Versão símia da aids reduz número de chimpanzés na África

24 07 2009

Pesquisadores demonstraram pela primeira vez que chimpanzés vivendo na natureza contraíram uma versão símia da aids e morreram da doença. A constatação contraria a crença científica dominante de que os chimpanzés, os parentes mais próximos do homem, eram capazes de contrair a aids símia mas sem sofrer efeitos malévolos.

O trabalho também sugere que um surto de aids está contribuindo para o declínio da população africana de chimpanzés, de acordo com a Dra. Beatrice Hahn, da Universidade do Alabama em Birmingham, a diretora da pesquisa.

Ela afirmou que comparações entre os vírus que causam Aids em chimpanzés e seres humanos poderiam resultar em novas percepções sobre as respostas dos sistemas imunológicos em ambas as espécies.

“Nossas descobertas permitem estudar o HIV de um novo ângulo, comparando e contrastando infecções humanas e em chimpanzés”, disse Hahn em entrevista. O estudo de sua equipe foi publicado pela revista Nature.

Os pesquisadores conduziram autópsias em chimpanzés e constataram que indícios de danos a órgãos e tecidos semelhantes aos causados pela aids humana em seu estágio terminal. Os chimpanzés infectados apresentavam risco de morte 10 a 16 vezes maior do que o existente entre animais não infectados. As fêmeas infectadas tinham menor probabilidade de engravidar. Caso o façam, têm maior chance de transferir o vírus aos filhotes, e o índice de mortalidade para seus filhotes supera o encontrado entre as fêmeas não infectadas.

Os cientistas realizaram a descoberta ao testar centenas de amostras de dejetos de chimpanzés em um estudo de nove anos de duração sobre três pequenas comunidades de chimpanzés no Parque Nacional de Gombe, Tanzânia, que Jane Goodall tornou famoso. Embora os chimpanzés durmam em árvores à noite, um pesquisador se posicionava por sob eles para apanhar amostras de urina. Os pesquisadores também testaram fezes encontradas no piso da floresta.

O vírus símio, conhecido como SIVcpz, é considerado precursor do HIV-1, que cruzou a barreira entre as espécies em algum momento dos últimos 100 anos.

“Não podemos datar com precisão a primeira infecção de chimpanzés, mas decerto suspeitamos que tenha acontecido há muito mais de 100 anos”, disse Hahn. “Nosso palpite é o de que a infecção viral nos chimpanzés não é tão prejudicial quanto a do HIV-1 em humanos. A diferença está na maneira pela qual o vírus danifica tecidos”, ela afirmou, “e nos leva a especular que os chimpanzés talvez já estejam um passo adiante na adaptação ao vírus; identificar esse passo poderia se provar importante”.

Mais de 40 vírus de imunodeficiência símia que infectam primatas são conhecidos. Os macacos africanos infectados com o vírus da aids símia raramente desenvolvem a doença. Apenas sete chimpanzés infectados naturalmente com o SIVcpz foram estudados em cativeiro, e cinco deles morreram ainda filhotes, de causas desconhecidas.

O único chimpanzé naturalmente infectado com o vírus símio que passou por testes imunológicos e virológicos padronizados não demonstrou os danos típicos da aids, tais como baixa contagem de células CD-4 e danos aos nódulos linfáticos. Dois outros chimpanzés infectados artificialmente com o SIVcpz em cativeiro não demonstraram alterações desse tipo.

Até agora, os cientistas pouco conheciam sobre os efeitos do SIVcpz sobre os chimpanzés que vivem na natureza, porque lhes faltavam meios de identificar e monitorar o comportamento dos chimpanzés nesses casos. Usando testes moleculares e outros recursos desenvolvidos recentemente, a equipe de primatologistas, patologistas, geneticistas e virologistas de Hahn estudou as três comunidades de chimpanzés em Gombe.

Elas ocupam áreas distintas, mas chimpanzés se envolvem em disputas por territórios e as fêmeas tipicamente deixam seu grupo de origem antes de terem seus primeiros filhotes. A partir de 2000, os cientistas acompanharam 94 chimpanzés do parque. A cada dia uma equipe de assistentes de pesquisa seguia um chimpanzé de cada comunidade da manhã à noite.

Testes genéticos de fezes serviram para identificar animais individuais. Foram identificadas infecções por SIVcpz nas três comunidades, e testes virológicos indicaram que as fêmeas migratórias ajudaram a difundir o vírus. Os cientistas encontraram vírus SIVcpz quase idênticos em quatro chimpanzés. Isso sugere que os animais podem ter contraído o SIVcpz de parceiros de acasalamento logo depois que estes foram infectados, o período em que a transmissão do vírus é mais intensa.

Dois filhotes de chimpanzé estavam infectados, um dos quais aparentemente ao ser amamentado, porque o animal não estava infectado ao nascer. Das 30 fêmeas não infectadas, 22 pariram um total de 30 filhotes. Das nove fêmeas infectadas, quatro pariram um total de quatro filhotes, uma diferença estatisticamente significativa. Os chimpanzés infectados morriam ou desapareciam em ritmo mais rápido que os não infectados.

