EUA PODEM DERRUBAR VETO A ENTRADA DE PORTADORES DO HIV. NO ANO PASSADO, ATIVISTAS PEDIRAM RECONSIDERAÇÃO SOBRE VETO

18 07 2008

A proibição de entrada de pessoas com o vírus da Aids nos Estados Unidos pode terminar em breve com um projeto de lei no Senado. A medida já dura duas décadas e abrange turistas e imigrantes. No ano passado, uma ativista da ONG Gestos de Pernambuco teve seu visto negado (saiba mais). Depois, 64 entidades do Brasil e exterior enviaram carta aberta à Condolezza Rice cobrando reconsideração (confira).

Os Estados Unidos são um dos 12 países –incluindo Sudão, Arábia Saudita, Líbia e Rússia– que proíbem a viagem e a imigração de portadores do HIV. Recentemente, a China reviu sua política.

“Não há desculpas para uma lei que estigmatiza uma doença específica”, afirmou o senador John Kerry. Segundo ele, até pessoas com gripe aviária ou o vírus do Ebola têm mais facilidades do que aquelas com HIV para conseguir visto de entrada no país.

Kerry e o senador Gordon Smith estão tentando reverter a proibição, implementada em 1987 e reafirmada pelo Congresso em 1993. Ambos anexaram uma proposta –que deve passar no Senado nesta semana– destinando US$ 50 bilhões nos próximos cinco anos para a luta contra a Aids e outras doenças na África e outras regiões pobres.

Atualmente, o HIV é a única condição médica explicitamente listada nas leis de imigração.

Fonte: Folha Online

(Agência de Notícias da AIDS – 17.07.2008 )





Cientistas acham ponto fraco do HIV

18 07 2008

Uma equipe de cientistas da Escola de Medicina da Universidade do Texas encontrou o ponto fraco do HIV, vírus causador da AIDS, em uma parte da proteína que o recobre, a gp120, que é essencial para seu desenvolvimento nas células que ele ataca.

Os cientistas Sudhir Paul, Yasuhiro Nishiyama e Stéphanie Planque explicam, em artigo, que a proteína é essencial para que o HIV tenha adesão às células nas quais se introduz e onde inicia a infecção que provoca a AIDS.

A equipe foi capaz de fragmentá-la e destruir a parte que atua como “cérebro”, uma seqüência de aminoácidos que permanece invariável, apesar das mutações as quais o vírus é submetido, o que seria muito útil no tratamento e prevenção da doença. Normalmente, as defesas imunológicas do corpo humano podem evitar os vírus criando proteínas (anticorpos) que conseguem bloquear elementos desconhecidos.

No entanto, no caso do HIV, o vírus está constantemente mudando e os anticorpos não são capazes de controlar a progressão, razão pela qual não há uma vacina preventiva para a AIDS. Com a descoberta, o grupo desenhou anticorpos com atividade enzimática, que podem atacar os aminoácidos de maneira precisa. Os cientistas estudam agora se é possível aplicar a descoberta ao desenvolvimento de vacinas.

(O Estado de São Paulo – 17.07.2008 )





Rastreios do VIH/Sida na Concentração Motard

18 07 2008

De hoje a domingo, a Administração Regional de Saúde do Algarve, através do Centro de Aconselhamento e Detecção Precoce da Infecção VIH/SIDA de Faro irá realizar Rastreios do VIH/Sida no recinto da Concentração Motard de Faro.

No local da concentração, no Vale das Almas, junto ao Aeroporto de Faro, estarão presentes duas Unidades Móveis, uma do Instituto da Droga e Toxicodependência e outra da Associação para o Planeamento da Família.

No decorrer das acções, os profissionais de saúde irão fornecer informação sobre a infecção VIH/sida e sobre os meios de prevenção.

Além disso, realizarão um rastreio gratuito, anónimo e confidencial de VIH mediante a aplicação de um teste rápido, com resultado em 15 minutos.

