V Conferência da IAS sobre Patogénese do VIH, Tratamento e Prevenção

22 07 2009

Quarta-feira, 22 de Julho 2009
Conteúdos
»As rugas genitais de estirpes de alto risco aumentam o risco de infecção pelo VIH
»Uma toma diária de Kaletra® é segura e eficaz em doentes experimentados
»Novo inibidor da integrase obtém bons resultados na fase inicial de ensaios clínicos
»O tratamento com lopinavir potenciado com ritonavir tem uma boa relação custo-eficácia em mulheres expostas a uma dose única de nevirapina
»As taxas de tuberculose (TB), diarreia e desnutrição aumentaram após o colapso da economia no Zimbabué
»O VIH e a Tuberculose Resistente
»Cobertura IAS 2009 pela NAM
»Análise on-line por especialistas através do nosso parceiro oficial Clinical Care Options





UGANDA: Adolescentes seropositivos convivem com exclusão e isolamento

22 07 2009

AMURU, 22 Julho 2009 (PlusNews) – Charity Lapolo*, 15 anos, estudante em Gulu, no norte da Uganda, esconde-se duas vezes por dia para tomar seus medicamentos antiretrovirais (ARVs), com medo que outros estudantes descubram que ela é seropositiva.

Na escola em que ela estudava antes, quando descobriram seu estado, chamavam-na de “cadáver ambulante”. Era insuportável e se era vista a tomar os remédios, vinham mais insultos; ninguém queria ser meu amigo”, disse ela.

Para acabar com a intimidação, Lapolo parou de tomar seus remédios e quase morreu. “Eu jogava os remédios na privada da escola; perdi peso e fiquei muito magra e doente. Fiquei internada no hospital Lacor [em Gulu] durante várias semanas – felizmente sobrevivi.”

Par tomar seus remédios de manhã, ela fica no dormitório a esperar que os outros saiam para ir à escola e arrisca ser punida por chegar atrasada; à noite, ela espera que eles saiam para os cursos nocturnos para tomar a segunda dose.

Luta contra o vírus e o isolamento

O estigma no norte da Uganda é muito forte, e os jovens que vivem com o HIV geralmente têm que lutar sem apoio algum contra a intimidação e o sentimento de isolamento. Segundo a ONG local Fórum de Pessoas Vivendo com o HIV, estima-se que 11 mil crianças sejam seropositivas em Gulu e Amuru, distrito vizinho.

“Eu deveria sair da escola para continuar a tomar meus ARVs e viver mais, ou parar de tomar os medicamentos e continuar minha educação?” perguntou outra rapariga da mesma escola, que contou à PlusNews que toma seus remédios escondida no banheiro.

Muitos adolescentes acham que a adolescência é um período difícil, mas ela é ainda mais difícil para jovens seropositivos que não têm quem os apoie.

''Conselheiros geralmente aconselham os adolescentes seropositivos a abster-se de relações sexuais''

Sensibilização

Uma jovem do distrito de Amuru disse que deveria haver aulas de sensibilização aoHIV em sua escola, para que os alunos fossem mais informados sobre os riscos. “Dois rapazes da minha classe apaixonaram-se por mim, mas eu disse-lhes que era seropositiva; eles insistiram a dizer que usariam o preservativo, mas eu recusei.”

Um estudo conduzido em 2008 pela ONG internacional Conselho da População, mostrou que embora os adolescentes ugandenses infectados com o HIV fossem sexualmente activos e tivessem as mesmas aspirações que os seronegativos, havia grandes lacunas em sua maneira de lidar com suas necessidades sexuais e de saúde reprodutiva.

“Muitos programas partem do princípio que jovens seropositivos são asexuados”, mostrou o estudo. “Provedores de serviços e conselheiros geralmente aconselham os adolescentes seropositivos a abster-se de relações sexuais.”

Necessidades especiais

As refeições servidas na escola são geralmente pequenas porções de pouco valor nutricional, mas os alunos seropositivos não podem pedir uma melhor alimentação sem serem identificados.

