Rede Nacional de Pessoas vivendo com VIH/Sida realiza encontro

15 07 2008

O primeiro encontro da Rede Nacional de Pessoas vivendo com VIH/Sida (RNP+Angola) inicia hoje, terça-feira, em Luanda, com o objectivo de fortalecer e ampliar as actividades em cuidados e apoio aos necessitados.

Segundo fonte da RNP+Angola, o encontro, que vai reunir os 18 pontos focais da rede, representantes de ONG-Sida nacionais e internacionais, do governo, das Nações Unidas e convidados do Brasil e Moçambique, visa ainda criar um ambiente de apoio às pessoas com VIH, promovendo, expandindo e fortalecendo a rede nacional.

Adiantou que a liderança no desenvolvimento e gestão dos serviços a partir de cuidados domiciliares, vai melhorar de forma mais eficaz a promoção da participação activa das pessoas com VIH/Sida nos serviços de adesão do tratamento com anti-retrovirais, profilaxia, identificação e tratamento das infecções oportunistas.

A reunião com a duração de três dias decorrerá na comuna do Mussulo, município da Samba.

Durante o encontro, Brasil e Moçambique apresentarão as suas experiências na luta contra o VIH/Sida, serão traçadas estratégias de apoio às pessoas doentes, bem como serão exibidos os filmes “Coração mais forte”, “Cenários de África” e “Farda de combate”.

A iniciativa deste encontro é do UNICEF, ONUSIDA e Instituto Nacional de Luta contra a Sida na expectativa de se reduzir os casos de transmissão vertical e de mortalidade infantil e apoiar as crianças órfãs e vulneráveis.

(AngolaPress – 15.07.2008 )





MINISTÉRIO DA SAÚDE LANÇA AÇÃO DE COMBATE À TUBERCULOSE

15 07 2008

Toda população brasileira tem direito ao diagnóstico e tratamento gratuitos no Sistema Único de Saúde (SUS). No Brasil, estimativas apontam que mais de 60 milhões de pessoas estejam infectadas pelo bacilo da tuberculose. Em 2005, foram registrados 80.603 casos novos da enfermidade que registra, em média, cinco mil óbitos por ano.

No Brasil e em outros 21 países em desenvolvimento, a tuberculose é um grande problema de saúde pública. Nesses países, encontram-se 80% dos casos mundiais da doença. Todos os anos são registrados mundialmente cerca de oito milhões de novos casos, com quase dois milhões de mortes.

Cerca de um terço da população mundial está infectada com o Mycobacterium tuberculosis, com o risco de desenvolver a enfermidade. A tuberculose é uma doença associada às más condições de vida da população ou a outras condições de imunodeficiência, como é o caso da aids, com muitos casos identificados entre os mais pobres e os que estão à margem da sociedade como favelas, população de rua e carcerária.

PERSISTÊNCIA – O grande desafio de se combater a doença é levar o tratamento adiante. Ele é eficaz e não é difícil, mas exige um grau de persistência que muitos não têm – o que justifica o abandono – uma das principais causas do fracasso no controle da tuberculose. Caso o tratamento seja abandonado antes do prazo, o bacilo desenvolve resistência à medicação e cria-se uma super bactéria.

É importante destacar que, ao iniciar o tratamento, em aproximadamente um mês, alguns pacientes já se sentem melhor e não sofrem mais com os sintomas da doença. A maioria dos casos de contágio ocorre em pacientes do sexo masculino e em idade produtiva, prejudicando ainda mais as condições de vida das famílias carentes, grandes vítimas da tuberculose.

Tuberculose no mundo

• 1/3 da população mundial está infectada pelo bacilo da tuberculose (100 milhões por ano)

• 9,2 milhões de doentes a cada ano (25 mil por dia), 700 mil co-infectados pelo HIV

• 1,7 milhões de mortes por ano (200 mil por tuberculose/HIV)

• Uma morte a cada 15 segundos

• Estima-se em aproximadamente 500 mil casos de multidroga resistente (MDR) por ano, em 114 países de todos os continentes

• 80% dos casos em 22 países (O Brasil está em 16º nesse ranking)

Tuberculose no Brasil

• 80 mil casos notificados por ano

• 5 mil óbitos por ano

• 70% dos casos estão em 315 dos 5.570 municípios brasileiros

• 9ª causa de internações por doenças infecciosas

• 7ª causa em gastos com internação no SUS por doenças infecciosas

• 4ª causa de mortes por doenças infecciosas

• Tendência de declínio

SAIBA MAIS

O que é a tuberculose?
Doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria que afeta principalmente os pulmões, mas, também pode ocorrer em outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro).

