Curitiba tem, atualmente, 7.477 casos de pessoas infectadas pelo vírus HIV. Este é um acumulado desde o primeiro caso, em 1984, até o ano passado. Deste total, cerca de 70% são homens e 30% mulheres. No começo da epidemia, eram contabilizados 15 casos em homens para um entre mulheres. Atualmente, este cenário mudou. São dois casos em homens para um em mulheres. Desde 2003, pode-se observar uma estabilização no número de ocorrências, com um leve declínio. Esta semana, Curitiba será palco para o 4º Encontro de Jovens e Adolescentes Vivendo com HIV e Aids.
De acordo com a coordenadora do programa de controle de Aids e HIV de Curitiba, Mariana Thomaz, dos 7.477 casos registrados em Curitiba desde 1984, 5.231 são homens e 2.246 são mulheres. Entre adolescentes e adultos jovens, com idade entre 10 e 19 anos, são 182 casos, num total de cerca de 2,4% dos casos totais. Segundo Mariana, este é um número esperado.
“Curitiba está na média nacional. Em adolescentes, a transmissão vertical, aquela onde o jovem contraiu a doença através da mãe, ainda representa um total de 60% das transmissões, contando dados desde 1984. O restante contraiu de outras formas. Atualmente, a transmissão vertical é bem menor e os adolescentes estão conscientes de que precisam praticar sexo com segurança”, disse.
Segundo Mariana, com o passar dos anos, a transmissão ficou intensa pelo início precoce da vida sexual dos jovens. Os meninos começaram a ter relações aos 14,5 anos e as meninas aos 15,5 anos. Ainda assim, é uma geração que já inicia sua vida sexual usando camisinha. “Eles têm isso como hábito. É uma população que já incorporou o sexo seguro e muito mais fácil de lidar”, disse.
Em números absolutos, os homens ainda são os mais contaminados, mas o cenário pode estar mudando. “Quando se fala em aids e HIV temos algumas vertentes e a serem comentadas. A juvenização, que é um aumento no número de casos em adolescentes e adultos jovens, e a feminilização, que é um aumento entre mulheres. Apesar de os números absolutos apontarem os homens como o grande grupo de portadores do vírus e da doença, as mulheres estão contraindo mais. No começo da epidemia, eram 15 homens para cada mulher. Hoje em dia, temos dois homens para cada mulher”, explicou.
Segundo Mariana, desde 2003, pode-se notar uma estabilização e um sutil declínio no número de casos. Em 2002, havia uma média de 500 casos novos ao ano. Nos últimos anos, a média caiu para 300, 330 casos. “Ainda não me atrevo a dizer que está baixando, mas podemos notar um sutil declínio. E isso pode ser atribuído ao uso mais sistemático da camisinha”, apontou.
Mariana enfatiza sempre que a questão do uso do preservativo é o principal fator para evitar a transmissão do vírus. “Em relação às drogas, o número já foi mais expressivo. Na região Sul, isso já beirou os 18%. Mas atualmente, no mundo inteiro, mais de 98% das transmissões ocorrem através do sexo. A transmissão pelo usuário de droga já foi expressivo, mas não acontece mais”, apontou. O que acontece é que o crack, o álcool ou qualquer outra droga tornam o indivíduo mais propenso a praticar sexo sem segurança. E é assim que ocorre a transmissão”, explicou.
bemparaná – 06.07.2009

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