Adolescente normal com sida

21 08 2008

Foi a grande atracção da XVII Conferência Internacional sobre o VIH/ /sida, que decorreu este mês no México. Falou antes do Presidente mexicano, Felipe Calderón, e do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki–moon, com a autoridade de quem é seropositiva desde o nascimento e a esperança de quem tem apenas 12 anos.

Keren Dunway-González, hondurenha, aproveitou a plateia internacional para garantir que os seropositivos também têm sonhos, mas que estes só poderão ser cumpridos de uma maneira: “Que nos dêem medicamentos, nos aceitem nas instituições educativas e nos dêem a oportunidade de crescer num ambiente sem violência, sem estigma, nem discriminação.”

Numa conferência que procurou recuperar o centro das atenções para a doença, a precisar seriamente de novos impulsos financeiros, para evitar uma certa estagnação nas investigações científicas à procura de uma cura (poucos países estão perto de alcançar o objectivo do milénio para deter a pandemia), a ONU e a Organização Mundial de Saúde aproveitaram para valorizar o papel dos activistas na divulgação da mensagem: 45% dos novos infectados em 2007 têm entre 15 e 24 anos.

Por isso, Keren pediu, no México, que os mais jovens sejam englobados no debate: “Necessitamos de ter informação sobre a nossa sexualidade, queremos participar e ser escutados.”

Keren é uma das mais pequenas activistas do mundo. Filha de activistas seropositivos que fundaram nas Honduras o grupo Llaves (chaves) de consciencialização para a sida e que edita uma revista com o mesmo nome. A jovem, que sabe desde os cinco anos que é portadora do vírus (“é como uma pequena bola com pequenos pontos e está dentro de mim”), depois de os pais lhe terem explicado através de desenhos, tem a seu cargo a edição da versão para crianças da referida publicação, Llavecitas, desde 2007.

O testemunho de Keren Dunway–González figura entre os de vários adolescentes e crianças latino-americanos afectados que fazem parte do livro Ynisiquieralloraré (“E nem sequer chorarei”), publicado pela Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com VIH/sida (ICW nas suas siglas em inglês) e a UNICEF.

Ao contrário da maioria dos seropositivos nas Honduras, onde a discriminação e o silêncio imperam, Keren conseguiu, através do seu trabalho (já contou a sua vida em seis países) e da sua atitude firme, tornar-se uma celebridade entre os seus colegas de escola. Agora quer o que todas as adolescentes querem – sonhar. Está a ter aulas de canto e de arte dramática porque pretende ser actriz e cantora quando for grande.

“Há três anos, estava tão doente que nem a podíamos carregar de tão magra. Disse-lhe: ‘A quem é que queres culpar de estar no hospital com tantos tubos?’ Tive medo quando me disse que sim, que queria culpar alguém. Mas deu-me uma lição de amor ao dizer-me: ‘Deito as culpas ao vírus’”, disse a mãe numa entrevista à AFP.

Xiomara Castro de Zelaya, primeira dama das Honduras, rendeu a sua homenagem a Keren Dunaway numa reunião com outras esposas de presidentes da América Latina e das Caraíbas e especialistas em sida: “Esta menina adolescente, que o VIH transformou em adulta antes de tempo, tem sido para mim exemplo e inspiração, uma líder, a maior das líderes que conheci.”

(Diário fr Notícias – 17.08.2008)





S. Tomé e Príncipe faz levantamento inédito de Aids e sífilis

21 08 2008

As autoridades sanitárias são-tomenses realizam um levantamento sobre a incidência da Aids e da sífilis em São Tomé e Príncipe, com duração de quatro meses e buscando informações junto a todos os hospitais e centros de saúde do país.

Nazaré Bandeira, enfermeira responsável pelo levantamento no Centro Materno Infantil de São Tomé, fez à Agência Lusa um balanço positivo da primeira semana de trabalho.

“A título de exemplo, fizemos 65 amostras de sangue numa semana. As análises foram feitas no centro hospitalar de São Tomé. Três resultaram positivos, dois com sífilis e um com Aids”, relatou.

“Primeiro conversamos com as pessoas e depois procedemos à colheita de sangue para testes”, emendou. Ela destacou também que, em relação aos militares, esses “constituem um grupo de risco porque ficam no quartel durante semanas e, quando têm folga, há grandes probabilidades de terem relações ocasionais”.

As informações coletadas durante esse período vão permitir que as autoridades sanitárias façam um balanço da Aids e da sífilis em São Tome e Príncipe. Mulheres grávidas, prostitutas e militares são os grupos alvo desse estudo.

O primeiro estudo do gênero foi realizado no país em 1999, mas essa é a primeira vez que também vão pesquisar em relação à sífilis. Os testes são voluntários e anônimos.

Num universo de mais de 160 mil habitantes, indicadores oficiais ainda não atualizados estimam que 1,5% da população são-tomense está infectada com o vírus HIV. Apesar de ser uma das mais baixas de África, a situação não deixa de preocupar as autoridades e as organizações não-governamentais.

Margarida das Neves, 30 anos, descobriu que é soropositiva em agosto de 2005 e contou à Lusa como foi infectada.

“Fui internada muito doente no hospital central. Estava grávida. O médico fez o teste e o resultado deu positivo. Minha primeira reação foi de choque. Nunca tive outro parceiro. A irmã mais nova do meu marido é que lhe comunicou a minha doença. Não o informei pessoalmente, porque tive receio que ele reagisse mal. Ele próprio confessou depois que teria contraído o vírus em Angola, país onde permaneceu durante dois anos. Os familiares dele sabem que tenho Aids”.

Guida, como é conhecida, disse que ainda não contou à família que tem Aids, com medo de ser rejeitada.

“Mesmo no bairro onde vivo ninguém sabe”, afirmou, adiantando que os três filhos não estão infectados. “Levo uma vida normal como outra pessoa qualquer. Comecei a tomar um anti-retroviral em junho e sinto-me bem de saúde”, disse.

O Centro Nacional de Endemias, que promove formação sobre “Prevenção Saudável” organizado pelo Programa Nacional de Luta Contra a Aids, tem Margarida como uma das beneficiárias.

Dados oficiais mostram que atualmente existem 328 pessoas soropositivas sendo acompanhadas, 98 em tratamento anti-retroviral e 50 mulheres no programa de corte vertical. Estima-se haver cerca de três mil soropositivos em São Tomé e Príncipe.

