Sida em Moçambique esvazia a função pública

3 12 2008

Cerca de 16 por cento da população moçambicana entre os 15 e os 49 anos está seropositiva, foi ontem anunciado na imprensa daquele país africano, na sequência do Dia Mundial de Luta contra a Sida, em 1 de Dezembro.
A função pública moçambicana está a registar elevados índices de mortalidade e de abstentismo devido a este problema, conforme explicaram as autoridades. De 165.000 funcionários públicos, mais de 31.000 (cerca de 20 por cento) estão seropositvos, incluindo mais de 9000 num estágio avançado da doença.
Até 2010, 17 por cento de todos os professores que havia em Moçambique terão já morrido de sida, sendo 40 por cento dessas mortes na zona centro do país, noticiou ontem o Diário Mphamma, de Maputo.
Só ficará um professor para cada 82 alunos do ensino primário, o que irá “baixar cada vez mais a qualidade do ensino”, destacou aquele jornal, transmitido por fax, e-mail ou entregue ao domicílio, na capital e na Matola.
Por outro lado, calcula-se que 20 por cento das crianças moçambicanas irão ficar órfãs até 2010, devido a esta mesma problemática, que está a fazer com que diminua a esperança de vida (que já não vai a mais de 41 anos), pois já serão mais de dois milhões os cidadãos infectados, num país cuja população é de 21,2 milhões de habitantes.
A taxa de prevalência nacional situava-se, já em 2003, nos 13,8 por cento, havendo, no entanto, províncias como Sofala, no centro do país, em redor da cidade da Beira, em que ascendia a 25 por cento.
Em Dezembro de 2001 havia 1.129.238 pessoas infectadas com VIH e actualmente é possível que esse número já tenha duplicado.
Admite-se que na presente década mais de um milhão de moçambicanos venham a morrer devido a esta calamidade, com centenas de cidadãos a ficarem infectados em cada dia que passa.

Público – 03.12.2008





TANZÂNIA: O que toda noiva precisa saber

3 12 2008


Photo: Sarah McGregor/IRIN
MC Zimpopo diz que poucos em sua profissão discutem o HIV em festas de cozinha

DAR ES SALAAM, 3 Dezembro 2008 (PlusNews) – Dicas para contornar discussões domésticas e assegurar uma vida sexual feliz são apenas alguns dos ensinamentos preciosos passados adiante nos chás de cozinha na Tanzânia. Conhecidos como “festas de cozinha”, nenhum assunto é tabu quando as convidadas preparam as noivas para a vida como esposa.

Entretanto, activistas pela igualdade dos sexos dizem que as festas perpetuam a desigualdade dos papéis de cada sexo ao ensinar as mulheres a serem submissas aos homens em todos os aspectos, inclusive sexual, colocando-as sob grande risco de contrair HIV de seus maridos.

Muitas convidadas elegantemente trajadas participaram da festa de cozinha de uma bancária de 25 anos na capital comercial da Tanzânia, Dar es Salaam, na qual os únicos homens eram o operador de câmera e o DJ.

Presentes, em sua maioria utensílios domésticos e equipamentos de cozinha, foram empilhados numa plataforma elevada onde a noiva pacientemente aguardava pela aula. Uma procissão de parentes e amigas, cada uma com anos de experiência de casamento, tiveram a sua vez ao microfone.

“Se ele chegar tarde, peça à moça da casa [empregada doméstica] para abrir a porta para mostrar a ele que você está zangada”, sugeriu uma das mais velhas. “Você é quem deve lavar a roupa de cama e deixá-la limpa e branquinha”, lembrou outra convidada.

“A formação das festas de cozinha é direccionado para fazer com que a noiva seja subserviente, dócil e quieta. Dá à mulher toda a responsabilidade de fazer com que o casamento dê certo”, afirmou Charles Kayoka, da Associação de Jornalistas contra a SIDA na Tanzânia, um grupo que defende maior envolvimento dos homens na prevenção do HIV. “A intenção não é má – fazer com que o lar conjugal seja pacífico e harmonioso – mas o resultado pode ser perigoso.”

