Brasil: Associação fica surpresa com notícia sobre risco de infecção por HIV em transfusão de sangue

14 07 2009

De acordo com o Dr. Dante Langhi Júnior, diretor administrativo da SBHH, o risco de infecção pelo vírus da aids no Brasil é similar aos países desenvolvidos. “O mundo inteiro apresenta esses índices e o País tem se empenhado para garantir qualidade”, comentou. Segundo O Estado de S.Paulo, a tecnologia disponível no Brasil consegue detectar o vírus depois de 12 dias da infecção, período que poderia ser mais curto com o exame Nat. “Esse teste já está disponível em toda rede privada do País”, informou o Dr. Dante.

A presidente da Abrale e também da Abrasta (Associação Brasileira de Talassemia), Merula Steagall, mostrou-se surpresa com a notícia da publicação. “Não houve nenhum relato recente de infecção pela Associação, mas isso mostra que o governo deve aumentar a vigilância, quase não ouço falar sobre investimentos na área”, diz. Ela também é usuária dos serviços de saúde e, desde 1968, aos dois anos de idade, necessita de uma transfusão a cada dez dias.

“A questão do risco vai muito além da adoção do Nat. Precisam ser feitas campanhas para conscientizar as pessoas sobre o papel da doação e também precisam existir mais iniciativas para fidelizar os atuais doadores de qualidade”, defende Merula. “Faço transfusão em hospital privado e ainda mais agora no inverno ouço sobre a quantidade baixa de estoque. Temos trabalhado bastante para tentar melhorar isso”, acrescenta.

Merula ainda classifica como “vergonha” a informação de que uma parcela dos doadores usa a doação de sangue para fazer testes de HIV. Segundo o Estado de S.Paulo, a prevalência do HIV no sangue de doadores voluntários é maior do que da população em geral, 0,6% ante 0,2%.

Para o Dr. Dante, em outros países ao redor do mundo uma parte dos indivíduos também usa a doação como forma de teste para o HIV. “O que precisa ser feito sempre são iniciativas educativas, no sentido de informar e conscientizar os cidadãos. Mas isso não é uma situação única do Brasil”, afirma.

Rodrigo Vasconcellos/Agência de Notícias da Aids – 13.07.2009





Cooperação Sul-Sul será discutida na IAS 2009

14 07 2009

No dia 19 de julho, a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids realizará na Cidade do Cabo, África do Sul, o debate “Propriedade Intelectual e Acesso a Medicamentos Antiretrovirais: Oportunidades para Cooperação Sul-Sul. O evento satélite, que faz parte da programação da 5ª Conferência de Patogênese, Tratamento e Prevenção da Sociedade Internacional de AIDS (IAS), busca contribuir para o debate sobre propriedade intelectual e acesso a medicamentos para aids. Para isso, apresentará estudos de caso que mostram como a sociedade civil organizada do Brasil, Colômbia, China, India e Tailândia se mobilizaram para garantir a manutenção do tratamento com antiretrovirais, e também, o acesso a novos medicamentos.

Além da ABIA, o evento contará com as apresentações da IFARMA/Colômbia, MSF/Tailândia e MSF/China . Na ocasião, a ABIA lançará uma publicação com os estudos de caso apresentados. O objetivo é o de ampliar a realização de ações conjuntas, visando sempre a garantia do acesso universal de medicamentos antiretrovirais para pessoas vivendo com HIV/Aids.

A Conferência de Patogênese, Tratamento e Prevenção da Sociedade Internacional de AIDS é um evento organizado pela Sociedade Internacional de AIDS que acontece de dois em dois anos. Nessa quinta edição, os organizadores estimam que cerca de 5000 pessoas estarão presentes. Predominantemente científico, a conferência traz as mais recentes pesquisas relacionadas a prevenção e tratamento do HIV/Aids.

O evento satélite “Propriedade Intelectual e Acesso a Medicamentos Antiretrovirais: Oportunidades para Cooperação Sul-Sul” acontecerá no dia 19 de julho, de 10:15h as 12:15h, no Susat 03 – Mini room 4. Mais informações podem ser obtidas em contato com a ABIA pelo telefone (21) 22231040 ou pelo e-mail abia@abiaids.org.br .

