Campanha supera expectativa em Umuarama

29 09 2008

Há 10 dias teve início a mobilização “Fique Sabendo”, que estimula a população sexualmente ativa a fazer o exame de HIV. Desde o lançamento da campanha, 2.676 paranaenses já realizaram o exame. Em Umuarama a procura pelos testes está sendo maior que o esperado. A expectativa é que cerca de 1% da população do Paraná procure as unidades de saúde para o teste. Os resultados, ainda parciais, identificaram até ontem 17 resultados positivos no Estado.
A Secretaria de Saúde estima que haja até 20 mil pessoas que desconhecem sua condição sorológica no Paraná. O levantamento corresponde apenas a nove regionais da Secretaria de Saúde do Estado.
Para o coordenador do programa de DST/Aids da Secretaria de Saúde, Francisco dos Santos, a expectativa era de que adolescentes entre 13 e 19 anos representem a maior parcela interessada na realização do teste. “Dados epidemiológicos comprovam que nessa faixa etária é que ocorre a maior parte das contaminações, principalmente em meninas. Nessa idade os jovens não têm consciência da gravidade da doença”, explicou.
Muitos adolescentes não se previnem adequadamente e não procuram ajuda em caso de suspeita de contaminação. Conseqüentemente o diagnóstico acaba sendo tardio quando já se encontram com a saúde debilitada. Os resultados revelaram, no entanto, que a procura nessa idade não foi tão grande quanto o esperado, com apenas 198 procedimentos registrados. Nenhum deles apresentou resultado positivo.
“Para evitar o aumento de incidência da Aids na adolescência, a secretaria tem buscado investir em programas e parcerias para prevenção e conscientização voltada a esse público”, acrescenta Wilsa Regina Amaral, técnica de vigilância epidemiológica.
A maior procura pelos testes se deu na faixa entre 20 e 39 anos. As mulheres foram as que mais procuraram, representando 64%. Nessa faixa etária se concentraram 12 dos 17 testes positivos de HIV identificados, 8 do sexo masculino e quatro do feminino.
“Nessa idade, a população já está mais consciente dos riscos provenientes da Aids e procura conhecer sua condição sorológica. A maior parte daqueles que apresentam resultados positivos é contaminada durante a adolescência, mas só bem mais tarde descobre ser portador da doença”, destaca Francisco dos Santos. Os outros cinco portadores identificados estão na faixa etária acima de 40 anos. Dois homens e 3 mulheres apresentaram HIV positivo.

Umuarama
A procura pelo teste rápido em Umuarama, cujo resultado fica pronto em até 20 minutos, tem sido por pessoas de todas as idades. “Não há uma faixa etária que esteja se destacando mais que as outras. A procura está sendo grande por pessoas de todas as idades e ambos os sexos”, comemora o diretor de Saúde do município, Nilson Manduca.
Segundo ele, estão sendo realizados em média 40 testes por dia e nenhum resultado positivo foi confirmado até terça-feira. “Mais de 400 exames foram realizados e até a última terça-feira nenhum exame havia dado resultado positivo”, conta. “Essa é uma boa notícia, mas mesmo assim continuamos insistindo para que a população procure uma unidade de saúde e faça o teste, pois o diagnóstico precoce é a melhor arma na luta contra a Aids e evita a contaminação de mais pessoas”.

Desistentes
Através do levantamento foi possível observar que 105 pessoas desistiram do teste. Essa parcela não completou o procedimento, participando apenas do pré-teste, etapa em que profissionais de saúde ministra explicações sobre a Aids, formas de contaminação, prevenção da doença e a forma de lidar com ela.
Dos 2.646 atendidos, 2.379 foram submetidos ao teste rápido e 267 ao convencional. Após a realização, todos foram encaminhados ao pós-teste. Nesse momento, os indivíduos que passaram pelo teste são orientados em função da sua condição sorológica.
“Os que apresentam resultado positivo são aconselhados individualmente por profissionais de saúde a fazerem o controle da doença. Já em caso de sorologia negativa, o indivíduo participa de uma palestra que reforça o que deve ser feito para manter essa condição sorológica. Na palestra são reforçadas as formas de prevenção e aconselha-se que as pessoas evitem se envolver em condições consideradas de risco”, explica Wilsa.

