Uma mulher assassinada todas as semanas

7 09 2008

Um homem de 33 anos estrangulou a companheira até à morte, esta quarta-feira, em Sintra. A jovem de 29 anos é a 36ª vítima mortal de violência doméstica, este ano, em Portugal. Os números revelam que todas as semanas morre uma mulher vítima da violência do companheiro.

As mulheres assassinadas pelos maridos são já mais este ano do que no ano passado. Mais 11 casos fatais. O caso desta semana ocorreu em Sintra, na casa onde vivia a vítima e o companheiro. Após uma discussão, o homem terá perdido a cabeça e estrangulou a mulher com as próprias mãos até à morte.

Ciente do crime, segundo a PJ, simulou o suicídio da vítima. A Judiciária não se deixou enganar e esta quinta-feira anunciou a detenção do homem de 33 anos. Fonte da PJ confirmou ao PortugalDiário que o homicídio ocorreu num contexto de violência doméstica.

Às 36 mortes, quase sempre violentas, juntam-se, este ano, 52 tentativas de homicídio. Ou seja, todas as semanas, pelo menos, dois homens tentam acabar com a vida das companheiras. Um deles consegue.

Os números deste ano significam um aumento em relação ao ano anterior. No entanto, 2007 foi o ano em que houve menos mortes. Segundo os dados da UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, 2004 foi o ano com mais homicídios, 42. Segue-se, 2006 com 37 casos e 2005 com 36. As estatísticas revelam ainda que os meses de Verão, Julho, Agosto e Setembro, são sangrentos, uma vez que é nesta altura do ano que morrem mais mulheres.

Já os dados da APAV, do primeiro semestre de 2008, revelam que a associação registou 7803 crimes de violência doméstica, ou seja, 42 casos, por dia, de violência entre casais.

(Portugal Diário – 04.09.2008)





MALAUÍ: ARVs e boa nutrição fazem milagres

7 09 2008

LILONGWE, 5 Setembro 2008 (PlusNews) – O número de mortes relacionadas à SIDA no Malauí caiu 75 por cento nos últimos quatro anos, graças à disponibilidade de antiretrovirais (ARV) gratuitos. Porém, uma nutrição melhor para pessoas vivendo com HIV diminuiria ainda mais esse número, afirmaram oficiais.

Mc Anthony Ajabu tem sete anos e é um dos 159.111 malauianos que o governo colocou em tratamento ARV desde 2004. Após sua mãe ter morrido de uma doença relacionada à SIDA em 2005, ele foi levado para morar com seu avô, Roben Nangwandu, 53 anos, um viúvo que trabalha como guarda de segurança na capital, Lilongwe.

“Nós já fomos e voltamos do hospital tantas vezes. Aí um dia os médicos disseram-me que ele era seropositivo e imediatamente o colocaram em tratamento antiretroviral. Desde então ele melhorou muito”, afirmou Nangwandu, acrescentando que a combinação da terapia e alimentos nutritivos salvaram a vida de seu neto.

“Aqueles que o viram há três anos não acreditam quando o vêem ir para a escola. Dizem que é um milagre que Mc Anthony esteja a andar”, disse.

A cada duas semanas, Nangwandu pedala 25 km do bairro de Chinsapo nos arredores de Lilongwe até o hospital. “Os médicos advertiram-me que não importa o quão longe eu more, é importante buscar o medicamento para o meu neto a tempo ou eu estaria a pôr sua vida em risco”, disse.

Segundo Mary Shawa, secretária principal de Nutrição e HIV/SIDA, 67 por cento das pessoas que começaram a tomar ARVs desde 2004 ainda estão vivas. Os que não sobreviveram podem não ter tido acesso à nutrição adequada e informação sobre a terapia.

“Queremos que as pessoas reconheçam que o sucesso em reduzir o alto índice de mortes que tínhamos não se deve apenas aos ARVs”, disse ela. Um estudo de 2001 revelou que 25 por cento dos adultos no Malauí eram subnutridos, dos quais 75 por cento eram seropositivos.

A meta da Iniciativa Nacional de Educação sobre Nutrição e Tratamento de HIV e SIDA (National Nutrition and HIV and AIDS Treatment Literacy Initiative, em inglês), lançada recentemente pelo governo, é auxiliar os malauianos a entender melhor as ligações entre viver uma vida longa com HIV e boa nutrição.

''Queremos que as pessoas reconheçam que o sucesso em reduzir o alto índice de mortes que tínhamos nao se deve apenas aos ARVs.''

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA (ONUSIDA), a insegurança alimentar e nutrição precária podem acelerar o progresso de doenças relacionadas à SIDA e dificulta que pacientes possam aderir ou se beneficiar do tratamento ARV.