Abia/Agência de Notícias da Aids – 13.07.2009





Brasil/Campinas: Artistas urbanos apresentam trabalhos para material educativo de prevenção à aids

14 07 2009

O Programa Municipal de DST/Aids em evento multimídia expõe o trabalho de 22 jovens artistas urbanos de idades entre 17 e 29 anos para prevenção à aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) dia 15 de julho (quarta-feira), às 19h, no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas. É uma mostra do trabalho realizado desde abril de 2008 por meio de oficinas conduzidas pelo Programa Municipal de DSTs e Aids de Campinas. O resultado é um conjunto de materiais para educação em saúde que foca o público de jovens que identificam-se com a linguagem e expressões artísticas.

De acordo com Maria Cristina Feijó Januzzi Ilario, o objetivo é que com este material educativo seja acessado um segmento específico da população, no caso, jovens. “São jovens artistas urbanos a serviço da saúde, em especial, do controle da epidemia de aids”, destaca a coordenadora do Programa de DSTs e Aids da Secretaria da Saúde da Prefeitura de Campinas.

“Pacoteira” é como os jovens chamam a produção do material elaborado durante as oficinas matriciadas por técnicos do Programa de DST/Aids de Campinas. No caso o coletivo de artistas e técnicos chamaram a “pacoteira” de “Envelope!”, que é nome oficial deste peça de comunicação: stickers, lambe-lambe e cartões adesivos criados pelos integrantes do coletivo de stickers parceiro do Programa Municipal de DSTs e Aids de Campinas.

Os materiais abordam temas como o da vulnerabilidade dos jovens às doenças sexualmente transmissíveis e ao HIV/aids e do incentivo ao uso da camisinha, bem como os relativos ao conhecimento das práticas de sexo seguro. Esta atividade transita entre outras desencadeadas pelo Programa DST/Aids de Campinas e integra um projeto mais amplo desenvolvido desde 2008, para o qual foram convidados vários artistas locais.

As obras e instalações voltadas para a prevenção às DSTs e aids, criadas com diferentes mídias e linguagens, foram doadas e expostas em locais com grande afluência de pessoas em espaços públicos da cidade durante todo o ano de 2008. Uma dessas linguagens foi o graffiti. Cinco muros e paredes da região central da cidade foram embelezados pelos coletivos de graffiti envolvidos na parceria.

O lançamento será no Palácio dos Azulejos, imóvel tombado pelos Conselhos Municipal e Estadual de Preservação, e reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Órgão do Ministério da Cultura que tem a missão de preservar o patrimônio cultural brasileiro.

O Palácio dos Azulejos, onde é sediado o Museu da Imagem e do Som de Campinas fica na Rua Regente Feijó, 859, no Centro de Campinas. Os artistas também apresentam no evento obras realizadas em outras iniciativas e a exposição ao público em geral é somente no dia 15, das 19h às 22h. O material educativo será disponibilizado, ao público para o qual foi produzido, pelo Programa Municipal de DSTs e Aids de Campinas.

A aids não tem cura, mas tem tratamento. O Centro de Referência (CR) do Programa Municipal de DSTs e Aids de Campinas deve ser procurado pela população que deseja saber mais sobre o HIV, a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, o uso correto de preservativos, como acessá-los na Rede Pública de Saúde e onde fazer o teste de HIV (gratuito, sigiloso e anônimo). A população também pode informar-se sobre as DSTs, o HIV e aids no Centro de Saúde mais próximo de sua residência, ou telefonar para o “Disk-Saúde” do Ministério da Saúde: 0800 61 1997 ou também através de ligação gratuita, no “Disk Aids” da Secretaria Estadual de Saúde: 0800 16 2550.

Campinas possui duas unidades fixas especializadas na realização do teste de HIV:

O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) do Centro, telefone (19) 3236 – 3711, que funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, na rua Regente Feijó, 637, Centro.

E o CTA Ouro Verde, localizado junto ao Hospital Ouro Verde (região Sudoeste, próximo ao Terminal de Ônibus Ouro Verde), na Avenida Rui Rodrigues, 3434, que funciona de segunda a sexta, das 7h às 19h. O telefone do CTA Ouro Verde é 3226 – 7475.

No CTA Ouro Verde é realizado o teste com diagnóstico rápido para o HIV, também gratuito, anônimo e sigiloso, com resultado em 15 minutos.

