ZIMBABWE: Novo governo dá esperança a seropositivos

10 10 2008

HARARE, 9 Outubro 2008 (PlusNews) – Activistas esperam que o novo governo do Zimbábue cumpra suas promessas de melhorar com urgência o acesso a serviços e tratamento do HIV/SIDA em hospitais públicos.

Os três partidos políticos do país – ZANU-PF e as duas facções do partido majoritário, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) – assinaram um acordo de partilha do poder em 15 de Setembro, pondo um fim a um dos piores períodos da violência política inter-partidária desde a independência do país em 1980.

Apesar do cepticismo quanto ao fato de que os três partidos possam trabalhar juntos, o acordo trouxe esperança para o cidadão comum, principalmente as pessoas que vivem com o HIV, que têm lutado para sair-se bem num contexto económico e político difícil.

Estima-se que, das 320 mil pessoas que necessitam de tratamento antiretroviral (ARV), apenas 100 mil tenham acesso aos medicamentos nos centros de saúde públicos. Além desta lacuna no tratamento, os hospitais do governo estão a batalhar para fornecer seus serviços apesar da escassez de medicamentos, equipas médicas e capital estrangeiro.

O ministro do bem-estar social do Zimbábue proibiu as actividades de todas as organizações não-governamentais (ONG) durante a preparação do segundo turno das eleições presidenciais, piorando ainda mais a lacuna de serviços do sector público de saúde. Estavam incluídas na proibição cerca de 400 ONGs que fornecem serviços a seropositivos, tais como cuidados domiciliares, cuidados de órfãos e tratamento ARV.

Apesar da proibição ter sido suspendida após protestos dos activistas dos direitos humanos a nível internacional, somente as organizações que dirigem programas de tratamento ARV foram autorizadas a retomar suas actividades. As pessoas que se beneficiavam de outros serviços de apoio, inclusive órfãos e crianças vulneráveis, foram obrigadas a cuidar de si mesmas.

As ONGs afectadas pela proibição esperam agora receber autorização para continuar seu trabalho sem interferências injustificadas e restrições governamentais.

Altas expectativas para o governo

Bernard Nyathi, presidente do Sindicato de Activistas do HIV/Sida do Zimbábue, que é seropositivo, disse que com a nova administração, o parlamento poderia deixar de ser o “carimbo” que foi durante os últimos 28 anos de domínio do ZANU-PF.

''O bem-estar dos zimbabueanos seropositivos tem sido ignorado por muito tempo.''

“Com formatos legais adequados, os membros do parlamento… poderiam ajudar a melhorar as vidas dos seropositivos. Não temos nenhuma dúvida quanto a isto e somos muito optimistas”, disse Nyathi. “O bem-estar dos zimbabueanos seropositivos tem sido ignorado por muito tempo.”

Benjamin Mazhindu, presidente da Rede Nacional de Pessoas vivendo com o HIV/SIDA no Zimbábue, compartilha o optimismo de Nyathi. “Nos anos anteriores, as verbas atribuídas a ministérios importantes como o da saúde e o do bem-estar social foram insuficientes, enquanto outros como o da defesa foram considerados como prioritários”, disse ele.

“Num governo multipartidário, a decisão da alocação de verbas não será a decisão de um só partido majoritário, como era antes. Nossa esperança, como pessoas vivendo com o HIV/SIDA, é de que as propostas de orçamento serão de agora em diante debatidas no parlamento.”

Mazhindu acrescentou que assim que o novo gabinete for empossado, o ZNNP+ mobilizaria seus membros para começar a fazer pressão para uma acção urgente para o acesso ao tratamento, e para o aumento da verba atribuída ao sector da saúde.

Um outro desafio para o novo governo será melhorar as relações com os doadores, para garantir mais fundos estrangeiros destinados à resposta ao HIV/SIDA. Devido à crise política, muitos doadores acabaram por deixar o Zimbábue de lado, provocando um grande déficit para os programas HIV/SIDA.

Mas levará tempo para que o novo governo faça mudanças importantes, e nesse meio tempo, as vidas do 1,7 milhão de pessoas vivendo com o HIV/SIDA no Zimbábue, continuará a ser uma luta.

Com a taxa de inflação a 11,2 milhões por cento, os seropositivos que recebem tratamento estão a ter cada vez mais dificuldade para conseguir comprar comida, essencial para o sucesso do tratamento. Aqueles ainda na lista de espera para começar o tratamento, ter uma alimentação correcta também é essencial para retardar a progressão da doença.

(PlusNews – 10.10.2008)


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