Terra.com.br – 24.07.2009





V Conferência da IAS sobre Patogénese do VIH, Tratamento e Prevenção – Sexta-feira, 24 de Julho 2009

24 07 2009

Conteúdos
»A taxa de transmissão é muito reduzida quando a mãe faz tratamento anti-retroviral durante a gravidez e a amamentação
»O tratamento do VIH para as mães ou esquemas profiláticos anti-retrovirais para crianças durante o período de aleitamento, previnem ambos a transmissão do VIH
»O TARc prolongado durante a gravidez e a amamentação previne a transmissão da infecção pelo VIH
»O Tratamento para o VIH nas mães reduz mortes infantis
»Cobertura IAS 2009 pela NAM
»Análise on-line por especialistas através do nosso parceiro oficial Clinical Care Options

A taxa de transmissão é muito reduzida quando a mãe faz tratamento anti-retroviral durante a gravidez e a amamentação
Os resultados de um estudo demonstraram que o tratamento anti-retroviral durante a gravidez e a amamentação reduz a transmissão mãe-filho para menos de 1%.
Todas as mulheres do estudo de Mma Bana tinham uma contagem das células CD4 acima das 200 cópias/mm3.
O estudo comparou a segurança e a eficácia de três tipos de tratamentos de combinação e analisou as taxas de transmissão mãe-filho.
Os três regimes (combinação tripla de ITRNs, combinação baseada em ITRNNs ou em inibidores da protease) eram igualmente eficazes na supressão da carga viral e na prevenção da transmissão vertical do VIH (2% vs 0,4% vs 0,6%).

O tratamento do VIH para as mães ou esquemas profiláticos anti-retrovirais para crianças durante o período de aleitamento, previnem ambos a transmissão do VIH
As duas estratégias de tratamento têm-se mostrado igualmente eficazes na prevenção da transmissão do VIH de mãe para filho, durante o período de aleitamento.
O estudo BAN comparou o tratamento materno do VIH como forma de prevenção da transmissão do VIH de mãe para filho. O estudo tem um braço de controlo, onde a intervenção consiste em suporte nutricional e não no tratamento para o VIH.
O estudo durou 24 semanas, durante as quais as crianças foram unicamente alimentadas com leite materno. As crianças foram testadas para o VIH em intervalos regulares até às 48 semanas.
No fim do estudo, verificou-se que 3% das crianças cujas mães tomaram medicamentos anti-retrovirais, estavam infectadas com VIH, comparando com 2% das crianças que fizeram profilaxia. Esta diferença não é significativa e foi muito mais baixa do que os 6% de transmissões observadas no braço de controlo.
 “Os resultados do estudo BAN permitem aos decisores políticos nacionais e internacionais optar pelas intervenções a implementar: ou a TARc materna ou a nevirapina, de acordo com o que for apropriado para cada realidade”, disse um dos investigadores.

O TARc prolongado durante a gravidez e a amamentação previne a transmissão da infecção pelo VIH
A taxa de transmissão vertical do VIH é muito inferior quando o tratamento combinado para o VIH é administrado a partir do terceiro trimestre de gravidez e durante a amamentação, do que quando é utilizada uma estratégia alternativa de tratamento a curto prazo com AZT em monoterapia.
O estudo Kesho Bora envolveu mulheres que não se qualificavam para fazer terapêutica anti-retroviral com o fim de proteger a sua própria saúde, uma vez que todas possuíam uma contagem de células CD4 superior a 200/mm3.
Na altura do nascimento, 2% dos bebés cujas mães receberam TARc estavam infectados pelo VIH, comparando com os 2,2% dos que receberam uma profilaxia de curto prazo. Com o passar do tempo, a diferença no risco da transmissão do VIH entre as duas estratégias tornou-se visível. Após um ano, 6% das crianças, cujas mães receberam uma terapêutica de combinação estavam infectadas pelo VIH, comparadas com os 10% das crianças cujas mães receberam terapêutica de curto prazo.
Um segundo estudo, apresentado na conferência, demonstrou também que o tratamento prolongado para o VIH durante a gravidez e a amamentação reduziu a taxa de transmissão do VIH para níveis muito baixos.
O estudo DREAM demonstrou que, quando a terapêutica anti-retroviral foi administrada durante a gravidez e a amamentação, a taxa de transmissão aos 6 meses era de 2%, mesmo que as mães tivessem feito um parto vaginal.
O tratamento com a terapêutica de combinação para o VIH também foi associado a gravidezes bem sucedidas.

O Tratamento para o VIH nas mães reduz mortes infantis
Um grande decréscimo na mortalidade infantil acompanhou o aumento da acessibilidade ao tratamento anti-retroviral no norte de KwaZulu Natal. [em português]
Entre 2001 e 2006, a mortalidade infantil desceu de um valor de 86 por cada 1000 nados vivos em 2001, para 37 por cada 1000 nados vivos em 2006.
As análises demonstraram que esta descida se deve principalmente ao acesso das mães à terapêutica anti-retroviral.





Violência doméstica: pager avisa vítima da presença do agressor

24 07 2009

Os crimes de violência doméstica vão passar a contar, «em breve», com um sistema de vigilância electrónica específico, que ajudará no cumprimento das penas. Pelo menos assim o espera Leonor Furtado, directora-geral de Reinserção Social. Em Portugal, as pulseiras electrónicas em sistema reverse tagging, que permitem inclusive que agressor e vítima convivam na mesma casa, já passaram da «fase de testes». Espanha começa já esta sexta-feira a aplicá-las.

Novo sistema «em breve» (VÍDEO) link externo

«Terminou agora a fase de testes com bons resultados. Como é evidente, só quando a tivermos aplicada a agressores propriamente ditos, com fiscalização aplicada e as vítimas também a serem fiscalizadas, é que podemos afirmar se os resultados serão bons», disse Leonor Furtado, em declarações ao tvi24.pt.

O sistema tradicional de vigilância electrónica já é aplicado no cumprimento de penas que punem crimes de violência doméstica. Permite, por exemplo, cingir a movimentação do agressor à residência, numa pena de prisão domiciliária. Mas este sistema de reverse tagging vai mais longe e permite que o agressor seja vigiado e a vítima protegida no seu dia-a-dia normal. A nova pulseira vai vigiar a aproximação do agressor à vítima.

Veja aqui como funciona a nova pulseira específica para a violência doméstica (VÍDEO) link externo.