(Umuarama Ilustrado – 26.09.2008)





Sindicalistas instruídos sobre combate à Sida

29 09 2008

Catorze sindicalistas angolanos, membros da Federação Internacional dos Trabalhadores de Construção e Madeira (FITCM), foram formados em matéria de combate ao HIV-Sida, num curso realizado em Luanda, de 22 a 24 de Setembro, soube-se ontem.

De acordo com a representante regional para a África e Médio Oriente da FITCM, Crecentia Mofokeng, os recém-seminariados vão participar num programa a cargo da Federação, sendo eles os transmissores dos referidos conhecimentos a outros sindicalistas associados noutras províncias de Angola.
Crecentia Mofokeng, em declarações à Angop, considerou “muito positivo” os resultados do seminário, acrescentando que o programa a ser implementado pela FITCM vai decorrer de 2008
a 2010 em todos os países da África Austral, a fim de se dar a oportunidade de desenvolver projectos de combate ao HIV-Sida, envolvendo os seus filiados nesses Estados, para poderem prevenir a patologia, considerada um dos maiores problemas nos locais de trabalho.
O seminário visou dar aos futuros formadores capacidades para desenvolverem micro- programas e projectos ligados ao combate ao HIV/Sida em Angola, sobretudo nos locais de serviço.
A sede mundial da Federação Internacional dos Trabalhadores da Construção e Madeiras (FITCM) situa-se na Suíça, estando o seu escritório regional na cidade de Joanesburgo, África do Sul.

(Jornal de Angola – 26.09.2008)





SUDÃO: Criando mensagens de prevenção para o sul

29 09 2008

JUBA, 26 Setembro 2008 (PlusNews) – Em Lokony, um bairro de Juba, capital do Sudão do Sul, mensagens educativas sobre HIV são coladas nas paredes externas de uma escola local, mas os transeuntes mal olham para os pôsteres. Isso não surpreende, considerando que a maioria das pessoas não sabe ler.

Apenas 24 por cento dos sudaneses do sul sabem ler e escrever, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a População. Isso significa que métodos tradicionais de divulgação de informações sobre o HIV – tais como pôsteres, outdoors e panfletos em centros de saúde – não alcançam a maior parte da população.

A região recebeu US$ 28,5 milhões do Fundo Global de Luta contra a SIDA, Malária e Tuberculose em 2007, quando um mapa para contenção da epidemia foi elaborado, mas pouco progresso foi feito.

“Toda vez que nos reunimos com nossos parceiros, toda vez que nos reunimos com líderes governamentais, somos abordados da seguinte maneira: ‘Vocês dizem que estão a combater a SIDA, mas quando viajamos pelo sul do Sudão, na realidade não se vêem quaisquer mensagens’”, disse Angok Kuol, director executivo da Comissão contra a SIDA do Sudão do Sul (SSAC, em inglês).

“Devemos criar mensagens padronizadas”, disse ele numa reunião de partes interessadas no HIV em Juba. “Temos que parar de utilizar mensagens que não são claras o bastante, que não estão em conformidade com nossas culturas.”

''Seja fiel ao seu parceiro – num cenário poligâmico, você vai dizer às pessoas para mandar embora a outra esposa?''

Durante a maior parte dos últimos cinquenta anos, o Sudão do Sul esteve envolvido em vários conflitos, dos quais o mais recente terminou com a assinatura de um abrangente acordo de paz entre o norte e o sul em 2005. Desde então, funcionários de saúde pública descobriram que é improvável que as mensagens de prevenção ao HIV que parecem ter funcionado tão bem em países vizinhos tais como Quénia e Uganda tenham o mesmo sucesso na região.