Agência de Notícias da Aids – 13.07.2009





Brasil: Direitos humanos é tema central da preparação para a Parada do Orgulho Gay de BH

14 07 2009

Os preparativos para a 12ª Parada do Orgulho Gay de Belo Horizonte começaram neste último final de semana. A programação se estende por toda a semana e inclui seminários, exibição de filmes, premiações e discussões sobre a homofobia e o respeito às identidades; sexualidade, DST e aids e direitos humanos, que é o tema central do evento neste ano.

O objetivo do tema ‘Seus Direitos, Nossos Direitos, Direitos Humanos’ é celebrar os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O evento sócio-político-cultural é uma oportunidade para que os setores organizados da comunidade homossexual e os simpatizantes fiquem visíveis à sociedade e lutem por direitos humanos e civis e a efetivação da cidadania de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

Percurso
A concentração da parada começa na Praça da Estação, no centro de Belo Horizonte, a partir do meio-dia. Às 16h saem os trios elétricos que seguem pela Avenida dos Andradas, Rua da Bahia, Avenida Afonso Pena e se dispersam na Rua Professor Moraes.

Além da tradicional parada, será realizada no sábado, dia 18, a Caminhada de Visibilidade Lésbica, organizada pela Associação Lésbica de Minas Gerais (Alem).

Veja a programação de atividades da semana “BH sem Homofobia”

Segunda-feira, dia 13 de julho
Seminário: Muito Prazer, Sou Travesti, Sou Cidadã e Mereço Respeito!
Participação do CELLOS-TRANS, ASSTRAV, Solidariedade, CELLOS-Contagem
Local: Auditório da Secretaria Municipal Adjunta de Direitos e Cidadania
Horário: 19h
Endereço: Rua Espírito Santo, 505, 12º andar – Centro
Realização: CELLOS-MG
Contato: (31) 3277-6954

Terça-feira, dia 14 de julho

Diálogos no Conselho:
“10 anos da resolução do Conselho Federal de Psicologia 001/99: e a Psicologia, como vai?”
Local: Conselho Regional de Psicologia – Rua Timbiras, 1532, 6º andar
Horário: 19h
Realização: CELLOS-MG e CRP04
Contato:CRP-MG : (31) 2138-6767, CELLOS-MG: (31) 3277-6954

Quarta-feira, dia 15 de julho

Debate: “Seus Direitos, Nossos Direitos; Direitos Humanos!”:
A contribuição da Psicologia, do Serviço Social e do Direito no enfrentamento à homofobia
Local: Auditório da Assembléia Legislativa de Minas (ALMG) Andar SE
Horário: 19h
Endereço: Rua Rodrigues Caldas, 30
Contato CELLOS-MG: (31) 3277-6954

Quinta-feira, dia 16 de julho

V Prêmio Direitos Humanos e Cidadania LGBT de Belo Horizonte
Lançamento do vídeo:
“Revivendo Stonewall em Belo Horizonte: a luta pela 10ª Parada”
Local: Museu Histórico Abílio Barreto (Av. Prudente de Morais, 135 – Cidade Jardim)
Horário: 19h30
Contato: CELLOS-MG: (31) 3277-6954

Sexta-feira, dia 17 de julho

Seminário Saúde e Visibilidade: sexualidades no plural, direito à diferença
Local: Auditório da Secretaria Municipal de Políticas Sociais, 10h às 17h
Endereço: Rua Espírito Santo, 505, 18ª andar-Centro
Realização: Associação Lésbica de Minas Gerais – ALÉM
Contato: (31) 3267-7871, e-mail: grupoalem@terra.com.br

Debate: O Plano Mineiro de Enfrentamento da Epidemia de AIDS e das DST entre Gays, HSH (homens que fazem sexo com homens) e Travestis
Local: Auditório da Secretaria Municipal de Políticas Social
Horário: 17h30
Endereço: Rua Espírito Santo, 505, 18º andar – Centro
Realização: CELLOS-MG: (31) 3277-6954

Sábado, dia 18 de julho

V Caminhada das Lésbicas e Simpatizantes de Minas Gerais
Local: Praça Sete
Horário: a partir das 14 horas
Realização: ALEM (Associação Lésbica de Minas)
Contato: (31) 3267-7871, e-mail: grupoalem@terra.com.br

Domingo, 19 de julho de 2009

12ª Parada do Orgulho LGBT de Belô
“Seus Direitos, Nossos Direitos, Direitos Humanos!”
Realização: CELLOS-MG

Elaine Pereira – Portal Uai  - 13.07.2009





Portugal/Beja: Debate sobre igualdade de oportunidades e violência doméstica

14 07 2009

 

Igualdade de oportunidades e violência doméstica vão estar em destaque numa acção que vai decorrer, esta tarde, no Centro Social do Lidador em Beja. O Espaço T está a apresentar esta iniciativa um pouco por todo o país.

