Brasil: Usuários de crack criam meios para evitar exclusão

23 07 2009

Araçatuba – Alguns usuários de crack desenvolveram estratégias para lidar com o vício e, ao mesmo tempo, não ficar excluídos em guetos como a Cracolândia, em São Paulo, apontam as pesquisas da psico-farmacóloga da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Solange Nappo, que estuda a droga desde 1992.

A pesquisadora acredita que as associações do crack com outras drogas lícitas e ilícitas feitas por essas pessoas, amenizam os principais efeitos colaterais: a psicose e a fissura (desejo compulsivo de consumir a substância).

“Quando o crack surgiu, eles não misturavam com nada para não perder o efeito. Hoje em dia, eles abrem mão de parte desse efeito prazeroso para não sentir o outro efeito que é tão lastimável”, disse Solange.

MISTURA
“Apesar dos efeitos ainda incertos sobre a saúde com a mistura de outros elementos ao crack, essas pessoas conseguem trabalhar e conviver com a família”, afirma a pesquisadora. “Alguns têm obtido sucesso, não se sabe a que preço. Mas têm obtido sucesso porque estão vivos e inseridos na sociedade.”

De acordo com a pesquisadora, essas estratégias podem ser estudadas para que seja desenvolvido um modelo de redução de danos. Ela explicou que o combate as drogas ocorre em três etapas: prevenção, o tratamento e redução de danos para os dependentes em estágio avançado.

“Ele [o viciado em estágio avançado] vai usar a droga de qualquer forma. Então, vamos tentar reduzir os danos desse uso para que ele não seja banido da sociedade, para que não se exponha a riscos e não morra”, assinalou Solange.

COMBATE
A abordagem da redução de danos pode, segundo a pesquisadora, incentivar o usuário a abandonar a droga aos poucos. Na Cracolândia, a ONG (Organização Não Governamental) “É de Lei” realiza um trabalho para evitar a transmissão de doenças como HIV e hepatite por meio do uso de crack.

O cachimbo de madeira foi o primeiro insumo distribuído para usuários de crack, com o objetivo de incentivar o não compartilhamento do instrumento. Normalmente, os viciados constroem modelos artesanais de metal, que queimam a boca, causando feridas, e podem transmitir doenças quando compartilhado com outras pessoas.

“O cachimbo serviu como um cartão de visitas”, disse o coordenador do projeto de redução da ONG É de Lei, Thiago Calil, sobre o início da sua atuação na Cracolândia.

Segundo Calil, a redução de danos é uma proposta de fomentar o auto cuidado entre os usuários de droga, sem tentar necessariamente impedir o uso da substância.

“Se você usa crack, é bom saber que é uma prática que pode deixá-lo vulnerável e que é importante você aprender a se cuidar”, diz o panfleto distribuído nas ruas do centro de São Paulo pela ONG.

Calil destacou que essa linha de atuação é reconhecida internacionalmente e também pelo Ministério da Saúde. A redução de danos, enfatizou, é uma estratégia mal compreendida e pouco aceita por muitos setores da sociedade. Ele lembrou que foi diversas vezes abordado e até revistado por policiais enquanto realizava o trabalho nas ruas do centro.

Por causa das reclamações dos próprios usuários, ONG parou de distribuir os cachimbos de madeira. Eles se queixavam que a madeira dificultava a rapagem da borra, resíduo da droga que fica nas paredes do cachimbo. Atualmente são fornecidas piteiras de silicone, panfletos e protetor labial a base de manteiga de cacau.

A ONG É de Lei também costuma ouvir os usuários para definir a sua atuação. Os panfletos e o restante do material distribuído pelo ONG, por exemplo, foram elaborados com base em sugestões dos dependentes de crack.

Daniel Mello / Agência Brasil – 22.07.2009





Brasil: Nova combinação de drogas ganha as baladas brasileiras

23 07 2009

Um trio perigoso começou a frequentar baladas e festas particulares, principalmente entre o público gay. É a mistura de três pílulas – medicamento contra impotência, ecstasy e uma das drogas usadas no coquetel antiaids -, que pode potencializar o efeito de cada uma delas, ampliar os danos cardíacos, causar desidratação e até levar o usuário à morte.

O pagamento de até R$ 200 pela tríplice de comprimidos é justificado pelos efeitos de cada um deles. O ecstasy é para pirar; o Viagra para ter fôlego, aguentar todas as relações sexuais e aumentar a libido; e o remédio contra a aids tem o objetivo de evitar infecções ao manter relações sexuais sem camisinha – para o que, entretanto, não há comprovação científica. Antes, o público já recorria aos fortes medicamentos para tratar o vírus HIV pós-sexo de risco, chamado de “coquetel do dia seguinte”.

Especial sexo
Especial kama sutra

O alerta dos especialistas quanto à prática é que mesmo que este comportamento esteja restrito ao grupo gay, a história da Aids já mostrou que a doença não segue e nem respeita orientações sexuais. “É uma situação que nos preocupa porque acende a suspeita de um comércio paralelo de antirretrovirais (medicamentos do coquetel)”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Juvêncio Furtado, que em seu consultório particular já ouviu o relato de pelo menos seis pacientes que contaram como o “trio” tem sido usado na noite paulistana.

“No início da epidemia de aids (anos 80), havia contrabando da medicação, que acabou quando foi ampliada a cobertura dos pacientes pelo Sistema Único de Saúde (em 1996). Ainda que nada tenha sido comprovado, essa hipótese agora volta à tona.”

Atualmente, todos os cerca de 600 mil portadores do HIV que residem no Brasil são assistidos pelo programa nacional e gratuito que cuida da doença no País. Aqueles que estão em fase mais debilitada de saúde recebem gratuitamente uma combinação de antirretrovirais, elaborados individualmente para cada paciente. A distribuição é controlada e não há venda em farmácia.

