusão de que a atleta tem características de ambos os sexos e retira daí uma vantagem desportiva. Nestes casos, explica Pedro Branco, o atleta é convidado a realizar um tratamento hormonal. Se não o fizer, é impedido de participar nas competições.

Estaremos perante um caso de discriminação? Alexandre Miguel Mestre responde que um atleta pode tentar impugnar a norma junto dos tribunais, embora realce que o direito ao desporto existe: “Mas não é absoluto. Pode ser restringido.” Quando o atleta se inscreve numa federação, acrescenta o jurista, está a aderir aos seus estatutos e regulamentos e deve-lhes obediência.

Hugo Daniel Sousa/Público – 30.08.2009





Não se é homem só por ter o cromossoma Y

30 08 2009

Algumas pessoas são uma mistura de homem e mulher. No mundo do desporto, os sexos estão muito bem separados, mas de que lado devem competir estas pessoas? Mesmo sem sabermos se Caster Semenya é do sexo masculino, feminino ou intersexual, é certo que o caso da atleta desencadeou a discussão mundial.

A atleta sul-africana Caster Semenya é mulher ou homem? O que define o sexo de uma pessoa? Só é mulher quem tem cromossomas XX? E ser XY significa ser homem? A resposta é que a realidade está longe de ser assim tão a preto e branco. Pode ser cinzenta, com muitos matizes, como os geneticistas bem sabem.

Estas questões ganharam visibilidade depois de Semenya, de 18 anos, ter surpreendido todos ao ganhar a final dos 800 metros dos Mundiais de atletismo de Berlim, com o tempo de 1 minuto, 55 segundos e 45 centésimos, ficando mais de dois segundos à frente da segunda classificada, a queniana Janeth Jepkosgei (1m57,90s). O tempo obtido pela sul-africana, a 19 de Agosto, foi a melhor marca mundial deste ano. Foi também o recorde pessoal de Semenya, que teve uma progressão enorme nos últimos 12 meses, melhorado em quase 15 segundos o seu melhor tempo de 2008.

Mas as suspeitas de que é um homem ou de que não é inteiramente feminina não começaram em Berlim. Três semanas antes, e depois de a sul-africana ter corrido a distância em 1m56,72s nos campeonatos de juniores africanos, a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) iniciou o processo de verificação do sexo de Semenya, embora não se saiba exactamente porquê. Os resultados, tanto quanto se sabe, vão demorar pelo menos semanas. As regras prevêem a abertura de um processo se houver uma denúncia (por parte de um atleta ou de uma federação) ou se na recolha de amostras de urina para os testes anti-doping alguém detectar alguma característica estranha nos órgãos genitais.

À primeira vista, pode pensar-se que a questão se resolve facilmente, através de um exame visual aos genitais externos (pénis e vulva) e de uma análise ao ADN, para ver se no último dos 23 pares de cromossomas habitualmente presentes nas células humanas está o Y. Geralmente, os cromossomas sexuais – o 23.º par – são compostos por XY nos homens e por XX nas mulheres. O problema é a sexualidade humana não se esgotar num sistema de dois sexos. Além do sexo masculino e feminino, há pessoas com situações de intersexo. Pessoas com características masculinas e femininas, de que são exemplo os hermafroditas e pseudo-hermafroditas.

Evitar disfarces

Inicialmente, o Comité Olímpico Internacional (COI) e a IAAF pensavam que a identificação do sexo de alguém seria fácil. O objectivo era evitar que homens se disfarçassem de mulheres para participar nas provas femininas de atletismo, uma vez que, em princípio, teriam mais vantagens competitivas. É famoso um caso nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936: Hermann Ratjen, membro da Juventude Hitleriana, entrou na competição feminina do salto em altura como “Dora Ratjen”, substituindo uma atleta judia banida por questões ideológicas (ficou em quarto lugar nas finais).

Para evitar o aparecimento de mais “Doras” e desfazer as alegações de que talvez estivessem a competir em provas femininas hermafroditas da antiga União Soviética e da Europa de Leste, o COI e a IAAF tornaram obrigatórias, no início dos anos 60, as averiguações do sexo através do exame aos genitais externos, com as mulheres a desfilarem nuas à frente de médicos. No fim daquela década, as averiguações passaram a servir-se da genética, pois, supostamente, a simples identificação dos cromossomas XX ou XY deveria dar uma resposta clara. Seguindo à risca estas regras, só as atletas com dois cromossomas X seriam consideradas mulheres.

A primeira vítima desta visão bicolor da espécie humana foi a polaca Ewa K\u0142obukowska, recordista mundial dos 100 metros em 1965. Apanhada pelo teste aos cromossomas em 1967, foi banida das competições profissionais.

Muitas outras mulheres viram-se excluídas da participação em provas, por causa de testes aos seus genes, cromossomas e hormonas. “Várias candidatas – cerca de uma em 400 nos Jogos [Olímpicos] de 1996 – foram julgadas não-merecedoras do ‘certificado de feminilidade’ e forçadas a desistir. Em público, muitas declararam uma falsa lesão como justificação”, conta o geneticista britânico Steve Jones no seu livro Y – A Descendência do Homem (Gradiva).

A ideia de que existe uma fronteira bem definida entre um homem e uma mulher acabou por ser abandonada pelos organismos internacionais de desporto, com o fim das averiguações do sexo obrigatórias – primeiro pela IAAF, em 1992, depois pelo COI em 1999. “Os geneticistas mostraram que vários defeitos genéticos na síntese e reconhecimento das hormonas podem resultar num indivíduo que anatomicamente é XY e fisiologicamente é uma mulher. Rotular estas mulheres como ‘homens’ causou-lhes danos irreparáveis”, reconhece-se no manual médico da IAAF, no capítulo dedicado aos assuntos especiais das atletas femininas.

“O COI admitiu que era impossível determinar o sexo sem qualquer ambiguidade. Admitiu a sua derrota”, sublinha Jorge Sequeiros, director do Centro de Genética Preditiva e Preventiva do Instituto de Biologia Molecular e Celular, no Porto.

No mundo do desporto não faltam exemplos de que o que separa os homens das mulheres não se resume a um Y. Há mulheres XY – como é o caso da barreirista espanhola María José Martínez Patiño.

Em 1985, então com 24 anos e detentora do recorde espanhol dos 60 metros barreiras, Patiño foi impedida de competir nos Jogos Universitários Mundiais no Japão. “O Gabinete Central de Controlo da Feminilidade descobriu nela um cromossoma Y. A infeliz atleta foi desconsiderada na imprensa, perdeu a bolsa desportiva e foi desqualificada”, relata Steve Jones no livro. “Perdi amigos, o meu namorado, a esperança e a energia”, contou a atleta, em 2005, na revista médica The Lancet.

Por fora, não por dentro

Tal como Patiño, certas mulheres XY podem herdar uma deficiência nos receptores da testosterona, a porta de entrada desta hormona sexual masculina nas células. “Algumas não mostram qualquer sinal claro de anormalidade e vivem como mulheres, não cientes do seu estado ambíguo”, diz Steve Jones.

Conforme o tipo de deficiências na fechadura da testosterona e de outras hormonas sexuais masculinas (androgénios), assim a via para a masculinização de uma pessoa pode ficar bloqueada completa ou parcialmente. “Tais enganos podem não causar mais do que uma ligeira perda de masculinização, mas podem também levar ao nascimento de um bebé, à primeira vista, do sexo feminino.”

Esta condição é conhecida pela síndrome da insensibilidade androgénica, ou síndrome do testículo feminizante. É como se os tecidos que deveriam sofrer uma virilização, pela recepção de hormonas masculinas, fossem cegos à sua presença.

Na forma completa desta síndrome, a pessoa tem um Y e genes masculinizantes como o SRY, que geralmente se encontra naquele cromossoma e é importante para se desenvolverem os testículos (onde se produz a testosterona, que origina maior massa muscular). Os testículos começaram a desenvolver-se no interior do abdómen, como costuma acontecer, só que não desceram até à sua posição normal nas bolsas escrotais: ficaram dentro do abdómen, dos grandes lábios vaginais ou das virilhas. E não há escroto. Mas os genitais externos são de mulher, tal como as características sexuais secundárias, como o desenvolvimento mamário, a distribuição da gordura, a ausência de pêlos, a estatura. “Há uma feminização completa”, resume Jorge Sequeiros.

Se olharmos para as várias camadas biológicas desta pessoa, ela é um homem do ponto de vista genético, cromossómico, hormonal e das gónadas (testículos, neste caso). Mas é mulher do ponto de vista genital, das características sexuais secundárias e, por isso, civil.

Se a síndrome do testículo feminizante for incompleta, então pode haver uma ambiguidade nos genitais externos (por exemplo, um clítoris muito desenvolvido ou um pénis pouco desenvolvido, a que é difícil chamar uma coisa ou outra; ou uma estrutura que não se pode dizer que é escroto ou grandes lábios vaginais). Seja completa ou incompleta, uma pessoa com esta síndrome é um pseudo-hermafrodita. Só tem ou testículos ou ovários (gónadas de um único tipo) e os genitais externos pertencem ao outro sexo, enquanto num hermafrodita há simultaneamente tecido ovárico e testicular.

Não faltam exemplos de ambiguidade genital no desporto. A checoslovaca Zdenka Koubkova, recordista mundial dos 800 metros em 1934, não superou um exame ginecológico e foi impedida de correr com as mulheres. Humilhação maior, conta o diário espanhol El País, foi quando viu fotografias suas num livro de medicina. Criada como mulher, decidiu então ser operada e viver como homem.

Vários conceitos de sexo

Mas se existem mulheres com um Y, também as há com “pénis” sem que aquele cromossoma tenha sido para aí chamado. Embora nem sempre, esta situação pode ocorrer numa condição médica de hiperplasia congénita da glândula supra-renal. “São mulheres sem cromossoma Y, com dois X, sem genes masculinizantes, sem testículos, sem testosterona e com ovários. Produzem hormonas femininas, mas a sua glândula supra-renal, que está hiperdesenvolvida, segrega mais hormonas com uma acção masculinizante”, explica Jorge Sequeiros. “Essas hormonas podem fazer com que o clítoris se desenvolva e passe a ser designado por pénis e os grandes lábios vaginais tenham mais o aspecto do escroto.”

Em caso de tumores, pode também aumentar a produção de androgénios, o que é importante no esclarecimento de suspeita de dopagem. A brasileira Fabiane dos Santos, a competir nos 800 metros, foi acusada de dopagem em 2001. Tinha, afinal, uma hiperplasia supra-renal congénita.

