Governo de Minas Gerais e Igreja Católica firmam parceria e criam casa de apoio para portadores do HIV em Belo Horizonte

8 12 2008

A Casa de Apoio Nossa Senhora da Conceição, localizada no bairro Lagoinha, região noroeste de Belo Horizonte, foi inaugurada na última sexta-feira (07/12). A residência vai prestar assistência, acolhimento temporário, apoio, orientação e incentivo para os portadores do vírus HIV/Aids, que não disponham de condições financeiras ou apoio familiar, de modo que eles tenham qualidade de vida e sigam corretamente ao tratamento.

A casa de apoio funcionará como um centro de assistência pessoal e emocional. Dispõe de uma ampla e confortável estrutura, com 30 leitos, sendo 15 femininos e 15 masculinos, além de salas de fisioterapia, assistência social, cozinha, lavanderia e coordenação.

A unidade é fruto de um acordo firmado entre o governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Cúria Metropolitana, no valor de R$ 750 mil provenientes do Tesouro Estadual.

Os recursos foram utilizados na reforma do antigo prédio onde antes funcionava a Clínica Nossa Senhora da Conceição, atual sede da casa de apoio. O local passou por diversas obras até ser finalizado.

Dentro da casa de apoio também vai funcionar o Núcleo de Apoio à Saúde e Meio Ambiente, que é um grupo de estudos destinado à ampliação das atividades da saúde, especialmente na área de estudos em meio ambiente, com propostas de manejo e conservação ambiental com possibilidade de serem desenvolvidas na Fazenda Renascer.

De acordo com o Superintendente de Epidemiologia da SES, Benedito Scaranci, para que o Estado cumpra seu papel de prestar assistência às pessoas é preciso que estabeleça parcerias com a sociedade civil. “Investir em uma entidade que já existe, nos dá a possibilidade de ampliar os serviços prestados para a comunidade. Este tipo de serviço, por exemplo, não existe no SUS”, destacou. Já o Arcebispo da arquidiocese de Belo Horizonte, Dom Walmor de Oliveira, disse que com a inauguração, “nasce um novo ciclo de comprometimento com os mais pobres, doentes e sofredores”.

Reintegração

A casa de apoio inaugurada na última sexta-feira (05/12) terá um importante papel de oferecer apoio e orientação para os pacientes no que se refere aos cuidados com a saúde, promovendo a adesão aos medicamentos e seu uso correto, fortalecendo os laços sociais e familiares, além de reintegrá-los na sociedade.

Para Vera Lúcia Ribeiro, integrante da Pastoral da Saúde da Igreja Católica e 1ª Secretária da Arquidiocese, a Pastoral da Saúde vai levar para a “Casa” a experiência adquirida em outros trabalhos para criar e treinar novos agentes de capacitação, que são pessoas que levam para as comunidades uma visão maior da prevenção do HIV, da convivência, da assistência, apresentando um novo ponto de vista em relação à doença, de modo que os portadores do vírus sejam respeitados e que os próprios tenham melhor qualidade de vida. “Nosso objetivo é instaurar pastorais de saúde em todas as paróquias de Belo Horizonte, fazendo uma parceria entre a Igreja e o Poder público para promover saúde”, esclarece.

Prevenção não tem idade

A SES lançou no dia 28 de novembro a campanha estadual de combate à AIDS:“Prevenção não tem idade. Contra a AIDS use sempre camisinha”. Desde o início da epidemia em 1982 e até agora foram notificados em Minas 28.717 casos, deste número, 68% são homens e 22% mulheres. Em 2004, 586 cidades mineiras fizeram notificação, já em 2008, são 668.

Quinze municípios concentram 64% dos casos e no estado é observado o crescimento da AIDS na faixa etária de 50 a 59 anos a partir de 1997. Em 2006, foram notificados 156 casos da doença neste grupo, já em 2007 foram 192 e em 2008, até o momento, são 108 casos.

A AIDS é uma doença que se manifesta após a infecção do organismo humano pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, mais conhecido como HIV. Esta sigla é proveniente do inglês Human Immunodeficiency Virus e o dia 1º de dezembro foi transformado no Dia Mundial de Luta Contra a Aids pela Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU).