“Os antiaids são vendidos nas festas por gente que toma o coquetel. Não tem um comprimido X ou Y. É qualquer um”, contou Lucas, nome fictício, soropositivo e testemunha desse hábito. Leandro, também nome fictício, que durante dois meses deste ano foi adepto do antirretroviral antes da bebedeira e do sexo, conta como conseguia o medicamento. “Por muitas vezes comprava de pessoas que conhecia e são portadoras. Em outras, com amigos de amigos”, diz.

“É fácil encontrar os medicamentos para venda. São comercializados como droga inclusive nas baladas”, afirma. Esses tipos de relatos já chegaram aos ouvidos de Maria Filomena Cernicchiaro, diretora do Ambulatório do Centro Estadual de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo. “É impressionante”, diz . “É preciso ter consciência. Os medicamentos mudam todo o mecanismo celular, podem causar diarreias severas. Infelizmente, a geração atual associa a prevenção do HIV a um comprimido”, afirma.

O infectologista Artur Timerman, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, ressalta que o “trio” que passou a frequentar as baladas é uma bomba para o coração, tem efeitos colaterais, muitos ainda nem mensurados pela medicina, além de representar uma ameaça ainda mais séria para o controle da aids. “O uso indiscriminado é uma ode à irresponsabilidade, pode deixar o organismo resistente ao medicamento”, afirma. “Isso significa que, se um dia a pessoa precisar do coquetel porque foi contaminada, não vai funcionar”, diz.

O número de adeptos da mistura ainda não foi calculado. “Já ouvimos falar muito sobre o uso desvirtuado dos antirretrovirais misturados a outras drogas, mas nunca conseguimos detectar a veracidade disso por meio de estudos científicos”, afirma o médico Ésper Kállas, que coordena pesquisas sobre o assunto no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) .

“No ano passado, um dos médicos que é colaborador do nosso projeto fez um trabalho para tentar mapear esse comportamento em São Francisco, um dos redutos gay dos Estados Unidos”, conta.

A coleta de dados foi feita em circuitos de bares e clínicas. Os resultados mostram que 18% dos entrevistados já tinham ouvido falar no coquetel, parcela que caiu para 2% quando a pergunta era se “uma pessoa conhecida” já o tinha utilizado. Apenas 0,12% dos entrevistados no levantamento admitiu ter usado a mistura.

Abril.com/23.07.2009





Angola: Criação de pares sobre o Vih/Sida pode acabar com o estigma no local de serviço

23 07 2009

Luanda – A criação de formadores de pares sobre Vih/Sida no local de trabalho pode acabar com o estigma, a discriminação sobre os doentes, bem como evitar o contágio e a propagação de doença, considerou hoje, quarta-feira, em Luanda, o consultor do Projecto Multi-sectorial de Combate ao Vih/Sida, malária e tuberculose (Hamset) Manuel da Silva.

O responsável falava durante uma formação ministrada a sindicalistas do ramo da construção, iniciada terça-feira, sobre “Educação de pares em Vih/Sida”, visando elevar a capacidade dos sindicatos de modos a contribuírem para a diminuição de contágio no local de serviço.

Segundo o consultor, os funcionários não devem ver os seus colegas como doentes, mas como elementos importantes para o desenvolvimento da empresa, e consequentemente do país.

A formação, acrescentou, visa criar pares com conhecimentos que serão transmitidos aos seus colegas no local de trabalho e familiares, bem como criar um ambiente de troca de experiências, evitando-se assim o contágio e a propagação das doenças sexualmente transmissíveis, em particular o Vih/Sida.

Para ele, os educadores além de absorverem informações sobre os cuidados a terem para evitar o contágio vão aprender como lidar com o seu colega e/ou familiares contaminados, de formas a se acabar com os estigmas.

“Mais do que formar activistas ou prevenir o contágio, é necessário que se trabalhe na mudança de comportamentos para que o convívio com os seropositivos e as crianças órfãs de pais vítimas de Vih/Sida seja feito de forma não discriminatória”, disse.

Participam no seminário 20 sindicalistas, numa acção que vai beneficiar 20 mil 267 trabalhadores, distribuídos de 24 empresas do ramo da construção civil.

Angop – 22.07.2009





Alemanha: oito anos de prisão por sexo desprotegido

23 07 2009

O Tribunal de Wuerzburg na Baviera, Alemanha, condenou esta quarta-feira a oito anos de prisão, um seropositivo que teve relações sexuais desprotegidas com três mulheres, sem lhes dizer que tinha contraído o HIV.

 

O juiz confirmou o crime de ofensas corporais e também o crime de grave abuso sexual de menor, visto uma das vítimas ter na altura apenas 13 anos, escreve a rádio «TSF» na sua página online.

As três mulheres, uma doméstica, uma cabeleireira e uma aluna, não ficaram infectadas com o HIV. No entanto, o tribunal considerou a circunstância agravante, visto o arguido já ter cometido actos semelhantes.

Em 2007, foi condenado a cinco anos e seis meses de prisão por delito idêntico cometido sobre seis mulheres. Esta pena foi incluída na pena agora aplicada, proferida em cúmulo jurídico.

O Ministério Público pediu dez anos de prisão e a defesa falou em seis anos e seis meses. O tribunal considerou, na pena, o facto de o arguido ser natural do Quénia e estar «marcado pelos hábitos do seu país de origem». O indivíduo já cumpriu quatro anos de prisão.

Os casos julgados passaram-se em 2004, tendo o réu admitido a culpa. Este negou, porém, ter violado a jovem de 13 anos e alegou desconhecer a idade da menor.