Só para se ter a ideia da variedade de matizes sexuais, também existem homens XX – ou seja, sem nenhum Y. A introdução do gene SRY noutro cromossoma, devido a um qualquer erro, vai originar um homem XX. “Cromossomicamente são mulheres, mas do ponto de vista genético, hormonal e dos genitais são homens”, diz Jorge Sequeiros.

Voltando a Caster Semenya, se ela tiver um cromossoma Y, isso pode então não significar muito? “Exactamente. Assim como não o ter pode não querer dizer nada”, responde Jorge Sequeiros. Não é a presença do cromossoma Y, só por si, que dá uma vantagem desportiva: é se existem tecidos que produzem e absorvem testosterona e, isso sim, é que implica ter o Y ou, pelo menos, o gene SRY.

Outro caso falado é o da corredora polaca Stanislawa Walasiewicz, conhecida depois por Stella Walsh, quando se tornou cidadã norte-americana. Em 1932, foi a primeira mulher a baixar a marca dos 12 segundos ao ganhar os 100 metros dos Jogos Olímpicos de Los Angeles; em 1936, em Berlim, ganhou a prata. Em 1980, morta durante um assalto, descobriu-se que tinha testículos internos.

“A razão principal por que o COI admitiu a derrota é que não há um único conceito de sexo. Há vários”, diz Jorge Sequeiros. O geneticista resume-os. “Há um sexo genético, o que quer dizer que há genes masculinizantes e feminizantes. Estes genes determinam o sexo gonádico – as gónadas, que vão evoluir no sentido de testículos ou ovários, e produzem hormonas masculinas e femininas, o que determina o sexo hormonal. E o sexo hormonal determina o desenvolvimento dos genitais internos e externos, que por sua vez vão determinar o sexo civil. Pode haver interferências, que fazem com que haja contradições entre os vários níveis de sexo.” O resultado é um indivíduo intersexual. “Em certas circunstâncias, não é possível dizer o sexo de uma pessoa.”

Uma linha ténue

De Semenya quase nada se sabe, a não ser que nasceu na aldeia de Fairlie, no Nordeste da África do Sul. Diz-se que gostava de jogar à bola em criança, detestava vestir saias e sempre viveu como mulher. Não há qualquer prova neste momento de que é uma pessoa intersexual, pelo que o frenesim à sua volta pode não passar de uma especulação assente apenas no seu aspecto mais masculino.

Em inúmeras situações, pouco importa se alguém é mulher ou homem quanto aos cromossomas ou se o nível de testosterona é alto ou baixo. Mas no desporto pode interessar. A razão por que provas de atletismo estão divididas entre os sectores masculinos e femininos está explicada no manual médico da IAAF. Tem precisamente a ver com os efeitos hormonais: “As mulheres têm um esqueleto menor, menos massa muscular, menores níveis de hemoglobina e uma maior proporção de gordura corporal.” Por essa razão, os recordes femininos são sete a dez por cento menores do que os masculinos.

Suspeitas em segredo

É também por isso que continua a haver verificações de sexo, apesar de os testes obrigatórios terem acabado ao nível da IAAF e do COI. Fechou-se essa porta, mas ficou a possibilidade de a abrir sempre que haja suspeitas.

E tem havido algumas nos últimos anos. Todas tratadas em grande segredo, como admite Pedro Branco, médico da Federação Portuguesa de Atletismo e membro da Comissão Médica e Anti-doping da IAAF.

O problema é saber até onde é aceitável a diferença. A partir de que ponto se considera que um ser humano já não pode competir entre mulheres, mas sim entre homens? Resumir tudo ao sexo dos cromossomas não é critério, também no entender de Alice Dreger, professora de Bioética na Universidade Northwestern (EUA). “Mulheres com a síndrome de insensibilidade completa aos androgénios são menos masculinizadas nos seus músculos e cérebros do que a mulher comum, porque a mulher comum produz e ‘ouve’ alguns androgénios. Estas mulheres têm de competir como homens só porque têm um cromossoma Y? Isso não faz sentido”, escreveu Dreger, autora do livro Hermafroditas e a Invenção Médica do Sexo, num comentário no New York Times.

“Mulheres com níveis naturais elevados de androgénios têm uma vantagem. É uma vantagem injusta? Penso que não. Alguns homens têm naturalmente níveis mais altos de androgénios que outros. É isto injusto? Então onde traçar a linha entre homens e mulheres?”, continua a perguntar. “Eu não sei. O facto é que o sexo é uma confusão. Isto ficou demonstrado no processo da IAAF para determinar se Semenya é de facto uma mulher. A organização chamou um geneticista, um endrocrinologista, um ginecologista, um psicólogo e por aí fora. O sexo é tão confuso que estes médicos não têm um teste que dê uma resposta. A ciência pode tornar a sua decisão mais informada, mas eles vão ter de decidir quais das diversas características do sexo é que são importantes para eles.”

Critérios de verificação

Discutíveis ou não, certo é que a IAAF tem seguido alguns critérios ao longo dos últimos anos. “A IAAF estuda intensamente o caso, para perceber a diferença que existe e propor, se necessário, um tratamento para corrigir os desequilíbrios hormonais, de maneira a acertar o perfil endógeno típico da mulher ou do homem”, explica Pedro Branco.

Olhemos para o caso hipotético de Maria. Tem níveis de hormonas masculinizantes elevados para os padrões de uma mulher. Em testes, verifica-se que tem constituição morfológica de mulher, útero, ovários, mas que padece de hiperplasia congénita da glândula supra-renal e que, por isso, tem níveis daquelas hormonas mais altos e uma constituição muscular mais forte. Neste caso, diz Pedro Branco, “ninguém vai levantar questões sobre se pode competir com mulheres”.

Esta situação seria equiparada, por exemplo, a um basquetebolista com 2,30 metros de altura ou um velocista com mais fibras rápidas do que os outros. Seriam características consideradas normais, como as fundistas, à custa de terem tão baixa quantidade de massa gorda, serem mulheres com nível baixo de estrogénios: é algo normal, induzido pelo esforço e até têm dificuldade em ter filhos. “Mas não há uma patologia, há uma condição natural”, explica.

Por outro lado, a IAAF já considera estar-se perante uma “patologia” quando há mosaicismos cromossómicos (quando, por exemplo, não todas, mas parte das células de uma pessoa tem os cromossomas XX e outra parte XY) em que a atleta pode retirar vantagem desportiva. Mas isto não será discriminação? “Ninguém impede a minoria de participar. O que não se deseja é que, à custa dessa variante patológica, se tenha vantagem perante os outros competidores”, argumenta Pedro Branco, afirmando que estas situações configuram um problema médico.

E dá um exemplo: “Se um atleta provar que é diabético e precisa de insulina, que é uma substância proibida [no desporto], a IAAF aprova o uso. Do mesmo modo, uma atleta com o gene SRY tem uma condição médica. Tem direito ao tratamento.” Mais do que direito, neste tipo de casos está-se perante uma obrigação de tratamento, para poder continuar a competir.

Pedro Branco admite ter havido em média “um a dois casos por ano”, mas recusou revelar mais pormenores, por causa do dever de confidencialidade. O mesmo dever que o obriga a não comentar o caso de Semenya. Apenas lembra que ter o triplo da testosterona normal numa mulher, como foi noticiado, “pode significar muito pouco”.

Semenya pôs o mundo a discutir o que é o masculino e o feminino e de como o assunto é tudo menos linear. Habitualmente, estes estudos são discretos. Desta vez houve uma fuga de informação, algo já assumido como um grave erro pela IAAF. “Os casos que temos investigado nos últimos anos não são publicitados, porque, ao contrário do doping, obrigar a um tratamento não é uma punição. É uma situação médica, em que há um desvio do que é entendido como normal. A partir desse momento, há vantagens e, para as corrigir, é exigido um tratamento.”

Além das dificuldades inerentes ao caso, quem o analisa não tem à disposição um conjunto de critérios já estabelecidos. “Estes responsáveis devem propor um conjunto claro de regras para definir o sexo, que seja sujeito a discussão científica e que permita a atletas como Semenya, na privacidade do consultório dos seus médicos, descobrir antes da competição se as vão deixar ganhar o jogo louco do sexo”, defendeu Alice Dreger. “Aposto que esse é um jogo que ninguém disse a Semenya que ela teria de jogar.”

Teresa Firmino e Hugo Daniel Sousa/Público – 30.08.2009





SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Plano de protecção para profissionais do sexo é rejeitado

29 08 2009

SÃO TOMÉ, 28 Agosto 2009 (PlusNews) – O plano estratégico de protecção das profissionais de sexo, encomendado pelo Programa Nacional de Luta contra SIDA (PNLS), foi rejeitado esta semana por uma assembléia constituída por médicos, presidentes das câmaras, ONGS ligadas ao combate ao HIV/SIDA e representantes do governo, que consideraram que ele não correspondia à realidade do arquipélago.

O ministro da Justiça, Justino Veiga, e a presidente da Rede das Mulheres Parlamentares das Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Comissão de Direitos Humanos, Maria das Neves, chegaram a questionar os objectivos do plano. Para os dois, com o projecto, o país estaria a legalizar a prática de sexo comercial.

O plano foi baseado em um programa que a ONG italiana Alisei vem realizando em parceria com o PNLS para conhecer o estado serológico das profissionais de sexo em São Tomé e dar assistência médica a elas. A consultora responsável pelo texto final, Alba Bandeira, defendeu-se, dizendo que o plano visa proteger as trabalhadoras de sexo nas vertentes sanitária, jurídica e sócial. Além do estudo da Alisei, a consultora também realizou entrevistas com as profissionais.

“Em conversações com algumas dessas jovens, elas disseram-me que não tem outra forma de sobrevivência. Tive também oportunidade de conhecer onde comercializam o sexo: fiquei chocada com as condições precárias”, sublinhou Bandeira.

O grupo reunido para validar o projeto decidiu, no entanto, que o PNLS deve investigar o fenómeno na ilha do Príncipe (que alguns consideram ainda mais grave que em São Tomé) e promover encontros sectoriais para garantir a contribuição mais ampla da sociedade.

António Amado, director-executivo da Associação Santomense para Promoção Familiar (ASPF) alertou ainda para a necessidade de incluir a da prostituição masculina: “É preciso olhar para os rapazes com idade entre 17 e 25 anos, que estão a prostituir-se com as européias que vêm cá de férias ao arquipélago”.