 

O Espaço T-Associação de Apoio à Integração Social e Comunitária em colaboração com a Câmara Municipal de Beja realiza, a partir das 16.00 horas, no Centro Social do Lidador (na foto) uma acção de esclarecimento.

A violência doméstica e a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, sem esquecer os imigrantes ou as pessoas com deficiência, são alguns dos temas a abordar na sessão desta tarde.

Maria Manuel Coelho, coordenadora do Gabinete de Assuntos Sociais da autarquia de Beja, afirmou que o Centro Social do Lidador foi o local escolhido, para receber esta acção, porque os idosos também são um grupo de risco no que toca à violência.

Ainda segundo Maria Manuel Coelho embora tenham sido convidadas as entidades que fazem parta da Rede Social do concelho de Beja qualquer pessoa que esteja interessada pode assistir a esta iniciativa.

Inês Patola/Rádio Voz da Planície – 13.07.2009





Brasil: Participantes valorizam trocas de experiência durante o IV Encontro Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids

14 07 2009

A troca de experiências pessoais – realizada durante encontros informais, debates e oficinas – foi um dos pontos de destaque do IV Encontro Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids, de acordo com muitos participantes. Para eles, ensinar e aprender com a vivência do próximo serve como fortalecimento para seguir na luta contra a aids e no combate ao preconceito em torno da doença.

Eduardo Soares, de 25 anos participou do evento pela primeira vez. “A troca de experiência foi o que mais fez a diferença”, afirmou. “Achei interessante que os jovens que vivem com HIV não são como muitos rotulam. Conheci pessoas soropositivos que têm mais vida do que outras que não possuem o vírus”, declarou Eduardo, que integra as Pastorais de DST/Aids e da Juventude, no Pará.

“É muito legal a interação entre os jovens, um dando apoio para o outro, buscando aprender, ensinar. Esse fortalecimento é muito importante”, disse um participante de 21 anos de idade que pediu para não ser identificado. O garoto, que é de Minas Gerais e se descobriu com HIV aos 19 anos, afirmou que foi ao Encontro para conhecer a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids (RNAJVHA). “Gostei muito, com certeza vou começar a atuar no movimento”, disse.

Esta foi a segunda vez que Júlia de Castro, do Rio Grande do Sul, participou do evento. “Pude levar a minha vivência para os jovens que estão vindo agora. Consegui, de certa forma, fortalecer algumas pessoas com a minha experiência”, contou.

Júlia acredita que os aprendizados do encontro serão multiplicados. “Acho que cada um vai voltar para a sua cidade e levar para outras pessoas alguma coisa que aprendeu aqui. Essa é a nossa intenção, trocar experiências e lutar por uma sociedade sem desigualdade”, afirmou a jovem de 19 anos.

Sobre o Encontro

O IV Encontro Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids foi organizado pelo centro popular de formação Padre Josimo em parceria com a RNAJVHA e contou com apoio de diversas entidades nacionais e internacionais.

Um dos objetivos do evento é contribuir com o protagonismo juvenil na luta contra a aids. Nos quatro dias do Encontro (9 a 12 de julho) foram realizados, principalmente, debates e oficinas, mas a programação também incluiu gincana, festas e passeio.

Fábio Serrato*/Agência de Notícias da Aids – 13.07.2009

*O repórter Fábio Serrato, da Agência de Notícias da Aids, cobriu o evento com apoio do Unicef





Risco de infecção por HIV ainda é grande no Brasil

14 07 2009

O risco de infecção por HIV, vírus causador da aids, durante transfusão de sangue no Brasil é 10 vezes maior do que em países desenvolvidos, de acordo com estudo da Fundação Pró-Sangue de São Paulo. Isso significa que, por ano, entre 50 e 100 pessoas podem ser contaminadas ao receber sangue doado. O coordenador nacional da Política de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, admite que a estimativa está certa. E atribui o problema à associação de dois fatores – falta de um exame mais potente para diagnosticar precocemente a presença do vírus e o fato de o brasileiro ainda recorrer à doação para saber se é ou não portador do HIV.

