MINARS apoia crianças portadoras do VIH/Sida

15 10 2008

Trezentas e 50 crianças de zero aos dois anos de idade portadoras do VIH/Sida, na província do Cunene, estão a receber apoio alimentar da direcção local do Ministério da Assistência e Reinserção Social (MINARS), de forma a terem uma dieta adequada em conformidade com o seu estado de saúde, soube a Angop de fonte do sector.
O facto foi avançado pelo chefe do departamento de Prevenção de Infância e Adolescência daquela direcção, Mateus Nduulipoupyo, referindo que os petizes contraíram o vírus da Sida através das próprias mães no acto do parto.
“Este é o número de crianças controladas pelo MINARS na região que recebem regulamente leite de acordo com as idades, bem como alguma dotação alimentar entregue aos familiares próximos dos pequenos”, sublinhou o responsável.
Frisou que as crianças necessitam de um bom acompanhamento desde a sua dieta alimentar e a saúde, por tal facto o Governo angolano intervém, prestando a atenção necessária, para que cresçam saudáveis, apesar do estado serológico.
Mateus Nduulipoupyo disse que, actualmente, regista-se uma rotura no stock do armazém, como a falta de leite e outros bens alimentares, uma vez que este apoio é proveniente da direcção central em Luanda e, até momento ,aguarda-se pela resposta do ministério de tutela.
A par destes petizes, o MINARS no Cunene assiste cerca de quatro mil e 294 crianças órfãs, cujos pais morreram vítimas da Sida, e, num período de um a três meses recebem bens alimentares, desde arroz, açúcar, óleo, fuba e outros produtos de primeira necessidade, sublinhou Mateus Nduulipoupyo.

(Jornal de Angola – 14.10.2008)





SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Final feliz com HIV

15 10 2008

SÃO TOMÉ, 14 Outubro 2008 (PlusNews) – Na sala de reuniões da organização não-governamental portuguesa Médicos do Mundo (MdM), 15 actores tentavam decorar os seus textos.

Com idades entre 16 e 25 anos, eles se preparavam para as gravações da minissérie Os que têm SIDA são como os que não têm, que começa a ser transmitida no início de Novembro e culmina no Dia Mundial de Luta Contra a SIDA, em 01 de Dezembro.

A novela conta a história de Zito, 28 anos, que resolve terminar um relacionamento de sete anos com a sua namorada, depois de descobrir que ela é seropositiva.

Chica, 21 anos, é estudante da nona classe e foi infectada numa relação sexual desprotegida com um colega de turma, numa festa promovida por alunos.

Ela descobre que tem o HIV depois de uma série de exames no Hospital Ayres de Menezes, o maior de São Tomé, após ter desmaiado durante a actuação do Bulauê Paste-Lim, um grupo tradicional.

Ao receber a notícia que Chica, com quem nunca havia mantido relações sexuais, era seropositiva, Zito resolve romper a relação. Porém, depois de ser aconselhado por um amigo, reata o relacionamento e casa com sua cara-metade.

Final feliz só nos filmes?

O objectivo da minissérie, que será transmitida em horário nobre pela Televisão São Tomense (TVS), é possibilitar o mesmo final feliz na vida real.

Situado na Costa do Gabão, São Tomé e Príncipe, com uma população de 155 mil habitantes, tem uma seroprevalência de 1,5 por cento. Apesar disso, ninguém até hoje teve coragem de assumir a condição publicamente, por medo do estigma.

“Em São Tomé existe uma tendência discriminatória muito grande. Existem pessoas que ainda pensam que a SIDA é uma doença que se apanha conversando, tocando as pessoas infectadas”, afirmou Afonso Januário, realizador da minissérie.

Com o filme, rodado em seis episódios de cerca de 20 minutos, Januário pretende mobilizar a população para a situação dos seropositivos em São Tomé e Príncipe.

Actor de Imprudência, o fogo do apagar da vida, o primeiro filme sobre SIDA no arquipélago, ele sabe como pode ser difícil abordar o tema.

“Procurei um seropositivo que pudesse participar no filme, mas sem sucesso. Falei com três jovens e eles não aceitaram dar a cara, com medo de serem rejeitados”, contou Januário.


Photo: Ramusel Graça/PlusNews
Actores ensaiam suas partes na minissérie

Areguine Fonseca, 26 anos, mostra que enfrentar o HIV num filme é bem diferente do que fazê-lo na vida real. Mesmo fazendo o papel de Zito, ele nunca fez o teste de HIV.

“Sei que não tenho o vírus, porque as minhas mulheres fizeram o teste pré-natal. Tenho duas mulheres e dois filhos, de dois e três anos”, explicou, enquanto aguardava para entrar em cena.

“Já vi doentes de SIDA. É complicada esta doença, tu emagreces tanto… A SIDA é quase que morte lenta”, disse. “Mas esta é uma experiência fascinante, estou a contribuir para a moralização da nossa sociedade.”

A minissérie tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Fundo Global de Luta contra a SIDA, Malária e Tuberculose, e a Embaixada do Brasil.

Associação de seropositivos

A minissérie pretende também preparar os próprios seropositivos para informarem a sociedade sobre a sua saúde, para que possam trabalhar em conjunto.

Para tanto, um grupo de vinte e cinco pessoas está a trabalhar para a oficialização de uma associação de seropositivos, com o apoio da MdM.

“Estamos a capacitá-los para que possam viver positivamente. Neste país é ainda muito difícil, os seropositivos se isolam e não falam da doença a ninguém”, disse Rita Aleixo, coordenadora de projectos da MdM.

“Queremos oficializar a associação de seropositivos até o final de 2009”, disse Aleixo. “Todos estão motivados, faltam apenas capacidades para poderem trabalhar de forma autónoma.”

(PlusNews – 14.10.2008)





CPLP: A transmissão intencional do HIV deve ser considerada crime?

15 10 2008

JOHANNESBURG, 14 Outubro 2008 (PlusNews) – A criminalização da transmissão intencional do HIV é hoje um dos assuntos mais controversos no contexto da epidemia.

Os que defendem que alguém que infectou outra pessoa propositadamente deve ser acusado de homicídio têm um argumento claro: a SIDA é uma doença fatal, portanto se a transmissão foi intencional, quem o fez tinha o objectivo de matar.

O problema é que a transmissão intencional nem sempre pode ser provada. Como provar que houve intenção? E como provar quem infectou quem? Será que quem foi diagnosticado antes é necessariamente que infectou o parceiro?

Já especialistas dizem que a criminalização pode trazer um tremendo retrocesso às campanhas de testagem voluntária. Para eles, criminalizar a transmissão sem métodos seguros para se provar intenção vai fazer com que as pessoas deixem de se testar – afinal, se ela não souber que está infectada, não poderá ser acusada de infectar intencionalmente.

Enquanto isso, países no mundo todo tacteiam para elaborar legislações apropriadas, que levem em conta variáveis como direitos humanos, direitos das mulheres e testagem voluntária.

E você, o que acha? A transmissão intencional do HIV deve ser considerada crime? Vote no site do PlusNews Português.

Para ler mais sobre o assunto:

ÁFRICA: Novas e aterrorizadoras leis sobre HIV enfraquecem resposta à SIDA

ANGOLA: Infecção propositada – crime e castigo?

MOÇAMBIQUE: Novo anteprojecto de lei na defesa dos seropositivos