Vinte e oito crianças do Complexo Habitacional de Santo Amaro participaram ontem no encerramento das actividades lúdico-pedagógicas que desenvolveram no Verão, por iniciativa da Delegação Madeira da Fundação Portuguesa “ A comunidade contra a Sida”. Têm idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos.
Segundo Rubina Leal, presidente da Delegação, o projecto “ABBA — A Brincar a Brincar… Aprende-se” visa incutir confiança e auto-estima nas crianças, através de estratégias, do jogo e da brincadeira. «No fundo, competências para que elas não pisem o risco», explicou a presidente da Fundação.
Rubina Leal disse que «a única arma que temos ao nosso alcance é a prevenção». Essa a razão que leva a Fundação a aproveitar o facto de ter a sua sede naquele bairro para ir ao encontro das crianças, de uma forma o mais comunitária possível. Uma das estratégias é, aliás, a de desenvolver algumas acções no exterior.
«Temos de lhes incutir confiança e auto-estima, porque no momento em que podem, efectivamente, ter um comportamento de risco, o pai , a mãe ou o professor não vão estar lá presentes», disse Rubina Leal, acrescentando que, em muitas ocasiões, «eles acabam por ter de tomar muitas decisões sozinhos».
Na sua opinião, quanto mais cedo as crianças forem ensinadas a tomar decisões, mais capacidades têm de as tomar no futuro.
Outra das estratégias desenvolvidas pela Fundação é a de promover muitas actividades de animação. «É uma forma de motivar e trazer os miúdos à Fundação», diz Rubina Leal.
Essa estratégia já está a dar frutos e a prova é a de que «há outros miúdos que estão inseridos noutros bairros e que já estão a participar na própria acção, na própria actividade». No fundo, como acrescenta, «há quase que uma formação de pares, entre eles». Este é um dos objectivos e Rubina Leal espera que continue «a dar frutos».
A presidente da Fundação lembra que «tudo o que tem a ver com comportamentos não é mensurável, mas acreditamos que, com estas estratégias, vamos ajudar a que eles não pisem o risco».
Segundo Rubina Leal, o ABBA existe ao longo de todo o ano. «Aliás, temos uma parceria com a escola de Santo Amaro e com escolas de Câmara de Lobos». O projecto, conforme acrescenta, funciona como um ATL para crianças que não têm possibilidade de ocupação de tempos livres noutros locais.
Na sua opinião, o ideal seria trabalhar as famílias. Para além de precisarem também de ser apoiados, os pais necessitam de formação para saberem lidar com estas crianças.
Apesar de especialmente vocacionada para a luta contra a Sida, Rubina Leal diz que o trabalho desenvolvido com estas crianças, que ainda não têm idade para ter actividade sexual, incide sobre higiene e comportamentos cívicos. Ensinamentos que, no futuro, as ajudarão a saber enfrentar eventuais comportamentos de risco ao nível sexual.
(Jornal da Madeira – 30.08.2008)
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