Salama Jumanne, 37 anos, mãe tanzaniana que vive com HIV, comentou: “Nas festas de cozinha pode-se aprender sobre as expectativas do seu marido, o que pode ajudar a fazer o casamento sobreviver por um curto período de tempo. Mas, na realidade, o que está a se aprender é a pensar nas necessidades do seu marido acima das suas.”

Estudos revelaram que casamento não é protecção contra a infecção por HIV para mulheres e meninas: tendências recentes em países vizinhos tais como Uganda sugeriram que pessoas casadas estão na verdade sob maior risco do que mulheres e homens solteiros.

''A formação nas festas de cozinha ensinam a noiva a ser subserviente, dócil e quieta. Dá à mulher toda a responsabilidade de fazer com que o casamento dê certo.''

Mulheres raramente controlam o horário e a frequência da relação sexual no casamento; muitas mulheres africanas passam por violência sexual e coerção. A inabilidade de negociar sexo seguro, especialmente numa sociedade em que relacionamentos simultâneos são comuns, coloca a mulher sob maior risco de contrair o HIV.

Geoffrey Chambua, do Programa de Relacionamentos de Género da Tanzânia em Dar es Salaam, afirmou que discussões francas sobre sexo nas festas pré-nupciais são um desperdício se não incluírem mensagens vitais sobre HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.

“Por um lado, são encontros sociais divertidos que podem fomentar um senso de identidade cultural e tradição, enquanto a oferta de presentes ajuda os novos casais a construírem juntos um lar”, disse ele. “Por outro lado, é uma forma de expor a mulher a ser vítima de violência pelo seu marido, ao ensiná-la a ser extremamente submissa.”

Um mestre de cerimónias (MC) é geralmente contratado pela família para discutir assuntos delicados na festa de cozinha tais como sexo, mas o estigma social associado ao HIV e as concepções equivocadas sobre isso frequentemente impedem que o assunto seja discutido.

“Eu já fui MC em centenas de festas de cozinha desde 1990. Eu comecei a falar sobre a SIDA para elas há oito anos”, revela Gladys Chiduo, mais conhecida por MC Zimpopo. “Hoje em dia, nem todos na minha profissão fazem isso… Não é fácil passar essa mensagem.”

Prisca Rwezahura-Holmes, director de marketing da Marketing e Comunicação Tanzânia (T-MARC), uma companhia de marketing social, disse que pode ser que a mudança seja lenta, mas está a acontecer.

“As festas de cozinha são francas; é uma oportunidade rara de compartilhar e saber da experiência marital de outras mulheres. Antes elas tinham… [a abordagem] ‘agrade sexualmente o seu homem e faça o que for necessário para mantê-lo em casa”, mas acho que isso está a mudar.”

T-MARC organizou cerca de 100 festas de cozinha ao redor da Tanzânia para promover o preservativo feminino “Lady Pepeta”, um dos seus produtos. Organizadores usaram a oportunidade para expandir a conversa e incluir sexo seguro e saúde, esclareceu Rwezahura-Holmes.

Algumas ONGs começaram a distribuir embrulhos tradicionais, chamados khangas, nas festas de cozinha, impressos com mensagens sobre o HIV e saúde reprodutiva para encorajar a discussão sobre esses tópicos.

“Festas de cozinha estão a se tornar mais sofisticadas e com a intenção de incluir a pauta sexual” disse Rwezahura-Holmes. Na sociedade tanzaniana amplamente conservadora, assuntos relacionados a sexo e relacionamentos são difíceis de serem discutidos em casa, ao passo que nas festas de cozinha não há ameaça de censura das conversas explícitas sobre sexo.

Cerca de 6,2 por cento dos 40 milhões de tanzanianos vive com HIV; mais da metade são mulheres, segundo a Comissão da Tanzânia para a SIDA. A seroprevalência entre mulheres casadas com idade entre 15 e 49 anos é de 8,1 por cento.