Muitos profissionais de saúde questionam se a estratégia ABC – Abstinência, Fidelidade e Preservativos (da sigla em inglês) – pode funcionar no sul do Sudão. Comunicadores de saúde pública passaram parte do encontro a elaborar soluções sobre como modificar a abordagem.

“Seja fiel ao seu parceiro – num cenário poligâmico, você vai dizer às pessoas para mandar embora a outra esposa?” indagou Fredrick Musoke, consultor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e SSAC, contratado para desenvolver uma política de comunicação de mudança de comportamento para a região.

Poligamia é apenas uma das diversas práticas a dificultar os esforços dos profissionais de saúde pública para combater a SIDA. A herança de esposas também é difundida. O dote da mulher é às vezes equivalente a um rebanho de gado, portanto, mesmo quando o marido morre, é do interesse da família dele manter a esposa e seus bens na família.

“Use preservativo para proteger a quem se ama”, sugeriu um grupo, mas o slogan foi logo derrubado por Deng Mathiang, da SSAC. “Significa portanto que se você tiver relações sexuais com alguém a quem não ama, não deve usar o preservativo?” questionou. “Algumas pessoas fazem sexo apenas porque têm vontade.”

“Sem preservativo não há sexo”, recomendou outro grupo, enquanto Kuol, da SSAC, pensava se o uso de desenhos educativos detalhados seria a melhor maneira de alcançar uma população em grande parte analfabeta.

O encontro em Juba não teve respostas fáceis, mas para os profissionais de saúde da região é um alívio que um esforço significativo relativo à prevenção do HIV esteja finalmente sendo posto em prática.

(PlusNews – 26.09.2008)





Índia tem rede social para portadores de HIV

29 09 2008

NOVA DELHI – Viúva aos 30 anos de idade e HIV positivo, Chhaya Tope se submeteu a uma vida de solidão. Até que um site para indianos portadores do vírus da AIDS fez com que ela voltasse a se sociabilizar.

Há seis meses, o desespero levou Tope a criar um perfil na rede social Positive Saathi (www.positivesaathi.com) e, desde então, mantém contato com um indiano HIV positivo que mora no Canadá, com quem pretende se casar no próximo mês.

“Quando eu soube que meu marido me transmitira essa doença, fiquei amargurada e revoltada. Pensei que minha vida tinha terminado e cheguei a tentar me suicidar”, contou Tope, “Mas meu noivo é uma pessoa tão carinhosa! Ele também é HIV positivo, por isso entende minha situação. Vamos nos casar em breve graças ao site.”

O Positive Saathi estreou no ano passado e cerca de 460 homens e 60 mulheres já criaram perfis. Muitos deles estão namorando e planejam se casar.

Anil Kumar, funcionário público e fundador do site, disse que não tem idéia de quantos casamentos já aconteceram por causa do Positive Saathi e que é muito feliz por ajudar portadores de HIV, normalmente discriminados pela sociedade.

(Reuters – 26.09.2008)





Álbum “Faça como Nós” lançado em Luanda

29 09 2008

O CD “Faça como Nós”, da autoria dos músicos Maya Cool, Matias Damásio, Mikila, Mig e as Gingas do Maculusso, foi lançado quinta-feira, no acto central que marcou mais um aniversário dos trabalhadores da Saúde realizado em Viana.
O álbum, compilado para servir de veículo de formação cívica da população, particularmente nas questões relacionadas com a saúde, comporta quatro faixas musicais, onde constam os temas “Faça como Nós”, “Ser vijú”, “Sida” e “Fazer recuar a Malária”.
O tema “Faça como Nós” é cantado por Maya Cool e chama a atenção à população no sentido de tratarem a água para beber, assim como os alimentos, lavar as mãos com água e sabão e procurar o centro de saúde mais próximo do bairro quando estiver doente.
As músicas “Ser vijú” e “Sida” aconselham a população, principalmente os jovens a prevenirem-se contra a Sida, através do uso do preservativo em cada relação sexual.
“Fazer recuar a Malária”, cantada pelo músico Mig é um aviso à população para a eliminação de águas paradas e a recolha do lixo, como forma de se evitar a propagação de doenças.
O músico Matias Damásio disse que com este disco os artistas angolanos vão mostrar que também podem ajudar bastante no trabalho de sensibilização comunitária, incentivando a população a evitar o alastramento da cólera e outras doenças no país.
Acrescentou ainda que a transmissão de uma mensagem, através da música, pode ajudar a acabar com algumas práticas erradas, porque a música consegue causar um impacto profundo na formação da consciência social. Para Maya Cool, o CD ajudará igualmente a mostrar, numa linguagem muito simples e acessível, como a população pode unir-se para erradicar ou prevenir algumas patologias.

