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25 07 2008





QUÉNIA: Nada substitui o apoio quando se toma ARVs

25 07 2008

MERU, 25 Julho 2008 (PlusNews) – “Nós [pessoas vivendo com HIV] devemos alimentar-nos bem, evitar o estresse – não é bom para você – e, se puder, por favor, se afaste de qualquer coisa que o aborreça e vá assistir Vitimbi [uma novela popular] ou cantar sua música favorita… Seja feliz e optimista.”

Essa é parte da mensagem que Dorothy Kendi* dá à sua “classe” de seropositivos no hospital do distrito de Meru, no leste do Quénia. Seus alunos ouvem-na avidamente, interrompendo-a de vez em quando com questões sobre dieta, adesão ao tratamento antiretroviral (ARV), entre outros assuntos relacionados ao modo de vida.

Kendi vive com o vírus há 23 anos, durante os quais acumulou um valioso conhecimento. Ela também se tornou parte fundamental do Zingatia Maisha (ZM) (Foco na vida, em Swahili), um projecto que teve início em 2006 e teve apoio do importante grupo farmacêutico GlaxoSmithKline através da Elizabeth Glaser Paediatric AIDS Foundation (EGPAF), assim como da African Medical and Research Foundation e do Ministério da Saúde, entre outros.

O projecto habilita comunidades a participar do programa de tratamento e cuidados com o HIV, e foca em encorajar as pessoas que vivem com HIV/SIDA a ter um papel mais activo na resposta ao HIV.

“Zingatia Maisha veio para ajudar aqueles dentre nós que estão infectados. Aqueles em tratamento ARV foram treinados para seguir à risca as prescrições do medicamento, e aprendemos sobre hábitos adequados de nutrição e como viver de maneira positiva”, disse.

Rogers Simiyu, director do programa para a EGPAF, afirmou: “O número de pessoas com resultados positivos estava sobrecarregando os estabelecimentos e profissionais de saúde, então decidimos ir à comunidade buscar apoio para os programas.”

Ele acrescentou que o projecto foi particularmente útil no aspecto de adesão, porque apesar de muito esforço ter sido empregado para aumentar o número de pessoas a receber ARVs, não foi feito o suficiente para mantê-las no tratamento.

“Indivíduos seropositivos normalmente visitam a clínica uma vez por mês, mas vivem na comunidade pelos outros 29 dias. É importante para elas que haja sistemas de apoio nas suas redes sociais”, afirmou.

Rede de segurança

A iniciativa do ZM promove grupos de apoio a crianças, jovens e adultos. Líderes de grupo auxiliam no encaminhamento de clientes e rastreamento de interrupções no tratamento ARV, enquanto os membros jovens e adultos seropositivos reúnem-se em pares como “companheiros de tratamento”, para checar o estado de saúde e bem-estar geral do outro. Os grupos realizam actividades de geração de renda para melhorar o bem-estar sócio-económico dos membros.

''Indivíduos seropositivos normalmente visitam a clínica uma vez por mês, mas vivem na comunidade nos outros 29 dias. É importante que haja sistemas de apoio nas suas redes sociais.''

Kendi, líder de um grupo de apoio Mwiteria de Meru, está entre os diversos voluntários que treinam visitantes para o abrangente centro de tratamento do hospital. Por exemplo, toda segunda-feira pela manhã, quando crianças infectadas se reúnem com seus pais ou responsáveis no seu dia na clínica, ela discute a adesão ao ARV, apoio pediátrico psicossocial e estigma.

“Utilizar pessoas seropositivas para passar essas mensagens é realmente proveitoso – eu já ouvi muitas vezes eles dizerem que eles sabem onde o sapato aperta”, comentou Simiyu, da EGPAF. “Eles entendem exactamente o que as pessoas estão passando e podem lidar com eles de igual para igual.”

Ele afirmou que os grupos de apoio proporcionaram uma “rede de segurança” crucial para as pessoas recentemente diagnosticadas seropositivas, porque a discriminação ainda é alta no Quénia e os grupos agiram como uma boa proteção contra a atitude negativa da sociedade.