A iniciativa visa assim dar a possibilidade a todos os interessados de realizar um «teste rápido» de rastreio anónimo e gratuito.

(Algarve Notícias – 18.07.2008 )





Fundação GlaxoSmithKline distingue projectos que olham para o HIV como doença crónica

18 07 2008

Em 27 anos de história da sida, o vírus ganhou terreno entre a população mundial, com mais de 30 milhões de infectados em todo o mundo. Dentro deste grupo, três milhões são crianças. Desde 1981 morreram cerca de 25 milhões da doença, dizem as estatísticas da Organização Mundial de Saúde.

Mas a ciência tem galopado também a passos largos no sentido de, na impossibilidade da cura, cada vez mais distante, tentar transformar a doença numa enfermidade crónica, da qual se pode padecer toda a vida sem ter que morrer às suas mãos, pelo menos no caso dos países industrializados onde é mais facilitado o acesso às terapias disponíveis. E tem-se trabalhado também para que a vida dos doentes, cada vez mais longa, seja passada com o máximo de qualidade possível.

Foi nesse sentido – de premiar a visão da sida enquanto doença crónica e de reconhecer quem trabalha para o bem-estar dos doentes – que a sexta edição dos prémios da Fundação GlaxoSmithKline das Ciências da Saúde atribuiu ontem seis bolsas de investigação, no valor de 10 mil euros cada, numa cerimónia no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Na presença da ministra da Saúde, Ana Jorge, o conselho de curadores da Fundação (entre eles o especialista em saúde pública Jorge Torgal, o especialista em bioética Daniel Serrão, que preside ao grupo, e o ex-responsável da Comissão Nacional da Luta contra a Sida, Meliço Silvestre) contou por que razão foram escolhidos estes seis trabalhos, entre mais de 30 candidaturas.

“Estamos a falar de doentes onde, mesmo na eficácia das terapias antiretrovirais, a deficiência imunológica vai persistir pela vida. Há que encontrar a maior qualidade de vida possível para esses doentes. Uma vez que estamos cada vez mais distantes de uma vacina. Já tenho defendido que isso é impossível”, disse Daniel Serrão, sobre uma doença que paralisa a resposta do doente a uma possível vacina: “Jogam com armas que se anulam, a doença e a vacina. Acredito mais em trabalhos recentes com base em células estaminais para restaurar o sistema imunológico do indivíduo. Mas ainda não foram feitos ensaios em seres humanos”, explica o médico.

Parca em palavras, Ana Jorge frisou ontem que o papel do Estado, nesta área se joga no caminho da prevenção. Para Daniel Serrão essa é uma responsabilidade do Estado, que pouco mais pode fazer com o investimento disponível: “Não é com os orçamentos actuais do Estado que existem condições para fomentar a investigação, nomeadamente nesta área”, frisa, acrescentando que cabe aos privados, como a Fundação GlaxoSmithKline, jogar um papel essencial.

Cuidar da saúde mental dos doentes com HIV

Miguel Bragança, psiquiatra do Hospital de São João do Porto, já estudou 90 dos 150 doentes com HIV que pretende estudar. Está a construir um perfil destes pacientes, todos com menos de 50 anos (para que a idade não distorça os resultados) para ver se existe um perfil padrão em relação à degradação das capacidades cognitivas das pessoas afectadas pela doença. Será que o modo como o doente é contaminado tem importância? Será que o meio tem um papel importante? Miguel procura resposta a estas e outras questões sobre as quais muitas equipas internacionais se têm debruçado, mas que não é um tema que tenha merecido atenção em Portugal.

“Sabemos que uma das características da doença é a destruição do sistema cognitivo central, até à demência. Mas como hoje lidamos com uma doença crónica, os doentes duram muitos anos, é importante aprofundar estas questões para que se possa aumentar o bem-estar social destes pacientes e arranjar estratégias para a reabilitação”, explica o investigador.

