Números da sida nos EUA superiores ao esperado

3 08 2008

Há afinal mais seropositivos nos EUA do que se pensava, segundo um estudo ontem citado pelo diário The New York Times. O estudo foi apresentado na Cidade do México, onde decorre, a partir de hoje, a conferência mundial anual sobre a sida, e baseia-se no uso de um novo teste laboratorial para medir a incidência anual de novas infecções pelo vírus da sida. Com este novo método, o número é 40 por cento maior do que se pensava até agora.
Segundo a autoridade responsável, o Center for Disease Control and Prevention (CDC), em 2006, 56.300 pessoas foram infectadas com o HIV – a agência afirmava até agora que a incidência anual da doença era de 40 mil infecções.
Este número foi de 130.000 no pico das infecções, em 1985, desceu para 49.000 nos anos 1990, e subiu para os 58.000 em 1998, antes desta última estabilização.
O epidemiologista Philip Alcabes afirmou num comunicado entretanto divulgado que estes dados mostram que o CDC fez mal as contas durante cerca de 15 anos. “Assim, há mais cerca de 225 mil pessoas a viver com o HIV nos Estados Unidos do que o que se suspeitava anteriormente. A estimativa anterior era de 1 milhão a 1,1 milhões.”
Alguns responsáveis, diz o New York Times, negavam que o número representasse necessariamente um aumento no número de infecções. Estes responsáveis defendem que o novo número reflecte sim uma melhor capacidade de medir a escala da epidemia.
Outro diário, o Washington Post sustentava, por seu lado, que a incidência de novas infecções tinha aumentado, mas contrapunha que, ainda assim, os esforços de prevenção parecem estar a ter algum efeito. “Mais de 95 por cento das pessoas seropositivas não estão a transmitir o vírus a outra pessoa num dado ano”, notou em declarações ao jornal David R. Holtgrave, um especialista em prevenção da sida na Universidade Johns Hopkins.
“O que isso nos diz é que a taxa de transmissão se tem mantido muito baixa graças a esforços de prevenção.”
Prolongamento da vida
Mesmo que o número de norte-americanos seropositivos tenha aumentado em mais de 250 mil pessoas desde 1998 – na maioria, o resultado do prolongamento da vida conseguido pelos medicamentos antiretrovirais -, o número de novos casos diminuiu ligeiramente durante esse período. Isso sugere que a probabilidade de uma pessoa transmitir o vírus a outra é agora mais baixa do que era há uma década.
O Center for Disease Control and Prevention gasta cerca de 750 milhões de dólares (482 mil euros) por ano em prevenção do HIV. Este esforço de prevenção inclui mensagens de saúde pública para grupos em mais alto risco, a promoção de testes do HIV generalizados, e tratamento médico rápido para as pessoas que tiveram um diagnóstico recente, que na maioria dos casos baixa a carga viral.

40% – Os novos números dizem que a incidência anual de novas infecções nos EUA é 40% superior ao que se pensava

(Público – 03.08.2008)





A China desperta

3 08 2008

Ninguém sabe quantos seropositivos há na China. Oficialmente, serão 700 mil. Oficiosamente, entre três a quatro vezes mais, segundo diferentes associações. A sida está em plena progressão e não toca apenas as camadas “de risco”. Estatísticas do Ministério da Saúde mostram que relações heterossexuais são agora o principal modo de transmissão.
A sida apareceu nos anos 1980 na China, mas foi escondida durante muito tempo, classificada como “doença estrangeira”. Uma muito pequena parte da população foi sensibilizada para o problema.
Nas empresas, ser seropositivo suscita o ostracismo e muitas vezes mesmo o despedimento. Na fronteira, um formulário de saúde pede aos estrangeiros que digam se são portadores do vírus – uma resposta positiva implica a proibição de entrada no território. Pode medir-se a falta de conhecimento da opinião pública lendo as brochuras distribuídas pelo Governo: apertar a mão ou ir à piscina com um seropositivo não é arriscado.
Desde há alguns anos, a sida é reconhecida como tal e combatida pelas autoridades. No fim do ano passado, pôde ver-se na televisão o Presidente, Hu Jintao, a apertar a mão a um seropositvo. Isto pode parecer normal no Ocidente. Mas, na China, reconhecer e afirmar publicamente que há uma epidemia em massa é um grande salto em frente.