“Depois de tomar meus remédios, eu não consigo ficar na classe, eu me sinto fraco e minha vista fica embaçada”, disse John Ocen*.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo calórico de crianças infectadas que apresentam perda de peso aumente de 50 a 100 por cento dos consumo aconselhado a crianças não infectadas.

O oficial da educação do distrito de Amuru, Ben Okwamoi, disse que a alimentação nas escolas, já inadequada, tinha piorado com o aumento do preço dos alimentos.

Segundo Okwamoi, escolas primárias e secundárias deveriam ter aulas de sensibilização ao HIV. “Todas as escolas deveriam ter grupos HIV/SIDA que tratassem de alguns dos problemas mencionados por estas crianças. As crianças que estigmatizam outras crianças deveriam ser punidas para evitar que outros desenvolvam este tipo de comportamento”.

Seu correspondente do distrito de Gulu, Vincent Ochieng, disse que seu departamento notou um comportamento negativo dos alunos em relação a seus pares seropositivos e que estas medidas deveriam ser reforçadas; alunos seropositivos deveriam dispor de uma rede de apoio para que não sintam-se isolados.

PlusNews – 22.07.2009





O inibidor da integrase em fase experimental GSK-572 apresentou bons resultados nos primeiros estudos

22 07 2009

De acordo com um grupo de investigadores cujos resultados foram apresentados na 3ª feira, na 5ª Conferência da International AIDS Society sobre Patogénese, Tratamento e Prevenção do VIH, a decorrer na Cidade do Cabo, na África do Sul, o inibidor da integrase de 2ª geração GlaxoSmithKline’s S/GSK1349572 ou, de forma abreviada, GSK-572, demonstrou ter muito boa actividade anti-VIH, em monoterapia, num estudo que decorreu ao longo de dez dias.

Os estudos laboratoriais e os primeiros ensaios em humanos haviam mostrado que o GSK-572 tem um potente efeito anti-VIH e atingiu níveis elevados e estáveis no organismo, o que o torna adequado para uma administração em toma única diária e afasta a necessidade de administração concomitante de ritonavir [o tradicional fármaco potenciador de outros fármacos ARVs – N. do T.].

Depois de conhecidos estes elementos, os investigadores procuraram, então, avaliar a segurança e eficácia da substância, em monoterapia, em pessoas com VIH, sem experiência anterior de tratamentos com outros inibidores da integrase.

Assim, num ensaio multicêntrico e controlado de fase 2, um total de 35 participantes foram distribuídos aleatoriamente em 4 grupos: três grupos a receber o GSK-572 em três doses diferentes (2 mg, 10 mg ou 50 mg), e um quarto a receber apenas placebo. Todos os participantes eram homens e a maioria brancos.

Como já foi dito, nenhum dos participantes tinha experiência com inibidores da integrase, embora pudessem ter tido ou não experiência com outros grupos de fármacos ARVs. O fármaco experimental foi administrado durante dez dias, tempo durante o qual os participantes não tomaram qualquer outro medicamento ARV.

Depois dos dez dias de tratamento, a carga viral média do VIH desceu entre 1.51 e 2.46 log10 cópias/ml nos três braços do grupo a fazer o GSK-572. Valores que contrastam com a subida de 0.5 log10 cópias/ml na caga viral registada nos doentes a tomar placebo.

Os investigadores classificaram a descida de quase 2.5 log10 cópias/ml verificada no grupo dos 50 mg de descida “sem precedentes”. A dose de 10 mg produziu uma descida da carga viral de cerca de 2 log10 cópias/ml, semelhante às descidas observadas com outros inibidores da integrase e fármacos potentes de outras classes.

Quando os investigadores foram analisar a carga viral dos participantes do grupo das 50 mg, descobriram que 70% haviam atingido o valor mais baixo de carga viral – abaixo das 50 cópias/ml -, enquanto 90% apresentavam menos de 400 cópias/ml.