O primeiro caso de infecção com o vírus HIV foi detectado em 1989, tendo o primeiro doente com Aids no arquipélago surgido quatro anos depois.

O uso do preservativo é o principal conselho dos serviços sanitários às populações, principalmente entre os jovens. Entre janeiro e junho passado, a organização não-governamental Alisei distribuiu quase 600 mil unidades de preservativos nos 376 postos de distribuição espalhados pelo arquipélago, principalmente em restaurantes e discotecas.

(Lusa – 15.08.2008)





UNAIDS DIVULGA DOCUMENTO POCISIONANDO-SE CONTRA CRIMINALIZAÇÃO DE PESSOAS INFECTADAS. LEIS QUE CONDENAM SOROPOSITIVOS CRESCEM AO REDOR DO MUNDO

21 08 2008

O tema causou bastante polêmica durante a Conferência na cidade do México. Ao redor do mundo, muitos países tem adotados severas e equivocadas leis para criminalizar pessoas que vivem com o vírus. O fato fez com que o UNAIDS divulgasse um documento posicionando-se contra tais atitudes. A reportagem foi publicada no Aids Portugal.

A crescente tendência internacional para a criminalização da transmissão e exposição ao HIV foi documentada durante uma sessão realizada na XVII Conferência Internacional de, onde se salientou não só a “criminalização dissimulada” que grassa na Europa e Ásia Central, mas também a rápida proliferação de “leis ineficazes” na África Ocidental e Central. O UNAIDS ( Programa Conjunto das Nações Unidas pra combater o HIV/Aids) mostrou-se, alarmado com estes desenvolvimentos, publicando esta semana um novo documento sugerindo com veemência que os governos revoguem as leis que atualmente criminalizam a transmissão ou exposição ao HIV, excetuando-se a transmissão intencional. Tendo sido o assunto de cinco sessões principais, durante quatro dias, e de pelo menos 20 posters e apresentações orais, a criminalização da transmissão e exposição ao HIV foi um dos tópicos mais recorrentes da agenda da XVII Conferência Internacional. Contudo, foi demonstrado durante a conferência que as leis que incentivam a persecução da transmissão ou exposição ao HIV – seja por via sexual, partilha de seringas ou mãe-filho (vertical) – estão sendo consideradas por vários países a nível mundial, não obstante a inexistência de evidências que estas leis mudem comportamentos e que pelo contrário, existe uma evidência cada vez maior que inadvertidamente aumentem a epidemia.

MODELO LEGAL AFRICANO : CONFUSO E PROBLEMÁTICO

Numa sessão intitulada “Transmitir ou não transmitir: será esta realmente a questão? – Criminalização da Transmissão do HIV”, tomou-se conhecimento que, desde 2005, a África Ocidental e Central testemunhou uma explosão de leis nacionais específicas para a exposição e transmissão do HIV, que ameaçam ser uma das regiões do mundo com mais legislação para o HIV.Até agora, Benim, Guiné, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Togo e a Serra Leoa aprovaram sucessivamente leis e mais países africanos estão propondo leis semelhantes, incluindo Angola, Republica Democrática do Congo, Malawi, Madagáscar, Tanzânia e Uganda.A maioria destas leis baseia-se no Modelo Legal Africano, criado em Setembro de 2004, durante um workshop da Action for West Africa Region – HIV/AIDS (AWARE – HIV/AIDS) em N’djamena, no Chade.Richard Pearshouse da Canadian HIV/AIDS Legal Network salientou que a AWARE – HIV/AIDS recebeu fundos da USAID e foi implementada pela Family Health International com fundos adicionais de organizações sedeadas nos EUA, incluindo a Population Service International e a Constella Futures Group. Sugeriu ainda aos delegados da conferência que de forma educada, dessem a conhecer a estas organizações como se sentem dirigindo-se aos seus stands, no átrio da conferência. O modelo legal aparece dissimulado sob a legislação dos direitos humanos, com o fim de “proteger as pessoas que são infectadas e expostas ao HIV”. Pearshouse realçou ainda, que este modelo legal tem alguns preceitos positivos, incluindo a garantia de um aconselhamento pré e pós teste, o direito aos serviços de saúde e sigilo médico, bem como a proteção da discriminação na prestação cuidados de saúde, bens ou serviços.

No entanto, Pearshouse acrescentou que o modelo legal tem uma série de pontos problemáticos, tais como o requisito que alguém recentemente diagnosticado com o vírus tenha de revelar o seu estatuto ao “cônjuge ou ao parceiro sexual regular” logo que possível, sendo o período máximo de seis semanas depois do diagnóstico. Outro ponto problemático é a obrigatoriedade do teste durante o período pré-natal, depois de uma violação, para “resolver um conflito matrimonial” e, ainda mais preocupante, a ofensa, extremamente vaga, de “transmissão propositada”, definida como transmissão do HIV “através de qualquer meio de uma pessoa com conhecimento prévio do seu estatuto sorológico para o vírus a outra pessoa”, incluindo via sexual, partilha de seringas e transmissão mãe-filho.

O palestrante argumentou que a frase “através de qualquer meio” é imprecisa e pode acabar por incriminar todos os indivíduos soropositivos, mesmo os que praticam sexo seguro, independentemente de revelarem o seu estatuto sorológico e do risco atual de transmissão.Criminalizar a transmissão mãe-filho é especialmente problemática, afirmou Pearshouse. O documento do UNAIDS sobre a transmissão do HIV lançado esta semana, afirma que se trata de um procedimento inapropriado porque:

todos têm o direito a ter um filho, incluindo as mulheres que vivem com o vírus;

quando a mulher grávida é aconselhada sobre os benefícios da terapêutica anti-retroviral, concorda frequentemente com a realização de um teste e a receber tratamento;

nos casos raros em que as mulheres grávidas se mostram relutantes em fazer o teste ou a terapêutica para o HIV, isso deve-se frequentemente ao receio que o seu estatuto de soropositividade seja conhecido e que tenham de enfrentar violência, discriminação ou abandono;

forçar as mulheres a fazer tratamento anti-retroviral com o objetivo de evitar uma acusação criminal de transmissão mãe-filho viola ética e legalmente o requisito de que todos os procedimentos médicos sejam realizados com consentimento informado;

frequentemente, as mães soropositivas não tem alternativas mais seguras à amamentação, pois não possuem substitutos do leite materno ou água potável para preparar os leites artificiais. Será que as mulheres necessitam realmente destas leis?

