Ministério da Saúde apresenta cartuns sobre HIV/Aids em Washington

5 12 2008

Em homenagem ao Dia Mundial de Luta Contra à Aids, comemorado todo 1º de dezembro, o Ministério da Saúde do Brasil participa do evento World AIDS Day 2008, realizado todos os anos em Washington, Estados Unidos, com a mostra “I Festival Internacional de Humor em DST e Aids”. A mostra fica disponível no evento até o dia 12 de dezembro.

Ao reunir 300 cartuns sobre Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, o objetivo é fazer do humor um instrumento de fixação da idéia de que a saúde é coisa séria. A partir de uma abordagem criativa, os desenhos animados usam o riso para tratar temas como prevenção, tratamento e direitos humanos dos portadores dessas doenças. O evento reúne cerca de 150 pessoas de diversos países como Colômbia, Venezuela, Alemanha, Brasil, Bolívia, República Dominicana, Argentina e Áustria.

PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA – A coordenadora-geral de Documentação e Informação do Ministério da Saúde, Márcia Rollemberg, participou da abertura do evento, na última segunda-feira (01/12), ao lado da diretora da OPAS, Mirta Roses, e da vice-presidente de Políticas Públicas do Conselho Munidial de Saúde, Maurice Middleberg.

Durante a abertura, foram apresentados temas como: estatísticas da epidemia de HIV/Aids e características das ações nos países da América Latina e Caribe; métodos de abordagem em comunicação relacionados ao HIV/Aids; e monitoramento e avaliação do quadro epidemiológico do HIV/Aids pela Global Health Council. Márcia Rollemberg lembrou que a prevenção, a assistência e o controle do HIV e da AIDS estão presentes em um dos 8 objetivos de desenvolvimento do milênio.

A coordenadora-geral ressaltou que durante as duas décadas de existência do Sistema Único de Saúde (SUS), muitos desafios ainda se apresentam, mas os resultados confirmam que o Brasil no caminho certo. “O programa brasileiro de HIV e AIDS tem sido uma estratégia de grande aprendizado, tendo como base ações de prevenção, assistência integral com fornecimento gratuito de medicamentos e respeito aos direitos humanos e às diversidades culturais”, comemorou.

Fonte: Ministério da Saúde

Agência de Notícias da Aids – 05.12.2008





Instituto Nacional de Propriedade Industrial nega concessão da patente do anti-retroviral tenofovir no Brasil

5 12 2008

Na semana deste Primeiro de Dezembro, a Agência de Notícias da Aids resolveu lembrar a data de uma forma positiva. Vamos colocar no ar boas notícias em relação à luta que o mundo trava contra o crescimento do vírus. Mostraremos também o que se faz de bom, de lúdico, de saudável. Por isso, nossa equipe escolheu as principais notícias que publicamos ao longo desse ano que consideramos mais importantes dentro deste aspecto. Com isso queremos prestar uma homenagem a todas as instâncias de governo, ativistas, jornalistas, artistas, pessoas de bem que fazem parte desta história. Na notícia a seguir é destacado a negação do INPI em renovar a patente do Tenofovir no Brasil.

INSTITUTO NACIONAL DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL NEGA CONCESSÃO DA PATENTE DO ANTI-RETROVIRAL TENOFOVIR NO BRASIL

01/09/2008 – 10h55

A concessão da patente do anti-retroviral Tenofovir no Brasil foi negada pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Em abril, o Ministério da Saúde declarou de interesse público o remédio produzido pela companhia farmacêutica Gilead (saiba mais). Com a medida, o governo brasileiro queria agilizar a análise do processo que teve início em 2000.

“Indeferido o pedido por não atender aos requisitos legais, conforme parecer técnico”, informa despacho do INPI publicado na última terça-feira (26/08). “Desta data corre o prazo de 60 (sessenta) dias para eventual recurso do depositante”, acrescenta o mesmo despacho. De acordo com o complemento do despacho publicado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial, conceder a patente do Tenofovir estaria em desacordo com os artigos 8° e 13 da Lei de Propriedade Industrial brasileira.

