A baixa densidade mineral óssea encontrada em participantes do ensaio clínico de PrEP no Botswana causa alguma preocupação

29 07 2009

Investigadores a conduzir um ensaio clínico sobre tenofovir e FTC para utilização como profilaxia pré-exposição (PrEP) no Botswana encontraram níveis baixos de densidade mineral óssea (DMO) em voluntários seronegativos a participar no estudo. Esta descoberta causa alguma preocupação sobre a evolução futura de densidade mineral óssea que em alguns estudos foi associada a utilização de tenofovir.

No entanto, o investigador Lynn Paxton observou que os níveis “normais” utilizados na calibração dos resultados foram retirados de jovens adultos Americanos, e afirmou que estes níveis poderão não ser válidos em populações Africanas.

“Temos pouca informação sobre a DMO em populações Africanas jovens e saudáveis” afirmou.

 

O estudo PrEP foi lançado em 2007 em Gaborone e Francistown no Botswana. As medições de densidade mineral óssea foram apenas realizadas em participantes de Gaborone. O ensaio de tenofovir e FTC como PrEP esta em Fase III e em adultos dos 18-39 anos que tenham tido relações sexuais nos últimos 12 meses. Todos os participantes no ensaio têm de ter funções renal e hepática normais, mas os níveis de densidade mineral óssea não foram ainda estabelecidos.

Os investigadores utilizaram a Absorptometria de Raios-X Duo-Energética para medir a Densitometria Óssea de base no pulso, anca e coluna lombar num subconjunto de 216 participantes no estudo, 114 mulheres e 102 homens, de idades entre os 20 e 29 anos (média 24 anos). Os resultados DEXA em mais de metade dos participantes indicaram baixa densidade mineral óssea em pelo menos uma das três regiões corporais.

Os investigadores classificaram a maior parte dos casos como osteopénia severa, de acordo com as definições da Divisão de SIDA dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos (T-score de -1 a -2,5) e osteoporose (T-score inferior a -2,5). Um T-score de -1 significa que a densidade mineral óssea corresponde a um valor baixo encontrado em1/6 da população, enquanto que um T score de – 2,5 significa que se encontra em 0,62% da população.

Osteopénia do pulso e da coluna lombar foram frequentemente encontrados. Vinte e dois por cento das mulheres e 50% dos homens apresentavam osteopénia no pulso, e 39% e 40% respectivamente na coluna lombar. A osteopénia da anca é menos comum; 9% em mulheres e 5% em homens. A osteoporose é mais rara. Quatro homens apresentaram osteoporose no pulso e um na coluna lombar, enquanto que uma mulher apresentou osteoporose da coluna lombar. A todos os voluntários deste ensaio que apresentaram osteopénia foram administrados suplementos de cálcio.

Foi encontrada uma forte correlação entre baixo peso corporal e baixa DMO no pulso e anca, mas não na coluna. Os participantes com baixo peso (IMC inferior a 18,5, n = 39) apresentavam as taxas mais elevadas de osteopénia do pulso e anca (48,7% e 15,4%, respectivamente, comparado com 35,5% e 6,5% naqueles com peso corporal normal e 20,5% e zero nos participantes com maior peso (IMC superior a 25, n=39). No entanto, não foi encontrada correlação na DMO espinal; a taxa de osteopénia L-espinal de 25,6% em pessoas com baixa DMO foi consideravelmente mais baixa do que a taxa de 47,8% encontrada em participantes com DMO normal.

Dois dos participantes com DMO baixa e dois com DMO normal apresentaram osteoporose do pulso e um em cada grupo apresentou osteoporose espinal. Numa análise multivariante o único factor independente capaz de prever baixa DMO foi o sexo masculino. 15% das mulheres estavam a tomar contracepção hormonal, o que pode alterar os níveis de DMO, mas não foi encontrada correlação entre a utilização de contraceptivos hormonais.

Paxton alertou para o facto de este ser um estudo pequeno realizado numa única região geográfica. Ao especular porque é que “homens jovens Africanos” apresentam níveis tão baixos de DMO, afirmou que a dieta local, rica em amido, poderá contribuir, assim como os elevados níveis de consumo de álcool observados (62% dos participantes tinham consumido álcool recentemente). No entanto, dado que os níveis normais foram definidos em jovens Americanos, poderão estar a usar valores normais que não são válidos para a população Africana.

Com base nas suas descobertas requisitou mais estudos da prevalência da DMO em Africanos seronegativos e seropositivos para a infecção por VIH, incluindo estudos para analisar o estado nutricional e consumo de álcool.

Referência

Buliva E et al. Bone mineral density (BMD) in a population of healthy HIV-negative young African adults enrolling in a pre-exposure prophylaxis (PrEP) trial in Botswana. 5th IAS Conference on HIV Treatment, Pathogenesis and Prevention, Cape Town, abstract WECA103, 2009.

nam – 29.07.2009





‘Indústria de preservativos é atração turística no Acre’

29 07 2009

Uma fábrica de preservativos masculinos virou exemplo de projeto sustentável de interesse turístico para quem visita Xapuri, no interior do Acre. A Natex, única no mundo a utilizar látex de seringal nativo na produção de “camisinhas”, tem tudo a ver com a história dos seringueiros acreanos e com a preservação da floresta amazônica.