Estas novas leis vieram disfarçadas de leis protetoras das mulheres – que têm poucos direitos legais ou humanos em várias nações africanas – afirmou Michaela Clayton da AIDS & Rights Alliance for Southern Africa (ARASA), mas “é isto que as mulheres desejam?”, perguntou.

Clayton afirmou ainda que 61% das pessoas infectadas na África subsahariana são mulheres e que estas são frequentemente as primeiras a saber o seu estatuto sorológico para o HIV, devido à testagem pré-natal.As mulheres, acrescentou, são muitas vezes culpadas de “trazer o HIV para casa” e consequentemente têm receio de revelar o seu estatuto de soropositividade aos companheiros, devido ao medo de violência física ou expulsão.

Para, além disso, devido a desequilíbrios de poder dentro das relações, as mulheres não podem praticar sexo seguro, pois o preservativo é um método de prevenção controlado pelo homem.

Com estas leis, segundo Clayton, é muito provável que tantomulheres como homens sejam presos e julgados e que as mulheres se sintam desencorajadas a recorrer a serviços de testagem do HIV, que têm como objetivo prevenir a transmissão mãe-filho.

“A criminalização é uma má política pública”, concluiu o palestrante.

“As jurisdições não deviam adotar políticas de criminalização e as que já o fizeram deviam inverter o caminho.

O PROCESSO DE CRIMINALIZAÇÃO NA EUROPA E ÁSIA CENTRAL

A mesma conclusão foi focada de forma ainda mais evidente pelo ativista soropositivo Julian Hows, que apresentou os resultados de um levantamento feito pelo Global Network of People Living with HIV/AIDS (GNP+) e pela Terrence Higgins Trust (THT), sobre as leis de criminalização da transmissão e exposição ao HIV em 53 países na Europa e Ásia central.Um levantamento rápido feito em 2004, Na Suíça, a declaração da Comissão Federal de AIDS, em relação à pouca infecciosidade dos indivíduos em tratamento, pode significar uma reviravolta depois de se terem dado 10 julgamentos e 8 condenações nos últimos 4 anos. Contudo, no último mês a mais alta instância jurídica Suíça declarou que todas as pessoas com HIV podem ser acusadas de transmissão, mesmo que não tenham sido testadas.

Na Holanda, não houve julgamentos ou condenações desde 2005 devido a duas decisões do Supremo Tribunal Holandês em 2005 e 2007, depois de uma intensa discussão entre legisladores, juristas e organizações da sociedade civil.Contudo, houve um julgamento por transmissão de HIV intencional através de uma seringa com sangue infectado.

No Reino Unido, as novas linhas orientadoras da Crown Prosecution Service clarificaram algumas incertezas que pairavam sobre os julgamentos de transmissão do HIV, e dado o grande nível de evidências necessário, parece que a criminalização será cada vez mais rara – de fato as últimas três tentativas para julgar por transmissão de HIV em Inglaterra e no País de Gales falharam.E, apesar de não ter havido alterações na lei, a Rede Ucraniana de Pessoas que Vivem com HIV/Aids tem sido bem sucedida em demonstrar a pouca viabilidade dos testes filogenéticos, evitando assim vários julgamentos.

Hows conclui que “existe um processo lento de aumento da criminalização em vários países que está a ser estudado”, e “que se têm vindo a introduzir novas leis ou leis cada vez mais punitivas sem se ter em consideração as evidências.Acrescentou ainda que “os esforços dos ativistas – para descriminalizar onde é possível, mitigar onde não o é, e assegurar que este tipo de leis não são introduzidas onde ainda não existem – notam-se sobretudo pela ausência.”

UNAIDS ARGUMENTA QUE SOMENTE TRANSMISSÃO INTENCIONAL DEVE SER CRIMINALIZADA

Numa tentativa de conter a tendência crescente de criminalização da transmissão ou exposição ao HIV, a UNAIDS publicou esta semana um documento que censura fortemente todas as acusações de transmissão ou exposição ao HIV, com a exceção dos “casos de transmissão intencional, isto é, quando uma pessoa sabe o seu estatuto sorológico para o VIH e atua com a intenção de transmitir o VIH, e acaba por transmitir de fato”.

O documento declara que “não existem dados que demonstrem que a aplicação generalizada da lei criminal à transmissão do HIV sirva para se fazer justiça ou para prevenir a transmissão. Pelo contrário, este tipo de aplicação da lei arrisca minar a saúde pública e os direitos humanos.” Argumenta-se, ainda, que se devem explorar alternativas às sanções criminais: “Em vez de aplicar a lei à transmissão do HIV, os governos deviam expandir programas que tenham provado reduzir a transmissão do HIV, protegendo, ao mesmo tempo, os direitos humanos das pessoas que vivem com HIV e daquelas que são Soronegativas para o HIV”. Além disso, o UNAIDS sugere que os governos “reforcem as leis contra a violação (dentro e fora do casamento), e outras formas de violência contra mulheres e crianças, melhorando também a eficácia dos sistemas de justiça nas investigações de ofensas sexuais a mulheres e a crianças, bem como o aumento do apoio à equidade e independência financeira das mulheres, através de legislação concreta, programas e serviços. Estes são os meios mais eficazes para proteger mulheres e crianças da infecção pelo HIV aos quais se deve dar prioridade.”

O documento conclui com diversas recomendações importantes, incluindo as seguintes:

Os governos devem reger-se pelas convenções internacionais de direitos humanos iguais e inalienáveis, incluindo as que se referem à saúde, educação e proteção social de todas as pessoas, inclusive das que vivem com HIV.

Os governos devem revogar leis criminais específicas para o HIV, leis que obriguem à revelação do estatuto sorológico, e outras leis que sejam contraproducentes para a prevenção do HIV, tratamento, cuidado e esforços de apoio, ou que violem os direitos humanos das pessoas que vivem, com HIV ou outros grupos vulneráveis.

As leis gerais devem aplicar-se exclusivamente à transmissão intencional e os governos devem auditar a sua aplicação, para assegurar que não são usadas de forma inapropriada no contexto da infecção pelo HIV.

