UGANDA: Problemas na cadeia de abastecimento de medicamentos causam escassez

29 09 2008



Photo: Kate Holt/IRIN
Falta de ARVs pode colocar vidas em risco

KAMPALA, 9 Setembro 2008 (PlusNews) – O Ministério da Saúde de Uganda tem estado a lutar para impedir uma escassez nacional de antiretrovirais (ARVs) que poderia comprometer as vidas de dezenas de milhares de pessoas seropositivas.

Oficiais da saúde afirmaram que um sistema ineficiente de aquisição de medicamentos, doações esporádicas de medicamentos e a escassez de farmacêuticos qualificados deixaram milhares de pacientes sob o perigo de ficar sem os remédios essenciais tais como medicamentos para malária e ARVs.

O governo fez um pedido de abastecimento de ARVs a fornecedores estrangeiros para suprir a escassez actual, e fontes do governo afirmam que os medicamentos chegaram na semana passada.

Nos últimos dois anos, a mídia local alertou regularmente sobre o vencimento da validade de medicamentos que teriam que ser destruídos pelas Farmácias Médicas Nacionais (NMS, em inglês), maior fornecedor de medicamentos do governo.

Em Uganda, hospitais e centros de saúde dos sub-distritos fazem pedidos para compra de medicamentos com oficiais de saúde distritais, que requisitam os medicamentos ao NMS e União das Farmácias Médicas (Joint Medical Stores).

“Há ineficiência, no entanto… O NMS pode levar 60 dias em vez de 30 para processar e entregar um pedido ao distrito, e há também problemas de estocagem no nível distrital, transporte e distribuição ineficiente, assim como supervisão de apoio inadequada”, disse Mshialla Maghanga, professor na faculdade de medicina da Universidade de Gulu, no norte de Uganda.

Oficiais do NMS atribuíram os atrasos às precárias previsões de necessidade dos medicamentos, assim como pouca alocação de verbas para os mesmos. A saúde representa 10,6 por cento do orçamento nacional de Uganda, menos do que os 15 por cento que deveriam ser destinados à saúde segundo o compromisso feito pelos chefes de estado da União Africana em Abuja, Nigéria, em 2001.

O governo possui 57 hospitais, 179 centros de saúde e 989 outras instalações médicas ao redor do país; faltas anteriores foram atribuídas ao rápido aumento da demanda de distribuição de ARV ao longo dos últimos anos.

“Mesmo quando conseguimos os medicamentos, não há pessoas qualificadas para aplicá-los”, disse Martin Oteba, director assistente interino responsável pelos farmacêuticos no Ministério da Saúde.

Ele disse que o sector público em Uganda tem apenas 350 farmacêuticos qualificados, enquanto o país precisa de ao menos 14 mil para servir efectivamente a população de 30 milhões.

''As ferramentas estão lá, o sistema existe, mas não há pessoas para implementá-lo.''

“A maioria dos farmacêuticos trabalha por apenas cerca de dois anos e vai para o exterior ou para o sector privado; o abastecimento de medicamentos é afectado pela falta de continuidade. As ferramentas estão lá, o sistema existe, mas não há pessoas para implementá-lo”, disse.

Oteba observou que as doenças e epidemias sazonais, tais como o recente surto de hepatite E no norte de Uganda, muitas vezes atraíram diversas doações de medicamentos de parcerias de desenvolvimento durante a emergência, mas assim que o surto é contido os medicamentos podem só ser usados raramente e expiram no NMS.

Olhando para dentro

Numa tentativa de estimular a produção local, o Ministério da Saúde também fez seu primeiro pedido de ARVs a Quality Chemicals, uma nova fábrica de ARVs na capital, Kampala.

Utilizar os medicamentos da nova fábrica provou ser problemático no passado porque os maiores doadores vincularam suas doações a fabricantes externos específicos, de forma que o governo foi obrigado a destinar fundos separados para comprar medicamentos da Quality Chemicals.

A fábrica, que começou a produzir ARVs genéricos e medicamentos para malária em 2008, não recebeu licença da Organização Mundial da Saúde (OMS) mas teve aprovação da Autoridade Nacional de Medicamentos de Uganda.

O Ministério da Saúde também deu início à produção local de artemísia, uma espécie de planta local da qual são derivados os ingredientes activos do Coartem, recomendado pela OMS como tratamento primário de malária. A malária representa até 40 por cento das visitas anuais de pacientes externos ao hospital e mata cerca de 320 ugandenses por dia.

Cerca de 130 mil pessoas a viver com HIV em Uganda têm acesso a ARVs, menos de 42 por cento do total que necessita deles.

(PlusNews – 09.09.2008)



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Uma resposta

2 10 2008
micaela

Podemos,e reclamamos do Brasil por varios motivos, mas temos
que ser gratos por termos remedios para todos, ou quase todos.
Somos exemplo de distribuição de medicamentos, infelismente outras
regioes do mundo não tem o acesso que temos, fico triste por isso, mas
continuaremos lutando por quebras de patente, assim todos teremos acesso
aos medicamentos, lutaremos assim, por um mundo melhor, pois
eu ainda acredito em um mundo melhor.
Micaela Carolina Cyrino.

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