Os artigos da lei de número 9.279, de 1996, tratam de questões relacionadas a um dos requisitos para que um produto possa ser considerado patenteável: a atividade inventiva. “É patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial”, diz o artigo 8°. “A invenção é dotada de atividade inventiva sempre que, para um técnico no assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da técnica”, acrescenta o artigo 13 de lei de 1996.

De acordo com matéria publicada em 10 de abril deste ano pelo jornal O Estado de S. Paulo, o Tenofovir é usado atualmente por cerca de 30 mil pessoas em todo o país. Ainda de acordo com o diário paulista, o custo anual do tratamento de cada paciente é US$ 1.387. “O remédio, sozinho, é responsável por 10% dos gastos com remédios do programa de Aids”, explicou o jornal na época.

Desde, pelo menos, novembro de 2006, a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA) questiona a legalidade da patente do anti-retroviral Tenofovir. De acordo com a entidade, o medicamento da companhia farmacêutica Gilead não apresentaria inovação que justificasse a proteção patentária (saiba mais). Inovação é uma das condições para a formulação de qualquer pedido de patente.

O Farmanguinhos (Instituto de Tecnologia em Fármacos), da Fundação Oswaldo Cruz, também questionava a possibilidade de concessão da patente do Tenofovir no país. “A molécula já era conhecida, não houve inventividade. Portanto, não há condições necessárias para que a patente seja concedida”, disse Eduardo Costa, diretor do Instituto, em matéria publicada pelo O Estado de S. Paulo.

Na mesma reportagem, publicada em abril deste ano, o diário paulista lembra que o governo dos Estados Unidos já havia derrubado a patente do fármaco “por ele não apresentar inovações”. Isso, de acordo com o jornal, “acabou reforçando os argumentos para apressar, no Brasil, a análise da patente.” A seguir, o texto do despacho, justificando a não concessão da patente do Tenofovir no país, publicado pelo INPI na semana passada.

Descrição Despacho

Indeferimento

Indeferido o pedido por não atender aos requisitos legais, conforme parecer técnico. A cópia do parecer técnico poderá ser solicitada através do formulário modelo 1.05. Desta data corre o prazo de 60 (sessenta) dias para eventual recurso do depositante. No caso de pedido de certificado de adição indeferido por não ter o mesmo conceito inventivo, o depositante poderá, no prazo de recurso, requerer a sua transformação em pedido de patente de invenção ou modelo de utilidade, nos termos do Art. 76 § 4º da LPI.

Complemento do Despacho

Indeferimento do presente pedido, por estar em desacordo com os artigos 8° e 13 da LPI, Lei de número 9.279 de 14/05/1996.

Léo Nogueira e Rodrigo Vasconcellos

Agência de Notícias da Aids – 05.12.2008





França: Mulher acusade de infectar deliberadamente o marido com SIDA condenada a cinco anos de prisão

5 12 2008

Orleans, 03 Dez (Lusa) – Cinco anos de prisão foi a pena aplicada pela justiça francesa a uma mulher acusada de ter infectado “deliberadamente” o marido com o virus da SIDA.

Christelle Grard, 39 anos, foi julgado num processo para o qual a pena máxima prevista em França são 15 anos de cadeia.

A advogada de acusação, Jocelyne Amouroux, explicou que Christelle “agiu com maldade e com intenção de infectar o marido”.

A explicação de Amouroux é que Christelle “sabia que tinha SIDA e, nesse sentido, jamais poderia ter aceite ter relações sexuais com o seu marido sem a devida protecção uma vez que sabia que o iria infectar com o vírus” mortal para o qual não existe cura.

A explicação da acusação, juntamente com o facto de o marido não saber na altura que a mulher tinha SIDA, foram “suficientes para que o juiz encarregue do processo condenasse a mulher a cinco anos de prisão”.

O caso foi a tribunal precisamente depois de o marido, militar de profissão, descobrir em 1997 que estava infectado com o vírus da SIDA, depois dos exames médicos a que foi submetido quando regressou de uma missão militar nos Camarões.

O casal, agora divorciado, tem um filho de 11 anos.

Agência Lusa – 03.12.2008





Número de mulheres com VIH/SIDA é cada vez maior

5 12 2008

Entre 2000 e 2008, o Trilho – Unidade de Toxicodependentes e Seropositivos da Santa Casa da Misericórdia, identificou 43 indivíduos infectados pelo HIV em S. João da Madeira e freguesias limítrofes, com idades entre os 35 e 45 anos. Ou seja, cerca de 10 por cento dos utentes daquela unidade, numa média de 5,3 casos ao ano.