Os governos devem reencaminhar as reformas legislativas e o fortalecimento da lei de forma a abordar, por um lado, a violência sexual e outras forma de violência contra mulheres e, por outro lado, a discriminação e violação de outros direitos humanos das pessoas que vivem com HIV ou que estão em risco de exposição a este.

Deve ser alargado o acesso a programas de prevenção do HIV eficazes (incluindo a prevenção positiva) e o aconselhamento e despistagem voluntários para casais deve ser promovido, bem como a revelação voluntária do estatuto sorológico e notificação ética dos parceiros.
(AIDS PORTUGAL – 17.08.2008)





Fiocruz testa remédio que pode prevenir contaminação por HIV

21 08 2008

RIO - A Fundação Oswaldo Cruz iniciou o cadastramento de 200 voluntários homossexuais que irão participar de uma pesquisa mundial para determinar se o medicamento comercializado com o nome de Truvada, já utilizado no coquetel antiaids, pode também prevenir a contaminação pelo HIV.

Um estudo publicado em 2006 demonstrou que a droga teve 97% de eficácia para prevenir a infecção pelo HIV em macacos. O Truvada é um medicamento já aprovado pelo Foods and Drugs Administration (FDA, órgão que controla medicamentos nos EUA) que combina em comprimido o tenofovir e a emtricitabina. É usado em vários países, inclusive no Brasil, no tratamento de HIV/Aids.

“Há outros modelos de estudos em andamento, mas essa droga é a que se mostrou mais promissora”, disse o infectologista do Instituto de Pesquisas Clínicas e coordenador do estudo na Fiocruz, Jorge Eurico Ribeiro.

O estudo global está sendo conduzido pela Universidade de São Francisco e é patrocinado pelo National Health Institute, o ministério da saúde norte-americano, e pela Fundação Bill Gates. Reúne 3.000 voluntários de seis países, que serão acompanhados por um ano e meio.

O Truvada foi escolhido por ser um medicamento seguro, com poucos efeitos colaterais e já foi utilizado por cerca de 150 mil pessoas. O comprimido será tomado um vez ao dia por metade dos voluntários. A outra metade irá tomar placebo.

“Se o número de infecções for menos no grupo que recebeu o Truvada, isso pode indicar que ele é eficaz na prevenção da contaminação. Se o índice de novas infecções for baixo em ambos os grupos, teremos conseguido uma forma de aconselhamento que efetivamente reduziu o risco HIV”, explicou Ribeiro, ressaltando que a equipe da Fiocruz está efetivamente comprometida em diminuir os índices de infecção.

Durante as 72 semanas da pesquisa, os voluntários serão examinados e farão exames mensalmente, além de responderem a um questionário anônimo sobre o seu comportamento sexual no período. Ribeiro enfatizou que o grupo receberá camisinhas e orientações de como evitar a contaminação.

“Vamos acompanhar um grupo de alto risco e cruzaremos as informações que eles nos darão com os exames para chegar ao resultado”, explicou Ribeiro. Os voluntários têm de ser homens que façam sexo com homens, tenham no mínimo 18 anos e sejam HIV negativo, saudáveis e sexualmente ativos.

O fabricante do Truvada, o laboratório Gilead Sciences está fornecendo os comprimidos para o estudo, mas não participou do desenho, implementação ou aplicação do estudo, informou Ribeiro. “O estudo está totalmente de acordo com padrões éticos e foi aprovada pela Fiocruz e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) do Ministério da Saúde”, disse ele.

(Estado de São Paulo – 18.08.2008)





SOMÁLIA: Combater a SIDA numa zona de guerra

21 08 2008

NAIRÓBI, 19 Agosto 2008 (PlusNews) – Agências de ajuda humanitária a trabalhar num clima de alta insegurança na Somália têm sido forçadas a encontrar maneiras inovadoras para manter vivos os seus programas de HIV e o seu pessoal, depois dos recentes sequestros de vários trabalhadores estrangeiros e nacionais.

“A situação de segurança deteriorou-se, e há um acesso muito limitado das Nações Unidas e agências parceiras para garantir assistência humanitária,” disse Ulrike Gilbert, um especialista em HIV do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na Somália, a principal beneficiária dos fundos de HIV para a Somália do Fundo Global de Luta contra a SIDA, Malária e Tuberculose.

“Tivemos que construir a capacidade de nossos parceiros locais – ONGs locais que trabalham no campo e vivem nas comunidades em zonas inseguras – porque mesmo o nosso pessoal somali agora não têm acesso a muitas zonas.”

A prevalência de HIV na Somália é baixa – pouco menos de um por cento – mas o conhecimento sobre a pandemia e acesso aos serviços de HIV é também baixo. Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA (ONUSIDA), somente cinco por cento da população foi testada ao HIV, e somente quatro por cento de jovens mulheres entre 15 e 24 anos possuem conhecimento claro sobre o vírus.

O UNICEF e os seus parceiros lançaram vários programas de HIV, incluindo um programas de educação de pares entre mulheres, encorajando líderes religiosos a discutir a doença mais abertamente, e oferecendo aconselhamento e testagem voluntária e terapia antiretroviral (ARV) em seis locais em todo o país.

“Algumas destas organizações estão a fazer um trabalho formidável, continuando a fornecer consciencialização e outros serviços no meio de tiroteio e insegurança”, disse Gilbert.

Um desses grupos é a Coalition of Grassroots Women’s Organization (COGWO), uma agência que trabalha em cinco zonas do centro-sul da Somália, onde a luta entre forças somalis, apoiadas pela Etiópia, e rebeldes forçou mais de um milhão de pessoas a abandonarem as suas casas, e resultou na morte de cerca de 6.500 civis desde 2007.

“Estamos a gerir o programa de HIV/SIDA de mulher para mulher usando 24 facilitadores unidades para sensibilizar as mulheres sobre o HIV,” disse uma porta-voz da COGWO, que pediu anonimato. “Temos reuniões onde as mulheres falam de assuntos relacionados à SIDA, aconselhamos pessoas vivendo com o HIV, referimos pessoas aos centros de aconselhamento e testagem voluntária (VCT, em inglês) e vamos de casa em casa para educar.”

Voando de baixo do radar

Todas estas actividades envolvem interacção com as pessoas nas suas comunidades. “É perigoso; nós temos que nos manter em muito sigilo para evitar sermos ameaçados pelas milícias,”, disse ela. “Nós não vamos para a linha da frente: a zona onde o Governo Federal de Transição, as tropas etíopes e os rebeldes estão a lutar.”