Shawa afirmou que a iniciativa fará com que informação sobre terapia antiretroviral e nutrição esteja amplamente disponível para auxiliar pessoas seropositivas a lidar com alguns dos mitos e desafios que elas têm que enfrentar.

“Nós descobrimos que algumas pessoas que estão a tomar medicamentos antiretrovirais, ou que iriam começar a tomá-los, não entendiam como o medicamento funcionava. Foram erroneamente informadas que os medicamentos causam efeitos colaterais graves tais como queimaduras e feridas dolorosas”, explicou.

“Houve um caso em que um paciente recusou-se a tomar os ARVs porque disseram a ele que os medicamentos abrem o apetite e, sendo pobre, ele não poderia comprar mais alimentos”.

McBride Nkhalamba, um coordenador de HIV/SIDA do Action Aid International no Malauí, disse que o país estava no caminho certo ao tratar de alguns problemas essenciais que afectam aqueles que vivem com HIV.

“É necessário que a informação sobre tratamento ARV e nutrição seja amplamente divulgada, particularmente entre mulheres e meninas”, afirmou.

Felix Salaniponi, director do Programa Nacional de Controle de TB no Malauí, disse que além da distribuição de ARVs, melhoria nas estratégias de detecção e tratamento de pacientes co-infectados por TB e HIV também ajudou a reduzir as mortes relacionadas à SIDA: 77 por cento dos pacientes com TB no país são seropositivos.

“No passado nós só nos concentrávamos em TB e não observávamos outras doenças, como o HIV”, disse.

Em colaboração com o Ministro da Saúde, o Programa de Controlo de TB treinou funcionários clínicos para tratarem de pacientes tanto de TB quanto de HIV/SIDA.

“Tornou-se uma diretriz que todo paciente com TB seja aconselhado sobre HIV. Assim que descobrimos que um paciente é seropositivo nós combinamos o tratamento, e dessa forma estamos a salvar muitas vidas”, afirmou Salaniponi, ao observar que o índice de mortes de pacientes com TB caiu de 22 por cento em 2004 para 8 por cento em 2008.

(PlusNews – 05.09.2008)





Povos ocupados por Roma mais vulneráveis ao VIH

7 09 2008

Genética. As conquistas de Roma podem ajudar a explicar a distribuição de um gene que aumenta a resistência ao VIH. A teoria é avançada por investigadores franceses que salientam as coincidências entre a variação da frequência do gene na Europa e as fronteiras do Império

Gene ‘protector’ é menos frequente no Sul da Europa

O que nos deixaram os romanos? Os aquedutos, as estradas, o alfabeto e, aparentemente, uma menor resistência ao vírus da sida (VIH). Segundo um estudo de investigadores franceses, os habitantes dos territórios ocupados pelos romanos são mais vulneráveis ao VIH.

A explicação é genética. As pessoas com uma variante do gene CCR5, que dificulta a entrada do vírus nas células, não só apresentam uma maior resistência à infecção como, depois de infectadas, demoram mais tempo a desenvolver a doença.

Geralmente, apenas pessoas da Europa e do Oeste da Àsia têm esta variante (CCR5-delta32), que, de acordo com o artigo publicado na New Scientist, é muito menos frequente nos países do Sul da Europa.

Os cientistas acreditam que para explicar esta variação temos de recuar umas boas centenas de anos, já que a pandemia, identificada no início dos anos 80, é muito recente para influenciar a distribuição do gene.

A equipa de Eric Faure, da Universidade da Provença, em França, analisou cerca de 19 mil amostras de ADN de toda a Europa e avança a hipótese da variação do gene reflectir a alteração de fronteiras do Império Romano. Isto porque a frequência do CCR5-delta32 atinge os 15% no Norte do continente, varia entre os 8 e 12% nos territórios fronteira do Império (como Alemanha e Inglaterra), e é inferior a 6% nas colónias que permaneceram mais tempo sob jugo romano, (como Grécia ou Espanha).

As duas teorias alternativas – a possibilidade de epidemias como a peste bubónica ou a varicela terem dizimado a população com este gene, e a hipótese da variante ter origem na Escandinávia e ter sido espalhada pelos vikings – esbarram na falta de coincidência geográfica.

Por outro lado, Faure não acredita que esta diferença possa ser atribuída à miscigenação com os povos indígenas, já que a história sugere que “a transferência de material genético era extremamente baixa”, explicou à NewScientist. Além disso, os soldados romanos vinham de todas as parte do império e não apenas de Roma.

Por isso, os cientistas consideram mais provável que os romanos tenham introduzido uma doença que afectou sobretudo as pessoas com a variante CCR5-delta32, tornando-a mais rara nos territórios ocupados, que hoje pertencem a países como Portugal, Espanha e França.

(DN – 05.09.2008)