Problemas sexuais comuns em homossexuais VIH-positivos

28 07 2009

Pouco menos de metade dos homossexuais com VIH têm múltiplos problemas sexuais, reportaram investigadores australianos na edição de Maio do Journal of Sexual Medicine. Os homossexuais VIH-positivos tinham significativamente maior probabilidade de apresentarem dificuldades sexuais que os homossexuais VIH-negativos, com as causas a variarem de acordo com o seroestado.

A expressão sexual pode afectar o bem-estar físico, mental e social. No entanto, há pouca informação sobre disfunção sexual em homossexuais. Os poucos estudos efectuados nesta população sugerem que os problemas sexuais nos homossexuais podem ter várias causas. Estas incluem factores sociais, tais como a idade e o emprego; factores de saúde física, relacionados com a infecção por VIH e outras doenças crónicas; factores psicológicos, por exemplo depressão e homofobia interiorizada; e factores comportamentais, incluindo abuso de álcool e de drogas recreativas.

Além disso, até à data os estudos apenas focaram duas medidas de disfunção sexual: problemas na erecção e problemas na ejaculação. As anteriores investigações tão pouco examinaram explicitamente a associação entre disfunção sexual nos homossexuais VIH-positivos e a saúde mental. Além disso, as pesquisas existentes não examinam se os problemas sexuais reportados pelos homossexuais VIH-positivos são diferentes dos encontrados nos homossexuais VIH-negativos.

Por isso, investigadores da Austrália conduziram um estudo que envolveu 542 homossexuais recrutados de consultórios de clínica geral que têm um elevado número de doentes VIH-positivos. Um total de 217 homens (40%) incluídos no estudo era VIH-positivo.

Perguntou-se aos indivíduos se tinham experimentado algum de sete problemas sexuais pelo menos durante quatro semanas nos últimos 12 meses.

Os homossexuais VIH-positivos tinham maior probabilidade que os homossexuais VIH-negativos de terem experimentado cada uma das seguintes medidas de disfunção sexual: problemas de erecção (52% vs 39%); dificuldade em ejacular (31% vs 22%); ejaculação prematura (21% vs 17%); perda de libido (60% vs 40%); falta de prazer durante o sexo (32% vs 26%); ansiedade sobre a performance sexual (47% vs 42%); e dores durante o sexo (8% vs 7%).

Os homossexuais VIH-positivos não só tinham significativamente maior probabilidade que os homossexuais VIH-negativos de declararem um único problema sexual (81% vs 67%, p < 0,001), como também tinham maior probabilidade de declararem múltiplos problemas (48% vs 35%, p = 0,002).

Seguidamente os investigadores examinaram as causas dos múltiplos problemas sexuais nos homossexuais VIH-positivos e VIH-negativos.

Tanto para os homossexuais VIH-positivos como VIH-negativos, a depressão grave estava significativamente associada aos problemas sexuais (homossexuais VIH-positivos, p < 0,05; homossexuais VIH-negativos, p < 0,001).

No entanto, outros factores variavam consoante o seroestado. Para os homossexuais VIH-positivos, o tratamento com anti-depressivos (p < 0.05), más estratégias para lidar com os problemas (p < 0.003) e penetração sexual anal desprotegida com um parceiro casual nos últimos seis meses (p < 0.001) eram todos factores significativos. Para os homossexuais VIH-negativos os factores significativos eram fraca estado de saúde (p < 0,05) e falta de apoio social (p < 0,01).

“Os índices de problemas sexuais declarados pelos homossexuais na Austrália são elevados”, escreveram os investigadores. Eles acrescentaram, “Os homossexuais com VIH têm maior probabilidade de experimentar problemas sexuais do que os que não têm VIH. Com excepção da depressão grave, os factores associados aos múltiplos problemas sexuais diferem entre os dois grupos.”

Os investigadores chamaram a atenção para a sua descoberta de que a disfunção sexual nos homossexuais VIH-positivos está associada com a penetração sexual anal desprotegida com parceiros casuais. Eles concluíram que “isto precisa de ser um assunto prioritário em estratégias futuras de educação para a prevenção do VIH.”

Michael Carter /Aidsmap – 14.05.2009

Bibliografia

Mao L et al. Self-reported sexual difficulties and their association with depression and other factors among gay men attending high HIV-caseload general practices in Australia. J Sex Med 6: 1378-85, 2009.





Investigadores descobrem nova arma para combater o HIV; estudo mostra que a quimioterapia tem potencial para matar a doença “Para sempre”

28 07 2009

Um novo estudo aumenta as esperanças quando os investigadores dizem poder estar mais perto de resolver o mistério porque o HIV persiste no corpo mesmo quando a terapêutica antirretroviral (ART) é bem sucedida.

      “Durante 15 anos, não tínhamos a menor ideia”, disse o Dr. Rafick-Pierre Sekaly, um professor da Universidade de Montreal, director do Instituto de Vacinas e Terapêutica Genética em Port St. Lucie, Flórida, e autor do novo estudo. “Mas agora temos. Agora há uma nova perspectiva sobre a forma de nos livrarmos do vírus.”

      Apesar dos avanços alcançados através da TARV a partir de meados dos anos 90, os investigadores sabem que o HIV retarda no organismo, mas nunca é eliminado. “No minuto em que o doente pára de tomar a terapêutica, o vírus volta a renascer”, disse Dr. Jean-Pierre Routy, professor associado em Hematologia na Universidade McGill em Montreal e co-autor do estudo. “Então, o sistema imune é destruído e o doente volta a piorar de novo.” Os reservatórios virais agem dentro do organismo para re-infectar o sistema do doente, quando é interrompida a TARV. Routy citou um recente estudo nos E.U. que confirma que o aumento da dosagem e potencial dos antirretrovirais não prejudicam o nível de vírus escondidos nestes reservatórios.