Riscos

Segundo o Programa Nacional de Luta Contra Sida, um estudo sobre as profissionais de sexo que ainda não foi tornado público indica que o sexo comercial é praticado por jovens raparigas entre 15 e 24 anos e está a ganhar proporções alarmantes.

O PNLS adiantou que, de acordo com o estudo, sífilis, gonorreia e HIV são as infecções sexualmente transmissíveis mais presentes neste grupo e a venda de sexo é mais preocupante no distrito de Água Grande, por ser o mais populoso.

“Temos que fazer algumas coisas por este grupo, porque 93 por cento dos casos de contaminação de HIV são por via sexual. Temos quem ter cuidado para que a a doença não se propague” defendeu Alzira do Rosário, Directora do PNLS. A prevalência de HIV em São Tomé e Príncipe é estimada em 1,5 por cento.

Sexo e turismo

O comércio de sexo em São Tomé desenvolve-se todas as noites ao largo da ponte Água Grande que atravessa a capital, e em Fernão Dias, na zona norte de São Tomé, onde o governo pretende construir um porto de águas profundas.

No âmbito da parceria existente entre a ONG Alisei e Programa Nacional de Luta Contra a SIDA, a Alisei fornece assistência médica, medicamentos e ajuda psico-social uma vez por mês, a cerca de 70 jovens.

Com recursos do Fundo Global de Luta contra Sida, Malária e Tuberculose, a ONG incentiva o uso de preservativos e promove a testagem para HVI.

''Temos que fazer algumas coisas por este grupo, porque 93 por cento dos casos de contaminação de HIV são por via sexual ''

Wela Fernandes* de 35 anos é profissional de sexo há cinco anos. Começou a prostituir-se ao largo da ponte Agua Grande, no centro da cidade. Trata-se de local estratégico: ali estão situados dois importantes restaurantes frequentados pelos turistas, um “cyber café” e um posto da Companhia Santomense de Telecomunicações (CST). Ironicamente, ali também fica a sede do ministério da Saúde.

“É aqui onde conseguimos caçar os clientes. A minha preferência são os estrangeiros. Os europeus que pagam em dólar ou em euros” sublinhou. “Mas a vida aqui não é fácil: na estação chuvosa passamos muito frio e poucos clientes saem às ruas”, completa.

Fernandes conta que foi abandonada pelo marido, que foi para Angola com outra mulher: “Os pais dele não têm recursos e eu tenho um casal de filhos – o rapaz tem sete anos e menina tem quatro. Não tenho estudo para conseguir bom emprego, só tenho a quinta classe. Tinha que entrar na vida para conseguir dar-lhes de comer”.

Ela fez o teste de HIV há três meses e o resultado foi negativo. Fernandes acredita que a aprovação do plano traria mais segurança contra a violência sexual e menos abusos. O plano prevê que estupros contra profissionais de sexo serão punidos.

Os abusos, segundo ela, não são incomuns: “Ele queria prazer por algumas horas. Aceite-lhe, por 150 mil dobras (US$ 9,60). Quando entrei para um dos quartos da caserna militar, estava lá mais um militar e eu disse-lhes que sendo duas pessoas, pagariam 500 mil dobras (US$ 32). Aceitaram, mas no final correram comigo e tiraram-me 20 euros que eu tinha na bolsa,” conta.  (*nome fictício)
PlusNews – 28.08.2009





Ligações perigosas

29 08 2009

Assim, antes que a temperatura comece a subir, o melhor é ter um preservativo sempre à mão. Porque a factura que se paga por um mero esquecimento pode ser demasiado pesada no futuro.

Apesar de todas as campanhas informativas, muitos jovens ainda mantêm relações sexuais desprotegidas. E, só mais tarde, se dão conta de que alguns deslizes produziram efeitos negativos. “O consumo de álcool e droga alteram alguns comportamentos, diminuindo a capacidade de raciocínio e a avaliação dos riscos. Por outro lado, a ingestão de álcool em excesso pode interferir com a eficácia da pílula, no caso das mulheres”, afirma o Dr. Duarte Vilar, director executivo da Associação do Planeamento para a Família (APF).

 

Um dos resultados de uma relação sexual desprotegida é a gravidez não programada no período da adolescência. Mas, para além disso, existem os perigos de infecções sexualmente transmissíveis, fruto de uma falta de zelo no uso de contraceptivos. Segundo os dados avançados por Duarte Vilar, em Portugal, ocorrem, anualmente, cerca de sete mil gravidezes em jovens com idades inferiores a 19 anos.

 

“Com a introdução da lei da interrupção voluntária da gravidez, verificou-se que, do total dos abortos realizados legalmente, 10% diziam respeito a raparigas com 19 anos ou menos”, adianta Duarte Vilar. Segundo um estudo feito recentemente na Região Autónoma dos Açores, observou-se que a gravidez na adolescência surge dentro de um determinado contexto socioeconómico.

 

“Normalmente, são raparigas que já abandonaram a escola, inseridas em meios familiares mais desfavorecidos. Estas jovens possuem um menor nível de escolaridade e de educação sexual. Mas, em determinados casos, a gravidez não acontece por acaso. A maternidade já faz parte de um projecto de vida.”

Pisar o risco

 

Uma noite (“one night stand”) pode até ser uma vez sem exemplo. Mas se a relação sexual tiver ocorrido sem contracepção, nomeadamente o preservativo, há o risco de contágio de doenças. Em particular, o VIH e as infecções sexualmente transmissíveis, já para não se falar das gravidezes indesejáveis.

 

“Apesar de tudo, constata-se que os jovens têm uma maior consciência e que tomam medidas anticoncepcionais preventivas, mais do que há uns anos. O que se nota é que o preservativo é o método contraceptivo mais usado até aos 19 anos. Depois desta idade, a escolha contraceptiva recai sobre a pílula.”

Como nas relações sexuais, sejam elas estáveis ou pontuais, uma mulher e um homem prevenidos valem por dois, é aconselhável a dupla protecção. “A pílula pode evitar uma gravidez não desejada, mas não impede o contágio de infecções sexualmente transmissíveis. Independentemente do contexto das relações sexuais e do parceiro/a, o ideal é usar sempre o preservativo. Mas para que possa ser usado é preciso tê-lo. Daí que se alerte os jovens a andarem sempre com este contraceptivo na carteira, porque nunca se sabe qual o momento em que pode ser preciso.”

 

Segundo os dados de 2007 do Observatório Nacional de Saúde, 87% da população que mantém relações sexuais regulares usa um método contraceptivo. “O que nos preocupa é a forma como os métodos são administrados, porque algumas mulheres esquecem-se frequentemente de tomar correctamente a pílula.

Que perigos?

 

Segundo as últimas estatísticas, mais de 80% de homens e mulheres sexos entraram em contacto com o vírus do HPV (vírus do Papiloma Humano) em algum momento da sua vida, através das relações sexuais desprotegidas. “Determinados tipos de HPV, nomeadamente os de alto risco (16,18,33,35,45), podem ser responsáveis pelo cancro do colo do útero, da vulva, do ânus, do pénis, da boca, da pele, dependendo da localização e afinidade”, diz a Dr.ª Clara Bicho, vice-presidente da Sociedade Portuguesa do Papillomavirus.
“Ambos os sexos são reservatórios do HPV e a sua transmissão é efectuada através da via sexual, que inclui os preliminares. Mas também quem apenas pratica o sexo oral ou anal”, adianta a especialista. Os dados indicam que, anualmente, “são diagnosticados à volta de 956 mulheres cancro do colo do útero“. Do total deste número, “morrem à volta de 378 mulheres”. Para as jovens que iniciem a vida sexual, a despistagem desta situações pode ser feita através da citologia (vulgo Papanicolau).

 

“A citologia continua a ser um bom meio de diagnóstico do bem-estar do colo do útero ou de doença (lesões pré-malignas ou cancro). A citologia representa as células que são libertadas/mortas do colo do útero e são estudadas pelo laboratório de citologia. Este teste deve ser efectuados em todas as mulheres que têm actividade sexual.”

 

Desde 2008 que todas as jovens com 13 anos são vacinadas contra o vírus do Papiloma Humano. “Trata-se de um meio de prevenir primariamente o aparecimento da doença, pelo que a vacina é a melhor via de prevenir o HPV. As adolescentes devem ser vacinadas antes de iniciar a sua vida sexual. Quanto à vacinação das mulheres mais velhas deve ser personalizada.” De acordo com os estudos efectuados, “a eficácia da vacina ronda os 99% para os tipos 16 e 18 de alto risco e também para alguns outros de alto risco, mas com menor eficácia (ronda os 30%)”.

 

Em caso de emergência…

 

Segundo os dados disponíveis, em 2008, as vendas do dia seguinte decaíram. Para Duarte Vilar, um maior uso dos métodos habituais parece justificar este decréscimo na comercialização da contracepção de emergência. “O facto de se ter usado uma vez ou várias vezes faz com que os utilizadores optem por um meio regular de contracepção”.

 

Se algo falhou na relação sexual, “há, contudo, a hipótese de usar a contracepção de emergência”, diz. Mas este método deve ser usado quando “há um lapso” e apenas previne “uma gravidez não desejada”. Para um esclarecimento mais detalhado, os jovens podem contactar o 808 222 003 (Sexualidade em Linha), uma linha que é disponibilizada pelo Instituto Português da Juventude.

Médicos de Portugal/Jornal do Centro de Saúde – 28.08.2009





Brasil: Capital terá unidade feminina para tratar dependentes químicas com capacidade para abrigar 45 mulheres

29 08 2009

O anúncio da construção do Centro Feminino de Recuperação de Dependentes Químicos da Fazenda da Esperança foi realizado pelo diretor de Comunicação Social dos organizadores do projeto, Fábio Augusto Mourão, durante sessão da Câmara Municipal de Vereadores nesta quinta-feira, 27 de agosto. O estabelecimento deve abrigar 45 mulheres.

“Em 2009 queremos tornar visível a esperança por meio dessa unidade para darmos oportunidades a jovens dependentes que passam por reabilitação, por meio da convivência, espiritualidade e trabalho. Nós da Fazenda da Esperança, após 26 anos de experiência na recuperação de mais de 20 mil jovens usuários de entorpecentes no Brasil e no Mundo, acreditamos que o resgate da presença de Deus em suas vidas é ponto chave para sua reabilitação, pois lhes descortina um futuro de realização pessoal, um horizonte de esperanças mesmo frente a dificuldades”, disse Mourão, segundo assessoria da Câmara.