PlusNews – 03.12.2008





OMA faz apelo à participação nas presidenciais

3 12 2008

Os militantes dos órgãos de base e intermédios da Organização da Mulher Angolana devem manter o espírito de determinação e mobilizarem-se activamente para as próximas eleições presidenciais. O apelo foi feito ontem pela secretária-geral da OMA, Luzia Inglês, quando discursava na abertura da 6.ª reunião ordinária do Comité Nacional da OMA.
“Devemos continuar a mobilizar todas as militantes, simpatizantes e as forças vivas da Nação, para as tarefas que se avizinham. Apelo às militantes que continuem determinadas para que nas próximas eleições presidenciais, o nosso candidato vença”, disse Luzia Inglês.
No encontro, que teve lugar no Complexo do Futungo II, Luzia Inglês afirmou que as mulheres continuam a trabalhar para enfrentar com êxito os desafios que lhes pertencem, tendo como aposta a obtenção de um maior equilíbrio nas estruturas superiores da direcção do MPLA.
Segundo a secretária-geral da OMA, hoje existe uma maior abertura na execução da política do género, o que tem contribuído para aumentar o número de mulheres em cargos políticos e nas tomadas de decisão. Acrescentou que as mulheres têm consciência dos desafios que as esperam.
“Tal como o povo angolano elegeu o MPLA, temos de nos empenhar na realização do Programa do Governo. Somos capazes. Por isso, não vamos defraudar a confiança que o nosso partido e o povo depositou em nós mulheres.”
As eleições legislativas, segundo Luzia Inglês, representaram uma nova era na representação feminina. “O número de mulheres eleitas hoje, é quase quatro vezes maior que o número total de mulheres eleitas até então. Isto é um passo muito importante e louvável na história das mulheres de Angola”, disse a secretária geral da OMA.

Mais de 40%
nos órgãos de decisão

A participação das mulheres na vida política, segundo Luzia Inglês, permitiu uma maior representação da camada feminina nos vários sectores da vida nacional. Hoje, estão representadas no parlamento com 76 deputadas, o que perfaz mais de 40 por cento. Esta percentagem supera os 30 por cento exigidos pela SADC aos governos para as mulheres nos órgãos de decisão.
No Governo, estão nove ministras, uma secretária de Estado, dez vice-ministras, três governadoras provinciais e cinco vice-governadoras. “Esta participação já é bastante significativa”, sublinhou a secretária-geral da OMA, que felicitou e louvou as mulheres angolanas pelo empenho demonstrado no trabalho de mobilização que culminou com a vitória do MPLA, nas legislativas de 5 de Setembro.
O agradecimento foi extensivo ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que à frente dos destinos do país empreendeu esforços para a obtenção da paz e da democracia.

Legislação para mulheres

“No plano institucional e governamental tem de ser prioritária e exigida a criação de legislação específica que defenda as mulheres da discriminação em função da idade, da origem racial ou étnica, da orientação sexual, de doença crónica, portadoras de VIH ou toxicodependência, no acesso ao emprego e no local de trabalho”, disse Luzia Inglês.
No âmbito da realização da Jornada dos 16 dias de Activismo Contra a Violência no Género, a secretária-geral da OMA informou que o combate à discriminação passa por conhecer os problemas, denunciá-los e exigir medidas concretas e programas que passam por identificar mecanismos legais e accionar os meios jurídicos e judiciais para o cumprimento das leis.
Luzia Inglês disse que a luta contra a violência no género continua a ser um desafio, porque as mulheres estão no âmago dos impactos das políticas sociais desenvolvidas pelo Governo.
Por outro lado, a discriminação e as desigualdades fundam-se exclusivamente nas diferentes culturas entre mulheres e homens, no acesso ao emprego, na progressão profissional, na autonomia económica, que passaria pelo empreendedorismo das mulheres.
Luzia Inglês informou o plenário que o país está a viver um processo dinâmico de reconstrução e desenvolvimento, em que é visível a consolidação da estabilidade da moeda nacional, a reabilitação e modernização das principais infra-estruturas produtivas e sociais de Angola e o início de uma trajectória de crescimento vigoroso da economia nacional, “condição para a diminuição da fome, pobreza e promoção da estabilidade social”.
E concluiu: “se formos capazes de dar as mãos umas às outras, num gesto único, iremos ultrapassar as expectativas e estaremos à altura de não falhar nesse intento de reconstrução. Tal como o povo elegeu o MPLA, temos que nos empenhar na realização do Programa do Governo.”

Yara Simão/Jornal de Angola – 03.12.2008





Bono lança campanha contra Sida

3 12 2008

Em honra do Dia Mundial da Sida (celebrado segunda-feira), Bono Vox lançou o serviço de música digital (RED)WIRE, mais um capítulo na sua campanha de solidariedade RED.