Nos grupos das 2 e 10 mg, contudo, embora cerca de 60% tenha atingido as menos de 400 cópias/ml, poucos foram os que conseguiram atingir um valor inferior a 50 cópias/ml.

Quanto à contagem de CD4s, ela subiu em cerca de 15 para as 106 células/mm3 nos participantes que tomaram o GSK-572. No grupo do placebo, contudo, registou-se uma descida. O efeito clínico das alterações nas células CD4s num tão curto intervalo de tempo é, porém, pouco claro.

Em termos gerais, o GSK-572 foi bem tolerado. Não foram reportados efeitos adversos graves e nenhum dos participantes saiu do ensaio devido a eventuais efeitos secundários ou por qualquer outra razão.

Os efeitos adversos mais referidos foram a diarreia, o cansaço e as dores de cabeça, habitualmente ligeiros ou moderados. A maioria dos efeitos adversos ocorreu no grupo do placebo, mas as dores de cabeça foram mais frequentes entre as pessoas que tomaram a dose mais elevada do fármaco.

Finalmente, os investigadores não encontraram evidência de que o GSK-572 fosse responsável por qualquer alteração cardíaca ou laboratorial.

A susceptibilidade do VIH ao fármaco manteve-se inalterada desde o início. Nenhum dos participantes desenvolveu mutações associadas a resistência ao fármaco ou a outros inibidores da integrase.

Por fim, a equipa de investigação apresentou quatro posters ao Congresso, descrevendo os estudos laboratoriais pré-clínicos e os primeiros ensaios em humanos. Nos estudos de laboratório, o 572 mostrou ser activo contra o VIH de pessoas em falência terapêutica para o inibidor da integrase aprovado, o ratelgravir (Isentress®), sugerindo que pode ser activo contra vírus resistentes ao ratelgravir.

Num estudo com voluntários VIH-negativos, o 572 mostrou uma farmacocinética (isto é, a forma como a substância é processada no organismo) estável e consistente, mostrou que poderia ser tomado com ou sem comida e não apresentou nenhuma tendência para interagir com outros fármacos.

Um ensaio de fase 2b está a começar este mês, para estudar a dose de 50 mg num número mais alargado de doentes.

nam – 22.07.2009





IAS 2009: Organização africana especializada em circuncisão critica o método como prevenção do HIV

22 07 2009

A remoção do prepúcio do pênis vem sendo mostrada em alguns estudos – inclusive durante esta conferência promovida pela Sociedade Internacional de Aids (IAS, em inglês) na Cidade do Cabo – que pode proteger biologicamente o homem em até cerca de 60% da infecção do HIV quando comparado aos homens não circuncidados.

Para aqueles que fizeram a circuncisão, a chance de ocorrer sangramento do pênis no ato sexual é menor, o que automaticamente diminui as chances de infecção do HIV, explicam os especialistas.

Mas para o diretor adjunto da NOCIRC na África do Sul, Shelton Kaye, promover a circuncisão masculina é transmitir uma mensagem errada contra o HIV, pois pode criar um falso senso de proteção para os homens, além de colocar as mulheres numa posição ainda mais vulnerável à infecção.

“Já existem homens que por serem circuncidados acreditam que não precisam de preservativo”, afirmou Kaye. “O custo benefício da promoção da camisinha na prevenção do HIV é 95 vezes maior do que da circuncisão”, acrescentou.

De acordo com os dados mostrados por esta organização e que se referem aos impactos demográficos na área da saúde em países africanos, entre 2003 e 2006, a prevalência do HIV entre os circuncidados dos Camarões é de 4.1%, enquanto entre os não circuncidados é de 1.1%, na Tanzânia a diferença é de 6.5 para 5.6% e no Zimbábue de 16.6 para 14.2.

O levantamento também mostra grandes diferenças em prol da circuncisão, como é o caso do Quénia que tem uma prevalência do HIV de apenas 3% entre homens circuncidados contra os 12.6 entre os não circuncidados e de Uganda, cuja diferença é de 3.8 para 5.6.

