MOÇAMBIQUE: “O HIV é apenas o começo”

4 12 2008
CHIMOIO, 4 Dezembro 2008 (PlusNews) – Chamo-me Everina Armando, tenho 32 anos. Sou natural de Marromeu, na província de Sofala, na região central de Moçambique. Não tenho filhos.

Meu falecido marido era mineiro e trabalhava na África de Sul. No começo de 1999 ele veio para Moçambique muito doente, com constantes recaídas de malária e tuberculose.

Naquele ano, os médicos aconselharam-no a fazer o teste de HIV no Hospital provincial de Chimoio. Eu fiz junto com ele. Os dois resultados vieram positivos.

Fomos fortes e nos apoiamos mutuamente nos momentos mais delicados. Mas quando nossas famílias se aperceberam que éramos seropositivos, pararam de nos visitar e rogavam praga para que morrêssemos o mais breve possível.

Meu marido morreu no final de 1999. O momento mais doloroso que passei foi quando ele estava à beira da morte e os tios dele vieram me perguntar porque eu ainda não tinha morrido. Isso se repetiu muitas vezes depois.

Eu ergui a cabeça e jurei por mim mesma, porque eu me sentia útil e podia viver como qualquer pessoa normal. Eu não estava doente, apenas vivia com o HIV.

Vida nova

Em 2000 me juntei a outras pessoas que viviam positivamente com o HIV na Associação Shinguirirai (coragem, em português) e começamos a advogar sobre a doença. Algumas pessoas tinham reservas em relação às nossas mensagens. Isso acontece até hoje.

Agora tenho uma vida nova, muito regrada, porque estou impedida de fazer machamba ou carregar coisas pesadas. Desisti de fazer e vender bolinhos e fruta-gelos porque as pessoas já não vinham comprar. Mesmo quando mandava outra pessoa ao mercado não compravam, porque diziam que eu contaminava os bolos e queria espalhar o vírus.

Não tomo antiretrovirais porque os médicos disseram que o meu CD4 ainda está alto, mas recebo tratamento constante de doenças oportunistas.

Hoje namoro um jovem seronegativo, com quem vivo há quatro anos no bairro Primeiro de Maio, na cidade de Chimoio, em Manica. Ele sabe que eu sou seropositiva. Ainda não decidimos se vamos ter filhos, mas não é um assunto fora de hipótese.

Sou uma actriz de teatro e faço peças com abordagens sobre o HIV/SIDA. Transmito com sinceridade as mensagens sobre a doença e, com voz de experiência, aconselho os jovens a se precaverem contra a infecção por HIV e a fazerem o teste.

O conselho que deixo é nunca pensar que viver com o HIV a vida está no fim, pois é apenas o começo de uma mudança para uma vida mais regrada.






Investigadores temem que a crise mundial diminua o financiamento para o combate à sida

4 12 2008

A co-laureada com o Nobel da Medicina de 2008, Françoise Barré-Sinoussi, manifestou ontem na conferência internacional sobre a sida em Dacar, no Senegal, o receio de que a crise económica mundial venha a reflectir-se nos financiamentos para o combate à doença.
“Como a maioria dos investigadores, clínicos e associações, temo as consequências da crise económica, em particular no que se refere ao empenho dos países no fundo mundial” contra a sida, a tuberculose e o paludismo, disse à agência AFP a investigadora francesa, que é directora de laboratório no Instituto Pasteur.
Barré-Sinoussi adiantou ainda que foi graças à ajuda internacional que, nos últimos cinco anos, se verificaram “acentuados progressos” relacionados com o acesso aos cuidados médicos e aos tratamentos “nos países com recursos limitados, nomeadamente em África”.
“Há cinco anos, 200 mil pessoas com necessidade de tratamento estavam a ser tratadas. Hoje há três milhões de pessoas a serem tratadas e isso não é suficiente, porque apenas 30 por cento das pessoas que precisam estão a receber tratamento”, adiantou Barré-Sinoussi. “O objectivo de ter em 2010 um acesso universal ao tratamento é muito difícil de atingir. Já era um objectivo difícil, mas se lhe juntarmos os problemas económicos e financeiros…”
A investigadora francesa disse ainda que, no que se refere à França, “os compromissos para os próximos três anos estão feitos e vão ser assumidos”. Mas, adiantou, “no que diz repeito aos outros países ainda não sabemos”.
Em Dacar está a fazer-se o balanço de mais de 20 anos de luta contra a sida. É na África subsariana que vivem 67 por cento dos 33 milhões de pessoas portadoras do vírus da sida.
A responsável do programa HIV/sida em África do Banco Mundial, Elizabeth Lule, deu razão aos receios dos investigadores e sublinhou que vem aí “um período muito difícil”. Sublinhou ainda que existem várias crises que exigem financiamento – no Darfur, na República Democrática do Congo ou no Zimbabwe.
René Bonnel, economista do Banco Mundial, disse que poderão ser solicitados novos financiadores, como a China, a Coreia do Sul ou o Japão.

Público – 04.12.2008





Erotismo não é pornografia, diz cineasta

4 12 2008

Acontece em São Paulo o 3º Festival Internacional de Animação Erótica entre os dias 3 e 7 de dezembro. Com inauguração prevista para esta terça, 2, um dia depois do Dia Mundial de Luta contra a Aids (1º de dezembro), o FIA trata também de prevenção e combate à DST/Aids.

O Festival é organizado pelos cineastas Alexandre Mello e Priscila Secco e como lembra a organizadora, “o fato de ser um Festival erótico, não significa que tenha sexo o tempo todo. As pessoas não podem esperar isto”.

Para provar que dá para conscientizar com o erotismo, dentro do FIA haverá o Especial Sexo Seguro, que, segundo Priscila “é uma sessão competitiva de animações com a temática relacionada às ações de prevenção às DST/AIDS, Sexo Seguro e Conscientização”.

- É uma temática muito bacana e necessária – ressalta a cineasta.

Para entender um pouco mais do Festival, leia na íntegra a entrevista com Priscila Secco:

Terra magazine – Como surgiu a idéia do Festival Internacional de Animação Erótica?
Priscila Secco –
A inspiração foi nos cinemas pornôs no centro da capital carioca, mais precisamente na Praça Tiradentes. O Alexandre e eu somos cineastas, gostamos de animação e a idéia surgiu daí.

Qual o critério para a escolha dos curtas?
Evitamos exibir filmes com muita penetração e com uma direção voltada para o pornográfico. A escolha é baseada nas decisões do diretor, nas cenas que ele escolhe e em como ele decupa o roteiro para que sua animação não seja caracterizada como pornográfica. Portanto, exibimos tudo o que envolve o erotismo: o amor, sensualidade, romance e sexo, sem fazer distinção do homo para o heterossexual, do gay para o não-gay. Tem um filme em que um rapaz se apaixona por uma boneca inflável. A animação te permite brincar com essas várias possibilidades do amor. O diretor pode fazer tudo com animação. O Festival não exibe só o sexo propriamente dito, mas lida com ele de maneira muitas vezes delicada e divertida. Outro critério é a qualidade das animações e não a técnica. O fato de ser um Festival erótico não significa que tenha sexo o tempo todo. As pessoas não podem esperar isto.

