Conferência Internacional sobre Sida recomenda aumento de esforços

9 12 2008

Dakar, Senegal (PANA) - A 15ª Conferência Internacional sobre o HIV/Sida e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) em África terminou domingo em Dakar, com uma recomendação dos participantes para cada vez mais esforços e recursos com vista a conter a pandemia do HIV/Sida no continente.

Os delegados à conferência de cinco dias, estimados em mais de sete mil pessoas, recomendaram igualmente um maior envolvimento dos actores a todos os níveis, dos Parlamentos, dos sistemas judiciais, do Exército, das comunidades e do sector privado.

Os participantes notaram o papel fundamental desempenhado pelos professores universitários e pela comunidade científica na luta contra o HIV/Sida em África, mas sublinharam ser preciso reforçar as capacidades destas instituições.

Panapress – 08.12.2008





40% de mulheres em situação conjugal infectadas pelo HIV no Congo

9 12 2008

Brazzaville, Congo (PANA) - Mais de 40 por cento das mulheres que vivem em situação conjugal no Congo estão infectadas pelo HIV/Sida cuja taxa de prevalência é, desde 2003, estimada em 4,2 por cento, soube-se terça-feira em Brazzaville de fonte oficial.

Panapress – 09.12.2008

“Nós demos conta de que, entre as pessoas assistidas nos hospitais, mais de 40 por cento das mulheres em situação de vida conjugal estão infectadas pelo HIV”, revelou o responsável da Resposta Comunitária do Conselho Nacional de Luta contra a Sida (CNLS), Franck Mboussou.

Segundo Mboussou, isto quer dizer que o facto de se ser casado não poupa as pessoas do HIV/Sida. “Temos antes a impressão de que quando se é casado, está-se mais exposto do que os outros”, disse.

Assolado por uma série de guerras nestes últimos anos, o Congo registou novos casos de sida, segundo analistas, embora o último inquérito realizado em 2003 com o apoio do Banco Mundial (BM) estime a taxa nacional de seroprevalência em 4,2 por cento.

Segundo o mesmo inquérito, o Congo conta 120 mil doentes e 78 mil orfãos da sida para uma população de cerca de 3,6 milhões de habitantes.

Nove por cento dos doentes contraíram a infecção pela via sexual, 3 por cento durante o parto (transmissão da mãe para o filho) e 2 por cento pela transfusão sanguínea.

“No total, as mulheres representam 51 por cento dos doentes. No Congo a epidemia se feminiza”, sublinhou a secretária executiva do CNLS, Marie-Francke Puruehnce.

O Congo decretou em Julho passado a gratuidade dos exames biológicos da sida e dos antirretrovirais (ARV).

“Relativamente a estas medidas, tudo não é perfeito no terreno. Mas, queremos preservar a saúde de 96 por cento dos Congoleses”, sublinhou Puruehnce, acrescentando que o país fixou-se o objectivo de realizar um inquérito de seroprevalência de cinco em cinco anos.

“O último foi efectuado em 2003. Iniciámos um novo inquérito este ano”, disse Puruehnce.





Comissão da Câmara dos Deputados aprova punição para receita e prontuário médicos ilegíveis

9 12 2008

Nechar lembra que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) já regulamenta a obrigatoriedade de proteção do consumidor sobre eventuais riscos que produtos ou serviços possam oferecer e sobre a obrigatoriedade de serem prestadas informações adequadas e claras sobre produtos e serviços a ele destinados. “Somos favoráveis à proposta, pela necessidade de uma proteção mais específica dos usuários dos serviços de saúde”, disse.

Penalidades

Pela proposta, deverão ser legíveis a prescrição de medicamentos ou de terapias, o preenchimento de prontuários hospitalares ou ambulatoriais, além de outros documentos destinados a dar informações sobre pacientes. O estabelecimento que não cumprir a norma estará sujeito às seguintes penas: advertência, interdição total ou parcial, cancelamento da licença para funcionamento e multa.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Isso significa que projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra) e se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário.

Reportagem – Malena Rehbein
Edição – Marcos Rossi
Colaboração – Rayane Mello

Fonte: Agência Câmara

Agência de Notícias da Aids – 09.12.2008





Falta de medicamentos no RS gera debate no Conselho Estadual de Saúde

9 12 2008

Na próxima quinta-feira (11), entre 15h e 18h, uma sessão plenária ordinária, com pauta única sobre falta de medicamentos, vai acontecer no Conselho Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul. A informação é do Grupo Somos. Segundo a ONG, cerca de 10 medicamentos utilizados por pessoas que vivem com HIV/Aids não se encontram nos estoques da Secretaria Estadual de Saúde. “No decorrer deste ano, organizações como o SOMOS Comunicação, Saúde e Sexualidade, que desenvolve um trabalho de assessoria jurídica gratuita às pessoas com HIV/Aids, entraram com diversas denúncias junto ao Ministério Publico Estadual”, disse a entidade por e-mail.