(Jornal de Angola – 27.09.2009)





JOVENS DISCUTEM A IMPORTÂNCIA DA AUTONOMIA PARA OS QUE VIVEM COM O HIV/AIDS

29 09 2008

“Criamos a Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/Aids (RNJVHA) porque queremos falar por nós. Até quando vamos permitir sermos tutelados?”, questionou Kleber Fábio, integrante da rede, em plenária do “3º Encontro Nacional de Jovens Vivendo com HIV/Aids”, em Belo Horizonte (MG), que aconteceu nesse sábado (27). Para Kleber, é preciso deixar claro que os jovens não são apenas o futuro. “Somos o presente e o agora, não queremos uniformizar, queremos mudar paradigmas”, defendeu. Samir Amim, também da rede, lembrou que “agora é o momento do jovem expor suas idéias, concordar ou descordar do que já foi feito e criar as próprias demandas”.

Já Edson Silva, de 21 anos, do grupo Vhiver, apresentou as propostas da oficina que discutiu o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Edson ressaltou a importância de se levar para o âmbito escolar as exigências e a inclusão do viver com HIV/Aids. “O importante não é revelar o diagnóstico e sim se sentir acolhido na escola. E a porta é o SPE”, argumentou.

Situação das Casas de Apoio

Na oficina sobre a situação das casas de apoio foi dito que, durante a estadia da criança e do adolescente, é preciso trabalhar a autonomia, preservando, por exemplo, a identidade, a história de origem de cada um. Também é essencial educar para que todos possam crescer e conhecer o mundo como realmente é. Não se pode esquecer, ainda, que os jovens precisam trabalhar e não devem ser tratados como crianças eternamente.

Para Thompson Toledo, ex-morador de casa de apoio, durante o período em se que mora na instituição, é fundamental que os adolescentes aprendam a ter a responsabilidade de tomar sua medicação e sejam capacitados para o mercado de trabalho. “Não quero que minha história se repita. Quando cheguei aos 18 anos, tive que voltar a morar com minha família, mas eles não estavam preparados para me receber. Cheguei na rua perdido,” desabafou emocionado.

Thompson lembrou, ainda que, “Um jovem com mais de 18 anos não é mais responsabilidade da justiça e nem protegido pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)” e citou o apoio que obteve do GIV (Grupo de Incentivo a Vida), que o ajudou nessa fase de transição. “É preciso dar autonomia aos jovens, isso é um direito humano”, concluiu.

Saúde dos jovens, atendimento médico e direito ao sigilo

Na oficina sobre a saúde dos jovens e o atendimento médico, Kleber Fabio, integrante da RNJVHA, citou a preocupação do direito ao sigilo que é garantido por lei, “Hoje o sigilo da sorologia é protegido por lei. Quando um jovem é diagnosticado positivo é informado aos pais. Cadê a lei? Precisamos mudar isso, e novamente cadê a autonomia desse jovem?” perguntou.

“No Uruguai não existe uma lei que garante o sigilo sobre seu diagnostico”, contou Oséias Cerqueira, estudante de direito e integrante da RNJVHA. “Precisamos informar às pessoas que, no Brasil, existem direitos humanos que incluem os direitos sexuais e reprodutivos também para os jovens soropositivos,” disse.

Oficina sobre o fortalecimento das redes municipais de jovens vivendo com HIV/Aids

Umas das propostas dessa oficina foi o fortalecimento do jovem para que ele tenha engajamento e, assim, chegar a seu estado ou município e capacitar outros jovens para fazer parte do movimento social e lutar pelos seus direito.

