V Conferência sobre Patogénese do VIH, Tratamento e Prevenção, Cidade do Cabo

20 07 2009

V Conferência da IAS sobre Patogénese do VIH, Tratamento e Prevenção
19 a 22 de Julho de 2009Parceiro Oficial de notícias on-line da IAS 2009
 
Segunda-feira, 20 de Julho 2009
Conteúdos
»O VIH é uma doença excepcional – como tal, merece um financiamento excepcional
»Mantenham as vossas promessas sobre a SIDA, é o apelo feito ao G8 na IAS
»Alterar as prioridades da prevenção do VIH na área biomédica
»A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai consultar a comunidade de pessoas que vivem com VIH sobre novas linhas de orientação sobre os tratamentos
»Discussões online
»Análise on-line por especialistas através do nosso parceiro oficial Clinical Care Options
Tradução disponibilizada por: GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
As hiperligações no boletim são para páginas em inglês, caso não seja referido o contrário. Para mais informações em outros idiomas visite a respectiva secção do aidsmap:
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O VIH é uma doença excepcional – como tal, merece um financiamento excepcional
A infecção pelo VIH/SIDA é uma doença especial e merece, por isso, uma resposta especial, afirmou Stephen Lewis, antigo Enviado Especial da ONU para a SIDA em África. [em português]
Foram estas as suas palavras na sessão de abertura da 5ª Conferência da International AIDS Society sobre Patogénese, Prevenção e Tratamento do VIH: “Percorri os países africanos de elevada prevalência do VIH durante mais de cinco anos; e se não me deparei com a mais excepcional das doenças transmissíveis do século 20, então a palavra ‘excepcional’ precisa de ser redefinida”.
Os críticos dos actuais níveis de financiamento do tratamento e prevenção da infecção agiram muitas vezes com base em sentimentos como a inveja ou o ressentimento, sugeriu Lewis.
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Webcast da sessão de abertura
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Mantenham as vossas promessas sobre a SIDA, é o apelo feito ao G8 na IAS
A conferência da IAS também abriu com um reparo, uma reprimenda às nações industrializadas líderes, pelo seu fracasso em cumprir a promessa de acesso universal à prevenção e aos tratamentos do VIH.
Em 2005, os líderes mundiais comprometeram-se a financiar o tratamento e a prevenção do VIH para todos aqueles que precisassem dos mesmos.
“Temos de responsabilizar os líderes do G8 pelo fracasso em cumprir as suas promessas” afirmou o Professor Julio Montaner, Presidente da Internacional AIDS Society.
A conferência deste ano tem lugar na Cidade do Cabo, na África do Sul, um país onde a prevalência do VIH em adultos é aproximadamente de 20%.
Foi dito aos delegados que o financiamento sustentado para os projectos de tratamento e prevenção para o VIH poderiam diminuir o número de infecções. O Professor Montaner lembrou que a incidência do VIH tinha descido em países que receberam financiamento do US President’s Emergency Programme for AIDS Relief (PEPFAR). “Que haja mais PEPFARs do que promessas vazias”, disse Montaner.
Numa demonstração prévia à cerimónia de abertura da conferência, activistas para o tratamento apelaram ao governo Sul-africano para aumentar o seu programa de tratamento da infecção pelo VIH. Actualmente 600 000 pessoas recebem medicamentos anti-retrovirais através do sistema de saúde pública do país, mas este número está longe dos objectivos pretendidos.
Em muitos locais de recursos limitados, a terapêutica anti-retroviral inclui d4T (estavudina), um medicamento associado a efeitos secundários graves. Os activistas querem que este medicamento seja substituído pelo tenofovir, que é uma opção mais segura.
Alterar as prioridades da prevenção do VIH na área biomédica
De acordo com os números divulgados na abertura da conferência, [em português] o financiamento para a investigação de uma vacina para o VIH diminuiu 10% em 2008, ao passo que houve um aumento significativo de dinheiro disponível para os microbicidas e para profilaxia pré-exposição (PREP).
Contudo, a diminuição do financiamento nas vacinas deveu-se mais ao término de dois grandes estudos do que ao abrandamento económico global.
“Enfrentamos enormes desafios – tanto a nível científico como económico – nos próximos anos, mas não devemos perder de vista o ímpeto que conseguimos. Esta área precisa de um apoio sustentado a partir de um leque variado de financiadores. A epidemia da SIDA não dá sinais de abrandamento e a desesperada necessidade de novas opções na área da prevenção não vai mudar”, afirmou Mitchell Warren, da AIDS Vaccine Advocacy Coalition.
Ao longo do último ano, a verba para a investigação de microbicidas aumentou 8% e para a PREP 13%. Pensa-se que estas duas opções podem ajudar a prevenir um número significativo de infecções e é provável que estejam disponíveis muito antes de uma vacina.Hiperligaçoes relacionadas
Adaptação do Relatório à Realidade
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai consultar a comunidade de pessoas que vivem com VIH sobre novas linhas de orientação sobre os tratamentos
As pessoas que vivem com VIH em países com baixos e médios rendimentos vão ser auscultadas durante o processo de desenvolvimento das novas linhas de orientação sobre tratamentos de VIH, da OMS, que se espera sejam publicadas em Novembro.
O processo de consulta terá início hoje (20 de Julho), no encontro promovido pelo anfitrião que será a Global Network of People Living with HIV (GNP+).
Serão discutidas as seguintes questões:
Como se pode comparar os custos dos cuidados versus os custos do acesso ao tratamento?
O que pensam as pessoas com infecção pelo VIH sobre o início precoce do tratamento e qual o seu papel na prevenção?
Que escolhas se devem fazer em difíceis situações de falência clínica quando há escassez de evidência?
Que aspectos dos cuidados para o VIH deveriam estar acessíveis para todos no sistema público de saúde?
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GNP+ site
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Discussões online
Durante e depois da V Conferência da IAS, o aidsmap.com será anfitrião de uma série de discussões on-line, com tempo limitado, em resposta às sessões da conferência.
Esperamos que esta opção permita aos participantes e aos não participantes da IAS 2009 discutir as implicações operacionais das descobertas chave da conferência na área dos tratamentos e cuidados para o VIH, em regiões com recursos limitados. Quais as conclusoes mais importantes para levar para casa e como é que estas irão influenciar o seu trabalho?
Discussões com moderador terão lugar sobre uma série de temas – chave, incluindo:
Tema 1: Quais as implicações práticas do inicio precoce do tratamento? Como melhorar as taxas de diagnóstico e a retenção dos doentes nos cuidados de saúde?
Com o aumento da evidência sobre os resultados do inicio precoce do tratamento, quais as implicações práticas de o proporcionar? Que modelo de distribuição de tratamento em larga escala com sucesso, utilizando o task-shifting, por exemplo, foi observado?
Muitas pessoas infectadas pelo VIH ainda são diagnosticadas tardiamente ou não chegam a ter acesso aos cuidados. O que se aprendeu na conferência sobre a melhoria das taxas de diagnóstico? Que modelos inovadores de aconselhamento e despistagem voluntária foram observados? Como se pode reduzir a taxa de abandono do tratamento?
Tema 2: Como melhorar o tratamento e os cuidados para as crianças?
Em muitas áreas, o acesso ao tratamento para as crianças está muito atrasado em relação ao tratamento dos adultos Como melhorar o diagnóstico? De que forma os serviços de saúde podem melhorar e ir de encontro às necessidades das crianças? Que modelos de práticas bem sucedidas se observaram?
Tema 3: Como melhorar a integração de serviços da TB e do VIH, ou de saúde reprodutiva e VIH? Como facilitar aos doentes o acesso a cuidados apropriados desta forma? De que forma a prevenção da transmissão mãe-filho (PMTCT) poderá ser integrada noutros serviços? De que forma os cuidados para o VIH poderão ser proporcionados a nível dos cuidados primários de saúde?
Tema 4: De que forma poderemos passar para a prática uma combinação de métodos de prevenção?
É amplamente reconhecido que a prevenção deve ter um forte impulso e que as combinações de métodos de prevenção são o caminho a seguir. O que se aprendeu sobre como tornar realidade a “prevenção combinada”? De que forma a afirmação “tratamento como prevenção” se enquadra no campo da prevenção”?
Como participar
Para participar, registe-se aqui e faça parte da discussão.
Poderá subscrever uma discussão e, assim, receber actualizações via e-mail. Poderá igualmente participar na discussão on-line via e-mail, sem ter de visitar o site.
Idioma
Note que os debates serão conduzidos apenas em inglês.
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Discussão on-line no aidsmap.com
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Análise on-line por especialistas através do nosso parceiro oficial Clinical Care Options
OClinical Care Options (CCO), o parceiro oficial do IAS 2009 de análise on-line por especialistas nesta área, disponibiliza quatro formas através das quais poderá estar actualizado e compreender novos dados para o seu trabalho:
Resumos: concisos, sumarizando os principais pontos-chave seleccionados pelos especialistas do CCO
Podcast áudio: disponibilizados durante a conferência, onde os principais especialistas discutem a investigação
Análise de Especialistas: módulos certificados (CME) onde os CCO discutem questões clínicas práticas e implicações dos dados apresentados
Acesso às apresentações em ppt: download e revisão ou utilização das apresentações; desenvolvido após consulta com os especialistas do CCO.
 