O sistema de vigilância permite que a vítima detecte a presença do agressor, através de um pager que ela própria transportará. Assim, agressor e vítima até podem conviver na mesma casa: o sistema é programado para a distância que o juiz determinar e emite um sinal de aviso, à vítima e às autoridades de vigilância, sempre que o agressor transgredir. Ou seja, se a pena determinar que o agressor pode viver na mesma residência da vítima, mas não se aproximar mais que 10 metros, o sistema avisará sempre que o condenado se aproximar menos de 10 metros.

«É possível fiscalizar a aproximação do agressor à vítima e fazer uma intervenção», resumiu Leonor Furtado.

Violência doméstica: alterações à lei aprovadas esta quinta-feira na AR

Em declarações ao tvi24.pt, a responsável pela Direcção-Geral de Reinserção Social explicou que se aguarda apenas uma mudança na lei da vigilância electrónica para avançar para a próxima fase, que passa pela aplicação a agressores condenados.

«Penso que na próxima legislatura, essa será uma das primeiras leis a serem trabalhadas pelo Parlamento», antecipou.

Este novo sistema só será aplicado a agressores condenados. Ainda está longe a aplicação de uma forma preventiva. Espanha dá, esta sexta-feira, um passo importante. A partir de agora, os juízes espanhóis têm 3000 pulseiras disponíveis para aplicar a agressores de violência doméstica, impedindo que se aproximem das vítimas.

Manuela Micaela/TVI24 – 24.07.2009





Violência doméstica: nova lei é uma espécie de «remendo»

24 07 2009

A nova lei da violência doméstica aprovada esta quinta-feira na Assembleia da República recebeu algumas críticas por parte de duas associações de protecção de vítimas de violência, apesar de terem também sido reconhecidos alguns aspectos positivos. A Associação de Mulheres Contra a Violência considera que o novo diploma «é uma espécie de remendo», já a UMAR destaca a regulamentação da nova lei como um aspecto fundamental para o sucesso da sua aplicação.

O documento é «muito grande, muito pouco prático e com muitas dificuldades em ser aplicado», declarou Margarida Medina Martins, da Associação de Mulheres Contra a Violência (AMCV). A responsável, que revelou desconhecer exactamente qual o projecto final, acrescentou que o documento é uma espécie de «remendo» de «coisas que ficaram incompletas» e não é, por isso, «muito coerente». «A construção destes instrumentos poderia ter sido feita de outra forma», destaca a responsável, em declarações ao tvi24.pt.

A lei em questão prevê apoios no arrendamento de casas para as vítimas de violência doméstica e o afastamento da mulher em relação ao agressor. Com a nova lei, há um critério nacional que atende às necessidades das vítimas que são muitas vezes «obrigadas» a sair de casa devido à violência de que são alvo. À ajuda na saída da residência, junta-se ainda o auxílio na transferência de emprego, que muitas vezes é necessária e o direito à urgência nos pedidos de rendimento social de inserção, assim como acesso preferencial a formação profissional.

Esta lei vem ainda pôr fim à polémica na detenção dos agressores. Agora, os suspeitos voltam a poder ser detidos fora de flagrante delito, o que não acontecia desde a entrada em vigor do novo Código de Processo Penal. O diploma prevê também outras medidas de coação para o agressor nas 48 horas seguintes à queixa de agressão, como por exemplo, não ficar na residência do casal ou não contactar com a vítima.

UMAR aguarda regulamentação

«Esta lei unifica vários diplomas que têm saído sobre o assunto», explicou ao tvi24.pt Elisabete Brasil, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), que esteve envolvida na criação das propostas da nova lei. Para a responsável, esta é uma lei que «vem prever todas as questões de violência doméstica».

Contudo, a presidente destaca que seria positivo haver regulamentação «que dissesse qual a percentagem de habitações para receber as vítimas e onde é que esses recursos se encontram disponíveis».

A responsável refere ainda que vai «aguardar» para ver «como a regulamentação vai ser efectuada», uma vez que «não é o facto de se prever apoio que faz com este seja efectivo», acusa. «Para nós é essencial o mecanismo que vai pôr em prática esta lei», justifica.

Renata Silva/TVI24 – 24.07.2009





Site CorreioWeb divulga matéria sobre a vida de adolescentes vivendo com aids

24 07 2009

Eles nasceram marcados pelo estigma de um vírus estúpido que circula nas suas correntes sanguíneas. Foi a herança que as mães, hoje mortas, lhes deixaram. Foram julgados e condenados à revelia. Uma gente de jaleco branco chegou a dizer que eles não viveriam muito. Outra gente, igualmente de jaleco branco, acreditou que sim. Houve um tempo, de fato, que eles quase sucumbiram. Daquela noite na UTI, não mais passariam. Tiveram que lutar contra o maldito vírus que insistia em derrotá-los. Eles sabem também que a luta, na verdade, é diária, para sempre, enquanto vida houver. Pior que a batalha contra o vírus, porém, é aquela travada contra o preconceito. Uma luta desigual, desumana e covarde. Mas eles resistiram. Fortaleceram-se. Tornaram-se vigilantes. Cresceram.

Chegaram à adolescência. Estão descobrindo amores e paixões típicas da idade. O coração disparou no primeiro beijo no rosto. A perna bambeou. A menina acredita em príncipe encantado e o desenha em forma de romance no caderno da escola. Ama, ama de paixão, o galã da vez Edward Cullen, um dos vampiros modernos de O crepúsculo. Ele aparece na tela de descanso do seu computador, cujo teclado é todo decorado com strass cor-de-rosa. O menino, por enquanto, não quer saber de nada sério. No momento, quer dar piruetas cada vez mais radicais no skate, pintar, grafitar, fazer street dance (dança de rua) e arrasar com dribles desconcertantes nas partidas de futebol.

Ela amou platonicamente o menino bonito da escola, o que esnoba todas as meninas e, ainda assim, todas correm atrás dele. Ele, anos-luz de distância, admirou a gatinha do colégio, aquela que faz os meninos babarem e que se acha a dona do pedaço. Cauteloso, ele tem medo de se aproximar e levar um fora que o fará chegar à Lua, sem escala.

