Portugal: “Um sinal errado”

20 05 2009

Um sinal errado dado pela escola pública. A uma voz, responsáveis das confederações de pais, Igreja Católica e Comunidade Islâmica coincidem na oposição à ideia da distribuição de preservativos nas escolas.
Distribuição? Cristina Sá Carvalho, do secretariado católico para a Educação Cristã, diz que “ninguém fala do custo dos preservativos… Porque eles não serão oferecidos…”. Há “tectos a cair” nas escolas, diz. “Porque não começar por aí?”
Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, avisa que “mais educação e mais saúde têm que estar de mãos dadas”, diz, para defender a ideia de que gravidezes precoces devem ser acompanhadas por consultas médicas no Sistema Nacional de Saúde.
“A distribuição de preservativos é um sinal errado dado pela escola pública, porque há também doenças afectivamente transmitidas.”
Em comunicado, a direcção da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação manifesta-se também contra a ideia, “acessória do que deve ser a verdadeira discussão sobre a educação sexual nas escolas”. E acrescenta que os alunos com 16 anos ou mais devem ser acompanhados ao nível do planeamento familiar.
Cristina Sá Carvalho, psicóloga que tem trabalhado na educação sexual dos mais novos, afirma que “os programas centrados na distribuição de preservativos não têm resultados positivos”. As escolas “deviam associar-
-se aos pais e, com esta medida, muitos pais não vão querer que os filhos tenham educação sexual e isso é que é preocupante”. “O sistema educativo enfrenta uma enorme crise de qualidade e isto vai carregar a escola com o que não é central”, afirma.
David Munir, xeque da Mesquita de Lisboa, diz que o islão não se opõe ao uso do preservativo, mas o contacto físico só é admitido depois do casamento. Por isso “é muito cedo” fazer a distribuição na escola.
“Sabemos que é um assunto delicado. Não se deve esconder a realidade, mas falar sobre ela e os cuidados a ter. Os jovens envolvem-se facilmente e isso pode incentivar algo que, à partida, eles nem quereriam. O acompanhamento dessas situações deve ser feito nos centros de saúde”, diz. António Marujo

Público -20.05.2009


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