IOL – 23.07.2009





V Conferência da IAS sobre Patogénese do VIH, Tratamento e Prevenção

23 07 2009

A monoterapêutica com darunavir/ritonavir obtém bons resultados

Dois estudos separados demonstraram que o tratamento com darunavir potenciado por ritonavir (Prezista®) em monoterapia pode ser uma opção viável após um doente ter alcançado uma carga viral indetectável, usando a terapêutica convencional para o VIH tripla.
O primeiro dos estudos (MONET) envolveu 256 doentes na Europa. Todos tinham carga viral inferior às 50 cópias/ml durante, pelo menos, 6 meses utilizando uma combinação de três medicamentos que incluíam o darunavir/ritonavir.
Metade destes doentes foram randomizados para continuarem a tomar a terapêutica tripla, enquanto o tratamento para o outro grupo passou para apenas darunavir/ritonavir.
Após um ano, percentagens iguais de doentes (aproximadamente 85%) mantiveram carga viral indetectável.
O segundo estudo (MONOI) foi conduzido em França e incluiu 225 doentes. Demonstrou também a não inferioridade da monoterapia com darunavir/ritonavir face ao tratamento padrão de três medicamentos.

O atazanavir é eficaz, potenciado ou não
Um estudo de dois anos demonstrou que o atazanavir (Reyataz®), independentemente de ser potenciado com ritonavir, é eficaz na supressão da carga viral para níveis indetectáveis, quando usado como parte da Terapêutica Anti-Retroviral de combinação (TARc).
Após 84 semanas de acompanhamento, 86% das pessoas que tomavam atazanavir não potenciado apresentavam uma carga viral abaixo das 50 cópias/ml, em comparação com os 81% dos doentes que receberam a fármaco potenciado com ritonavir.
Os aumentos na contagem das células CD4 foram comparáveis, contudo os investigadores mostraram que as pessoas a fazer o tratamento com atazanavir não potenciado tinham menor probabilidade de desenvolver hiperbilirrubinemia, como efeito secundário, em relação aos que tomavam atazanavir/ritonavir (4% vs 10% respectivamente). Mostraram ainda que os níveis de colesterol desceram no grupo que tomou o fármaco não potenciado, mas aumentaram no grupo que tomou o booster ritonavir.

O acesso ao tratamento para o VIH reduz os casos de Tuberculose (TB)
O aumento no acesso ao tratamento para o VIH teve como resultado uma descida de 60% de novos casos de tuberculose diagnosticados num distrito sul-africano.
Entre 2005 e 2008, o estudo monitorizou o número de doentes que recebia a TARc e o número de diagnósticos de TB.
Em 2008, 90% das pessoas elegíveis para receber a TARc (de acordo com as orientações do tratamento sul-africanas) estavam a recebê-la.
A prevalência da TB desceu de 9% para 4% à medida que o acesso à TARc aumentou.

O aciclovir reduz o risco de progressão da doença na infecção pelo VIH e de morte
Um estudo demonstrou que o tratamento diário com duas doses de aciclovir, um medicamento anti-herpes, reduz significativamente as taxas de progressão de doença pelo VIH e de morte.
O estudo envolveu 3 408 homens seropositivos para o VIH. Estes, foram randomizados aleatoriamente para tomarem duas doses diárias de aciclovir (400 mg) ou placebo.
Os doentes do braço que tomavam o anti-viral tinham uma probabilidade inferior em 19% de iniciar a TARc, uma conclusão eventualmente importante. Apresentavam também uma significativamente menor descida das células CD4, para contagens inferiores às 200 cópias/mm³.
Embora o tratamento com o fármaco reduza o risco de transmissão do VIH a um parceiro seronegativo em 17%, esta conclusão não foi estatisticamente significativa.

Um tratamento bem sucedido para a hepatite C melhora os danos hepáticos nos doentes co-infectados
De acordo com uma nova investigação, as pessoas co-infectadas com VIH e hepatite C, que tiveram uma reposta positiva ao tratamento da hepatite C com interferão peguilado e ribavirina, melhoram o índice de fibrose hepática e, em alguns casos, de cirrose.
O estudo envolveu 294 doentes. Todos fizeram uma biopsia ao fígado e foram avaliados 44 meses após terem concluído a terapêutica para a hepatite C utilizando o FibroScan.
Foi observada uma melhoria no índice de fibrose em 36% das pessoas que tiveram uma resposta sustentada ao tratamento. Houve, inclusive, casos na melhoria de cirrose.
Uma análise estatística demonstrou que o tratamento bem sucedido para a hepatite C foi o único factor significativamente associado a uma melhoria da fibrose.

nam – 23.07.2009





Portugal: Vítimas de violência doméstica vão ter direito a requerer habitação social

23 07 2009

Será uma das maiores mudanças trazidas pela proposta de lei que é hoje votada na Assembleia da República. Quando as necessidades de afastamento o justifi carem, a vítima de violência doméstica “tem direito ao apoio ao arrendamento, à atribuição de fogo social ou a modalidade específi ca equiparável”.

Os critérios de atribuição de habitação social dependem muito de cada município, diz o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Jorge Lacão. Passa a haver um critério nacional para atender às necessidades de quem tem de sair da sua casa, que também tem direito a pedir transferência para outras instalações da empresa que a emprega, acesso preferencial a formação profi ssional, a urgência no pedido de rendimento social de inserção.

O diploma unifi ca o acervo legal sobre violência doméstica. O secretário de Estado não arrisca prognósticos. Julga, porém, que, com os rearranjos, a proposta, que na generalidade foi aprovada apenas com os votos do PS, conquistou algum consenso na especialidade.

O estatuto de vítima, que consagra um conjunto de direitos e deveres, alimentava uma das maiores discórdias. Tudo porque, na proposta inicial, tinha de ser requerido pela vítima. No texto que hoje é votado, havendo “especial vulnerabilidade”, pode ser atribuído pelas autoridades.