 

“Enquanto esses problemas não forem resolvidos, os índices dificilmente vão baixar”, emenda a pesquisadora Ester Sabino, médica da Fundação Pró-Sangue e investigadora do Reds, um estudo que está em curso no País sobre a prevalência de doenças relacionadas à doação, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês). Os pesquisadores consideram que 1 em cada 60 mil bolsas de sangue coletadas esteja contaminada por HIV e não seja identificada no teste de controle realizado nos bancos de sangue.

 

No País, são usados 3 milhões de bolsas de sangue, em média, por ano – cada uma pode ser utilizada até por duas pessoas. “Embora pareçam ruins quando comparados a países desenvolvidos, os índices brasileiros são bons. A qualidade do sangue brasileiro é muito boa, principalmente quando lembramos o que era no passado, antes de haver maior controle. Mas podemos melhorar”, afirma Ester. A tecnologia atual dos testes para avaliar a qualidade do sangue permite detectar a presença do HIV somente 12 dias após a infecção. “Se o doador tiver sido contaminado poucos dias antes, o teste dará negativo, a bolsa será usada e o receptor corre o risco de ser contaminado”, explica Genovez.

 

O problema, chamado janela imunológica, ocorre também com a hepatite – e, nesse caso, o risco é ainda maior. A janela imunológica é de 70 dias. Isso explica em parte as estatísticas atuais de hepatite C no País. A transfusão de sangue foi responsável por 12,3% dos novos casos da doença em 2008.

 

Em países desenvolvidos, a janela imunológica é reduzida pelo uso de um exame batizado de Nat, que em vez de identificar a presença dos anticorpos no sangue, como os exames tradicionais, procura encontrar traços do vírus. O Brasil deverá passar a adotar essa tecnologia a partir do próximo ano, quando deve ficar pronto o teste desenvolvido por Biomanguinhos. Com isso, a janela imunológica dos testes para aids deverá cair de 12 para 8 dias. No caso da hepatite, ela deve baixar de 70 para 14 dias. “Será um salto significativo”, garante o coordenador do programa de sangue.

 

Neste mês, um estudo multicêntrico deve ser iniciado para avaliar o sistema de análise com a nova tecnologia. Nesta etapa, amostras de sangue deverão ser enviadas para plataformas distribuídas em várias partes do País. Se não houver atraso, o pedido de registro deve ser feito ainda neste ano. Ester não tem dúvida de que o teste pode ajudar a reduzir o risco. Mas assegura haver outra medida mais importante: a melhora da qualidade do sangue do doador. Um trabalho feito pela pesquisadora mostra as razões da preocupação. A prevalência do HIV no sangue de doadores voluntários é maior do que da população em geral, 0,6% ante 0,2%. “Apesar das entrevistas e dos métodos usados, há pessoas que buscam o banco de sangue apenas para fazer a testagem do HIV”, conta.

 

A coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariângela Simão, diz que o número dos que buscam a doação de sangue como alternativa ao teste do HIV vem caindo e deve reduzir ainda mais com o aumento da oferta do teste rápido. “Os serviços estão mais amigáveis, há uma redução das barreiras para a realização do exame.” Ela conta haver uma preocupação para que as equipes sejam bem treinadas para fazer o acolhimento de possíveis doadores.

 

FIDELIZAÇÃO DE DOADORES

 

A melhoria da qualidade do sangue usado em transfusões no País depende principalmente da mudança na forma de recrutamento dos doadores, avalia o pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro. Para ele, tão importante quanto a adoção de testes mais seguros para HIV e hepatites é o esforço de fidelizar doadores com estilo de vida que não aumente o risco para essas doenças. “Não é preciso ter uma grande quantidade de pessoas recrutadas, mas adotar um método racional para captação de sangue.”

 

Atualmente, antes de o candidato iniciar a doação, ele passa por uma entrevista no banco de sangue, para verificar se há o risco acrescido de ele ser portador do HIV. A oferta de doação pode ser descartada, por exemplo, se ele for diabético, caso tenha feito tatuagem, colocado piercing, tenha parceiros sexuais que se submetam a hemodiálise ou sejam homens que fazem sexo com homens. O problema é que isso muitas vezes é feito pelo profissional de saúde de forma agressiva. “Há uma série de relatos de pessoas que se sentem ofendidas diante do profissional”, diz Grangeiro.