No entanto, a NOCIRC acredita que a circuncisão masculina apenas retarda a infecção do HIV e não pode ser usada como uma estratégia global de prevenção.

“A promoção da circuncisão masculina para a prevenção do HIV é repleta de sérios problemas relacionados à logística, à questão monetária e à ética. Aqueles que propõem este método ainda não sugeriram um sistema para monitorar e avaliar o sucesso desta estratégia. É claro que todo o mundo está procurando uma solução rápida contra a aids, mas isto não é a circuncisão”, finalizou Shelton Kaye.

Lucas Bonanno, da Cidade do Cabo /Agência de Notícias da Aids – 22.07.2009





IAS 2009: Ativistas pedem por mais dinheiro contra aids e quebra das patentes dos medicamentos

22 07 2009

Réplicas do dólar norte-americano com imagens de alguns líderes internacionais foram usadas por ativistas em saúde como estratégia para chamar a atenção da imprensa presente nesta terça-feira, 21, na 5ª Conferência Internacional sobre Patogênese, Tratamento e Prevenção, promovida pela Sociedade Internacional de Aids (IAS, em inglês) na Cidade do Cabo.

A cédula com a foto do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, traz o valor de 700 bilhões de dólares gastos para socorrer a economia mundial; a do ditador líbio Muamar Kadafi os 148 bilhões anuais desperdiçados com a corrupção no continente africano; e a do Presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, os 250 mil usados para seu aniversário de 85 anos.

Para cada um desses valores, a organização Aliança para os Direitos relacionados à área da Aids na África Austral (ARASA, em inglês) sugere um uso no enfrentamento da epidemia.

O montante gasto com a crise econômica é cem vezes mais que o orçado para este ano no Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para Combate da Aids (PEFPAR); com a corrupção africana é o equivalente ao tratamento de 704 milhões de pessoas com antiretrovirais durante um ano; e a festa do Mugabe salvaria mais de 10500 pessoas com medicamentos para tuberculose.

“Essa é uma prova de que não há desculpa de falta de dinheiro para a aids”, disse a representante da ARASA, Paula Akugizibwe. “Não estamos aqui para pedir dinheiro para uma festa, mas dinheiro para salvar a vida de milhares de pessoas”, acrescentou.

David Sander, da organização internacional Movimento para a Saúde da População, reforçou que é lamentável que ainda milhares de pessoas morram de uma doença que pode ser prevenida e tratada.

“O valor gasto para combater a aids é uma escolha de quantas pessoas vão morrer ou não. Quanto menos se investe contra a aids, mais pessoas morrem”, finalizou.

Medicamentos bons e baratos

Também nesta terça-feira dezenas de ativistas caminharam até a sala de imprensa com cartazes que pediam o licenciamento compulsório dos medicamentos antiretrovirais.

Chamando os laboratórios farmacêuticos de “gananciosos” e “assassinos”, os militantes criticaram os altos preços dos medicamentos contra a aids, sobretudo daqueles de segunda linha.

“Por conta das patentes que protegem os novos medicamentos, nós africanos em tratamento antiretroviral temos que conviver com efeitos colaterais que já não afetam mais as pessoas dos países ricos”, comentou a sula-africana Julie Dakugizi. “Queremos medicamentos bons por um preço justo”, completou.

A Coordenadora da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), Cristina Pimenta, participou da manifestação e criticou as farmacêuticas por se preocuparem muito mais com os seus lucros do que com a vida de milhares de pessoas.


Manifestante pede licença compulsória de remédios na IAS 2009

Lucas Bonanno, da Cidade do Cabo/Agência de Notícias da Aids21.07.2009





IAS 2009: Brasileiro é o ganhador do prêmio jovem investigador na área de ciências básicas

22 07 2009

Com apenas 34 anos, o biólogo e professor adjunto do Departamento de Genética da Universidade do Rio de Janeiro Renato Santana de Aguiar entrou para o grupo de importantes pesquisadores na área do HIV.

Ele recebeu da Sociedade Internacional de Aids (IAS, em inglês) e da Agência Nacional Francesa de Investigação para a Aids (ANRS) o prêmio de jovem investigador na área de ciências básicas.