Sobre a NAM
A NAM é uma reconhecida organização de base comunitária, com sede no Reino Unido. Proporcionamos informações correctas e actuais sobre VIH a nível global, destinadas às pessoas que vivem com a infecção pelo VIH e aos profissionais que tratam e cuidam destas pessoas.
A NAM é uma instituição de solidariedade, registada com o número 1011220.
Todas as publicações da NAM são baseadas na evidência científica e revistas por dois painéis médicos internacionais e outro constituído por pessoas seropositivas para o VIH que asseguram a veracidade, precisão, o equilíbrio, a relevância e a acessibilidade da informação produzida.
A NAM apoia as pessoas a
Assumirem o controlo das suas vidas e dos seus cuidados de saúde
Compreenderem e aderirem à terapêutica para o VIH
Viveram mais e de forma mais saudável.
Viverem mais tempo e terem uma vida saudável
Para mais informações, entre em contacto com a NAM
Telefone: +44 (0) 20 7840 0050
Fax: +44 (0) 20 7735 5351
E-mail: info@nam.org.uk
Site: www.aidsmap.com





Organizadores da conferência sobre VIH/Sida prometem abordagens baseadas em evidências

20 07 2009

Cap Town - Os organizadores da V conferência sobre VIH/Sida, que decorre em Cap Town, África do Sul, prometem continuar a insistir nas abordagens baseadas em evidências, no que diz respeito à prevenção do VIH, tratamento, cuidados e apoio, embora enfatizando a necessidade contínua de investir estrategicamente na investigação do VIH, incluindo a investigação para monitorizar a implementação de programas.