O serviço apresentará canções exclusivas de artistas como Jay-Z, Dixie Chicks, The Killers, Coldplay e Sheryl Crow.

Os assinantes pagam uma jóia mensal de cinco dólares, sendo que os dividendos reverterão em parte para a compra de medicamentos depois entregues a vítimas de Sida africanas.

«Não tenho dúvidas que este software ajudará a mudar a forma como a música é divulgada e as vidas dos quem morrem em África sem acesso a medicamentos», sublinhou o vocalista dos U2.

Vera Valadas Ferreira/Destak – 03.12.2008





Prostituição desafia esforços de combate à Aids no Camboja

3 12 2008

Lá, profissionais do sexo ganham mais na semana que médicos no mês. Fechamento de prostíbulos tornou problema ainda mais complexo.

Em um país bastante conhecido por problemas com o tráfico de seres humanos e a exploração sexual como o Camboja, nao é de se estranhar que uma das populações mais afetadas pelo HIV/Aids (que tem seu Dia Mundial de Combate celebrado nesta segunda-feira) seja a dos profissionais do sexo. Segundo a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), 2,7% deles são soropositivos. Em Siem Riep, cidade onde está o famoso templo Angkor Wat, principal ponto turistico do país, dados colhidos pela ONG apontam que 3 mil mulheres, dos 300 mil habitantes da cidade, trabalham com prostituicão — ou seja, 1% da população.

Em geral, a maioria dos indivíduos que entram para a prostituição são mulheres com idades entre 20 e 27 anos, vindas do interior do país e que vêem na profissão uma chance de ganhar um bom dinheiro. Mas há rapazes também.

“No Camboja, um médico do Ministério da Saúde ganha US$ 100 por mês e um enfermeiro, US$ 50. O valor mínimo cobrado por um profissional do sexo é US$ 10, o que não é nada para um turista que paga uma viagem cara até a Ásia, e eles costumam atender até cinco clientes por noite. Ou seja, facilmente ganham mais do que profissionais que estudaram”, explica a enfermeira gaúcha Ana Lucia Bueno, que desde abril trabalha no país e é responsavel pelas atividades de prevenção desenvolvidas pela Médicos Sem Fronteiras para profissionais do sexo.

O trabalho na prostituição, no entanto, tem prazo de validade curto. “Como os homens geralmente gostam de meninas jovens, com olhar baixo e submissas, dificilmente você encontra profissionais com mais de 30 anos. Enquanto trabalham, elas economizam para montar lojinhas ou negócios próprios quando tiverem que parar de trabalhar”, conta a brasileira.

Andre François/Imagem Magica

Profissionais do sexo em bordel ilegal de Siem Riep, no Camboja (Foto: Andre François/Imagem Magica)

Em uma tentativa de coibir a exploração sexual, o governo do Camboja decretou em janeiro deste ano uma nova lei que tornou a prostituição um crime. No entanto, a medida não teve o efeito desejado. Com o fechamento dos bordéis, as prostitutas passaram a trabalhar nas ruas, karaokês, casas de massagem e até mesmo em restaurantes. “São locais de prostituição indireta, onde as meninas trabalham e, se algum cliente fizer alguma proposta, elas podem aceitar.”

A máquina da prostituição é grande e não pára. “A maioria dos karaokês funciona 24 horas por dia, de domingo a domingo. As meninas se apresentam no palco e cada uma atende por um número, facilitando a escolha do cliente. Já nos restaurantes, os donos fazem um acordo com as meninas. Eles precisam de pessoas para servir as mesas, mas não querem pagar salário. Então elas trabalham de graça, mas se tiverem clientes, ficam com o todo dinheiro do programa para elas”, explica a brasileira.

A nova lei teve também um efeito colateral para o controle do HIV/Aids. Como a prostituição agora é crime, tornou-se mais difícil identificar e localizar os profissionais. “É aquela velha história, ninguém diz que vai ao karaokê, mas todo mundo freqüenta”, afirma Ana Lucia.