“Também tomamos cuidado sobre o horário em que desenvolvemos nossas actividades,” disse ela. “ De manhã, antes do khat [um estimulante suave muito usado no Chifre da África] chegar ao mercado, as milícias estão alerta e podem pertubar o nosso pessoal sobre o que estamos a fazer, e se têm autorização para fazê-lo. Mas nas tardes, quando muitos deles já foram para mastigar o khat, podemos movimentar-nos mais livremente.”

Para evitar uma possível perseguição, o pessoal da COGWO não menciona a componente HIV no seu trabalho e simplesmente dizem às milícias que estão a promover encontros para mulheres.

A porta-voz disse que é possível continuar a educar as pessoas, mas que a contínua insegurança pode ser tanto perigosa quanto disruptiva para esta actividade. “Um recente tiroteio em Beletweyne (330 km a norte da capital, Mogadishu), provocou o deslocamento de alguns dos nossos facilitadores e outros educadores, e o seu trabalho teve que parar.”

Levar as pessoas doentes para o hospital é também extremamente difícil. O único lugar no centro-sul da Somália com serviços de VCT e tratamento ARV é Merka, a 100 km a sul de Mogadishu, disse um funcionário da COGWO. “A estrada entre Merka e Mogadishu não é segura”, disse.

(PlusNews – 19.08.2008)





Associação ILGA Portugal lança campanha “Pensa Duas Vezes”

21 08 2008

A Associação ILGA Portugal lançou uma campanha que se debruça sobre quatro pensamentos e crenças específicos que muitos homens têm, antes e durante as relações sexuais com outros homens, e que os podem colocar em risco de transmitir ou contrair o VIH/SIDA.

Os mitos focados pela associação nesta campanha são:

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1. os homens seropositivos dizem sempre aos seus parceiros sexuais que são seropositivos;

2. numa relação, os homens são sempre honestos com o parceiro quando têm sexo desprotegido com terceiros;

3. não é necessário usar preservativo numa relação afectiva estável;

4. os homens seropositivos têm características físicas ou comportamentos que os distinguem dos seronegativos

Trata-se da primeira de duas colecções de postais dirigidos a homens que têm sexo com homens no âmbito de projecto com o apoio financeiro da Coordenação para Infecção VIH/SIDA (CNIVS) – Alto Comissariado da Saúde (www.sida.pt).Esta campanha resulta da tradução e adaptação da colecção de postais “Think Again”, originalmente concebida pela Terrence Higgins Trust (www.tht.org.uk).

Saiba mais em: www.ilga-portugal.pt/glbt/saude20080723.htm.

Associação ILGA Portugal lança campanha


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(Portugal Gay – 18.08.2008)





CABO VERDE: HIV em horário nobre

21 08 2008

JOHANNESBURG, 18 Agosto 2008 (PlusNews) – A auxiliar administrativa Elisângela Carine Semedo, 24 anos, quase não acreditou quando viu seu amigo na televisão.

Moradores do Conselho de Santa Cruz, ela e seu amigo Daniel Delgado, 42 anos, sempre fazem juntos o trajecto até Praia, capital de Cabo Verde.

Ela mal tinha se recuperado da surpresa quando se deu conta de que se tratava do programa Geração Saudável, que aborda temas voltados ao HIV/SIDA. E Delgado estava lá para contar como era sua vida como seropositivo.

“Todos os dias vemos informação sobre a SIDA mas sempre reagimos com ´Não é verdade, não existe, não acontece comigo´”, diz. “Mas aí vejo o amigo com quem vou para o trabalho todos os dias na televisão falando que tem o HIV. Foi surpreendente.”

É esse tipo de reacção que o Geração Saudável, no ar desde Junho, pretende causar: surpresa, curiosidade e vontade de entender como as informações sobre o HIV se aplicam à vida pessoal.

Por causa disso, a tónica do programa é promover a interacção com o espectador. Mais do que ensinar, a idéia é que o público participe com dúvidas, perguntas e opiniões, que são gravadas nas ruas de Cabo Verde.

“Já ouvimos perguntas como ´O vírus é transmitido por picada de mosquito?´ ou ´Dá para ser infectado por sexo oral?´”, conta José Carlos Semedo, editor e apresentador do programa. “No começo as pessoas ficam tímidas, mas se descontraem logo.”

As perguntas são depois levadas para os especialistas – médicos e psicólogos –, que as respondem no ar. Com dez minutos de duração, o Geração Saudável é transmitido em rede nacional às terças-feiras às 20h45, com reposição aos sábados.

O programa é resultado de uma parceria entre o Comité de Coordenação do Combate à SIDA (CCSSida) e a Televisão de Cabo Verde.

Regras de trânsito

José António dos Reis, secretário executivo do CCSSida, diz ter ficado surpreso com as dúvidas do público.

“As perguntas feitas mostram que as pessoas têm informação sobre HIV”, afirma. “O problema é que muita gente ainda continua com comportamentos de risco. Queremos provocar uma mudança de comportamento.”

''Os condutores sabem as regras de trânsito, mas às vezes atravessam o farol vermelho ou ultrapassam o limite de velocidade. Nesses casos, dá para pagar uma multa ou cumprir pena. Com o HIV não tem volta.''

Reis faz uma analogia com os motoristas no trânsito.

“Os condutores sabem as regras de trânsito, mas às vezes atravessam o farol vermelho ou ultrapassam o limite de velocidade”, compara. “Só que nesses casos dá para pagar uma multa ou cumprir pena. Com o HIV não tem volta.”

Apesar de 80 por cento das infecções em Cabo Verde terem acontecido por vias sexuais e de a maioria das perguntas serem relacionadas a sexo, a pauta também inclui temas como uso de drogas injectáveis, transfusões de sangue e amamentação.

Cabo Verde, um arquipélago de dez ilhas na costa do Senegal, tem uma seroprevalência de 0,8 por cento numa população de 500 mil habitantes.

Para Reis, uma das metas do programa é, com a participação de seropositivos, mostrar que todos estão vulneráveis e que, portanto, todo apoio é necessário.

“Queremos mostrar que o HIV, assim como o diabetes ou problemas cardíacos, pode acontecer com qualquer um”, explica.