“Nas nossas palestras no centro e em campanhas na comunidade, nós também enfatizamos a importância de formar ou fortalecer grupos de apoio [de HIV/SIDA], de revelar sua condição, de mudança de comportamento, alimentação saudável, e discutimos infecções oportunistas”, disse Zablon Kithinji*, representante do grupo de apoio Kagendo, de Meru.

Profissionais de saúde locais afirmaram que o projecto ZM e seu envolvimento com a comunidade tiveram um impacto significativo no tratamento e apoio a pessoas vivendo com HIV na região.

“O sistema de grupos de apoio encorajou as pessoas a discutir livremente a SIDA, há uma grande disseminação de conhecimento no nível comunitário e, o que é interessante, mais pessoas estão dispostas a saber seu estado [de HIV]”, disse James Gitonga, oficial de saúde pública de Meru.

Simiyu afirmou que o hospital de Meru observou que o tempo de consulta diminuiu porque muitos pacientes vinham ao centro já providos do conhecimento adquirido com as campanhas comunitárias realizadas pelos grupos de apoio.

O Quénia já perdeu mais de três mil enfermeiros nos últimos cinco anos, a maioria para empregos na Europa e nos Estados Unidos. Com o objectivo de sustentar os programas de HIV, pessoas leigas estão cada vez mais a envolver-se nos aspectos menos técnicos do tratamento.

(PlusNews – 25.07.2008 )





MINISTROS DA AMÉRICA LATINA E CARIBE DISCUTIRÃO SOBRE HIV/AIDS NO MÉXICO PARA TRAÇAR POLÍTICAS DE CONTENÇÃO DA PANDEMIA ENTRE JOVENS

25 07 2008

Esta reunião “visa estabelecer compromissos sobre a prevenção do HIV entre crianças, adolescentes e jovens” através de uma “educação sexual abrangente e da promoção da saúde sexual”, disse Mauricio Hernandez, secretário adjunto da Saúde do México.

Até agora, está confirmada a presença de ministros, vice-ministros e executivos de 30 países da região. Apenas a República Dominicana, Trinidad e Tobago e as Bahamas ainda não confirmaram sua presença.

Na reunião – anterior ao Congresso Mundial de Aids, que será realizado de 3 a 8 de agosto na Cidade do México – será assinada uma declaração conjunta para firmar compromissos que garantam que os jovens tenham acesso à informação e serviços de saúde na área de sexualidade.

Os principais compromissos assumidos na declaração a ser discutidos incluem a redução, até 2015, em 50% no número de jovens que não têm acesso à saúde sexual e reprodutiva e reduzir em 75% a deficiência das escolas públicas latino americanas que não oferecem educação sexual.

Apesar da declaração “ter sido bem recebida” pelos países participantes que já discutem o projeto, Hernandez admitiu que “alguns países da América Central” exigiram que na declaração esteja estipulado que a educação sexual para menores deve ter a autorização dos pais.

De acordo com estatísticas da Secretaria de Saúde do México, em 2003, na América Latina e Caribe hvia cerca de 560.000 jovens de 14 a 24 anos, portadoras do vírus HIV-SIDA e cerca de 50% das novas infecções ocorrem nessa faixa etária.

Fonte: El Universal, Venezuela
Tradução: Valéria Polizzi

(Agência de Notícias da AIDS – 24.07.2008 )





França/HIV: Seropositivos em tratamento não podem dispensar preservativo, diz estudo

25 07 2008

Paris, 24/07 – Um estudo australiano contestou um relatório suíço segundo o qual uma pessoa contaminada com o vírus do HIV em tratamento anti-retroviral poderia dispensar o uso de preservativo na relação sexual, afirmando que sem protecção os riscos de contaminação são quatro vezes maiores.

Este novo estudo, que será publicado sexta-feira na revista britânica The Lancet, foi realizado por uma equipa conduzida pelo doutor David Wilson, da Universidade de New South Wales (Sydney), que utilizou um modelo matemático para calcular os riscos.