Há pelo menos um aspecto que ainda afasta parlamentares: o diploma desenha um regime específico para detenção fora do fl agrante delito. “Já tinham sido aprovadas na Assembleia da República uma proposta do BE e outra do PS”, lembra a deputada bloquista Helena Pinto. “O BE propunha um aditamento que alterasse o Código do Processo Penal mas o PS entendeu que não se deve mexer no Código. Isso vai criar dúvidas.” Lacão acha que não, já que as leis especiais prevalecem sempre sobre as leis gerais. Com esta lei, pode haver detenção fora do fl agrante delito “por mandado do juiz ou, nos casos em que for admissível prisão preventiva, do Ministério Público, se houver perigo de continuação de actividade criminosa, ou se tal se mostrar imprescindível à protecção da vítima”. As autoridades policiais também podem fazê- -lo “quando não for possível, dada a situação de urgência e de perigo na demora, esperar pela intervenção da autoridade judicial”. O diploma prevê outras medidas de coacção a aplicar no máximo de 48 horas, como não fi car na residência ou não contactar com a vítima.

Ana Cristina Pereira/Público – 23.07.2009





Portugal: Vítimas de violência doméstica «rompem o silêncio»

23 07 2009

O número de casos de violência doméstica detectados no distrito de Bragança duplicou em 2008, segundo o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Nordeste, que vai lançar esta quinta-feira uma campanha sobre este tema.

 

Há dois anos, o organismo regional de saúde criou núcleos de violência doméstica em todos os centros de saúde da região, onde trabalham profissionais das áreas médicas, de enfermagem, do serviço social, da psicologia e ainda das áreas jurídica e administrativa.

«Fruto deste trabalho, as situações sinalizadas têm vindo a aumentar, num claro romper de silêncio por parte das vítimas, que mais informadas e mais apoiadas ganham coragem para denunciar os maus-tratos de que são alvo em contexto familiar», diz o ACES em comunicado.

«Em 2008 foram referenciados 50 casos, mais do dobro dos casos sinalizados em 2007, ano em que apenas 21 casos acabaram conhecidos», acrescenta a nota.

25 das vítimas que foram apoiadas nestes núcleos chegaram mesmo a apresentar queixa-crime junto das autoridades.

A maioria dos profissionais (71 por cento) que trabalha nos núcleos já recebeu formação específica sobre a problemática da violência doméstica.

IOL – 23.07.2009





Angola: Psicóloga deplora atitude de cidadãos que omitem casos de violência doméstica

23 07 2009

Luanda – A psicóloga Cláudia Andrade deplorou hoje, quinta-feira, em Luanda, o comportamento de muitos munícipes do Sambizanga que evitam denunciar casos de violência doméstica, sob o pretexto de não verem resolvidos os seus problemas.

De acordo com a psicóloga, igualmente técnica da Repartição da Família e Promoção da Mulher do município do Sambizanga, os casos de violência doméstica registados semanalmente, dois a três em média, devem-se ao facto de outros munícipes não os participarem as instâncias de direito.

Cláudia Andrade fez saber que dos casos registados, poucos tiveram desfecho positivo e em curto espaço de tempo, por causa da desistência dos queixosos, derivada da morosidade do Tribunal de Família.

“Muitos munícipes são desencorajados por outros que viram goradas as suas denúncias. Mas isso não tem nada a ver connosco, porque são questões que nos transcendem e são encaminhadas para outros organismos onde se regista muita morosidade, fazendo-nos cair em descrédito”, explicou.

Informou que a maioria dos casos registados têm a ver com a fuga a paternidade, falta de assistência social e disputa de tutela de bens móveis e imóveis, ao mesmo tempo que aconselha os casais a preocuparem-se em formalizarem ou reconhecer judicialmente a sua relação conjugal para facilitar a resolução em caso de desavenças.

Cláudia Andrade pediu maior envolvimento da polícia na resolução dos casos de agressão física entre casais, porque alguns queixosos dizem que a polícia tem-nos encaminhado para a repartição dos assuntos sociais, tendo de igual modo, pedido maior apoio judicial, no sentido de tornar mais célere a resolução das reclamações dos munícipes.

Angop – 23.07.2009





Conferência cobra mais eficiência no uso de recursos para combate ao HIV

23 07 2009

CIDADE DO CABO, 22 Julho 2009 (PlusNews) – Enquanto a comunidade ligada à SIDA em todo mundo lamenta a crise económica global e o seu impacto nos fluxos de financiamento para a resposta ao HIV/SIDA, vários oradores na Quinta Conferência da Sociedade Internacional da SIDA (IAS em inglês) acerca da patogenia, tratamento e prevenção do HIV na Cidade do Cabo, África do Sul, apelaram aos implementadores para começarem a fazer mais com menos dinheiro.

“Temos estado a trabalhar no sentido de conseguir mais dinheiro para a SIDA, mas eu argumentaria que não fizemos o suficiente para assegurar que estamos a conseguir uma redução da SIDA com esse dinheiro,” disse o Dr Stefano Bertozzi do Instituto Nacional de Saúde Pública do México.

Ele ressaltou que apesar de um crescimento considerável nos recursos disponíveis para o HIV/SIDA – um recorde de US$13 mil milhões foi alocado em 2008 – têm havido poucas tentativas para medir a proporção do custo-efectividade das intervenções.

Os grandes aumentos no financiamento colocaram quatro milhões de pessoas de países de baixo e médio rendimento em tratamento antiretroviral (ARV) de prolongamento de vida, mas 25 anos de gastos em prevenção do HIV fracassaram em reduzir significativamente o ritmo de novas infecções, com duas vezes mais pessoas infectadas diariamente, do que a iniciar o tratamento.

Bertozzi disse que a comunidade de SIDA precisa de estratégias para conter os cortes no financiamento, mas também precisa melhorar a eficiência dos gastos em SIDA para alcançar resultados de saúde semelhantes ou até melhores, com menos dinheiro.