“A necessidade de intervenções baseadas na evidência nunca foi tão importante”, afirmou Julio Montaner, Presidente da International AIDS Society (IAS) e Presidente desta Conferência e que é também Director do Bristish Columbia Centre for Excellence in HIV/AIDS, em Vancouver.

“A boa ciência deve produzir boas políticas e bons programas, de forma a garantir os melhores resultados para os indivíduos e para as comunidades”, acrescentou Montaner. “A ciência deu-nos a capacidade de salvar vidas, agora não é o momento de ser míope.”

O IAS 2009 decorre na África do Sul, o país com o maior peso da pandemia de SIDA em todo o mundo, com um número estimado de 5,7 milhões de pessoas a viver com VIH em 2007.

A decisão de realizar a IAS 2009 na África austral reflecte o desejo dos organizadores “de redireccionar o foco da atenção da comunidade científica internacional sobre os constantes desafios enfrentados por uma região que luta contra uma epidemia generalizada e para destacar os mais recentes esforços em combatê-la, afirmou a International AIDS Society no comunicado de imprensa.

“A IAS 2009 decorre num período de importantes mudanças na África do Sul e será a primeira reunião internacional sobre SIDA realizada desde que o novo governo tomou posse”, afirmou o co-presidente da conferência, o Prof. Hoosen Coovadia, presidente do Dira Sengwe e Director Científico do Doris Duke Medical Research Institute da Universidade de KwaZulu-Natal, em Durban. “Esta é uma oportunidade ideal para se avançar com respostas, tanto a nível nacional como global, baseadas em dados
científicos sólidos.”

Um destaque particular da conferência será uma nova área de investigação operacional que apresentará as mais recentes conclusões sobre as melhores metodologias para implementar programas de prevenção e tratamento em países com recursos limitados.

Esta nova área destina-se a destacar formas de traduzir rapidamente as descobertas científicas em intervenções concretas, que respondam aos actuais desafios na prevenção do VIH, tratamento e cuidados de saúde, em especial, nos países com médios e baixos rendimentos.

A Conferência inclui ainda uma sessão plenária, um simpósio e uma sessão para apresentação oral de abstracts que abordará a potencial contribuição do tratamento anti-retroviral na prevenção, bem como uma sessão especial de análise sobre o papel das ciências sociais, legislação e direitos humanos na expansão do acesso às intervenções biomédicas na área da prevenção e do tratamento.

Outro tema importante da conferência será a renovação dos esforços na investigação de uma cura para a infecção pelo VIH, com a sessão de abertura presidida pela Professora Françoise Barré-Sinoussi, que recebeu o Prémio Nobel de Medicina, em 2008, pelo seu papel na descoberta do VIH.

Entretanto, o encontro prossegue hoje, segunda-feira, com comunicações sobre ” As novas tecnologias farmacêuticas e toxicológicas”, ” A melhoria dos programas de acesso aos anti-retrovirais”, “A qualidade dos programas de prevenção da transmissão mãe/filho” ,”Maior acesso a circuncisão masculina como forma de prevenção” e “a nova politica de investigação e combate ao Sida da nova administração norte-americana”.

O evento foi aberto domingo, pelo vice-presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe, com um discurso onde realçou que “o combate a doença é um desafio de toda a humanidade que tem de ser vencido o mais rápido possível, para que as futuras gerações possam viver sem o espectro do VIH e Sida”.

Angop – 20.07.2009





Mil pessoas morrem por dia de VIH/SIDA

20 07 2009

 Cape Town – Mil pessoas morrem em média por dia na África do Sul por causa do VIH/Sida, num universo de 5.7 milhoes vivendo com a doenca e uma populacao global estimada em 46 milhões de habitantes.
Estes dados foram divulgados hoje, segunda-feira, durante a V Conferência Internacional sobre Patogenese, Tratamentoe Prevenção do VIH/Sida, aberta domingo, em Cape Town, pelo vice-presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe.

 

A taxa de prevalência na África do Sul é de 18.1 porcento, o que significa  que um em cada cinco adultos sul-africanos vive com a Sida. A maior taxa de prevalência no mundo regista-se na Swazilândia, com 26.1 porcento.
A epidemia afecta todas as camadas da população sul-africana, com maior incidência para as mulheres.
Um estudo de 2008 do Conselho de Pesquisa de Ciencias Humanas da África do Sul revela que há um decréscimo da infecção no seio da população entre os 15 e 16 anos de idade.
Em relação ao acesso ao tratamento com anti-retrovirais, é um dos países com maiores desafios. O Plano Estratégico Nacional de Luta contra o VIH/Sida prevê ate 2011 uma cobertura de 80 porcento de toda a população que necessitar de Tratamento Anti-retroviral (TAR).
No mesmo período (até 2011), prevé-se  95 porcento de mulheres infectadas no programa de corte de transmissao vertical e a redução a 50 porcento no número de infecções.
De acordo com a Ong Campanha Acção para o Tatamento, que advoga a equidade de acesso aos tratamentos, até 2008 estavam estimadas em 600 mil as pessoas que receberiam a terapia.

Angop – 20.07.2009





Unta forma sindicalistas sobre educação de pares em Vih/Sida

20 07 2009

Luanda – Vinte sindicalistas do sector de construção civil participam desde hoje, segunda-feira, um seminário sobre “Educação de Pares em Vih/Sida” (educadores no local de serviço), sob a égide da União Nacional dos Trabalhadores de Angola (Unta).

