Portugal: Preservativo feminino volta às farmácias

30 03 2009

Anos depois de o preservativo feminino ter abandonado as farmácias portuguesas por falta de compradoras, arranca amanhã em vários canais uma campanha televisiva para promover este anticoncepcional que mereceu o desprezo da maior parte das mulheres portuguesas. A campanha é promovida pela Coordenação para a Infecção VIH/Sida em conjunto com a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.
Nas farmácias, o preservativo feminino não está à venda. Mas as mulheres que quiserem optar por este tipo contraceptivo poderão encontrá–lo em centros de saúde e hospitais, onde serão disponibilizados gratuitamente, explica Beatriz Casais, da coordenação.
Desde Julho de 2007, aliás, este organismo distribuiu mais de 135 mil preservativos femininos por equipas de rua, organizações não go-
vernamentais,etc., o que é muito pouco quando comparado com o total de preservativos masculinos disponibilizados (7,4 milhões, só em 2008). “O que pretendemos é alargar a curiosidade a todas as mulheres de forma a que o anticoncepcional regresse ao mercado comercial”, justifica Beatriz Casais. A maior dificuldade de colocação e o elevado preço foram dois dos factores que ditaram o insucesso do preservativo feminino.
Entretanto, ontem soube-se que a venda de preservativos masculinos em farmácias e parafarmácias caiu quase seis por cento em 2008, de acordo com dados disponibilizados pela consultora IMS Health.
Em Portugal, as infecções com o vírus da sida tendem actualmente a aumentar um pouco entre a população homossexual e a diminuir entre os toxicodependentes e os heterossexuais, adiantou o coordenador nacional, Henrique Barros, à margem da Conferência VIH Portugal 2009, em Lisboa. Estima-se que existam agora 20 mil infectados, uma parte dos quais já estão doentes com sida.

Alexandra Campos – Público – 28.03.2009


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