No Brasil, a data passou a ser celebrada a partir de 1988, por meio de uma portaria assinada pelo Ministro da Saúde. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/AIDS.

Vivian Campos

Fonte: Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais

Agência de Notícias da Aids – 08.12.2008





Pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo sobre HPV em homens precisa de 250 voluntários

8 12 2008

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, por intermédio do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids, está “recrutando” 250 homens sadios da grande São Paulo, entre 18 e 44 anos de idade, para completar o grupo de 1.400 participantes da pesquisa sobre o Papiloma Vírus (HPV). Trata-se de projeto inédito no mundo, que inclui, além de São Paulo, cidades dos Estados Unidos e México.

Os interessados não podem ter tido verrugas nem câncer na região genital ou anal e têm de concordar em comparecer por quatro anos às consultas agendadas semestralmente. As análises iniciais do estudo, coordenado pelo Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, vêm indicando que dois em cada três homens apresentam a infecção pelo HPV.

O estudo tem como objetivo conhecer melhor o vírus e seus meios de atuação. Pretende-se contribuir para o avanço do conhecimento sobre a infecção e doenças dela decorrentes, possibilitando o desenvolvimento de programas eficientes de prevenção e redução dos tumores associados ao HPV, tanto em homens quanto em mulheres.

Com o resultado da pesquisa será possível conhecer melhor o comportamento do vírus e assim criar estratégias de prevenção, como uma vacina anti-HPV em homens. Os participantes serão submetidos a dez consultas clínicas ao longo de quatro anos, incluindo exame físico e análise laboratorial para HPV, coleta de sangue para análises de anticorpos contra HPV e teste de DSTs. Os voluntários preencherão questionários para determinar fatores de risco sociais e comportamentais associados à infecção pelo HPV.

“É um estudo muito importante. O HPV em mulheres é muito estudado. Por isso agora queremos focar seus efeitos em homens”, afirma Maria Clara Gianna, diretora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo. Interessados em participar podem obter informações adicionais pelo telefone (0XX11) 5549-1967 ou pelo seguinte e-mail: estudohpv@ludwig.org.br.

O vírus

O HPV é um vírus que pode ser transmitido por meio de relação sexual com pessoa infectada. Este vírus é comum em homens e mulheres. Existem vários tipos de HPV. Alguns podem causar verrugas conhecidas popularmente como crista de galo. Outros tipos podem provocar tumores no colo do útero ou câncer em mulheres.

Em 10 de dezembro ocorrerá a premiação do prêmio Nobel de Medicina, que nesse ano será dividido entre o cientista alemão Harald zur Hausen, e os franceses Luc Montagnier e Françoise Barré-Sinoussi. Há mais de duas décadas, as pesquisas de zur Hausen correlacionaram o DNA do Papilomavírus humano a tumores do colo uterino.

Esta descoberta abriu caminho a uma série de estudos epidemiológicos, desenvolvidos por inúmeros pesquisadores em todo o mundo, que vêm confirmando a existência de mais de 100 tipos de HPV e a estreita relação de alguns deles com diversos tumores.

Este vírus é o responsável pelas verrugas genitais e anais denominadas condiloma, bem como praticamente a totalidade dos casos de câncer invasivo do colo uterino – segundo tipo de câncer que mais mata mulheres no mundo. Aproximadamente 85% dos 44.000 casos de câncer de ânus que ocorrem anualmente no mundo são atribuíveis à infecção por HPV. Também podem estar associados a esta infecção cerca de 50% dos cânceres de vulva, vagina e pênis; 20% dos cânceres da oro-faringe e 10% dos cânceres da laringe, trato respiratório e digestivo.

Há que se ressaltar também a importância do desenvolvimento da vacina profilática contra alguns tipos de HPV, responsáveis por 70% dos cânceres do colo uterino e outros tumores em mulheres e homens. Contudo, pouco se sabe a respeito da prevalência, incidência e remissão das infecções nos homens, dificultando os esforços para seu controle, tanto em homens quanto mulheres.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

Agência de Notícias da Aids – 08.12.2008





Crise financeira e homossexuais dominam conferência sobre Aids na África

8 12 2008

A conferência internacional sobre Aids na África, que terminou domingo (07/12) em Dacar, foi dominada pelo temor de que os fundos para combater a doença diminuam por causa da crise financeira e serviu, pela primeira vez, de tribuna para os homossexuais.