Segundo o secretário-geral da Federação do Sindicato dos Trabalhadores do ramo de Construção Civil, Evaristo Adão António, acções do género serão realizadas igualmente nas províncias de Benguela, Cabinda e Huambo, visando beneficiar 121.602 pessoas.

O encontro de cinco dias, tem como objectivo principal formar educadores de pares sobre a luta contra o Vih/Sida, visando elevar a capacidade dos sindicatos de modos a contribuírem para a diminuição de contágio no local de serviço.

Neste sentido, acrescentou, a federação sindical vem desenvolvendo trabalhos para contrapor o avanço da doença. “Dada a mobilidade da mão-de-obra, o sector da construção civil está identificado como local de risco de transmissão de certas doenças, porquanto os seus funcionários convivem sem observarem alguns cuidados básicos de protecção”, disse.

Durante o evento, serão abordados os temas “o papel dos gestores da empresa”, “tuberculose associada ao Vih/Sida”, “noções básicas da malária ou paludismo”, “experiência de luta contra a Sida no sector da construção”, “métodos e meios de comunicação para a prevenção e promoção da saúde na educação de pares”, entre outros.

Angop – 20.07.2009





Circuncisão masculina não reduz risco de HIV para mulheres

20 07 2009

JOANESBURGO, 20 Julho 2009 (PlusNews) – A circuncisão de homens seropositivos não reduz o risco de suas parceiras serem infectadas pelo HIV, segundo uma pesquisa publicada na revista médica britânica Lancet. As descobertas surgiram de um estudo clínico no distrito de Rakai, no sul de Uganda, envolvendo casais – homens seropositivos com parceiras não infectadas pelo HIV.

No início do estudo de dois anos, metade dos homens foram circuncisados; a outra metade, que formou o grupo de controlo, era composta por homens que seriam circuncisados ao fim dos 24 meses. As suas parceiras não infectadas foram testadas pelo menos uma vez neste período.

A circuncisão masculina tornou-se uma estratégia recomendada de prevenção ao HIV desde que estudos clínicos – um dos quais realizado em Rakai – mostraram que o procedimento poderia reduzir em até 60 por cento o risco dos homens contraírem o HIV. Até agora, não havia muitas evidências sobre o efeito da circuncisão masculina sobre a infecção nas mulheres.

Estudos prévios de observação indicavam que as parceiras de homens seropositivos circuncisos eram menos propícias a contraírem o HIV, mas isto não foi confirmado pelo estudo de Rakai. Dentre os 92 casais do grupo dos cincuncisos, mais mulheres foram infectadas do que entre as 70 do grupo de controlo (homens ainda não circuncidados): 18 por cento contra 12 por cento.

Risco ampliado

A circuncisão masculina pode, na verdade, ter aumentado o risco de HIV de algumas mulheres do grupo de intervenção. Após seis meses, aquelas cujos parceiros ignoraram o conselho de se absterem de sexo por pelo menos seis semanas depois da circuncisão tiveram um índice de infecção de 27,8 por cento em comparação com 9,5 por cento dentre as mulheres cujos parceiros evitaram sexo até que o processo de cicatrização estivesse completo; e com 7,9 por cento das mulheres com parceiros incircuncisos.

O estudo foi interrompido por ser “desnecessário” dar continuidade, já que seria improvável que a acumulação de mais dados pudesse produzir resultados substancialmente diferentes.

É possível que as descobertas tenham implicações importantes para os programas de circuncisão masculina realizados em vários países com altos índices de HIV, incluindo Zâmbia, Suazilândia, Quénia e Uganda. Os programas receberam apoio substancial dos governos, dadores internacionais e agências das Nações Unidas.

Num comentário complementar no Lancet, Jared Baeten, do Departamento de Medicina e Saúde Global da Universidade de Washington, alertou que os resultados do teste de Rakai “não devem atrapalhar de forma alguma os programas de incentivo aos serviços de circuncisão de homens sob risco de HIV”.

A circuncisão de homens seropositivos pode não reduzir directamente o risco de HIV das suas parceiras, mas os programas de circuncisão masculina de ampla escala beneficiariam as mulheres a longo prazo ao diminuir a seroprevalência geral nas comunidades.

Baeten também concorda com os autores do estudo em que os resultados não devem impedir que homens seropositivos sejam submetidos ao procedimento, porque os excluir poderia levar à estigmatização e perda do acesso a outros benefícios de saúde, incluindo tratamento de doenças como úlceras genitais.

As descobertas enfatizaram a necessidade de extensivo aconselhamento aos homens que se submetem ao procedimento sobre a importância de abstenção de sexo ao menos pelas seis semanas seguintes, do uso contínuo de preservativo e da redução do número de parceiras.

PlusNews – 20.07.2009





Programa de orientação sexual para jovens completa 10 anos em Moçambique

20 07 2009

Moçambique está comemorando dez anos do programa Geração Biz, que dá orientação sexual e conscientiza os jovens do país africano sobre a Aids.

“É o maior programa de prevenção para jovens no país e, provavelmente, um dos maiores programas de saúde sexual reprodutiva e prevenção do HIV do mundo”, diz Regina Benevides, assessora técnica da Pathfinder para o programa.

 

Ela lembra que Moçambique tem 20 milhões de habitantes, entre os quais cerca de 6,3 milhões são jovens. Apenas no ano passado, o programa alcançou 3,7 milhões deles.

