Novo instituto pesquisa vacina contra a SIDA

2 10 2008

Pesquisadores anunciaram na terça-feira a criação de um novo instituto voltado para o desenvolvimento de uma vacina contra a SIDA em La Jolla, Califórnia (Costa Oeste dos EUA).

Trata-se de uma parceria da ONG Instituto de Pesquisas Scripps com a Iniciativa Internacional da Vacina da SIDA, com um investimento de 30 milhões de dólares.

“O mundo precisa de uma vacina contra a SIDA para mudar a maré desta devastadora pandemia”, disse nota assinada por Richard Lerner, presidente do Instituto Scripps.

“Estamos confiantes de que este centro vá facilitar intercâmbios mais produtivos entre pesquisadores para estimular novas ideias que vão ajudar a acelerar a ciência da vacina contra a SIDA.”

A doença destrói o sistema imunológico dos pacientes, que morrem de infecções, como a tuberculose, ou de cancro. Um cocktail de drogas consegue controlar a doença, mas não há cura.

O novo laboratório vai dedicar-se a um dos aspectos mais importantes do desenvolvimento da vacina – o estímulo à produção de compostos do sistema imunológico chamados anticorpos neutralizadores.

Tentativas actuais de criar vacinas esbarram no facto de que elas atacam células habitualmente activadas pela imunização, mas não conseguem estimular os anticorpos a matarem o vírus HIV.

“Encontrar uma forma de obter os anticorpos neutralizadores contra o HIV é o maior desafio que os pesquisadores da vacina contra a SIDA enfrentam hoje”, disse Seth Berkley, presidente e executivo-chefe da Iniciativa Internacional da Vacina da SIDA.

O novo instituto vai recrutar biólogos, virologistas, químicos e imunologistas para colaborarem em experiências em laboratórios e em voluntários.

“Esta abordagem revigorante também facilitará para que recrutemos e orientemos jovens cientistas que representam o futuro da pesquisa em vacinas para o HIV/SIDA”, disse Dennis Burton, que trabalha no Scripps e na Iniciativa Internacional.

As instalações da nova unidade ainda não foram construídas, e não há previsão para sua inauguração.

(Açores.net – 01.10.2008)





Vírus da sida entre nós há 100 anos

2 10 2008

O vírus da sida circula entre nós há cerca de 100 anos, mais três décadas do que se supunha. O novo estudo, publicado esta quinta-feira na revista Nature, indica que o VIH deverá ter tido origem entre 1884 e 1924. Anteriormente, pensava-se que o vírus tinha surgido por volta de 1930. A sida só foi reconhecida em 1981

Esta conclusão «não é uma alteração monumental, mas significa que o vírus estava a circular sob os nossos olhos ainda há mais tempo do que supunhamos», afirma Michael Worobey, da Universidade do Arizona, autor do estudo.

Os cientistas sublinham que a nova data coincide com o desenvolvimento urbano em África e sugere que este factor pode ter promovido o desenvolvimento do vírus. Recorde-se que a teoria é a de que o VIH passou dos chimpanzés para os humanos no continente africano.

A chave para o desenvolvimento desta nova investigação foi a descoberta de uma amostra do vírus, recolhida de uma mulher, em Kinshasa, em 1960. Anterior a esta, apenas uma outra amostra pudera ser estudada, datada de 1959.

Os investigadores aproveitaram o facto de o VIH sofrer mutações rapidamente, pelo que duas estirpes de um ascendente comum tornam-se cada vez menos parecidas a nível genético, com o passar do tempo. Isto permitiu que os cientistas reconstruíssem o percurso inverso, calculando quanto demoraria até que várias estirpes se tornassem tão diferentes como as que foram analisadas.

Este novo estudo usou assim os dados genéticos de duas amostras antigas do vírus e de mais de 100 amostras recentes, com vista a criar uma espécie de árvore genealógica e assim tentar identificar o denominador comum mais ancestral. Com esta investigação, surgiram várias hipóteses, mas os cientistas consideram que a mais provável é a que situa a origem do VIH entre 1884 e 1924.

Os especialistas afirmam que não seria surpreendente se o VIH tivesse circulado cerca de 70 anos entre os humanos antes de ser reconhecido, uma vez que a infecção demora, normalmente, vários anos até produzir sintomas.