“Houve muitas discussões sobre o temor de que as contribuições para a luta contra a Aids diminuam, mas igualmente sobre as possibilidades de financiamento inovadoras”, declarou o pesquisador senegalês Suleyman Mboup, que presidiu a 15ª Conferência internacional sobre a Aids e as infecções sexualmente transmissíveis na África (Icasa).

Apesar dos recentes progressos e uma estabilização da pandemia em alguns países, a África subsaariana é a região mais afetada no mundo, com 67% das 33 milhões de pessoas portadoras do vírus no planeta.

Outro grande avanço da conferência anual sobre a Aids na África foi que, pela primeira vez, os homossexuais fizeram uso da palavra. O médico Steave Nemande, homossexual procedente de Camarões, expressou sua satisfação pelo fato e destacou que a existência – geralmente negada – de gays na África é uma realidade.

Fonte: Último Segundo (IG)

Agência de Notícias da Aids – 08.12.2008





A experiência de portadores do HIV diante da doença e do tratamento é tema de livro lançado neste mês pela Universidade Federal de São Carlos

8 12 2008

“O HIV, seu Portador e o tratamento anti-retroviral – implicações existenciais”. Esse é o título de livro lançado, neste mês, pela editora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A obra, escrito por Bernardino Geraldo Alves Couto (professor do Departamento de Medicina da UFSCar), expõe e discute as percepções de um grupo de portadores do HIV sobre os significados e as representações da infecção pelo vírus e do tratamento anti-retroviral.

O livro também aborda como esses indivíduos enfrentam esse fenômeno. Para produzir a obra, o autor parte do pressuposto de que infecção pelo HIV é um fenômeno existencial, ultrapassando questões de ordem biológica, tecnológica ou epidemiológica, para envolver aspectos políticos, sociais, culturais e antropológicos.

Na visão do autor, Bernardino Geraldo Alves Couto, as pessoas que já receberam o diagnóstico da infecção pelo vírus têm um saber a mais sobre a existência humana, que serve de instrumento para administrar a ruptura provocada pelo próprio diagnóstico. Para o autor da obra, as pessoas que prestam assistência aos infectados também precisam se aproximar deste saber para oferecer um cuidado centrado no paciente, mais humanizado e eficaz.

A obra é voltada para profissionais de saúde, portadores de HIV e também amigos, familiares e demais cuidadores dos pacientes. O livro tem por objetivo ajudar a compreender o que se passa com os infectados a partir do diagnóstico do vírus HIV. O livro já está disponível para venda na livraria da editora Universidade Federal de São Carlos. Mais informações podem ser obtidas pelo site www.editora.ufscar.br ou pelo seguinte telefone: (0XX16) 3351-8137.

Agência de Notícias da Aids – 07.12.2008





Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo é reconhecido como empresa solidária por ONG da capital paulista

8 12 2008

Durante o 8º Encontro de Relações Humanas em HIV/Aids, o Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo recebeu o certificado de “Empresa Solidária”, entregue pelo Instituto Vida Nova – Integração Social, Educação e Cidadania. Com o tema “Eu planto, Tu plantas, Ele planta. Nós semeamos, Vós regais, e Todos colhem”. O encontro foi norteado para fomentar a promoção da saúde, redução de danos, estimulando as PVHA (Pessoas que Vivem com HIV/Aids) a lutarem pelos seus direitos e deveres para a redução de estigma, do preconceito, da discriminação e pela inclusão social. Seus objetivos incluem a melhoria da qualidade de vida, a valorização da troca de experiência e o fortalecimento das pessoas vivendo com HIV/AIDS para o exercício do ativismo e controle social.

