Cerca de 36% dos portadores do HIV afirmam em estudo que pioraram em condições financeiras depois de descobrirem a infecção pelo vírus

10 12 2008

“Pacientes de Aids em terapia anti-retroviral: reposta do sistema de saúde e qualidade de vida” realizou um inquérito com 1.246 pessoas de 42 unidades dispensadoras de medicamentos. Todos os indivíduos responderam um questionário relativo ao estado geral de sua saúde, uma auto-avaliação, e ao desempenho do sistema de saúde.

Além da piora nas condições financeiras, cerca de 20% relataram discriminação social e 33% detectaram uma piora em sua aparência física. Os dados fazem parte do que eles afirmam como as principais perdas relacionadas à infecção. Quando o quesito é o principal ganho, 43,5% dizem que recebem a melhor assistência de saúde, seguido de 38% afirmando que não houve nenhum tipo de benefício.

Quase 30% dos pacientes pesquisados iniciaram o tratamento anti-retroviral entre os anos de 2000 e 2003 e 19% nos últimos dois anos. A maior parte declarou ter se infectado por meio de relação sexual (88%) sendo que, entre as mulheres, 92% em relação heterossexual e entre os homens, 47% heterossexual e 38% homossexual.

Mais de 60% das pessoas ainda declararam ter apresentado algum tipo de efeito colateral ou reação adversa a algum medicamento anti-retroviral e 22% relataram lipodistrofia. Entre estes, 16% já fizeram preenchimento com metacrilato.

Já em nível geral, 59% dos pacientes avaliam a sua qualidade de vida como boa ou excelente. Entretanto, 23% relataram sentirem-se sozinhos, 31% não têm suporte familiar e 46% não têm suporte de amigos. Mais informações e detalhes sobre a pesquisa, que está em fase de finalização, podem ser obtidas pelo e-mail pborges@icict.fiocruz.br

Rodrigo Vasconcellos/Agência de Notícias da Aids – 10.12.2008





Portadores do HIV infectados pelo HPV têm 90% de chance de ter lesões genitais e bucais

10 12 2008

Um portador do HIV, caso também esteja infectado pelo Papilomavírus Humano (HPV), terá 90% de chance de ter lesões genitais e bucais, provocadas pelo HPV, ao mesmo tempo. Essa correlação, entre os soronegativos, é de apenas 34,4%. Os dados, preliminares, são de estudo do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo. Os números foram apresentados na manhã desta terça-feira (09/12) por Elcio Magdalena Giovani, cirurgião dentista do Serviço de Assistência Especializada (SAE) em DST/Aids do Butantã, zona oeste de São Paulo.

Na média, 46,2% das pessoas pesquisadas apresentaram lesões genitais e orais concomitantes. Ou seja, ao mesmo tempo. “É muita coisa”, avaliou Elcio Magdalena Giovani. Para o cirurgião dentista, é importante fazer um trabalho integrado no combate ao HPV. “Não adianta nada tratar embaixo e não tratar em cima”, disse.

A pesquisa, ressaltou Elcio Magdalena Giovani, ainda está andamento. O estudo, que analisa pacientes atendidos no SAE do Butantã, começou em agosto do ano passado e está previsto para terminar em julho de 2009. Segundo Giovani, os dados apresentados durante o “V Seminário de Pesquisa em DST/Aids do município de São Paulo”, que acontece na capital paulista, foram reunidos até julho de 2008. Há ainda um ano de estudo pela frente.

Léo Nogueira/Agência de Notícias da Aids – 09.12.2008





Soropositivas têm mais parceiros ao longo da vida, começaram a fazer sexo mais cedo e usam drogas com mais freqüência, aponta pesquisa do Ministério da Saúde

10 12 2008


Regina Maria Barbosa, do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas, é uma das coordenadoras da pesquisa

09/12/2008 – 15h40

Ao longo da vida, soropositivas têm mais parceiros sexuais do que mulheres não infectadas pelo HIV. Além disso, portadoras do vírus da Aids começam a vida sexual mais cedo e usam drogas com mais freqüência. Isso é o que diz pesquisa divulgada na manhã desta terça-feira (09/12). O estudo, financiado pelo Ministério da Saúde, foi apresentado por Regina Maria Barbosa, pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (NEPO) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

De acordo com a parte quantitativa da pesquisa, 45% das mulheres vivendo com HIV/Aids tiveram três parceiros ou mais durante a vida. Para mulheres soronegativas, esse índice é de apenas 24%. Quando o assunto é o início da vida sexual, as soropositivas fazem sexo pela primeira vez com 16 anos, enquanto as demais começam a vida sexual um ano mais tarde. O estudo, que ainda não foi finalizado, também pesquisou a relação das mulheres com o uso de drogas.