Este ano, até à data, foram identificados três novos casos, um número abaixo da média o que revela uma tendência decrescente dos casos de HIV/SIDA. Mas apesar da diminuição do número de infectados, nota-se, de acordo com o TRILHO, uma crescente incidência no sexo feminino. Em causa, disse Branca Correia ao labor, estarão factores como a troca de seringas, as relações sexuais desprotegidas e a possibilidade de, mesmo numa relação sexual protegida, o vírus ser transmitido pelas fissuras próprias da anatomia feminina.

Em termos percentuais, são cerca de 40 por cento as mulheres infectadas (entre os 43 indivíduos identificados). Algumas delas mães, mesmo após o diagnóstico da doença. Mas Branca Correia desmistifica a ideia de que filho de seropositivo é necessariamente portador do vírus e garante que é quase nula a possibilidade. “No Trilho não temos nenhum bebé seropositivo. Houve um grande avanço da medicina e se a mãe é acompanhada durante toda a gravidez, se não amamentar e se o parto for de cesariana, a probabilidade do bebé ser seropositivo é quase nula”, sublinha.

O labor tentou conhecer junto do Centro de Saúde de S. João da Madeira o número de casos de HIV/SIDA no concelho, além dos acompanhados pelo Trilho, mas até ao fecho desta edição não conseguiu qualquer informação.

43 casos, 6 mortes

Muito embora o vírus da SIDA não tenha ainda cura, certo é que os portadores têm visto a sua esperança média de vida aumentar devido a vários tratamentos entretanto desenvolvidos. Um relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas para a doença, divulgado em Julho passado, revela que, em 2007, em Portugal, cerca de 34 mil adultos e jovens com mais de 15 anos estavam infectados com o HIV. O mesmo documento situava na casa dos 500 o número de mortes devido à doença. Uma tendência nacional que encontra eco em S. João da Madeira: em oito anos, o Trilho assinalou apenas seis mortes entre os seropositivos, sendo que pelo menos duas não estão directamente relacionadas com a doença (suicídio e ataque cardíaco).

Testes da SIDA passam a ser grátis

O teste para a detecção do vírus da sida vai ser gratuito para todos os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a partir do início de 2009. O anúncio foi feito pela ministra da Saúde, Ana Jorge, no âmbito do Dia Internacional de Luta Contra a Sida, assinalado a 1 de Dezembro. Actualmente, os utentes pagam entre dois a oito euros de taxas moderadores.

De acordo com a ministra, vai também ser disponibilizadas cinco unidades móveis, uma por cada Administração Regional de Saúde, para reforçar a capacidade de detecção e a realização precoce do diagnóstico. Na opinião de Branca Correia, esta é uma medida “positiva”, ainda que a abertura das pessoas possa não ser a desejada. “Às vezes as pessoas estão mais motivadas para fazer o rastreio em iniciativas colectivas do que para se deslocarem, por iniciativa própria a uma unidade de rastreios”, afirma, dando como exemplo os rastreios em recintos desportivos ou escolas, quase sempre iniciativas com grande afluência.

Ao contrário dos anos anteriores, este ano o Trilho optou por não realizar um rastreio no Dia Internacional de Luta Contra a SIDA. Dada a fraca afluência do ano passado, a unidade optou por tornar a iniciativa bienal.

