Contágio de adultos é a chave para entender a gripe suína, diz especialista

4 05 2009

A interpretação de que a aparente imunidade de muitas crianças e idosos à gripe suína é sinal de que as vacinas existentes são eficazes contra o novo vírus pode ser otimista demais, alerta Laurie Garrett, vencedora do prêmio Pulitzer de jornalismo pela cobertura dos casos de ebola nos anos 90 e autora do livro “A Próxima Peste”, sobre o aparecimento de doenças infecciosas.

Em entrevista coletiva concedida por telefone nesta segunda-feira, de Nova York, ela disse que a ideia de que crianças e idosos estão sendo poupados graças à vacinação é “uma especulação” e expôs outras explicações possíveis para a concentração de casos em jovens adultos.

Garret disse que uma hipótese é a de que os jovens estejam morrendo porque o sistema imunológico deles produz uma reação exagerada ao vírus, provocando um acúmulo de líquidos nos pulmões que os “afoga” em fluidos. Isso já aconteceu no passado, na epidemia de gripe espanhola que matou cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo em 1918.

“Se você tem Aids ou passa por quimioterapia, você, ironicamente, teria pequena chance de ser atingido, porque tem um sistema imunológico enfraquecido”, diz Garrett, em relação a esse tipo de vírus. “É uma questão gigante não respondida.”

Saber se isso está se repetindo ou se o vírus tem outro tipo de ação no organismo pode influenciar o número de mortes que uma epidemia global poderia causar, principalmente nos países pobres sem capacidade de dar uma resposta governamental rápida à doença. Como esses países, em especial na África, são exatamente os que têm grande incidência de Aids, uma infecção dupla poderia ter consequências desastrosas. Ela destaca que alguns países africanos têm 20% da população adulta com HIV, na mesma faixa de idade que está sendo atingida pela gripe no México.

Outra possibilidade para explicar a vulnerabilidade dos jovens adultos é que o novo vírus da gripe suína seja apenas uma forma mais violenta do vírus da gripe normal, que os afeta mais por questões comportamentais ou seja, adultos convivem mais entre si e, por isso, se infectaram mutuamente, a partir de casos iniciais entre eles. Neste caso, todos estariam vulneráveis, especialmente aqueles com sistema imunológico enfraquecido.

Garret diz que as própria letalidade do vírus e o número de pessoas infectadas ainda não são conhecidos, o que torna difícil fazer previsões sobre o alcance e a gravidade de uma eventual pandemia (epidemia de vasto alcance geográfico, talvez global). A diferença entre o México, onde pelo menos 22 pessoas morreram, e os EUA, onde não foram registrados casos fatais, ainda não foi esclarecida, disse ela, o que poderia fornecer dados para entender a ação do vírus.

Resistência

Para a especialista, o pior cenário possível seria a recombinação genética do vírus da gripe suína com um tipo de vírus H1N1 que está em circulação nos EUA desde dezembro passado e que é resistente ao medicamento Tamiflu, a primeira opção de combate aos vírus da gripe.

“Até agora, felizmente, aquele tipo de H1N1 não se recombinou e se misturou com o vírus que estamos chamando de vírus da gripe suína, mas que poderia se melhor chamado de vírus suíno, aviário e humano porque tem [...] RNA genético dos três”, afirmou Garrett. “Se nós tivermos uma recombinação com o vírus resistente ao Tamiflu, eu diria que é hora de irmos para o maior dos alertas de pandemia.”

Folha Online – 29.04.2009


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18 07 2009
Edilson Diniz

INFLUENZA, NECESSÁRIA REFLEXÃO
Seria surpreendente, caso fosse possível, tratar aqui, nessas poucas linhas, das diretrizes políticas e econômicas adotadas por cada um dos países após o estouro da última crise econômica mundial. Mas, diferentemente do tamanho da crise, o espaço aqui é pouco, e por isso parte desse texto será dedicado a questões diretamente relacionadas à forma com que alguns órgãos e a sociedade estão encarando determinadas questões provenientes do vírus influenza A (H1N1), popularmente conhecido como gripe suína.

Então, vamos lá. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a pandemia de gripe de 2009 – inicialmente designada como gripe suína e em abril de 2009 como gripe A – é um surto global de uma variante de gripe suína cujos primeiros casos ocorreram no México em meados do mês de março de 2009 e começou a se espalhar por vários países. Com isso, tornou-se comum entre os povos chamar a doença de gripe suína, sendo que os especialistas preferem denominá-la de influenza A (H1N1).

Em decorrência disso, aqui no Brasil, nasceu uma grande controvérsia sobre as ações e postura do Ministério da Saúde e da grande maioria dos veículos de comunicação no trato do assunto. Tudo porque, em meados do mês de abril, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, divulgou nota informando que o Brasil havia intensificado o monitoramento nos aeroportos para evitar a entrada de pessoas infectadas pelo vírus da gripe suína, nos vôos procedentes do México e dos Estados Unidos.

Foi a partir dessa nota que a situação se complicou. Haja vista que enquanto parte da imprensa e da população viu na nota uma excessiva precaução, uma outra, também composta por integrantes do chamado quinto poder e por uma outra parte do povo brasileiro, ficou surpreendentemente preocupada com a possibilidade de possíveis consequências mais graves.

Agora, passados três meses do primeiro pronunciamento do Temporão, a polêmica permanece, só que com traços diferentes, pois os números oficiais indicam a existência de centenas de brasileiros contaminados, alguns óbitos e a indicação de que o vírus H1N1 já circula livremente pelas bandas tupiniquins.

A cada dia que passa a polêmica cresce, mas mantém seu contorno inicial. Principalmente porque a grande maioria dos “nossos” jornais, revistas e redes de TV´s continuam apenas divulgando as ações, linha e números apresentados pelo Ministério da Saúde brasileiro, sem nenhuma demonstração de aprovação, repúdio, contestação ou crítica à tal postura. Desta forma, cresce ainda mais as insatisfações dos que condenam a passividade evasiva dos considerados “formadores de opinião”.

Assim sendo – por falta de informações mais concretas e abrangentes, além de orientações práticas e objetivas -, é que o povo brasileiro de uma forma geral, não está conseguindo debater o assunto com a calma e a profundidade que ele aparentemente requer e necessita. Apenas a “sociedade virtual”, composta em sua grande maioria por “blogueiros”, é que desde o início provoca a chama do debate que mantém acesa a luz da necessária reflexão sobre tão importante assunto.

Em decorrência dos inúmeros e diários posicionamentos via internet, mesmo sendo alguns a favor e outros contra, sobre a postura e métodos do governo brasileiro e dos famosos veículos de comunicação, é que a “sociedade virtual” vem conseguindo tirar suas conclusões sobre como o povo deve se relacionar, conviver e se precaver dos possíveis males oriundos do H1N1.

Enquanto isso acontece na virtualidade, os concretos jornais e TV´s continuam apenas divulgando frios números, sem nenhuma possibilidade de uma reflexão mais profunda ou formação de opinião que auxilie a grande massa de brasileiros na escolha da conduta correta frente a pandemia ou epidemia, seja lá a denominação que queiram dar, causada pela gripe suína. Resultado: parte da sociedade brasileira não está nem aí para a questão e outra vem apresentando perplexidade e medo.

Tendo como base todos esses fatos e hábitos, é impossível alguém se furtar das seguintes interrogações: será tudo isso uma questão cultural, excesso de precaução ou falta de responsabilidade?

EDILSON DINIZ – http://www.epmcomunicacao.blogspot.com

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