Casais felizes e sem sexo

14 07 2008

O desejo pode esmorecer, as doenças da idade tendem a atrapalhar, mas o sexo não tem prazo de validade nem termina com a juventude. As relações são diferentes aos 80 anos e aos 18. Contudo, o acumular dos anos não faz dos idosos seres assexuados. Quando as doenças atrapalham e o desejo começa a esmorecer, são eles que escolhem o que fazer com a sua sexualidade. Podem abdicar dela. Mas também podem reinventá-la.

A atitude mais frequente é desistir, até porque quando um dos membros do casal passa a ter dificuldades, o outro desinveste também para não lhe causar sofrimento emocional. Mas não tem de ser assim, explica o sexólogo Bruno Inglês. “Não é fácil as pessoas desprenderem-se do modelo tradicional do sexo, onde é obrigatório existir erecção e penetração. Mas pode haver uma adaptação e os casais passam a fazer o que é possível”, refere. E são aqueles que, ao longo da vida, tiveram uma vida sexual mais rica e que mais facilmente conseguem criar alternativas, explica. Tem é de haver motivação.

Contudo, o especialista refere que o fim do sexo não implica sempre sofrimento. Há casais que encaram a nova fase com naturalidade e continuam a ter uma ligação afectiva entre eles. Arranjam mecanismos de compensação,investem noutras áreas, como nos filhos e nos netos. O mais difícil é quando não estão os dois em sintonia. O exemplo vai para o fenómeno do Viagra. Ele tinha problemas de erecção, a mulher desistiu da sexualidade, ele toma Viagra e quando volta a uma sexualidade activa é já ela que não está disponível. “O homem recorre à prostituição. Mas segundo os padrões de quando tinha 17, 18 anos. Não usa preservativo – como nunca usou, pensa que pode dificultar a erecção. Acaba a ser infectado com VIH/sida e outras doenças. E infecta também a mulher”, alerta, lembrando o aumento da prevalência desta doença em Portugal nas faixas populacionais mais velhas.

O FILME ERÓTICO PARA IDOSOS DE JANE FONDA

Jane Fonda tem um sonho. Fazer um filme erótico com idosos para provar que os casais nos 70 podem ter uma vida sexual preenchida. O projecto foi anunciado há um ano, quando a actriz fez 70 anos. A norte-americana diz que já tem as ideias para as cenas amorosas, mas continua à procura de um argumentista. “Quero fazer um filme erótico sobre uma mulher de 70. Existe esta ideia que, quando se atinge certa idade, deixamos de ser sexuais. O que é inteiramente falso. Vamos ver se consigo fazê-lo. Tenho de pôr a ideia por escrito primeiro”, adiantou a actriz.

DISCURSO DIRECTO

“HÁ VÁRIAS TERAPIAS POSSÍVEIS”, Bruno Inglês (Sexólogo)

Correio da Manhã – O conceito de sexualidade muda com a idade?

Bruno Inglês – Não há uma mudança muito grande, há sim uma adaptação às circunstâncias. A idade traz doenças como a diabetes ou a hipertensão. A própria medicação que os idosos tomam tem consequências a este nível. Mas os casais podem adaptar-se, e passam a fazer o que é possível fazer.

– As disfunções sexuais são um tema difícil de abordar nesta idade? Os mais idosos são paciente difíceis?

– Tenho encontrado o inverso. Quem vai às consultas aborda a questão com mais abertura, porque são mais vividos e mais descomplexados. Mas estamos a falar daqueles que procuraram ajuda. Admito que na população geral haja pessoas com mais dificuldades em falar sobre este tema.

– Que tipos de ajuda há para ultrapassar esta situação?

– Há vários tipos. O recurso a medicamentos, como terapias hormonais (no caso da falta de lubrificação nas mulheres, por exemplo) ou remédios como Viagra. E depois há terapias familiares ou sexuais. As pessoas devem consultar especialistas e pedir ajuda. Podem abordar o assunto com o médico de família, o ginecologista ou o urologista. n

DICAS

AVISO: RISCO DE LESÃO

Convém ter algumas precauções com as lesões. “Se um idoso praticar desporto depois de muito tempo sem fazer nada, podem ocorrer lesões difíceis de recuperar”, diz Duarte Araújo.