Qual a causa?
Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de Koch (BK). Outras espécies de micro bactérias, como as mycobacterium bovis, africanum e microti, também podem causar outro tipo de tuberculose.

Quais os sintomas?
Alguns pacientes não exibem nenhum indício da doença, outros apresentam sintomas aparentemente simples que são ignorados. Os mais freqüentes são tosse seca contínua no início, depois com presença de secreção por mais de quatro semanas, que se transforma em uma tosse com pus ou sangue. Cansaço excessivo, febre baixa geralmente à tarde, sudorese noturna, falta de apetite, palidez, emagrecimento acentuado, rouquidão, fraqueza e prostração são outros sinais evidentes da doença.

Em casos mais graves, o paciente também apresenta dificuldade na respiração, eliminação de grande quantidade de sangue, colapso do pulmão e acúmulo de pus na pleura (membrana que reveste o pulmão). A incubação ocorre, em média, de quatro a 12 semanas até a descoberta das primeiras lesões. Grande parte dos novos casos de doença pulmonar ocorre por volta de 12 meses após a infecção inicial.

Como se transmite?
A transmissão da tuberculose é direta e ocorre de pessoa para pessoa. O doente expele, ao falar, espirrar ou tossir, pequenas gotas de saliva que contêm o agente infeccioso e podem ser aspiradas por outro indivíduo contaminando-o. Somente 5% a 10% dos infectados pelo Bacilo de Koch desenvolvem a doença. Portadores de HIV, diabetes, insuficiência renal crônica, desnutridas, idosos doentes, alcoólatras, usuários de drogas e fumantes são mais propensos a contrair a tuberculose. As populações mais vulneráveis à doença são as comunidades pobres que vivem em centros urbanos, as populações carcerárias, de rua, albergados e migrantes ilegais.

Como tratar?
O tratamento dura cerca de seis meses. Geralmente, são usados três tipos de antibióticos, administrados por um período mínimo de seis meses, sem interrupção, diariamente. Quase todos os pacientes que seguem o tratamento corretamente são curados.

Como se prevenir?
Para prevenir a doença é necessário imunizar as crianças de até quatro anos, obrigatoriamente, as menores de um ano, com a vacina BCG. A prevenção inclui evitar aglomerações, especialmente ambientes fechados, e não utilizar objetos de pessoas doentes. Crianças soropositivas ou recém-nascidas que apresentam sinais ou sintomas de aids não devem receber a vacina.

Como é feito o diagnóstico?
Após confirmada a suspeita pelo serviço de saúde, o exame indicado para confirmar o caso de tuberculose é a baciloscopia de escarro. A radiografia do tórax não confirma nem descarta o diagnóstico, apenas indica a extensão das lesões.

Fonte: Ministério da Saúde

(Agência de Notícias da AIDS – 14.07.2008 )





GLOBAL: Gastos com SIDA batem recorde, mas precisam de mais foco

15 07 2008

NAIRÓBI, 14 Julho 2008 (PlusNews) – Os financiamentos à resposta ao HIV/SIDA nos países de média e baixa renda atingiram um nível recorde em 2007, segundo um novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA (ONUSIDA).

Os fundos doados pelo Grupo dos Oito (G8, grupo dos sete países mais ricos do mundo, e a Rússia), a Comissão Européia e outros doadores atingiram US$ 6,6 bilhões no ano passado, de US$ 5,6 bilhões em 2006. Entrentanto, apesar de tanta generosidade, segundo a ONUSIDA ainda existe um déficit de financiamentos de US$ 8,1 bilhões para programas de HIV/SIDA considerados essenciais.