Cerca de 8% das soropositivas já usaram drogas pelo menos uma vez na vida. No caso das mulheres que não vivem com o vírus, 2% delas disseram ter feito uso desse tipo de substância em alguma oportunidade. Regina Maria Barbosa, uma das coordenadoras da pesquisa, apresentou o estudo durante o “V Seminário de Pesquisa em DST/Aids do município de São Paulo”. O evento, realizado pelo Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, acontece em um hotel no centro da capital paulista.

Para a parte quantitativa da pesquisa, explicou Regina Maria Barbosa, foram analisados questionários preenchidos pelas usuárias dos serviços de saúde de 13 cidades das cinco regiões do país. Foram recrutadas 3.822 mulheres. Dessas, 1.777 são portadores do HIV. Do total, cerca de 90% (o que corresponde a 3.438 pessoas) eram de mulheres com idades entre 18 e 49 anos.

Regina Maria Barbosa ressaltou que o estudo ainda não foi finalizado porque falta a parte qualitativa da pesquisa. Nessa etapa, explicou a integrante do Núcleo de Estudos de População, serão feitas entrevistas “em profundidade” com 15 mulheres, de 18 a 49 anos, nas seguintes cidades: São Paulo, Ribeirão Preto, Recife, Pelotas, Porto Alegre, Belém e Goiânia.

Como viver com HIV/Aids impacta nas decisões e práticas relacionadas a saúde sexual e reprodutiva?

A questão acima, esclareceu Regina Maria Barbosa, foi uma das perguntas que a pesquisa quis responder. Para a pesquisadora da UNICAMP, trata-se de um estudo inédito no país. “No campo da Aids, a gente vem trabalhando para tentar garantir o direito das mulheres terem filhos”, disse. Quando se fala em saúde reprodutiva, o estudo mostra uma grande diferença entre as taxas apresentadas por mulheres vivendo com HIV/Aids e aquelas não infectadas.

No caso da laqueadura, por exemplo, soropositivas se submeteram mais ao método de esterilização. Das soronegativas pesquisadas, 19,5% (327) haviam se submetido ao procedimento. Entre portadoras do HIV, esse índice alcançou 32,6% (387). “Será que essas mulheres estão tendo, de fato, opção”, indagou Regina Maria Barbosa aos presentes. Ela avaliou como “bastante grande” o estímulo a laqueadura de mulheres soropositivas em alguns serviços de saúde.

De acordo com a pesquisa, a pílula contraceptiva é usada por 10,3% (123) das infetadas pelo HIV. Para mulheres soronegativas esse índice é mais de três vezes maior: 35,9% (601). O aborto induzido é maior entre portadoras do vírus da Aids. 17,4% (278) das mulheres nessas condições relataram ter realizado ao menos um aborto desse tipo. No caso das soronegativas, 9,7% (177) disseram o mesmo.

Léo Nogueira/Agência de Notícias da Aids – 09.12.2008





MOÇAMBIQUE: “Meu filho teve a matrícula recusada porque o pai é seropositivo”

10 12 2008

MAPUTO, 10 Dezembro 2008 (PlusNews) -

Sou seropositivo há mais de cinco anos, mas fiquei durante muito tempo no silêncio. Para além de pessoas da minha família, ninguém mais sabia do meu estado.

Depois senti que a minha experiência podia ser útil para muita gente e em 2006 decidi assumir publicamente meu estado. Afiliei-me à Associação Kudumba e, como activista, falava em palestras, dava entrevistas e participava em programas de rádio e televisão.

Todo mundo me conhecia.

Tenho um filho de quatro anos que, felizmente, é seronegativo.

No início de 2007 tentei matriculá-lo num infantário privado no meu bairro, na zona da Matola, mas a directora disse-me que eu havia chegado tarde e que já não havia vagas.

Estranhamente, soube que depois de mim, algumas crianças se matricularam naquele mesmo infantário. Meu filho teve a matrícula recusada porque o pai é seropositivo.

Isso é uma clara violação de um dos direitos de infância mais básicos: o direito à educação.

Assumir-se como ser positivo é uma atitude ética muito importante. Mas as consequências sociais que isso traz são terríveis.

Jaime Mucavele*/PlusNews – 10.12.2008

*nome fictício





Testes do VIH/SIDA confidenciais e gratuitos a partir de Janeiro

10 12 2008

Os testes rápidos de detecção do VIH/SIDA vão estar disponíveis na rede de Centros de Saúde dos Açores a partir de Janeiro, anunciou o secretário regional da Saúde.