O nome da menina que acredita em príncipes encantados é Marina*. O do menino que gosta de grafitar e pintar é Felipe*. Ela completou 16 anos em maio. Ele, no último domingo. Não são parentes, mas aprenderam a se comportar como tais. Na verdade, viraram irmãos. Um entende o outro, apesar dos terríveis entraves e pirraças da complicada adolescência. Moram na mesma casa, uma instituição em Taguatinga.

São os mais “velhos” do lugar. Marina e Felipe nasceram marcados. Carregam, como tatuagem, uma sentença. Ela toma sete comprimidos por dia. Ele, seis. Mas decidiram seguir, a despeito até mesmo do preconceito. E estão mais saudáveis do que nunca. O exame de carga viral (1)está indetectável. Marina e Felipe têm aids. E hoje fizeram dessa palavra de quatro letras apenas um detalhe. Resolveram viver.

As revelações

Terça-feira, 15h, QNC 3, Taguatinga Norte. Numa casa de paredes coloridas, que leva o sugestivo nome de Vida Positiva (2), Marina e Felipe planejam suas vidas. Ainda adolescentes, aprenderam logo cedo que nada seria fácil. Ainda assim, optaram pela felicidade. Ela pinta de lápis preto os olhos amendoados. O repórter diz que se parecem com os olhos da atriz Juliana Paes. Ela sorri, encabulada. Marina é assim: tímida, mas vaidosa. Está na 6ª série, adora passear no shopping e leva jeito para moda. Sabe o que combina com qual roupa, a tendência de corte de cabelo, a maquiagem que está bombando… Marina, a linda morena dos olhos amendoados, é uma adolescente como tantas.

No meio da conversa, ela conta, timidamente, que já se apaixonou pelo menos umas três vezes. “É uma sensação boa demais. O coração quase sai pela boca quando a gente vê a pessoa”, admite. Mas, em nenhuma das paixões que “viveu”, teve coragem de contar aos amados o que sentia. “Tinha medo de eles se afastarem. Menino não quer nada sério. É tudo marrentinho”, constata. Mas beijou um menino da escola – não uma das três paixões, mas um “ficante”, sem compromisso. “A gente só ficou, sem nada sério. Se eu gostei do beijo? Noooossa!” (suspira).

Marina nunca contou às amigas, nem às mais próximas, que tem aids: “Se elas souberem, não vão querer mais amizade comigo. Tenho medo de ser rejeitada”. Por isso, criou um mundo só dela. Edward Cullen, no computador, é o seu grande namorado. Pra ele, ela conta que o ama. E o beija demoradamente na tela. “Ele é lindo, lindo de tudo”, suspira a apaixonada, no seu quarto que, como o computador, é cor-de-rosa.

Felipe é o típico adolescente que está descobrindo a vida. Preocupado com a forma física (os músculos estão se definindo com partidas de futebol na rua e exercícios físicos), tem apostado em todos os seus talentos. Colocou brinco e adora receber elogios das meninas pelo feito. Descobriu-se desenhista de mão cheia. Mas também grafita e até arrisca uns passos de street dance. As pessoas o aplaudem. Ele se encabula. “Nem danço tão bem assim”, despista. Mas o que ele quer mesmo é ser engenheiro mecânico. “Gosto de projetar. Quero trabalhar nas máquinas da Petrobras”, planeja.

E as namoradas? Felipe, marrentinho como ele só, admite que já “ficou” com algumas meninas. “Mas nada de sexo. Apenas a gente se beijou”, ele jura. Já se apaixonou? “Perdidamente, nunca”, garante o menino que engrossa a voz. Mas uma coisa ele aprendeu desde cedo, talvez a principal lição: andar com a CAMISINHA na carteira. “Nunca se sabe quando a gente pode precisar…”, lembra.

O preconceito

Marina estuda numa escola particular. A mensalidade é paga por uma voluntária da instituição que virou uma espécie de madrinha postiça da menina. Felipe está na rede pública. Mudou-se de escola no começo deste ano. No antigo colégio, teve de lidar com o despreparo e a desinformação da própria diretora. “Uma vez, no recreio, ela me viu beijando uma menina. Aí, me chamou na sala dela e disse que ia contar pro pai da menina que eu era HIV positivo e falar do perigo que eu representava”, conta. “O preconceito causa mais sofrimento do que a própria doença”, constata o pediatra e especialista em adolescente Ricardo Azevedo, 33 anos, chefe do Núcleo de Controle de aids da Secretaria de Saúde do DF.

Numa outra vez, Felipe pegou o batom de cacau do amigo e passou nos lábios. A diretora, sempre atenta aos passos do aluno SOROPOSITIVO, não demorou a agir. Pegou o batom da mão de Felipe e jogou no lixo. Antes, porém, dirigiu-lhe uma série de desaforos. Ameaçou, inclusive, revelar seu maior segredo para toda a escola. Felipe tentou, em vão, dizer à educadora que sabia exatamente as formas pelas quais se transmite o vírus e que aquela não traria risco ao amigo. Sozinho, sem ser ouvido, chorou escondido. Sem clima para continuar ali, saiu da escola. Vick Tavares, presidente da ONG Vida Positiva, tirou-o dali.

O médico Azevedo alerta: “Todo adolescente, independentemente der ter ou não HIV, precisa ter a atitude de usar CAMISINHA. Usando, não há risco de contrair nenhuma doença sexualmente transmissível. Nem mesmo aids”. E manda um recado para a diretora desinformada: “Não há risco algum no beijo na boca”.

Marina não gosta muito de falar de preconceito. Isso a faz sofrer. “Pra mim. sempre é triste lembrar essas histórias. Me machucam”, ela diz. Para não ser mais discriminada, assim como Felipe, não deixa a Kombi da instituição, que os leva para a escola, estacionar na porta do colégio. “Minhas amigas parariam de andar comigo e me rejeitariam”, acredita a menina de lindos olhos amendoados. “Não quero que todo mundo saiba. Tenho o direito de contar só pra quem que eu quiser”, diz Felipe.