Em colaboração com as ONGs locais, a MSF desenvolveu um programa de tratamento e prevenção de HIV/Aids para essa população, que inclui desde de atividades informativas até distribuição gratuita de preservativos, algo que não é feito pelo governo. “Nós vamos aos karokês para falar com as meninas sobre doenças sexualmente transmissíveis e a desinformação é enorme. O nível de educação é muito baixo e muitas delas não sabem nem sequer ler”, ressalta a brasileira.

A situação não é muito diferente entre os donos dos chamados “estabelecimentos de entretenimento adulto”. “Lembro que uma vez fui fazer uma apresentação e o dono do karaokê, um homem muito bem vestido e aparentemente abastado, não sabia nem o que era sífilis”, lembra Ana Lucia.

Apesar das ONGs facilitarem o acesso ao tratamento, muitas das profissionais não procuram ajuda e, quando o fazem, não conseguem seguir o tratamento de maneira regular. “As profissionais do sexo são pacientes mais difíceis de se trabalhar. Como têm um salário irregular, freqüentemente falta dinheiro para vir à clínica. Elas também costumam se mudar muito. A grande maioria quer esconder sua soropositividade e procura tratamento em outras cidades, para não ficarem estigmatizadas”, conta a cambojana Heang Chungleng, que há quatro anos trabalha como conselheira no programa da MSF em Siem Riep.

Um novo fenômeno também tem tornado o controle da Aids mais difícil: os sweethearts (ou namorados, em português). “Muitas meninas usam preservativo com os clientes, mas não fazem isso com seus namorados e acabam contaminadas, porque eles não são totalmente fiéis”, diz Heang.

Se os desafios são grandes, ao menos o governo tem dados sinais, ainda que tímidos, de que está mais aberto a discutir a questão. “Ainda não há uma política específica para as profissionais do sexo, nem para a prevenção de HIV/Aids no Camboja. Mas muitas ONGs locais têm feito pressão porque o problema tomou proporções difíceis de serem ignoradas. A gente espera que, em breve, seja desenvolvida uma diretriz mais clara para abordar a situação”, afirma Ana Lucia.

Juliana Braga*/G1/Globo.com – 01.12.2008

*Juliana Braga é jornalista da ONG Médicos Sem Fronteiras.





Genoma do lêmure pode ajudar a entender evolução da Aids, diz estudo

3 12 2008

Objetivo é compreender como o víru da Aids evolui com os primatas. Pesquisadores estudam por que outros primatas não contraírem a doença.

O genoma de um lêmure, um primata do tamanho de um esquilo que vive apenas em Madagascar, pode ajudar os cientistas a compreender como os vírus como o da Aids evoluíram com os primatas, segundo uma pesquisa da escola de medicina da universidade americana de Stanford.

O estudo – publicado nesta terça-feira (2) na versão eletrônica da “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS) – pode mostrar o motivo pelo qual os primatas não humanos não contraem Aids e levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para as pessoas.

O pesquisador Rob Glifford, autor principal do estudo, analisou o DNA de 21 espécies de primatas na busca de uma cadeia de nucleotídeos equivalente ao genoma do moderno lentivírus — família de vírus na qual se inclui o da imunodeficiência humana (HIV) — e encontrou-a no DNA do pequeno lêmure.

Os cientistas estavam convencidos de que os lentivírus começaram a infectar os primatas há 85 milhões de anos.

Os lentivírus se reproduzem inserindo o ácido ribonucleico no DNA de uma célula. Sabe-se que alguns deles infectaram células que se transformam em esperma ou óvulos, conseqüentemente, incorporando um DNA viral no genoma do hospedeiro.

Até o ano passado, quando Glifford descobriu um lentivírus endógeno no DNA do coelho europeu, ignorava-se que os lentivírus podiam ser herdados dessa maneira.

Os ancestrais do lêmure moderno colonizaram Madagascar há 75 milhões de anos e, desde então, evoluíram longe de seus primos africanos portadores do lentivírus, dos quais estão separados por 400 quilômetros de mar.

A última das pontes terrestres ocasionais entre ambos os lugares desapareceu sob o mar há 14 milhões de anos, o que sugere que os lentivírus têm pelo menos essa idade.

No entanto, Glifford mostra cautela sobre a idade do vírus, já que adverte de que poderia ter se expandido nos últimos 14 milhões de anos por meio de morcegos que teriam atravessado o oceano.