“O caminho é a divulgação da RNJVHA, precisamos criar folhetos, informar que existe essa rede para o jovem, criar articulações e saber se impor diante das autoridades”, explicou Samir Amim, lembrando da importância de se expandir a rede e alcançar a todos.

O “3º Encontro Nacional de Jovens Vivendo com HIV/Aids”, acontece na capital mineira e termina no domingo (28), com uma plenária final e a criação de um documento oficial para ser entregue ao governo com as demandas dos jovens soropositivos.

(Talita Martins/Agência de Notícias da AIDS – 28.09.2008)





GLOBAL: HIV a aumentar entre usuários de drogas injectáveis

29 09 2008

JOHANNESBURG, 29 Setembro 2008 (PlusNews) – Um novo estudo estima que três milhões de usuários de drogas injectáveis em 120 países do mundo sejam seropositivos, mas a falta de dados relativos a África, Oriente Médio e América Latina podem estar a ocultar um problema de saúde mundial ainda maior.

O estudo, publicado na revista inglesa “The Lancet” [em 24 de setembro], analisou a prevalência do uso de drogas injectáveis em 148 países e a prevalência do HIV entre os usuários de drogas injectáveis (IDU, em inglês) nestes países. Os resultados do estudo mostraram que em nove países, incluindo a Estónia, a Ucrânia, a Argentina, a Indonésia e o Quénia, mais de 40 por cento dos IDU são seropositivos.

Entretanto, os dados relativos ao uso de drogas injectáveis só eram disponíveis em 13 dos 47 países da África subsaariana. Os autores, sob a direcção de Bradley Mathers do Centro Nacional de Pesquisa em Álcool e Drogas com base em Sydney, advertiram que “existe uma constelação de factores de risco para o desenvolvimento do uso de drogas injectáveis” na África, que incluem altos níveis de dificuldades sócio-económicas e o fato de muitos países da região estarem a ser usados como passagem do tráfico de drogas ilícitas rumo à Europa. No Quénia, Ilhas Maurício, Nigéria, África do Sul e Tanzânia, o uso de drogas injectáveis já é bem estabelecido.

A China, a Rússia e os Estados Unidos têm as maiores populações de IDU, de um total global estimado em 16 milhões, enquanto a seroprevalência entre os IDU é maior no leste europeu, sudeste asiático e América Latina.

O estudo, que foi dirigido por um grupo de especialistas criado para fornecer recomendações técnicas às Nações Unidas sobre o HIV e o uso de drogas injectáveis, concluiu que o uso de drogas injectáveis é um modo de transmissão do HIV cada vez mais importante em muitos países do mundo.

“Existe uma nítida necessidade de investimento em métodos de prevenção do HIV como programas de troca de agulhas e seringas e tratamentos de substituição à base de opiáceos”, dizem os autores, que também sugerem mais pesquisa a fim de poder medir com mais precisão a amplitude do problema.

Comentando sobre o estudo, Kamyar Arasteh e Don Des Jarlais, do Centro Médico Beth Israel, em Nova Iorque, notaram que o número de IDU a ter acesso aos serviços de prevenção, testagem e tratamento do HIV não é suficiente.

Na China, por exemplo, um estudo conduzido em 2007 mostrou que menos da metade dos IDU conhecia seu estado serológico, 60 por cento tinham usado material de injecção não–esterilizado a última vez que tinham injectado e somente um terço tinha usado um preservativo na última relação sexual.

Contudo, Arasteh e Des Jarlais comentaram que “se os esforços de prevenção do HIV forem implementados em grande escala quando a prevalência é baixa em usuários de drogas injectáveis, é possível conter a epidemia do HIV nesta população.”

(PlusNews – 29.09.2008)





ÁFRICA: 15ª Conferência Internacional sobre SIDA e ITSs em África

29 09 2008

JOHANNESBURG, 15 Novembro 2008 (PlusNews) – A 15ª edição da Conferência Internacional sobre SIDA e ITSs em África (ICASA) pretende encorajar a discussão de descobertas recentes sobre HIV/SIDA e ITSs em África.