      No novo estudo, no entanto, os investigadores determinaram que o reservatório viral não é como o HIV típico: É latente e, portanto, impermeável às terapêuticas conhecidas. “Então, se a célula vive, o vírus vive”, disse Sekaly. “Mas se destruir o reservatório com um químico, não há mais vírus que possam voltar.”

      O sucesso do novo método de tratamento vai depender da capacidade do doente para controlar o HIV utilizando a TARV. Se o doente responde favoravelmente à TARV, o novo tratamento pode atingir as células infectadas, eliminando as últimas, e “o doente irá permanecer livre de vírus por um longo período de tempo ou para sempre”, disse Routy. Acrescentou que 85 por cento dos doentes com HIV em hospitais e clínicas do Canadá estão a gerir as suas infecções pelo HIV através da TARV e seriam bons candidatos ao tratamento de erradicação. No entanto, é improvável que os doentes que não respondam à TARV cheguem a um resultado significativo a partir da quimioterapia.

      O estudo, “Tamanho e Persistência do Reservatório HIV são movidos por células T de Sobrevivência e Proliferação Homeostática”, foi publicado na revista Nature Medicine (06.21.09; doi: 10.1038/nm.1972).

Amy Minksy, Canwest News Service/Ottawa Citizen – 22.06.2009





Fábrica em Moçambique irá vender antirretrovirais em Dezembro

28 07 2009

Moçambique irá abrir a sua primeira fábrica de antirretrovirais (ARV) em Dezembro, um projecto apoiado pelo governo brasileiro. “A ideia é reduzir os custos do Ministério da Saúde”, disse Francisco Luz, uma fonte oficial da embaixada brasileira.

      “O processo já está em marcha e começou com a formação dos técnicos locais há mais de um ano”, observou o Embaixador António Sousa e Silva, tal como citado no jornal Noticias. “Especialistas do Brasil já estão a viajar para Moçambique para facilitar a formação.”

      Em 2003, os planos para ajudar a construir a fábrica ARV foram idealizados durante uma visita de estado do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. O Brasil tem sido citado como um modelo para o tratamento do HIV, sendo gratuito para cada doente infectado. Moçambique tem uma taxa de infecção pelo HIV de 16 por cento, mas é tão elevado como 35 por cento nas áreas mais atingidas. O país é também um dos mais pobres do mundo, estando em quinto lugar a partir do fim do Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas.

      Inicialmente, a fábrica vai empacotar ARVs produzidos no Brasil, com produção local a começar em meados de Abril de 2010, disse Luz. O orçamento do projecto é de US $ 26 milhões. Em última análise, o controlo estatal irá instalar a Mozambican Medications Company, vendendo directamente os antirretrovirais para o Ministério da Saúde do país.

Agence France Presse – 23.06.2009





SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: ONG vai realizar mil testes em trabalhadores santomenses

28 07 2009

SÃO TOMÉ, 28 Julho 2009 (PlusNews) – A ONG Associação Santomense para Promoção Familiar (ASPF) está a fazer um rastreio de HIV/SIDA nas maiores instituições públicas e privadas de São Tomé e Príncipe.

A ONG está a promover a testagem voluntária e tem mil kits disponíveis. O resultado do estudo serológico por amostragem será transformado em um relatório, em Dezembro, de acordo com António Amado Vaz, director-executivo da ASPF.

A carrinha branca da ASPF vai aos locais de trabalho, e no caso da empresa nacional de segurança aérea (ENASA), vários funcionários já a aguardavam no dia marcado.

O director, Aristides Barros, foi o primeiro a dar o exemplo: “É sempre bom quando podemos fazer o teste de SIDA. É uma doença que se pode apanhar de várias formas, não apenas através do sexo. Por isso é sempre bom sabermos o nosso estado de saúde.”

Angelina Afonso, de 38 anos, com olhar preocupado, também aguardava. Antes de entrar na carrinha, disse ao PlusNews que é fiel ao marido, mas temia a realização do teste: ”Os homens praticam muito [sexo] e podem levar doença para dentro de casa”.

Alívio

Após o resultado, Angelina saiu sorridente: “Foi negativo”, afirmou entusiasmada, apelando a todos a fazerem o teste. Esta foi a quarta vez que ela foi submetida à testagem de HIV/SIDA.

Os profissionais aconselham que o teste seja repetido em três meses – tempo que o vírus pode demorar para ser detectado a partir da infecção. Dessa forma, a pessoa tem certeza de que não está infectada. E e se não se submeter a práticas de risco (sexo sem preservativo, transfusões de sangue não testado ou uso colectivo de seringas) continuará livre do HIV.

''Há uma boa aderência. Antigamente, as pessoas tinham medo, vergonha, receio; hoje os santomenses estão mais sensíveis''

Com cerca de 150 funcionários, a empresa nacional de segurança aérea é uma das instituições privadas com que a ASPF vem trabalhando desde 2004 em uma campanha de sensibilização que consiste na distribuição de preservativos e aconselhamento sobre saúde sexual reprodutiva.

O projecto é financiado pela Federação Internacional de Planeamento Familiar (IPPF em inglês). 

“Há uma boa aderência. Antigamente, as pessoas tinham medo, vergonha, receio; hoje os santomenses estão mais sensíveis” , sublinhou Germano Silveira, técnico da ASPF, referindo-se à participação activa na realização dos teste de HIV.

Os maiores índices de seropositividade da campanha até agora são os da alfândega do porto de São Tomé. A unidade da polícia fiscal aduaneira, que fica nesta zona, é uma área de grande movimentação.

O porto é um lugar de trânsito de marinheiros estrangeiros e de estivadores e é normalmente associado à prática de prostituição; em São Tomé não é diferente.

Zé Bolonha* é transportador de carga “monangamba” (faz tudo)  no porto de São Tomé e confessou ter tido relações sexuais sem protecção com uma profissional do sexo do porto. Ele aproveitou a oportunidade oferecida pela ASPF para fazer o teste.