Durante um ano e meio de pesquisa, desenvolvida no Brasil e nos Estados Unidos, Aguiar encontrou a ilha de processamento do RNA viral (pbodies, em inglês), ou seja, o local em que o HIV interage com a proteína viral da célula para, a partir daí, se replicar pelo corpo humano.

Com essa descoberta, ele conseguiu atuar no processo de proliferação do HIV, criando um efeito em que as cópias do vírus saem das células menos infecciosas.

“O próximo passo agora é saber se este efeito que criamos não vai ser tóxico à célula”, disse.

Caso este processo mate a célula não seria viável para a saúde da pessoa envolvida mas, se isso não ocorrer, novos medicamentos poderiam ser criados a partir deste princípio de enfraquecimento da infecciocidade do HIV depois que sai da célula.

O jovem pesquisador disse estar muito orgulhoso em ter sido premiado numa conferência em que participam vários pesquisadores internacionais, como a codescobridora do HIV, Françoise Barré-Sinoussi.

“No Brasil temos excelentes pesquisadores, mas ainda é muito caro fazer pesquisas no país. Temos que importar muitos materiais”, comentou.

Ele explicou que a possibilidade de ter feito parte da pesquisa nos Estados Unidos foi essencial, pois o custo de alguns reagentes usados em seu estudo saiu cinco vezes mais barato do que se estivesse no Brasil e fosse obrigado a importar.

Aguiar foi premiado durante a 5ª Conferência Internacional sobre Patogênese, Tratamento e Prevenção, que termina hoje na Cidade do Cabo.

Além do reconhecimento internacional, ele leva para o Rio de Janeiro um cheque no valor de US$ 2 mil.

Lucas Bonanno, da Cidade do Cabo/Agência de Notícias da Aids – 21.07.2009





Presidente de Moçambique diz que abertura da Agência de Notícias de Resposta ao Sida em seu país contribuirá muito para a luta contra a aids

22 07 2009

O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, comemorou, na tarde desta terça-feira (21), a inauguração do escritório da Agência de Notícias da Aids em Maputo, capital moçambicana. Ele deu uma coletiva de imprensa num hotel em Brasília, depois de almoçar com o presidente Lula no Itamaraty.

Sob a coordenação da jornalista Roseli Tardelli, editora executiva e criadora da Agência de Notícias da Aids no Brasil, o projeto abrirá as portas em Moçambique no dia 13 de agosto com o objetivo de fazer da informação uma arma contra a doença. “Conhecer o ambiente social do país é importante para que as mensagens da agência sejam bem entendidas”, disse Guebuza. “Essa é uma iniciativa que em muito contribui para a mobilização na luta contra a aids.”

A escolha de Maputo para a abertura da agência está baseada em assombrosas estatísticas. Dados divulgados em dezembro último, por ocasião do Dia Mundial de Combate à Aids, estimam que 14% da população moçambicana, com idade entre 15 e 49 anos, está infectada com o vírus HIV. Aos números, somam-se 500 novos casos de aids registrados por dia, num país com aproximados 20 milhões de habitantes.

Em Moçambique, o projeto ganhou o nome de Agência de Notícias de Resposta ao Sida e conta com a parceria do Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids), da Onusida (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids em Moçambique, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do CICT (Centro Internacional de Cooperação Técnica em HIV/Aids) e do MISA (Media Institute of Southern Africa. A intenção é reproduzir lá a experiência desenvolvida aqui no Brasil e fazer um intercâmbio de informações. O jornalista brasileiro Lucas Bonanno está em Moçambique desde o começo do ano, implantando o projeto. Outros repórteres daqui irão para lá, a partir do dia 3 de agosto.E a vinda de jornalistas africanos para o Brasil, a fim de conhecer na prática a realidade daqui, também faz parte do projeto.