O relatório da Comissão suíça da SIDA dizia que se o vírus da doença não aparecesse no exame de sangue durante seis meses e se o paciente seropositivo não apresentasse nenhuma outra infecção sexualmente transmissível, um casal “serodiferente” (com um membro seropositivo e outro seronegativo) poderia renunciar ao uso da camisinha.

No entanto, para a equipa de David Wilson, apesar de o risco de transmissão do vírus ser baixo neste caso, não é igual a zero, porque o vírus nunca desaparece totalmente.

O estudo determinou que a probabilidade acumulada, com uma média de 100 relações sexuais por ano sem protecção, era de 0,22% por ano para as transmissões de mulher para homem, 0,43% para as transmissões de homem para a mulher, e 4,3% para as transmissões de homem para homem. Em dez anos e numa população de 10 mil casais “sorodiferentes”, 215 homens e 425 mulheres seriam infectados após uma relação heterossexual e 3.524 homens após relações homossexuais. O que corresponde, segundo a Lancet, a riscos quatro vezes maiores sem a protecção.

Num comentário, a Lancet destacou que para os suíços “existe um piso”, abaixo do qual uma quantidade ínfima de vírus não pode provocar infecção, enquanto que para os pesquisadores australianos o risco só diminui progressivamente, sem a existência de um piso.

Diante de uma incerteza como esta, é mais prudente combinar o tratamento com o uso de preservativos, indicou a revista.

(AngolaPress – 24.07.2008 )





A SITUAÇÃO DA AIDS NO MÉXICO

25 07 2008

Algumas fundações, como a FONSIDA, procuram atender ao restante da população não segurada, entretanto não conseguem dar conta de toda a demanda. E as regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos são as mais afetadas pela escassez de tratamento adequado.

A falta de informação e o preconceito são outros fatores que atrapalham muito a situação do HIV/Aids no páis. As pessoas ainda associam a doença com a morte. Em minhas palestras os jovens se surpreendiam com meu bom e estável estado de saúde, uma vez que já tenho o vírus há 20 anos. E o fato da Aids estar sendo tratada no Brasil como uma doença crônica lhes parecia inacessível.

O México não teve uma referência forte de pessoa pública portadora do vírus que servisse de referência nacional desmistificando a questão no país. Eles não tiveram como nós, um Betinho, um Cazuza ou uma Sandra Bréa, que os ajudasse a assimilar a doença em sua própria cultura. E, quando essa “imagem real” de um portador é ausente, a doença acaba se tornando muito pior no imaginário da população.

A cultura mexicana, bastante conservadora e machista, além de extremamente religiosa, também acaba reforçando muitos preconceitos em relação aos portadores. Os ativistas mexicanos que conheci reclamam da falta de informação, da carência de políticas públicas mais eficientes e, principalmente, da não-aceitação dos homossexuais por parte da população em geral. Eles relatam ainda que muitos trabalhadores são despedidos de seus empregos quando a empresa descobre que são soropositivos. Por lei as empresas são proibidas de pedir exame de HIV, entretanto, como explicam os ativistas, elas solicitam um exame de sangue para outro fim, como antidoping por exemplo, e fazem o de HIV. E os funcionários demitidos não recorrem aos seus direitos na justiça para não se exporem.

De acordo com dados da Conasida de 2007, das 112 mil notificações de pessoas infectadas no México 81,5% são homens e 16% mulheres, (numa proporção de cinco para um) e 2,4% são menores de 15 anos. A pandemia se concentra nos grupos que mantém práticas de risco: em homens que fazem sexo com homens, em profissionais do sexo e usuários de drogas injetáveis. A via de transmissão sexual é responsável por 94,9% das contaminações. E a prevalência de HIV na população adulta é de 0.3%, o que significa que três, de cada mil pessoas adultas, poderiam ser portadoras do vírus.