 

A pesquisadora Ester Sabino afirma que um trabalho feito na Fundação Pró-Sangue, com orientação para candidatos a doadores, não se refletiu na melhoria da qualidade das bolsas. “A taxa de bolsas coletadas e mais tarde descartadas se manteve, o que mostra um índice alto de informações incorretas passadas pelo doador.” Nas campanhas, o lema era: se tiver dúvida, não doe. “Mas há pessoas que se sentem inibidas a contar que se encaixam em alguma das situações de risco.”

 

O coordenador nacional da Política de Sangue e Hemoderivados, Guilherme Genovez, diz que há iniciativas de fidelização que apresentam êxito, como um grupo em Brasília, formado por jovens que, assim que completam 18 anos, comprometem-se a fazer doações e adotam comportamento que reduz o risco de doenças.

 

RESTRIÇÃO A HOMOSSEXUAIS

 

As restrições de doação de sangue de homens que fazem sexo com homens provocou polêmica fora e dentro do governo. A revisão da limitação, uma bandeira do movimento gay, foi incorporada no Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT). No entanto, por divergências no próprio Ministério da Saúde, o tópico teve de ser retirado às pressas.

 

Um mês após o lançamento do plano, o Fórum de ONG de Aids cobrou a revisão e só então soube que a meta, de fato, não existia. “Não houve compromisso de reavaliar o tema”, afirmou a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariângela Simão. “O objetivo é outro. O de assegurar a capacitação de profissionais que fazem a captação e triagem”, completou. O coordenador do Programa Brasil Sem Homofobia, Eduardo Santarelo, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, lamenta que o erro tenha ocorrido justamente com um dos temas mais polêmicos do documento. Preparado por um grupo interministerial, o plano apresenta 51 diretrizes, que deverão ser transformadas em políticas públicas em curto prazo.

 

Na versão inicial do plano, uma das diretrizes determinava que o governo deveria rever a “restrição da doação de sangue por parte da população LGBT e capacitar os profissionais de saúde das hemorredes para uma abordagem sem preconceito e discriminação”. A redação havia sido aprovada por todos os representantes, incluindo o do Ministério da Saúde. Quando o documento chegou ao Programa Nacional de DST-Aids, no entanto, veio a reviravolta. Sob a justificativa de que a medida colocaria em risco a qualidade do sangue, o programa conseguiu que a primeira parte do texto fosse retirada, restando a capacitação.

Agência Estado/Jornal Cruzeiro do Sul – 13.07.2009





Angola: Saúde promove formação sobre Vih/Sida no local de serviço

14 07 2009

Ondjiva – Sessenta e cinco educadores de pares e activistas dos municípios do Kwanhama, Ombadja, Namacunde e Cahama, da província do Cunene, participam desde hoje (segunda–feira), na cidade de Ondjiva, de um seminário de capacitação sobre “Vih/Sida, malária e tuberculose”, visando contribuir para a diminuição da epidemia nos locais de serviço.

Promovido pela direcção da saúde, através do projecto HAMSET, o seminário de ois dias tem como objectivo principal o aumento de conhecimentos dos formandos sobre os métodos de transmissão e prevenção destas doenças, em particular o Vih/Sida.

De acordo com o director provincial da saúde no Cunene, Eduardo Haiumba, o encontro vai permitir a adopção de métodos para um melhor método de transmissão de conhecimentos, que servirão de base para a redução dos efeitos de Vih/sida, malária e tuberculose.

Os participantes estão a abordar temas sobre a análise dos educadores de pares e activista no local de serviço, conceitos, motivo de implementação, o papel da instituição, tuberculose, Vih/Sida e malária, os aspectos da planificação e instrumentos para utilização dos educadores de pares e activistas, métodos e meios de comunicação para prevenção da saúde na educação de pares e activistas.

Participam da formação, técnicos das direcções províncias da saúde, educação, segurança social, direcção da família e promoção.