“Foi negativo”, afirmou, para depois dizer que estava com medo. “São coisas que acontecem, agora tenho de ter mais cuidado”, concluiu.

Em São Tomé e Príncipe estima-se que haja cerca de três mil seropositivos, o que equivale a uma seroprevalência de 1,5 por cento no arquipélago de 120 mil habitantes e área total de 964 km².

*nome fictício

PlusNews – 28.07.2009





Brasil: Palestra pretende discutir tabus sobre a sexualidade infanto-juvenil

28 07 2009

Para esclarecer à comunidade sobre o tabu que é o sexo na adolescência a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Timbó, através da diretoria de Assistência Social e da coordenação do projeto “Timbó em Ação” promovem dia 28 de julho, às 14h, no Centro Evangélico Cristo Redentor, no centro, a palestra com o tema: “Sexo na infância e na adolescência”.

A palestra será ministrada por Morgana Siqueira da Silva, especialista em sexologia infanto-juvenil e Helena Edília Lima Pires, ativista e presidente do Grupo de Apoio aos Portadores de HIV (GAPA) de Florianópolis.

De acordo com a coordenadora do projeto “Timbó em Ação”, Cristiane F. Almeida Nitche na palestra será discutido como os pais e os profissionais da saúde e da assistência social intervêm nas questões da sexualidade com crianças e adolescentes. Serão abordados também temas sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e AIDS e as formas de prevenção.

Conforme artigo de Eliane Pisani Leite, psicóloga, pedagoga, assistente escolar e especialista em dislexia e dificuldades de aprendizagem,dados estatísticos mostram que no Brasil uma entre cada cinco jovens entre 15 a 19 anos já tiveram filho. No ano de 1999, segundo o Ministério da Saúde, foram realizados 700 mil partos. De cada cinco, um era de adolescente com menos de 19 anos.

A maioria não tem condições financeiras nem emocionais para assumir essa maturidade. O problema acontece em todas as classes sociais, mas a incidência é maior e mais grave em populações mais carentes. “A adolescência é uma espécie de preparação para assumir o papel de adulto, que é definido principalmente por ter um trabalho que garanta a sobrevivência de um lar”.

Os fatores que agravam o crescimento de gravidez na adolescência são: a liberalização da sexualidade, a desinformação sobre o tema, a desagregação familiar, a urbanização acelerada, as precariedades das condições de vida e a influência dos meios de comunicação. O Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde, é o país onde mais se pratica aborto (10% dos abortos mundiais), sendo que para cada criança que nasce duas são abortadas. São 13.090 abortos por dia, 570 por hora, 0,5 por minuto.

Em âmbito nacional o Ministério da Saúde acaba de concluir a maior pesquisa já realizada sobre comportamento sexual do brasileiro. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para fazer 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o estudo, 77% dessa população (66,7 milhões) teve relações sexuais nos 12 meses que antecederam a pesquisa.

“Uma coisa nova, que surge, é a Internet como espaço de encontro, o que vai exigir do governo novas estratégias, novas abordagens para lidar com essa realidade”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na apresentação do estudo, que contou com a participação do secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, e da diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério, Mariângela Simão. “Em sites de relacionamento, orkut, blogs e outros espaços na rede mundial de computadores o Ministério vai ter de entrar e levar informações, discutir, entrar em debates. Qual é a informação central? Não pode haver relacionamento sem uso de preservativo. O preservativo é a maneira mais segura de se prevenir a infecção com o vírus HIV”.

Temporão salientou que, a cada ano, há 33 mil novos casos de HIV no Brasil. “Um estudo recente mostra que, a cada dois casos diagnosticados que iniciaram o tratamento, existem cinco outros que não foram ainda diagnosticados”, observou.

Jornal Alternativo – 27.07.2009





Crise económica diminui progressão do HIV/Sida no Zimbabwe

28 07 2009

Harare, Zimbabwe (PANA) - A crise económica prevalecente desde 2000 no Zimbabwe terá contribuído para diminuir a propagação do HIV/Sida neste país da África Austral, segundo o investigador canadiano Michael Silverman.

Entre os seus efeitos, esta crise forçou o Zimbabwe a abandonar a sua moeda nacional, o dólar zimbabweano, e fez emigrar mais de três milhões de cidadãos.

Michael Siverman, médico e investigador em serviço no Zimbabwe, notou que a crise empobreceu os homens, que já não conseguem pagar os serviços duma prostituta ou manter uma amante, os dois principais factores de propagação do HIV/Sida.

Segundo os resultados do seu inquérito realizado sobre as mulheres grávidas e os tipos de comportamentos nos homens, a prevalência do HIV no Zimbabwe recuou de 23 para 11 por cento entre 2001 e finais de 2008.

A diminuição da prevalência do HIV é também reconhecida pelo Ministério zimbabweano da Saúde que, no entanto, prefere atribuí-la essencialmente às suas campanhas de sensibilização.

panapress – 27.07.2009





Técnicos de saúde no Cunene refrescam conhecimento sobre Vih/Sida

28 07 2009

Ondjiva – Trinta e dois técnicos de Saúde Pública dos municípios do Kwanhama, Cuvelai, Ombadja, Namacunde e Cahama, província do Cunene, participam desde hoje, segunda–feira, num seminário de capacitação sobre vih/sida, com objectivo de melhorar o diagnóstico e a assistência à população.
 

 
A formação com duração de cinco dias, promovida pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), em coordenação com a Direcção Provincial da Saúde, tem como objectivo principal a capacitação dos técnicos que trabalham nos centros de aconselhamento e testagem voluntária do vih, sobre matérias relacionadas com o diagnóstico e prevenção da epidemia.