Desde sua primeira edição, em 2000, o Encontro de Relações Humanas tem possibilitado espaços amplos de discussões, atualização de informações, oficinas temáticas e ocupacionais, atuando na promoção da integração das pessoas vivendo e convivendo com HIV/Aids – PVHA e trazendo sempre temas de relevância, com convidados de grande saber sobre o contexto da Aids na assistência, prevenção e pesquisas. Fundado em maio de 2000, a entidade realizadora do evento, o Instituto Vida Nova, é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) de natureza filantrópica e sem fins lucrativos.

Ela tem a missão de promover a solidariedade na sociedade civil através de ações dirigidas as pessoas infectadas com o vírus HIV, doentes de Aids, seus familiares e amigos, visando a melhoria da qualidade de vida e o combate da epidemia do vírus HIV. O Instituto Vida Nova desenvolve projetos sociais junto à população de baixa renda, promovendo e desenvolvendo o indivíduo no exercício de sua cidadania.

O PM DST/Aids de São Paulo é parceiro do Instituto Vida Nova em diversas atividades, em especial no Projeto Malhação, que desenvolve atividades físicas para enfrentar os efeitos adversos dos anti-retrovirais e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com HIV/Aids. O PM DST/Aids de São Paulo também apoiou o Encontro que aconteceu na cidade de Atibaia, interior paulista.

Fonte: Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo

Agência de Notícias da Aids – 07.12.2008





Países do Mercosul assinam 10 acordos na área de saúde. Uma das ações trata da prevenção e tratamento do HPV

8 12 2008

Os ministros da Saúde do Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e Venezuela assinaram, em 28 de novembro, o Pacto Mercosul para Redução da Mortalidade Materna e Neonatal e outros dez acordos associados à política de medicamentos, de controle do tabaco, de prevenção do câncer do colo de útero e de segurança alimentar.

Os compromissos foram assumidos pelos países durante a XXV Reunião de Ministros da Saúde do Mercosul, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o ministro José Gomes Temporão entregou a presidência de Saúde do Mercosul ao Paraguai.

Um dos maiores desafios para o cumprimento das metas do milênio na América Latina é a redução da mortalidade materna e neonatal. Dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) mostram que os indicadores de mortalidade materna na região permanecem preocupantes, com 190 mortes de mulheres para cada 100 mil bebês nascidos vivos, média dez vezes superior à dos países desenvolvidos.

A OPAS estima que, pelo menos, 95% das mortes maternas poderiam ser evitadas com conhecimento, tecnologia médica e medidas de impacto social. No caso da mortalidade infantil, as principais causas são as perinatais, que acontecem nas primeiras 22 semanas de gestação e até sete dias após o parto.

O pacto prevê o fortalecimento de ações da atenção básica para a melhoria no acompanhamento do pré-natal, do pós-parto e do estímulo ao aleitamento materno. Os ministros da Saúde querem ainda maior humanização durante o parto, ao recém-nascido e às urgências e emergências maternas.

CÂNCER E TABACO – Os países do Mercosul devem adotar diretrizes para maior controle do câncer do colo de útero, doença que, na região, está entre as dez principais causas de morte entre as mulheres. Os ministros consideram que a vacina contra o HPV não substitui a necessidade de as mulheres se submeterem ao exame Papanicolau e vão estabelecer como prioridade as ações de prevenção, tratamento e reabilitação das mulheres com câncer de colo de útero.

Sobre a Política de Medicamentos, os acordos prevêem recomendações e diretrizes para o combate à falsificação e adulteração de remédios e produtos médicos. O objetivo é ter maior controle na promoção de produtos com impacto na saúde da população do Mercosul, além de promover estratégias para o uso racional de medicamentos, com maior acesso a medicamentos seguros, eficazes e de qualidade.

Os ministros aprovaram ainda o acordo que visa à proibição da publicidade, promoção e patrocínio dos produtos do tabaco nos estados partes do Mercosul. Principal causa de morte evitável em todo o mundo, o tabagismo é responsável, só no Brasil, por cerca de 200 mil óbitos por ano. Cerca de um terço da população mundial adulta ¬- 1,2 bilhão de pessoas, entre as quais 200 milhões de mulheres ¬- é fumante.