A Aids, lá, como nos outros países de língua espanhola e portuguesa é denominada Sida. Aliás, nada mais lógico e correto, uma vez que essa é a sigla correta para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. E o HIV, como VIH — Vírus da Imunodeficiência Humana.

Esperamos que esse congresso mundial, pela primeira vez sediado na América Latina, venha trazer a todos nós um grande benefício. Sabemos que a situação da Aids entre os latinos americanos deixa muita a desejar. E nós brasileiros, que nos destacamos nessa área com um dos melhores programas de tratamento do mundo, temos muito que ensinar e obviamente também o que aprender.

A todos que vão uma boa viagem, muito aprendizado e trocas de experiência. Certamente, serão muitos bem recebidos, pois a hospitalidade e a simpatia do povo mexicano é contagiante.

Valéria Piassa Polizzi é jornalista e autora do livro “Depois daquela viagem — diário de bordo de uma jovem que aprendeu a viver com Aids”.





Participação dos média contribui na redução do impacto do VIH/Sida

25 07 2008

O envolvimento dos meios de Comunicação Social nas estratégias de prevenção do VIH/Sida no país contribui para a redução do impacto da epidemia, do estigma e discriminação, afirmou hoje (quinta-feira), em Luanda, a directora do Instituto Nacional de Combate à Sida, Dulcelina Serrano.

Ao intervir durante a mesa redonda sobre “O papel da comunicação social na promoção da saúde pública”, promovida pela Rádio Nacional de Angola (RNA), Dulcelina Serrano disse que a parceria com os media resultará igualmente no alívio do impacto e melhoria da adesão ao tratamento, bem como da auto-estima das pessoas infectadas.

Para a responsável, que falava sobre o impacto do VIH/Sida, a intervenção dos meios de comunicação social deve ser feita de forma científica, clara, livre de sensacionalismo, procurando atingir a mudança de comportamento da comunidade face a doença e ao tratamento.

Segundo disse, o impacto da epidemia é cada vez mais visível, não existindo ainda um equilíbrio entre as novas infecções, acesso às informações de prevenção e ao tratamento.

Tal deficit, prosseguiu, se reflecte na economia dos países, na vida das famílias, educação dos filhos assim como na produtividade.

A responsável defende que através da difusão massiva será possível educar os cidadãos, dar mais qualidade de vida às pessoas infectadas, bem como tornar mais eficazes as estratégias de actuação do Governo.

Dados oficiais referem que desde o aparecimento da doença mais de 33 milhões de pessoas em todo mundo foram infectadas, resultando em aproximadamente 22 milhões de mortes. Desta cifra 70 porcento ocorreram em África, o que representa uma taxa de seropositivo de 10 porcento no continente africano.

Estes indicadores fazem da doença um dos principais problemas de saúde em que as mulheres são as principais vítimas. Diariamente sete mil pessoas se infectam e outras seis mil morrem.

Durante a mesa redonda que encerra ainda hoje, alusiva aos dez anos da rubrica “O médico em sua casa”, emitido à segunda-feira no programa “Boa noite Angola”, do canal A desta emissora, estão a ser analisados painéis sobre a “Saúde pública vs Estratégias de combate às grandes endemias”, “A prática dos media na abordagem da saúde pública” e “Hipertensão arterial e impotência sexual: duas doenças – dois problemas de saúde pública recentes”.

Contam do leque de especialistas nacionais os directores dos programas nacionais contra a Malária e a Tripanossomíase, Filomeno Fortes e Josenando Teófilo, respectivamente.

(AngolaPress – 24.07.2008 )





Anabela Martins na Igreja dos Capuchos

25 07 2008

O corpo da directora do MAPS vai estar a partir de hoje na Igreja dos Capuchos em Faro, onde decorrerá o velório.

A Igreja dos Capuchos, junto ao Quartel-General da GNR, em Faro, acolherá o corpo de Anabela Martins, ex-directora do Movimento de Apoio à Problemática da Sida, a partir das 16h00 de hoje.