Delgado, fundador da Associação Esperança, voltada para seropositivos, foi o primeiro a aparecer no Geração Saudável. Apesar de ser uma figura pública e falar sem medo de sua condição, ele confessa não ter dormido na véspera do programa.

“Mas depois que apareci, as pessoas me param na rua para elogiar ou fazer perguntas. Elas se sentem mais confortáveis e falam mais abertamente.”

A repercussão do Geração Saudável já se faz notar através de comentários nas ruas, cartas com sugestões – tudo ainda lento, mas Reis não tem pressa: “As mudanças de comportamento não se dão de forma rápida, nem as pessoais nem as sociais.”

A boa repercussão também já trouxe uma novidade ao programa: a partir de Setembro, além dos episódios semanais, o programa terá uma versão mensal de uma hora, transmitida ao vivo.

Nessas ocasiões, os espectadores poderão fazer perguntas – ao vivo, por e-mails ou cartas – e participarão de sorteios de prémios. Os programas mensais também terão espaço para celebridades e entrevistas.

“Leva tempo para estruturar e organizar as mudanças de comportamento, mas acho que com o programa estamos a construir uma sociedade mais solidária”, diz Reis.

(PlusNe





Sida: Algumas pessoas têm defesas naturais contra a doença, apesar de terem o vírus – estudo

21 08 2008

Washington, 18 Ago (Lusa) – Algumas pessoas têm defesas naturais contra a Sida e não sofrem as suas consequências, apesar de terem no seu corpo o vírus que causa a doença, revela um estudo divulgado pela revista Journal of Virology.

Segundo peritos da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, nos Estados Unidos, existem provas conclusivas de que estas pessoas demonstram baixos níveis do vírus no sangue e nunca desenvolvem a Sida devido ao fortalecimento do sistema imunitário.

Os cientistas citaram o caso de um casal afro-americano de Baltimore, em que a mulher recebeu a infecção do seu marido através de relações sexuais, há mais de dez anos.

Ao contrário do seu marido, a mulher não teve sintomas e não recebeu qualquer tratamento para impedir o aparecimento da doença.

O marido, que contraiu o vírus através do consumo de drogas por via intravenosa, terá de se submeter a uma potente combinação de medicamentos para evitar o seu aparecimento.

De acordo com os investigadores, o caso coloca em evidência a teoria de que as pessoas contraem a forma “debilitada” do vírus, que é facilmente controlada pelo seu sistema imunológico.

O estudo lança a esperança da criação de uma vacina, uma vez que se confirma que as células T, que são o baluarte do sistema de defesa do corpo humano, podem evitar o avanço da doença.

Os linfócitos T ou células T pertencem a um grupo de células brancas do sangue que actua sobre a imunidade.

Caso se possam conhecer os meios a partir dos quais estes glóbulos brancos controlam o vírus, então será possível reprogramar outras células para atacar o vírus HIV, sustenta o estudo.

(Visão Online – 18.08.2008)





Preservativos femininos gratuitos nos centros de saúde e hospitais

21 08 2008

As mulheres portuguesas vão ter acesso a preservativos femininos gratuitos nos hospitais e centros de saúde. De acordo com Beatriz Casais, membro da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida , “está a decorrer um concurso até Outubro para que o preservativo feminino possa integrar as compras do Estado”.

O número de preservativos a fornecer às diversas unidades depende “dos pedidos feitos por cada Administração Regional de Saúde”, refere Jorge Branco, presidente da Comissão Nacional da Saúde Materna e Neonatal. O prazo de apresentação das propostas por parte dos fornecedores termina em meados de Outubro, esperando-se “que os preservativos já estejam a ser distribuídos em 2009″, acrescenta.

O preservativo feminino não teve sucesso quando foi comercializado em Portugal, não só por ser mais difícil de colocar, e implicar prática, mas também devido ao seu custo elevado. Com este concurso, “pretende–se que os preservativos possam ser distribuídos em grandes quantidades nos hospitais e centros de saúde, tal como acontece com os preservativos masculinos”, diz Beatriz Casais. Até 2003/2004 eram comercializadas “duas marcas nas farmácias, mas este negócio não se revelou rentável”. Também Jorge Branco refere que esta sempre foi uma técnica pouco utilizada e impopular, aplicada em algumas situações especiais e restritas”.

A coordenação nacional, segundo Beatriz Casais, distribuiu este ano 50 mil preservativos femininos “nas ruas, sobretudo para proteger as mulheres que se prostituem. Mas agora queremos alargar a distribuição a todas”. Para que seja reintroduzido no País este método anticoncepcional e de protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST), a coordenação vai desenvolver uma campanha para as mulheres.

“Em Dezembro vamos promover o uso do preservativo feminino e voltar a recolocá-lo no mercado. A existência em exclusivo de preservativos masculinos torna a mulher mais vulnerável, porque é ao homem que cabe geralmente adquiri-los. Assim, a mulher torna-se independente e determina o seu uso”, frisa Beatriz Casais.

Um dos objectivos da coordenação é promover junto do sector privado a atractividade do produto. “Nós garantimos a sua divulgação e as empresas tratam da sua introdução no mercado”. Tal como aconteceu com os preservativos masculinos, em que o retalho baixou os preços de acordo com uma política de responsabilidade social, é possível que sejam negociadas medidas semelhantes. “As empresas deviam baixar os preços e fazer campanhas a promover o uso destes produtos”. Os métodos de protecção contra as DST são de fácil acesso e gratuitos no Serviço Nacional de Saúde, uma das razões que pode estar a reduzir as vendas.

(Diário Notícias – 19.08.2008)





Os portugueses compram cada vez menos preservativos. Este facto preocupa as associações e os organismos que se dedicam à prevenção da Sida em Portugal, que é o País com a segunda taxa mais alta de incidência da doença na Europa. De acordo com dados da consultora IMS Health, citados pela agência Lusa, a compra de preservativos não tem parado de diminuir desde 2004, ano em que se venderam 853 992 embalagens, mais 116 207 do que em 2007. Em 2007, as vendas mensais não foram além das 61 mil embalagens, quando em média eram comercializadas mais de 71 mil caixas de preservativos por mês. A mesma tendência decrescente foi confirmada no primeiro semestre de 2008, pois em média venderam-se 56 mil pacotes por mês, menos cinco mil do que em 2007. Em declarações à Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica diz não acreditar que tenha havido uma diminuição do número de relações sexuais que justifique a quebra na venda de preservativos. O responsável considera que «as pessoas confiam demasiadamente e não têm comportamentos de acordo com a informação de que dispõem». Já a presidente da Associação Abraço culpa a fraca aposta na prevenção, sobretudo em campanhas direccionadas aos jovens heterossexuais, ao ponto dos mesmos «ainda acharem que a Sida se previne com a pílula». Margarida Martins acrescenta, também em declarações à Lusa, que «quando devia aumentar o uso de preservativos, a sua utilização está a cair. As pessoas acham que a Sida estabilizou em Portugal, mas não sabem que o País tem a segunda pior taxa de incidência da Europa, a seguir à Ucrânia».