Andreia A. Barbosa/Semanário Labor – 04.12.2008





Número de seropositivos aumenta na província do Kwanza-Norte

5 12 2008

Trezentos e 81 casos de Sida resultantes de 18 mil 404 testes realizados desde a implantação do Programa da Luta Contra a Sida em Ndalatando em 2006 até à data actual, na província do Kwanza-Norte, foram divulgados esta semana pelo coordenador provincial, Mateus Gaspar.
O responsável considera preocupante, sendo que na liderança da lista do gráfico dos seropositivos 179 são mulheres grávidas, 135 mulheres não grávidas, 61 homens e seis crianças dos zero aos 14 anos de idade, distribuídos em quatro municípios, nomeadamente Cazengo, Cambambe, Golungo Alto e Kikulungo que corresponde cerca de 40 porcento no geral.
Mateus Gaspar esclareceu que o Governo tem definido um importante programa de expansão dos serviços de controlo e combate à Sida que vai chegar a todos os municípios, que dispõe de condições técnicas e humanas para testagem, seguimento e tratamento da doença a nível local. Por outro lado, foram já distribuídos no Cazengo cerca de 79 mil e 200 preservativos.
O coordenador do programa aconselha a quebrarem o mito que ainda prevalece em muitas pessoas de dizer que a Sida não existe. “Só morre desta enfermidade aqueles que se mantêm no silêncio com medo de serem discriminados”, aponta.
Segundo disse, os jovens que são seropositivos e que, propositadamente, tendem a infectar outras pessoas ou ainda discriminar, serão punidos de acordo com a lei, desde que haja uma prova concreta.
“Ser seropositivo não significa o fim da vida, mas é apenas uma mudança fisiológica que o indivíduo pode obter” disse o responsável.
Por seu turno, em alusão ao Dia Mundial de Luta Contra a Sida, a província lançou um programa de actividade, sobre o lema “Stop Sida liderança cumpra a promessa” que compreende a realização de palestras e campanhas de sensibilização e culminou com uma marcha de solidariedade a favor dos doentes portadores do VIH/Sida.

André Brandão|Ndalatando/Jornal de Angola – 05.12.2008





Zaire: Mais de trezentos casos de Sida

5 12 2008

Trezentos e 53 casos de VIH/Sida, sete dos quais resultaram em óbitos, é o balanço registado na província do Zaire de Janeiro a Setembro do ano em curso, segundo revelou ao “JA” o supervisor provincial do Programa de Luta Contra a Sida do Zaire, Manuel Kai.
Segundo o responsável, o município do Soyo foi o que maior número de casos notificou no período em análise, com 194, seguindo-se-lhe os municípios de Mbanza-Congo com 108, Tomboco 19, Kuimba 14, Nóqui 11 e Nzeto com sete.
Manuel Kai disse que o diagnóstico dos referidos casos foi possível com a testagem voluntária de um total de nove mil 935 pessoas, entre as quais sete mil 220 mulheres grávidas e 428 crianças de um a quatro anos de idade.
O supervisor do programa que falava no termo de uma marcha realizada há dias na cidade de Mbanza Congo, no âmbito das actividades alusivas ao Dia Mundial da Luta Contra a Sida, referiu que os índices da doença tendem a aumentar na região a cada ano que passa, atendendo ao facto de em 2007 terem sido registados apenas 266 casos contra os 353 actuais.
A nossa fonte fez saber que a província do Zaire possui 11 salas destinadas à testagem volutária, distribuídas nos seis municípios, nomeadamente Soyo com três salas, Mbanza Congo com duas, ao passo que os municípios do Nzeto, Tomboco, Kuimba e Nóqui contam com uma sala cada.
Segundo ele, o aumento do número de Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV), permitiu que um maior número de casos fosse diagnosticado este ano, se comparado com o ano transacto, altura em que a província possuía apenas três centros.
Quanto ao corte vertical, técnica utilizada para evitar a transmissão dos vírus da mãe para o filho, o interlocutor aludiu que estes serviços funcionam em três municípios, nomeadamente Mbanza Congo, Soyo e Nzeto.
Neste momento, continuou a nossa fonte, 152 portadores do vírus de VIH/Sida estão a beneficiar de tratamento com anti-retrovirais. O supervisor provincial do Programa de Luta Contra a Sida lamentou o facto de alguns pacientes estarem a desistir do tratamento quando vêem que estão a recuperar. Este comportamento, segundo ele, faz com que o vírus se torne resistente aos anti-retrovirais, provocando a morte.
No acto de abertura das actividades comemorativas do Dia Mundial da Luta Contra a Sida, realizado no Hospital Central de Mbanza Congo, após uma marcha, o director provincial da Saúde no Zaire, Mariano do Carmo Gaspar, disse que o combate à Sida não é uma tarefa exclusiva das autoridades sanitárias, mas também de toda a sociedade.
O responsável referiu ainda que, para contrapor esta situação, os membros da sociedade devem engajar-se no combate à doença, promovendo actividades como palestras, campanhas de sensibilização e mobilização para que as pessoas possam acorrer aos centros de aconselhamento e testagem voluntária a fim de saber o seu estado serológico.
À marcha aderiram pessoas de distintos segmentos da sociedade em Mbanza Congo, nomeadamente directores provinciais de vários sectores sócio-económicos, trabalhadores da Saúde, membros das Forças Armadas Angolanas (FAA), da Polícia Nacional, activistas da luta contra a pandemia e população em geral.

