SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Procuram-se camisinhas

16 07 2008

Ninguém achava que a reacção aos distribuidores de preservativos vazios em São Tomé e Príncipe seria tão inflamada.

“Pensei que os preservativos tinham acabado no país, vocês estão a falhar demais”, desabafou Palmira Torres, dona do restaurante Alfa, defronte ao porto de São Tomé.

Depois de uma falha de um mês no fornecimento de camisinhas, foi com reclamações como essa que os educadores de pares como Almerindo Ferreira e Desinela Barros, da organização não-governamental italiana Alisei, foram recebidos nos estabelecimentos.

A interrupção no abastecimento de preservativos aconteceu devido à avaria de uma viatura e falta de pessoal, deixando distribuidores vazios nos distritos de Água Grande, Me-Zochi, Caué, Lobata, Cantagalo e Lembá.

“No domingo passado veio cá uma miúda bastante aflita à procura de preservativos e não havia. Sabe-se lá o que aconteceu a ela”, contou Torres.

O restaurante Alfa, cuja clientela inclui funcionários públicos, marinheiros e profissionais de sexo, é um dos postos de distribuição que a Alisei considera “quentes”, onde um pacote com 144 camisinhas acaba em duas semanas.

Camisinhas à mão

Essa procura por preservativos é um fenómeno novo em São Tomé e Príncipe.

Um dos seus gatilhos é um projecto que, desde o início do ano, está a colocar distribuidores de preservativos em locais de alta circulação, como restaurantes, discotecas e lojas.

Cada estabelecimento recebe mensalmente 432 camisinhas, que são distribuídas gratuitamente ao público.

De Janeiro a Junho deste ano já foram colocados quase um milhão de preservativos nos 376 distribuidores espalhados pelo país.

A iniciativa é uma parceria do Programa Nacional de Luta contra a SIDA (PNLS), do Projecto de Apoio ao Sector Social, do Fundo da Nações Unidas para a População e do Fundo Global de Luta contra SIDA, Tuberculose e Malária.

A seroprevalência no arquipélago de 160 mil habitantes, na costa do Gabão, é de menos de 1,5 por cento, considerada baixa para o continente africano.

Salva-vidas

Ainda era cedo quando a carrinha da Alisei carregada de preservativos fez o abastecimento no restaurante Boca Loca, no Ponte Tavares, no começo de Julho. O último abastecimento havia ocorrido na primeira semana de Maio.

Nuno Santos, 25 anos, que estava no restaurante a tomar o pequeno almoço, nem esperou acabar a refeição para retirar duas carteiras de preservativos do distribuidor.

“O salva-vidas chegou”, brincou.

“Foi difícil funcionar sem a camisinha, todos os clientes interrogavam-nos bastante devido à ausência”, afirmou Valdemar Paquete, balconista do Boca Loca.

Também considerado um ponto “quente”, o restaurante fica aberto 24 horas, sete dias por semana. A movimentação nocturna atinge o pico aos sábados e domingos: quem sai das discotecas Dolores, Tropicana Club, Kizomba, no centro da capital, faz a última paragem no Boca Loca.


Photo: Lourenço Silva/PlusNews
Salva-vidas

“O preservativo é procurado por todo o mundo, mas parece-me que os jovens são os que mais levam. As meninas também vêm aqui buscar”, explicou Paquete.

Segundo Alzira do Rosário, directora do PNLS, os números são animadores, mas falta saber se as pessoas realmente estão a utilizar os preservativos distribuídos.

Com a grande demanda de preservativos, as autoridades sanitárias temem uma rotura do estoque, razão pela qual submeteram uma proposta de reforço ao Fundo Global, no início de Julho.

Mais preservativos disponíveis

Atendendo a pedidos de restaurantes, casas comerciais e discotecas, a Alisei dará início a mais uma fase de colocação de distribuidores de preservativos esta semana.

Os novos pontos passam por uma inspecção antes de receber os distribuidores e a Alisei leva em conta a movimentação de pessoas e a localização do estabelecimento.

As autoridades sanitárias pretendem atingir 400 postos de distribuição até o final do ano para garantir um maior acesso da população aos preservativos.

Em 2005, um inquérito do PNLS realizado em 49 localidades indicou que 95 por cento da população são-tomense têm conhecimento do preservativo.

Das 921 pessoas entrevistadas, 125 homens disseram que utilizam sempre o preservativo nas relações sexuais. A média de relações ocasionais naquele ano em São Tomé e Príncipe foi de 21,9 por cento.

(PlusNews – 15.07.2008 )





Juventude é crucial na redução do VIH/Sida

16 07 2008

A mudança de atitude da juventude angolana em relação ao VIH/Sida e as pessoas portadoras do vírus constitui um factor indispensável para a redução dos índices de novas infecções no país, considerou hoje, em Luanda, o coordenador de projectos do Centro de Apoio aos Jovens (Caj), Sílvio dos Santos.

Falando à Angop sobre como a juventude encara o vih/sida e outras infecções de transmissão sexual (its), Sílvio dos Santos disse que apesar de ser um grupo de risco, a maior parte dos jovens continua a não adoptar as medidas de prevenção contra esta epidemia, que cresce assustadoramente.

Para o responsável, além de aumentar o fluxo de informação e serviços de sida, é preciso que os programas de combate impulsionem uma maior participação deste grupo, para que possam conhecer a dimensão do problema e se identificarem com a causa.

“O jovem deve assumir como sua responsabilidade a luta contra o VIH e participar de todos os projectos que impliquem a sua redução e impacto entre as famílias”, afirmou Sílvio dos Santos.

Além da aceitação da doença, disse ser fundamental o combate ao estigma, a busca de apoio mesmo antes de estar infectado, o recurso a testagem voluntária e, em caso de doença, a busca do tratamento já disponível gratuitamente em várias unidades sanitárias.

Por outro lado, apelou aos educadores a informarem-se e fomentarem o diálogo sobre a Sida e outras ITS, de modo a ajudarem na consciecialização dos filhos e da comunidade.

Para apoiar as pessoas dos 14 aos 24 anos, o Caj, actualmente localizado nas províncias de Luanda, Huíla e Benguela, tem disponíveis serviços de saúde reprodutiva, aconselhamento e testagem voluntária, busca activa das infecções sexuais, mobilização social a nível das comunidades e educação nas escolas para professores, alunos e encarregados, bem como tele-atendimento.

Dados da instituição em Luanda indicam que no primeiro trimestre deste ano foram testados voluntariamente 871 pessoas, na sua maioria mulheres, dos quais 20 casos resultaram positivos.

Nos últimos cinco anos, a epidemia registou um aumento progressivo, sendo que em 2007 o país notificou 12.355 novos casos.

De 1985 a Dezembro de 2007, registou-se um total cumulativo de 36.886 casos de VIH/Sida. Relativamente ao acesso aos medicamentos, de 2004 a Dezembro de 2007, 12.717 pessoas recebem tratamento com anti-retrovirais, dos quais 842 crianças.

(AngolaPress – 15.07.2008 )