21 08 2008

TZANEEN, 20 Agosto 2008 (PlusNews) – Quando Steve Matlhabela, 16 anos, deixou casa numa fria manhã de Junho para visitar alguns parentes num vilarejo não muito longe do seu, nas colinas da cidade de Tzaneen, na província sul-africana de Limpopo, ele não pensava que só voltaria para casa um mês depois.

No vilarejo de seus parentes, Steve encontrou um menino que já conhecia, que o convidou para ir assistir um filme. Steve concordou, e eles andaram um bocado antes de chegar a um acampamento remoto, onde logo ficou claro que não haveria filme algum.

“No começo eu não tive medo, porque havia muitos meninos lá”, disse Steve, “mas eles me disseram para tirar a roupa”. Suas roupas foram levadas à sua mãe pelo mesmo menino que o tinha levado até o acampamento. “Seu filho foi para a iniciação”, ele disse a ela.

O primo de Steve, Thabang, que vive com eles desde que sua mãe morreu de uma doença relacionada a SIDA em Fevereiro, também estava na “escola” de iniciação. A família foi avisada de que a taxa para os dois seria de R1.420 (US$ 192), uma quantia significativa já que a única renda da família são duas bolsas de apoio à infância, num total de R420 (US$ 57) por mês.

“Nós achamos que não podíamos fazer nada”, disse a avó de Steve, Rosinah Matlhabela. Ir à polícia não era possível, disse ela, porque a escola era dirigida por um capitão da polícia. Eles acabaram por pegar um empréstimo para pagar as taxas.

Steve foi circuncidado por um médico tradicional logo após ter chegado na escola. Nenhuma anestesia foi dada, porque suportar a dor do corte é considerado vital para tornar-se um homem. Foi usada uma lâmina descartável, mas não foi feito curativo; a única protecção contra uma infecção foi o uso de um remédio tradicional.

Mais de um mês depois da circuncisão, Steve disse que a ferida ainda doía mas que não iria ao médico. “Eles me disseram que se fosse ao médico, não seria um homem de verdade.”

Circuncisão tradicional ignorada

Desde que três estudos randomizados conduzidos em 2005 e 2006 mostraram que a circuncisão poderia reduzir em até 60 por cento o risco de infecção pelo HIV nos homens, organizações não-governamentais internacionais, doadores e até alguns governos africanos têm canalizado recursos para criar uma demanda para a circuncisão masculina e aumentar a capacidade dos hospitais e clínicas para atendê-la.

Enquanto isso, alguns especialistas da saúde pública reclamaram que há pouco interesse e poucos recursos dirigidos para tornar a circuncisão tradicional mais segura.

Limpopo tem, desde 1996, uma lei que regulamenta a conduta das mais de 200 escolas de iniciação na província, mas os tabus culturais que impedem os iniciados de falarem de suas experiências e o envolvimento de oficiais locais na direcção das escolas tem tornado difícil fazer com que esta lei seja respeitada.

Em 2007, cinco meninos morreram enquanto frequentavam as escolas de iniciação da província, e o mesmo número morreu durante a sessão de iniciação deste ano, de Junho a Julho.

Segundo algumas fontes consultadas pelo PlusNews, é comum que meninos muito mais jovens que Steve sejam enganados ou coagidos a ir para a escola, sem o conhecimento ou a permissão de um adulto responsável.

“Os que frequentam a escola este ano vão trazer os outros no ano que vem, porque a escola lhes promete dinheiro”, disse Eddy Hlongwini, director de uma associação local de médicos tradicionais. “Eles dizem que o lugar é legal, que a comida é boa, e uma vez que eles estão lá, não têm como escapar.”

''Os que frequentam a escola este ano vão trazer outros no ano que vem, porque a escola lhes promete dinheiro.''

Khosi Vusani Netshimbupfe, director de um grupo de escolas de iniciação supervisionado pela Casa dos Líderes Tradicionais, explicou que segundo a lei, os meninos devem ser maiores de 12 anos e ter a permissão dos pais para frequentar as escolas. Um profissional médico também deve certificar que eles estão aptos a submeter-se ao procedimento e a passar um mês num acampamento remoto nas montanhas no meio do inverno, usando nada mais que um cobertor.

Alguns meninos entram nas escolas sem respeitar nenhum destes critérios, admitiu Netshimbupfe. “Se eles forem pegos antes de verem o que acontece lá, eles podem ser mandados de volta. Mas o problema é se eles já entraram e viram alguma coisa; segundo o costume, se você viu o segredo, não podes mais voltar atrás.”

Quando Promise Mhangwana, 9 anos, fugiu da casa de sua avó para ir atrás de seu tio de 12 anos numa escola de iniciação, ninguém o impediu de entrar no acampamento. Quando ele voltou para casa, estava a andar com dificuldade, mas recusou-se a contar para sua avó que tinha sido circuncidado. Ele acabou deixando que um enfermeiro de uma clínica local cuidasse da ferida infeccionada.

“Nós recebemos esse tipo de criança todo inverno”, disse o enfermeiro, que preferiu o anonimato. “Só agora existem oito meninos a vir fazer curativos, mas a maioria deles não deixa uma mulher ver esta região, então quando eles chegam em casa eles não contam o problema a suas mães.”


Photo: MujahidSafodien/IRIN
Em 2007, 243 escolas de iniciação foram registadas e 32.300 meninos foram iniciados

Os regulamentos estipulam que as escolas de iniciação não devem cobrar mais do que R350 (US$ 48), mas algumas escolas cobram mais do que o dobro desta quantia. As famílias estão cada vez mais a preferir mandar seus filhos aos hospitais para ser circuncidados, pela consideravelmente inferior taxa de R150 (US$ 21), mas isto não impede que os meninos sejam ridicularizados por seus colegas.