O futuro

Marina já pensou em ser advogada: “Eu era bem pequenininha quando queria isso. Acho que mudei de ideia, mas não sei o que quero ainda”. No momento, ela só tem olhos mesmo para Edward Cullen, estampado na tela do seu computador. Felipe que se casar e ter filhos (mães que tomam a medicação na gravidez e recebem o AZT injetável na hora do parto podem dar à luz um bebê saudável, desde que este tome o coquetel por seis semanas e não seja amamentado). “Mas aí, quando eu me apaixonar de verdade, vou contar antes que sou SOROPOSITIVO”, ele jura. “Eu, me casar? Nem penso nisso. Quero outras coisas pra mim”, desconversa Marina. “Nada a ver”, retruca Felipe.

Enquanto isso, ela planeja: “Vai chegar o dia em que não vou tomar mais remédios”. Ele pensa no futuro e nas novas descobertas da medicina: “Um dia vão inventar a cura pra esse vírus”. Marina não tem dúvida: “Eu vou vencer o HIV”. Ela dorme no quarto cor-de-rosa. Ele, no verde. Ela é romântica. Apaixonada, já estraçalhou o coração. Chorou, sofreu, apaixonou-se de novo e sofreu tudo de novo. Ah, a adolescência! Ele se diz durão. Marrentinho mesmo. Nada de sofrer por amores. Completaram 16 anos. Quase ninguém apostava que iriam conseguir. Encheram-se de sonhos, desejos, planos, chatices, espinhas e hormônios em completa ebulição. E têm aids – essa última referência é apenas um detalhe em suas vidas. Melhor acreditar em Marina, que luta para vencer a doença. Quem tem o prazer de conhecer a menina de olhos vivos, cabelos negros e sorriso encantadoramente tímido pode apostar que sim. Há histórias que apenas impressionam. Outras ficam tatuadas na alma.

1 – CONTAGEM DO VÍRUS

Exame que mede a quantidade do HIV no sangue. Se a carga está indetectável, significa que a imunidade (defesas contra os ataques às infecções oportunistas) está alta.

2 – A INSTITUIÇÃO

Organização não governamental criada há dois anos e meio em Taguatinga. Funciona em sistema de abrigamento e creche. Atende hoje 17 crianças e adolescentes carentes soropositivas ou filhos de pais soropositivos.

SOLIDARIEDADE

A ONG Vida Positiva fica na QNC 3, Casa 16, Taguatinga. Visitas e ajuda são sempre bem-vindas. Contatos: 3034-0040 e 3034-0948. Depósitos: Caixa Econômica Federal, agência 1041, conta 385-0, op 003

* Os nomes são fictícios, em respeito à privacidade dos adolescentes.

CorreioWeb – 24.07.2009





Artigo contesta opiniões do secretário de Saúde de São Paulo sobre o SUS

24 07 2009

A verdadeira reforma sanitária

A REFORMA sanitária brasileira nasceu da luta contra a ditadura, estruturou-se nas comunidades, nos serviços de saúde, nos sindicatos e nas universidades e resultou no pacto social estampado na Constituição Federal: a saúde como direito do cidadão e dever do Estado.

No artigo “A segunda reforma sanitária” (“Tendências/Debates”, 20/7), o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata, faz uma releitura deformada dessa grande conquista da população.
Ao alegar dificuldades “insuperáveis” do SUS (Sistema Único de Saúde), desfia saídas que vão da sugestão simplista de remunerar médicos por produtividade até a defesa enigmática de um “novo arcabouço institucional e legal” para a assistência farmacêutica, passando pela sublimação das organizações sociais como modelo de gestão.

Mais espantosa que tudo, porém, é a proposta de livrar as empresas de planos de saúde da cobertura de determinados procedimentos de urgência e alta complexidade em troca de uma contribuição para o SUS.

Embora seu raciocínio tortuoso afirme o contrário, é o sistema público que passaria, com isso, à posição complementar. Sem garantias de ressarcimento, o SUS aliviaria de vez os planos privados do ônus de tratar doenças não lucrativas.
Alheio à universalidade e à equidade, esteios do SUS incompatíveis com a atividade mercantil, o setor suplementar, ao pagar um “pedágio”, ficaria desobrigado também do atendimento integral.

Os planos de saúde sempre empurraram doentes e idosos para o SUS, lucram com o dinheiro público destinado ao financiamento de planos privados para o funcionalismo e ainda recebem subsídios indiretos, como a dedução, no Imposto de Renda, dos gastos com assistência suplementar.

O SUS foi inscrito na seguridade social para, com a assistência social e a Previdência, garantir condições de igualdade aos cidadãos por meio de sistemas universais, públicos e financiados por toda a sociedade. Até agora, o parasitismo do privado sobre o público só gerou injustiças no acesso à saúde.

Não há o que inventar. A democratização por meio do controle social e a subordinação da saúde, por ser de relevância pública, à autoridade descentralizada são princípios muito caros à sobrevivência do SUS. Longe disso, há gestores que se omitem, ao dificultar a participação popular, ao restringir o financiamento, ao permitir a expansão do setor privado em áreas que são estritamente públicas.

A sociedade brasileira investiu trabalho e esperança na construção de um sistema de saúde para todos. Mesmo emparedado, o SUS demonstra a todo tempo que é viável -vejam-se os programas nacionais de imunização, Aids e transplantes.

As falhas do Sistema Único de Saúde não serão resolvidas com a retórica de gestores que nem sequer dominam as condições para implementar as mudanças que defendem.
O reconhecimento dos avanços não pode esconder a indignação. Mesmo no Estado mais rico do país, a população sofre sem saber onde, em que condições será assistida ou quanto tempo tardará o atendimento.