(VISÃO.PT – 02.10.2008)





Partidos criticam redundância de projecto do Bloco de Esquerda contra discriminação dos portadores VIH/sida

2 10 2008

O projecto de lei do Bloco de Esquerda que propunha a proibição da discriminação dos portadores de VIH/sida mereceu ontem críticas de quase todas as bancadas por considerarem ser redundante face à legislação já em vigor. O diploma foi rejeitado com os votos contra do PS e do PSD, e com a abstenção do PCP e do CDS-PP.
Segundo o projecto, os portadores do vírus não podem ser discriminados nomeadamente no acesso ao emprego, aos contratos de seguro e ao crédito de habitação. Para justificar a apresentação do projecto, o deputado do BE João Semedo argumentou que continua a falar-se de casos de injustiça de pessoas com VIH/sida, apesar de haver uma lei em vigor há dois anos que visa combater a discriminação dos portadores e de pessoas com risco agravado de saúde.
O projecto do BE, embora só ontem discutido, foi apresentado na sequência de notícias do PÚBLICO que davam conta de uma sentença do Tribunal da Relação que considerava legítimo o fim do contrato de um cozinheiro por ser seropositivo.
“Já temos uma lei da Assembleia da República que proíbe esta discriminação. O que é que pretendem? Pretendem afagar aquilo que consideram um nicho vosso, os portadores de VIH/sida. Não é um nicho vosso”, disse a deputada do CDS-PP Teresa Caeiro, considerando que as propostas em discussão são “redundâncias”.
A mesma palavra foi usada pela socialista Fátima Pimenta para descrever a proposta do BE, embora reconhecendo as suas boas intenções. A legislação em vigor tem “um campo mais vasto de protecção”, disse a socialista, considerando também desnecessária a criação de uma comissão de acompanhamento dos casos de discriminação como previa a lei. Esse trabalho, acrescentou, já é feito pelo Alto-Comissariado de Luta contra a Sida que, por exemplo, evitou a expulsão de um lar de uma idosa infectada com o vírus.
Opinião contrária manifestaram o PCP e o Os Verdes, ao considerarem útil esta comissão (até porque no caso do PEV também já a tinha proposto anteriormente). Em coro com as restantes bancadas, o social-democrata André Almeida sublinhou que as normas propostas já estão consagradas na actual legislação.

(Público – 20.09.2008)





Justiça: STJ dá razão a hotel que cessou contrato com cozinheiro com HIV

2 10 2008

Lisboa, 02 Out (Lusa) – O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) confirmou as decisões do Tribunal de Trabalho e da Relação de Lisboa que consideraram justificada e legítima a decisão de um hotel que cessou o contrato de trabalho com um cozinheiro, portador de HIV.

Fonte judicial adiantou hoje à Agência Lusa que um acórdão do STJ vem confirmar as decisões do Tribunal de Trabalho de Lisboa (1/a instância) e do Tribunal da Relação de Lisboa, que causaram alguma polémica na opinião pública.

Na altura, e após a divulgação de várias notícias sobre o processo, o Conselho Superior da Magistratura (CSM) esclareceu em comunicado que, no caso do “despedimento de um cozinheiro infectado com HIV”, este “não foi objecto de despedimento com justa causa, antes a entidade empregadora considerou a existência de caducidade do contrato de trabalho”.

Referiu ainda que, apesar de as notícias aludirem à existência de dois pareceres médico-científicos que teriam sido ignorados por todos os juízes, “apenas foi junta ao processo, no Tribunal do Trabalho de Lisboa, cópia impressa de páginas de um site do Governo dos Estados Unidos da América destinado a informação genérica à população sobre doenças transmissíveis”.

Tal informação – adiantou então o CSM – “não pode ser confundida com um parecer médico-legal”.

O CSM esclareceu, igualmente, que no Tribunal da Relação de Lisboa não foi junto qualquer parecer médico-científico, mas, unicamente, um parecer jurídico, do Centro de Direito Biomédico da Universidade de Coimbra.

“Acresce que este parecer jurídico não poderia ter sido atendido, nem considerado processualmente pelos juízes desembargadores, porque não foi admitido por extemporaneidade, conforme despacho da relatora do despacho e que não foi objecto de recurso por nenhuma das partes, apesar de devidamente notificadas do mesmo”, salientou então o CSM.

O CSM esclareceu, também, que “o juiz do Tribunal de Trabalho de Lisboa, após a realização do julgamento, com gravação da prova, fixou os factos provados” e que no facto provado número 22 pode ler-se: “O vírus HIV pode ser transmitido nos casos de haver derrame de sangue, saliva, suor ou lágrimas sobre alimentos servidos em cru ou consumidos por quem tenha na boca uma ferida na mucosa de qualquer espécie”.