Mato Grosso do Sul é considerado pelos estudiosos no assunto como um Estado mais vulnerável às drogas, já que faz fronteira com dois dos países de maior produção de entorpecentes, Paraguai e Bolívia.

A fazenda já possui uma unidade masculina, em Rio Brilhante, e esta unidade feminina, a ser implementada na Capital, abrigará dependentes químicas e alcoólicas, vítimas do HIV (vírus da imunodeficiência adquirida, o da Aids), mães solteiras e abandonadas, ou sujeitas a outra situação de vulnerabilidade social, explicou Mourão.

A fazenda Esperança é uma comunidade terapêutica de recuperação que ajuda jovens com vários tipos de dependência em todo o Brasil e no mundo. Ao longo dos anos, as ações do projeto apresentaram resultados de mais de 85% dos jovens sóbrios, 73% trabalhando e 72% vivendo com a família.

Por: Marcelo Eduardo/www.capitalnews.com.br – 28.08.2009





Moçambique: O Governo acabou com os Hospitais de Dia sem nos auscultar. Não somos cabritos que eles podem mudar de pasto

29 08 2009

Como pessoa vivendo positivamente e activista na luta contra o estigma e a discriminação aos seropositivos em Moçambique, admito que eu e meus companheiros estamos preocupados com o futuro da nossa saúde. Face à situação actual relativa aos enceramentos dos Hospitais de Dia (HdD) e a integração dos seus serviços ao Sistema Nacional de Saúde, sentimos que o Governo não agiu de boa fé.

Ao fazer tal mudança, nos parece que foram ignorados factos gritantes que ocorrem nos hospitais da rede pública. Basta observar as filas intermináveis, onde pessoas perdem a vida à espera de atendimento para ver que as nossas autoridades não refletiram antes de decidir. Sem contar que é comum no Sistema Nacional de Saúde as perdas de processos e a falta de acompanhamento às pessoas em tratamento antiretroviral (TARV). E que, após as mudanças, cresceu o estresse no atendimento que já era precário devido à falta de recursos e de capacitação.

Nos HdD, nos sentíamos amparados e bem acolhidos por um atendimento mais profissional. Graças a isso, o Sida deixou de ser visto como grande problema por nossos familiares, o que fez nossa vida mudar para melhor. Agora, já soubemos do caso de um seropositivo que chegou ao hospital e ouviu o seguinte de um profissional de saúde: “… Aquele que tem a receita pequena para um lado e os outros, para o outro lado…”. E começaram a atender os doentes com questões gerais em primeiro lugar e, no final, as que vivem com HIV e Sida.

Paralelamente a isso, houve casos em que os profissionais de saúde entregaram os medicamentos antiretrovirais trocados, sem observarem com cuidado o que estava prescrito. Sempre fomos alertados por médicos de que só o tratamento correto é capaz de nos garantir a saúde. Como conseguiremos isso numa situação dessas?

Eu, pessoalmente, estou a sofrer com minha família devido à baixa na qualidade do serviço. Minha irmã soube ser seropositiva no ano passado, quando estava em cuidados pré-natais. Depois do parto e agora que já não amamenta seu filho, esperava iniciar o TARV. Mesmo ela se sentindo doente, o hospital alega que precisa esperar até o dia 27 de agosto para iniciar o TARV. E esse tal dia nunca chega.

Um colega nosso, membro da Associação Tinhena, foi ao hospital depois de uma recaída e informou ao médico que era seropositivo. O médico simplesmente mandou-o de volta a casa, dizendo que ele não precisava de internação. Dias depois, ele perdeu a vida… Será que foi o Sida ou a falta de atendimento que matou nosso colega?

Posso enumerar aqui mais uma série de casos. Recebi uma informação de Manjacaze que diz que lá o medico vai ao hospital uma vez por mês e trabalha uma hora, atendendo apenas 10 pessoas, independentemente do número de pacientes que lá estiverem. Qual será o critério usado nesse caso?
Em Tete, um colega sentiu dor de dente, foi ao hospital e o medico disse-lhe que o TARV já incluía o tratamento para os dentes! Será que o médico estava preparado para o tipo de paciente em questão?

Diante de tal cenário, o que nos parece mais viável é pedir ao Governo que devolva os HdD e faça a integração deles ao Serviço Nacional de Saúde paulatinamente. O modo como foram encerrados os HdD não foi racional. As pessoas não são cabritos que possam ser mudadas de pasto de dia para a noite sem auscultação prévia. Ao menos deveríamos ser auscultados como utentes dos serviços de TARV. Afinal, nós escolhemos os nossos dirigentes para olhar o seu povo nos seus direitos com um respeito à vida consagrada por Deus.
 
Júlio Mujojo, Secretário Nacional Rede de Associações de Pessoas Vivendo com HIV e Sida

Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 28.08.2009





Moçambique: Debate destaca que a masculinidade e a violência contra as mulheres são condicionantes para o uso do preservativo

29 08 2009

Ocorreu nesta quinta-feira, 27 de Agosto, no Sindicato Nacional dos Jornalistas, em Maputo, o debate público Masculinidade e Violência – Uma Nova Ordem de Género é Possível?

Para além de debater o envolvimento dos homens na redução da desigualdade e violência, este encontro propôs a participação deles na promoção dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, como à prevenção do HIV.

Diogo Milagre, secretário Executivo Adjunto do Conselho Nacional de Combate ao Sida (CNCS) e um dos debatedores do encontro, afirmou que há diferenças no diálogo sexual entre os gêneros.

“Já que as mulheres são mais vulneráveis ao HIV em comparação ao homem, este devia usar a sua masculinidade e o seu poder para adoptar o uso constante do preservativo na relação”, ressaltou.

Segundo um recente estudo feito pela Valore – Pesquisa em Mercado sobre o comportamento sexual dos jovens na Cidade de Maputo, as mulheres, embora tenham a tendência de assumir o controlo sobre a prevenção na relação sexual, não alcançam esse fim devido à ideia que já têm de que o homem deve comandar a relação e a casa.

O debate contou ainda com a presença do docente da Universidade Eduardo Mondlane e Deputado da Assembleia da República pela bancada da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) Eduardo Namburete; do membro do Conselho de Direcção do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais José Ivo Correia, entre outros activistas e interessados no tema.

A organização ficou a cargo do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais, em parceria com a Rede Homens Pela Mudança e apoio do Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento das Mulheres.

Fernando Fidélis/AGência de Notícias de Resposta ao Sida – 28.08.2009





No Reino Unido as pessoas infectadas com VIH serão um grupo prioritário para a vacinação da gripe A

29 08 2009

As pessoas infectadas pelo VIH serão um dos grupos prioritários no Reino Unido no que diz respeito à vacinação da gripe A, de acordo com os planos divulgados pelo Departamento de Saúde deste país.

Prevê-se que a vacina que oferece protecção contra a gripe A esteja disponível no Outono.

O Secretario de Estado da Saúde anunciou que os indivíduos com problemas de saúde, tais como a infecção pelo VIH, serão os primeiros candidatos à vacinação.

Não existe qualquer evidência de que as pessoas infectadas com VIH corram mais risco de contrair a gripe A ou de desenvolver outras patologias após a infecção, salvo se tiverem uma contagem baixa de células CD4.

Actualmente, recomenda-se que as pessoas seropositivas para o VIH sejam vacinadas contra a gripe sazonal.

As recomendações do Reino Unido também apontam para a vacinação de todos as pessoas que co-habitam com indivíduos imunossuprimidos.

As mulheres grávidas e as pessoas com mais de 65 anos com problemas de saúde também são consideradas prioritárias.

A maioria dos casos de gripe A não causaram doença grave, nem conduziram a situações de perigo de vida, mas tal como a gripe sazonal, a infecção causa sintomas desagradáveis, nomeadamente febre alta.

Tal como a gripe sazonal, a gripe A pode ter implicações mais graves para as pessoas com outras patologias, tais como, doença pulmonar, doença cardíaca ou diabéticos. Os indivíduos com um sistema imunitário suprimido, tais como as pessoas seropositivas, especialmente se a contagem de células CD4 estiver abaixo das 200/mm3, também têm maior risco de complicações, apesar de não existirem evidências que a presente forma de gripe A esteja a causar problemas a pessoas com contagens baixas de células CD4. Porém, as pessoas com contagem abaixo de 200células/mm3 devem procurar aconselhar-se junto do seu médico especialista em VIH se os sintomas de gripe persistirem ou piorarem mesmo com a terapêutica antiviral para a gripe. Isto porque os sintomas de infecção oportunista podem ser confundidos com os da gripe.

A vacina da gripe A será facultada nos consultórios dos médicos de família. Será necessário receber duas doses. O programa de vacinação terá início logo que a vacina seja aprovada como sendo segura e eficaz, o que se espera que aconteça, o mais tardar, no inicio de Outubro.

Michael Carter/nam – 25.08.2009





As pessoas que se sentem estigmatizadas têm menores probabilidades de aceder ao tratamento do VIH

29 08 2009

O estigma relacionado com o VIH está associado ao acesso reduzido aos cuidados médicos especializados para o VIH, relatam investigadores norte-americanos num estudo publicado na edição online do Journal of General Internal Medicine O estudo demonstra também que uma grande parte das pessoas seropositivas apresenta uma noção de estigma muito interiorizada.

“O nosso estudo fornece informações importantes sobre a associação entre o estigma interiorizado e o auto-relato sobre o acesso aos cuidados médicos”, comentam os investigadores.

Houve melhorias drásticas no que diz respeito ao tratamento do VIH, graças às quais o prognóstico de muitas pessoas infectadas é agora considerado normal.

No entanto, o VIH continua a ser uma doença estigmatizante e este factor ameaça a saúde emocional, mental e física dos indivíduos infectados.

O estigma é um conceito complexo, mas é geralmente aceite que está enraizado nos desvios verificados em relação aos valores e às normas sociais de uma comunidade. O estigma interiorizado pode desenvolver-se caso um indivíduo aceite tais normas da sociedade, mas se desvie delas.

Os investigadores de Los Angeles sugerem que o estigma interiorizado estará associado a três aspectos-chave do tratamento do VIH:

 

  • O acesso auto-relatado aos cuidados de saúde relacionados com o VIH 

     

  • Ter acesso regular aos cuidados de saúde relacionados com o VIH 

     

  • Adesão ao tratamento anti-retroviral 

     

 

Um total de 202 indivíduos foi recrutado para a investigação, a partir de clínicas e serviços de apoio, em Los Angeles. A investigação foi levada a cabo em 2007.