No entanto, outros dos pesquisadores, Robert Shafer, afirma que isso é improvável porque os morcegos e os primatas são parentes muito distantes, o que torna difícil o salto do lentivírus de um ao outro.

A descoberta de Glifford sugere que os lentivírus podem ser encontrados em outros lugares, entre os macacos asiáticos e do Novo Mundo.

Encontrar uma interação estendida entre lentivírus e primatas poderia abrir as portas à investigação sobre o HIV e a Aids.

Os primatas que estão infectados com o vírus da imunodeficiência de símios estão protegidos da Aids por vários genes codificadores de proteínas no sistema imunológico que freiam ou bloqueiam a reprodução do retrovírus.

Segundo pesquisas anteriores, esses genes evoluíram como uma resposta a milhões de anos de infecção por um retrovírus.

Até agora, os cientistas achavam que os lentivírus eram jovens demais para ter desencadeado esse pulo evolutivo.

No entanto, se Glifford e seus colegas acharem mais provas de que a interação entre lentivírus e primatas data de vários milhões de anos, poderiam revolucionar a teoria. Teria implicações para o tratamento ou a vacina contra a Aids.

Globo.com – 02.12.2008





Luta contra a Aids

3 12 2008

O Dia Mundial de Luta contra a Aids marcou o início da semana de prevenção da doença em todo o Brasil e revelou números até então desconhecidos pela maioria das pessoas. O sul-mato-grossense, por exemplo, ficou sabendo que para cada grupo de 100 mil habitantes no Estado, 208,73 pessoas estão infectadas com o vírus, ou seja, para cada grupo de 500 pessoas, uma está com a doença. O preocupante é que os números oficiais estão muito abaixo da realidade das ruas, o que leva a crer que o número de soropositivos seja infinitamente maior que o divulgado pelas autoridades de saúde. Ainda mais preocupante é saber que o tratamento para essas pessoas funciona de uma forma no discurso e de outra, muito diferente, na prática, a ponto de faltar até mesmo medicamentos para pacientes soropositivos e, por mais inverossímil que possa parecer, algumas prefeituras não cumprem nem mesmo as ordens judiciais que determinam uma assistência melhor aos portadores do vírus HIV.
No Dia Mundial de Luta contra a Aids, o sul-mato-grossense ficou sabendo, por exemplo, que entre 1984 e 2007 foram confirmados 4.608 casos da doença em Mato Grosso do Sul, com a concentração maior de pacientes ficando na capital, Campo Grande, onde estão 2.715 soropositivos. Os números oficiais colocam Dourados numa situação invejável entre as cidades do mesmo porte, já que desde 1984 foram confirmados exatos 300 casos da doença, mas as estatísticas extra-oficiais revelam que este número possa ser até quatro vezes maior. A mesma situação deve ocorrer em Três Lagoas, onde já foram notificados 251 casos; em Corumbá, com 228 pacientes e em Ponta Porã, na fronteira com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, que aparece como a quinta colocada no ranking da Aids em Mato Grosso do Sul com 127 notificações entre 1984 e 2007. No mapa da Aids, o Estado repete o quadro nacional, ou seja, existem dois homens soropositivos para cada mulher doente, fator que exige das autoridades de saúde uma mobilização ainda maior para conscientizar as mulheres sobre o risco de contaminação da doença na relação sexual.
O fato é que a epidemia não pára de crescer em todo o planeta e mata uma pessoa a cada três minutos. Algumas conquistas no combate à doença merecem comemoração, ainda que os cientistas não tenham descoberto a cura para a Aids, porém, a evolução da epidemia entre os jovens e as mulheres é preocupante. Quando a Aids começou a ser diagnosticada, no começo da década de 80, havia um mulher infectada para cada 20 homens e hoje a proporção é de dois por um. Isto aponta que cada vez mais mulheres são vítimas de homens irresponsáveis e promíscuos que levam a doença para o seio da família, infectam as esposas e destroem os lares. Para evitar ainda mais o avanço da Aids só existe um caminho: usar preservativo em todas as relações sexuais, até mesmo naquelas consideradas seguras, ou seja, quando o casal confia plenamente um no outro e acredita que isto seja suficiente para impedir a contaminação pelo vírus HIV. Porém, ainda que seja preocupante o aumento da Aids entre as mulheres, muito mais preocupante é o avanço da doença entre os adolescentes.
Meninos e meninas no início da vida sexual estão contraindo o vírus por pura irresponsabilidade, já que no patamar em que chegou a globalização e diante da avalanche de informação em todos os meios de comunicação, ninguém pode alegar ignorância sobre a forma de transmissão da doença. Outro fator que pesa nessa triste constatação é o envolvimento de menores e jovens na faixa dos 20 aos 25 anos com drogas injetáveis e com os chamados grupos de riscos, geralmente formados por pessoas que têm mais de um parceiro sexual ou que exploram a prostituição como meio de vida. Nesse quadro, a Aids tem castigado com mais freqüência os chamados garotos de programa, jovens que vendem sexo sem qualquer preocupação com a segurança, mas também não perdoa aqueles que iniciam a vida sexual sem prevenção. Diante desta triste realidade fica a certeza que já passou da hora do governo tratar os jovens como potenciais vítimas da Aids, mesmo porque a impulsividade da juventude faz a maioria sentir-se imune ao vírus e acaba criando uma legião de doentes para o próprio governo tratar.