Angop – 13.07.2009





MOÇAMBIQUE: Menos de 7% das crianças seropositivas recebem ARVs

14 07 2009

MAPUTO, 13 Julho 2009 (PlusNews) – É manhã de segunda-feira e por volta das 8 horas, Mariana Banze, 38 anos, leva ao colo Anita de quatro anos, sua caçula. Ela caminha em direcção à pediatria do Hospital Central de Maputo para mais uma consulta mensal. Anita é seropositiva desde que nasceu. Sua mãe, também infectada, não falha em leva-la às consultas médicas.

“Nunca falto às consultas e cumpro sempre a hora da medicação que me dizem os médicos. Não devo esquecer-me, porque é a saúde da minha filha que está em jogo”, disse Mariana, que confessou ao Plusnews que Anita foi provavelmente infectada por transmissão vertical.

Como Anita, existem em Moçambique aproximadamente 150 mil crianças, de 0 a 14 anos que vivem com o vírus de HIV, segundo o estudo de Impacto Demográfico de HIV/SIDA 2009 realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Estima-se que até 2010, o número de crianças com HIV aumente em 5%.

Só em 2008 a doença matou mais de 21 mil crianças e jovens de até 15 anos.

Tratamento para poucos

O Ministério moçambicano de Saúde confirma que apenas 6,9% das 150 mil crianças seropositivas do país estão em tratamento. E das 10.477 que recebem antiretrovirais, mais de 40% estão na província de Maputo.

O tratamento antiretroviral de crianças é gratuito em Moçambique e deve ser administrado em todas as que tiverem uma quantidade de células do sistema imunológico (CD4) inferior a 200.

''A pandemia do HIV/SIDA tem um efeito destrutivo na vida das crianças e jovens moçambicanos, mas é um facto ainda largamente subestimado''

“Geralmente os pais que não aderem ao tratamento dos seus filhos o fazem por falta de condições de transporte pois, em muitos casos, os centros de saúde e os hospitais-dia localizam-se muito distante das residências dos pacientes”, explicou Roberto Bernardi, chefe da secção de saúde e nutrição da criança no Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O relatório do INE revela que 85 crianças são infectadas a cada dia por transmissão vertical. E que actualmente há cerca de 150 mil mulheres grávidas seropositivas.

O UNICEF em Moçambique afirma que mais de 90% das crianças seropositivas no país são infectadas por transmissão vertical – durante a gravidez, na altura do parto ou durante a amamentação.

“A pandemia do HIV/SIDA tem um efeito destrutivo na vida das crianças e jovens moçambicanos, mas é um facto ainda largamente subestimado. É imperativo reforçar a resposta, não apenas para minimizar a expansão, mas também para reduzir o impacto negativo que o SIDA tem trazido a toda uma geração de crianças”, disse Leila Pakkala, representante do UNICEF em Moçambique.

O UNICEF desenvolve um programa de apoio a mulheres grávidas, crianças órfãs e vulneráveis, denominado Apoio Psicosocial e Cuidados Domiciliários. O programa visa fornecer apoio alimentar, psicológico e social, além de cuidados médicos às crianças infectadas.

“Neste programa acompanhamos as crianças a receber o tratamento com antiretrovirais e fazer a consulta mensal. E nos certificamos de que elas estão realmente tomando os medicamentos”, disse Bernardi.

Órfãos chegam a 347 mil

Ciente da incapacidade de responder às necessidades de todo o país o UNICEF apela ao governo e a outras organizações que actuam na área de HIV e SIDA para reforçarem a sua intervenção no tratamento pediátrico, prevenção na transmissão de mãe para a criança, prevenção de novas infecções em jovens e protecção e apoio de órfãos e crianças vulneráveis.

Com uma prevalência de 16% em todo o país, estima-se que 347 mil crianças tornem -se órfãs de ambos os pais devido ao SIDA até ao final de 2009. As crianças órfãs da SIDA dividem-se entre as rejeitadas devido ao estigma, as que tornam-se chefes de família e cuidam de outras crianças e as que vivem em famílias chefiadas por idosos e em comunidades pobres.

O Governo moçambicano está a considerar formas de expandir a protecção social para crianças órfãs e vulneráveis. O UNICEF e outros parceiros estão a apoiar o Governo no desenvolvimento de uma estratégia de longo prazo para esta área. A protecção social de crianças que perderam seus pais por HIV/SIDA deve incluir mecanismos tais como subsídios alimentares ou transferências monetárias que aliviem as famílias vulneráveis, geralmente lideradas por idosos.

PlusNews – 13.07.2009