A maioria dos participantes (56%) era composta por mulheres e houve uma proporção igual de Afro-americanas. A idade média situou-se nos 43 anos e 31% eram homossexuais masculinos.

O estigma interiorizado foi avaliado usando um questionário que contabilizava as respostas individuais numa escala de 0 a 100. A pontuação geral foi 41, sugerindo que mais de um terço dos participantes tinham um estigma interiorizado associado ao VIH.

Em geral, 77% dos indivíduos relataram ter dificuldades de acesso aos cuidados de saúde, sendo que 11% não tinham cuidados regulares e 43% relataram fraca adesão aos tratamentos para o VIH.

O primeiro conjunto de análises estatísticas dos investigadores mostrou que os indivíduos que relataram um alto nível de estigma interiorizado eram, provavelmente, aqueles que relatavam falta de acesso aos tratamentos do VIH (Probabilidades de rácio [OR] = 4,97; 95% CI, 2,54-9,72), falta de uma fonte regular de cuidados de VIH (OR = 2,48, 95% CI, 1,00-6,19) e baixos níveis de adesão ao tratamento anti-retroviral (OR = 2,45, 95% CI, 1,23-4,91).

Contudo, quando os investigadores ajustaram os resultados tendo em conta possíveis factores de confusão, verificaram que o estigma interiorizado apenas subsistia significantemente associado ao acesso precário ao tratamento do VIH (ajustado OR = 4,42, 95% CI, 1,88-10,37). Também estabelecerem que a saúde mental precária, ao invés do estigma interiorizado por si só, explicava a adesão subóptima ao tratamento do VIH.

“Aproximadamente um terço dos participantes relatou ter experimentado altos níveis de estigma interiorizado”, comentam os investigadores, acrescentando “descobrimos que os inquiridos que relataram altos níveis de estigma tinham quatro vezes mais probabilidades de ter acesso precário ao tratamento.”

Os investigadores notaram que o seu estudo estava limitado pelo seu desenho transversal e que novos estudos prospectivos são necessários para determinar melhor a relação entre estigma e o acesso ao tratamento para o VIH. “Tais estudos possibilitar-nos-iam analisar as mudanças no estigma e a sua contribuição para os cuidados de saúde e os resultados durante a trajectória da doença”, concluem os investigadores.

Referência

Sayles JN et al. The association of stigma with self-reported access to medical care and antiretroviral therapy adherence in persons living with HIV/AIDS. J Gen Intern Med (online edition), 2009.

Michael Carter/nam – 26.08.2009





Estudo Sul-Africano realizado no centro de cuidados primários de saúde demonstra bons resultados TAR em crianças

29 08 2009

Foi reportado pela Dra. Pippa McDonald em Julho, na Quinta Conferência da International AIDS Society sobre a Patogénese, Tratamento e Prevenção, na Cidade do Cabo na África do Sul, que mais de 80% das crianças que iniciaram o tratamento antiretroviral continuam em tratamento, sendo que destas, 90% apresentam carga viral indetectável após dois anos em centros de cuidados primários, numa vila muito pobre em Joanesburgo, África do Sul.

 

Os resultados preliminares tinham sido apresentados na Segunda Conferência Internacional sobre VIH no Botswana, em Gabarone em Setembro de 2008.

Dos 2,1 milhões de crianças infectadas pelo VIH em todo o mundo, 90% residem na África Subsaariana, das quais 280 mil vivem na África do Sul.

Os desafios ao abastecimento do tratamento antiretroviral pediátrico na África do Sul são muitos e incluem: a co-mortalidade por tuberculose e malnutrição; regimes de medicamentos complexos e a correspondente falta de formulações pediátricas; um contexto social complexo, por exemplo, ser-se órfão, adolescente, vivendo na pobreza e/ou recebendo tratamento paralelo por curandeiros tradicionais. O início tardio do tratamento contribui para as elevadas taxas de mortalidade bem como para um crescimento e desenvolvimento insuficientes nesta população.

A Clínica Phatsima Khanya (Local de Luzes Brilhantes) de Crianças Infectadas pelo VIH é uma clínica de cuidados primários de saúde localizada no bairro periférico de Alexandra, em Joanesburgo. Alexandra é muito pobre. O crime cresce, devido ao desemprego elevado e à grave sobrepopulação. A malnutrição e o analfabetismo são comuns. Todos combinados resultam em difíceis condições de sobrevivência.

A clínica abriu em Abril de 2005 e tornou-se um local nacional de roll-out em Fevereiro de 2006. É uma instituição de cuidados alargados, e um local de administração e de tratamento (CCMT). Todos os serviços são gratuitos. É feita uma abordagem centrada nas famílias e está integrada nos serviços de tratamento da infecção pelo VIH para adultos. Os testes ao VIH têm início na 4a ou 6a semana de idade e o tratamento antiretroviral é iniciado sempre que necessário.

A equipa pediátrica é constituída por três médicos, duas enfermeiras – uma enfermeira de primeiros socorros e uma enfermeira profissional – e três conselheiros. Um nutricionista, um assistente social, um farmacêutico, assistentes e o pessoal administrativo e de recolha de dados é partilhado com a clínica de adultos.

Foi feita uma revisão a um gráfico retrospectivo durante o período de 4 anos, de Abril de 2005 a Abril de 2009. A população analisada no estudo incluiu todos os bebés, crianças e adolescentes até à idade de 14 anos que iniciaram o tratamento antiretroviral.

Um total de 337 crianças deu início ao tratamento TAR com uma média de idade de 5 anos e 7 meses. Setenta e cinco por cento estavam sob o regime de primeira linha, que consistia em lamivudina (3TC), estavudina (d4T) e efavirenze (EFV) e os restantes 25% sob 3TC, d4T e lopinavir/ritonavir (LPV/r). A percentagem média de base da contagem de células CD4 era de 12,8/mm3. Cerca de 85% estavam nos estádios 3 e 4 da OMS (25% e 58% respectivamente). Onze por cento tinham menos de um ano de idade, 34% com idades compreendida entre um e cinco anos, 41% com idades compreendidas entre os seis e os nove anos e os restantes 14% com idades entre os 10 e os 14 anos.

No fim do período de estudo, 81% (281) mantinham-se em seguimento. Foram observadas cargas virais indetectáveis em 87% das crianças (172/199) após um ano e em 90% após dois anos sob tratamento. O aumento médio da percentagem de células CD4 foi de 12,7 (8,21-17,37) e de 15,3 (11,0-19,8) em um e dois anos respectivamente.

No fim do período de estudo, 193 (69%) ainda estavam sob o tratamento de primeira linha. O maior motivo para a mudança de regimes foi a toxicidade resultante da estavudina (72/88 ou 82%) na forma de lipodistrofia e hiperlactatemia.

 

Os autores notaram que embora a taxa elevada de 32% de órfãos não tenha afectado os resultados, teve consequências importantes no bem-estar psicológico destas crianças. O sucesso na supressão viral é semelhante quer as principais cuidadoras sejam a mãe ou a avó.

Os autores referiram que os vários desafios psicológicos requerem uma abordagem multidisciplinar. Por exemplo, para ajudar a combater a malnutrição severa (base WAZ de -4,05), é distribuída comida e existe uma cozinha pública todos os dias. Existe ainda uma clínica separada para adolescentes. A clínica pratica outreach social para ajudar a combater a elevada taxa de desemprego entre os cuidadores e a pobreza, fornecendo roupa, cobertores e bolsas para educação.

Os autores concluem que “podemos confirmar que a TARc (terapêutica anti-retroviral de combinação) mudou o rosto da epidemia pediátrica do VIH na nossa comunidade, mas talvez a nossa maior lição foi que a TARc é apenas uma parte dos cuidados totais necessários para as crianças infectadas pelo VIH”.

Referência

Macdonald P et al. Utilizing paediatric data for quality treatment outcomes in a primary healthcare clinic. Fifth International AIDS Society Conference on HIV Pathogenesis, Treatment and Prevention, SUSAT, Cape Town, South Africa, July 2009.

Carole Leach-Lemens/nam – 27.08.2009





Solenidade em Centro Cultural marca 20 anos do Pela Vidda em São Paulo

29 08 2009

No dia 27 de agosto de 1989, ativistas do Rio de Janeiro e de São Paulo fizeram a primeira reunião no Centro Cultural São Paulo para a fundação do Grupo Pela Vidda/SP. Na noite de ontem, uma solenidade com militantes e gestores marcou o aniversário de 20 anos do núcleo paulista da ONG no mesmo local. “Este evento é um momento público de reafirmar um compromisso de combater a aids e também o preconceito. Quero dizer que ainda hoje consideramos a epidemia gravíssima no Brasil. Algumas metas e respostas ainda não estão à altura”, disse o presidente da instituição, Mário Scheffer. A entidade foi elogiada por todos os participantes do evento, principalmente por manter, em toda sua história, um tom crítico em relação ao tema. Para Scheffer, um dos desafios atuais na luta contra o HIV é “enfrentar a banalização da aids, e para isso precisamos de novas parcerias”. Um apoio inédito da agência de publicidade DM9 vai viabilizar a atualização do site da ONG na internet e ainda criar uma linha de camisetas para a venda ao público em geral.

Os três principais ativistas homenageados na noite foram Pedro de Souza, Veriano Terto e Jorge Beloqui. “Queríamos projetar outra idéia sobre aids, em um tempo em que as pessoas só sabiam associar a doença com a morte”, disse Veriano, hoje presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia).

Outra ONG homenageada foi o Gapa, por ter cedido espaço físico na época aos militantes, quando o Pela Vidda ainda não tinha sede própria em São Paulo. “É a mãe de todas as instituições”, elogiou Scheffer.

O representante do Unaids (Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids), Pedro Chequer, creditou algumas vitórias à instituição. “O Pela Vidda/SP tem sido uma força muito importante na área de propriedade intelectual, debatendo questões sobre como ampliar a capacidade industrial de produção de genéricos”, disse Chequer.

Para o diretor-adjunto do Departamento de DST e Aids, Eduardo Barbosa, a importância da entidade vai muito além das parcerias que tem com o governo. “É um parceiro com coerência em suas cobranças e sempre crítico”, afirmou.