O Geração Biz foi criado na Zambézia, norte do país, e em Maputo, no sul, mas hoje está em 103 distritos nas 11 províncias do país. Ele abrange 594 escolas secundárias e técnicas e tem a participação de cerca de 7.500 jovens que, como voluntários, orientam grupos em comunidades de todo o país com palestras, teatro e sessões de aconselhamento.

Os serviços de saúde, chamados SAAJ (Serviços de Saúde Amigos de Adolescentes e Jovens) são 244 em toda Moçambique e têm como meta não apenas informar sobre saúde sexual reprodutiva e direitos dos jovens, mas também sobre a responsabilidade de oferecer aconselhamento, testagem de HIV, métodos contraceptivos, além de desenvolver trabalho de apoio a jovens soropositivos.

“Conseguimos perceber, ao longo desses anos, uma mudança de atitude, uma maior participação dos jovens na decisão sobre sua vida sexual”, diz Regina. Neste ano, segundo ela, será feita uma pesquisa ampla para avaliar os resultados do programa na escola.

O Geração Biz é governamental e tem abordagem multissetorial. Ele é coordenado pelos ministérios de Saúde, Educação e Cultura e Juventude e Esporte, com o apoio técnico da ONG Pathfinder International e apoio programático-logístico do UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas). Ele tem ainda a participação da sociedade civil, especialmente representada no programa pelas associações juvenis.

Os encontros nas escolas, hospitais e dentro das próprias comunidades usam diferentes estratégias, segundo Regina. “Utilizamos vídeos e palestras com debates, teatros nas comunidades, além de disponibilizarmos preservativos e discutirmos outras formas dos jovens se apropriarem de seus direitos sexuais.”

Segundo ela, as reuniões com jovens têm como prioridade aumentar a interação entre eles, tentando quebrar preconceitos e tabus.

“Tenho amigos abertos para conversar, para falar sobre sexo, mas, no geral, há discriminação, há ainda muito medo em falar sobre o tema”, diz Ancha Manoel da Silva, 21 anos, que frequenta as reuniões no Hospital Central de Maputo.

Durante a nossa visita, ela era uma das mais participativas, num grupo majoritariamente feminino e cheio de dúvidas, mas ainda inibido para perguntar.

Os temas abordados são muito parecidos. Em quase todos os encontros eles giram em torno de masturbação, gravidez, aborto e doenças sexualmente transmissíveis.

Os debates, muitas vezes, só evoluem se os voluntários questionam os jovens. “É porque ainda não se fala de sexo como um assunto normal. Os ativistas fazem perguntas, estimulam o debate durante todo o tempo e os encoraja a falar”, lembra Ancha.

Em Maputo, Sergio Mahumane é supervisor e responsável por capacitar jovens que trabalham no programa. “As orientações são dadas a cada um deles, mas quando há algum problema, os ativistas passam por um curso de atualização. Também elaboramos um manual que serve de guia”, explica o supervisor que entrou no programa em fevereiro de 2005.

O fato de ele ser soropositivo estimulou a permanência no projeto, para ajudar pessoas a evitarem situações como as que ele enfrentou. “Quero ajudar o mundo inteiro a acabar com o preconceito. Apesar de difícil, realizo atividades para que as comunidades se sensibilizem em relação ao HIV e dissemino a nossa mensagem”, fala Sérgio.

Gil Mario é um desses jovens que aprenderam a ensinar sobre a dupla proteção, trazendo detalhes sobre métodos contraceptivos. Minoria em um grupo repleto de meninas, ele ajuda a esclarecer as dúvidas quando elas ficam, digamos, mais inibidas.

“Temos que ser mais abertos. Os jovens precisam falar mais sobre a sexualidade para quebrar o tabu. Começamos por aqui. Depois pode ser feito em casa. No final, fica mais fácil de mudar a mentalidade em toda a sociedade”, conta Gil.

Ele conversa com a gente enquanto observa uma discussão sobre masturbação, tema sempre muito delicado entre as mulheres de Moçambique. “Falamos de pontos importantes da vida sexual, como a masturbação, ainda repletos de mitos. Aqui, no país, ainda muitos há métodos tradicionais nos quais as pessoas acreditam. O importante é que, com o Geração Biz, ajudamos a transformar isso”.

G1 – 19.07.2009





Infecção por HIV cresce 62% nos municípios baianos

20 07 2009

O crescimento do número de casos de HIV no interior, em con traste com a estabilização percebida nas capitais, é constatado na Bahia. O vírus está presente em 338 municípios baianos, número 62% maior que o registrado há uma década, quando a doença estava em 209 cidades.

Nesse período, a distribuição de casos também foi bastante alterada. Enquanto em 1999 Salvador concentrava 63% dos casos, em 14 de julho deste ano a capital tinha 51% do registro estadual. Em Feira de Santana, segunda maior cidade do Estado, a situação chama a atenção especialmente nos últimos anos. Desde o primeiro registro do vírus, 690 casos foram oficialmente comprovados no município. Metade deles foi registrada entre 1º de janeiro de 2007 e maio de 2009.

A leitura do significado dos números, no entanto, é mais complexa do que parece à primeira vista. O coordenador do programa de DST/Aids em Feira de Santana, Valterney Morais, não descarta a possibilidade de as estatísticas crescentes nas cidades do interior refletirem uma maior consciência da importância de realizar o teste de HIV, mas ressalta que apenas uma pesquisa aprofundada poderia comprovar essa hipótese.