O Progresso – 02.12.2008





Prevenção a Aids entre jovens precisa ser constante, diz militante

3 12 2008

É verdade, o número de novos casos de HIV/AIDS no mundo caiu no último relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas. Porém, nossa preocupação está na quase metade dos casos registrados neste relatório (45%) serem de jovens com idade entre 15 e 24 anos.

Uma outra importante informação vem do Plano Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde, de que as novas infecções são observadas principalmente entre jovens homossexuais.

O próprio Plano cita que um dos principais motivos desse alto índice entre esses jovens se dá pela dificuldade em conseguir manter um diálogo aberto sobre sua sexualidade com amigos, parentes, colegas.

Desta maneira, esse jovem termina procurando parceiros aleatórios ou pessoas com quem se sentem um pouco mais seguros, facilitando assim a exposição ao vírus.

A luta pela prevenção do vírus e da exposição dessa juventude a ele precisa ser constante.

O próprio Movimento LGBT hoje vem pautando formas de chamar a juventude à importância dessa prevenção.

Um problema eminente que temos a resolver é desmistificar a cultura que criou-se entre jovens de que, com os avanços nos medicamentos para o controle e convivência com o vírus HIV, terminaram todas as preocupações necessárias a prevenção do seu contágio.

Esse pensamento, essa cultura, não pode mais avançar. É preciso evitar a morte de mais jovens e evitar que cada vez mais eles se contaminem por aí.

Algumas entidades LGBT já vêm desenvolvendo hoje junto a sua Juventude formas de ações para que essas informações e debates, tanto das sexualidades quanto da prevenção, cheguem nessa galera de uma forma bem próxima.

Tratando de Juventude e AIDS, é impossível esquecer de citar e bater palmas à Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/AIDS. Hoje eles já se reúnem em seu III Encontro Nacional e têm grande relevância em promover o debate entre a Juventude que já vive portando o vírus, com o objetivo de que estes sejam multiplicadores das ações e informações de prevenção ao HIV.

Outro ponto importante também de citar é a rearticulação da Juventude da ABGLT**, que vem acontecendo este ano em torno do seu III Congresso (previsto para 7 a 11 de Dezembro/2008, Belém-PA). Com isso, a Juventude LGBT faz nascer mais um importante instrumento de ação e atuação, que, sem dúvidas, deverá ter como pauta cuidar de um Plano de Prevenção à AIDS para sua Juventude.

Portanto, essa é a mensagem que precisa ficar hoje registrada no dia 01 de Dezembro – Dia Internacional da Luta Contra AIDS. A de tentar informar a nossa Juventude, em especial a LGBT, de que a AIDS está aí, que está viva, ainda não tem cura e cada vez mais está próxima de nós (jovens)!

Vinícius Alves*/ACapa01.12.2008

* Vinícius Alves é coordenador de Juventude da ABC LGBT – Associação Beco das Cores – Salvador – Bahia; Membro do Núcleo Setorial LGBT do PT-BA e do Coletivo de Juventude do Fórum Baiano LGBT