Para Carlos Duarte, Presidente do Conselho Estadual de Saúde do RS – CES/RS – é necessário rever essa situação, com urgência. “A inconstância na distribuição de medicamentos de responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul – CES/RS para diversas patologias, vem deixando os usuários do SUS temerosos em relação as suas condições de saúde. O CES/RS quer discutir a política de Assistência Farmacêutica do Estado do Rio Grande do Sul com o intuito de modificar esta situação”, afirma Duarte.

“A falta de medicamentos para aids contribui, inclusive, para a falência terapêutica, deixando o paciente ainda mais frágil e vulnerável às doenças oportunistas. Tal situação demonstra falta de planejamento por parte do gestor estadual de saúde”, afirma Gustavo Bernardes, coordenador geral do SOMOS e responsável pela Assessoria Jurídica da Instituição.

A reunião da plenária ordinária do Conselho Estadual de Saúde acontecerá no Centro Administrativo Fernando Ferrari, localizado na av. Borges de Medeiros, 1501, 20° andar.

Medicamentos para Aids e doenças oportunistas em falta, segundo o grupo SOMOS:

Isoconazol
Aciclovir reme
Claritomicina
Clindamicina
Ganciclovir injetável
Imunoglobulina
Itraconazol
Loperamida
Megestrol comprimido e solução
Pentamidina

Dica de Entrevista

Jussara Kosminsky – Farmacêutica Responsável pela Seção Estadual de Controle das DST/Aids da Secretaria Estadual da Saúde/RS
Tel.: (0XX51) 3288-5911 ou 3288-5912

Carlos Duarte – Presidente do Conselho Estadual de Saúde do RS
Tel.: (0XX51) 9984 6674

Gustavo Bernbardes – Coordenador Geral do SOMOS e Advogado
Tel.: (0XX51) 3233-8423

Agência de Notícias da Aids – 08.12.2008





Palestra aborda DST em presídio de Jaraguá

9 12 2008

Os presos e os servidores do Centro de Inserção Social (CIS) de Jaraguá assistiram a uma palestra sobre contágio e prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). O assunto foi abordado por técnicos da Secretaria Municipal de Saúde de Jaraguá. A palestra foi ministrada na sexta-feira, 5.

Para atender à demanda local e garantir a segurança prisional, o público foi dividido em várias turmas de 10 a 15 pessoas cada uma. Ao final, todos os participantes receberam, gratuitamente, preservativos. A palestra é resultado de parceria entre a direção do CIS e a prefeitura da cidade.

Mais informações pelo telefone (62) 3201-6013.

Goiás Agora – 08.12.2008





MOÇAMBIQUE: ARVs nos mercados informais

9 12 2008

CHIMOIO, 9 Dezembro 2008 (PlusNews) – Num minúsculo quarto de zinco no mercado Feira, na cidade de Chimoio, Lino Matope, 23 anos, deita-se no esfarrapado colchão de algodão para receber clandestinamente a sua quarta injecção de penicilina benzatínica.

“A injecção tem me criado prisão de músculos”, disse ele, coxeando. “Mas devo concluir a dosagem de injecção para curar uma gonorréia que peguei numa relação desprotegida.”

Ele também recebe uma série de comprimidos que, segundo a pessoa que o atende, servem para reforçar a dose da injecção. O atendente não tem formação médica.

Matope é apenas um dos muitos moradores da província de Manica que compram medicamentos nos mercados informais.

Nos mercados Feira e 38 Milímetros, produtos tradicionais africanos para curar males de amor disputam espaço com o antibiótico tetraciclina, usado para infecções bacterianas; artemisinina e Quarten, para malária; canamicina, indicado para certas infecções transmissíveis sexualmente (ITS); e antiretrovirais (ARV), usados no tratamento da SIDA.

Alguns destes medicamentos, como a tetraciclina, tiveram o seu uso em determinadas situações banido pela Organização Mundial de Saúde.

Os remédios são vendidos sem obedecer padrões de transporte, manuseio ou administração.

Sem uma banca fixa, os vendedores transportam o produto em maletas ou nos bolsos. Não são exigidas prescrições médicas. Os prazos de validade dos medicamentos não podem ser verificados, pois os comprimidos são tirados de suas embalagens originais.