A relação com as populações tradicionais locais torna a fábrica, que produz 100 milhões de unidades/ano, um atrativo de interesse cultural. Assistir à retirada da borracha no meio da mata, ouvir as histórias da vida nos seringais e depois ver o látex ser transformado em preservativos é uma experiência inesquecível. A Natex provocou uma espécie de ressurgimento da atividade seringueira em Xapuri.

O leite retirado das seringueiras da Reserva Extrativista Chico Mendes garante o sustento de mais de 400 famílias envolvidas direta e indiretamente na produção dos preservativos. “Trabalhamos com a lógica da agregação de valor”, afirma o secretário de Turismo do Acre, Cassiano Marques. Ele explica que a fábrica é uma iniciativa de desenvolvimento de tecnologia para aumentar a competitividade dos produtos florestais, de viabilização da economia extrativista da borracha natural e um projeto de grande alcance social.

Criada em 2002 e operando desde 2007, a Natex é uma iniciativa do Governo do Acre em parceria com os ministérios da Saúde, Integração Nacional, Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e Banco Interamericano de Desenvolvimento. Toda a produção é direcionada para o Programa DST/Aids do Ministério da Saúde.

EcoViagem / Ministério do Turismo – 29.07.2009





Campanha ‘Não Homofobia’ ganha vídeo em TV

29 07 2009

A Campanha “Não Homofobia” vai ganhar mais espaço nos próximos dias. Emissoras de televisão, como a Sony, MTV, TV Cultura, AXN e Animax veicularão um vídeo sobre a iniciativa de colher assinaturas virtuais para a aprovação do PLC 122/06, que criminaliza a homofobia no País. O filme publicitário, assinado pela agência de propaganda Giacometti, de São Paulo foi cedido ao Grupo Arco-Íris.

A Campanha Não Homofobia – criada pela Indústria Nacional Design – ganha mais uma ferramenta para sua divulgação. O vídeo tem 30 segundos e tem como gancho o alfabeto brasileiro para se falar dos iguais. Para ver o vídeo, clique aqui.

Agência de Notícias da Aids – 28.07.2009





Camboja: Famílias com HIV são isoladas em ‘colônia da Aids’

29 07 2009

Desde o mês passado, o governo do Camboja retira famílias afetadas pelo vírus HIV e pela Aids de suas casas e as leva para uma comunidade conhecida como Tuol Sambo, nas redondezas da capital do país do Sudeste Asiático, Phnom Penh. Só na semana passada, 20 novas famílias de Borei Keila chegaram à “colônia da Aids”, como moradores chamam o local.

A mudança despertou a indignação de grupos de direitos humanos, que disseram que as condições em Tuol Sambo não têm sequer o padrão de hospedagem de emergência, e que o isolamento dessas pessoas serviria para estigmatizar ainda mais os afetados pelo HIV.

- Ao aglomerar pessoas com o vírus em alojamentos de segunda-classe, longe de unidades médicas, serviços de suporte e empregos, o governo criou, de fato, uma colônia da Aids – disse à CNN Shiba Phurailatpam, da organização Pessoas Vivendo com HIV.

O grupo Human Rights Watch enviou, na segunda-feira, ao primeiro-ministro cambojano, Samdech Hun Sen, e ao ministro da Saúde, Mam Bunheng, um carta assinada por mais de 100 organizações globais que lutam pela justiça social e por questões relativas ao HIV.

“Nós estamos profundamente perturbados com a atitude das autoridades do Camboja de criar essa colônia da Aids em Tuol Sambo”, diz a carta. “Tuol Sambo é longe de empregos, instalações médicas e serviços de suporte que estão disponíveis para os moradores de Borei Keila”, acrescentou o documento.

De acordo com a carta, famílias afetadas pelo vírus estão sendo removidas para casas que não são seguras, onde não há água potável. Ao mesmo tempo, perto da colônia, organizações sem fins lucrativos estão ajudando na construção de casas de tijolos para outras famílias sem teto, e sem HIV.

O documento não deixa de citar o reconhecimento internacional recebido pelo governo cambojano no que se refere ao tratamento e ao apoio a portadores do HIV, mas chama o deslocamento para Tuol Sambo de “discriminatório” e “ameaçador à vida” das pessoas cujos sistemas imunológicos estão comprometidos.

Segundo ativistas de direitos humanos, o despejo das famílias foi feito apesar dos repetidos apelos ao governo, inclusive das Nações Unidas.

Relatórios reunidos pela ONU mostram que a presença do HIV está diminuindo no país asiático. Em 2008, cerca de 67.200 adultos e 3.800 crianças conviviam com o vírus. No entanto, a possibilidade de uma epidemia ainda existe, segundo a Unaids.