Escolher intervenções mais estatégicas poderia ajudar: “Temos de deixar de implementar programas de grande escala sem depois medirmos a sua efectividade,” disse ele, citando os programas de abstinência como um exemplo de uma abordagem a que faltam evidências para a suportar.

Programas centrados e bem geridos, direccionados às populações que mais precisam, tais como trabalhadoras de sexo e usuários de drogas injectáveis, foram os mais bem sucedidos em termos de custo-eficácia, tais como programas integrados com serviços para assuntos de saúde relacionados, tais como tuberculose (TB).
Programas que trabalham voltados para metas a longo prazo, tais como formação de novos médicos e enfermeiros, empoderamento de mulheres e mudança das normas sociais foram mais eficientes do que os de metas de curto prazo – que ficam bem em relatórios anuais, mas fazem pouco para mudar o curso da epidemia.

“Biliões de dólares estão em jogo, tais como milhões de vidas,” advertiu James Kahn, da Universidade da Califórnia em São Francisco. Kahn introduziu vários palestrantes que avaliaram a relação de custo-efectividade de várias intervenções de HIV e notou que doadores e implementadores de programas tinham que considerar a capacidade dos países de gastar os fundos, tal como a relação de custo-efectividade de várias opções de prevenção e tratamento.

No Lesoto, um país com uma seroprevalência de 23 por cento e barreiras significantes ao aumento da cobertura de ARV, 65 por cento do financiamento para o HIV/SIDA veio de doadores internacionais.

Uma avaliação feita por Regien Biesma, do Royal College de Cirurgiões na Irlanda, constatou que o dinheiro dos doadores ajudou a abordar problemas como a falta de equipamento, medicamentos e infra-estrutura, mas fez pouco para ultrapassar barreiras maiores e impedir o aumento da epidemia. Entre estas grandes barreiras, ele citou o sistema de saúde excessivamente centralizado e a falta de capacidade de gestão para implementar políticas. Os doadores também fracassaram em harmonizar os seus esforços ou para dar mais poder aos governos para que definam as suas prioridades.

GlobalNews – 22.07.2009





Amnistia: “Inaceitável a discriminação de homossexuais na doação de sangue”

23 07 2009

Em comunicado de imprensa, a Amnistia Internacional – Portugal considera inaceitável a discriminação dos homossexuais masculinos na doação de sangue em Portugal, salientando que: “Os comportamentos de risco, como o nome indica, estão na forma como as pessoas se comportam e não nas suas opções sexuais”.

Em comunicado de imprensa assinado por Pedro Krupenski, director executivo da Amnistia Internacional Portugal (AI), esta organização considera inadmissível a resposta dada pelo Gabinete do Ministério da Saúde à pergunta feita pelo deputado João Semedo sobre este assunto.

Para a AI, naquela resposta fica clara a discriminação dos homossexuais do sexo masculino. A AI considera ainda que são “lamentáveis e extremamente preocupantes” as declarações do presidente do Instituto Português do Sangue, Gabriel Olim, à TSF, na qual ele revela “não haver qualquer avaliação do comportamento de risco de homens que admitam ter tido relações homossexuais”. A AI salienta que a declaração de Gabriel Olim é tão mais grave quanto o Instituto Português do Sangue “tem como atribuições ‘entre outras, a coordenação e orientação a nível nacional de todas as actividades relacionadas com a transfusão de sangue (…)’”.

A AI “considera essencial a existência de medidas que protejam os destinatários do sangue doado”, mas sublinha que tais medidas não devem discriminar ninguém por pertencer a um determinado grupo. “Se há dúvidas sobre a qualidade do sangue de qualquer doador, façam-se análises”, declara a AI.

Esquerda – 21.07.2009





“Diagnóstico da tuberculose em pessoas com HIV deve ser mais preciso e rápido que para as demais”, afirma médica do CRT DST/Aids-SP, Leda Jamal

23 07 2009

De acordo com Leda, a detecção da tuberculose em pessoas com aids é mais difícil devido à semelhança de alguns sintomas entre as duas doenças. “Outra dificuldade da coinfecção é a adesão aos tratamentos, devido ao grande número de remédios necessários”, relatou .

Segundo dados apresentados por ela, pessoas que vivem com aids têm até 50% de chances de ter tuberculose ao longo da vida. Já aqueles que possuem a coinfecção aids-tuberculose abandonam mais o tratamento de tuberculose e chegam a óbito em maior quantidade se comparados aos que não possuem HIV/aids.

Apesar disso, a médica também vê fatores positivos na relação entre as duas doenças. “Com o advento da aids houve melhora no diagnóstico, novas pesquisas de fármacos e retorno do ativismo social relacionados à tuberculose”, relatou.

Novo sistema de tratamento da tuberculose no país

A representante do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, Denise Arakaki, e a diretora do Centro de Referência Professor Hélio Fraga – Fiocruz, Margareth Dalcolmo, abordaram o novo sistema de tratamento da tuberculose, que será implantado no país gradualmente, a partir de setembro.

As modificações incluem mudanças no acompanhamento dos casos clínicos, a introdução de uma quarto fármaco no tratamento e a junção de todos os medicamentos em um só. “Esses sistema quatro em um vai ajudar na adesão ao tratamento”, disse Denise. Para Margareth, “o novo sistema será melhor tanto do ponto de vista científico quanto humano”.

O Seminário Controle Social e Tuberculose do Estado de São Paulo começou nesta quarta-feira (22) e termina hoje (23) na capital paulistana. O público alvo são ONGs e conselheiros de saúde.