O Pela Vidda também foi lembrado pela sua contribuição ao movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais)com a inauguração do Centro de Referência da Diversidade no centro de São Paulo (CRD). “Eles têm uma militância com visão muito crítica e contribuem na formulação de políticas públicas para a diversidade sexual”, disse a coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Cristina Abbate.

O evento contou com a presença ainda do vereador Floriano Pesaro (PSDB); Maria Clara Gianna, coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de SP); Irina Bacci, coordenadora do CRD; entre outros.

Rodrigo Vasconcellos/Agência de Notícias da Aids – 28.08.2009





Começa nesta sexta-feira em SP a 5ª edição do Cinema Mostra Aids

29 08 2009

Começa nesta sexta-feira em São Paulo a 5ª edição do Cinema Mostra Aids. O evento segue até a próxima quinta (dia 3) exibindo produções que retratam o cenário atual da pandemia.

A mostra será realizada no Espaço Unibanco e o Cine Olido (Galeria Olido) e a entrada terá preços simbólicos de R$ 5 e R$ 1. Haverá distribuição gratuita de ingressos para ONGs e serviços de saúde que trabalham com HIV e aids.

O evento é uma iniciativa do Grupo Pela Vidda/SP em parceria com o Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo e conta com apoio do Espaço Unibanco de Cinema, Galeria Olido (Prefeitura de São Paulo), dentre outros parceiros.

Confira a seguir a programação completa:

CINEMA MOSTRA AIDS – Programação
ESPAÇO UNIBANCO DE CINEMA – ANEXO – SALA 4
De 28/08 a 03/09/2009 – R$ 5,00 (PREÇO ÚNICO) – 16 ANOS

Dia 28/08 (sexta-feira)

• 18h – ANJOS DO SOL
Direção: Rudi Lagemann – Brasil – 2006 – 90 min.
Sinopse: Maria, uma garota de 12 anos, é vendida pela família a um explorador de menores. Ela vai parar num prostíbulo na floresta amazônica, onde as meninas são vítimas de abusos e também da aids. Após conseguir fugir, cruza o país, viajando de caminhão até o Rio de Janeiro. Com elenco que inclui os atores Antônio Calloni, Chico Diaz, Otávio Augusto, Vera Holtz e Darlene Glória, o filme recebeu diversos prêmios, entre os quais o de melhor filme, em Gramado, onde Lagemann também ficou o com título de melhor roteiro. No Miami Internacional Film Festival, Anjos do Sol foi, segundo o júri popular, o melhor filme do evento.

• 20h – HAKIM (Hakim) – CURTA-METRAGEM
Direção: Ismail Sahin – Alemanha – 2007 – 15 minutos
Com passagens por vários festivais internacionais, esse curta-metragem conta a história do menino Hakim, de um ano. Ele é encontrado por um velho homem, numa casa de lama numa aldeia na Àfrica, ao lado de sua mãe, que está morta. Como tantas crianças africanas, Hakim perdeu seus pais para a aids e passa aos cuidados do educador local Aga, acostumado a receber crianças com baixa expectativa de vida. Usando histórias e contos, ele consegue incitar essas crianças a gostar mais da vida e a considerar o aqui e agora como uma fase para transformação em seres diferentes. Pelas histórias que conta, similares aos contos de fadas, ele quer transmitir uma sensação de imortalidade. Hakim também experimenta essa transformação pessoal.

O JARDIM DO OUTRO HOMEM (Le Jardin d´ um Autre Homme)
Direção : Sol de Carvalho – Moçambique – França – 2006 – 80 min.
Sinopse: Aos 19 anos, Sofia vive num subúrbio pobre de Maputo, em Moçambique, onde passa diariamente por enormes dificuldades para prosseguir os estudos, única alternativa para chegar à universidade e realizar seu grande sonho: ser médica. Os obstáculos da jovem aumentam, sobretudo quando ela se percebe vítima de assédio por parte de um professor, possivelmente infectado com o HIV. Ele não hesita ao manipular o resultado do exame para conseguir, a qualquer preço, o que quer, para desconforto de Sofia. No elenco, Gigliola Sarifa, Viegas Jão Tovele, Ivan Augusto Laranjeira.

• 22h – FIGUEIRAS (Fig Trees)
Direção: John Greyson – Canadá – 2009 – 104 min.
Sinopse: O filme é apresentado como “uma ópera documental”. No caso, sobre a luta dos ativistas Tim Maccaskell, de Toronto, e Zackie Achmat, de Capetown, ambos empenhados na batalha pelo acesso a medicamentos para tratamento da aids. Entrevistas documentais, discursos, conferências e manifestações são, segundo o diretor e roteirista, experimentados, desmontados e transformados em música. A ópera em questão executa inversões musicais e políticas na música e nas palavras do clássico de vanguarda de 1934, de Gertrude Stein, Quatro Santos em Três Atos. Num imaginário surreal proposto pelo filme, apresenta-se Gertrudes Stein, um esquilo albino que canta e decide criar uma ópera trágica sobre Tim e Zackie e o seu heroísmo, constatado em várias histórias de enfrentamentos diante do governo e da indústria farmacêutica.

Dia 29/08 (sábado)

• 18h – CLARA E EU (Clara et Moi)
Direção: Arnaud Viard – França – 2004 – 86 min.
Sinopse: Idealista e eternamente insatisfeito, Antoine tem 33 anos e está à procura de um grande amor. Ainda que o desembaraço lhe abra caminhos em Paris, ele não consegue disfarçar o sentimento de solidão _ pelo menos até o dia em que conhece a bela Clara, cuja liberdade o encanta. Entre telefonemas e encontros, eles ficam cada vez mais apaixonados, mas a vida do casal, no entanto, passa por uma reviravolta quando os dois decidem, juntos, fazer o teste do HIV. Nesta comédia romântica, a moral da história é que vida pode não ser tão simples quanto parece, pois sempre há provas para as quais podemos não estar totalmente preparados. Julie Gayet e Julien Boisselier são os protagonistas do filme.

• 20h – ESTAMOS JUNTOS (We Are Together)
Direção: Paul Taylor – Inglaterra/África do Sul – 2006 – 83 min
Sinopse: Vencedor de 12 prêmios em diversos festivais nos quais já foi exibido, esse misto de documentário e musical foi filmado ao longo de três anos e conta a história notável e comovente de um grupo de crianças do Ágape Orphanage, um orfanato na África do Sul. Eles usam a música para superar a miséria e a perda. É uma história emocionante de orfandade e do passeio desses jovens e talentosos cantores e seus professores por Londres, cidade que visitam para uma série de concertos.

• 22h – MINHA VIDA NA DISCOTECA (The Godfather Of Disco)
Direção: Gene Graham – Estados Unidos – 84 min
Sinopse: Apresentado como um documentário musical, o filme se baseia na autobiografia de Mel Cheren, Minha Vida (My Life), para mostrar ascensão e queda da música disco nos anos 1970, em Nova York. Com depoimentos de “quem é quem” na cena local da época, registra o impacto da descoberta da aids e da propagação do HIV no mundo da discoteca. Traz ainda o trabalho e a garra do ativista Mel (produtor executivo do filme, inclusive) , que usa a música para lutar contra a aids e promover o trabalho voluntário com atuação determinante na defesa dos direitos gay. Participações de Barbara Tucker, Cory Robbins, Danny Krivit, Vince Montana, Louis Benedetti, Lady D, entre outros.

Dia 30/08 (domingo)

• 18h – 68 PÁGINAS (68 Pages)
Direção: Sridhar Rangayan – Índia – 2007 – 92 min.
Sinopse: Subvertendo o gênero cinematográfico consagrado por Bollywood, sempre baseado em música, dança e drama, esse filme coloca em cena personagens ignorados pela grande indústria indiana do cinema: um bailarino transexual, um casal gay, um profissional do sexo e um usuário de drogas. Tudo para contar histórias de dor e trauma, felicidade e esperança _ou da condição de ser HIV positivo e discriminado. Tudo a partir de cinco vidas e experiências registradas em 68 páginas do diário de Mansi, uma conselheira cuja exigência ética é a de manter a confidencialidade dos seus casos. Ao tentar ser objetiva na compreensão dos problemas ela não pode envolver-se emocionalmente com nenhuma pessoa que está aconselhando. Foi filmado em Mumbai, Maharashtra, India.

• 20h – STEPHEN FRY E A AIDS (HIV & Me)
Direção: Ross Wilson – Inglaterra – 2007 – 120 min.
Sinopse: Depois de perder muitos amigos para a aids a partir dos anos 1980, o ator Stephen Fry, roteirista desse documentário, faz uma viagem pessoal pela Grã-Bretanha e tenta entender o porquê do aumento das infecções de aids. O filme concentra-se em universos distintos _ de gays, héteros e vários outros grupos, inclusive adolescentes. A idéia é descobrir o que eles pensam sobre sexo seguro. Pode ser chocante, por exemplo, ver como muita gente age em relação a doença, preferindo não se proteger. Ao ser entrevistada, uma mulher diz ter dormido com vários homens em uma semana e ainda assim afirma não ver nenhuma razão para proteger-se. Com perguntas diretas e contundentes, vez ou outra ,Fry (que já viveu o protagonista, soropositivo, do filme Para o Resto de Nossas Vidas, de 1992), deixa clara a raiva e a indignação que sente diante de pessoas que contribuem para agravar o problema.

• 22h – CRISTAL (Meth)
Direção: Todd Ahlberg – Estados Unidos – 2007 – 79 min.
Sinopse: A partir das histórias e reflexões de uma dúzia de homens gays que vivem nos Estados Unidos e têm entre 21 e 50 anos, o documentário revela o fascínio e os riscos do cristal de metanfetamina _uma variante da anfetamina, usado especialmente para estimular o sexo_, droga que ganhou popularidade, especialmente entre gays americanos. O uso é tão prejudicial e perigoso que o diretor fez o seguinte alerta depois de realizar o documentário: “Confiamos que ele fará com que as pessoas passem a pensar no cristal metanfetamina como algo que não se queira experimentar. As histórias dessas pessoas mostram o porquê dessa afimação.”