No esclarecimento, o CSM frisou ainda que, “no recurso de apelação interposto para o Tribunal da Relação de Lisboa, o cidadão em causa, apesar dos depoimentos das testemunhas terem sido gravados, não recorreu dos factos fixados, não pedindo ao tribunal de recurso a sua alteração com base nos depoimentos prestados ou sequer com base no que consta do site norte-americano”.

Por último, esclareceu que “o Tribunal da Relação de Lisboa proferiu o acórdão tendo por base os factos provados vindos do Tribunal de Trabalho de Lisboa que foram aceites, sem recurso, nesta parte”.

O cozinheiro recorreu da decisão da Relação de Lisboa para o Supremo Tribunal de Justiça, que agora confirmou a anterior decisão, dando razão à entidade empregadora.

A situação envolve um cozinheiro do quadro do hotel do Grupo Sana Hotels, que aí trabalhou durante sete anos.

Em 2002 adoeceu com tuberculose, esteve um ano de baixa e quando regressou ao trabalho foi mandado ao médico do trabalho do hotel que pediu ao médico assistente mais dados sobre a situação clínica.

O médico assistente informou o colega da medicina do trabalho que o cozinheiro era VIH positivo, mas que não representava qualquer perigo para os colegas e poderia retomar a sua actividade em pleno.

No entanto, o médico do trabalho considerou-o “inapto definitivamente para a profissão de cozinheiro”.

O hotel Sana veio depois negar ter tido conhecimento de que o cozinheiro era portador de HIV antes da realização do julgamento e alegou que não foi informado pelo médico do trabalho da sua condição.

O hotel sustentou ainda que o cozinheiro devia ter informado “imediatamente que é portador de VIH”, o que não aconteceu, “violando o dever de lealdade”.

A Lusa tentou hoje contactar os serviços jurídicos da unidade hoteleira, mas tal não foi possível.

(Lusa – 02.10.2008)





ONG vão receber dois milhões de dólares para combate à Sida

2 10 2008

Dois milhões de dólares serão disponibilizados pelo Fundo Global, para acções de combate à Sida em Angola, a partir do primeiro trimestre do próximo ano. O valor destina-se às organizações da sociedade civil vocacionadas à luta contra esta doença.
O facto foi revelado ontem, em Luanda, pelo director do Fundo Global em Angola, Jorge Romero, na abertura do II Workshop regional sobre “Elaboração de Projectos no âmbito do Fundo Global”, promovido pela ANASO (Rede Angolana de Organização de Serviços de Sida).
O Fundo Global disponibilizou, em 2006, também dois milhões de dólares a 18 ONG, sendo 11 nacionais e sete estrangeiras para acções de combate à Sida no país, recordou Jorge Romero, considerando que os resultados foram positivos.
“As organizações que beneficiaram do primeiro apoio em 2006 tiveram resultados positivos, nas acções de formação, distribuição de material, identificação de activistas e grupos alvos, bem como na mudança de comportamento de riscos”, explicou.
Quanto a situação da Sida no país, Jorge Romero disse que Angola está a implementar boas medidas em comparação com muitos países do continente africano.
“Devem continuar a trabalhar com o mesmo ritmo para que os indicadores considerados baixos, comparativamente aos países vizinhos como a Zâmbia, Namíbia e RDC, se mantenham”, referiu.
Angola está em Paz, há seis anos, e as estradas ligam todo o país e o risco de contágio da Sida é maior, nesta índole é necessário sempre a realização de acções de sensibilização, “pois nunca é muito o que se faz contra esta pandemia” aconselhou, o director do Fundo Global em Angola.
Por seu turno, a directora do PNUD em Angola (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), Gita Welch, que falava na abertura do evento, apelou aos angolanos a continuarem mais unidos na luta contra a Sida.
“Esta acção de formação vai permitir igualmente fortalecer as organizações a estarem mais consistentes nas suas actividades, como por exemplo como elaborar um documento para solicitar apoios financeiros para a realização das suas acções”, adiantou.
O objectivo deste Workshop regional, que termina quinta-feira, no qual participam ONG de Luanda, Zaire e Cabinda, segundo o secretário executivo da Rede Angolana de Organização de Serviços de Sida (Anaso), António Coelho é dar resposta a alguns constrangimentos que se registam em algumas organizações nacionais no que concerne a mobilização de recursos.

(Walter António/Jornal de Angola – 30.09.2008)





Uma portuguesa desenha “All Star”

2 10 2008

Foi através de um simples “e-mail” que Ana Ventura iniciou uma das suas maiores e mais recentes aventuras profissionais: o design para a elaboração de um par de sapatos All Star da Converse (RED) no âmbito do centenário desta marca de roupa desportiva e acessórios.A partir de Outubro, o modelo que Ana Ventura desenhou vai estar nos pés de milhares de pessoas. Pelo menos, é o que ela espera.