Fábio Serrato/Agência de Notícias da Aids – 23.07.2009





Seminário de tuberculose em São Paulo debate comunicação

23 07 2009

A tuberculose não pode ser esquecida e deve sempre ter inserções em mídias nacionais e regionais. Para pautar a doença na imprensa, é necessário saber o que dizer no momento certo, além de entender o papel dos jornalistas. Estas foram algumas afirmações durante Seminário Controle Social e Tuberculose do Estado de São Paulo na tarde desta quarta-feira. O trabalho da Agência de Notícias da Aids foi apresentado no evento pela editora executiva Roseli Tardelli. Também teve a presença de Daniel Souza, da X Brasil – empresa especializada em comunicação de utilidade pública.

Os debates sobre tema de comunicação abordaram principalmente as inserções que a tuberculose tem nas mídias nacional e regional, além dos custos de veiculação. “As campanhas do Ministério da Saúde, por serem de utilidade pública, não deveriam ter que pagar preços exorbitantes em canais de TV que são concessões públicas”, disse José Marcos de Oliveira, membro do Conselho Nacional de Saúde.

Já Daniel Souza lembrou que todas as campanhas produzidas pela X Brasil devem ser veiculadas gratuitamente. “Essa é a nossa pedra fundamental, os serviços de utilidade pública devem ser veiculados livre de cobranças. Com cinco anos de história, as emissoras de radiodifusão confiam no nosso conteúdo”, comentou. A empresa irá lançar no Rio de Janeiro, dia 5 de agosto, uma campanha de TV com esclarecimentos sobre sintomas e mitos envolvendo a tuberculose em parceria com o Fundo Global de Tuberculose, Aids e Malária. “Nós não queremos que a pessoa use um determinado refrigerante ou compre determinado produto, mas sim que ela seja informada”, acrescentou.

No entanto, de acordo com a editora executiva da Agência Aids, Roseli Tardelli, 40% da verba publicitária nos principais veículos de comunicação no Brasil são do governo. “É óbvio que eles tratam o governo como clientes”, disse.

As redes de TV universitárias também foram focos das discussões. Segundo Daniel Souza, hoje a X Brasil possui parceria com 65 redes de TV da área acadêmica o que permite a produção de peças publicitárias regionais e mais específicas.

Para Roseli Tardelli, um dos segredos é a atuação conjunta. “Se não houvessem parcerias com diversos atores, como os ativistas e jornalistas, talvez não tivéssemos conseguido êxito na questão de atendimento aos soropositivos por planos de saúde”, disse ela em referência à década de 90 quando sua família foi a primeira a expor a questão em público.

O Seminário Controle Social e Tuberculose do Estado de São Paulo começou nesta quarta-feira (22) e segue até amanhã (23) em São Paulo. O público alvo são ONGs e conselheiros de saúde.

Rodrigo Vasconcellos/Agência de Notícias da Aids – 22.07.2009





No discurso de encerramento do IAS-2009, Graça Machel diz que na África devem ser colocadas em prática soluções que já existem para o combate da aids

23 07 2009

A participação da ativista pelos direitos humanos na África, Graça Machel, hoje casada com o ex-presidente sulafricano Nelson Mandela, foi o destaque da sessão de encerramento da 5ª Conferência Internacional sobre Patogênese, Tratamento e Prevenção, realizada pela Sociedade Internacional de Aids (IAS, em inglês) entre os dias 19 e 22 na Cidade do Cabo.

Moçambicana, mas “sul-africana de coração”, como se autodefine, Machel disse que “a África tem que deixar de ser um campo de pesquisa em aids para ser um campo de se colocar em prática as soluções que já existem para esta epidemia.”

Um dos problemas mais discutidos durante os quatro dias de seminário foi a diferença entre os bons tratamentos providos nos países ricos com os modernos antirretrovirais, enquanto nos países pobres os remédios mais baratos e antigos provocam muitos efeitos colaterais.

Nas nações desenvolvidas o tratamento da aids começa quando a imunidade do paciente, que é medida pelas células CD4, estão próximas a 350 cópias por milímetro cúbico de sangue, enquanto nas nações subdesenvolvidas isso só acontece quando a contagem está perto de 200.

“Eu não entendo muito sobre os assuntos científicos que vocês discutiram aqui nesta semana, mas sei muito bem que todos os dias milhares de africanos vão aos funerais dos seus parentes e amigos que morreram de aids”, protestou Machel.

A ativista criticou o G8, grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia, por ter encontrado da noite para o dia bilhares de dólares para conter a crise econômica mundial, mas que até hoje não tem prestado apoio financeiro suficiente para barrar a doença que já matou mais de 25 milhões de pessoas em todo o planeta.

“Para mim, o enfrentamento da aids não está na falta de dinheiro, mas na falta de consciência desses países”, enfatizou.

O presidente da IAS-2009, Julio Montaner, enalteceu a presença da ativista moçambicana porque, segundo ele, “ela tem o poder e a moral de olhar nos olhos de qualquer líder mundial e dizer ‘você não está fazendo a coisa certa.’”

O italiano Stefano Vella, presidente da próxima edição desta conferência, foi o último a falar. Ele ressaltou que a escolha da cidade de Roma, sede do evento entre os dias 17 a 20 de julho de 2011, representa o peso histórico que a cidade tem de unir os mais favorecidos do norte do hemisfério com os menos favorecidos do sul.

“Temos que terminar com essa história de medicamentos classe A para o norte do mundo e classe B para o Sul. Trata-se da mesma doença e temos que tratar todos os doentes da mesma forma.”

Avaliação

O presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Celso Ferreira Ramos Filho, fez uma avaliação do evento para a Agência de Notícias da Aids e destacou dois assuntos principais entre todas as plenárias: o início mais cedo do tratamento antiretroviral e o uso do tratamento como método preventivo.

“O quanto mais cedo começarmos o tratamento, mais chances teremos de evitar algumas doenças que não são tradicionalmente relacionadas com a aids, como a meningite, a diabete e muitas outras”, justificou.

Sobre o tratamento como prevenção, ele explicou que além de ser útil porque recruta a pessoa para a prevenção, contribui para deixar a carga viral indetectável, o que diminui as chances de transmissão.