Os Estados Unidos são o maior doador e forneceram 20 por cento dos recursos em 2007, seguidos pelo Reino Unido. Alguns outros países não-membros do G8 como a Holanda, a Suécia, a Áustria e a Irlanda também forneceram um auxílio considerável.

O relatório sai ao mesmo tempo em que o G8 – Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia e Estados Unidos – reiteraram o compromisso feito na reunião de cúpula em 2005, em Gleneagles, Escócia, de destinar US$ 60 bilhões à resposta à doença na África; o compromisso reiterado acrescentou cinco anos à iniciativa.

Na cúpula do G8 na semana passada em Hokkaido, no Japão, os líderes políticos também anunciaram que forneceriam, até 2010, 100 milhões de mosquiteiros tratados com inseticidas para o controle da malária no continente africano, e que trabalhariam no sentido de aumentar as equipes médicas nos países que estão a sofrer um déficit importante de profissionais da saúde.

“O G8 tomará medidas concretas para reforçar a conexão entre as atividades relacionadas ao HIV/SIDA e os programas de planejamento familiar voluntário e saúde reprodutiva e sexual, no intuito de melhorar o acesso aos cuidados de saúde, o que inclui a prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho, e atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milênio [MDGs, em inglês], adotando uma abordagem multisetorial e promovendo o envolvimento e a participação das comunidades”, disse uma declaração do G8.

O anúncio do financiamento foi recebido com alívio pelas organizações que trabalham na reposta à doença e à pobreza na África; muitos comunidados de imprensa tinham sugerido que um comunicado a ser publicado pelo G8 omitiria as metas HIV/SIDA.

Entretanto, para algumas organizações, o compromisso ficou aquém das expectativas. A ONG anti-pobreza ActionAid descreveu o comunidado do G8 como “uma mistura de promessas recicladas e soluções falidas.”

E embora elas tenham acolhido positivamente o prazo de cinco anos para a distribuição dos US$ 60 bilhões para a saúde, “não há indicação alguma de quem vai pagar e exatamente quando.”

“As propostas de reforçar os serviços de saúde também são consideradas pela ActionAid como insuficientes, a não ser que seja feito um esforço maior no sentido de evitar o êxodo de pessoal qualificado dos países africanos”, disse um comunicado de imprensa.

Financiamento para quem precisa

“Não faz sentido treinar mais profissionais da saúde se a fuga de cérebros continuar”, disse um especialista em segurança de alimentos de ActionAid Malawi. “Há mais médicos malawianos na cidade de Manchester do que no Malawi inteiro.”

“Já é um bom progresso que eles forneçam o financiamento prometido”, disse Leonard Okello, chefe da equipa internacional para HIV/SIDA da ActionAid. “Entretanto, esperamos que eles cumpram estas promessas, porque um dos problemas maiores com os fundos destinados à saúde é que promete-se muito dinheiro e só parte dele é realmente pago.”

“O G8 e outros líderes de países desenvolvidos geralmente trabalham em função do calendário político, o que faz com que o financiamento seja feito em função da chegada e saída do governo, e não em função das necessidades das pessoas visadas pelo programa”, disse ele.

“Outro problema com o financiamento da resposta ao HIV é que raramente ele atinge as pessoas que realmente precisam dele, que estão no nível da comunidade”, disse Okello. “Pesquisas mostraram que na África mais de 70 por cento do trabalho de terreno relacionado ao HIV é feito por organizações baseadas nas comunidades, mas somente 11 por cento dos fundos chegam até elas.”

“Além disso, as organizações que recebem os fundos devem preencher normas rígidas – o que somente grandes organizações internacionais sem uma boa idéia do terreno em que estão a trabalhar podem preencher; o dinheiro acaba então sendo gasto onde não é preciso”, acrescentou ele.

Okello notou que somas importantes de dinheiro são gastas em hotéis de luxo durante reuniões de alto nível – dinheiro este que poderia ser melhor utilizado se fosse canalizado diretamente às comunidades.

“Não é de se estranhar que apesar de todo o financiamento, a resposta ainda esteja bem aquém da epidemia”, concluiu Okello.

(PlusNews – 14.07.2008 )