Os “dekasseguis” são pessoas que deixam sua terra natal para trabalhar temporariamente em outra região. Em virtude da dificuldade da língua e de acesso a informação de prevenção da Aids, esses imigrantes estão mais vulneráveis ao vírus. Além disso, para os que vivem com HIV, uma das barreiras é a ausência de uma rede de apoio governamental e não-governamental articulada entre os dois países.
No Japão atualmente existem cerca de 315 mil “dekasseguis” brasileiros. De acordo com informações de 2000 do Ministério da Saúde e Bem-Estar japonês, eles são o segundo grupo de estrangeiros mais infectados pelo HIV no Japão. O seminário é uma iniciativa inédita do Programa Nacional de DST e Aids, com apoio da Frente Parlamentar em HIV/Aids e de organizações da sociedade civil.
Ativista cobrará posição dos dois governos
José Araújo Lima Filho, presidenta da Casa de Apoio AFXB do Brasil, vai participar da mesa de abertura do seminário, representando também a RNP+ (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids). Araújo já esteve 12 vezes no Japão trabalhando com prevenção, a convite da ONG Criativos, fundada por brasileiros e composta por latinos, que trabalha com os “dekasseguis” a questão da prevenção e suporte para os que vivem com o vírus.
O ativista declara que tem esperança nos resultados do “Seminário DST/HIV/Aids: Brasil e Japão fortalecendo laços”. “Será uma oportunidade para se criar uma parceria efetiva entre os dois países, tanto na área da prevenção, como de políticas públicas efetivas para os que vivem com HIV/Aids”, disse. E é isso que ele pretende cobrar dos governantes em seu discurso.
Araújo defende que é de fundamental importância o comprometimento dos dois países. “A população dos “dekasseguis” vem e volta, portanto o trabalho tem de ser feito aqui e lá”. O ativista explica, ainda, que a maioria dos “dekasseguis” não sabe falar nem ler japonês, logo, quando estão no Japão, não são atingidos pelos programas de prevenção daquele país. “Por isso o governo brasileiro tem de fazer aqui, uma campanha específica dirigida a esse grupo, levando em conta suas questões culturais. Os “dekasseguis” trazem muito dinheiro ao Brasil e o nosso governo tem a obrigação de assisti-los”, ele argumenta.
Em suas visitas ao Japão, Araújo acompanhou de perto os problemas que os “dekasseguis” enfrentam em relação à pandemia. “Eles passam por sérias dificuldades ao receber o diagnóstico de HIV positivo”, conta o ativista e relata, ainda, que é comum, quando um deles vai ao médico, ser acompanhado por um tradutor da fábrica onde trabalha, que não traduz tudo corretamente. “Muitas vezes o médico pede exame de HIV e o “dekassegui” nem fica sabendo. Se o resultado dá positivo, a notícia é dada pelo tradutor que não teve nenhum preparo para isso e o assunto pode vazar, expondo o indivíduo em seu local de trabalho”.
De acordo com Araújo, no Japão, o preconceito e a falta de informação acerca do HIV e Aids são muito grandes. Há tratamento para os que pagam o seguro social, entretanto, grande parte dos brasileiros não paga, ficando descobertos. Ainda segundo o ativista, não existe política de notificação no país, o que torna os números questionáveis. Muitas cidades não oferecem testes de HIV e, para os japoneses, a doença é “coisa de estrangeiro”.
Valéria Polizzi
Serviço
Seminário DST/HIV/Aids: Brasil e Japão fortalecendo laços
26 e 27 de agosto
Auditório Freitas Nobres, Câmara dos Deputados, Brasília-DF
Programação
26/08
14h – credenciamento
14h30 às 15h20 – Abertura
15h30 às 17h – Mesa 1: Contexto das vulnerabilidades em DST/Aids nos dekasseguis
17h15 às 18h30 – Grupo de trabalho: políticas, programas, serviços e ações
18h30 – Coquetel de abertura
27/08
8h30 às 10h15 – Mesa 2: Contextualização dos processos de articulações e realidades locais para o enfrentamento das DST/Aids nos dekasseguis
10h30 às 12h30 – Mesa 3: Sonhos e realidades – Experiências e contribuições da sociedade civil e direitos humanos
14h às 15h15 – Continuação dos grupos de trabalhos: Políticas, serviços e ações
15h30 às 17h – Apresentação dos grupos de trabalhos e plenária para os encaminhamentos finais
17h às 17h30 – Encerramento
Mais informações sobre o evento:
Programa Nacional de DST e Aids
Unidade de Articulação com a Sociedade Civil e de Direitos Humanos
Tel: (61) 3448-8024
Mais informações à imprensa
Programa Nacional de DST e Aids
Assessoria de Imprensa
Tel: (61) 3448-8088/ 8100/ 8106/ 8090
E-mail: imprensa@Aids.gov.br
Site: www.Aids.gov.br
(Agência de Notícias da AIDS – 21.08.2008)
Comentários Recentes