 

 

A Coordenadora  do Instituto Nacional de Luta contra a Sida na região, Cândida Alcina de Jesus, que procedeu à abertura do seminário, considerou que a formação vai contribuir para elevar os conhecimentos dos profissionais e a qualidade dos prestados.

 

 

Durante o curso os participantes vão abordar temas como diagnostico da infecção pelo Vih/Sida, prevenção da transmissão vertical, humanização e atendimento nos serviços de saúde, saúde da mulher, estigma e discriminação, aspectos psicológicos do Vih/Sida, alimentação das crinças, entre outros.

Angop – 27.07.2009





A terapêutica anti-retroviral e os preservativos terão mais efeito sobre a infecção pelo VIH na África do Sul do que a circuncisão, de acordo com o modelo estudado

28 07 2009

Os resultados preliminares de um modelo matemático desenvolvido por investigadores do Centro de Excelência em VIH/SIDA da British Columbia, mostraram que a circuncisão masculina teve menos impacto que o uso de preservativos ou que a terapêutica anti-retroviral (TAR), na taxa de novas infecções e na mortalidade dos homens na África do Sul.

Os investigadores pretendiam avaliar o impacto na população das diferentes estratégias de prevenção da infecção pelo VIH, na África do Sul. Para tal, desenvolveram um modelo matemático que identificou o aumento do uso de preservativos e a distribuição de terapêutica anti-retroviral como as chaves na redução de novas infecções neste país. O modelo usou os dados publicados de 2003 a 2008 como padrão e comparou cenários simulados que envolviam vários níveis de circuncisão masculina, uso de preservativos e distribuição de TAR até 2025.

A simulação estabeleceu uma taxa de circuncisão masculina de 51% (nível actual), 75% e 90%; 14% de uso de preservativo (nível acrual), 50%, 75%, 80% e 90%; e distribuição de TAR em 21% (nível actual), 50%, 75%, 80% e 90%, tendo como critério de início de terapêutica uma contagem de células CD4 de 200 ou menos/mm3.

A eficácia do uso a 100% do preservativo foi estabelecida como 90% e a eficácia da circuncisão na prevenção de novas infecções em 53%. A infecciosidade das pessoas seropositivas para o VIH foi dividida em seis estratos: primo-infecção (menos de 12 semanas após a infecção; infecção crónica com carga viral inferior a 1000 cópias/ml; carga viral entre 1000 e 10 000; carga viral entre 10 000 e 100 000; carga viral superior a 100 000; e fase terminal da doença.

Outros pressupostos neste modelo incluíam que 50% das pessoas infectadas conhecia o seu estatuto serológico e que, nesta versão inicial do modelo, tanto o número de mulheres infectadas, como a sua infecciosidade permanecia inalterada; obviamente, num modelo mais sofisticado que incluísse ambos os géneros, a redução tanto no número de infecções nas mulheres como na infecciosidade teriam um efeito sinergético. Nas mulheres, o impacto da TAR, o uso de preservativo e a circuncisão, está actualmente a ser calculado.

Foi medido o impacto na população masculina heterossexual com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos.

A oradora Viviane Lima referiu, durante a apresentação, que o aumento do uso de preservativos de 14% (estimativa actual) para 50% e o aumento de distribuição de TAR de 21% para 80% evitaria uma estimativa de 950 000 infecções pelo VIH nos homens, até 2019. O aumento da cobertura com TAR para 50% e o aumento do uso de preservativo para 80% teria um efeito semelhante.

O aumento destes dois factores para 50% evitaria 700 000 infecções. Mas o aumento da taxa de circuncisão dos actuais valores de 51% de homens circuncisados para 90% apenas evitaria 48 000 do total de infecções estimadas.

O uso de preservativo e a distribuição de TAR, isoladamente ou em combinação, provocariam a redução de novas infecções nos homens de 64% para 95% até 2015 e reduziriam a mortalidade de 10 para 34%.

A circuncisão provocaria uma redução de 3 a 13% nas novas infecções pelo VIH e uma redução de 2 a 4% na mortalidade; de acordo com a oradora, este impacto “ficaria escondido quando combinado com as outras intervenções”.

“Ficámos surpreendidos com o pouco efeito observado,” afirmou.

O modelo matemático permite um imenso número de permutações. Os estudos futuros incluem outros factores, tais como, o efeito de números diferentes de pessoas que acedem à despistagem, testes de resistência, diferentes critérios de início de tratamento, transmissão vertical, e muitas outras variáveis.

Referência:

Lima V et al. The combined impact of male circumcision, condom use and HAART coverage on the HIV-1 epidemic in South Africa: a mathematical model. 5th IAS Conference on HIV Treatment, Pathogenesis and Prevention, Cape Town, abstract WECA105, 2009.

nam – 27.07.2009





Uma toma única de kaletra® é tão segura e eficaz como duas tomas diárias

28 07 2009

Durante a V Conferência sobre Patogénese do VIH, Tratamento e Prevenção, realizada na Cidade do Cabo, África do Sul, os investigadores relataram que o inibidor de protease Lopinavir potenciado com ritonavir (Kaletra®), tomado uma vez ao dia como parte do esquema terapêutico, tem os mesmos resultados do que o regime aprovado de duas cápsulas, duas vezes ao dia, levando a uma maior adesão por parte dos doentes.

Estudos anteriores têm demonstrado que o Kaletra®, quando tomado uma ou duas vezes por dia, obtém os mesmos resultados em pessoas que fazem terapêutica anti-retroviral de combinação (TARc) pela 1ª vez. O estudo M06-802 foi desenhado para perceber se isto também sucedia no caso de doentes experimentados. Houve algumas considerações prévias sobre a possibilidade de a toma única de Kaletra® ser menos eficaz em doentes com experiência terapêutica. Inicialmente, houve preocupações no estudo pois não se sabia se o Kaletra®, administrado uma vez ao dia, seria tão eficaz nos doentes experimentados.