A idéia do encontro é facilitar a cooperação e troca e encorajar maior sinergia em actividades futuras. Essas trocas terão a forma de sessões plenárias, palestras e sessões de discussão, apresentação de pôsteres, simpósios e mesas redondas, além de simpósios satélite e sessões práticas de formação.

A reunião será realizada em Dakar, no Senegal, entre 3 e 7 de Dezembro.

Para mais informações, visite http://www.icasadakar2008.org





Investigador britânico quer ver cientistas concentrados em resolver problemas da humanidade

29 09 2008

A ciência deve concentrar-se na resposta aos desafios que a humanidade enfrenta durante este século. Esta é a opinião do cientista inglês e anterior conselheiro científico do Governo inglês, Sir David King, que quer ver os cérebros da ciência a combater as alterações climáticas ou a encontrar a cura para a sida.

“Os desafios para o século XXI são qualitativamente diferentes do que os que tivemos que enfrentar até agora”, disse o investigador antes da abertura do Festival de Ciência da Associação Britânica, que este ano decorre em Liverpool até 11 de Setembro, citado pela BBC online.

O director do Smith School for Enterprise and the Environment, da Universidade de Oxford, defende que o crescimento da população e a pobreza de África são motivos para fazer um desvio não só nos fundos mas também nos cérebros que trabalham em ciência.

“Para isto é necessária uma alteração no pensamento e nas prioridades da ciência e tecnologia, e redesenhar as atitudes da sociedade perante elas”, explica King.

Numa altura em que o maior acelerador de partículas do mundo, o Large Hadron Collider (LHC), vai ser inaugurado com fundos do Reino Unido, o cientista põe em causa o investimento em disciplinas com a física e a astronomia.

“É bom demonstrarmos que podemos aterrar um veículo em Marte, é bom descobrirmos se existe ou não o Bosão de Higgs; mas eu sugiro que talvez devêssemos empurrar as pessoas em direcção a desafios maiores onde os resultados podem ser realmente cruciais para a civilização”, afirmou.

O LHC, criado pelo European Organization for Nuclear Research (CERN), foi o maior investimento que o Reino Unido fez num único projecto de ciência, 500 milhões de libras (quase 620 milhões de euros). O cientista, que é especialista em física dos processos químicos, questiona se esta é a melhor forma de se gastar o dinheiro para a ciência, quando actualmente um dos maiores problemas é a dependência energética que o mundo tem dos combustíveis fósseis.

O investigador até pôs em causa se a maior invenção do CERN, a Internet, tinha só que vir dali. “As pessoas dizem: “E então a world wide web? Isso surgiu da CERN”. O Tim Berners Lee foi a pessoa que inventou isso. E se o Tim Berners Lee estivesse a trabalhar num laboratório de energia solar? Talvez ele também tivesse criado o sistema. O resultado teria vindo de um indivíduo”, diz o investigador.

O cientista nomeou alguns dos principais problemas, como o aumento de população num planeta que está agora a observar os primeiros efeitos das alterações climáticas, o atraso no desenvolvimento de fontes de energia alternativas como a luz solar, ou as doenças que afectam milhões de pessoas como a sida e a malária.

(Público – 08.09.2008)





UGANDA: Problemas na cadeia de abastecimento de medicamentos causam escassez

29 09 2008



Photo: Kate Holt/IRIN
Falta de ARVs pode colocar vidas em risco

KAMPALA, 9 Setembro 2008 (PlusNews) – O Ministério da Saúde de Uganda tem estado a lutar para impedir uma escassez nacional de antiretrovirais (ARVs) que poderia comprometer as vidas de dezenas de milhares de pessoas seropositivas.

Oficiais da saúde afirmaram que um sistema ineficiente de aquisição de medicamentos, doações esporádicas de medicamentos e a escassez de farmacêuticos qualificados deixaram milhares de pacientes sob o perigo de ficar sem os remédios essenciais tais como medicamentos para malária e ARVs.

