A terapêutica ARV em mães conduz a um declínio na mortalidade infantil, de acordo com um estudo realizado em Kwazulu Natal

27 07 2009

De acordo com uma comunicação apresentada na Conferência da IAS 2009, esta semana, na Cidade do Cabo, o importante decréscimo verificado na taxa de mortalidade das crianças com menos de dois anos (definida por “U2CMR”, o que corresponde ao acrónimo inglês de under the age of two mortality rate), observado entre 2001 e 2006, na região de Kwazulu-Natal, na África do Sul, encontrava-se associado à administração de terapêutica ARV (anti-retroviral) na região.

Embora algum do benefício possa também ter sido devido à introdução, em 2001, de programas para prevenir a transmissão vertical (da mãe para o filho) – PMTCT, em inglês – os investigadores descobriram que este se encontrava mais fortemente associado com o acesso das mães à TARV.

“A sobrevivência materna é crítica para a saúde das crianças pequenas”, referiu o Dr. James Ndirangu, do Africa Centre for Health and Population Studies (Centro Africano para o Estudo da Saúde e das Populações).

Enquadramento

A redução da mortalidade infantil constitui, a nível global, uma das principais prioridades de saúde pública (e um dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio). Contudo, em áreas de elevada prevalência do VIH, a taxa de mortalidade infantil tem aumentado, por vários motivos. É evidente que as crianças infectadas pelo VIH apresentam um muito maior risco de mortalidade, mas a infecção pelo VIH das mães também contribui para essa mortalidade, mesmo nas crianças seronegativas – em particular, nos casos em que a mãe morre.

Os programas desenhados para a prevenção da transmissão mãe-filho (PMTCT), bem como o aumento do acesso à TARV, deverão ter tido, em princípio, um impacto positivo na mortalidade infantil nesses locais. Na África do Sul, os programas PMTCT, incluindo os programas de nutrição infantil, foram lançados em 2001. A TARV, por seu lado, começou a ser disponibilizada em finais de 2004.

Os investigadores do presente estudo foram, pois, procurar avaliar o impacto destes programas. Começaram por examinar os dados da mortalidade das crianças com menos de dois anos (U2CMR) referentes ao período entre 2001 e 2006.

Estes dados, obtidos junto do Africa Centre Demographic Surveillance System (Sistema de Vigilância Demográfica), centro de estudos estabelecido em 2000, numa zona maioritariamente rural da região de Kwazulu-Natal, e que envolvia cerca de 90 000 mulheres.

Refira-se apenas, ainda, que o Centro iniciou a vigilância anual do VIH em 2003.

A prevalência global de VIH no coorte é de 23% – 50% nas mulheres entre os 24 e os 29 anos. Actualmente, há cerca de 9 000 pessoas sob TARV na área de influência do centro.

A diminuição da mortalidade infantil – e as suas causas

A análise dos investigadores incluiu um total de 12 031 nados vivos. Entre 2001 e 2006, a mortalidade infantil desceu de 86 por 1000 nados vivos, em 2001, para 37 em cada 1000, em 2006, uma queda de 57%.

A descida na mortalidade pós-neonatal foi responsável pela maior parte do declínio; por outro lado, a mortalidade neonatal permaneceu constante. O Dr. Ndirangu notou que, depois da disponibilização da TARV, se verificou uma redução estatisticamente significativa no risco cumulativo da mortalidade das crianças, que se torna aparente depois dos primeiros 100 dias de vida.

O estudo da sua equipa incluiu a análise das alterações verificadas ao longo do tempo em cada sub-departamento da região.

Essa análise mostrou uma redução na mortalidade, quer após a implementação dos PMTCTs, quer depois de se começar a disponibilizar a terapêutica ARV.

Os investigadores procederam depois a uma análise multivariada, ajustando os resultados para factores como infecção VIH na mãe, disponibilidade de PMTCT e de TARV, idade e educação materna, género da criança, gravidez múltipla, ordem de nascimento, história de morte fetal ou infantil, local do parto, área de nascimento e factores sócio-económicos (água e saneamento, electricidade, condições da habitação e distância a instituições de saúde).

Por outras palavras, este tipo de análise permitiu aos investigadores excluir da análise central deste estudo todos os restantes factores que pudessem ter contribuído para a redução observada na mortalidade infantil.