“Eles riem deles, ignoram-nos, principalmente na época da iniciação”, disse o enfermeiro. “Meu sobrinho costumava ir ficar na cidade com minha irmã para evitar esta situação, mas este ano ele foi [à escola]; ele disse que estava cansado de esconder-se.”

Morris* mandou seus três filhos ao hospital para serem circuncidados. “Eu não queria que eles fossem para a montanha, não é seguro”, disse ele. Ele queria proteger principalmente seu filho mais novo, Lucky*, de 15 anos, que sofre de asma.

Mas Lucky foi enganado por alguns meninos que prometeram levá-lo a uma festa com muita comida e bebida, e foi levado até uma escola. Morris teve que reunir R650 (US$ 89) com os parentes para pagar a taxa da escola e seu filho voltou doente. “Estava frio, e ele não pode ficar no frio”, disse ele.

Falta de supervisão

A polícia local hesita em envolver-se no que descreve como uma “questão de tradição”. “Vocês devem falar com os chefes”, disse o comissário de polícia Ngoveni Khazamula. “Isto não é um problema para a polícia.”

Cirurgiões tradicionais têm a obrigação de ser registados junto ao departamento da saúde após ter recebido formação, mas licenças para que as escolas de iniciação possam operar legalmente são concedidas pelos chefes locais.

Alguns chefes “consideram isto como um negócio”, disse um líder local, que não quis ser citado. “Eu digo às pessoas para não irem às escolas de iniciação; eu acho que é uma perda de tempo. Em nossa tradição há coisas boas e coisas ruins, e a minha tarefa é descartar as coisas ruins.”

O médico tradicional local Eddy Hlongwini disse ter uma licença e médicos registados não garantia que as escolas priorizassem a segurança dos iniciados. “Alguns são registados mas eu acho que isto não significa nada; no ano passado houve muitos acidentes”, disse ele. “Uma vez que eles têm a licença, eles podem dirigir seis escolas por ano, o que significa que eles não podem cuidar de todos os meninos.”

Netshimbupfe admitiu, “Acontece, sim, que algumas pessoas que dirigem estas escolas a considerem como um esquema para ganhar dinheiro”, mas discordou da idéia de que o desmantelamento das escolas de iniciação ilegais fosse uma questão só para os chefes locais. “Se alguém infringe uma lei, esta pessoa pode ser multada num tribunal”, notou ele.

Khazamula disse que sua secção não tinha recebido nenhuma queixa envolvendo as escolas de iniciação, mas uma das famílias entrevistadas pelo PlusNews disse que tinha pedido à polícia para ajudá-los a tirar seu filho de uma escola.

“Nós telefonamos para a polícia para pedir-lhes para ajudar-nos a tirá-lo da montanha, mas eles disseram que tinham medo de ir até lá”, disse a avó do menino.

*nomes fictícios

(PlusNews – 20.08.2008)





Portugueses compram cada vez menos preservativos

21 08 2008

Os portugueses compram cada vez menos preservativos. Este facto preocupa as associações e os organismos que se dedicam à prevenção da Sida em Portugal, que é o País com a segunda taxa mais alta de incidência da doença na Europa. De acordo com dados da consultora IMS Health, citados pela agência Lusa, a compra de preservativos não tem parado de diminuir desde 2004, ano em que se venderam 853 992 embalagens, mais 116 207 do que em 2007.

Em 2007, as vendas mensais não foram além das 61 mil embalagens, quando em média eram comercializadas mais de 71 mil caixas de preservativos por mês. A mesma tendência decrescente foi confirmada no primeiro semestre de 2008, pois em média venderam-se 56 mil pacotes por mês, menos cinco mil do que em 2007.

Em declarações à Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica diz não acreditar que tenha havido uma diminuição do número de relações sexuais que justifique a quebra na venda de preservativos. O responsável considera que «as pessoas confiam demasiadamente e não têm comportamentos de acordo com a informação de que dispõem».

Já a presidente da Associação Abraço culpa a fraca aposta na prevenção, sobretudo em campanhas direccionadas aos jovens heterossexuais, ao ponto dos mesmos «ainda acharem que a Sida se previne com a pílula». Margarida Martins acrescenta, também em declarações à Lusa, que «quando devia aumentar o uso de preservativos, a sua utilização está a cair. As pessoas acham que a Sida estabilizou em Portugal, mas não sabem que o País tem a segunda pior taxa de incidência da Europa, a seguir à Ucrânia».

(TVI – 18.08.2008)





Angola. Clínica de testagem voluntária para prevenir o VIH/Sida

21 08 2008

O município de Cacuso, a 85 quilómetros da cidade de Malanje, vai ganhar, no final deste mês, uma clínica de testagem voluntária de VIH/Sida.
O objectivo em vista é permitir aos munícipes buscar conselhos úteis sobre os cuidados a terem com a doença e a saber o seu estado imunológico.
A informação foi avançada pelo supervisor provincial de luta contra a Sida em Malanje, Júlio Borges, que mostrou estar preocupado com o elevado número de casos de Sida que continua a se verificar naquela circunscrição, principalmente no seio da camada jovem.
A subida dos números, segundo Júlio Borges, deve-se ao facto de Malanje ser um ponto de trânsito para as regiões Sul e Leste do país.
Ao nível dos 14 municípios que circunscrevem a província de Malanje, apontou a localidade de Cacuso como sendo uma área que mais preocupa as autoridades de saúde na região.
Deste modo, a Direcção da Saúde, em parceria com o Instituto de Luta contra a Sida, estão a desenvolver mecanismos para que até final do mês de Agosto as instalações da referida clínica possam ser inauguradas.
Numa primeira fase, a clínica de aconselhamento e testagem voluntária vai ser assegurada por quatro técnicos de saúde formados em matéria relacionada com a doença.
Em várias localidades do país, o Governo angolano, através do Instituto Nacional de Luta contra a Sida, tem incentivado a criação de centros de testagem voluntária de VIH/Sida, visando aumentar os cuidados a ter com a doença no seio da população, bem como levá-los a conhecer o seu estado sereológico.
As autoridades de Cacuso estão igualmente preocupadas com a propagação do VIH naquela localidade habitada por cerca de 90 mil pessoas.

(Jornal de Angola – 21.08.2008)