O estudo incluiu 599 doentes sob terapêutica anti-retroviral, com carga viral acima das 1 000 cópias/ml. Não houve diferenças demográficas significativas entre os doentes incluídos nos dois braços do estudo. Cerca de um terço dos participantes deste ensaio internacional eram mulheres, com uma representação equitativa de caucasianos, negros e hispânicos.

Na fase de randomização, a carga viral média (median) foi cerca de 4 000 cópias/ml e a média da contagem de células CD4 foi de 254/mm3. Testes de resistência mostraram que os doentes tinham em média uma mutação que conferia resistência aos inibidores da protease.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em igual número para tomar uma dose diária de Kaletra® (800 mg de lopinavir mais 200 mg de ritonavir) ou duas doses por dia deste medicamento (400 mg de lopinavir e 100 mg de ritonavir).

A ambos os grupos foi prescrito Kaletra® em associação com dois inibidores da transcriptase reversa análogos dos nucleósidos/nucleótidos (ITRN), escolhidos de acordo com o historial de tratamento do doente e o seu perfil de resistência.

Após 48 semanas de tratamento, 55% dos doentes medicados com Kaletra® uma vez ao dia apresentavam carga viral indetectável abaixo das 50 cópias/ml, comparados com os 52% dos que receberam a medicação duas vezes ao dia. Isto indicou que, em doentes previamente tratados, o Kaletra® administrado uma vez ao dia obtinha resultados que não eram inferiores aos alcançados com a toma duas vezes ao dia.

Quando os investigadores analisaram os dados de outras formas – como por exemplo, incluindo ou excluindo participantes que interromperam o tratamento precocemente – a eficácia das dosagens administradas uma, ou duas vezes ao dia, permaneceu semelhante. Ambos os regimes funcionaram de forma igual em doentes com mais mutações de resistência aos medicamentos.

Concluíram que o aumento na contagem de células CD4 foi igualmente comparável, com 135/mm3 no grupo medicado com Kaletra® uma vez ao dia, versus 122 células/mm3 no grupo que tomou duas vezes ao dia.

Os participantes receberam os comprimidos de Kaletra® em frascos com tampas electrónicas, que permitiam aos investigadores determinar se a medicação era utilizada conforme a prescrição. A toma do medicamento uma vez ao dia foi, significativamente, associada a uma melhor adesão, quando comparada com as duas tomas diárias.

De uma forma geral, o Kaletra® em uma ou em duas doses diárias foi bem tolerado. Percentagens comparáveis de participantes (78%) completaram o estudo em ambos os braços, e a maioria das pessoas que interrompeu fê-lo devido a outras razões e não ao aparecimento de efeitos adversos. Estes, foram responsáveis pela abandono de 5% e 7% dos doentes a fazer uma ou duas tomas diárias, respectivamente.

Cerca de um quarto dos participantes em ambos os grupos referiram efeitos secundários. Os efeitos relatados mais frequentemente associados ao Kaletra® foram diarreia (14% no braço que tomou uma vez ao dias versus 11% no braço que tomou duas vezes ao dia) e náuseas (3% versus 7%, respectivamente). Em ambos os grupos, um número semelhante de doentes apresentou valores elevados de colesterol (cerca de 7%) e de triglicéridoss (cerca de 5%).

Os investigadores concluíram que a toma de Kaletra®, uma ou duas vezes ao dia, apresenta níveis semelhantes de eficácia e tolerabilidade, em doentes experimentados, sendo que a toma única diária melhorava a adesão.

Referência

Zajdenverg R et al. Lopinavir/ritonavir tablets administered once- or twice-daily with NRTIs in antiretroviral-experienced HIV-1 infected subjects: results of a 48-week randomized trial (Study M06-802). Fifth IAS Conference on HIV Treatment, Pathogenesis and Prevention, abstract TuAb104, 2009.

nam – 27.07.2009





Aumenta número de crianças contaminadas com Aids em Porto Velho

28 07 2009

PORTO VELHO – O número de crianças contaminadas com a aids, transmitida pelo vírus HIV, é o maior dos últimos 14 anos em Porto Velho. Segundo a coordenadora de DST-AIDS da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), a maioria dos casos poderia ser evitada, se as grávidas fizessem acompanhamento médico adequado durante o pré-natal.

A maioria dos casos de aids em crianças,registrados na capital, ocorre por transmissão vertical, ou seja, da mãe para o filho.

De acordo com a Semusa, quando o feto é medicado desde o início da gestação, as chances da criança nascer com o vírus HIV caem para menos de 2%.

O primeiro caso de aids em menores de 13 anos foi registrado em 1995 e durante os anos seguintes, os números aumentavam sem elevações bruscas. A quantidade de casos registrados neste ano surpreendeu os profissionais de saúde do município.

Registro de casos em:

2009: 6 casos
2008: 4 casos
2007: 1 caso

De acordo com dados da Semusa, em Porto Velho há 27 crianças infectadas pelo vírus HIV.

As crianças com aids são cadastradas na policlínica Oswaldo Cruz e são encaminhadas para tratamento nas unidades de saúde de Porto Velho. (DN)

Portal Amazônia / TV Rondônia – 28.07.2009





Brasil: Distribuição gratuita de camisinhas bate recorde no país

28 07 2009

A distribuição gratuita de camisinhas bateu recorde no Brasil. Quase um terço dos usuários no país recebe o produto de graça. É o que informa matéria veiculada no telejornal Bom Dia nesta terça-feira (28). A distribuição gratuita de camisinhas bateu recorde. Agora, quase um terço dos usuários no país recebe o produto de graça.

O recorde é histórico: 406 milhões de camisinhas distribuídas em apenas um ano, nos postos de saúde do Brasil todo e em Organizações Não-Governamentais.

O Ministério da Saúde anuncia que pode distribuir um número ainda maior, porque conseguiu um preço 6% menor do que o pago pela compra anterior. Também houve redução de 10% no imposto de importação no preço da camisinha feminina.