Durante os quatro dias de conferência, participaram mais de 5800 pessoas de 123 países, sendo 360 voluntários e 299 profissionais da comunicação.

Lucas Bonanno, da Cidade do Cabo/Agência de Notícias da Aids – 22.07.2009





Cientistas descobrem o ‘elo perdido’ do vírus da aids

23 07 2009

Cientistas acreditam ter encontrado um “elo perdido” na evolução do vírus causador da aids. Ele preenche a lacuna entre um vírus que não faz mal a macacos infectados e outro que mata milhões de pessoas.

O elo é um vírus que está matando chimpanzés na natureza num ritmo alto, de acordo com estudo publicado na edição desta quinta-feira, 23, da revista científica Nature.

Chimpanzés são os primeiros primatas, além do homem, em quem se constata uma alta taxa de mortalidade, na natureza, causada por um vírus relacionado ao HIV. Os chimpanzés também são os primatas mais semelhantes ao ser humano.

A descoberta da doença afetando esses macacos poderá ajudar os médicos a descobrir melhores tratamentos, ou até mesmo uma vacina, para seres humanos, dizem especialistas.

O versão em macacos do vírus que causa a aids é chamada vírus da imunodeficiência símia (SIV), mas a maioria dos macacos e primatas que o adquirem não demonstra sintomas ou doença. Então, “se conseguirmos descobrir por que os macacos não adoecem, talvez possamos aplicar isso aos humanos”, diz a principal autora do estudo, Beatrice Hahn, da Universidade do Alabama em Birmingham.

O estudo dos chimpanzés em seu hábitat natural durou nove anos, no Parque Nacional Gombe, na Tanzânia, e determinou que chimpanzés infectados com SIV têm uma taxa de mortalidade de 10 a 16 vezes maior que os chimpanzés não infectados. E autópsias dos macacos infectados mortos mostraram contagem baixa de proteínas de leucócitos T, semelhantes aos níveis encontrados em humanos com aids.

Quando os cientistas analisaram o vírus responsável, descobriram que se trata de um parente extremamente próximo da primeira versão do HIV a infectar seres humanos.

“De um ponto de vista evolucionário e epidemiológico, estes dados podem ser encarados como o ‘elo perdido’ na história da pandemia de HIV”, disse o pesquisador de aids Daniel Douek, do Instituto nacional de Alergia e Doenças Infecciosas do governo dos EUA. Ele não tomou parte no estudo apresentado pela Nature.

Agência Estado – 22.07.2009





Cancro anal nos homens com VIH muito mais comum na era pós-HAART – pode a vacina contra o VPH ajudar?

23 07 2009

A incidência anual de cancro anal nas pessoas com VIH tem continuado a aumentar nos últimos anos, encontrando-se agora nos 128 casos por 100 000 pessoas, ou seja, um caso por cada 784 pessoas. Os dados foram apresentados durante a 5a Conferência da IAS, na quarta-feira, por Nancy Crum-Cianflone, do Infectious Disease Clinical Research Program (Programa de Investigação Clínica de Doenças Infecciosas) dos EUA. Note-se que este valor é quase cem vezes maior do que o da população em geral (1.4 por 100 000).

Numa outra comunicação, Stephen Berman, do Veterans Administration Healthcare System, revelou que os dados de um estudo realizado em veteranos das forças armadas co-infectados com VIH e VPH (Vírus do Papiloma Humano) indiciavam que até 89% dos homens com VIH poderiam retirar, pelo menos, algum benefício de uma das vacinas para o VPH actualmente aprovadas; para 53% deles, o benefício poderia mesmo ser substancial, isto na ausência de um compromisso da resposta imune normal à vacina decorrente da infecção pelo VIH.

No primeiro estudo, os investigadores analisaram a incidência de cancro anal nas pessoas seropositivas para o VIH entre 1985 e 2008. Os números foram obtidos a partir do U.S. Military Natural History Study.

Dessa forma, um total de 4 901 participantes infectados com o VIH – 55% dos quais com data de seroconversão conhecida – contribuíram com 40 951 pessoas anos de follow up.

Foi, pois, neste grupo que os investigadores procuraram estudar a associação entre as contagens de CD4s, o uso de terapêutica anti-retroviral (TARV), as doenças definidoras de SIDA, as infecções sexualmente transmitidas (ISTs) e o risco de desenvolvimento de cancro anal.

Este cancro foi, assim, diagnosticado em 20 doentes, todos homens, 55% dos quais caucasianos. Na altura do diagnóstico do cancro, a idade média dos afectados era de 42 anos, tendo-se registado 40% dos casos abaixo dos 40 anos.

A taxa de incidência deste cancro foi cinco vezes mais elevada na era pós-HAART do que na pré-HAART, tendo a incidência anual passado de 11 casos por 100 000 pessoas, antes de 1996, para 55 por 100 000, no período 1996-2008.

Ao longo dos anos pós-HAART, a incidência aumentou de 13.4 por 100 000 no período 1996-2000 para 51 por 100 000 nos anos 2001-2005 e 128 por 100 000 entre 2006 e 2008.

Constatou-se também que a incidência foi consideravelmente mais elevada nas pessoas com mais tempo de infecção pelo VIH. No grupo de pessoas com menos de 10 anos de infecção, a incidência verificada foi de 28 por 100 000; nas pessoas com 10-15 anos de infecção, a incidência foi de 63 por 100 000; finalmente, nas pessoas com mais de 15 anos de infecção, o valor foi de 348 casos por 100 000 – um caso por 288 doentes por ano.

Na análise multivariada, apenas o diagnóstico de SIDA e o nadir de CD4s mostraram associação com o cancro anal. Assim, o facto de se ter tido uma doença definidora de SIDA aumentava o risco de cancro em 3.4 vezes. Por outro lado, por cada 50 células/mm3 que o nadir de CD4s subisse, o risco de cancro decrescia em 15%.

