ADDIS ABABA, 27 Agosto 2008 (PlusNews) – Bellissima, na animada Rua Gabon na capital da Etiópia, Addis Ababa, poderia ser apenas mais um café requintado, excepto pelo facto de que cada pedido vem com um pacote de preservativos “Sensation” e é servido em xícaras “Sensation” por funcionários vestidos com camisetas “Sensation”.
“Eu queria vincular o negócio a uma mensagem para as pessoas sexualmente activas”, disse a proprietária do café Bellissima, Hayat Ahmed, 26 anos. “Eu sou a embaixadora da marca de preservativos “Sensation” na Etiópia e quero divulgar a mensagem de que preservativos podem protegê-lo do HIV/SIDA.”
Hayat, vencedora de concursos de beleza, envolveu-se nas campanhas de HIV/SIDA desde que foi coroada Miss Etiópia em 2003 e posteriormente nomeada embaixadora de HIV/ SIDA.
Seu rosto estampa cartazes, e ela regularmente aparece no único canal de televisão da Etiópia, a promover o uso de preservativo. “Quando ando pelas ruas, até as crianças reconhecem-me”, diz. “Mas elas não me chamam de Hayat, chamam-me de ´Sensation´”.
Baseado nos “bares de preservativos” na Ásia, Bellissima distribuiu seis caixas de preservativos, cada uma contendo 48 pacotes de três unidades, nos primeiros dois dias de funcionamento.
Os preservativos gratuitos provocaram reações mistas, com clientes mais velhos que tendem a não gostar da idéia, enquanto os mais jovens adoram e às vezes pedem por mais um pacote.
“Nós já presenciamos pessoas jovens a entrar e perguntar: “É verdade que vocês dão preservativos gratuitos?”, e quando dizemos “Sim”, seus rostos iluminam-se e eles rapidamente fazem o pedido”, disse um atendente. “Mas nós também temos pessoas que ficam escandalizadas quando trazemos a conta com um preservativo, alguns dizem que estamos a promover a imoralidade”.
Os clientes não têm que levar os pacotes para casa quando saem do restaurante. “Cada um decide se quer levar ou deixar”, disse Hayat. “Nós planeamos inclusive colocar máquinas de venda de preservativos nas casas de banho.”
Photo: Tesfalem Woldes/IRIN ![]() |
| Camisinhas junto com a conta |
Sua campanha é apoiada por grupos de marketing social, tais como a organização sem fins lucrativos DKT-Ethiopia, que vendeu quase 60 milhões de preservativos em 2007 e também lançou uma versão de preservativos “Sensation” sabor café. A Etiópia é amplamente conhecida como local de origem do café e é muito popular.
Hayat pretende abrir mais cafés na capital e em outras cidades, e continuar a promover várias estratégias anti-HIV, inclusive abstinência e fidelidade. Pode ser até que ela expanda o conceito de “bares de preservativos” para outros países africanos.
“Muitas pessoas na Etiópia envergonham-se de falar ou usar preservativos”, disse. “Mesmo assim, algumas companhias colocam preservativos nas suas casas de banho e quando se vai ver, a cada dia, as caixas estão vazias. Eu não me importo se os preservativos estão a ser usados entre quatro paredes ou em público – contanto que muitas pessoas os utilizem.”
A prevalência de HIV na Etiópia é estimada em mais de dois por cento entre as pessoas sexualmente activas entre 15 e 49 anos. Um relatório do Departamento Federal de Controlo e Prevenção de HIV/SIDA em Março observou que entre 2000 e 2005, o uso de preservativo entre homens aumentou de 30,3 por cento para 51,9 por cento, e entre as mulheres de 13,4 por cento para 23,6 por cento.
Segundo dados do governo da Etiópia, metade das instituições do sector público e 20 por cento de negócios privados deram prioridade à prevenção de HIV/SIDA nas suas políticas operacionais.
Entretanto, Philopos Petros, presidente da unidade de gestão de HIV/SIDA da Faculdade de Serviço Social, observou que “ainda há pessoas educadas expostas ao HIV e a morrer de SIDA”, e disse que maior conscientização é necessária.
“Uma pessoa não pode mudar o mundo, mas eu quero contribuir para isso”, disse Hayat. “Eu tenho um nome e vontade, e vou usá-los.”
(PlusNews – 27.08.2008)


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