Transmissão – Os dados também podem representar descuido quanto aos riscos de transmissão do vírus, o que Morais acha mais provável. Na sua opinião, as pessoas estão fazendo sexo sem camisinha. Ele acha que não na primeira relação, nem no começo do relacionamento, mas a partir do momento em que passa a haver afinidade e confiança. “Nessa hora, antes de deixar de lado a prevenção, as pessoas deveriam fazer um acordo para  realizar os exames”, aconselha.

Já a coordenadora estadual do programa de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e a Aids,  que é aplicado em todo o País, Maricélia Macedo, avalia que o quadro atual é resultado de uma progressão natural da epidemia, que aos poucos foi se alastrando, a partir dos grandes centros. Mesmo sem apontar qual a causa mais provável para o avanço nas estatísticas, ela ressalta a possível ligação com uma sensibilização para detecção e registro da doença.

“A Sesab (Secretaria Estadual da Saúde) vem descentralizando recursos financeiros e garantindo suporte técnico para que municípios possam organizar serviços assistenciais e se constituam em referência para sua região de abrangência”, explica Maricélia.

Interação – Na avaliação da Sesab, os municípios estão cumprindo com sua parte. “De uma forma geral, têm dado uma boa resposta, centrando os recursos nas ações de promoção, prevenção e diagnóstico ou constituindo serviços especializados de referência”. Um aspecto fundamental no perfil de pessoas com o vírus HIV é a grande mudança no grupo considerado de maior vulnerabilidade. A proporção de contaminados já foi de 15 homens para cada mulher. Hoje a relação aproxima-se de um  para um.

“Como o número de mulheres contaminadas cresceu, precisamos fazer trabalho direcionado especificamente a elas”, alerta a coordenadora. Mas, segundo Maricélia, uma das dificuldades  são os obstáculos que as mulheres encontram para impor a regra do uso do preservativo no relacionamento.  “A mulher tem medo que o homem pense que se ela exige camisinha é porque tem outras relações”, exemplifica.

A distribuição do preservativo permanece como uma das principais estratégias preventivas da Sesab. Há também um programa embrionário de discussão do assunto nas escolas. Os jovens estão tendo um comportamento considerado de risco, acreditando que por ter baixado o número de mortes, a Aids já não é tão perigosa (até 2002, as mortes chegavam a 35% dos infectados. Hoje a proporção caiu para 16,5%).

Eles desconhecem, no entanto, o sofrimento  de quem contrai a doença. O preconceito permanece e o tratamento é agressivo. “Os pacientes sofrem e dizem que só usam o remédio porque não tem jeito”, conta Maricélia. Um dos efeitos colaterais é a deformação do rosto, com o deslocamento de gordura para outras regiões do corpo. O problema é tão grave que o governo já autoriza o pagamento de cirurgia plástica reparadora pelo SUS.

A indiferença pela doença acaba assim que o diagnóstico é dado. “Logo que sabe, a pessoa fica revoltada, quer saber de quem pegou, diz que vai contaminar outros também”, lista a coordenadora. Por isso o acompanhamento psicológico dos pacientes é outra medida adotada nos programas de DST/Aids.

A Tarde – 18.07.2009





Portugal seria único a excluir ‘gays’ da dádiva

20 07 2009

Ex-comissário português de luta contra a sida, Machado Caetano, e comissária europeia da saúde, Androulla Vassiliou, desconhecem directivas que excluem homossexuais masculinos de poderem ser doadores.

“Portugal seria o primeiro país da Europa a prever a exclusão de homossexuais masculinos da dádiva de sangue”, disse ao DN o ex-comissário nacional de luta contra a sida Machado Caetano. O Ministério da Saúde admitiu excluir este grupo da dádiva, por considerar que “constitui um grupo de risco”, uma possibilidade que o imunologista acredita nunca se ter colocado em nenhum outro país.

Recordando uma reunião da ONUSida em que esteve recentemente – e em que se abordou esta temática – Machado Caetano sublinha que a tendência sexual “é confidencial e não deve ser abordada em nenhum acto médico.

Também a comissária europeia da Saúde, Androulla Vassiliou, citada pela Lusa, garantiu que não existe uma directiva especial da Comissão Europeia que exclua os homossexuais do grupo de dadores de sangue. “Não existe qualquer regra especial. Isso é um mito. A preocupação é sempre com a segurança e a qualidade do sangue”.

Há dois dias, foi divulgada a resposta do Ministério da Saúde a uma pergunta do deputado João Semedo (BE), relacionada com práticas discriminatórias a uma mulher homossexual nos serviços de sangue. A exclusão admitida pela tutela foi reforçada pelo presidente do Instituto Português do Sangue (IPS). Gabriel Olim referia que “a prevalência de infecção VIH/sida é maior em homens que têm sexo com homens”.

Machado Caetano recorda a definição de grupos de risco caiu por terra há cerca de duas décadas, porque “a probabilidade de uma pessoa estar infectada depende de comportamentos, e não do facto de estar inserida num determinado grupo”.

As afirmações proferidas nos últimos dias, além de discriminatórias, “mostram ignorância e são lamentáveis. Um homossexual que se proteja tem tantas possibilidades de estar infectado como um heterossexual que faça o mesmo. E há muitos casais que têm mais cuidado do que outros heterossexuais”, sublinha.

Perante estas afirmações, que o levam a considerar que o presidente do IPS “não está em condições adequadas para continuar a exercer”, refere que estas pessoas só vão ter “uma espécie de convite para omitirem a orientação”.