“A aceitação ainda é um pouco difícil. Existe uma necessidade de aprendizado na utilização. Baixar o custo é um estimulo para que se compre”, aponta Lilian Laurya, do programa de DST/AIDS.

Cerca de 30% dos brasileiros que usam camisinha são aqueles que obtêm o preservativo de graça. A camisinha continua sendo a melhor maneira de evitar as doenças sexualmente transmissíveis e a aids, segundo a Organização Mundial de Saúde. Uma pesquisa da universidade americana do Winsconsin mostrou que a eficiência da camisinha é de 90% a 95%.

Nem sempre uma mulher consegue convencer o parceiro a usar o preservativo. Mara Moreira, da ONG Pela Vida, por exemplo, foi contaminada com o vírus HIV pelo próprio marido. Hoje, casada de novo, ela usa o preservativo feminino: “A camisinha feminina é importante até para a independência da mulher”, afirma.

Agência de Notícias da Aids – 28.07.2009





Encontro de ONGs de SP vai discutir sustentabilidade e prevenção

28 07 2009

A partir do próximo dia 30, o Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo realiza 7º Encontro Estadual de ONG/Aids com debates sobre sustentabilidade do movimento social e como está a prevenção contra a aids no Estado. As deliberações do evento servirão como base para o encontro regional que acontece em setembro, na cidade de Ribeirão Preto, e o encontro nacional em novembro.

Veja a seguir a programação:

Programação:

Dia 30 de Julho
12h ás 14h – Credenciamento

14h ás 16h – MESA 1 – Sustentabilidade do movimento: desafios políticos, financeiros e técnicos;
Coordenação: Enrico Sena
Palestrantes: Américo Nunes Neto, Márcia Leão e Cláudio Pereira

16h ás 16h15 – Cofee Break

16:15h ás 18:00hs – Grupos de Trabalhos (2)

20:30h – Exibição de Filme “Unidos pelo Sangue”

Dia 31 de Julho

09h ás 11h – MESA 2 – Prioridades da sociedade civil: como exigir a redução das novas infecções e do número de óbitos;
Coordenação: Dra. Maria Lucila Magno
Palestrantes: Jorge Beloqui, Marta Mc Britton

11h ás 12h – Grupos de Trabalho

12h30 ás 14h – Almoço

14h ás 16h – MESA 3 – Revendo o ativismo: nossa relação com o governo e nossos espaços de representação;
Coordenação: Albertino Rodrigues Barbosa
Palestrantes: José Araújo Lima Filho, João Francisco, José Roberto Pereira

16h ás 16h15 – Cofee Break

16h15 ás 18h – Grupos de Trabalho

Dia 01 de Agosto
09h – 12h – Elaboração do documento final tirado a partir das discussões dos grupos de trabalho.

Serviço

VII – ENCONTRO ESTADUAL DE ONG AIDS – SP

Será realizado O VII EEONG na cidade de São Paulo, nos dias 30/07 á 01/08 de 2009.

Local – Hotel Excelsior Ipiranga,770
Av. Ipiranga, 770
Telefone: 3331-0377

Agência de Notícias da Aids – 27.07.2009





Brasil: Rede Nacional de Jovens divulga carta sobre 4º Encontro de Adolescentes

28 07 2009

A Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNAJVHA) aprovou ao final do 4º Encontro Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (ENAJVHA – realizado no início deste mês), em plenária final, uma carta de reivindicações na qual estabelece objetivos e metas dos adolescentes.

O documento foi encaminhado às agências da Organizações das Nações Unidas, com ênfase no Unicef, o Departamento de DST e Aids, Secretaria Nacional da Juventude, entre outros. No texto, a organização destaca que o movimento quer ter autonomia em relação a outras instâncias na área de aids, sem o tutelamento de ONGs ou governos, por exemplo.

A carta diz ainda que é necessária uma aliança de forças em parceria com outros movimentos como a RENAJU (Rede Nacional de Grupos Movimentos e Organizações da Juventude, a RNP+ Brasil (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS) e as Cidadãs PositHIVas (Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas).

No início do Encontro neste ano, o coordenador da atividade, Kleber Fabio Mendes, disse que “agora os jovens estão identificando as necessidades que possuem, não é mais o olhar do adulto sobre eles” (saiba mais).

Para ler o documento na íntegra, clique aqui.

Agência de Notícias da Aids – 27.07.2009





ABGLT ganha status consultivo junto à ONU

28 07 2009

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, ganhou na manhã desta segunda-feira (27/07) status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas, em sessão realizada em Genebra. O Conselho aprovou a candidatura da ABGLT com 25 votos a favor e 12 contra. 13 países preferiram não se posicionar. A ABGLT é a primeira organização LGBT de um país em desenvolvimento do hemisfério Sul a receber o status consultivo.

O status consultivo é uma das principais formas de acesso ao sistema da ONU pela sociedade civil. Permite que organizações não governamentais (ONG) possam apresentar depoimentos verbais e relatórios escritos em reuniões da ONU, e que possam realizar eventos nas dependências da ONU. Com o status, ONG LGBT podem ampliar a atenção dada pela ONU à violação de direitos humanos e à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero que ocorre pelo mundo (veja o relatório da ILGA “Homofobia de Estado, 2009” em http://www.abglt.org.br/port/homofobia.php).

Para Toni Reis, presidente da ABGLT, “O status significa um avanço na conquista dos direitos humanos para LGBT. A ABGLT atuará incessantemente na defesa dos direitos de pessoas LGBT no mundo, para que nos 7 países onde há pena de morte e nos 80 que criminalizam a homossexualidade essas leis sejam revogadas e substituídas por leis que reconheçam a plenitude dos direitos humanos para todas e todos, inclusive LGBT. Queremos direitos iguais, nem menos, nem mais.”