Não é preciso uma segunda reforma sanitária para que os serviços do SUS passem a funcionar como uma rede integrada, com porta de entrada única.
É fácil arvorar-se em alternativa do futuro, supondo que tudo o que veio antes estava errado.

Difícil é dar cabo das mazelas do presente, como as dificuldade dos pacientes de acessar medicamentos e exames, os desvios de dinheiro público para hospitais lucrativos considerados filantrópicos, a manutenção da dupla porta de entrada, do atendimento a convênios e particulares em hospitais universitários do SUS, as más condições de trabalho e os salários aviltados dos profissionais de saúde, a utilização de cargos de direção e setores de compras do SUS como moeda política, o que tantas vezes leva à corrupção, drena recursos escassos e compromete a qualidade dos serviços.

Concluir a reforma sanitária em sua concepção original e superar o abismo entre o direito à saúde vigente e o direito vivido são deveres do Estado que não podem mais ser protelados. Para isso, é preciso estabelecer responsabilidades sanitárias claras, assim como mecanismos legais de punição de gestores e governos diante de metas não cumpridas e da desobediência aos preceitos constitucionais.

MÁRIO SCHEFFER, 42, doutor em ciências, é pós-doutorando do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e presidente do Grupo Pela Vidda/SP.

SÔNIA FLEURY, 59, doutora em ciência política, é professora titular da Fundação Getulio Vargas (RJ) e presidente do Cebes (Centro Brasileiro de Estudos da Saúde).

Fonte: Folha de S.Paulo

A segunda reforma sanitária

SÃO INEGÁVEIS os avanços conquistados pelo Sistema Único de Saúde desde sua criação, há cerca de 20 anos. Apesar de enfrentar um contexto de dificuldades, relacionadas com a realidade econômica e social do país e com a questão da garantia de recursos regulares e suficientes para suas atividades, o SUS ampliou de forma significativa o acesso dos brasileiros aos cuidados de saúde e melhorou muito os indicadores de qualidade de vida da população.

Mesmo reafirmando as premissas de universalidade, integralidade e equidade, temos que reconhecer que o modelo atual de operacionalização do sistema apresenta algumas dificuldades insuperáveis. Embora as capacidades econômicas sejam bastante diferentes nas muitas regiões do país, nenhuma delas, mesmo as mais desenvolvidas, pode se gabar de possuir uma rede sanitária considerada exemplar pela população usuária.

Poucos hospitais públicos pertencentes ao sistema são tidos como modelo pela população. Sem dúvida, muitos citarão como serviços públicos de excelência a Rede Sarah de Hospitais, o Instituto do Coração (InCor) o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Todos anteriores ao SUS.

A pergunta que se coloca é: por que não surgiu com o SUS nenhum novo centro médico de excelência? A atenção básica em saúde, porta de entrada do sistema, continua enfrentando dificuldades na alocação de profissionais nas periferias das áreas metropolitanas e em muitas regiões carentes do interior do país. A qualidade e a eficiência de suas ações, em diversas localidades, ainda deixam a desejar, seja no novo modelo do Programa de Saúde da Família, seja no tradicional dos postos de saúde.

O país continua a ter dois sistemas de saúde -o SUS, para atender a cerca de 70% da população, e o sistema de saúde suplementar- absolutamente desarticulados, com superposição de ações e atendimentos desintegrados e, muitas vezes, conflitantes.

Assim, novas propostas e mudanças se fazem urgentes para que o SUS possa avançar. Tal como ocorreu no movimento da reforma sanitária que precedeu a criação do SUS, precisamos de um novo movimento entre os “pensadores” e gestores do sistema para que novas propostas possam surgir e ser debatidas, aperfeiçoadas e incorporadas pelo SUS.

No gerenciamento de hospitais e unidades de saúde, por exemplo, essa discussão iniciou-se há pouco no Ministério da Saúde, que, reconhecendo a insuficiência do modelo existente, propôs as fundações estatais, precedido pela experiência bem-sucedida das organizações sociais de saúde em São Paulo. Mas outras mudanças precisam ser pensadas e implementadas.

Por que não reconhecer a necessidade de mudar as formas de remuneração de médicos do setor público, tornando o salário uma consequência direta da produtividade e da qualidade do serviço do profissional?

Isto é, por que não usar as formas de remuneração desenvolvidas pelo setor privado, que tem avançado continuamente e detém em muitas regiões os melhores equipamentos de saúde à disposição da população?

Por que não tratar a medicina suplementar como um sistema verdadeiramente complementar ao SUS? Isso implicaria reconhecer que determinados procedimentos não serão, obrigatoriamente, realizados pelos seguros e planos de saúde privados, mas pelo SUS, em elenco que poderia incluir procedimentos de urgência, controle de doenças transmissíveis e medicamentos oncológicos, áreas em que o SUS detém, em muitos casos, mais experiência e competência do que o setor privado.

Como contrapartida, poderíamos ter a criação de uma contribuição “automática” per capita, que seria paga pelos planos privados diretamente ao SUS, sem necessidade de processos longos e ineficientes de ressarcimento, facilitando o atendimento aos pacientes dos dois sistemas, com a melhora evidente da saúde de todos.

Por que não reconhecer que as dificuldades em áreas como a assistência farmacêutica exigem novo arcabouço institucional e legal?
Há que implantar um novo subsistema de dispensação de medicamentos a toda a população, semelhante aos programas exitosos do coquetel de Aids e Farmácia Popular, que padronize, dê previsibilidade aos gastos do SUS nesse setor e permita à população acesso fácil ao medicamento de que necessita.

Todas essas mudanças podem ser efetivadas sem abandonar em nenhum momento a ideia da saúde como direito universal. Porém, para implantá-las, é necessário coragem para derrubar algumas verdades e alguns dogmas do século passado e substituí-los pela avaliação isenta das dificuldades vivenciadas nos 20 anos do SUS.