No acto de doação, os interessados têm de preencher um inquérito e ser sujeitos a uma entrevista, em que lhes é perguntado se tiveram ou não relações com pessoas do mesmo sexo, se mudou de parceiro nos últimos seis meses e se teve relações de risco, ou seja, desprotegidas. A lei (ver caixa) exclui definitivamente da dádiva indivíduos “cujo comportamento sexual os coloque em grande risco de contrair doenças infecciosas graves susceptíveis de serem transmitidas pelo sangue”.

Diário de Notícias – 20.07.2009





AJAPRAZ e ANASO deverão assinar acordo de cooperação

20 07 2009

Luanda – A Associação dos Jovens Provenientes da República da Zâmbia (AJAPRAZ) e a Rede Angolana das Organizações de Serviços de Sida (ANASO) deverão, brevemente, assinar um acordo de cooperação de apoio frequente aos seropositivos.
A informação foi prestada hoje, domingo, por Bento Raimundo, Presidente da AJAPRAZ, aquando da entrega de 10 toneladas de bens diversos a ANASO, para apoiar pessoas vivendo com VIH/Sida.
Acrescentou que, doravante, a AJAPRAZ deixará de atender casos isolados, passando a manter contacto directo apenas com a ANASO, que por sua vez canalizará os bens as associações filiadas, que distribuírão aos necessitados.

 
Para Bento Raimundo, a AJAPRAZ continuará a apoiar os seropositivos com meios a sua disposição, visto ser uma organização parceira dos esforços do governo angolano.
Por seu turno, António Coelho, secretário geral da ANASO, sublinhou que esta doação veio no âmbito do programa de ajuda a pessoas vivendo com VIH/Sida mais carenciadas, que vai de Janeiro à Dezembro do corrente ano, em todo o país.
“O programa vai ajudar aqueles que não têm recursos para dar resposta aos diferentes problemas de saúde” frisou.
António Coelho pontualizou que o programa está a beneficiar 450 famílias afectadas e tem contado com doações pontuais variados, como micro-créditos, do BPC,  medicamentos, do Fundo Global Angola e Instituto Nacional de Luta contra a Sida, e, a partir de hoje, de bens de primeira necessidade, da AJAPRAZ.
Conta da doação de hoje, computadores, brinquedos, arroz, açucar, leite em pó e condensado, bolachas, conservas de peixe, óleo alimentar, massa alimentar, feijão, fuba de milho e fruta em calda, produtos entregues ainda hoje às direcções das 16 associações de apoio aos seropositivos, para a sua distribuição. 
Uma das associações, a Mwenho, segundo a sua secretária, Rosa Pedro, a doação vai beneficiar 200 mulheres vivendo com VIH/Sida, afiliadas na organização.

Angop – 19.07.2009





IAS 2009: MSF chama a atenção da urgência em se ter novos medicamentos contra a aids na África

20 07 2009

Mas, desde 2001, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) começou a apoiar o governo no tratamento antirretroviral (TARV) das pessoas com aids. Até o final do ano passado, aproximadamente 12 mil pessoas já tinham começado esta terapia.

Uma grande esperança de viver com o HIV passou a contaminar positivamente as pessoas que ali moram, dizem profissionais de saúde que trabalham em Khayelisha.

Entretanto, o futuro dessa comunidade e da grande maioria das pessoas que está em tratamento contra a aids há alguns anos na África pode estar ameaçado, chamou a atenção nesta segunda-feira, 20, a MSF durante um evento voltado para a imprensa presente na 5ª Conferência Internacional sobre Patogênese, Tratamento e Prevenção da Sociedade Internacional de Aids (IAS, em inglês).

O coordenador médico da MSF na África do Sul, Eric Goemaere, explicou que do total de pessoas que começaram o TARV em Khayelisha, 16 por cento já estão ou estarão com falha terapêutica da primeira linha de medicamentos nos próximos anos.

E um de cada quatro dos que iniciaram o tratamento com a segunda linha também não reagiram bem, o que significa que enquanto os remédios de terceira linha não estiverem disponíveis no continente, a aids voltará a ser a sentença de morte para muitos soropositivos.

“A África precisa de melhores medicamentos de primeira linha e de um grande acesso aos medicamentos de segunda e terceira linha agora. Já”, disse Goemaere.

A OMS, desde 2006, recomenda que o primeiro tratamento contra a aids deve ser baseado no tenofovir disoprofixil fumarate (TDF) ou zidovudine (AZT) ao invés da stavudina (d4T), que causa a lipodistrofia como efeito colateral.

Porém, a maioria dos países em desenvolvimento ainda está usando a combinação do d4T, lamivudine(3TC) e nevirapine (NVP).

Segundo a MSF, muitos países ainda não adotam a recomendação da OMS ou ainda não entraram nos tratamentos de segunda ou terceira linha porque não têm condições de pagar pelos modernos medicamentos protegidos pelas patentes.

“Esta é uma questão de escolha dos governantes e doadores: eles querem apenas dar uma sobrevida às pessoas com HIV dos países pobres ou proporcionar uma esperança de vida real, como têm os soropositivos dos países ricos?”, finalizou o Diretor da Campanha de Acesso aos Medicamento Essenciais da MSF, Dr. Tido von Schoen-Angerer.

