Há afinal mais seropositivos nos EUA do que se pensava, segundo um estudo ontem citado pelo diário The New York Times. O estudo foi apresentado na Cidade do México, onde decorre, a partir de hoje, a conferência mundial anual sobre a sida, e baseia-se no uso de um novo teste laboratorial para medir a incidência anual de novas infecções pelo vírus da sida. Com este novo método, o número é 40 por cento maior do que se pensava até agora.
Segundo a autoridade responsável, o Center for Disease Control and Prevention (CDC), em 2006, 56.300 pessoas foram infectadas com o HIV – a agência afirmava até agora que a incidência anual da doença era de 40 mil infecções.
Este número foi de 130.000 no pico das infecções, em 1985, desceu para 49.000 nos anos 1990, e subiu para os 58.000 em 1998, antes desta última estabilização.
O epidemiologista Philip Alcabes afirmou num comunicado entretanto divulgado que estes dados mostram que o CDC fez mal as contas durante cerca de 15 anos. “Assim, há mais cerca de 225 mil pessoas a viver com o HIV nos Estados Unidos do que o que se suspeitava anteriormente. A estimativa anterior era de 1 milhão a 1,1 milhões.”
Alguns responsáveis, diz o New York Times, negavam que o número representasse necessariamente um aumento no número de infecções. Estes responsáveis defendem que o novo número reflecte sim uma melhor capacidade de medir a escala da epidemia.
Outro diário, o Washington Post sustentava, por seu lado, que a incidência de novas infecções tinha aumentado, mas contrapunha que, ainda assim, os esforços de prevenção parecem estar a ter algum efeito. “Mais de 95 por cento das pessoas seropositivas não estão a transmitir o vírus a outra pessoa num dado ano”, notou em declarações ao jornal David R. Holtgrave, um especialista em prevenção da sida na Universidade Johns Hopkins.
“O que isso nos diz é que a taxa de transmissão se tem mantido muito baixa graças a esforços de prevenção.”
Prolongamento da vida
Mesmo que o número de norte-americanos seropositivos tenha aumentado em mais de 250 mil pessoas desde 1998 – na maioria, o resultado do prolongamento da vida conseguido pelos medicamentos antiretrovirais -, o número de novos casos diminuiu ligeiramente durante esse período. Isso sugere que a probabilidade de uma pessoa transmitir o vírus a outra é agora mais baixa do que era há uma década.
O Center for Disease Control and Prevention gasta cerca de 750 milhões de dólares (482 mil euros) por ano em prevenção do HIV. Este esforço de prevenção inclui mensagens de saúde pública para grupos em mais alto risco, a promoção de testes do HIV generalizados, e tratamento médico rápido para as pessoas que tiveram um diagnóstico recente, que na maioria dos casos baixa a carga viral.
40% – Os novos números dizem que a incidência anual de novas infecções nos EUA é 40% superior ao que se pensava
(Público – 03.08.2008)

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