A nutrição esquecida

Para evitar problemas como os cardiovasculares, que são uma constante entre os doentes com sida, Sílvia Pinhão, investigadora da Universidade do Porto, estuda se “pequenos reparos” na alimentação dos pacientes podem evitar ou retardar o desenvolvimento destes problemas.

“A nutrição é esquecida no acompanhamento dos doentes. Há pouca literatura mas várias indicações de que este tipo de acompanhamento é eficaz, funciona”, refere a investigadora.

O aconselhamento alimentar ou a elaboração de planos individuais de nutrição são alguns exemplos que Sílvia está a estudar no sentido de averiguar se são eficazes para retardar as doenças cardiovasculares neste grupo.

Um lado negro das terapias modernas contra a sida

As modernas terapêuticas antiretrovirais, uma bênção que permitiu que se transformasse a sida numa doença crónica e que a longevidade dos doentes aumentasse consideravelmente, trouxe também um reverso da moeda não tão cor-de-rosa. Problemas associados às novas terapias como a lipodistrofia, vieram aumentar as já de si comuns complicações cardiovasculares e endocrinológicas dos doentes com sida.

Paula Freitas, endocrinologista do Hospital de São João, no Porto, explica do que se fala, quando a lipodistrofia entra em cena: “Uma das características muito comuns entre os doentes com sida é a perda de gordura na cara e membros superiores e inferiores e a acumulação de gordura excessiva a nível abdominal, o que, para além de ser estigmatizante em termos sociais, toda a gente sabe que aquela pessoa tem sida, provoca alterações no metabolismo da gordura, faz aumentar o colesterol e as doenças metabólicas e cardiovasculares”.

Sabe-se pouco sobre a lipodistrofia. Discute-se, no seio da ciência, se provém das terapias, se da doença, se dos dois factores em conjugação. E nem todos os pacientes com sida desenvolvem lipodistrofia. É aqui que o trabalho de Paula Freitas surge: “O que queremos averiguar é se os doentes que têm lipodistrofia têm maior risco de doença metabólica e cardiovascular do que os outros”, explica a investigadora.

No caminho das particularidades do HIV2

Em 1986 um novo tipo de HIV, o HIV2, foi identificado num doente com sida, hospitalizado em Lisboa e oriundo da Guiné-Bissau, descoberta feita pela equipa do investigador francês Luc Montagnier e pela investigadora portuguesa Odete Ferreira.

A raridade deste tipo de vírus da sida, mais comum entre doentes oriundos da África central, e a predominância de casos entre a comunidade de pacientes portugueses, tem feito com que, ao longo dos anos, Portugal jogue um papel primordial no estudo das particularidades do HIV2.

Sara Lino, infecciologista do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, tem dedicado o seu tempo aos escassos 189 casos de co-infecção, pacientes com HIV1 e HIV2, registados em Portugal. Sara quer responder a duas questões: “Tento confirmar se de facto se trata de dupla infecção e se a evolução dessa infecção é diferente, através da evolução da carga viral dos pacientes”, descreve. O objectivo é conseguir uma terapêutica adequada para estes doentes com dupla infecção, uma vez que os doentes com HIV2 têm apenas ao seu dispor as terapias desenvolvidas para o HIV1. Portugal é o país da UE com maior número de casos de HIV2 notificados, 463 ao todo, apenas 3,3 por cento dos casos de sida em Portugal.

Terapias à medida

No que toca à resposta de cada doente com HIV a uma terapia, cada caso é um caso. Por isso Ana Horta, do Hospital Joaquim Urbano, no Porto, procura uma espécie de terapias à medida de cada doente para conseguir um ponto de equilíbrio na agressividade das terapias, essencial para que doentes imunodeprimidos, como estes, ou seja, sem defesas, fiquem expostos o mínimo possível às chamadas infecções oportunistas, como a tuberculose.