Lucas Bonanno, da Cidade do Cabo/Agência de Notícias da Aids – 20.07.2009





África do Sul testa vacina contra a Aids

20 07 2009

A África do sul começará uma série de provas clínicas para duas vacinas contra a Aids que seus pesquisadores desenvolvem em colaboração com especialistas dos Estados Unidos, informaram autoridades no domingo, 19.

Quase 250 cientistas e técnicos vão trabalhar no projeto. O governo considerou que era importante desenvolver uma vacina específica para a cepa C do HIV que é a mais recorrente na África “e para assegurar que uma vez realizada, esteja disponível e com um preço acessível”, disse Anthony Mbewu, presidente do Conselho de Investigação Médica.

“Temos o maior problema no mundo”, disse Mbewu no marco de uma conferência internacional sobre Aids na Cidade do Cabo. “Todos os países em desenvolvimento o estão tentando, todos querem desenvolver sua própria capacidade para desenvolver e produzir vacinas, Brasil, Coreia”, disse Mbewu.

Os testes para conhecer a segurança das vacinas em humanos vão começar este mês com 36 voluntários, disse Mbewu, o qual preside a organização que dirige o projeto.

Durante quase 10 anos de negligência, a África do Sul entrou em uma verdadeira crise por causa da Aids. Quase 5,2 milhões de sul-africanos estavam com o vírus no ano passado. As mulheres jovens são as principais vítimas, um terço das sul-africanas entre 20 e 34 anos estão infectadas.

Em 1999, os ministérios da saúde, ciência e tecnologia puseram em ação uma iniciativa para uma vacina e utilizaram quase 250 milhões de dólares em cerca de 10 anos. Ainda que os sul-africanos sejam os primeiros a alcançar a etapa clínica, vão ser necessários anos de testes.

Estadão Online - 20.07.2009





Começa IAS 2009 na África do Sul: Mostrar as evidências contra a epidemia e reforçar o ativismo dos cientistas marcam a abertura do evento

20 07 2009

Há nove anos, a África reconhecia através da Conferência Internacional de Aids, realizada na cidade sul-africana de Durban, que o coquetel antirretroviral era uma prática evidente para enfrentar a epidemia que assolava o continente.

Alguns anos se passaram e o tratamento contra a aids, apesar de ainda não ser universal, se transformou numa realidade para milhares de africanos.

Desde ontem, 19, os africanos estão novamente com a atenção voltada à África do Sul, mas desta vez para a Cidade do Cabo, onde acontece até a próxima quarta-feira a 5ª Conferência Internacional sobre Patogênese, Tratamento e Prevenção da Sociedade Internacional de Aids (IAS, em inglês).

“Temos agora novamente a oportunidade de mostrar a África e a todo o mundo o que já é evidente para lutar contra a aids”, disse o canadense e presidente da IAS-2009, Julio Montaner.

Durante a cerimônia de abertura deste evento foram citadas algumas das evidências que devem pautar as discussões dos cientistas, como a circuncisão masculina, como método preventivo, e a antecipação do início do tratamento antirretroviral para uma melhor qualidade de vida do paciente.

A importância do encontro para a África do Sul ficou evidente com a participação na cerimônia de abertura do ex-presidente interino do país, Kgalema Motlanthe.

“Fazer tudo que é humanamente possível para termos uma geração livre da Aids é um dos objetivo do nosso país”, disse o também vice-presidente do Congresso Nacional Africano, o partido no governo.

Para Motlanthe, cada vez mais tem se tornado evidente que para se prevenir o HIV é preciso entender as dimensões sociais relacionadas a este vírus, mas a epidemia precisa de uma resposta urgente que poderia vir através da criação de uma vacina ou de um microbicida.

Ativismo

Apesar de ser considerado um evento que tem como público-alvo a comunidade científica, o IAS-2009 pretende discutir algumas questões relacionadas ao ativismo.

A Secretária Geral da Campanha para o Acesso ao Tratamento, Vuyseka Dubula, ganhou destaque na cerimónia de abertura do evento.

Ela direcionou seu discurso aos líderes e governantes de todo o mundo com as seguintes frases: É preciso aumentar o investimento em saúde, assim como o que foi feito para salvar os bancos; A saúde não está em recessão; A recuperação da economia deve incluir a recuperação da saúde; Diminuir os esforços contra a Aids agora é retroceder um passo; A saúde é um bem público em todo o mundo; e Recursos para a saúde já.

“Sim, nós podemos. Sim, nós podemos”, brincou Dubula referindo-se ao slogan da campanha do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

O convidado pela organização do evento para falar sobre “cientistas-ativistas” foi o ex-enviado especial das Nações Unidas para assuntos relacionados à Aids em África e atual diretor adjunto da organização Aids-Free World, Stephen Lewis.

Assim como já tinha feito Montaner, Lewis criticou o G8 – o Grupo dos sete países mais desenvolvidos do mundo e a Rússia – por não terem incluído a problemática da Aids na recente reunião realizada na Itália.

Entretanto, seu discurso focou-se em incentivar os pesquisadores e cientistas presentes no encontro a serem mais ativos politicamente.

“Vocês são ouvidos pelos doadores”, disse Lewis. “Aproveitem este poder que vocês têm e mostrem a eles tudo o que é eficaz e exequível contra o HIV e Aids”, finalizou.

Participaram ainda da mesa de abertura da conferência, o represente sul-africano do encontro, Jerry Coovadia, o ativista também da África do Sul Zackie Achmat e a pesquisadora francesa Françoise Barre-Sinoussi.

Lucas Bonanno, da Cidade do Cabo/Agência de Notícias da Aids – 20.07.2009