Fosse a malária uma doença de países ricos…

13 10 2008

Se a malária afectasse mais os países ricos do que os pobres o esforço de se encontrar uma vacina já teria sido muito maior. Embora não seja fácil admiti-lo, Pedro Alonso, director do Centro de Barcelona para a Investigação na Saúde Internacional e notabilizado pelo seu trabalho em torno de um programa de vacinação contra a doença, referiu hoje durante um seminário, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que enfermidades transmissíveis têm um peso maior sobre as populações desfavorecidas por razões financeiras.
Existem pessoas a viver com menos de um dólar por dia (0,73 euros) que não têm dinheiro para vacinas e, muitas vezes, nem para se alimentarem.  Pedro Alonso aventou que, apesar disso, nos últimos 50 anos, “a saúde melhorou significativamente, pois morreram menos crianças com idade inferior a cinco anos”. O círculo vicioso da pobreza/ doença verifica-se mais significativamente nos casos de HIV, em que 40 milhões de pessoas vivem infectadas e a grande maioria situa-se em países subdesenvolvidos.

A malária é responsável pela morte de uma pessoa a cada 30 segundos que passam especialmente em África. Chegaram recentemente 1233 novos fármacos ao mercado e só 13 eram para tratar doenças tropicais.

Como disse o orador, desde há 50 anos, muita coisa mudou. Passou-se da televisão a preto e branco para as cores do grande plasma, dos telefones para os telemóveis, de equipamentos médicos rudimentares para outros mais avançados e computorizados, mas no combate à malária, a técnica é a mesma: a pulverização insecticida.

Pedro Alonso é director de uma unidade que coordena a definição de uma agenda global para a erradicação do Paludismo e membro do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (Moçambique) e centraliza os seus esforços na missão de salvaguardar a saúde das crianças africanas. O primeiro passo foi criar um plano de vacinação e tentar impedir que o mosquito pique as suas vítimas recorrendo ao uso de redes mosquiteiras.

A vacina em que o director clínico espanhol tem trabalhado tem a capacidade para proteger a criança ou recém-nascido até ao primeiro ano de vida e pode reduzir a malária até 65 por cento, com a combinação de estratégia em mulheres grávidas. É, portanto, mais eficaz e moderada, embora seja ainda um passo de bebé para chegar à erradicação. Prevê-se para 2025 o objectivo de desenvolver uma vacina que dure até cinco anos.

(Marlene Moura/Ciência Hoje – 10.10.2008)


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22 10 2008
Giuliano

Antes da Segunda Guerra Mondial era uma doença importante na Europa.

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