Qual é a sua animação predileta?
‘Love and Marriage’, um filme dirigido pela turca Özgül Gürbüz. A animação trata do homossexualismo e da sexualidade no casamento. A esposa quer reconquistar o seu marido, não consegue e coloca um outro rapaz em sua cama para fazer ciúme ao seu cônjuge. Mas, para sua decepção, o seu suposto amante já o era de seu marido.
Um outro filme que eu gosto muito é da República Checa, ‘Paní G’. É o que mencionei acima sobre um rapaz que se apaixona por uma boneca inflável. Vivem juntos até que, quando ele morre, ela puxa o pino de ar de sua perna e morre junto com ele.

E o Especial Sexo Seguro?
O Especial Sexo Seguro é uma sessão competitiva de animações com a temática relacionada às ações de prevenção às DST/AIDS, Sexo Seguro e Conscientização. Selecionamos animações de 13 países diferentes. Dentro desta sessão tem o especial ‘City Hunters’, com desenhos animados e o mundo da sedução. É uma temática muito bacana e necessária.

Marcela Rocha/Terra Magazine – 03.12.2008





Desde 2003, número de casos de Aids em Campinas cai mais da metade

4 12 2008

A epidemia da Aids em Campinas, cidade do interior de São Paulo, estaria “em franco declínio”. A opinião é do Programa de DST/Aids do município e tem como base os dados epidemiológicos reunidos até novembro deste ano. Os números, ressalta o órgão, são parciais e, portanto, estão sujeitos à revisão.

De 1982 até novembro de 2008, Campinas registrou 5.468 casos acumulados de Aids. Do total de notificações, 5.327 foram em adultos e 141 em crianças (menores de 13 anos). “Observe-se que estes dados se referem ao número de pessoas com critérios para notificação por Aids, e não se refere àquelas que são portadoras assintomáticas do HIV”, esclarece texto do Programa de DST/Aids de Campinas.

Desde o ano de 2003, o total de casos notificados no município apresenta forte queda: 334 em 2003; 298 em 2004; 283 em 2005; 257 em 2006; 218 em 2007 e 117 em 2008 (dados preliminares). Dos 117 casos notificados até 12 de novembro de 2008, 115 foram registrados em adultos e dois em menores de 13 anos. Desses, 83 são homens e o restante, 34, mulheres.

A maior incidência, ou seja, o número de casos de Aids por 100 mil habitantes foi na população de 30 a 39 anos: 29 por 100 mil. Em seguida, temos a faixa etária de 40 a 49 anos (15,9) e os indivíduos com 50 anos ou mais (11,1). Para mais informações, basta contatar o Programa de DST/Aids de Campinas pelos seguintes números: (0XX19) 3305-3190/2240.

Agência de Notícias da Aids – 03.12.2008





Sesec orienta apenados no Dia Mundial em Combate a AIDS

4 12 2008

A Secretaria de Estado da Segurança Cidadã (Sesec) realizou na última segunda-feira (1°), em comemoração ao Dia Mundial de combate a AIDS, uma vasta programação no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Durante todo o dia acontecerem várias atividades como oficinas, dinâmicas e palestras para os internos, que receberam orientações sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), AIDS os riscos, prevenção e perigos que causam.

O primeiro tema debatido foi em relação à Sexualidade, as dúvidas dos presos a cerca do tema e as formas de prevenção. Os trabalhos foram coordenados pela chefe do setor de Controle da DST/AIDS da Sesec, Cecília Camargo.

Outros assuntos discutidos foram Homossexualidade e Uso de Preservativos. Na ocasião, foi apresentada aos detentos a camisinha feminina, como forma de opção de se prevenir, já que muitos dos apenados afirmaram ter restrições ao uso do preservativo.

Uma das questões mais abordadas entre os apenados foi quanto ao tratamento das doenças, haja vista a preocupação com os riscos de contaminação do HIV, tratamento e cura. Segundo Cecília Camargo, o Maranhão é um dos estados com o maior número de infectados pelo vírus e Imperatriz é o município maranhense que mais tem contaminados.

Por fim houve uma dinâmica de grupo, em que os apenados puderam explorar suas intimidades de forma mais preservada. Foram também distribuídos panfletos, folders e camisinhas. “A principal importância dessa iniciativa é saber que os apenados que participaram da programação, a partir de agora vão atuar como multiplicadores, repassando aos colegas tudo o que foi apreendido”, enfatizou Cecília.

Jornal Pequeno – 03.12.2008





Codó: Cresce o número de casos de Aids entre os jovens

4 12 2008
SÃO LUÍS – A AIDS continua avançando no município de Codó. Atualmente o Centro de Testagem e Aconselhamento – CTA – já acompanha 122 soropositivos, dos quais 55 são mulheres e 67 são do sexo masculino. Também estão sob acompanhamento 12 crianças nascidas de mães infectadas pelo vírus HIV, três delas já tiveram a doença confirmada.

A coordenadora do programa municipal de DST/AIDS, enfermeira Carla Manuela Santana Dias, afirma que este número pode ser bem maior. As estatísticas só não mais alarmantes porque, sobretudo, o público masculino, tem medo de passar pelo exame. “Eu peço aos homens, que este ano nós estamos com uma campanha direcionada a população masculina, que venha fazer o exame pra saber seu diagnóstico correto e é o ideal que nós temos agora que é conseguir, realmente, essa mudança de hábito do público masculino” afirmou.

Nas escolas

Entre os novos casos, os jovens estão aparecendo como maioria. Por esta razão, durante toda esta semana, o CTA vai intensificar o trabalho de palestras nas escolas públicas do município.

De acordo com Carla Manuela será um trabalho educativo, de conscientização. “Nós estamos direcionando à população jovem porque, inicialmente, é a nossa população que mais procura o CTA e que mais temos diagnóstico. Existem muitos jovens, meninos de 14 anos, 15 anos com diagnóstico positivo, então esta é nossa maior preocupação estar conscientizando essa faixa etária a ta vindo fazer o exame, a usar usando preservativo para diminuirmos os números entre os jovens” disse.

Mortes

De 1992 até hoje, o Centro de Testagem e Aconselhamento já registrou 10 mortes por AIDS em Codó. Muitos deixaram pra se cuidar tarde demais e acabaram não resistindo.“É uma coisa que hoje em dia não é para acontecer esta quantidade de óbitos, AIDS hoje em dia é uma doença que tem um acompanhamento, existindo um tratamento o paciente tem uma grande sobrevida, então não era pra tá acontecendo porque a gente pode está evitando com um diagnóstico precoce” , concluiu a coordenadora.

Acélio Trindade/Imirante – 03.12.2008




Em Campo Maior: Teste de HIV resultado em menos de 30 minutos

4 12 2008

Esta sendo realizado nesta quarta e quinta-feira 03 e 04 de dezembro de 08 no Hospital Regional de Campo Maior, testes rápidos de HIV. Teste que permite que o paciente conheça o resultado do exame em até 30 minutos. Este é apenas um dos muitos mecanismos que a Secretaria Estadual de Saúde do Piauí (SESAPI), esta utilizando para chamar atenção dos piauienses para um mal que assola todo o mundo: A AIDS.

