LILONGWE, 5 Setembro 2008 (PlusNews) – O número de mortes relacionadas à SIDA no Malauí caiu 75 por cento nos últimos quatro anos, graças à disponibilidade de antiretrovirais (ARV) gratuitos. Porém, uma nutrição melhor para pessoas vivendo com HIV diminuiria ainda mais esse número, afirmaram oficiais.
Mc Anthony Ajabu tem sete anos e é um dos 159.111 malauianos que o governo colocou em tratamento ARV desde 2004. Após sua mãe ter morrido de uma doença relacionada à SIDA em 2005, ele foi levado para morar com seu avô, Roben Nangwandu, 53 anos, um viúvo que trabalha como guarda de segurança na capital, Lilongwe.
“Nós já fomos e voltamos do hospital tantas vezes. Aí um dia os médicos disseram-me que ele era seropositivo e imediatamente o colocaram em tratamento antiretroviral. Desde então ele melhorou muito”, afirmou Nangwandu, acrescentando que a combinação da terapia e alimentos nutritivos salvaram a vida de seu neto.
“Aqueles que o viram há três anos não acreditam quando o vêem ir para a escola. Dizem que é um milagre que Mc Anthony esteja a andar”, disse.
A cada duas semanas, Nangwandu pedala 25 km do bairro de Chinsapo nos arredores de Lilongwe até o hospital. “Os médicos advertiram-me que não importa o quão longe eu more, é importante buscar o medicamento para o meu neto a tempo ou eu estaria a pôr sua vida em risco”, disse.
Segundo Mary Shawa, secretária principal de Nutrição e HIV/SIDA, 67 por cento das pessoas que começaram a tomar ARVs desde 2004 ainda estão vivas. Os que não sobreviveram podem não ter tido acesso à nutrição adequada e informação sobre a terapia.
“Queremos que as pessoas reconheçam que o sucesso em reduzir o alto índice de mortes que tínhamos não se deve apenas aos ARVs”, disse ela. Um estudo de 2001 revelou que 25 por cento dos adultos no Malauí eram subnutridos, dos quais 75 por cento eram seropositivos.
A meta da Iniciativa Nacional de Educação sobre Nutrição e Tratamento de HIV e SIDA (National Nutrition and HIV and AIDS Treatment Literacy Initiative, em inglês), lançada recentemente pelo governo, é auxiliar os malauianos a entender melhor as ligações entre viver uma vida longa com HIV e boa nutrição.
Queremos que as pessoas reconheçam que o sucesso em reduzir o alto índice de mortes que tínhamos nao se deve apenas aos ARVs. |
Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA (ONUSIDA), a insegurança alimentar e nutrição precária podem acelerar o progresso de doenças relacionadas à SIDA e dificulta que pacientes possam aderir ou se beneficiar do tratamento ARV.
Shawa afirmou que a iniciativa fará com que informação sobre terapia antiretroviral e nutrição esteja amplamente disponível para auxiliar pessoas seropositivas a lidar com alguns dos mitos e desafios que elas têm que enfrentar.
“Nós descobrimos que algumas pessoas que estão a tomar medicamentos antiretrovirais, ou que iriam começar a tomá-los, não entendiam como o medicamento funcionava. Foram erroneamente informadas que os medicamentos causam efeitos colaterais graves tais como queimaduras e feridas dolorosas”, explicou.
“Houve um caso em que um paciente recusou-se a tomar os ARVs porque disseram a ele que os medicamentos abrem o apetite e, sendo pobre, ele não poderia comprar mais alimentos”.
McBride Nkhalamba, um coordenador de HIV/SIDA do Action Aid International no Malauí, disse que o país estava no caminho certo ao tratar de alguns problemas essenciais que afectam aqueles que vivem com HIV.
“É necessário que a informação sobre tratamento ARV e nutrição seja amplamente divulgada, particularmente entre mulheres e meninas”, afirmou.
Felix Salaniponi, director do Programa Nacional de Controle de TB no Malauí, disse que além da distribuição de ARVs, melhoria nas estratégias de detecção e tratamento de pacientes co-infectados por TB e HIV também ajudou a reduzir as mortes relacionadas à SIDA: 77 por cento dos pacientes com TB no país são seropositivos.
“No passado nós só nos concentrávamos em TB e não observávamos outras doenças, como o HIV”, disse.
Em colaboração com o Ministro da Saúde, o Programa de Controlo de TB treinou funcionários clínicos para tratarem de pacientes tanto de TB quanto de HIV/SIDA.
“Tornou-se uma diretriz que todo paciente com TB seja aconselhado sobre HIV. Assim que descobrimos que um paciente é seropositivo nós combinamos o tratamento, e dessa forma estamos a salvar muitas vidas”, afirmou Salaniponi, ao observar que o índice de mortes de pacientes com TB caiu de 22 por cento em 2004 para 8 por cento em 2008.
(PlusNews – 05.09.2008)
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