O governo fez um pedido de abastecimento de ARVs a fornecedores estrangeiros para suprir a escassez actual, e fontes do governo afirmam que os medicamentos chegaram na semana passada.

Nos últimos dois anos, a mídia local alertou regularmente sobre o vencimento da validade de medicamentos que teriam que ser destruídos pelas Farmácias Médicas Nacionais (NMS, em inglês), maior fornecedor de medicamentos do governo.

Em Uganda, hospitais e centros de saúde dos sub-distritos fazem pedidos para compra de medicamentos com oficiais de saúde distritais, que requisitam os medicamentos ao NMS e União das Farmácias Médicas (Joint Medical Stores).

“Há ineficiência, no entanto… O NMS pode levar 60 dias em vez de 30 para processar e entregar um pedido ao distrito, e há também problemas de estocagem no nível distrital, transporte e distribuição ineficiente, assim como supervisão de apoio inadequada”, disse Mshialla Maghanga, professor na faculdade de medicina da Universidade de Gulu, no norte de Uganda.

Oficiais do NMS atribuíram os atrasos às precárias previsões de necessidade dos medicamentos, assim como pouca alocação de verbas para os mesmos. A saúde representa 10,6 por cento do orçamento nacional de Uganda, menos do que os 15 por cento que deveriam ser destinados à saúde segundo o compromisso feito pelos chefes de estado da União Africana em Abuja, Nigéria, em 2001.

O governo possui 57 hospitais, 179 centros de saúde e 989 outras instalações médicas ao redor do país; faltas anteriores foram atribuídas ao rápido aumento da demanda de distribuição de ARV ao longo dos últimos anos.

“Mesmo quando conseguimos os medicamentos, não há pessoas qualificadas para aplicá-los”, disse Martin Oteba, director assistente interino responsável pelos farmacêuticos no Ministério da Saúde.

Ele disse que o sector público em Uganda tem apenas 350 farmacêuticos qualificados, enquanto o país precisa de ao menos 14 mil para servir efectivamente a população de 30 milhões.

''As ferramentas estão lá, o sistema existe, mas não há pessoas para implementá-lo.''

“A maioria dos farmacêuticos trabalha por apenas cerca de dois anos e vai para o exterior ou para o sector privado; o abastecimento de medicamentos é afectado pela falta de continuidade. As ferramentas estão lá, o sistema existe, mas não há pessoas para implementá-lo”, disse.

Oteba observou que as doenças e epidemias sazonais, tais como o recente surto de hepatite E no norte de Uganda, muitas vezes atraíram diversas doações de medicamentos de parcerias de desenvolvimento durante a emergência, mas assim que o surto é contido os medicamentos podem só ser usados raramente e expiram no NMS.

Olhando para dentro

Numa tentativa de estimular a produção local, o Ministério da Saúde também fez seu primeiro pedido de ARVs a Quality Chemicals, uma nova fábrica de ARVs na capital, Kampala.

Utilizar os medicamentos da nova fábrica provou ser problemático no passado porque os maiores doadores vincularam suas doações a fabricantes externos específicos, de forma que o governo foi obrigado a destinar fundos separados para comprar medicamentos da Quality Chemicals.

A fábrica, que começou a produzir ARVs genéricos e medicamentos para malária em 2008, não recebeu licença da Organização Mundial da Saúde (OMS) mas teve aprovação da Autoridade Nacional de Medicamentos de Uganda.

O Ministério da Saúde também deu início à produção local de artemísia, uma espécie de planta local da qual são derivados os ingredientes activos do Coartem, recomendado pela OMS como tratamento primário de malária. A malária representa até 40 por cento das visitas anuais de pacientes externos ao hospital e mata cerca de 320 ugandenses por dia.

Cerca de 130 mil pessoas a viver com HIV em Uganda têm acesso a ARVs, menos de 42 por cento do total que necessita deles.

(PlusNews – 09.09.2008)