Na tentativa de melhorar esse quadro, o Mercosul tem coordenado ações que estimulam e criam oportunidades para a população adotar comportamentos e estilos de vida saudáveis e que contribuam para a redução da incidência e mortalidade por câncer e doenças relacionadas ao tabaco no país.

ALIMENTAÇÂO – A segurança alimentar e nutricional é outro desafio para os países do bloco, em 2009. Os ministros da Saúde iniciam, no Rio de Janeiro, a discussão sobre a situação das famílias em condições potenciais de insegurança alimentar. Ou seja, aquelas sem renda suficiente para garantir o acesso a um elenco básico de alimentos que atendam às suas demandas nutricionais diárias.

A idéia é criar grupos de trabalho em cada país para identificar prioridades e elaborar um plano regional com ações voltadas principalmente à população das áreas de fronteiras, rurais e indígenas.

Dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS-2006) mostram que o acesso aos alimentos aumentou no Brasil. Do total de mulheres entrevistadas, 62,5% disseram ter acesso à alimentação em quantidade e qualidades suficientes. A PNDS-2006 concluiu que, no Brasil, a insegurança alimentar está associada aos domicílios nas regiões Norte e Nordeste, ao meio rural, à baixa escolaridade, à aglomeração domiciliar (mais de sete moradores) com crianças e adolescentes, à mulher negra e ao desemprego.

HISTÓRICO – A Reunião de Ministros da Saúde do Mercosul (RMS) foi criada em 1995 para propor ao Conselho de Mercado Comum (CMC) medidas destinadas à coordenação de políticas para o setor na região. A RMS tem competência institucional para formular, acordar e apoiar ações de promoção, prevenção, proteção e atenção à saúde, que são realizadas em país, com os recursos existentes nos sistemas de saúde nacionais ou por meio de projetos de cooperação intra ou extrabloco. Define ainda planos, programas, estratégias e diretrizes regionais com vistas ao processo de integração.

Fonte: Agência Saúde

Agência de Notícias da Aids – 06.12.2008





França garante apoio na luta contra sida em África

8 12 2008

Dakar, Senegal (PANA) - A ministra francesa da Saúde, Roselyne Bachelot-Narquin, reafirmou em Dakar o compromisso do seu país a manter o seu apoio à pesquisa científica e à luta contra o HIV/Sida em África.

Em entrevista à PANA à margem dos trabalhos da 15ª Conferência Internacional sobre a SIDA e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ICASA) em África, encerrada domingo após quatro dias de trabalhos, Bachelot-Narquin assegurou que França “não renunciará e nem diminuirá o seu apoio financeiro”.

Adiantou que o combate contra a sida é o da humanidade inteira, da vida, da saúde e da solidariedade e que uma conferência reforçada no plano internacional é muito importante nesta luta.

O Fundo Mundial de Luta contra a Sida, Tuberculose e Paludismo prevê reduzir 10 por cento da ajuda financeira prometida na primeira fase da aplicação dos programas elegíveis durante a oitava ronda em 2009 e 25 por cento na segunda fase.

Bachelot-Narquin disse que França é o primeiro contribuinte na Europa e segundo a nível mundial para a luta contra o HIV/Sida, acrescentando que se deve minimizar a importância da anulação da dívida pedida pela sociedade civil.

A ministra francesa da Saúde sublinhou, no entanto, que o dinheiro disponível permitirá financiar todos os pedidos formulados apesar da baixa dos fundos concedidos aos actores da luta por alguns parceiros devido à crise financeira internacional.

França, por intermédio da Agência Nacional de Pesquisa sobre a Sida e Hepatites Virais (ANRS), apoia a pesquisa sobre a sida no continente com o equivalente a 27 por cento do orçamento total desta estrutura.

Panapress – 08.12.2008





Mugabe não tem capacidade para combater cólera, diz embaixador português

8 12 2008

O embaixador de Portugal no Zimbabué, João da Câmara, diz que o governo de Robert Mugabe não tem capacidade para lidar com a epidemia de cólera que atinge o país.

O embaixador de Portugal no Zimbabué lembra que a cólera é apenas mais uma doença a juntar à SIDA, à malária ou à tuberculose que afectam o território africano.

A doença ganha dimensão, em especial por causa da incapacidade do Governo do Zimbabué em resolver o problema, considera ainda João Câmara.