Reis também acrescentou que “o apoio recebido do Governo Brasileiro foi fundamental para aprovação do status consultivo, em especial o apoio das Missões Brasileiras junto à ONU em Nova Iorque e Genebra, o apoio da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e o apoio do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde que possibilitou que a ABGLT pudesse estar presente para defender sua candidatura nas quatro vezes em que foi debatida.”

Nessa última sessão do Conselho Econômico e Social, a ABGLT também contou com o apoio intenso de um grupo de quatro ONG internacionais de direitos humanos: ARC International; Human Rights Watch; ILGA – Associação Internacional de Lésbicas e Gays; e a International Gay and Lesbian Human Rights Commission.

Na ONU são poucas as ONG LGBT que têm status consultivo. Com a exceção de duas organizações de lésbicas, uma dos Estados Unidos e outra da Austrália, que têm o status há mais de 10 anos, a iniciativa de ONG LGBT se candidatarem ao status consultivo se iniciou em 2006, e de lá para cá apenas oito organizações LGBT conseguiram. Com a exceção da ABGLT e uma organização canadense, as demais são todas europeias.

A decisão do Conselho representa a culminação de três anos de avaliação da candidatura da ABGLT pelo Comitê de ONG do Conselho Econômico e Social. A candidatura foi apresentada em 2006. Em sessões do Comitê de ONG realizadas em maio de 2007, janeiro de 2008 e janeiro de 2009, houve muita oposição à candidatura da ABGLT principalmente por parte dos países islâmicos representados no Comitê, por se tratar de uma organização de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, sendo que na maioria dos países islâmicos a homossexualidade é criminalizada, e até punida por morte em alguns. Por uma diferença de dois votos, a última sessão do Comitê de ONGs determinou pela não-recomendação da concessão do status consultivo à ABGLT, cabendo a decisão final ao próprio Conselho. A posição do Comitê de ONG em relação à ABGLT segue uma série de manobras e decisões tendenciosas em relação à sua avaliação das candidaturas de outras ONG LGBT ao status consultivo, colocando em dúvida sua natureza democrática. Das últimas oito candidaturas LGBT, o Comitê opinou pela não-recomendação de sete, tendo suas decisões anuladas pelo próprio Conselho.

AthosGLS – 27.07.2009





Continente reforça combate à Aids, mas África do Sul falha

28 07 2009

ORANGE FARM, África do Sul – Foi comprovado que a circuncisão reduz em mais de 50% o risco de um homem contrair o vírus HIV. Mas, dois anos depois de a Organização Mundial da Saúde ter recomendado a cirurgia, o governo sul-africano ainda não a oferece para ajudar a combater a AIDS ou educa o público sobre seus benefícios.

Outros países africanos são líderes no procedimento, oferecendo-o a milhares de homens. No entanto, na África do Sul, o coração da epidemia, o governo se mantém silencioso, apesar das fortes críticas internacionais que o país sofreu por sua lentidão anterior no combate e tratamento da AIDS. “Os países à nossa volta, com menos recursos humanos e financeiros, conseguem alcançar muito mais”, disse Quarraisha Abdool Karim, primeiro diretor do programa nacional da AIDS da África do Sul, em meados dos anos 1990, sob o presidente Nelson Mandela. “Gostaria de entender por que a África do Sul, que tem um volume de recursos invejável, não consegue reagir à epidemia do modo como Botsuana e Quênia reagem.”

Mesmo sem o envolvimento do governo, a demanda pela cirurgia, realizada gratuitamente e com anestesia local, aumentou no ano passado na clínica de Orange Farm, a única desse tipo na África do Sul. “Eu fiz 53 [procedimentos] em sete horas de trabalho”, disse o médico Dino Rech, que ajudou a montar a clínica financiada pela França, com uma linha de montagem cirúrgica altamente eficiente para remoção de prepúcios. Há alguns dias, vários homens esperavam nervosamente sua vez. A maioria desejava que o procedimento os ajudasse a se manter saudáveis no país, que tem mais casos de HIV que qualquer outro.

Mas alguns também foram levados por outro motivo poderoso: tinham ouvido de amigos que a circuncisão resulta em melhor sexo. Você demora mais, eles disseram, e suas namoradas pensam que você é mais limpo e mais excitante na cama. “Minha namorada me perturbava sobre isso”, disse Shane Koapeng, 24. “Então eu disse: está bem, vou fazer.”

Enquanto as novas infecções pelo HIV continuam superando os esforços para tratar os doentes na África, existe uma crescente preocupação sobre os altos custos do tratamento para um número cada vez maior de pacientes que precisarão de medicamentos para o resto da vida. Quase 2 milhões de pessoas foram infectadas só em 2007 na África subsaariana, elevando o total dos portadores de HIV na região para 22 milhões, segundo estimativas das Nações Unidas.

Os principais doadores internacionais dos programas de AIDS, incluindo os Estados Unidos e o Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, estão prontos para aplicar dinheiro na circuncisão, mas os países precisam se dispor a aceitar a ajuda. Médicos de saúde pública concordam que circuncidar milhões de homens não será simples. A África tem grande escassez de médicos e enfermeiras, e a circuncisão pode ser um problema político e cultural em países onde alguns grupos étnicos a praticam, e outros não.

Mas alguns países estão mostrando que isso pode ser feito. Em Botsuana, a circuncisão foi amplamente interrompida no final do século 19 e início do 20 pelos administradores coloniais britânicos e missionários cristãos. Mas Festus Mogae, que foi presidente de 1998 a 2008, deu um apoio importante à circuncisão pouco antes de deixar o cargo, e a conscientização pública está sendo reforçada por anúncios no rádio e na televisão. O governo pretende ter circuncidado 470 mil homens, desde bebês até os 49 anos, até 2016, perfazendo 80% do total desse grupo.