Mas era claro que a infecção VIH materna constituía um factor de risco major para a mortalidade infantil na região.

“As crianças nascidas de mães que se sabe serem seropositivas para o VIH na altura do nascimento tinham quatro vezes mais probabilidade de morrer do que as nascidas de mães seronegativas”, referiu o Dr. Ndirangu [com um hazard ratio ajustado [AHR] de 4.31, e 95% de intervalo de confiança 3.09-6.01 p < 0.001)].

“Por outro lado, no que se refere às mulheres que eram seronegativas para o VIH antes do parto e seropositivas depois do parto, as suas crianças apresentavam uma probabilidade três vezes maior de morrer do que as nascidas de mães seronegativas depois do parto”. [AHR = 3.24, 95% IC 2.58-4.09, p <0.001).

De acordo com o abstract (resumo) do estudo destes investigadores, a mortalidade materna encontrava-se associada a um modesto aumento na mortalidade infantil, embora sem significado estatístico (AHR = 2.02, p = 0.076).

No que diz respeito ao impacto da disponibilização da PMTCT e da TARV na mortalidade, a análise multivariada mostrou que as crianças nascidas no tempo em que a PMTCT era feita com uma dose única de nevirapina, tinham 15% menos hipóteses de morrer do que as nascidas no tempo em que não havia qualquer tipo de PMTCT, valor, contudo, também sem significado estatístico.

Porém, no que respeita às crianças nascidas menos de dois anos depois do início da disponibilização das TARVs, registou-se um declínio de 34% no risco de mortalidade (AHR = 0.66, 95% IC 0.55-0.79, p <0.001). Quanto às crianças nascidas mais de dois anos depois das TARVs, o declínio na mortalidade verificado foi da ordem dos 55% (AHR = 0.45, 95% IC 0.32-0.64, p <0.001).

“Em termos globais, a U2CMR declinou substancialmente na nossa região desde 2001, apesar, note-se, das elevadas taxas de prevalência e incidência do VIH verificadas”, referiu o coordenador do estudo. Com base na análise feita a múltiplos factores, pode dizer-se que grande parte deste efeito se ficou a dever ao acesso materno à TARV.

Uma análise adicional ao problema constatou que quase um terço (31%) da descida verificada na mortalidade das crianças observada durante o período do estudo podia ser atribuída ao tratamento ARV materno. Outros 8% dessa diminuição seriam devidos à implementação de programas de prevenção da transmissão mãe-filho (PMTCT).

Referência

Ndirangu J et al. A decline in early life mortality in a high HIV prevalence rural area of South Africa: associated with implementation of PMTCT and/or ART programmes? 5th International AIDS Society Conference on HIV Treatment, Pathogenesis and Prevention, Cape Town, abstract WeD105, 2009.

nam – 24.07.2009





Suazilândia: Preconceito e ignorância prejudicam campanhas contra a Aids

27 07 2009

“Eu tenho a solução para o HIV. A solução é criar uma lei em que o teste se torne compulsório. Quem for testado positivo recebe uma tatuagem nas nádegas. Assim antes das pessoas fazerem sexo, elas checam se a outra pessoa tem tatuagem nas nádegas ou não.”

A “solução” acima foi proposta em Maio, na Assembleia Nacional da Suazilândia, pelo parlamentar Timothy Myeni e reportada por vários jornais do mundo.

Thembi Nkambule, diretora nacional da Rede de Pessoas Vivendo com HIV e Aids da Suazilândia (SWANNEPHA, em inglês), criticou essa ideia, chamando-a de agressiva e desrespeitosa aos direitos dos soropositivos.

“Não aceitamos este tipo de controle. Temos que trabalhar para a conscientização das pessoas e não criarmos uma maneira de apontar e excluir aqueles que têm HIV”, comentou.

Poucos dias depois de ter encontrado “a solução” contra a Aids, o parlamentar suazi voltou atrás.
“Estou muito arrependido em ter dito que as pessoas com HIV teriam que ser tatuadas. Vi que minha sugestão foi muito ofensiva e discriminatória, por isso eu desisto desta proposta”, disse Myeni ao jornal Times of Swaziland.

Mas até hoje o anúncio desestimula a testagem, como acontece no vilarejo de Mantabeni, a cerca de 20 quilômetros da capital.