Para progredir e avançar, será preciso iniciar já o movimento da segunda reforma sanitária do Estado brasileiro.

ROBERTO BARRADAS BARATA, médico sanitarista, é secretário de Estado da Saúde de São Paulo

Fonte: Folha de S. Paulo
Agência de Notícias da Aids – 24.07.2009





Departamento Nacional de DST e Aids divulga recomendações para tratamento da nova gripe em pacientes com HIV/aids

24 07 2009

O Departamento de DST e Aids divulgou recomendações para o tratamento da gripe A em pacientes com HIV/aids. A indicação é que as pessoas com aids que apresentem sintomas de gripe procurem seu próprio médico ou o serviço de saúde mais próximo logo nas primeiras horas após o aparecimento dos sintomas. O tratamento para a influenza A (H1N1) deve ser iniciado até 48 horas a partir da data de início dos sintomas.

Pacientes imunodepressivos, ou seja, com a imunidade baixa, são considerados grupo de risco para a infecção e complicações da Influenza A (H1N1). Pessoas com aids e com sintomas de gripe devem ter avaliação e monitoramento clínico constantes de seus próprios médicos. Eles ficarão responsáveis por indicar ou não o tratamento com o Tamiflu (nome comercial para o oseltamivir), além de adotar as demais medidas terapêuticas, inclusive a indicação do exame laboratorial.

O Departamento recomenda que, na ausência de outro diagnóstico, os médicos considerem o tratamento com o Tamiflu em adultos e adolescentes infectados pelo HIV que apresentem síndrome gripal, com febre maior de 38ºC, acompanhada de tosse ou dor de garganta, independente da contagem de células CD4.

Destaca-se ainda que não foram registrados eventos adversos entre adultos e adolescentes infectados pelo HIV recebendo Tamiflu. Não há também contra-indicações conhecidas para co-administração desse medicamento com os antirretrovirais.

Veja o Protocolo de Manejo Clínico e Vigilância Epidemiológica da Influenza A, elaborado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, acessando aqui

Perguntas e respostas sobre Influenza A (H1N1) em pessoas que vivem com HIV

1. Existe diferença de sintomas da Influenza A (H1N1) nas pessoas que vivem com HIV?
Os sintomas para definição de caso de Influenza A (H1N1) entre pessoas que vivem com HIV são os mesmos da população geral: doença respiratória aguda caracterizada por febre superior a 38º, tosse e falta de ar, acompanhada ou não de garganta ou manifestações gastrintestinais. Contudo, se o paciente também apresentar leucopenia (queda das células de defesa), deve ser dada atenção especial a essa alteração.

2. Quando uma pessoa que vive com HIV apresenta sintomas da gripe, deve procurar um médico?
O indivíduo com síndrome gripal que apresenta fator de risco para as complicações da influenza – como é o caso de quem está em tratamento para a aids e pode ter imunodepressão – deve, obrigatoriamente, ser avaliado e monitorado constantemente pelo médico que o acompanha. É ele que vai indicar ou não o tratamento com Tamiflu (nome comercial para o oseltamivir), além de adotar todas as demais medidas terapêuticas.

3. Se uma pessoa com HIV for viajar para áreas de risco para a Influenza A (H1N1), deve tomar Tamiflu antes?
Não. Se utilizado de forma indiscriminada, o medicamento pode induzir a resistência do vírus influenza. É recomendado evitar áreas de risco à Influenza A, áreas estas já divulgadas pelo Ministério da Sáude.

4. Quando o tratamento com Tamiflu é recomendado para pessoas que vivem com HIV?
A indicação é que as pessoas com aids que apresentem sintomas de gripe tenham avaliação e monitoramento clínico constantes de seus próprios médicos. Eles ficarão responsáveis por indicar ou não o tratamento com o Tamiflu, além de adotar as demais medidas terapêuticas, inclusive a indicação para o exame laboratorial. O medicamento deve ser utilizado em, no máximo, até 48 horas a partir da data de início dos sintomas. Como em toda prescrição terapêutica, os médicos devem atentar para as interações medicamentosas, as contra-indicações formais e os efeitos colaterais. Segundo a orientação do fabricante, o Tamiflu só deve ser usado durante a gravidez se o benefício justificar o risco potencial para o feto. O tratamento é recomendado a indivíduos com doença respiratória aguda grave e seus contatos próximos que também apresentem o mesmo quadro.

5. Existe interação medicamentosa entre o Tamiflu e algum antirretroviral?
Até o momento, não há registro de reações ou efeitos adversos em adultos e adolescentes infectados pelo HIV recebendo o medicamento. Também não há contra-indicações conhecidas para administração conjunta do Tamiflu e os medicamentos para o tratamento da aids.

6. O exame laboratorial deve ser feito nas pessoas que vivem com HIV e apresentam sintomas da Influenza A (H1N1)?
Não. O exame laboratorial só é indicado em casos de doença respiratória aguda grave ou em surtos de síndrome gripal em comunidades fechadas. O médico vai identificar a necessidade de exame.

7. Como se prevenir da doença?
Alguns cuidados básicos de higiene podem ser tomados, como: lavar bem as mãos frequentemente com água e sabão, evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies, não compartilhar objetos de uso pessoal e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar.

Telefones e links úteis
- Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde:
0800 644 66 45

- Portal do Ministério da Saúde: com informações sobre influenza http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1534

- Informações aos viajantes na ANVISA:
http://www.anvisa.gov.br/viajante

Fonte: Departamento de DST e Aids
Agência de Notícias da Aids – 24.07.2009





Homossexualidade é ignorada nos livros didáticos brasileiros

24 07 2009

Brasília – O debate incipiente sobre diversidade sexual nas escolas atinge também os materiais didáticos. Segundo pesquisa da doutora em psicologia Tatiana Lionço, da Universidade de Brasília (UnB), os livros usados em sala de aula pelos alunos da rede pública ignoram a temática da homossexualidade.