A gonorreia também se encontrava marginalmente associada com o cancro anal, ao contrário da HAART, que não mostrou ser protectora contra o seu desenvolvimento (p = 0.19).

Poderá a vacina do VPH ajudar?

No outro estudo já referido neste artigo, realizado em antigos membros das forças armadas dos EUA, o Dr. Stephen Berman investigou a infecção pelo VPH (nos seus vários subtipos) em 62 homens seropositivos para o VIH, 90% dos quais gays e 90% também dos quais sob HAART e com carga viral indetectável.

“Têm sido publicados muito poucos dados sobre a capacidade das pessoas seropositivas para o VIH responderem ao Gardasil® [a vacina quadrivalente para o VPH]”, referiu o autor. “Será que elas conseguem desenvolver uma resposta serológica adequada? E que subgrupos poderão ou não beneficiar da vacina?”.

O estudo incluiu, pois, a análise serológica dos participantes, para ver se estes tinham anticorpos para os subtipos 16 e 18 do VPH. Estes subtipos, as duas variantes de ‘alto risco’ mais frequentes do VPH, são responsáveis por 70% dos casos de cancro anal e cervical (cervical = do colo do útero, na mulher). As vacinas actualmente disponíveis, Gardasil® e Cervarix®, produzem um elevado nível de protecção contra estas estirpes, em pessoas que não estejam já por elas infectadas.

Além disso, o Gardasil® protege também contra a infecção pelos subtipos 6 e 11, responsáveis por cerca de 95% das lesões virais não-malignas.

Aos participantes foi também realizado um esfregaço anal, para detectar células pré-malignas, bem como um rastreio anal, para detectar DNA do VPH, elemento que indica a presença de vírus em reprodução activa. Os doentes recebiam, então, a dose inicial de Gardasil®.

As segunda e terceira doses eram depois administradas aos meses 2 e 6. Ao mês 7 eram realizados novamente testes para os anticorpos contra o VPH, DNA do VPH e células pré-cancerosas.

Os resultados mostraram que 34% dos homens do estudo tinham, inicialmente, anticorpos para o VPH-16, 6.4% para o VPH-18 e 3.2% para ambos. A maioria (56.5%), portanto, não tinha anticorpos para as duas estirpes do VPH com maior potencial carcinogénico, isto é, maior potencial para produzir cancro anal e genital.

Sessenta e três por cento dos homens tinham DNA do VPH (de qualquer dos tipos de alto risco) detectável nas amostras anais, e 22.6% dos homens apresentavam DNA do VPH dos subtipos 16, 18 ou ambos. Isto significa que 40% dos homens apresentavam infecção activa por outros tipos de VPH (embora os subtipos que não são o 16 e o 18 estejam associados com uma progressão muito mais lenta para cancro).

O autor do estudo referiu que os homens com DNA detectável poderiam ser ou homens com uma infecção relativamente recente e uma resposta imunitária normal, ou homens com uma infecção prolongada e uma resposta imunológica atrasada ou inexistente.

Os últimos apresentam um risco maior de desenvolver cancro.

Nas pessoas seronegativas para o VIH, os anticorpos para o VPH desenvolvem-se 6-9 meses depois da infecção, acabando por eliminá-la do organismo. Este processo, porém, encontra-se atrasado e atenuado nas pessoas com VIH, o que, provavelmente, estará por trás das taxas de cancro mais elevadas.

Doze indivíduos apresentavam células anais anormais, seis dos quais lesões intra-epiteliais pré-malignas. Destes doze, dez apresentavam DNA do VPH detectável, três dos quais correspondiam a VPH-16, três a VPH-16 e VPH-18 (co-infecção), e quatro a outros tipos (que não o 16 ou o 18).

Registou-se, por outro lado, um total de 11% de doentes com anticorpos quer para o VPH-16, quer para o VPH-18, e com evidência de material genético destas estirpes, situação indicativa de uma resposta de anticorpos ineficaz.

Em resposta a uma pergunta colocada no fim da apresentação, Berman referiu ser possível que a administração a estes homens da vacina do VPH talvez pudesse vir a desencadear uma resposta muito mais forte, que talvez pudesse resultar na eliminação da infecção, “mas a Merck (fabricante do Gardasil®) não dispõe de qualquer dado sobre a eficácia da administração da vacina a pessoas com infecção já existente”.

No conjunto, 53% dos homens não tinha evidência nem de exposição nem de infecção pelos VPH 16 e 18, podendo provavelmente por isso retirar um importante benefício da administração da vacina (desde que a infecção pelo VIH não comprometa, é certo, a resposta imunitária).

Entretanto, 35% apresentava uma das estirpes, podendo por isso beneficiar, pelo menos, da vacinação contra a outra estirpe.

Becker comentou que a proporção de homens com anticorpos para o VPH-16 era mais elevada do que a anteriormente reportada. Contudo, dado que 40% dos homens apresentavam sinais de infecção activa por subtipos que não o 16 ou o 18, uma segunda geração de vacinas polivalentes deveria ser desenvolvida.

Referências

Crum-Cianflone N et al. Anal cancers among HIV-infected persons: HAART is not slowing rising incidence. 5th IAS Conference on HIV Treatment, Pathogenesis and Prevention, Cape Town, abstract WeB101, 2009.

Berman S et al. Seroprevalence of antibodies to HPV-16 and HPV-18, and correlation with the presence of HPV DNA and anorectal cytologic abnormalities in a cohort of HIV-positive men involved in a study of HIV-positive men receiving the quadrivalent HPV vaccine, Gardasil. 5th IAS Conference on HIV Treatment, Pathogenesis and Prevention, Cape Town, abstract WeB102, 2009.

nam – 23.07.2009