A ciência deve concentrar-se na resposta aos desafios que a humanidade enfrenta durante este século. Esta é a opinião do cientista inglês e anterior conselheiro científico do Governo inglês, Sir David King, que quer ver os cérebros da ciência a combater as alterações climáticas ou a encontrar a cura para a sida.
“Os desafios para o século XXI são qualitativamente diferentes do que os que tivemos que enfrentar até agora”, disse o investigador antes da abertura do Festival de Ciência da Associação Britânica, que este ano decorre em Liverpool até 11 de Setembro, citado pela BBC online.
O director do Smith School for Enterprise and the Environment, da Universidade de Oxford, defende que o crescimento da população e a pobreza de África são motivos para fazer um desvio não só nos fundos mas também nos cérebros que trabalham em ciência.
“Para isto é necessária uma alteração no pensamento e nas prioridades da ciência e tecnologia, e redesenhar as atitudes da sociedade perante elas”, explica King.
Numa altura em que o maior acelerador de partículas do mundo, o Large Hadron Collider (LHC), vai ser inaugurado com fundos do Reino Unido, o cientista põe em causa o investimento em disciplinas com a física e a astronomia.
“É bom demonstrarmos que podemos aterrar um veículo em Marte, é bom descobrirmos se existe ou não o Bosão de Higgs; mas eu sugiro que talvez devêssemos empurrar as pessoas em direcção a desafios maiores onde os resultados podem ser realmente cruciais para a civilização”, afirmou.
O LHC, criado pelo European Organization for Nuclear Research (CERN), foi o maior investimento que o Reino Unido fez num único projecto de ciência, 500 milhões de libras (quase 620 milhões de euros). O cientista, que é especialista em física dos processos químicos, questiona se esta é a melhor forma de se gastar o dinheiro para a ciência, quando actualmente um dos maiores problemas é a dependência energética que o mundo tem dos combustíveis fósseis.
O investigador até pôs em causa se a maior invenção do CERN, a Internet, tinha só que vir dali. “As pessoas dizem: “E então a world wide web? Isso surgiu da CERN”. O Tim Berners Lee foi a pessoa que inventou isso. E se o Tim Berners Lee estivesse a trabalhar num laboratório de energia solar? Talvez ele também tivesse criado o sistema. O resultado teria vindo de um indivíduo”, diz o investigador.
O cientista nomeou alguns dos principais problemas, como o aumento de população num planeta que está agora a observar os primeiros efeitos das alterações climáticas, o atraso no desenvolvimento de fontes de energia alternativas como a luz solar, ou as doenças que afectam milhões de pessoas como a sida e a malária.
(Público – 08.09.2008)

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