Os testes estão sendo realizados pelos funcionários da HRCM e pelo CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento). A psicóloga Euslândia Marques falou da importância da prevenção e detectaçao do vírus precocemente em uma entrevista a Rede de Radio Verdes Campos Sat.

“Quando mais cedo o vírus for detectado mais facilmente o organismo do paciente vai aceitar a medicação, eu tenho pacientes que convivem com o vírus há 20 anos. Eu sei que não tem cura, mas quanto mais cedo forem diagnosticadas mais chances o paciente tem de viver uma vida menos complicações patológicas.”

Na segunda-feira 1º de dezembro foi o dia mundial de combate a AIDS e um dado preocupante foi o aumento dos números de casos de pessoas acima de 50 anos de idade contaminadas com os vírus. Segundo o ministério da saúde de 1996 e 2006 os casos de incidência em pessoas acima de 50 anos dobrou passou de 7,5 casos por cada 100 mil habitantes para 15,7. Fator estes motivado segundo a psicóloga Euslândia pela melhoria de vida dos aposentados que estão vivendo mais e melhor tendo um bom tempo disponível e recursos como medicamentos que possibilitam uma vida sexual ativa.

Devida esta grande incidência de casos de AIDS em pessoas acima de 50 anos o Governo Federal esta promovendo uma campanha para incentivar o usa de caminha nesta faixa etária. Diferentes dos jovens de hoje em dia que já nasceram na hera sexo seguro os mais idosos não foram incentivados a usar camizinha.

Em Campo Maior esta sendo realizado além dos testes, aconselhamentos pelos técnicos de saúde e psicólogos a respeito das doenças sexualmente transmissíveis. Na cidade existi atualmente 49 casos de soro positivos sendo 36 do sexo masculino e 13 do sexo feminino razão esta que motivou a escolha da mesma para a realização dos testes e divulgação da campanha: Camisinha depois dos 50 experimenta. Funcionários do HRCM vão ser capacitados para que possam realizar o teste rápido e assim beneficiar toda a população da grande Campo Maior.

TV Canal 13 – 03.12.2008





Bíe: Doadas viaturas para campanha de sensibilização contra VIH/Sida

4 12 2008

Duas viaturas foram doadas pelo Instituto Nacional de Luta contra o Sida – INLS -, com o objectivo de expandir o trabalho de sensibilização nas localidades mais longínquas que distam a mais de cento e trinta quilómetros da cidade do Kuito, realçou o director provincial da Saúde, José Augusto.
As viaturas oferecidas pelo INLS vão servir para transportação de bens, material de propaganda, preservativos e para a realização de palestras, tendo em atenção a participação voluntária da população na luta contra a epidemia que assola todas as sociedades. Por isso, considera pertinente a realização de trabalhos em diversos municípios.
José Augusto salientou que a população está a aderir ao projecto da luta contra o VIH/SIDA, mas considerou ser preciso muito trabalho, porque a questão da pandemia não se limita apenas ao sector da Saúde, sendo necessário a participação de todos os estratos sociais.
O responsável da Saúde apelou às igrejas e às autoridades tradicionais no sentido de darem a sua contribuição nesta luta árdua, porque entende que os anti-retrovirais só têm maior eficácia se todos os cidadãos assumirem a consciência do seu estado serológico.
O director provincial da Saúde disse que, tendo em conta a extensão territorial da província, se torna importante ter em conta o elevado nível de analfabetismo existente.
Assegurou que as condições para o aconselhamento e testagem voluntárias estão criadas em todos os municípios, bem como está em curso o programa de corte de transmissão vertical nas maternidades da região.

Delfina Victorino/Jornal de Angola – 03.12.2008





The National, Cat Power e Arcade Fire lutam contra a SIDA

4 12 2008

Antony Hegarty (dos Antony and the Johnsons), Cat Power, The National e Arcade Fire (na foto) são alguns dos nomes escolhidos para integrar uma colectânea com fins de beneficência composta por 32 canções.

Intitulado Dark Was the Night , o registo tem alinhamento organizado por Aaron e Bryce Dessner, dos National, e chancela da organização Red Hot, que luta há 20 anos contra a disseminação do vírus da SIDA.

A colectânea chega às lojas a 16 de Fevereiro – disponível em CD duplo, triplo LP e formato digital - e inclui também canções de nomes como Bon Iver, Feist, Andrew Bird, Yo La Tengo e Beirut.

O tema cedido pelos Arcade Fire chama-se “When Lenin Was Little” e é um inédito gravado na mesma altura que Funeral , o registo de estreia.

Além de temas inéditos e raridades, a colectânea conta com colaborações mais ou menos inesperadas entre Feist, Grizzly Bear e Ben Gibbard (Death Cab for Cutie) e Antony Hegarty e Bon Iver com os membros dos National.

Os lucros totais das vendas revertem a favor da Red Hot, que defende que a música é uma óptima forma de arranjar dinheiro para ajudar na luta contra a SIDA. A lista completa de artistas que colaboram na colectânea, segundo o jornal Guardian, é a seguinte:

Andrew Bird
Antony + Bryce Dessner
Arcade Fire
Beach House
Beirut
Blonde Redhead and the Devastations
Bon Iver
Bon Iver and Aaron Dessner
The Books featuring Jose Gonzalez
Buck 65 Remix (featuring Sufjan Stevens and Serengeti)
Cat Power and Dirty Delta Blues
The Decemberists
Dirty Projectors and David Byrne
Kevin Drew
Feist and Ben Gibbard
Grizzly Bear
Grizzly Bear and Feist
Iron & Wine
Sharon Jones and the Dap-Kings
Kronos Quartet
Stuart Murdoch
My Brightest Diamond
My Morning Jacket
The National
The New Pornographers
Conor Oberst and Gillian Welch
Riceboy Sleeps
Dave Sitek (TV On the Radio)
Spoon
Sufjan Stevens
Yeasayer
Yo La Tengo

Blitz – 04.12.2008





Governo americano investe 44 milhões de dólares no combate à Sida na Guiné-Bissau

4 12 2008

Ministro da Saúde Publica Camilo Mendes Pereira revelou ontem que Fundo Mundial financiou o Governo da Guiné-Bissau 44 milhões de dólares americano para combate a VIH/sida nos próximos cinco anos.

Camilo Pereira que falava no acto comemorativo do dia Mundial de luta contra sida, asseverou que o 44 milhões de dólares financiado pelo Fundo Mundial irá melhorar os serviços de combate a VIH/Sida e permitirá o comprimento de apoio rectificado de combate a Sida.

O titular da pasta de Saúde guineense exortou, por outro lado, a necessidade de acabar com a estigmatização, descriminação e os preconceitos que impedem muitas pessoas de ter conhecimento sobre VIH/Sida e de disponibilizarem para teste e tratamento médico.

Segundo Camilo Pereira, o quadro existente sobre Sida é de grande preocupação de governo da Guiné-Bissau, tendo adoptado uma nova estratégia de combate a VIH/Sida.

“ Os jovens devem usar preservativos no acto relações sexuais” apelou Ministro da Saúde Publica guineense.

Por seu turno o Presidente de Grupo Temática de ONUSIDA na Guiné-Bissau Guy de Arraujo asseverou a necessidade de associar os jovens como parceiros da prevenção da VIH/Sida.