“A nossa gente está com medo de ir se testar para o HIV. Muitos pensam que se forem positivos, ficarão presos”, contou o ativista Petros Malaza.
Na história da Suazilândia, o Rei Mswazi II se viu forçado no final no século XIV a buscar ajuda britânica para proteger suas terras da invasão Zulu, hoje maioria no Norte da África do Sul.
Talvez agora, seu sucessor perceba que novamente seu reinado precisa de ajuda externa, mas desta vez dos especialistas em Aids, que a contra o gosto de muitos suazis, irão indicar a monogamia e, sobretudo, o uso constante do preservativo.

Lucas Bonanno, de Mbabane/Agência de Notícias da Aids – 26.07.2009





Brasil: CEN Aids abre inscrições para V Prêmio Nacional

27 07 2009

O CEN AIDS – Conselho Empresarial Nacional para prevenção ao HIV/Aids – abriu inscrições para o V Prêmio Nacional no Mundo do Trabalho. O objetivo da premiação é reconhecer, incentivar e divulgar as ações preventivas em DST/aids realizadas no Brasil, por empresas de diferentes portes e ramos de atividades. O prazo para envio das fichas e dos trabalhos encerra-se no dia 04 de setembro de 2009.

Para participarem, as empresas interessadas deverão acessar o site www.cenaids.com.br.Companhias de diferentes portes que podem participar: micro (até 19 trabalhadores); pequenas (até 99 trabalhadores); médias (até 499 trabalhadores) e grandes empresas (acima de 500 trabalhadores) que realizam ações preventivas em DST/aids e/ou participantes dos Conselhos Estaduais.

Serão premiadas 4 (quatro) empresas, uma em cada categoria. Os resultados serão divulgados no dia 18 de setembro e a premição acontecerá em outubro.

O Conselho Empresarial Nacional para prevenção ao HIV/aids foi criado em outubro de 1998 pelo Ministério da Saúde, é o resultado da união de objetivos públicos e privados, para promover e fortalecer a resposta à epidemia no local de trabalho.

Agência de Notícias da Aids – 26.07.2009





Brasil: Ministério da Saúde cria perfis em sites de relacionamento e comunidade sobre aids

27 07 2009

O Ministério da Saúde criou perfis nas redes virtuais de relacionamento Orkut e Facebook para divulgar a comunidade “Atitude Contra a Aids”. A estratégia é um desdobramento do lançamento da Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids na População Brasileira de 15 a 64 anos (PCAP – 2008) em junho deste ano. De acordo com a pesquisa, a internet tem sido um meio utilizado pelos jovens para conhecer parceiros. A pesquisa mostra que 10,5% deles tiveram pelo menos um parceiro sexual que conheceu na rede mundial de computadores. Acima dos 50 anos, esse comportamento não chega a 2%.

“Esta é uma comunidade para aquelas pessoas que querem ter uma Atitude Contra a Aids. Apoiar uma causa como esta é banir o preconceito. É se informar e informar a quem você ama. É vestir a camisa, fazer parte e ajudar a constituir um grupo de discussão e atualização de tudo que diz respeito à doença”. Este é um trecho da descrição na comunidade do Orkut que já conta com 232 membros.

O Ministério da Saúde também criou a comunidade no Facebook com um mini-aplicativo em que os internautas podem declarar em seus perfis que aderiram à causa da comunidade. “Informação não falta, o que falta é atitude. Atitude e coragem de se prevenir e proteger as pessoas com as quais nos relacionamos. Usar camisinha é uma atitude de respeito pelo parceiro e mostra que nos preocupamos com as outras pessoas”, diz o comunicado no site de relacionamentos.

A Agência de Notícias da Aids também possui uma comunidade no Orkut para leitores do site.

Veja a seguir os principais links:

Comunidade Atitude Contra a Aids no Orkut – http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=91333808

Comunidade Atitude Contra a Aids no Facebook – http://www.facebook.com/pages/Ministerio-da-Saude-Campanha-Atitude-contra-a-Aids/96668832158?ref=nf

Mini-aplicativo no Facebook – http://apps.facebook.com/causes/313905/71884929?m=95ac708aa

Comunidade da Agência de Notícias da Aids no Orkut – http://images.orkut.com/Main#Community.aspx?cmm=15144547

Agência de Notícias da Aids – 24.07.2009