Amanhã, sexta-feira, será celebrada uma missa às 10h00 e o corpo será depois transportado para um crematório, em local ainda a definir, pelo que não haverá lugar a cerimónias fúnebres.

Recorde-se que Anabela Martins, figura ligada à problemática da SIDA e ao desenvolvimento regional, foi vítima de um acidente de viação na Via do Infante, na quarta-feira, dia 23 de Julho, pelas 10h00, quando o seu carro embateu contra uma viatura da assistência da Euroscut.

O filho, que seguia atrás no veículo, também sofreu ferimentos e chegou a estar internado mas já teve alta hospitalar.

(Observatório do Algarve – 24.07.2008 )





Sociedade Civil apresenta propostas aos líderes lusófonos

25 07 2008

As conclusões do fórum “Sociedade Civil-Saúde” vão, amanhã, ser apresentadas aos chefes de Estado e de Governo dos países de expressão portuguesa.


As propostas do fórum passam pela criação da rede da sociedade civil da CPLP e de um comité de acompanhamento das políticas de saúde, de modo a mobilizar os recursos necessários para o combate a diversas doenças que afectam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Jorge Sampaio defende que “em conjunto, os países membros da CPLP podem conseguir mais no plano internacional”para captar recursos e assistência técnica para o combate à SIDA, tuberculose, malária, entre outras epidemias.

Sem fazer referência a países ou ao que tem falhado nas políticas da CPLP, o ex-Presidente da República garantiu ser evidente que “os países onde as lideranças políticas assumem o combate contra a SIDA, tuberculose e malária, os resultados são melhores”.

Outra das propostas que vai, amanhã, ser apresentada inclui a realização do fórum da sociedade civil de dois em dois anos e dedicado a temas que afectam a CPLP, em várias áreas.

(AL/Paula Varela/Rádio Renascença – 25.07.2008 )





ESCREVER AO AUTOR

25 07 2008

A criação de uma rede de controle de pandemias e de um Fundo Especial da Saúde da CPLP serão propostos à VII cimeira de Chefes de Estado, esta sexta-feira, como resultado do “Fórum Sociedade Civil da Saúde”. Este encontro foi promovido pelo antigo presidente Jorge Sampaio e que teve como representante da Plataforma das ONGs de Cabo Verde a jornalista Arminda Barros.

A mulher do chefe de Estado cabo-verdiano, Adélcia Pires, também responsável por uma organização de apoio a crianças, a Infância Feliz, esteve presente na sessão final deste Fórum. O debate aqui envolveu representantes de organizações dos diferentes países membros da CPLP, tendo em paralelo à reunião do Conselho de Ministros da CPLP se analisado as grandes pandemias, sobretudo a Sida, Malária e Tuberculose, que afectam alguns países da comunidade.

Arminda Barros, que trabalha para esta Plataforma desde 2004, fez uma explanação do desempenho do acompanhamento da Sida em Cabo Verde, tendo suscitado muita curiosidade dos representantes de países como Moçambique e Angola, onde predominam também a tuberculose e a malária.

A Plataforma de Cabo Verde vai desenvolver um projecto até 2014 e que inclui a formação de pessoas dentro dos próprios grupos afectados, para que esses formandos possam melhor levar ao seio dos grupos alvo a prevenção e o tratamento da Sida. O Brasil tem apoiado Cabo Verde com o fornecimento dos medicamentos retrovirais e também materiais de diagnóstico.

Embora a taxa de incidência oficial seja de 0,8%, acredita-se que haja em Cabo Verde entre 4 mil e oito mil infectados.