As preocupações em aplacar o avanço da aids em Moçambique também estiveram retratadas no segundo dia de visita de Guebuza ao Brasil – o primeiro foi ontem (20), quando ele e sua comitiva estiveram no Rio de Janeiro, falando sobre o tema na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ontem, em almoço com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Itamaraty, ficou definido que a fábrica de medicamentos contra a aids a ser construída em Maputo passará a produzir os primeiros lotes de antirretrovirais no próximo ano. A Fiocruz apoia a criação da unidade fabril, prometida há cinco anos pelo Brasil ao governo moçambicano. “Estamos em fase final de preparação, já contratamos parte do pessoal. Acredito que, em 2010, passaremos a funcionar”, comentou Guebuza.

PARCERIA COM MISA
Parceira executiva da Agência de Notícias da Aids nesta iniciativa, a representação em Moçambique do MISA, sigla em inglês para Instituto de Comunicação para a África Austral, atua formalmente em Maputo desde 2000. Tem como objetivo promover e defender a liberdade de expressão e de imprensa, contribuindo assim para o desenvolvimento sócio-econômico do país com a promoção do pluralismo na comunicação social e da monitoria das ações do governo.

Carolina Caraballo, de Brasília/Agência de Notícias da Aids – 21.07.2009





Departamento de DST e Aids abre seleção para 12 artigos sobre o perfil da epidemia no Brasil

22 07 2009

O Departamento de DST e Aids vai selecionar 12 artigos que abordem o perfil do HIV/aids e DST no Brasil. Os textos sobre os aspectos epidemiológico das doenças, além de inéditos, deverão conter subsídios para melhor entendimento da epidemia no país.

Os trabalhos deverão retratar populações vulneráveis (gays, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, travestis, e usuários de drogas injetáveis). O estudo pode discorrer também sobre a disseminação do HIV/Aids e DST por populações “ponte” como bissexuais e usuários de drogas. A convocatória contempla ainda questões que relacionam aids a doença crônica, orfandade, população carcerária e transmissão vertical.

As linhas de pesquisas da chamada estão divididas em:

* Impacto demográfico do HIV e da aids
* Populações vulneráveis à infecção pelo HIV
* Impacto do HIV e da aids
* Comportamento, atitudes e práticas da população brasileira frente ao HIV e a aids
* Transmissão vertical do HIV
* Transmissão vertical da sífilis
* Epidemiologia da sífilis adquirida, síndrome do corrimento uretral masculino, HTLV e HPV

Uma comissão julgadora formada por especialistas da área ficará responsável pela conferência e classificação do material submetido à seleção. Além dos aspectos técnicos-científicos serão levados em conta relevância, resultados e conclusões das publicações. Cada candidato poderá apresentar apenas um artigo como autor principal.

Os autores principais dos 12 artigos escolhidos receberão um prêmio de R$ 2,5 mil. As obras passarão a ser propriedade do Ministério da Saúde, sujeitas a reprodução parcial ou total, mantidas a autoria e referência. Além disso, o material será submetido à seleção para possível publicação em edição especial dos Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz.

Os demais procedimentos do processo seletivo bem como o endereço para envio de propostas podem ser consultados na convocatória da chamada para seleção disponível no Portal Aids. A inscrição encerra no dia 21 de setembro, data limite para postagem do trabalho. O resultado será divulgado por meio do site até o dia 16 de novembro.

Veja aqui o edital.

Fonte: Departamento de DST e Aids

Agência de Notícias da Aids – 21.07.2009





Seminário em SP discute tuberculose no estado

22 07 2009

Conselheiros de Saúde, lideranças comunitárias, profissionais de saúde e ativistas estarão reunidos em São Paulo, nos dias 22 e 23 de Julho, no Seminário Controle Social e Tuberculose do Estado de São Paulo. Durante dois dias serão debatidas questões relacionadas com a patologia na região e as ações a serem desenvolvidas para ampliação do seu controle.

Os debates terão início às 9h do dia 22 de julho com o painel “Controle Social e Tuberculose: Efetivação e Interface” que terá como expositor o deputado federal Chico D´angelo, Presidente da Frente Parlamentar de DST/Aids da Câmara Federal, e debatedores o Conselheiro Nacional de Saúde, José Marcos Oliveira e o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, Carlos Duarte.