(Exclusivo PÚBLICO/Libération – 03.08.2008)





EM ANONIMATO, PESSSOAS COM HIV CHEGAM AO MÉXICO PARA A XVII CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE AIDS

3 08 2008

Muitos dos milhares de pessoas com HIV/Aids que chegam ao México para assistir à XVII Conferência Internacional sobre AIDS preferem se manter em anonimato, temerosos das conseqüências nos seus respectivos países se forem identificados como pacientes com HIV/Aids.

“Dos que vieram, uma grande parte disse em seus trabalhos ou a suas famílias, que sairiam de férias, eles têm medo de dizer que participam da conferência sobre a Aids”, comentou à AFP (Agência Mundial de Informação), Manuel da Quinta, um português que vive com HIV há 13 anos e trabalhar na seção de imprensa da ONUSIDA em Genebra.

Enquanto Manuel anda de um lado para o outro para atender a repórteres, fotógrafos e câmeras durante uma reunião de pessoas com HIV/Aids, realizada na quinta-feira, como prévia a XVII Conferência Internacional sobre Aids, que começa hoje, outros evitavam a imprensa.

Anastacia, uma russa de 32 anos de idade que contraiu o vírus em 1997, concorda em dar entrevistas aos meios de comunicação e tirar fotografias, mas pede que estas não sejam divulgadas em Moscou.

“Eu contraí o HIV em relação sexual desprotegida. Eu estava apaixonada e não me importei de não usar preservativo. Me infectei com o primeiro paciente de Aids em Vladivostok, um soldado que tinha estado na África”, disse Anastacia, que também é funcionária de uma Agência da ONU.

Manuel da Quinta é o responsável por consultar os participantes da Conferência de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, realizada à portas fechadas, se estes concordam em aparecer para o público.

“No meu caso, não sofri discriminação. Na Europa é diferente, há muita informação, são muitos anos de luta. Na América Latina ainda é muito difícil, pela cultura, pela Igreja Católica. Aqui tudo é motivo para vergonha, vergonha de ser gay, vergonha de ser prostituta, vergonha ter Aids”, explicou ele.

O “horror”, diz Manuel, se vive na África, onde as mulheres, principais vítimas da pandemia, seguem amamentando a seus filhos no peito, apesar de serem portadores do vírus, por receio de serem descobertas e expulsas de suas aldeias.

Agostinho Doklad, presidente de uma rede de pessoas com HIV/Aids de Toga, país Africano, afirmou que “Em nossa nação, portadores do vírus já foram às ruas para protestar, exigir medicamentos, mas a nossa divulgação é feitas de boca em boca, não temos acesso a rádio ou a televisão”, disse.

Javier Gonzalez, um mexicano de 50 anos, que há três foi diagnosticadas com o HIV, reconhece que inicialmente foi muito duro, “minha vida foi destruída”. Ele contou ainda que passou por um duplo desafio: contar a sua família que era bissexual e que tinha Aids.

“Minha família me apóia, meus dois filhos. Uma clínica pública da Cidade do México me dá o anti-retroviral e os cuidados médicos. Mas há dois ou três médicos que nos tratam com certo desprezo, não querem nem nos tocar e isso sendo médicos que trabalham em uma clínica de pacientes com Aids”, relatou Javier.

Cuidados médicos por parte do Estado não é tudo, resumiu este homem ao explicar que enviou cartas a inúmeras instituições públicas da Cidade do México em busca de um emprego de meio período – levando em conta suas constantes recaídas devido à baixa imunidade – ou de uma assistência financeira que lhe permita sobreviver.

Peter Piot, diretor executivo da UNAIDS e subsecretário das Nações Unidas, durante a conferência, disse que “Muitos pacientes podem ter livre acesso aos anti-retrovirais, mas eles não têm dinheiro para comer ou para tomar um ônibus até uma clínica”.