Para Guy de Arraujo, também é preciso trabalhar seriamente no combate a VIH/Sida para mudar a tendência de índice de prevalência na Guiné-Bissau.

Também para o Presidente do Conselho nacional de Juventude (CNJ) Emanuel dos Santos os jovens devem utilizar preservativos durante ao acto de relação sexual de modo a evitar a propagação de vírus de VIH/Sida.

Sublinhe-se que o Secretário Geral das Nações Unidas Ban-Kimon, na sua mensagem alusivo a dia mundial da Luta contra a Sida revelou que a referida doença continua a ser uma das dez maiores causas da morte no mundo e uma das principiais causas da morte em África.

Realçou, por outro lado, a necessidade de parar com a estigmatização e descriminação das pessoas no acesso à informação sobre VIH/Sida, que considerou uma das causas das dificuldades de combate a VIH/Sida.

Braima “Ibu” Fati/News Guiné-Bissau - 01.12.2008





Prevenção da sida nas escolas

4 12 2008

O concurso ‘A minha escola e a prevenção da infecção VIH/sida’ foi apresentado esta terça-feira, no âmbito de uma parceria entre o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde.

O concurso consiste na concepção e realização de projectos/trabalhos que, no interior dos estabelecimentos de ensino, promovam o conhecimento de matérias sobre a infecção e que, ao mesmo tempo, sensibilize os jovens e a comunidade para a importância da adopção de estilos de vida saudáveis.

Tratando-se de uma cooperação entre os dois ministérios, coube a ambos a apresentação do projecto. Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, disse que se trata de um projecto ‘bastante empreendedor’. Já a ministra da Saúde, Ana Jorge, fez questão de salientar que ‘a escola é um dos parceiros muito importantes na luta contra o VIH/sida’, classificando como ‘muito importante’ a articulação entre os dois ministérios. ‘São duas áreas que se complementam, e muito’, referiu.

O concurso é dirigido às escolas dos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico e Secundário e as inscrições podem ser feitas até ao dia 28 de Fevereiro. Os vencedores serão conhecidos em Setembro do próximo ano.

Joana Freire/Correio de Manhã – 02.12.2008





Aids – tratamento e prevenção

4 12 2008

A prevenção, no caso da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da síndrome da imunodeficiência adquirida (aids), é necessariamente ligada à assistência médica. Em artigo publicado no jornal The New York Times anos atrás, Bill Clinton, ao elogiar o programa brasileiro que permite o acesso de todos os que precisam aos anti-retrovirais, deixou claro que a identificação dos acometidos pelo vírus é mínima em locais que não lhes dão a possibilidade de tratamento; e mostrou a enorme diferença que isso trouxe em comparação com lugares onde ele não era disponibilizado. Sem a identificação dos infectados, atividades de prevenção são prejudicadas – ou têm de ser estendidas a toda a população, o que as torna mais difíceis de implantar e claramente menos efetivas.

Estudos recentes demonstraram que pessoas com baixa carga viral – e o número mágico é algo como menos que 1.500 a 1.000 genomas por milímetro cúbico de sangue – são pouco influentes como contaminantes, ou seja, o tratamento efetivo tem efeito valioso quanto ao risco de transmissão do HIV. Uma parte da explicação da estabilização da epidemia no Brasil, onde a quantidade de contaminados está estável no nível de 0,5% a 0,6% da população, e assim se mantém há algum tempo, deve ser o amplo e irrestrito acesso aos anti-retrovirais; se testássemos mais pessoas poderíamos intervir melhor neste aspecto e prevenir algumas das novas infecções.

A testagem ampla e repetida envolve problemas, alguns dos quais não são claramente entendidos por grande parte da comunidade, inclusive por vários de nossos sanitaristas encravados em órgãos públicos. Assim, em populações de baixas prevalência da HIV-virose, teste para diagnóstico, executado por um único método, é muito capaz de ser falso positivo, ainda que os métodos sorológicos sejam excelentes, comparáveis aos melhores conhecidos em doenças infecciosas, contando com sensibilidade de 99,9% e especificidade da ordem de 99,5%. Já ouvimos críticas pesadas a possíveis falsos positivos por autoridades que deveriam entender de estatística e do fato de que o valor preditivo positivo de qualquer exame depende da prevalência do agente na população estudada.

A testificação ampla, portanto, precisa ser cuidadosamente preparada e os investigados, conscientes dos riscos da falsa positividade; também, é essencial que as técnicas confirmatórias sejam disponíveis e rapidamente utilizadas: não é correto, decente nem adequado deixar uma pessoa avaliada como positiva aguardando por semanas ou mais pelas provas certificadoras, como sucede com lamentável freqüência em serviços públicos. Também é difícil, mas não impossível, conceder o apoio psicológico necessário aos que se encontram sob avaliação, tanto na fase inicial do procedimento como após o resultado dos testes decisivos. Essencialmente, um exame confirmatório negativo significa que a pessoa não tem a infecção – mas, e o susto decorrente da primeira informação, quem é que agüenta sem apoio?

Dito isto, é evidente que prevenção e tratamento se completam. Então, impõe-se maior eficácia na profilaxia. Do custo do tratamento de mais e mais pessoas, levando em conta que a expectativa de vida dos examinados vai melhorando paulatinamente, só há uma projeção, que é o aumento progressivo. Logicamente, vale a pena tratar – e se for feito um estudo econométrico com as vantagens dessa conduta e manter produtivos os infectados, o custo-benefício é evidentemente positivo. Os remédios, no entanto, não são baratos, os novos são mais caros e se tornarão necessários à medida que a resistência aos fármacos for aumentando. Uma ênfase à aderência ao tratamento, que evita e posterga o aparecimento das resistências, é essencial. Este é um problema muito sério, particularmente em populações muito pobres ou com problemas comportamentais – explicitamente nos drogadictos.

A prevenção é bem conhecida e ainda dependemos, no momento, do uso do preservativo masculino. O feminino não é facilmente disponível. Ao custo maior se associa o incômodo quando usado, embora tenha a enorme vantagem de permitir na negociação sexual que a mulher controle sua utilidade; o preservativo masculino dá a primazia no entendimento ao parceiro com, pelo menos em geral, maior poder, incluindo o de recusar a utilização. Ficou patente nos últimos anos que fazer propaganda da castidade não leva à eficiência na profilaxia da infecção. Não somos contra quem quiser ser casto – que o seja quanto quiser e contando com nosso louvor -, porém não é viável prescrever castidade à população geral, porque, definitivamente, não vai funcionar. Essa é a experiência norte-americana. No Brasil, determinadas autoridades sanitárias nunca partiram para essa linha, julgando-se realísticas.

Esperanças para métodos de melhor controle da disseminação da infecção, como drogas que a preveniriam, de emprego tópico vaginal, não se confirmaram por enquanto. E quanto às vacinas, em recente conferência Antony Faucci, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH-USA), foi enfático: presentemente não temos vacinas, nem conseguimos elaborar uma eficiente com o que conhecemos. O único caminho é entender melhor como fazê-la, ou seja, necessitamos de mais pesquisa básica para tentar ver se uma vacina anti-HIV é possível.