Kayila Silivina, Mbanza Congo/Jornal de Angola – 05.12.2008





Formamos quadros que depois morrem com sida/aids, diz governador de Sofala, em Moçambique

5 12 2008

Alberto Vaquina, governador da província de Sofala, centro de Moçambique, esteve recentemente em Portugal. Médico de formação, falou à revista África 21 sobre as realidades do país.

Leonardo Júnior, revista África 21 *

China Town

China Town

Lisboa – Alberto Vaquina, governador da província de Sofala, centro de Moçambique, esteve recentemente em Portugal. Médico de formação, falou à revista África 21 sobre aspectos ligados à saúde, educação e as áreas que contribuem para o crescimento da província que tem a segunda maior cidade do país, a Beira.

África 21 – A prevalência do VIH/sida é um dos problemas de saúde mais preocupantes em Moçambique. Como descreve a situação na província de Sofala?

Alberto Vaquina – Sofala tem uma taxa muito elevada do VIH/sida. Há um ano tínhamos 26,5 por cento. Agora baixou para 23 por cento. Ainda é uma taxa muito alta, mas baixou. Uma das classes afectadas é a profissionalizada. Significa que formamos quadros que depois morrem por causa do VIH/sida.

O que se tem feito para minimizar o problema?

Tem havido um esforço muito grande de alargar a cobertura do território de modo a que hoje, só para dar um exemplo, fazemos tratamento anti-retroviral em todos os distritos da nossa província, havendo distritos onde temos mais do que um foco de tratamento. Temos centros de saúde em todas as sedes distritais e em todas as sedes dos postos administrativos, para além de várias aldeias.

Quais são as principais dificuldades dos serviços de saúde na província de Sofala?

Temos um desafio muito grande na nossa província, tanto na educação como na saúde, que é a dispersão da população. Há uma grande dificuldade de conseguirmos reagrupar as populações de modo a que facilmente coloquemos as infra-estruturas. Estamos a preparar-nos para ver como reforçar o diálogo com as populações, para resolver a questão dos reagrupamentos, que facilitariam as coberturas de saúde e da educação, além de outras infra-estruturas e serviços.

* Artigo publicado na edição de novembro da revista África 21

África 21.com – 04.12.2008





Toxicodependentes mais jovens enchem comunidades terapêuticas

5 12 2008

As comunidades terapêuticas para toxicodependentes estão sempre cheias, com uma taxa de ocupação superior a 90 por cento, disse ao DN o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). Segundo João Goulão, as taxas de eficácia dos tratamentos livres de drogas são razoáveis, da ordem dos 33 por cento. Essa foi a percentagem de altas clínicas a doentes que terminaram o programa em 2007.

No ano passado foram 3167 os toxicodependentes internados no universo das comunidades terapêuticas do Estado e do sector privado, que no total disponibilizam 1300 camas. Não chegam, no entanto, a 10 por cento do total de 34 mil toxicodependentes atendidos pelo IDT, que estão maioritariamente em regime de metadona.

Na abordagem comunitária não há lugar a substituição de heroína por metadona – como nos chamados CAT -, mas aposta-se na libertação total de drogas, que requer seis meses, um ano ou ano e meio de internamento, consoante os programas.

Segundo o presidente do IDT, estas comunidades estão a ser procuradas, maioritariamente, por consumidores mais jovens, que não estão necessariamente associados a fenómenos de exclusão e marginalidade. “É gente que começou a consumir em contextos de diversão e prazer, como festivais de música e se habituou a misturar várias drogas com ‘ecstasy’”, observa João Goulão.

Segundo o coordenador do plano nacional de combate à droga e toxicodependência “com este padrão de consumo arriscamo-nos a ter daqui a uns anos uma geração de ‘alzheimers’ precoces”. Apesar de não haver estudos com humanos, já há experiências com animais que antecipam esse cenário, associado ao consumo de ecstasy.