«A cólera é uma epidemia preocupante e que está ainda em desenvolvimento, mas que existe como muitas outras que acontecem aqui em África infelizmente. A maior preocupação é que o Governo neste momento não demonstra capacidade para a debelar», afirma.

João Câmara refere também alguns factores que em nada contribuem para que esta doença seja controlada, como «a falta de água e de condições de higiene», assim como o colapso do sistema de saúde.

O embaixador de Portugal no Zimbabué garante ainda desconhecer a intenção da AMI de enviar uma missão para o país. Uma ideia avançada à TSF por Fernando Nobre.

A responsável de comunicação da UNICEF no Zimbabué, Tsitsi Singizi, adiantou este domingo «que esta é a maior epidemia de cólera registada na história moderna do Zimbabué» e que a situação está a piorar.

Tsitsi Singizi explica ainda que o sistema de saúde no país é incapaz neste momento de responder a todas as pessoas contaminadas.

«Numa situação normal tudo seria assegurado, as pessoas podiam receber tratamento, mas como o sistema de saúde entrou em colapso e a água também não está em condições estamos perante um grande desafio», acrescentou.

TSF online – 07.12.2008





Feira da Saúde: Voluntários recebem prémios no Cacuaco

8 12 2008

Centenas de jovens voluntários participaram, no fim de semana, na feira da Saúde do Cacuaco.
Organizada pela ONG espanhola “Médicos del Mundo”, foram entregues diplomas de reconhecimento aos membros dos Comités de Saúde que desenvolveram um trabalho meritório em torno do VIH/SIDA, gravidez de risco, planeamento familiar, aleitamento materno, cólera e malária.
Carlos Alberto Cavukila, administrador municipal do Cacuaco, chamado a proceder à inauguração da feira, reconheceu o trabalho e empenho demonstrados pelos voluntários nas suas respectivas comunidades. Cavukila afirmou que os jovens voluntários têm desempenhado um papel importante nas suas comunidades na prevenção das doenças. “Fazem um trabalho muito importante junto das comunidades, alertando para os perigos que decorrem da falta de higiene e aconselhando as mães grávidas a estarem nas consultas pré-natais”, disse o administrador.
Carlos Cavukila acentuou que os jovens voluntários têm recebido da administração de Cacuaco o apoio necessário. “São jovens que realizam um trabalho voluntário sem qualquer contrapartida material ou benefício pessoal”. O administrador reconheceu que o trabalho desenvolvido pelos voluntários está na origem da diminuição de casos de cólera e da mortalidade materno-infantil.
Maria José Blanco, coordenadora do projecto da Feira da Saúde, sublinhou que os voluntários de Cacuaco têm organizado palestras junto das igrejas, nas escolas, nos centros de saúde e nas comunidades.
Os “Médicos del Mundo” contam com mais de 100 voluntários no Cacuaco, que trabalham para a melhoria das condições de vida e sanitárias das comunidades. Para além do Cacuaco, a organização não-governamental espanhola trabalha também na província de Benguela, num projecto ligado à luta contra o VIH/SIDA.Em Cacuaco, os voluntários trabalham nos bairros Paraíso, Boa Esperança 3, Caop Velha, Forno da Cal, Funda, Kikolo, Kilunda, Ludy 1, Mulenvos, Mulundo, Muzondo, Nazaré, Vidrul, Ndala Muleba, Quissomera e noutros pequenos bairros.
Podem ser voluntários de saúde todas as pessoas interessadas em ajudar a sua comunidade.

Fula Martins/Jornal de Angola – 08.12.2008





Bom retrospecto não livra uso médico de heroína de polêmica

8 12 2008

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O argumento mais forte dos favoráveis à medida é incontestável, comprovado por números. A política de combate às drogas baseada em quatro eixos – prevenção, terapia, redução dos riscos e repressão – reduziu os números de mortes por overdose e de violência. A prescrição médica da heroína se insere em dois dos eixos, terapia e prevenção de riscos. No primeiro, quando o viciado não consegue se libertar fisicamente do vício e necessita da droga para amenizar os sintomas da abstinência. No segundo, com o objetivo de evitar a contaminação por doenças transmissíveis como aids e hepatite, além de overdoses.