Posteriormente o coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, Draurio Barreira, apresentará um panorama da tuberculose no país e na região sudeste. Os debates seguem tratando de temas relacionados à coinfecção HIV/tuberculose, comunicação e mobilização social e tuberculose multirresistente, entre outros pontos.

Serviço:

Seminário Controle Social e Tuberculose do Estado de São Paulo.

Dias 22 e 23 de Julho

Hotel Matsubara – Rua Cel. Oscar Porto, 836 – Paraíso – Fone: (0XX11) 3561-5000

Programação

22 de Julho de 2009

9h – Abertura

Dr Draurio Barreira Programa Nacional de Controle da Tuberculose

Dr. Jaime Pedro Valdivia Almanza Cônsul Geral da Bolívia em São Paulo

Drª Necha Goldgrub Programa Estadual de Tuberculose de São Paulo

Dep. Federal Chico Dangelo.

Presidente da Frente Parlamentar de DST/Aids da Câmara Federal

Cons. Clara Alice dos Santos das Chagas Rosa Conselho Estadual de Saúde de São Paulo

Cons José Marcos Oliveira – Conselho Nacional de Saúde

Nadja Faraone – Rede Paulista de Controle da Tuberculose de São Paulo

9h20 – Debate de Abertura

Controle Social e Tuberculose: Efetivação e Interfaces

Expositor -Dep. Federal Chico D’angelo.
Presidente da Frente Parlamentar de DST/Aids da Câmara Federal

Debatedores:

José Marcos Oliveira (CNS)
Carlos Duarte (CES/RS)
Coordenação – Liandro Lindner (PNCT/MS)

10h20 – Debates

11h20 Painel

Panorama da Tuberculose no Brasil e na Região Sudeste

Draurio Barreira (PNCT/MS)

11h40 – Espaços para Perguntas

12h30 – Almoço

14h Espaços e Atores de Articulação em Tuberculose

Ana Gloria Pires Parceria Brasileira contra a Tuberculose
Cristina Boaretto Núcleo FIOTEC/Fundo Global
Patricia Werlang GAPA/RS
Beto Volpe Hipupiara Santos SP
Coordenação – Mauritânia Pereira SCDH/ DN DST/Aids

15h Espaço para perguntas

15h30min Comunicação, Advocacy e Mobilização Social em Tuberculose

Daniel Souza – X Brasil

Nadja Faraone – Rede Paulista de Controle da Tuberculose

Roseli Tardelli – Agência de Notícias da Aids

Coordenação – José Carlos Veloso GAPA/SP

17h – Coffee Break

23 de Julho de 2009

9h Coinfecção, MDR e Novo Tratamento

Leda Jamal CRT/SP Co-infecção TB/HIV
Margareth Dalcolmo CRHF TB MDR
Denise Arakaki – PNCT/MS

Coordenação: Necha Goldgrub Programa Estadual de Tuberculose de São Paulo

10h – Espaço para Perguntas

10h45 – Populações Vulneráveis e Tuberculose

Rosane Ribas PM DST/Aids Santo André – População de Rua

José Marmo da Silva Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde

Alexandra Sanches SES/RJ Núcleo FIOTEC/Fundo Global – População Prisional

Coordenação: Rodrigo Pinheiro Fórum de ONG/Aids de São Paulo

12h – Espaço para Perguntas

12h30 – Almoço

14h Experiências de atuação no enfretamento de questões sociais

Soninha Francine Sub prefeitura Lapa (SP)

Rita Smitt GAEXPA

Marta Macbriton – BARONG

Bruno Gomes – É de Lei SP

Coordenação: Julio Caetano GADA/SP

15h30min Espaço para perguntas

16h – Avaliação do Encontro

17h – Café de Encerramento

Fonte: Programa Nacional de Controle da Tuberculose

Agência de Notícias da Aids – 21.07.2009