Numa conferência de imprensa em Angra do Heroísmo para divulgar a realização dos testes rápidos de detecção do VIH/SIDA, medida “pioneira a nível nacional”, Miguel Correia explicou que os cidadãos interessados não necessitam de marcar consulta para o efeito, bastando deslocar-se a um Centro de Saúde onde os testes serão feitos “na hora”.
O governante garantiu que o procedimento é “anónimo, confidencial e gratuito” e que os resultados são conhecidos “entre 15 a 20 minutos” depois de efectuado o teste.
Miguel Correia considerou que este é “um importante avanço na luta contra o VIH/SIDA” e lembrou que a detecção precoce é fundamental para “garantir melhor qualidade de vida ao portador do VIH” e, simultaneamente, para minimizar o número de contágios.
O secretário regional revelou que um estudo das Nações Unidas indica que existem em Portugal 34 mil casos de infecção por VIH, mas as projecções apontam para esse número poder chegar aos 63 mil.
“Se aplicarmos essa metodologia aos Açores especificamente, podemos estimar que poderão existir entre 800 a 1.500 residentes na Região infectados com o HIV/SIDA”, quando “só conhecemos 200 casos, que acompanhamos periodicamente nas nossas unidades de saúde”, sublinhou o governante.

JornalDiario – 09.12.2008





Jovens sul-africanos ‘usam anti-retrovirais como droga’

10 12 2008

Medicamentos anti-retrovirais para tratamento da Aids estão sendo usados como drogas alucinógenas por jovens e adolescentes na África do Sul, segundo informações apuradas por uma documentarista do país.

De acordo com a documentarista Tooli Nhlapo, os remédios estariam sendo vendidos por pacientes em tratamento e até mesmo por funcionários da saúde.

Nhlapo viu estudantes fumando o medicamento, cujos comprimidos são triturados até virar pó e, algumas vezes, misturado com analgésicos ou maconha.

“Não conseguia acreditar, fiquei chocada, eram alunos de escolas ainda usando seus uniformes”, disse Nhlapo ao programa Outlook do Serviço Mundial da BBC.

Os próprios pacientes que fazem tratamento para Aids já foram flagrados fumando os medicamentos em vez de tomar de acordo com a recomendação médica, disse a diretora.

Efeito relaxante

No início de sua investigação, a documentarista pensou que iria entrar em um bar e se encontrar com viciados em drogas mais velhos, mas foi surpreendida ao ver estudantes saindo da escola e usando o medicamento.

“Um deles, que falou comigo de uma forma muito sincera, tinha apenas 15 anos, e o mais velho com quem conversei tinha 21. Mas a maioria é de jovens e adolescentes”, afirmou.

“Quando perguntei por que eles gostavam de fazer isso, eles responderam que (o medicamento) os ajudava a relaxar e esquecer seus problemas.”

“Quando você olha para eles, apenas alguns segundos depois de consumir, eles já estão em outro mundo”, acrescentou Nhlapo.

Os jovens usuários com quem a documentarista conversou conseguem a droga com pacientes e com funcionários da saúde.

“É bem organizado, não importa o quanto eles estejam drogados, eles não falam quem forneceu o remédio”, afirmou a documentarista.

Os usuários sabem quando pacientes vão retirar os medicamentos e compram deles. Ou, caso não tenham dinheiro, roubam os comprimidos, disse Nhlapo.

Problema nacional

Quando a documentarista começou a pesquisar a história, pensou que o problema estivesse restrito a uma área, a um grupo pequeno.

“Voltei ao distrito e então descobri que todos sabiam (do consumo dos medicamentos como drogas)”, afirmou.

Nhlapo afirmou que atualmente este é um problema nacional na África do Sul.

Kas Kasongo, médico integrante da diretoria de medicamentos anti-retrovirais na África do Sul, acredita que é necessária alguma prestação de contas ou um sistema que acompanhe o uso dos remédios.

“Precisamos de farmacêuticos e bons administradores, mas este é um problema social. Não acho que nosso papel como médicos seja apenas distribuir remédios, precisamos ter garantias de que estes remédios estão sendo consumidos como recomendado”, afirmou.

Efeito colateral

Kasongo afirma que os medicamentos normalmente são dados para as pessoas infectadas com o HIV e que poderão desenvolver a Aids.

“Então, pessoas que são saudáveis, que estão tomando esta medicação, estão se expondo a possíveis efeitos colaterais destes remédios”, afirmou.

“Não temos mais do que 20 medicamentos anti-retrovirais no mercado e eles precisam ser tomados em um coquetel de, pelo menos, três ou quatro”, disse.

“Então, abusar de um remédio em particular (…) pode levar à resistência aos remédios dentro daquele mesmo grupo.”

O médico destacou que será preciso um grande trabalho de equipe envolvendo governo, assistentes sociais e autoridades do setor de educação para combater o problema.

BBC Brasil - 08.12.2008