Estudo financiado pelo Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) analisou 67 das 99 obras mais distribuídas pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). O programa, do Ministério da Educação (MEC), é responsável por fornecer os materiais a todos os estudantes da educação básica da rede pública.

Tatiana Lionço ressalta que as comissões formadas pelo MEC para selecionar as obras conseguem impedir que conceitos discriminatórios cheguem até aos alunos, uma vez que a análise não constatou a presença de “injúria homofóbicas” nas obras. Mas a diversidade sexual, no entanto, não é retratada nos livros. “Existe um silêncio absoluto sobre esse tema, o que é insuficiente para uma política que se propõe a enfrentar a homofobia”, aponta a pesquisadora.

De acordo com ela, esse silêncio também produz o preconceito e prejudica o desempenho do estudante homossexual. “O silêncio tem uma dimensão produtiva porque ele diz que não se pode falar sobre homossexualidade na sociedade. A homofobia é uma experiência de extrema solidão porque os espaços que seriam de proteção social, como a escola, mantêm a dinâmica homofóbica.”

Segundo a coordenadora-geral de Direitos Humanos do MEC, Rosiléa Wille, as dimensões da diversidade já foram incluídas no PNLD. Segundo ela, é preciso elaborar editais “cada vez mais qualificados” para que as editoras sejam incentivadas a incluir a temática da homossexualidade nas obras.

“Temos um instrumento poderoso nas mãos. Se colocamos como regra que o livro precisa representar a valorização da diversidade, pela qual nós temos trabalhado muito no ministério, as editoras vão se adequar porque nós somos os maiores compradores de livros”, diz. O ministério também tem investido na produção de materiais específicos para que as escolas trabalhem o tema.

O estudo ressalta que outros temas ligados à diversidade, como questões de gênero, etnorraciais e das pessoas com deficiência, já aparecem nos livros didáticos. “Mas a homossexualidade é como se não existisse”, observa Tatiana Lionço.

“Nos livros já existe uma concepção de família bastante diversa, são retratadas famílias chefiadas por mulheres, mas não por pais gays ou mães lésbicas. Existem vários contextos em que a questão poderia estar incluída, a ideia é trabalhar a diversidade sexual com naturalidade”, diz.

A psicóloga acredita que a dificuldade para abordar o tema nas obras está ligada à própria resistência que existe em relação à educação sexual, especialmente dos pais. “É um tabu que contraria os próprios dados epidemiológicos da gravidez não desejada na adolescência, por exemplo. A escola pode ter dificuldades para inserir o tema, mas isso se justifica por uma questão de saúde pública e de proteção dos direitos humanos”, defende.

Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo

Agência Brasil – 24.07.2009





Debate sobre vulnerabilidades sociais e propostas marcam encerramento de seminário de tuberculose em SP

24 07 2009

O Seminário Controle Social e Tuberculose do Estado de São Paulo foi encerrado na tarde desta quinta-feira (23) com recomendações e debate sobre vulnerabilidades sociais. Os principais temas debatidos ao fim do evento foram o trabalho escravo realizado por imigrantes irregulares no País e redução de danos. “As coisas só melhoram quando há pressão de ONGs e da mídia”, disse a subprefeita da Lapa, Soninha Francine, a respeito de trabalhadores bolivianos, irregulares e enclausurados em fábricas.

Outro assunto abordado durante a atividade foi a promoção de políticas de redução de danos. “Até hoje há a dúvida se realmente existe uma política nessa área ou apenas a promoção no Sistema Único de Saúde”, disse José Marcos de Oliveira, membro do Conselho Nacional de Saúde. De acordo com Bruno Gomes, coordenador da organização É de Lei em São Paulo, o tema ainda é um tabu entre autoridades. “Já fomos expulsos de reuniões com o subprefeito da Sé”, alegou. Segundo ele, depois da queda dos índices de HIV entre usuários de drogas injetáveis e novos trabalhos da instituição com outras pessoas que usam drogas e/ou moradores de rua, a situação ficou mais complicada. “Procuramos nos aproximar deles, até para terem acompanhamento de outras doenças, tuberculose, assistência social”, disse.

Marta McBritton, do Instituto Cultural Barong, falou sobre o trabalho de redução de danos com álcool em bares e locais de entretenimento jovem. “A gente precisa experimentar sempre. Independente de financiamentos, sempre buscamos novas estratégias, senão perdemos identidade”, afirma.

O evento ainda teve a formulação de propostas de encaminhamento para o seminário nacional de tuberculose que vai acontecer em outubro, no Rio de Janeiro. Veja a seguir.

Propostas

1 – Utilização dos comerciais de medicamentos para ações de divulgação de informações dobre sintomas da tuberculose.
2 – Incluir ações de intersetorialidade nas diversas áreas em benefício das questões sociais dos pacientes, em especial os pacientes prisionais.
3 – Analisar a possibilidade de financiamento, pelo Ministério da Saúde e/ou outros financiadores, de pequenos projetos de base comunitária.
4 – Fortalecimento dos Comitês Metropolitanos como espaço de interlocução entre os diversos atores com atuação em tuberculose.
5 – Replicação dos seminários de controle social no âmbito estadual e municipal.
6 – Amplias as discussões e articulações das áreas de Tuberculose com as de Seguridade Social.
7 – Realização de pesquisa sobre as causas de morte entre pessoas com tuberculose, durante o tratamento.
8 – Apoiar, e garantir a execução, da política de Redução de Danos como fomentador da saúde pública.
9 – Criação de estratégias de sensibilização, através do HUMANIZASUS, direcionada aos técnicos de atendimento na ponta, no atendimento a pacientes com tuberculose em especial moradores de rua, usuários de drogas e população prisional.

Rodrigo Vasconcellos/Agência de Notícias da Aids – 23.07.2009