Persiste um sonho: contar com antiviral que debele a infecção, indo bem além da benéfica e parcial capacidade de controlá-la. Lembremo-nos da sífilis, agora menos terrível e curável com a disponibilidade de diversos medicamentos, totalmente ativos. Não imploraremos por mudanças de comportamentos. O HIV sofrerá derrota. O agente motivador da sífilis perdeu feio, se bem que os mecanismos de transmissão continuaram em foco.

Vicente Amato Neto e Jacyr Pasternak*/O Estado de S. Paulo – 29.11.2008

Vicente Amato Neto e Jacyr Pasternak são médicos e professores universitários





Portadores do HIV vivem mais e melhor

4 12 2008

A sobrevida de pacientes com aids dobrou entre 1995 e 2007 e trouxe aos portadores do HIV um estilo de vida mais ameno. Longe da visão aterrorizada que as pessoas tinham dos primeiros casos, quando os pacientes apareciam excessivamente magros, quase cadavéricos, hoje as pessoas convivem normalmente com portadores da doença.

A sobrevida média de pacientes com Aids nas regiões Sul e Sudeste passou de 58 meses (quatro anos e oito meses) para 108 meses. O Ministério da Saúde acompanhou 2 mil pacientes adultos que tiveram a doença diagnosticada entre 1998 e 1999 em 23 cidades do Sul e Sudeste do País. Passados 108 meses da confirmação da infecção, 60% estavam vivos. Um trabalho semelhante feito entre 1995 e 1996 apontava dados menos animadores. Na época, a média de sobrevida do paciente com aids era de 58 meses.

O aumento da sobrevida é atribuído ao acesso a medicamentos anti-retrovirais e ao acompanhamento dado a pacientes pela rede pública de saúde. Aos portadores do HIV é permitido hoje, 26 anos depois do aparecimento do primeiro caso de aids classificado no Brasil, circular em público sem demonstrar que tem a síndrome.

É o caso de Samuel (nome fictício), infectado há seis anos. Em 2002, o médico lhe deu seis meses de vida. Ele começou a tomar os anti-retrovirais e vive tranqüilo, faz festa, vai a bares, tem amigos e namorada. Sabe que vai morrer um dia, como aliás, morrerão todos os humanos, com ou sem aids, mas diz que está preparado psicologicamente. “Só não quero sofrer.”
Samuel é bissexual. Aos 30 anos foi infectado, não sabe em qual das poucas relações que teve. Depois de seis anos convivendo com a aids, ele se sente mais sereno, mas ainda lida com os efeitos colaterais do anti-retroviral.

“Os efeitos são fortes demais. O corpo muda, a vida social muda. Se não tiver um preparo psicológico você entra em pânico. Você não sabe o que fazer.” Neste momento, o coquetel que ele toma tem mostrado um efeito positivo. “Já cheguei a tomar 32 comprimidos por dia. Às vezes, com a combinação, você não consegue nem andar. O mal-estar é grande demais, diarréia e vômito o tempo todo”, afirmou.

Relaxamento

Para a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids de Uberlândia, Cláudia Spirandelli, mesmo com toda as vantagens que o coquetel trouxe, uma questão preocupa. “Com o surgimento dos anti-retrovirais as pessoas perderam um pouco o medo da doença. Pensam: ‘se eu pegar aids, os medicamentos podem me dar uma boa qualidade de vida’. Mas, a aids não tem cura. Não existe remédio ou vacina que impeça a contaminação”, afirmou.

“No começo da epidemia em que a morte era rápida, o medo era presente, sempre. Mas com o passar dos anos, a aids foi se tornando uma doença com a qual parece ser normal conviver, as pessoas pararam de se cuidar.”
Mas existem muitos problemas e viver com aids não é uma coisa normal”, afirmou Edval Dias Cantuário, diretor da ONG Rede Nacional de Pessoas. “Antes as campanhas jogavam imagens mais chocantes. Hoje o tema é tratado de maneira mais amena. O sofrimento está escondido.”

Profissional da saúde abandonou a atividade para preservar pacientes

Saul (nome fictício) vive em Uberlândia há 20 anos. Calmo ao falar sobre a sua história, aos 37 anos, ele vive um drama em silêncio. Era profissional da saúde. Teve de abandonar o trabalho pelo risco de contaminar seus pacientes. Formado há 12 anos, conseguiu se aposentar. Ele não sabe dizer como foi contaminado em 2005, se numa relação sexual (afirma que sempre usou camisinha), ou se o vírus foi contraído por materiais cortantes ou perfurantes, durante um procedimento invasivo.
Para Saul, mais que o medo da morte, ele vive sob o fantasma comum aos soropositivos: como será o fim da vida?

Como você descobriu que estava infectado?

Apesar de eu me preservar nas minhas relações, sempre usei camisinha, por algum fator fui contaminado. Não posso afirmar como foi. Se por sexo ou em algum procedimento no meu trabalho. Passei pela doença, pelo estado sintomático. Procurei um médico por causa de dor de garganta, febre, diarréia, manchas no corpo e dor de cabeça. Um me disse que era dengue, outro que era uma infecção de garganta, outro virose.

Você se medicava e os sintomas persistiam?

Sim. Aí eu procurei um médico da minha família, um geriatra. Chegando lá, ele já notou que era o comportamento do HIV. Fiz exames e ficou comprovado.

Você disse que logo quis abandonar o trabalho por receio de contaminar seus pacientes. Fale sobre isso.
Comecei minha luta no INSS, tendo o respaldo médico e laudo de psiquiatra. Dei entrada no INSS solicitando minha aposentadoria. Foi negada. Fiquei um ano sem recorrer, trabalhando com medo, com trauma. Eu atendia em um posto de saúde público. Quando eu tinha de fazer procedimentos invasivos, passava a tarefa para os colegas. Vivi um ano de muita tensão.

E quando conseguiu se afastar?

Quando eu cheguei a uma fase que não agüentava mais o estresse, a depressão, eu entrei novamente no INSS. Aí eu estava terrível emocionalmente. Consegui o auxílio doença. Fiquei afastado por dois anos. Agora passei por uma perícia médica e fui aposentado por invalidez. Tive de lutar muito para seguir uma lei do Procon, que diz que se o profissional de saúde transmitir um risco a um terceiro, ele tem de pronunciar ao seu paciente. Porém, existe uma lei federal que garante que a doença do portador de HIV é sigilosa, então você fica em pé de guerra. Mesmo trabalhando com o protocolo de segurança, tinha receio. E se isso for falho? Eu trabalhava com uma série de situações de riscos.

E como foi esse processo?

Eu estive no Ministério da Saúde em Brasília, conversei com um corpo jurídico, fui até entidades que representam a minha profissão, fui a congressos. A base da discussão era a relação do profissional da saúde portador do HIV e o paciente. Há vertentes que defendem o afastamento da atividade. Outros crêem que não é necessário, que isso é normal. Mas, viver com aids não é normal.

Como você reagiu quando soube que você portava o vírus?

A gente carrega o medo, o estigma, o preconceito, a discriminação. Hoje me sinto uma pessoa que se esconde. Até quando vou ficar me escondendo? Não posso ser eu? Qual paciente estaria nas mãos de um portador de HIV, se o próprio profissional da saúde discrimina um portador do HIV. Estive em um congresso onde encontrei 4 mil portadores do vírus. Naquele momento me questionei o que estava fazendo lá. Hoje sou ativista, luto pela causa. Quem tem câncer, não é discriminado. As pessoas se aproximam dela. Agora, quem tem  aids… E tem uma frase muito forte que é “antes me escondia para morrer, hoje, me mostro para viver”. Tenho buscado compartilhar minha experiência.