(A Semana Online – 25.07.2008 )





Estudo conclui que os doentes com sida têm mais 13 anos de esperança média de vida

25 07 2008

Evolução das terapias múltiplas promoveu a adesão dos pacientes à medicação

Os doentes com sida ganharam mais 13 anos de esperança média de vida na última década graças ao melhoramento dos antirretrovirais. Esta é a conclusão do estudo da equipa de Robert Hogg, do British Colombia Centre for Excellence in HIV/AIDS, em Vancôver, no Canadá, publicado hoje num número especial da revista científica The Lancet sobre a sida.
A investigação reuniu dados de países europeus, do Canadá e dos Estados Unidos e comparou a mortalidade e a esperança média de vida de pacientes com o HIV entre os anos 1996/99 e 2003/05.
O que está por trás das boas notícias foi o aperfeiçoamento dos antirretrovirais. Quando começaram a ser usadas combinações de medicamentos, em meados dos anos 90 , envolviam a toma de três químicos, que impediam a replicação do vírus e dificultavam o desenvolvimento de resistência aos medicamentos.
Na altura, a rotina das tomas e os efeitos secundários da terapia pioravam o nível de vida dos pacientes e estes acabavam por rejeitar a terapia, apesar dos benefícios.
“Passámos de 20 comprimidos diários para um”, disse ao PÚBLICO por telefone o médico Francisco Antunes, chefe do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de Santa Maria. A investigação foi tornando as terapias mais eficientes, mais bem toleradas e com uma dosagem simplificada, aumentando a adesão dos doentes.
O artigo diz que se uma pessoa de 20 anos começasse a fazer o tratamento no período de 1996/99 teria em média mais 36,1 anos de vida. Mas se iniciasse o tratamento em 2003/05 a média subiria para 49,4 anos – um acréscimo superior a 13 anos. Por outro lado, no mesmo intervalo, a mortalidade passou de 16,3 para dez pessoas em cada mil – uma diminuição de 40 por cento.
Mas as melhorias não são iguais para todos. As pessoas infectadas por seringas têm uma esperança de vida bastante menor. As mulheres vivem ligeiramente mais que os homens.
No estudo, fica claro a importância de iniciar a medicação o mais rapidamente possível. As células do sistema imunitário que são atacadas pelo HIV, os linfócitos CD4+, vão diminuindo à medida que o tempo passa, e “quantos mais linfócitos CD4+ tivermos, mais conseguimos recuperar”, explica o médico. Um número baixo destas células torna-nos muito vulneráveis a qualquer agente patogénico.
Em Portugal a Comissão de Luta contra a Sida diz que as tendências são iguais. Mesmo assim, apesar de os tratamentos serem grátis e estarem facilitados (o Estado gasta por ano 150 milhões de euros), a esperança média de vida continua abaixo da das pessoas saudáveis.

Novo medicamento a caminho?

2Um novo tipo de medicamento que combate o HIV está na útlima fase de ensaios clínicos, com bons resultados. O raltegravir é a primeira droga a inibir a integrase, uma molécula que permite que o material genético do HIV possa integrar-se no ADN da célula hospedeira e replicar-se. Estas células transformam-se em santuários para o vírus, ou seja, mesmo que os antirretrovirais matem todos os vírus, o material genético integrado pode produzir novos vírus. “Este medicamento pode contribuir para que o doente que tem o vírus suprimido possa eliminar os santuários celulares”, explicou Francisco Antunes. O tratamento não funciona sozinho, necessita da ajuda dos antirretrovirais. N.F.

(Público – 25.07.2008 )





Movimento católico defende que a Igreja não deve recusar a pílula e o preservativo

25 07 2008

Nos 40 anos da Humanae Vitae, o movimento Nós Somos Igreja quer que a doutrina católica faça uma “valorização positiva da sexualidade”