Dia 31/08 (segunda-feira)

•18h – O CASO TIRIYÓ – CURTA-METRAGEM
Direção: Vincent Carelli / Estevão Nunes – Brasil – 1998 – 13 min.
Sinopse: Na tribo dos Tiriyó, no Pará, quase na divisa com o Suriname, cerca de mil índios se dividem em várias aldeias dispersas. Os Tiriyó andam muito e mantém contato permanente não só entre si, mas com tribos vizinhas amigas, como os Wayâna e Xarúma, assim como com a civilização branca. Também por isso os Tiriyó não sabem exatamente como a aids chegou à comunidade indígena. Neste documentário, eles levantam hipóteses de como a infecção pelo HIV, até então desconhecida por eles, atingiu vários índios. O vídeo integra o programa Prevenção das DST e Aids entre os Povos Indígenas mantido pela Vídeo nas Aldeias, ONG que tem um importante acervo de imagens sobre os povos indígenas no Brasil e já produziu uma coleção de mais de 70 filmes, muitos deles premiados, inclusive fora do país.

O DIA DO RESULTADO (Testing Diaries)
Direção: Kess Bohan, Yonni Usiskins, Goetz Werner – Inglaterra – 2007 – 30 min.
Sinopse: Apresentado pelos integrantes da banda americana de pop punk Good Charlotte, o filme revela as vidas de três jovens _Sajan, Cynthia e Akila _ na Índia, na Jamaica e no Ghana, quando decidem fazer o teste do HIV. Mostra o medo, a incerteza, a necessidade de realizar o exame e a apreensão na hora de saber o resultado. Por vezes tenso, o documentário acaba por encorajar as pessoas a refletirem sobre os seus comportamentos e a tomarem as rédeas de suas próprias vidas.

• 20h – PEQUENOS PAIS (Their Brothers´Keepers: Orphaned by Aids)
Direção: Catherine Mullins – Canadá – 2005 – 55min
Sinopse: Filmado durante sete meses, em Chazanga Compound, um bairro de favelas no Lusaka, Zâmbia, este documentário canadense segue as lutas cotidianas de famílias encabeçadas por crianças cujos pais morreram de aids. Por isso, longe de uma infância normal e determinadas a sobreviver, elas assumem o comando de suas famílias. Ao enfrentar a falta de comida, água, escola e assistência em saúde, Benny, Dorris e Paul experimentam o drama e a esperança que se misturam na luta por trabalho para comprar a refeição para seus irmãos mais novos. Se a ajuda local e mesmo o socorro humanitário estrangeiro não são suficientes na dura realidade vivida por eles, a fotografia e trilha sonora do filme contrastam com vidas surreais dessas crianças heróicas.

• 22h – 48 HORAS (48 Fest: Kenya)
Direção: Jules Wilson – Inglaterra – 2007 – 22min
Sinopse: Num concurso, durante uma conferência internacional de mulheres ativistas que atuam na luta contra aids, em Nairóbi, no Quênia, trinta jovens de diversas partes do mundo receberem o desafio de realizar, em 48 horas, curtas-metragem sobre a aids para serem exibidos mundialmente. O documentário acompanha os bastidores, a formação dos grupos, as dúvidas, discussões, as dificuldades com a produção e a luta contra o tempo para finalizar oito curtas que revelam um olhar feminino sobre a aids.

Dia 01/09 (terça-feira)

• 18h – A VIDA DOS PARDAIS (The Lost Sparrows of Roodepoort)
Direção: Brock Carter e David Ponce – Estados Unidos – 2008 – 28min.
Sinopse: Em Roodepoort, na periferia de Joanesburgo, África do Sul , a Sparrow Village é uma casa de apoio para crianças que vivem com HIV e aids. Ainda no início dos anos 1990, em meio à crescente devastação da aids, Corine Mclintock decide acolher de crianças doentes, para que tenham algum conforto em seus últimos dias de vida. Mas ela sabia que era preciso fazer muito mais por essas criaturas órfãs. Decide, então, criar um verdadeiro lar, com rotina diária de medicação, escola, exames e até mesmo festa de aniversário. Transforma, assim, com inabalável dedicação, um cenário escuro e assustador em um triunfo da esperança . Aplaudido em vários festivais, o documentário mostra ao mundo que os pardais esquecidos de Roodepoort não estavam sozinhos.

• MAIS PODEROSO QUE A AIDS (Greater: defeating aids)
Direção: Emmanuel Exitu – Itália – 2009 – 34min
Sinopse: O documentário conta a trajetória do Meeting Point, um revolucionário projeto de luta contra a aids criado por Rose Busingye, uma enfermeira de Kampala, Uganda. O fio condutor é a simplicidade com que órfãos e mulheres acolhidas por Rose e pelo projeto dançam, choram, falam de si, da doença e da vitória sobre a aids. A narração mostra um povo interessado e comovido pela realidade e pela determinação de lutar pela vida.

• 20h – SIMPLES CORAGEM (Simple Courage)
Direção: Stephanie J. Castillo – Havai – 1992 – 55 min.
Sinopse: O filme traça um paralelo com a epidemia de aids ao documentar o tratamento de vítimas de hanseníase no Havaí no final do século 19 e início do século 20, quando mais de oito mil portadores, a maior parte nativos, foram segregados em uma península isolada e praticamente abandonados. Um homem, contudo, em num ato simples e corajoso, tomou a questão para si e trouxe conforto a essa gente desamparada. Ele foi o Pai Damien, um missionário Católico da Bélgica, que passou dezesseis anos acolhendo e confortando os “intocáveis” até que ele mesmo sucumbisse à doença. Ao usar arquivos e entrevistas com sobreviventes dos anos de 1930 e 1940, o filme mostra a dor emocional por causa do banimento das suas casas ancestrais acrescentadas às devastações da doença.

• 22h – POR FAVOR, CONVERSE COM AS CRIANÇAS SOBRE AIDS (Please Talk to Kids About Aids)
Direção: Brian Hennessey – Estados Unidos – 2007 – 26 min.
Sinopse: Numa conferência internacional sobre aids, duas crianças falam com técnicos, trabalhadores do sexo e pessoas que vivem com HIV e aids. Num mundo cheio de jargões e tabus em relação à doença, este documentário mostra duas vozes inocentes, fazendo perguntas que só uma criança ousa fazer e, por isso, conseguem despertar mais compaixão diante epidemia. Numa visão sem preconceitos, o filme trata da incapacidade humana de fazer com que aids seja compreensível a todas as pessoas, em especial por causa do desconforto dos adultos diante da própria sexualidade.

• A FACE FEMININA DA AIDS (The Female Face of AIDS: Crisis in Malawi)
Direção: Doug Karr e Edward Boyce – EUA – 2008 – 33 minutos
Sinopse: Em 2007, uma equipe de pesquisadores americanos do Leitner Center for International Law and Justice viajou a Malawi para tentar entender porque as mulheres de lá são maioria (58%) da população infectada pela aids e como a infecção e a doença afetam suas vidas. Registradas no documentário, as entrevistas conduzidas pela equipe revelam uma combinação mortal de desigualdade feminina, pobreza, e práticas culturais e crenças que promovem a extensão da aids e comprometem severamente as vidas dessas mulheres e de suas crianças.

Dia 02/09 (quarta-feira)

• 18h – O OUTRO LADO – CURTA-METRAGEM
Direção: Doulgas Drumond e Heitor Werneck – Brasil – 2009 – 10min.
Sinopse: Produzido pelo Casarão Brasil, uma associação voltada para comunidade LGBT, “O Outro Lado” relata, sob uma ótica sensível e realista, a vida e as desventuras de moradores de rua homossexuais na cidade de São Paulo, população vulnerável não só à infecção pelo HIV e à AIDS, mas também a diversos tipos de violência e violação de direitos de cidadania. Ao abordar questões como discriminação, respeito e direito à moradia, uma idéia se apresenta: como seria uma casa de apoio e de acolhimento para essa população de homossexuais? É fato que os albergues públicos convencionais, muitos deles ligados a alguma religião, fecham as portas ou não acolhem adequadamente essas pessoas. Algo tem de ser feito para chegar ao outro lado da margem… eis o propósito desse documentário.

• UM LUGAR PARA BEIJAR
Direção: Neide Duarte – São Paulo – 2008 – 30 min
Sinopse: Um jovem frequentador de uma boate conta que foi ali para beijar outros homens, mas não se sente à vontade para transar com eles. Uma travesti que trabalha como profissional do sexo revela que não beija os clientes na boca, só o marido. Depoimentos como esses dão o tom do documentário Um Lugar Para Beijar, que mostra os caminhos da sexualidade masculina, os medos e preconceitos, a diversidade do mundo gay na periferia de uma metrópole, os encontros e desencontros de homens que fazem sexo com outros homens, a ameaça das doenças sexualmente transmissíveis. Dirigido pela experiente jornalista Neide Duarte, com o aval do Programa Municipal de DST/Aids – Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, a fita mostra os mistérios e surpresas de bares, festas, parques e outros cenários determinantes para as tramas vividas por essas pessoas.

• 20h – O PRESIDENTE TEM AIDS? (The President has aids?)
Direção: Arnold Antonin – Haiti – 2006 – 100min.
Sinopse: Dao (Jimmy Jean-Louis, do fenômeno televisivo Heróis) é a maior estrela de cinema do Haiti, o “presidente auto-proclamado de Compas”, o popular estilo musical do país. Ele convive com mulheres que caem aos seus pés e com homens que o invejam descaradamente. Invencível com seu hábitos e uma vida à la sexo, drogas e rock n roll, só não consegue superar o medo e o risco de estar doente, o que ameaça sua carreira. Apesar da pressão do seu agente, Dao se recusa a fazer teste do HIV e passa a frequentar rituais e a igreja à espera de um milagre. Num de seus concertos, resgata e se apaixona por Nina (Jessica Geneus), alvo das investidas de Larieux, um homem de negócios rico e poderoso, com quem a mãe de Nina quer que ela se case. Como o romance floresce entre Dao e Nina, Larieux traça a sua vingança nesse mix de comédia e drama que tem a epidemia da aids no Haiti como pano de fundo.

• 22h – SEXO POSITIVO (Sex Positive)
Direção: Daryl Wein – Estados Unidos – 2008 – 76 min.
Sinopse: A trajetória de Richard Berkowitz, ativista gay revolucionário nos anos 1980, é o tema deste documentário, que credita a Berkowitz o mérito da adoção e divulgação do sexo seguro como principal alternativa para enfrentar a aids. Profissional do sexo, Berkowitz emergiu do epicentro da epidemia como um líder da comunidade gay norte-americana, exigindo a evidência e a importância da prática do sexo seguro num momento de medo generalizado diante da nova doença. Ele atua junto com dois outros personagens fundamentais na história: Joseph Sonnabend, um virologista, e o músico Michael Callen. Juntos, eles mostram que as práticas sexuais mais seguras eram fundamentais para que não se desistisse do sexo completamente. Pelos olhos de Berkowitz, o filme testemunha depoimentos sobre sexo, morte, e traição, colocando a “invenção” do sexo seguro em um contexto de incertezas.