A maioria das pessoas realocadas pelo governo cambojano trabalhava como diarista, motorista de moto-táxi, costureira e arrumadeira, informou o grupo de direitos humanos. Segundo os ativistas, as famílias deslocadas têm pouca perspectiva de conseguir um emprego em Tuol Sambo.

Autoridades do governo disseram ao “The Phnom Penh Post” estar cientes dos problemas na colônia e que medidas estão sendo tomadas para melhorar as condições no local.

- Estamos tentando encontrar água limpa para eles – contou um funcionário do governo de Phnom Penh. – Eles não vão mais enfrentar dificuldades em ter remédios, porque nós cedemos uma casa onde o hospital Centro da Esperança possa funcionar, o que melhoraria a saúde dos moradores da vila – concluiu.

A missão do Centro da Esperança é providenciar atendimento médico gratuito para os pobres. Mas Gerlinda Lucas, diretora do gerenciamento de fundos, disse ao “Post” que o hospital não tem intenção de abrir uma clínica permanente em Tuol Sambo, apesar de continuar com o sistema móvel de serviço clínico já existente.

Algumas famílias remanejadas se sentiram aliviadas de deixar uma vizinhança onde proprietários de terra se recusavam a alugar o espaço para elas. Mas os cambojanos estão preocupados com a segurança na nova colônia, depois que ladrões perfuraram as paredes de metal da casa de um dos moradores.

- Não me sinto seguro aqui porque nossas casas não são fortes – contou Chheang Toma ao “Post”.

O Globo – 28.07.2009





Conselho Econômico da Onu defende atedimento a usuários de droga como estratégia de resposta à aids

29 07 2009

Em sessão realizada na última sexta-feira (24), o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) aprovou resolução relativa ao Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids (UNAIDS) e que orienta as agências das Nações Unidas a intensificar seu apoio aos governos no trabalho de prevenção e atenção à aids. O principal destaque foi o fato do órgão defender o atendimento integral aos usuários de drogas.

De acordo com Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o ECOSOC reafirmou a “necessidade de expandir e de reforçar significativamente o trabalho do UNAIDS com os governos nacionais e de trabalhar com todos os grupos da sociedade civil para preencher as lacunas no acesso aos serviços para os usuários de drogas injetáveis, em qualquer situação, inclusive nas prisões; de desenvolver modelos abrangentes e adequados de serviços direcionados aos usuários de drogas injetáveis; de trabalhar estratégias para minimizar o estigma e a discriminação em relação a essa população; e de apoiar o aumento da capacidade e dos recursos para a prestação de um conjunto de serviços abrangentes e integrais para os usuários de drogas injetáveis, incluindo programas de redução dos danos relacionados ao HIV, tal como proposto no ‘Guia Técnico para os países de definição de metas para o acesso universal à prevenção do HIV, tratamento e cuidados para usuários de drogas injetáveis’ (OMS / UNODC / UNAIDS), de acordo com as circunstâncias específicas de cada país”.

Os países-membros da ONU destacaram a importância da remoção de barreiras sócio-econômicas e legais e o máximo uso das flexibilidades previstas no acordo TRIPS (relativo à propriedade intelectual) para a garantia do acesso a medicamentos antiaids de qualidade e a preços acessíveis aos países em desenvolvimento – ações as quais o UNAIDS e as demais Agências das Nações Unidas deverão priorizar.

Destacou-se na reunião o posicionamento de seis países – Argélia, Bielorrússia, Brasil, Estados Unidos, Rússia e Suécia – que foram unânimes ao defender o trabalho do UNAIDS e o atendimento integral aos usuários de drogas.

Acesse o conteúdo integral em inglês da Declaração Final e das Resoluções do Encontro. Mais informações sobre as discussões e as intervenções de cada país podem ser acessadas aqui.

Agência de Notícias da Aids – 28.07.2009





Brasil: TRF4 mantém matrícula de aluno com HIV

29 07 2009

A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou recurso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e manteve a matrícula de estudante que obteve judicialmente direito de continuar no curso após o jubilamento (desligamento do estudante, quando este não conclui o curso no prazo máximo determinado pelo Conselho Nacional de Educação).

O universitário, que é portador do vírus HIV, teria atrasado o curso em função de tratamentos. Por ter ficado mais de oito anos na Faculdade de Biblioteconomia, foi jubilado pela UFRGS. A decisão fez com que ele ajuizasse ação na Justiça Federal, através da qual obteve o reingresso.

A UFRGS recorreu da decisão alegando que esta viola as normas regulamentares estabelecidas para o jubilamento, as quais visam a impedir que os alunos se eternizem em seus cursos. Entretanto, o relator do processo, juiz federal Roger Raupp Rios, convocado para atuar como desembargador no tribunal, disse em seu voto que a universidade não pode se omitir quanto aos motivos apresentados pelo estudante, que se trata de uma situação excepcional. Para ele, a decisão de jubilar o autor é inconstitucional.

Bem Paraná – 28.07.2009