Para os países latino-americanos, Piot recomendou coordenar esforços entre as instituições de saúde pública, de desenvolvimento social e de emprego, a fim de que, além de cuidados médicos, pacientes com HIV/Aids contem com programas de emprego que lhes permitam sobreviver.

Cerca de 2.500 portadores de HIV/Aids irão participar da XVII Conferência Internacional sobre AIDS, que começa no domingo, 3 de agosto. No total serão aproximadamente 22.000 participantes.

Fonte: México – AFP

Tradução: Valéria Polizzi

(Agência de Notícias da AIDS – 02.08.2008)





As Olimpíadas na busca da paridade perfeita entre homens e mulheres

3 08 2008

PARIS (AFP) — Ausentes em 1896 das primeiras Olimpíadas renovadas, realizadas em Atenas, as mulheres deverão representar em 2004, 104 anos depois e novamente na capital da Grécia, cerca de 40% dos 10.500 atletas participantes das Olimpíadas, mas ainda há delegações sem qualquer representante feminina.

Segundo as estimativas, seis seleções deverão contar apenas com atletas masculinos, em função de um fenômeno de exclusão por motivos culturais ou religiosos ainda não erradicado, mesmo se se possa observar uma certa redução desse aspecto.

Há duas décadas, o Comitê Olímpico Internacional (COI) se esforçou para promover a paridade, aumentando o número de competições femininas no programa olímpico.

Em 1991, o COI decidiu que qualquer novo esporte inscrito deveria prever competições femininas. Em Sydney, as mulheres concorreram em 132 das 301 competições, e em 25 dos 28 esportes.

A Carta Olímpica estipula que “qualquer forma de discriminação contra um país ou uma pessoa, seja por motivos raciais, religiosos, políticos, de sexo ou outros é incompatível com o movimento olímpico.

O Comitê Atlanta-Sydney-Atenas se apóia neste princípio fundamental para pedir que as delegações que excluem qualquer presença feminina sejam proibidas de participar das Olimpíadas.

“Tudo começou em 1992, quando a África do Sul foi autorizada a voltar ao grupo das nações olímpicas. Toda a imprensa elogiou então a presença de atletas negros na delegação sul-africana, esquecendo que um total de 35 delegações não incluíam mulheres”, lembrou Linda Weil-Curiel, uma das fundadoras deste Comitê.

“Acredito que é preciso lutar para defender seus valores. Se alguns não quiseram aderir a estes valores, ninguém os obriga a participar das Olimpíadas. O COI tem o dever de fazer com que sua própria Carta Olímpica seja aplicada”, frisou Weil-Curiel.

Na opinião dela, “os pretextos culturais ou religiosos” que incitam o COI a manter uma certa reserva diplomática, “não são recebíveis”.

Presidenta da Comissão Mulher e Esporte do COI, instaurada em 2004, a americana Anita Defrantz reafirmou que o movimento olímpico também tinha o mesmo objetivo – “100% de delegações igualmente divididas entre homens e mulheres” – mas contava mais com a persuasão do que com a repressão.

“São as próprias Olimpíadas e os meios de comunicação que contribuirão a alcançar este objetivo”, explicou. “A imprensa de alguns países fala quase tanto das atletas femininas quanto de seus colegas masculinos. Tudo dependerá do que vai acontecer durante estas duas semanas” em Atenas.

(AFP – 03.08.2008)





Cronologia dos principais acontecimentos envolvendo o vírus da aids

3 08 2008

México, 2 ago (EFE).- Em junho de 1981, cientistas dos Estados Unidos identificaram os primeiros casos da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (aids).

Desde então, a epidemia se propagou por todo o mundo sem que se tenha descoberto um remédio que a cure.

Seguem os principais acontecimentos envolvendo o vírus da aids:

1981.- São identificados primeiros casos de deficiências do sistema imunológico associados a um mesmo agente, ainda desconhecido.

1982.- É definida pela primeira vez a síndrome da imunodeficiência adquirida, e anunciadas as formas de transmissão: por via sanguínea, materno-infantil e relações sexuais.