Mas a quem você revela que tem HIV?

Assumo para as pessoas que sabendo da minha sorologia vão engrandecer a luta pelos portadores do vírus. Essa entrevista, ao conselho da minha profissão, a ONGs, a situações e pessoas que vão proporcionar um mundo melhor aos soropositivos, aí me apresento.

E como é a relação com a sua família?

Minha família não sabe. Sou de uma família de classe média. Todos os cinco irmãos são formados. Sempre fui o aluno nota 10, sempre me dediquei na vida profissional. E aconteceu essa fatalidade. E eles não sabem, porque acho que eles não têm estrutura para saber disso agora. A sensação é de morte. A morte vem sempre primeiro. Qual a estimativa de vida que vou ter? Como serão minhas relações afetivas? Posso constituir uma família? Posso viver com uma mulher que não seja soropositiva? Eu imaginava viver 100 anos, tanto que meu médico é um geriatra, e agora, vou morrer com quantos anos? Não precisam saber agora.

E a família tem consciência que você está afastado do trabalho?

Também não. É melindroso falar sobre o HIV. Temos uma ética muito grande para nos proteger. E por que tudo isso? Porque existe o preconceito, a discriminação.

E você sempre se cuidou?

Sempre usei camisinha. Nunca usei drogas, nem dar um trago em um cigarro.

Você acha que as pessoas perderam medo do HIV depois do coquetel?

Muitas vezes comparam o portador com um diabético, um hipertenso. Mas, na verdade, o coquetel eleva a sobrevida da pessoa, mas ele não traz o bem-estar físico. Ele causa câncer de linfoma, depressão crônica, uma série de fatores adversos. A sobrevida aumentou, mas há efeitos colaterais. Tem de se lembrar que viver com aids não é normal. Que o coquetel tem uma série de conseqüências.

Qual a sua percepção social da doença no seu convívio com outros portadores?

Muitos acham que só homossexual porta o HIV. Hoje, dentro da ONG vejo que tem muitas mulheres casadas que contraíram de seus maridos, muitos idosos, crianças, adolescentes. Não existe grupo de risco, de pessoas que não se preservam.

E o preconceito?

Então… (uma longa pausa). Palavra que mata mais que o HIV. Acho que com o HIV a gente consegue conviver, mas o preconceito te leva à loucura, à depressão, ao suicídio. Só fui saber o que é preconceito sendo portador do HIV.

E a vaidade? Você parece ser bem mais novo.

Sempre me cuidei. Mas quando fiquei sabendo que era soropositivo me senti acabado. A depressão é crônica, você lida com a morte.

É latente o medo da morte?

Veja, meu maior medo é como vai ser o fim. Quando você dá entrada para o tratamento de moléstias infectocontagiosas é terrível. Penso como vai ser a degeneração. Como vai ser o fim mesmo.

Quando você olha no espelho, qual Saul você lá?

Depois que soube da doença, passei a ver vários Sauls. Cada momento vejo um Saul. Hoje vejo um Saul que quer viver e lutar por uma causa. Mas, antes tinha um Saul que estava morto por dentro, sem objetivo de viver, com várias indagações a respeito das relações.

Quando você acha que vai conversar com a sua família?

Acho que no momento não acrescentaria nada para nós. Então, num momento em que achar que isso vai elevar o crescimento do meu ativismo, vou falar.

Você está bem, está feliz?

Estou feliz porque tenho desenvolvido um trabalho e tento compartilhar com as pessoas que convivem com a doença e isso nos amadurece. Isso me ajuda mais. Acho que se não tivesse alguém com quem compartilhar, não suportaria.

Como você imagina o futuro?

Acho que só a Deus pertence.

Casos da vida real

Tudo começou com uma gripe

Uma gripe, depois a pneumonia. Crianças são mais suscetíveis a essas doenças. Parecia ser uma coisa simples. Mas era muito grave. Depois de passar pelo sistema privado de saúde, Clara (os nomes são fictícios) levou seu filho Lucas até o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. Após alguns exames a notícia.

“O doutor que me atendeu era muito sem educação. Ele virou para mim e disparou: ‘você infectou seu filho!’ Neste momento descobri que eu e meu filho tínhamos aids. O chão se abriu embaixo de mim.” Durante a gravidez, não foi solicitado a Clara um exame para detectar o HIV.

Mas ela não podia demonstrar o sofrimento, nem o susto quando ficou sabendo que portava o vírus. “Tinha um enteado me olhando da janela. Não podia deixar ele saber.” Ela se disse espantada também com a chegada de uma junta médica de estudantes para analisar seu quadro.

Mas a pior passagem não foi a descoberta da doença e sim quando Lucas foi desenganado. “Ele era só pele e osso. A médica deu alta para ele morrer em casa.” Ela estava desempregada e lamenta não ter tido condições para comprar um “iogurte ou uma fruta” para dar ao garoto. “O Lucas dava cinco passos e não conseguia mais respirar. Mas Deus está acima de tudo. Para quem acredita em milagres, eu digo. Deus deu um novo pulmão a ele.”

Hoje, depois de muito sofrimento e preconceito, Lucas está bem. Pratica natação e convive com os colegas da escola. Aos 12 anos, ele sabe da sua doença.

Clara amou muito. Teve três relacionamentos. Primeiro com um homem com quem viveu por pouco tempo, o pai de seu filho com quem ficou por seis anos e um outro casamento. O primeiro e o último faleceram. O pai de seu filho ainda é vivo. Eles tinham em comum o vírus.

E ela garante que ainda quer amar mais. Clara, uma mulher de olhos brilhantes e fé nas palavras, sobe ao altar novamente dia 27 de dezembro, com um homem também soropositivo. “Eu sou feliz”, afirmou.

Na França, uma vitória que não foi vista

Dia 10 de junho de 1998. Taffarel, Cafu, Aldair, Junior Baiano, Cesar Sampaio, Roberto Carlos, Giovanni (Leonardo), Dunga, Ronaldo, Rivaldo, Bebeto, (Denilson) entravam em campo sob o comando de Zagallo. O adversário era a Escócia. O Brasil venceu por 2 a 1, naquele que foi o jogo de abertura da Copa do Mundo na França. Os gols foram marcados por Cesar Sampaio, Aldair e Collins.

Edson (nome fictício) um aficionado por futebol, não assistiu àquela partida. “Passei mal naquele dia. Não vi nada da Copa, nenhum jogo. Entrei na UTI”, disse. Recorda-se daquele momento com um olhar distante. “Saí do hospital com tudo o que é ‘-ose’, ‘-iti’ e ‘-inge’. Tudo quanto é tipo de doença eu tive: meningite, tuberculose, toxoplasmose,
neurotoxoplasmose. Entrei em coma.”

Ele foi infectado aos 24 anos, hoje tem 44. Como em tantos outros casos semelhantes, não sabe como contraiu o vírus. “Vivi com uma pessoa por 10 anos. Não sei se passei para ela ou se ela passou para mim.”