“São infecções oportunistas nem sempre aparentes mas que de repente se podem revelar de uma forma muito agressiva”, explica “O meu estudo vai analisar o antes e o depois dos doentes e da sua população de células de defesa”, acrescenta. No final esta investigação, que ainda não se iniciou, procura terapias mais eficazes, à medida de cada doente: “O estudo pode dar origem a terapias mais eficazes, aplicadas às características linfocitárias de cada um dos doentes”, explica Ana Horta.

Em busca do “timing” ideal para atacar o vírus

Perceber melhor a interacção entre o vírus e o seu alvo, o sistema imunitário, é o objectivo do trabalho desenvolvido por Alexandre Carvalho, médico do Hospital de São Marcos, em Braga.

É preciso acautelar não só que as terapias aplicadas aos doentes destroem o vírus mas que também estimulam a imunidade natural que ele ataca.

Identificar as condicionantes que estão implicadas na variação da contagem das células CD4, guardiãs da nossa defesa, e descobrir o melhor momento para aplicar a terapia, tendo como objectivo melhorar a sua eficácia, são alguns dos objectivos do estudo. No final, trata-se de descodificar a linguagem usada entre o vírus e o sistema imunitário para saber quando agir, ou seja, saber quando ocorre o melhor timing para desmanchar a acção destruidora do HIV.

(Público – 17.07.2008 )





Preservativos com defeito estão à venda no mercado

18 07 2008

Saúde. O Infarmed mandou retirar do mercado um lote de preservativos que não cumpria os critérios de qualidade. Estes contraceptivos são apenas submetidos a uma fiscalização pelas próprias marcas. Ontem, o DN conseguiu comprar em Lisboa uma embalagem dos preservativos defeituosos

Lote não passou nos testes em laboratório

O incumprimento das regras de pressão e volume de rebentamento levou a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) a suspender ontem a venda de um lote de preservativos da marca Style. O alerta foi lançado ao princípio da tarde, mas horas depois o DN ainda encontrou preservativos do lote referido pelo Infarmed à venda num hipermercado em Lisboa (o lote NWM07022003 com validade até Janeiro de 2012, referência Natural).

A empresa responsável pela distribuição da marca em Portugal, a PHP Importação e Exportação, procedeu à recolha voluntária do lote e assegura que todos os clientes foram avisados. Entre ontem e hoje todos os preservativos serão recolhidos, garantiu fonte da empresa, que não conseguiu esclarecer qual a quantidade em causa.

O Infarmed descobriu o problema numa “acção de supervisão de rotina do mercado, realizada por iniciativa da instituição”, explica ao DN Carlos Pires. “Os testes são efectuados em ambiente laboratorial, no Laboratório Militar, com a finalidade de testar as várias especificações do produto”, diz. Os preservativos da Style falharam nos testes de determinação de pressão e volume de rebentamento e, por isso, o Infarmed emitiu o alerta.

Só as marcas controlam

Carlos Pires esclarece que cabe à empresa responsável pelo produto garantir que este têm qualidade e está de acordo com as especificações exigidas.

A Deco explica que os preservativos são submetidos a um processo de controlo de qualidade pelas próprias marcas, como, aliás, acontece em quase todos os produtos, diz Rita Pinto Rodrigues. “Não há fiscalização por entidades exteriores”, explica a porta-voz da Deco. “É o processo de qualidade de cada marca que determina o estado dos produtos que saem para o mercado e não há efectivamente a garantia total de segurança em todos os lotes”.

A porta-voz da Deco esclarece que os utilizadores dos preservativos com má qualidade terão dificuldades em provar eventuais consequências do defeito.

Em 2002, a Deco testou 21 modelos de preservativos e concluiu que a maioria tinha boa qualidade. Desde então, a associação tem notado “um maior cuidado no controlo de qualidade, visível no facto de notícias sobre problemas como este serem cada vez mais raras”, diz.

(Diário de Notícias – 18.07.2008 )