A Igreja Católica “precisa de uma nova doutrina da sexualidade”, que signifique abandonar a recusa da utilização dos métodos de contracepção considerados artificiais, como a pílula ou preservativo. A posição é assumida pelo movimento católico internacional Nós Somos Igreja (NSI), no dia em que se comemoram 40 anos sobre a publicação da encíclica Humanae Vitae (HV), sobre a regulação dos nascimentos (ver P2, No Passado).
O NSI nasceu há dez anos e advoga, entre outros pontos, uma “valorização positiva da sexualidade”. Esse é um dos cinco pedidos da “Petição do Povo de Deus”, que recolheu mais 2,3 milhões de assinaturas, só na Áustria e Alemanha, e que deu origem ao Nós Somos Igreja.
Agora, ao passar o aniversário daquele documento papal, o movimento recorda que a intenção da encíclica era a de “subordinar a transmissão da vida ao amor entre os cônjuges e à capacidade destes para construir a sua relação sexual. Mas o movimento católico lamenta que a única mensagem que foi perceptível para os fiéis foi: “Contracepção só por meios naturais.”
Num comunicado divulgado em Roma, Lisboa, Paris, Madrid, Viena e Munique, o NSI recorda que, ao assinar a encíclica, o Papa Paulo VI seguiu a opinião da minoria da comissão que tinha sido criada em 1962, pelo Papa João XXIII. Paulo VI aumentou mesmo o número de membros da comissão, que incluía vários casais e teólogos.
Entre estes estava o padre Marcelino Zalba, que representava a opinião que viria a ser consagrada no documento. Do lado oposto, o padre Bernard Häring, o mais importante nome da teologia moral católica do século XX. Um outro teólogo, o jesuíta alemão Josef Fuchs, era inicialmente adepto da exclusividade dos chamados “métodos naturais”, mas a sua opinião mudou para o campo oposto no contacto com os casais que integravam a comissão. A polémica iniciada na comissão continuou nestas quatro décadas no interior da Igreja e muitos foram os que se afastaram do catolicismo por causa da persistência desta doutrina.
A adopção da HV teve “consequências fatais”, diz o texto do NSI: “Frustrou-se a recepção positiva da encíclica e, assim, a Igreja Católica perdeu competência e credibilidade [no campo da sexualidade humana e da vida sexual em sentido amplo e] sem condenações.”
Agora, é necessário actualizar a doutrina tendo em conta as mudanças das últimas décadas, começando por “aceitar os novos conhecimentos científicos sobre a sexualidade – homossexualidade incluída”, e abandonando “juízos erróneos baseados na ignorância”.
Também o problema do VIH/sida e o aumento da população mundial precisam de respostas “mais sofisticadas que a categoria proibição do preservativo ou a mera chamada à abstinência”.
Apesar de a encíclica ter consagrado, sobretudo na sua primeira parte, perspectivas inovadoras sobre a sexualidade e o matrimónio, acabou por ser a condenação da contracepção pelos chamados “métodos artificiais” a marcar o documento.

Teólogo português quer revisão

Norma moral que não é tida em conta é pior que ser recusada. O padre Jorge Teixeira da Cunha, professor de Teologia Moral na Universidade Católica, usa este argumento para defender que é necessária uma “revisão” da norma que recusa a contracepção pelos chamados “métodos artificiais”.
Num artigo publicado na agência Ecclesia a propósito dos 40 anos da Humanae Vitae, aquele especialista vai mais longe e diz que “esta norma não tem o seu fundamento na caridade cristã, que é o único fundamento indiscutível das normas morais”. Antes reflecte “um fundamento naturalista e biologista que é difícil religar a uma razão iluminada pela fé”. Jorge Cunha acrescenta ainda que “há outras maneiras de exprimir as exigências éticas que não seja por este conformismo com o funcionamento da natureza”. O teólogo critica ainda o facto de os casais cristãos não terem sido “suficientemente ouvidos nesta matéria”, sendo urgente que o sejam “numa revisão desta norma num futuro texto”. A. M.

(Público – 25.06.2008)





Tertúlia para prevenir comportamentos de risco

25 07 2008

A Escola de Enfermagem de Chaves está a levar cabo uma série de iniciativas com vista à prevenção de comportamentos de risco. Foi aliás, nesse âmbito, que realizou uma tertúlia num café da cidade de Chaves. A convidada foi a enfermeira Maria João, da Escola de Enfermagem de Vila Real, que apresentou os resultados do seu trabalho de doutoramento sobre as crenças dos jovens sobre a

severidade do virus HIV SIDA e as repercussões do seu comportamento na expressão da sua sexualidade.

(Semanário Trnsmontano – 25.06.2008 )