Quanto aos heroinómanos tradicionais, João Goulão refere que se trata , regra geral, de “uma população envelhecida, que consome há muitos anos e está doente”. Este tipo de doente, diz, “tem muitas vezes histórias dramáticas com insucessos de outros programas terapêuticos”. Por isso, diz, os doentes com este histórico têm menos sucesso nas comunidades terapêuticas, ao contrário dos jovens, que nem se consideravam toxicodependentes.|

CARLA AGUIAR/Diário de Notícias – 05.12.2008





Cientistas descobrem o que têm de especial as células imunitárias dos seropositivos que não desenvolvem sida

5 12 2008

Há um grupo de pessoas capaz de controlar o vírus da sida durante anos, sem tomar medicamentos. Isto sabe-se desde a década de 1980, mas não se sabia como. Agora, cientistas norte-americanos conseguiram perceber o que ocorre nas células do sistema imunitário para permitir a estas pessoas manter o VIH em quantidades tão pequenas que, apesar de serem seropositivos, não chegam a ficar doentes com sida.
O VIH necessita das células do sistema imunitário chamadas linfócitos T CD4+. Usa estes glóbulos brancos para se replicar e manter-se no organismo. A maioria das pessoas que contrai o vírus da sida sofre, ao longo do tempo, uma diminuição gradual das CD4+, enquanto o número de vírus vai aumentando.
O corpo acaba por ficar com tão poucos CD4+ e o sistema imunitário tão debilitado que uma bactéria geralmente inofensiva pode transformar-se numa infecção muito grave.
Mas a evolução criou há muito tempo glóbulos brancos especializados em matar células infectadas por vírus, chamados linfócitos T CD8+. Numa dada fase da infecção do VIH, os CD8+ atacam os CD4+, reduzindo o número de cópias de VIH. Mas, na maioria das pessoas infectadas, a partir de certa altura os T CD8+ deixam de ter actividade suficientemente forte para combater o vírus.
Os investigadores aperceberam-se que uma pequena percentagem de pessoas, cerca de 0,2 por cento da população, reage de outra forma. As células CD8+ deste grupo continuam sempre a destruir as células CD4+ infectadas, mantendo o VIH em quantidades mínimas – menos de 50 vírus por mililitro de sangue, indetectável pelas análises normais.
“Há pessoas que vivem com esta infecção há 25 anos sem nunca serem tratadas”, disse ao PÚBLICO Henrique Barros, da Coordenação Nacional da Infecção VIH/Sida.
A equipa que integra Stephen Migueles, primeiro autor do estudo publicado ontem na revista científica Immunity, mostra que nesta população a actividade dos CD8+ é muito maior do que na maioria das pessoas. Estas células, ao reconhecerem os CD4+ infectados, tocam neles e injectam-lhes grânulos com enzimas capazes de provocar a auto-destruição das células infectadas. Os cientistas, do Instituto Naciuonal de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, em Bethesda (Maryland), viram que esta actividade é efectiva e prolongada.
Segundo a imunologista Ana Espada de Sousa, do Instituto de Medicina Molecular, a diferença tem que ver com a “qualidade dessa capacidade de destruição”, disse ao PÚBLICO.
Não se sabe ainda a causa disto. “A genética tem sempre qualquer coisa que ver”, disse a cientista. Mas não é tudo. Através de substâncias capazes de activar linfócitos, os investigadores conseguiram pôr os CD8+ de doentes normais cultivados em laboratório a funcionar da mesma forma que os desse 0,2 por cento da população. Isto prova que “não é uma função perdida por estas células”, concluiu.
“Uma vacina eficaz terá que passar por estas células”, diz Ana Espada de Sousa, para explicar a importância do estudo das CD8+.
Os antirretrovirais, que na maioria dos pacientes conseguem reduzir o VIH, não são capazes de debelar completamente a infecção. O vírus mantém-se adormecido em certas células, e pode voltar a multiplicar-se, obrigando os doentes a tomarem os medicamentos para o resto da vida. Perceber o funcionamento destes CD8+ pode abrir portas no futuro para se conseguir controlar o VIH.

Nicolau Ferreira/Público – 05.12.2008