Dia 03/09 (quinta-feira)

• 18h – UMA JORNADA EM FAMÍLIA (Out in India: A Family´s Journey)
Direção: Tom Keegam, Estados Unidos, 2008, 71min
Sinopse: David Gere é um intelectual que dedicou parte de sua vida a estudar a relação da aids com as artes. É casado com Peter Carley, que durante muitos anos esteve à frente de protestos e ações políticas de luta contra a doença nos Estados Unidos. Ambos perderam parceiros no auge da epidemia, ambos permaneceram tocados pela aids. Juntamente com seus dois filhos adotivos, deixam sua casa e seus empregos em Los Angeles para uma jornada de alguns meses na Índia, com a missão de organizar artistas para lutar contra a aids num país que tem 5 milhões de pessoas HIV positivas, das quais 90 % não sabem que estão infectadas pelo vírus. O documentário narra uma “aventura ativista”, a oportunidade de uma contribuição positiva e criativa para enfrentar a aids.

• 20h – XPRESS 08 (Xpress 08)
Direção: Mauro Dahmer – Brasil – 2008 – 44 min.
Sinopse: Terceiro documentário da série Xpress, produzido pela MTV (América Latina) em parceria com o Unicef _e a campanha Staying Alive_, neste programa, rodado em Recife, Santo Domingo, Bogotá e Nova York , abordam-se temas ligados à masculinidade, juventude, sexualidade e prevenção do HIV. Machismo, pornografia, violência, drogas e preconceitos são alguns dos assuntos apresentados por jovens, ativistas e artistas. Depois de visitar, em versões anteriores, cidades como Kingston, São Paulo, México, Rio de Janeiro, Juarez e receber a medalha de prata no World Media Festival de Hamburgo, o programa XPress 8 conta com a participação de membros do movimento Mangue Beat como Fred 04, Canibal e Rogê, e artistas latinos e caribenhos como Dr Krapula, El Lapiz Cosciente, Calor Urbando, Dj Alkaline e 3 Coronas.
OBS: Após a exibição de XPress 8 haverá debate com o diretor Mauro Dahmer e a VJ Penélope Nova

CINEMA MOSTRA AIDS
GALERIA OLIDO – CINE OLIDO
Dias 28, 29 e 30 de agosto de – R$ 1,00 (PREÇO ÚNICO) – 16 ANOS

Dia 28/9 (sexta-feira)

• 15h – Princesas (Princesas)
Diretor: Fernando Leon de Aranoa, Espanha, 2005, 113 min
Sinopse: Caye é uma prostituta de classe média de Madri que esconde da família sua real ocupação. Zulema é uma imigrante dominicana que deixou a mãe e o filho em Santo Domingo para ganhar a vida ilegalmente na Espanha. Por conta da mesma profissão, as duas desenvolvem ao longo da trama uma amizade baseada na cumplicidade e no desejo de realizar seus sonhos.

• 17h – Três Irmãos de Sangue
Direção: Ângela Reiniger, Brasil, 2005, 104 min
Sinopse: Os três irmãos de sangue a que se refere o título do documentário são os mineiros Betinho, Henfil e Chico Mário. Hemofílicos, foram infectados pelo vírus HIV através da transfusão de sangue e morreram de complicações da Aids. O trio tornou-se um símbolo da luta contra a doença no Brasil e o fato do país hoje ser visto como referência mundial no combate à epidemia tem muito a ver com o pioneirismo de ativistas como eles.

• 19h30 – Transit
Direção: Niall MacCormick, Inglaterra, 2005, 90 min
Sinopse: Primeiro longa-metragem produzido para a TV pela MTV. Ambientada em quatro países, a trama acompanha o drama e as aventuras de protagonistas que vivem na Cidade do México, Los Angeles, São Petersburgo e Nairóbi. Entre os personagens estão a americana Asha, desconfiada da fidelidade do namorado, e o africano Matthew, mergulhado na cultura hip-hop de seu país.

Dia 29/9 (sábado)

• 15h – Anjos do Sol
Direção: Rudi Lagemann, Brasil, 2006, 90 min
Sinopse: Maria, uma garota de 12 anos, é vendida pela família a um explorador de menores. Ela vai parar num prostíbulo na floresta amazônica, onde as meninas são vítimas de abusos e também da aids. Após conseguir fugir, cruza o país, viajando de caminhão até o Rio de Janeiro. Com elenco que inclui os atores Antônio Calloni, Chico Diaz, Otávio Augusto, Vera Holtz e Darlene Glória, o filme recebeu diversos prêmios, entre os quais o de melhor filme, em Gramado, onde Lagemann também ficou o com título de melhor roteiro. No Miami Internacional Film Festival, Anjos do Sol foi, segundo o júri popular, o melhor filme do evento.

• 17h – 68 Páginas (68 Pages)
Direção: Sridhar Rangayan, Índia, 2007, 92 min
Sinopse: Subvertendo o gênero cinematográfico consagrado por Bollywood, sempre baseado em música, dança e drama, esse filme coloca em cena personagens ignorados pela grande indústria indiana do cinema: um bailarino transexual, um casal gay, um profissional do sexo e um usuário de drogas. Tudo para contar histórias de dor e trauma, felicidade e esperança _ou da condição de ser HIV positivo e discriminado. Tudo a partir de cinco vidas e experiências registradas em 68 páginas do diário de Mansi, uma conselheira cuja exigência ética é a de manter a confidência dos seus casos. Ao tentar ser objetiva na compreensão dos problemas e dar opções que ajudariam, ela não pode envolver-se emocionalmente com nenhuma pessoa que está aconselhando.

Dia 30/9 (domingo)

• 15h: Estamos Juntos (We Are Together)
Direção: Paul Taylor, Reino Unido e África, 2006, 83 min
Sinopse: Vencedor de 12 prêmios em diversos festivais nos quais já foi exibido, esse misto de documentário e musical foi filmado ao longo de três anos e conta a história notável e comovente de um grupo de crianças do Ágape Orphanage, um orfanato na África do Sul. Eles usam a música para superar a miséria e a perda. É uma história emocionante de orfandade e do passeio desses jovens e talentosos cantores e seus professores por Londres, cidade que visitam para uma série de concertos.

• 17h – Figueiras (Fig Trees)
Direção: Jhon Greyson, Canadá, 2009, 104 min
Sinopse: O filme é apresentado como “uma ópera documental”. No caso, sobre a luta dos ativistas Tim Maccaskell, de Toronto, e Zackie Achmat, de Capetown, ambos empenhados na batalha pelo acesso a medicamentos para tratamento da aids. Entrevistas documentais, discursos, conferências e manifestações são, segundo o diretor e roteirista, experimentados, desmontados e transformados em música. A ópera em questão executa inversões musicais e políticas na música e nas palavras do clássico de vanguarda de 1934, de Gertrude Stein, Quatro Santos em Três Atos. Num imaginário surreal proposto pelo filme, apresenta-se Gertrudes Stein, um esquilo albino que canta e decide criar uma ópera trágica sobre Tim e Zackie e o seu heroísmo, constatado em várias histórias de enfrentamentos diante do governo e da indústria farmacêutica.

Outras informações:

- Grupo Pela Vidda/SP: (11) 3258-7729
Contato: Silvia Carvalho – Coordenadora do V Cinema Mostra Aids
www.aids.org.br

- Espaço Unibanco de Cinema: 28 de agosto a 03 de setembro
Rua Augusta, 1470, Cerqueira César – Estação Consolação do Metrô
Tel. 3288-6780 / 3287-5590
(Sala 4, 107 lugares)
Ingresso: R$ 5,00

- Galeria Olido: 28 a 30 de agosto
Av. São João, 473, Centro – Estação República do Metrô
Tel. 3331-8399 / 3397-0171
(Cine Olido, 236 lugares)
Ingresso: R$ 1,00

Agência de Notícias da Aids – 28.08.2009





UNESCO lança guia de educação sexual para jovens

29 08 2009

A UNESCO elaborou um guia de recomendações destinado a educadores que pretende melhorar a educação sexual dos mais jovens, na sua opinião, “inadequada” em muitas regiões do mundo, informou hoje a organização.

A sida [aids], as doenças de transmissão sexual, a gravidez não desejada, a exploração sexual e os abusos constituem os principais perigos para os jovens na atualidade, mas o que é preciso é mais informação, assinala um comunicado da organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Baseada em 87 estudos realizados em países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, o guia, elaborado pela UNESCO em colaboração com o Fundo da ONU para a População (UNFPA) e outras instituições, tem a assinatura do investigador Douglas Kirby e da diretora de Educação do Conselho de Educação e Informação Sexual dos Estados Unidos, Nanette Ecker.

Intitulado “Princípios Internacionais sobre Educação Sexual”, o documento inclui diretrizes, de caráter voluntário, que abordam uma educação eficaz sobre sexualidade, relações pessoais, sida e as doenças de transmissão sexual.

“Se o objetivo é reduzir os comportamentos sexuais de risco, então os programas precisam focalizar-se e incluir recomendações concretas”, disse Kirby.

As recomendações elaboradas “podem e devem ser adaptadas na sua aplicação” a cada uma das diferentes culturas”.

Segundo o documento, uma educação sexual eficaz é um elemento importante para a prevenção do HIV e para conscientizar desde muito cedo os mais novos para as consequências deste problema que afeta cinco milhões de jovens em todo o mundo, de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os objetivos pedagógicos do relatório distribuem-se por seis grandes temas: as relações pessoais, os valores, atitudes e as qualidades, a cultura, sociedade e legislação, o desenvolvimento humano, os comportamentos sexuais e a saúde sexual e reprodutiva.

Por outro lado, estabeleceram-se quatro categorias em função da idade: dos 5 aos 8 anos, dos 9 aos 12, dos 12 aos 15 e mais de 15.

“As matemáticas e as ciências são consideradas como conhecimentos úteis que os jovens têm de possuir, assinalou a co-autora do relatório, Nanette Ecker, sublinhando que “a educação sexual deve ser valorizada da mesma maneira”.

Estes princípios internacionais serão apresentados na Conferência Internacional sobre Educação Sexual e Relações Pessoais que se realiza no Reino Unido em Setembro e lançados oficialmente na sede das Nações Unidas de Nova Iorque no final de Outubro.

Agência Lusa – 28.08.2009