Falando sobre a doença, ele descreve que pensou por muito tempo na morte, mas não conhece o que é depressão. “Sou uma pessoa normal, bebo minha cervejinha, vou ao clube, gosto de bola, mas não consigo jogar mais”, afirmou o torcedor do Botafogo.

Mas a estabilidade veio depois de muito sofrimento. “Teve um tempo em que eu não conseguia nem me levantar. Para tomar banho precisava de ajuda. E eu acabava de tomar os remédios, passava um pouquinho, ia almoçar, vomitava tudo em cima da mesa. Mas fui acostumando com o remédio e, graças a Deus, agora estou tranqüilo. Se melhorar vira pagode!”
Ele se lembra, no entanto, de momentos de tristeza quando foi chamado de vagabundo, aidético, na frente de um bar cheio de gente. Em contrapartida recebe carinho de muitos.

“No meu trabalho, as pessoas me abraçam. Todo ano no meu aniversário compro 250 cervejas long-neck e 25 kg de pintado. Faço a festa!”

Em seus planos está a esperança. “Acho que ainda vou acompanhar a descoberta da cura. Mas esse vírus… Quando a gente pensa que está descobrindo a cura, ele muda.”
Em tempo. O Brasil perdeu o Mundial de 1998 na final para a França. Tristeza que Edson não teve que viver.
Número de casos não está disponível em Uberlândia

Os números de casos de aids registrados pelo Município não estão disponíveis. Mas, uma coisa é certa. A cidade é a terceira em Minas Gerais, em números de registros.

Há uma contagem desde a primeira notificação, porém, por uma falha técnica, eles estão inacessíveis. Há apenas os registros de 2007 e 2008. Segundo Cláudia Spirandelli, coordenadora municipal do programa DST-Aids, houve uma troca no software utilizado na cidade e devido a uma incompatibilidade operacional, as notificações não podem ser acessadas pelo novo sistema. “Estamos aguardando a normalização. Um técnico irá recuperar estes dados”, afirmou.

Essa falha pode ser a provável causa do desencontro entre os números do Município e do Estado. Dados fornecidos pela Gerência Regional de Saúde (GRE) apontam o primeiro caso notificado em Uberlândia em 1984. Cláudia Spirandelli afirma que foi em 1986. Mais desencontros: o Município registra 1.840 casos de aids desde o primeiro contágio, o Estado 1.640.
Em 2007, foram 135 novos registros e em 2008 foram 78, segundo Cláudia Spirandelli. A tabela enviada pela GRE  indica 73 casos em 2007 e 41 neste ano.

A assessoria de imprensa da GRE indica uma outra possibilidade. A diferença pode estar no atendimento do Município que é referência para outras cidades da região. Ou seja, casos de outras localidades podem ter sido contabilizados em Uberlândia.
Mas, mesmo com dados destoantes, uma coisa é certa. O número de mulheres infectadas aumenta gradativamente. No início, a cada 25 mulheres, havia um homem infectado. Com as mulheres se expondo mais, esse número passou para 1,5 homem para cada mulher em Uberlândia. “Acreditar no parceiro e não usar camisinha também é um risco para muitas mulheres”, afirmou Cláudia Spirandelli.
Cronologia

1977/78
Primeiros casos nos EUA, Haiti e África Central, descobertos e definidos como síndrome, em 1982

1980
Primeiro caso no Brasil, em São Paulo, também só classificado em 1982.

1981
Primeiras preocupações das autoridades de saúde pública nos EUA com uma nova e misteriosa doença

1982
Adoção temporária do nome Doença dos 5 H – Homossexuais, Hemofílicos, Haitianos, Heroinômanos (usuários de heroína injetável), Hookers (profissionais do sexo em inglês). Conhecimento do fator de possível transmissão por contato sexual, uso de drogas ou exposição a sangue e derivados. Primeiro caso de transfusão sangüínea.

1983
Primeira notificação de caso de aids em criança. Relato de caso de possível transmissão heterossexual. Homossexuais usuários de drogas são considerados os difusores do fator para os heterossexuais usuários de drogas. Relato de casos em profissionais de saúde. Primeiras críticas ao termo grupos de risco (grupos mais vulneráveis à infecção). Gays e haitianos são considerados principais vítimas. No Brasil, primeiro caso de aids no sexo feminino

1984
A equipe de Luc Montagner, do Instituto Pasteur, na França, isola e caracteriza um retrovírus (vírus mutante que se transforma conforme o meio em que vive) como causador da aids. Estruturação do primeiro programa de controle da aids no Brasil – o Programa da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo

1985
Fundação do Gapa – Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (primeira ONG do Brasil e da América Latina na luta contra a aids). Diferentes estudos buscam diagnósticos para a possível origem viral da aids. O primeiro teste anti-HIV é disponibilizado para diagnóstico. Caracterização dos comportamentos de risco no lugar de grupo de risco. A aids é a fase final da doença, causada por um retrovírus, agora denominado HIV – Human Immunodeficiency Virus (vírus da imunodeficiência humana). Primeiro caso de transmissão vertical (da mãe grávida para o bebê)

1986
Criação do Programa Nacional de DST e aids

1987
Criação do Primeiro Centro de Orientação Sorológica – Côas -, em Porto Alegre (RS). Questiona-se a definição de comportamentos sexuais tidos como anormais. Início da utilização do AZT, medicamento para pacientes com câncer e o primeiro que reduz a multiplicação do HIV. A Assembléia Mundial de Saúde, com apoio da ONU (Organização das Nações Unidas), decide transformar o dia 1º de dezembro em Dia Mundial de Luta Contra a Aids, para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão em relação às pessoas infectadas pelo HIV. A escolha dessa data seguiu critérios próprios das Nações Unidas. Total de casos notificados no Brasil: 2.775.

1988
Morre o cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil, aos 43 anos. Criação do Sistema Único de Saúde. O Ministério da Saúde inicia o fornecimento de medicamentos para tratamento das infecções oportunistas. Primeiro caso diagnosticado na população indígena. Total de casos notificados no Brasil: 4.535.

1989
Morre Lauro Corona, ator da TV Globo, aos 32 anos. Ativistas levam o fabricante do AZT (Burroughs Wellcome) a reduzir em 20% o preço do remédio. Novo critério de definição para a classificação de casos de aids após o Congresso de Caracas – Venezuela. Total de casos notificados no Brasil: 6.295.

1990
O cantor e compositor Cazuza morre aos 32 anos.

1991
Inicia-se o processo para a aquisição e distribuição gratuita de anti-retrovirais (medicamentos que dificultam a multiplicação do HIV). Dez anos depois de a aids ser identificada, a OMS anuncia que 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo HIV no mundo. O jogador de basquete Magic Johnson anuncia que tem HIV. O Videx (ddl), que como o AZT faz parte de um grupo de drogas chamadas inibidores de transcriptase reversa, é lançado. Total de casos notificados no Brasil: 11.805.

1992
A opinião pública brasileira fica indignada quando a menina Sheila Cartopassi de Oliveira, de 5 anos, tem a matrícula recusada em uma escola de São Paulo por ser portadora de HIV. Ministério da Saúde inclui os procedimentos para o tratamento da aids na tabela do SUS. Início do credenciamento de hospitais para o tratamento de pacientes com aids. Total de casos: 14.924.