O perigo dessa transacção não pára por aí. Sem formação médica, os vendedores não esterilizam as agulhas usadas na aplicação de medicamentos. A utilização do mesmo equipamento em vários pacientes ajuda na proliferação de doenças, incluindo a infecção por HIV.

Transacção elaborada

Os ARVs são um dos medicamentos de transacção mais elaborada nesse mercado.

O contacto entre vendedor e cliente é breve: o cliente fornece o seu número de telemóvel – nunca o contrário – e aguarda o contacto do vendedor, que liga de uma cabina pública.

As receitas médicas exigidas nessas situações servem para ajudar o fornecedor, geralmente funcionário de uma farmácia, “a arranjar a dose necessária para o doente naquele momento”, segundo o vendedor Sérgio Silva*.

Ao obter os ARVs no mercado informal, o cliente se compromete com uma compra de pelo menos um ano. É fechado um acordo verbal entre o vendedor e o cliente, já com a garantia do fornecedor.

O cliente recebe os medicamentos mensalmente, junto com uma explicação sobre como ingeri-los, passada pelo fornecedor. O dinheiro só troca de mãos quando os ARVs chegam ao destinatário, numa operação rápida e discreta.

No mercado informal, a dose para três meses custa entre US$ 280 a US$ 360.

Mesmo assim, Marília Pugas, médica-chefe da Direcção Provincial de Saúde (DPS) de Manica, disse que a venda dos ARVs nos mercados paralelos é “pura especulação”.

“Há roubo de medicamentos dentro da saúde, às vezes por estranhos que assaltam os nossos armazéns, mas tenho enormes dúvidas que se vendam antiretrovirais, porque o nosso sistema de controlo é muito eficiente”, afirmou.

No entanto, ela admitiu a existência de uma rede de “pessoas mal-intencionadas que se aproveitam da fraqueza das autoridades para retirar outros tipos de medicamentos para os mercados paralelos”.

Comprar no mercado negro

Mas por quê pagar se os ARVs são distribuídos gratuitamente nos hospitais públicos?

A ainda pequena cobertura dos antiretrovirais no país é uma das explicações. Dados do Movimento de Acesso ao Tratamento Antiretroviral em Moçambique (MATRAM) mostram que mais de 350 mil seropositivos, incluindo crianças, precisam de ARVs, mas apenas 53 mil os recebem.

Um dos países mais afectados da África austral, Moçambique tem uma seroprevalência de 16 por cento numa população de pouco mais de 20 milhões.


Photo: André Catueira/PlusNews
Mercado negro

A discriminação e o estigma associados à doença também são razões pelas quais muitos preferem comprar os ARVs no mercado clandestino ao invés de irem a uma clínica ou hospital.

“Optei por curar no bazar, porque algumas vezes os enfermeiros insultam-te quando apanhas doença venérea. Perguntam por que não usou preservativo, mas às vezes a infecção se trata de um mero acidente”, disse Matope.

Abastecimento do mercado informal

O mercado informal é abastecido de medicamentos desviados do circuito oficial, geralmente envolvendo profissionais de saúde e farmácias de Chimoio.

Na província de Manica, dois funcionários do sector da saúde foram expulsos este ano, acusados de inúmeras infracções, incluindo desvio de fármacos. Outros oito funcionários que supostamente faziam parte da rede foram repreendidos publicamente.

Os funcionários roubavam os medicamentos do depósito da DPS de Manica e repassavam para vendedores no mercado informal.

Um único caso de assalto de farmácia pública sem envolver funcionários do sector de saúde foi recentemente registado, no Centro de Saúde do distrito de Sussundenga.

Os ladrões entraram mascarados na farmácia do hospital e renderam a equipa de plantão. Não se sabem quantidades, mas segundo as autoridades sanitárias, foram levados analgésicos, anti-maláricos, anti-fúngicos e antiretrovirais.

Pedro Jemusse, porta-voz da polícia, garantiu estar em curso um trabalho multi-sectorial, que envolve a saúde, polícia e alfândega, para acabar com o desvio de medicamentos.

Martinho Djedje, porta-voz do Ministério da Saúde, disse que o MISAU também está a tomar medidas para pôr fim à prática.

“Estamos fazendo campanhas de sensibilização para desencorajar as pessoas de comprarem os medicamentos no informal e informamos sobre os perigos disso”, explicou. “Mas também há um trabalho conjunto, para prendermos os vendedores e eliminar os principais focos.”

*nome fictício

PlusNews – 09.12.2008