“Tenho um blogue e um sítio na Net, e através dele fui contactada por um responsável da Converse, em Março de 2007. Disse-me que tinham gostado dos meus trabalhos, sobretudo os das bonecas de papel, e perguntou-me se não estava interessada em decorar uns All Star com as bonecas ou dentro daquele estilo. Disse logo que sim”, conta Ana Ventura, 36 anos. Uma semana depois, a casa desta ilustradora formada em Pintura pela Escola de Belas Artes de Lisboa chegava uma caixa de ténis que continha um sapato original (em branco), canetas, lápis e um livro com o protótipo do modelo, para que pudesse testar várias soluções.

“Não tive coragem de pintar directamente no ténis e fiz três projectos em Photoshop, mas só enviei dois.” Pelos vistos foram suficientes para convencer os responsáveis pelo centenário da marca norte-americana. Mas a confirmação de que o seu protótipo estava realmente a ser feito só veio em Dezembro de 2007, curiosamente, através de um funcionário da Converse que conhecia a página dela no Flickr.com e como admirador do seu trabalho não resistiu em dar-lhe a boa nova.

“Certeza, certeza da própria Converse só tive este ano, quando fui convidada para participar na conferência de imprensa sobre o lançamento desta edição especial do centenário, em Amesterdão”, avança Ana. E foi lá, em Amesterdão, que viu pela primeira vez, ao vivo, um protótipo do ténis decorado por si. “Foi uma emoção enorme, ainda por cima porque o meu ténis estava em destaque… se calhar porque sabiam que eu ia estar presente”, diz timidamente.

A importância da participação no centenário da Converse é ainda maior para Ana já que a marca se associou ao projecto RED (lançado por Bono, vocalista dos U2, e Bobby Shriver), com fim à angariação de fundos para o combate à sida, malária e tuberculose em África. “O acordo é que se o meu sapato for manufacturado, a Converse envia mil euros em meu nome para o Fundo Mundial de Luta Contra a Sida, Malária e Tuberculose. E 10% das vendas também vão para o fundo”, explica.

“Spread the News” (Espalhem a notícia) é como Ana chamou aos ténis que decorou e que têm como ideia base a “ajuda intercontinental entre as pessoas”. Em cada um deles está um grupo de figuras a tentar comunicar e a pedir ajuda. “As ilhoses dos sapatos funcionam como os ouvidos e as bocas dessas pessoas, e a comunicação entre elas é feita através do atacador”, descreve Ana Ventura.

Com imensos projectos na cabeça, a ilustradora continua a fazer fita-colas ilustradas, postais, serigrafias, marcadores de livros e “papelsonagens” (personagens feitas com pedaços de papéis variados e que servem de objecto decorativo) tanto para Portugal como para o mercado inglês. “Neste momento estou a ilustrar um livro para crianças escrito por um pessoa que também se chama Ana Ventura”, adianta, revelando ainda que está a trabalhar num filme de animação.

(Expresso – 30.09.2008)





VIH aumenta entre os toxicodependentes

2 10 2008

Três milhões dos quase 16 milhões de toxicodependentes (consumidores de drogas por via endovenosa) em todo o mundo poderão estar infectados com VIH. Esta é a conclusão do relatório de uma equipa de investigadores da Universidade de New South Wales (Austrália), publicado na últina edição da revista britânica The Lancet. O estudo trata os dados de nove países e concluiu que mais de 40 por cento dos consumidores de drogas injectáveis serão portadores do vírus e que os casos estão a aumentar. As taxas variam entre os 41,4 por cento no Nepal e os assustadores 72,1 por cento declarados na Estónia.
A partilha de agulhas continua a ser uma das explicações para o aumento de casos entre toxicodependentes, dizem os investigadores, que falam no insucesso das políticas de prevenção e manifestam a sua preocupação com a inexistência de dados relativos a África.
Os autores notam ainda que a maior incidência de consumidores de drogas injectáveis se encontra em países como a China, a Rússia e os Estados Unidos. Na Europa, destaca-se a Itália, com 0,83 por cento da população entre os 15 e 64 anos a consumir drogas por via endovenosa. Em Portugal, o último relatório nacional (relativo a 2007) refere o problema: “Verifica-se que o maior número de casos notificados (‘casos acumulados’) corresponde a infecção em indivíduos referindo consumo de drogas por via endovenosa ou ‘toxicodependentes’, constituindo 43,9% de todas as notificações, reflectindo a tendência inicial da epidemia”.

(Público – 25.09.2008)