Investigadores a conduzir um ensaio clínico sobre tenofovir e FTC para utilização como profilaxia pré-exposição (PrEP) no Botswana encontraram níveis baixos de densidade mineral óssea (DMO) em voluntários seronegativos a participar no estudo. Esta descoberta causa alguma preocupação sobre a evolução futura de densidade mineral óssea que em alguns estudos foi associada a utilização de tenofovir.
No entanto, o investigador Lynn Paxton observou que os níveis “normais” utilizados na calibração dos resultados foram retirados de jovens adultos Americanos, e afirmou que estes níveis poderão não ser válidos em populações Africanas.
“Temos pouca informação sobre a DMO em populações Africanas jovens e saudáveis” afirmou.
O estudo PrEP foi lançado em 2007 em Gaborone e Francistown no Botswana. As medições de densidade mineral óssea foram apenas realizadas em participantes de Gaborone. O ensaio de tenofovir e FTC como PrEP esta em Fase III e em adultos dos 18-39 anos que tenham tido relações sexuais nos últimos 12 meses. Todos os participantes no ensaio têm de ter funções renal e hepática normais, mas os níveis de densidade mineral óssea não foram ainda estabelecidos.
Os investigadores utilizaram a Absorptometria de Raios-X Duo-Energética para medir a Densitometria Óssea de base no pulso, anca e coluna lombar num subconjunto de 216 participantes no estudo, 114 mulheres e 102 homens, de idades entre os 20 e 29 anos (média 24 anos). Os resultados DEXA em mais de metade dos participantes indicaram baixa densidade mineral óssea em pelo menos uma das três regiões corporais.
Os investigadores classificaram a maior parte dos casos como osteopénia severa, de acordo com as definições da Divisão de SIDA dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos (T-score de -1 a -2,5) e osteoporose (T-score inferior a -2,5). Um T-score de -1 significa que a densidade mineral óssea corresponde a um valor baixo encontrado em1/6 da população, enquanto que um T score de – 2,5 significa que se encontra em 0,62% da população.
Osteopénia do pulso e da coluna lombar foram frequentemente encontrados. Vinte e dois por cento das mulheres e 50% dos homens apresentavam osteopénia no pulso, e 39% e 40% respectivamente na coluna lombar. A osteopénia da anca é menos comum; 9% em mulheres e 5% em homens. A osteoporose é mais rara. Quatro homens apresentaram osteoporose no pulso e um na coluna lombar, enquanto que uma mulher apresentou osteoporose da coluna lombar. A todos os voluntários deste ensaio que apresentaram osteopénia foram administrados suplementos de cálcio.
Foi encontrada uma forte correlação entre baixo peso corporal e baixa DMO no pulso e anca, mas não na coluna. Os participantes com baixo peso (IMC inferior a 18,5, n = 39) apresentavam as taxas mais elevadas de osteopénia do pulso e anca (48,7% e 15,4%, respectivamente, comparado com 35,5% e 6,5% naqueles com peso corporal normal e 20,5% e zero nos participantes com maior peso (IMC superior a 25, n=39). No entanto, não foi encontrada correlação na DMO espinal; a taxa de osteopénia L-espinal de 25,6% em pessoas com baixa DMO foi consideravelmente mais baixa do que a taxa de 47,8% encontrada em participantes com DMO normal.
Dois dos participantes com DMO baixa e dois com DMO normal apresentaram osteoporose do pulso e um em cada grupo apresentou osteoporose espinal. Numa análise multivariante o único factor independente capaz de prever baixa DMO foi o sexo masculino. 15% das mulheres estavam a tomar contracepção hormonal, o que pode alterar os níveis de DMO, mas não foi encontrada correlação entre a utilização de contraceptivos hormonais.
Paxton alertou para o facto de este ser um estudo pequeno realizado numa única região geográfica. Ao especular porque é que “homens jovens Africanos” apresentam níveis tão baixos de DMO, afirmou que a dieta local, rica em amido, poderá contribuir, assim como os elevados níveis de consumo de álcool observados (62% dos participantes tinham consumido álcool recentemente). No entanto, dado que os níveis normais foram definidos em jovens Americanos, poderão estar a usar valores normais que não são válidos para a população Africana.
Com base nas suas descobertas requisitou mais estudos da prevalência da DMO em Africanos seronegativos e seropositivos para a infecção por VIH, incluindo estudos para analisar o estado nutricional e consumo de álcool.
Referência
Buliva E et al. Bone mineral density (BMD) in a population of healthy HIV-negative young African adults enrolling in a pre-exposure prophylaxis (PrEP) trial in Botswana. 5th IAS Conference on HIV Treatment, Pathogenesis and Prevention, Cape Town, abstract WECA103, 2009.
nam – 29.07.2009
RSS - Posts

Comentários Recentes