1983.- O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é identificado como agente causal da aids

1985.- O alcance da epidemia é evidenciado. Em cada região do mundo há notificação de pelo menos um caso de aids.

A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos EUA autoriza a primeira prova de anticorpos contra o HIV e dá a início a uma detecção sistemática do vírus nas doações de sangue.

O ator americano Rock Hudson é o primeiro famoso a revelar que tem aids, falecendo poucos meses depois por decorrência da doença.

1987.- A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece o Programa Especial sobre Aids, mais tarde chamado Programa Mundial de Aids.

Nos EUA é autorizado o uso da azidotimidina (AZT), naquele que é considerado o primeiro tratamento contra a doença.

1988.- Em Londres, ministros da Saúde de todo o mundo se reúnem pela primeira vez para analisar a epidemia de aids.

É celebrado também pela primeira vez, em 1º de dezembro, o Dia Mundial de Luta contra a Aids.

1990.- Pesquisadores americanos anunciam um teste capaz de detectar o vírus em seu início.

A mulher é a grande protagonista do Dia Mundial de Luta contra a Aids, diante do avanço do HIV entre pessoas de sexo feminino.

Morre de complicações decorrentes da aids o cantor e compositor Cazuza.

1991.- Os EUA reconhecem oficialmente o francês Luc Montagnier como o descobridor oficial do vírus que causa a aids.

É testado o segundo medicamento anti-retroviral: didanosida (DDI).

Morre de complicações decorrentes da aids o cantor de rock britânico Freddie Mercury.

1993.- É criada a Fundação Mundial de Investigação e Prevenção da Aids e se avalia positivamente a aplicação de tratamentos combinados.

1994.- Cientistas desenvolvem o primeiro plano terapêutico para reduzir a transmissão materno-infantil do HIV.

1995.- No Leste Europeu, é detectado um surto de HIV entre consumidores de drogas injetáveis.

1996.- É criado o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre Aids (Unaids).

Pela primeira vez são apresentadas provas da eficácia do tratamento anti-retroviral.

1997.- O Brasil é o primeiro país em desenvolvimento a facilitar tratamento com anti-retrovirais no sistema de saúde público.

1999.- Cientistas americanos anunciam o descobrimento da forma como o vírus invade as células para multiplicar-se no organismo.

2000.- O Conselho de Segurança (CS) da ONU aprova resolução na qual assinala que a doença representa uma ameaça para a paz.

2001.- O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, propõe a criação de um fundo mundial de combate à aids, com contribuições de países, empresas e organizações.

Grandes farmacêuticas decidem diminuir os preços dos remédios contra a aids e promover entregas gratuitas desses medicamentos a países pobres.

2002.- Autoridades sanitárias da China admitem crescimento vertiginoso do número de infectados pelo HIV no país.

2003.- O Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) acerta permissão para acesso de países pobres a remédios genéricos.

Fracassa primeiro teste em grande escala de vacina contra a aids.

2004.- O Brasil acerta com uma série de laboratórios produtores de medicamentos a redução dos preços dos anti-retrovirais.

Farmacêuticas que desenvolvem tratamentos anti-retrovirais apóiam, em conferência em Bangcoc, a política de ajuda para países menos desenvolvidos, mediante redução dos preços dos fármacos.

2005.- Cientistas alemães desenvolvem um novo remédio contra a aids. Não cura a doença, mas impede a propagação do vírus.

2006.- Uma equipe internacional de cientistas confirma que o HIV teve origem em chimpanzés que vivem na África Central, segundo a revista “Science”.

2007.- Estudos realizados na África descobrem que a circuncisão masculina pode reduzir em até 60% a possibilidade de contágio por via sexual.

Cientistas de EUA, Reino Unido e Dinamarca revelam que o HIV viajou da África ao Haiti e daí se estendeu ao resto do mundo.

2008.- A Câmara de Representantes (Baixa) dos EUA destina US$ 41 bilhões à luta mundial contra a aids.
(EFE – 02.08.2008 )