O sistema começou a ser testado depois que a Suíça experimentou uma explosão de consumo de heroína, no final dos anos 80, e tinha dificuldades em contê-la. Há quase 15 anos, os viciados que não conseguem se livrar das drogas depois de diversas tentativas tradicionais passaram a ser “tratados” com duas doses diárias do entorpecente, injetados em centros médicos autorizados e sob um controle rígido de evolução do tratamento. Assim, dizem os favoráveis à experiência, eles evitariam o contato com traficantes e com outros dependentes não engajados em deixar o vício, além de não mais compartilharem seringas e, assim, evitarem a contaminação por doenças. Neste ano, das 26 mil pessoas que seguem um tratamento contra as drogas, 1.319 participam deste programa público, do qual fazem parte 23 ambulatórios espalhados pelo país – dois deles localizados em prisões.

“Essa alternativa pode chocar, mas o objetivo principal é de ajudar o heroinômano mais dependente a se sentir um pouco melhor, ou bem o suficiente para que ele não abandone o tratamento para se libertar das drogas. Os resultados tem sido espetaculares nos últimos anos”, disse Jacques de Haller, presidente da Federação dos Médicos Suíços. “A abstinência induz a tamanhos mal-estares que em certos momentos, somente a própria heroína pode trazer um efeito de alívio. Nestes casos, o uso da droga faz parte do tratamento, assim como o uso da insulina é indispensável para um diabético.”

De fato, desde que a experiência começou a ser adotada, o número de mortes por overdose passou de 400 para 152 ao ano e as infecções por HIV diminuíram 60%. Pesquisas apontam ainda que crimes ligados ao consumo de drogas caíram 75%.

O médico Jean-Pierre Kulling, contrário à lei, argumenta que, se por um lado a violência e as mortes diminuíram, o consumo de cocaína aumentou. “60% dos pacientes que recebem heroína consomem também cocaína, que eles conseguem por outras formas, comprando de traficantes. Neste tipo de caso, a prescrição médica não resolve o problema do crime”, defende Kulling. “Alguns estudos afirmam que em alguns casos bem precisos, somente a heroína pode ajudar a um pequeno número de pacientes, ao invés da metadona substância à base de ópio comum em tratamentos de toxicodependência. A prescrição de entorpecentes não deve ser a regra.”

O referendo promovido na semana passada para que a população opinasse sobre a legalidade da medida era a última das tentativas do partido conservador União Democrática do Centro em banir a prática, mas no fim a votação acabou a fortalecendo depois de tamanho apoio popular. A inclusão desta prática na lei suíça se alia a outras medidas de combate às drogas como mais repressão ao tráfico e prevenção o uso de drogas no público adolescente e jovem-adulto. Pioneira mundial neste tipo de tratamento, hoje a Suíça é copiada parcialmente por países como Bélgica, Alemanha, Holanda, Espanha e, em breve, Dinamarca.

“Nós ficamos felizes que dois terços da população suíça tenha reconhecido o trabalho que temos feito ao longo destes anos, porque não é uma tarefa fácil. Nós cuidamos daqueles que se encontram no limite entre a vida e a morte e já tentaram de tudo, mas são extremamente dependentes”, declarou Jean-Félix Savary, secretário-geral do Grupo de Estudos dos Vícios, uma organização não-governamental da Suíça francófona.

Cerca de 50% dos viciados que se submetem ao procedimento passam depois para uma etapa de uso de metadona, e após 15% chegam à fase de abstinência completa. “O fato de que a idade média dos consumidores aumentou também significa um sucesso: eles podem estar começando a consumir a droga mais tarde e, especialmente, eles estão sobrevivendo mais tempo.”

Savary lembra que o programa custa aos cofres públicos 17 milhões de euros ao ano, mas que propicia a economia de um valor muito maior do que isso em termos de criminalidade, tratamentos médicos e controle sanitário. “Cada euro investido traz de volta de 4 a 7 em economia. É uma política que, no final das contas, está trazendo dinheiro aos cofres públicos.”