No Quênia, onde os homens da etnia luo geralmente não praticam a circuncisão, o primeiro-ministro Raila Odinga, que é um luo, incentivou o procedimento e pediu que os idosos o apoiem. O índice de infecção por HIV entre os homens luo é mais que o triplo do dos quenianos em geral: 17,5%, contra 5,6%.

Até agora mais de 20 mil homens no Quênia foram circuncidados. “Qualquer coisa que possa ajudar a salvar vidas precisa ser tentada”, disse Odinga, acrescentando que ele foi circuncidado. Na África do Sul, em contraste, a circuncisão não tem um defensor político. O maior grupo étnico do país, os zulus, geralmente não a pratica desde o século 19.

Thabo Masebe, porta-voz do presidente Jacob Zuma, disse que o Ministério da Saúde deve primeiro definir uma política sobre a circuncisão antes que Zuma, que assumiu o cargo em abril, possa tomar uma posição. Zuma é zulu. A Província de KwaZulu-Natal, o território zulu, tem o maior índice de HIV entre adultos no país, 39%, segundo a Unaids, agência da ONU de combate à AIDS. “A África do Sul não tem escassez de cientistas”, disse Olive Shisana, executivo-chefe do Conselho de Pesquisas de Ciências Humanas, financiado pelo governo. “Temos escassez de pessoas dispostas a aceitar a evidência e usá-la para a saúde pública.”

CELIA W. DUGGER/Folha de S.Paulo – 27.07.2009





Programa em MG aumenta uso de métodos anticoncepcionais entre jovens

28 07 2009

Um programa de educação sexual implementado entre um grupo de mais de 4,5 mil alunos da rede estadual de Minas conseguiu dobrar o uso regular do preservativo com parceiro casual e aumentar em 68% o uso de métodos anticoncepcionais na última relação sexual.

Além disso, a intervenção não teve efeito sobre a idade da primeira relação sexual ou na prática de atividades sexuais dos adolescentes – alegação frequente de quem é contrário a aulas sobre o tema.

Os dados do programa podem contribuir para reduzir a resistência daqueles que expressam a preocupação de que a educação sexual estimula atividades sexuais, já que não existem evidências para tal crença”, explica a médica Heloisa Andrade, coordenadora técnica do projeto. Ela ressalta que o programa também não estimula a abstinência, mas sim o comportamento sexual responsável.

Implementado pelas Secretarias de Educação e Saúde do Estado em parceria com a Fundação ArcelorMittal, o projeto abrangeu 20 escolas públicas de quatro municípios, totalizando 4.795 estudantes. As aulas foram ministradas no período de um ano letivo e os resultados foram acompanhados por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas e do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz.

Chamado de Programa de Educação Afetivo-Sexual (Peas), o projeto primeiro capacitou todo o corpo docente das escolas, fazendo com que professores refletissem sobre seus conhecimentos e práticas sexuais. Em seguida, foram propostas atividades para os adolescentes de 10 a 19 anos dentro e fora de sala de aula – o objetivo foi levantar debates e discussões sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez não planejada.

Os estudantes deveriam desenvolver projetos ligados ao tema da sexualidade e da saúde reprodutiva, elaborando programas de rádio, produção de jornal escolar e peças de teatro, entre outros. Em todos os produtos, eles deveriam discutir e apresentar aos colegas os danos provocados à saúde por práticas sexuais inseguras.

“Após o programa, eles adquirem maior conhecimento e responsabilidade sobre sua saúde, inclusive passando a procurar mais o professor para se orientarem quanto a questões relativas à sexualidade”, complementa a coordenadora-geral do Peas, Zulmira Braga.

A pesquisa mostrou que a iniciação das atividades sexuais ocorreu, em média, em torno dos 16 anos entre meninos e dos 18 anos entre meninas. A porcentagem de estudantes que declarou já ter tido ou ter relações sexuais foi de 30% – os dados são semelhantes aos apresentados por outras escolas com as mesmas condições socioeconômicas e geográficas.

Para se ter uma ideia, pesquisa com 6.308 estudantes de colégios particulares do país mostrou que 22% deles perderam a virgindade antes dos 15 anos.O projeto foi criado há nove anos e já atingiu 78 mil estudantes e 1.650 professores, agentes de saúde e de ação social.

Atualmente, ele está sendo aplicado nas escolas públicas de onze municípios de Minas, Espírito Santo e Bahia – em várias dessas cidades, as prefeituras assumiram o projeto, expandindo-os para toda a rede.

Comprovação

Para o ginecologista Aníbal Faundes, professor da Unicamp e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS), o programa foi eficaz em gerar mudanças positivas no comportamento sexual de adolescentes sem antecipar ou estimular a prática sexual, comprovando com uma experiência brasileira o que estudos internacionais já mostravam.

Há uma série de estudos no mundo que mostram a eficácia de programas bem estruturados de educação sexual e a experiência desse projeto em Minas contribui para esse conhecimento”, diz.

Mesmo com as experiências positivas como essa, ainda falta consenso nas escolas públicas e particulares em torno do tema. Pela recomendação do Ministério da Educação (MEC), a educação sexual deveria estar presente no contexto das demais disciplinas do currículo escolar.

A Secretaria Estadual de São Paulo, por exemplo, recomenda para as classes a partir da 7ª série. Escolas particulares começam com orientações e conversas aos 10 anos.

“Essa pesquisa ressalta que devemos trabalhar a educação sexual. Há grande número de dados que mostram que onde há programas qualificados, há uma queda na gravidez na adolescência e nas relações sexuais sem proteção”, afirma Maria Helena Vilela, diretora executiva do Instituto Kaplan, que também desenvolve projetos do tipo com jovens.Ela ressalta que, para ser efetivo, um projeto não deve apenas levar informação para o jovem, precisa fazer com que ele reflita e entenda que uma mudança de comportamento será benéfica para ele.

G1 - 27.07.2009