1993
Início da notificação da aids no Sistema Nacional de Notificação de Doenças – Sinan. Morre o bailarino Rudolf Nureyev. A atriz Sandra Brea (1952-2000) anuncia que é portadora do vírus. A opinião pública começa a perceber que a doença atinge também as mulheres. O AZT passa a ser produzido no Brasil. Total de casos notificados no Brasil: 16.760.

1994
Acordo com o Banco Mundial dá impulso às ações de controle e prevenção a DST e aids previstas pelo Ministério da Saúde. Estudos mostram que o uso do AZT ajuda a prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho. Definição para diagnosticar casos de aids em crianças. Total de casos notificados no Brasil: 18.224.

1995
Uma nova classe de drogas contra o HIV, os inibidores de protease, é aprovada nos EUA. Zerti (d4T) e Epivir (3TC), outros inibidores de transcriptase reversa são lançados, aumentando as escolhas de tratamento. Estudos revelam que a combinação de drogas reduz a progressão da infecção, mas o custo do tratamento é de US$ 10 mil a US$ 15 mil por ano. Aparecimento dos primeiros inibidores de protease (medicações que dificultam a multiplicação do HIV no organismo). Total de casos notificados no Brasil: 19.980.

1996
Lei fixa o direito ao recebimento de medicação gratuita para tratamento da aids. Disponibilização do AZT venoso na rede pública. Queda das taxas de mortalidade por aids, diferenciada por regiões. Percebe-se que a infecção aumenta entre as mulheres (feminização), dirige-se para os municípios do interior dos estados brasileiros (interiorização) e aumenta significativamente na população de baixa escolaridade e baixa renda (pauperização). Total de casos notificados no Brasil: 22.343.

1997
Implantação da Rede Nacional de Laboratórios para o monitoramento de pacientes com HIV em terapia com anti-retroviral, com a realização de exames de carga viral e contagem de células CD4 (células que fazem parte do sistema de defesa do organismo ou sistema imunológico). Morre o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Hemofílico, contaminado por transfusão de sangue, defendia o tratamento digno dos doentes de aids. Total de casos notificados no Brasil: 22.593.

1998
Onze medicamentos disponíveis, gratuitamente, na rede de saúde. Lei define como obrigatória a cobertura de despesas hospitalares com aids pelos seguros-saúde privados (não assegura tratamento anti-retroviral). Muitos soropositivos que usam o coquetel apresentam cargas virais indetectáveis pelos exames. Mas o HIV continua `escondido` no organismo (gânglios linfáticos, medula e partes do cérebro).

1999
Aumenta para 15 o número de medicamentos disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Queda de 50% na mortalidade dos pacientes de aids e melhora da qualidade de vida dos portadores do HIV. Estudos indicam que, quando o tratamento é abandonado, a infecção torna-se outra vez detectável. Pacientes desenvolvem efeitos colaterais aos remédios. Marylin, um chimpanzé fêmea, ajuda a confirmar que o SIV (Simian Immunodeficiency Virus ou Vírus da Imunodeficiência dos Símios) foi transmitido para seres humanos e sofreu mutações, transformando-se no HIV. Testes genéticos mostram que o HIV é bastante similar ao SIV, que infecta os chimpanzés, mas não os deixa doentes. Total de casos notificados no Brasil 1998/1999 (até agosto): 22.102.

2000
A 13ª Conferência Internacional sobre aids, em Durban, na África do Sul, denuncia ao mundo a mortandade na África. Dezessete milhões morreram com aids no continente, 3,7 milhões são crianças. 8,8% dos adultos estão contaminados. O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, escandaliza o mundo ao sugerir que o HIV não causa a aids. Realização do 1º Fórum em HIV/Aids e DST da América Latina, no Rio de Janeiro. A partir de acordo promovido pelas Nações Unidas, cinco grandes companhias farmacêuticas concordam em diminuir o preço dos remédios usados no tratamento da aids para os países em desenvolvimento. No Brasil, aumentam os casos em mulheres. A proporção nacional de casos de aids notificados já é de uma mulher para cada dois homens. Total de casos notificados no Brasil 1999/2000 (até junho): 17.806.

2001
Muitos laboratórios são obrigados a baixar o preço das drogas nos países do Terceiro Mundo. O HIV Vaccine Trials Network (HVTN) planeja testes com vacina em vários países, entre eles o Brasil. Total de casos de aids acumulados: (1980 – 2001) 220.000.

2002
O Fundo Global para o Combate à aids, Tuberculose e Malária é criado para captar e distribuir recursos, que serão utilizados por países em desenvolvimento, para o controle das três doenças infecciosas que mais matam no mundo. Um relatório realizado pelo Unaids, Programa Conjunto das Nações Unidas para a luta contra a aids, afirma que a aids vai matar 70 milhões de pessoas nos próximos 20 anos, a maior parte na África, a não ser que as nações ricas aumentem seus esforços para conter a doença. A 14ª Conferência Internacional sobre aids é realizada em Barcelona. Total de casos de aids acumulados: (1980-2002) 258.000.

2003
O Programa Brasileiro de DST/aids recebe um prêmio de US$ 1 milhão, da Fundação Bill & Melinda Gates, como reconhecimento às ações de prevenção e assistência no País. Os recursos foram doados para ONGs que trabalham com portadores de HIV/aids. O Programa Nacional de DST/aids é considerado por diversas agências de cooperação internacional como referência mundial. Total de casos de aids acumulados até 2003: 310.310.

2004
Morrem duas lideranças transexuais, a advogada e militante Janaína Dutra e a ativista Marcela Prado (ambas foram grandes colaboradoras do Programa Nacional de DST e aids). Total de casos de aids acumulados até 30/6/04: 362.364.

2005
Makgatho Mandela (filho do ex-presidente Nelson Mandela) morre em conseqüência da aids aos 54 anos. O tema do Dia Mundial de Luta Contra a aids no Brasil aborda o racismo como fator de vulnerabilidade para a população negra. Total de casos de aids acumulados até junho de 2005: 371.827.

2006
Toronto recebe 20 mil pessoas para a 16ª Conferência Mundial sobre aids, o maior evento sobre aids no mundo. Dia Mundial de Luta contra a aids teve sua campanha protagonizada por pessoas vivendo com aids. À noite, em uma ação inédita, a inscrição da RNP+ “Eu me escondia para morrer, hoje me mostro para viver” foi projetada em raio laser nas duas torres do Congresso Nacional, que ficou às escuras, como forma de lembrar os mortos pela doença. Acordo reduz em 50% preço do anti-retroviral tenofovir, representando uma economia imediata de US$ 31,4 milhões por anos. Total de casos de aids acumulados até 30/6/06: 433.067.

2007
Em janeiro, a Tailândia decide copiar o anti-retroviral Kaletra e, em maio, o Brasil decreta o licenciamento compulsório do Efavirenz. Também é assinado acordo para reduzir preço do anti-retroviral Lopinavir/Ritonavir. Aumenta a sobrevida das pessoas com aids no Brasil. A Campanha do Dia Mundial, cujo tema são os jovens, é lançada no Cristo Redentor. Total de casos de aids acumulados até junho de 2007: 474.273.

Correio de Uberlância – 01.12.2008