TENDÊNCIA: MAIS ACTIVOS

O número de idosos que faz exercício aumenta. “Cada vez há mais informação e as pessoas estão mais preocupadas”, diz Fátima Baptista. Autarquias e juntas têm programas gratuitos.

CONSELHO: GASTAR ENERGIA

Os especialistas apelam ao movimento. “O que interessa é que os idosos se mexam e gastem energia, seja a passear, a ir buscar o neto à escola ou a limpar a casa”, defende Fátima Baptista.

A SUA OPINIÃO

“O AMOR VERDADEIRO SUPERA O ACTO SEXUAL”, Luís Carvalho, Comerciante, 28 anos, Viseu

É muito mais importante o que se sente pelo outro do que o lado sexual. É verdade que o sexo é o complemento natural de uma relação, mas o amor verdadeiro supera o interesse pelo acto sexual.

“ENVELHECIMENTO DIFICULTA RELAÇÃO”, Samuel Monteiro, Reformado, 59 anos, Lisboa

Com o envelhecimento, se calhar o casal tem uma maior dificuldade no relacionamento sexual e aposta mais em estabelecer laços de amor. As pessoas ficam mais velhas e é natural que fiquem mais cansadas para o sexo.

“VIVE-SE MAIS DE COMPREENSÃO”, Maria José Nobre Directora de Farmácia, 78 anos, Portimão

Claro que há amor para lá do sexo. Vive-se mais de carinho e de compreensão do que de sexo. São factores que, a dada altura, se revelam muito mais gratificantes e a que damos maior importância.

ESTUDOS

NOVOS TEMPOS

As pessoas com mais de 70 anos têm uma vida sexual mais activa e sentem mais prazer do que os idosos há 30 anos, diz uma pesquisa sueca.

ACTIVOS

81% dos homens e 51% das mulheres entre 57 e 85 anos não dispensam o sexo, refere outro estudo norte-americano.

PROBLEMAS

37% dos homens admitem ter dificuldades de erecção. As mulheres têm pouco desejo (43%), falta de lubrificação vaginal (39%) e dificuldades em chegar ao orgasmo (34%).

(Rute Araújo/Correio da Manhã – 13.07.2008 )




Santo Antão: SLTSA na luta contra VIH/SIDA

14 07 2008

O Sindicato Livre dos Trabalhadores de Santo Antão começou uma campanha de sensibilização contra o vírus da SIDA. Os promotores da iniciativa vão formar técnicos e activistas sociais que, por sua vez, irão repassar os conhecimentos a outros funcionários, abarcando assim um número cada vez maior de pessoas informadas. A formação pretende mostrar aos empresários e instituições que a produtividade e qualidade no trabalho dependem também de trabalhadores saudáveis. Esta formação começou ontem sábado, 12, e vai até Dezembro atingindo vários profissionais e serviços.

Esta maratona contra o VIH/SIDA está a ser conduzida pelo Sindicato Livre dos Trabalhadores de Santo Antão, e tem suporte do Comité de Coordenação de Combate à Sida – Cabo Verde. O formador de serviço é o delegado de saúde da Ribeira Grande, Dr. Arlindo do Rosário, que vai animar palestras no seu concelho mas também nos de Porto Novo e Paúl.

Segundo Carlos Pio Correia, presidente da SLTSA, “o objectivo é levar a informação a todas as classes sociais começando pelos chefes de serviços e activistas sociais, para que depois cada um possa fazer o seu papel tanto na instituição como na sociedade em geral”. “Precisamos mostrar que ter trabalhadores saudáveis deve ser uma preocupação também das instituições e empresários. Por isso, cada um de nós deve propagar essa mensagem”, defende Pio Correia.

O Comité de Coordenação de Combate à Sida – Cabo Verde, vai financiar na íntegra a campanha que começou sabádo, 12 de Julho, pelas 9 horas no Gabinete Técnico Intermunicipal-GTI em Ribeira Grande e prossegue até Dezembro, em diversos locais de trabalho da ilha das montanhas.

(Gilvanete Chantre/A Semana Online – 13.07.2008 )





País regista mais de quatro mil novos casos de VIH/Sida no primeiro trimestre deste ano

14 07 2008

Quatro mil e vinte e cinco casos de VIH/Sida foram notificados em Angola, de Janeiro a Março deste ano, o que corresponde a cerca de 20 por cento dos casos de infecção no país.

Em entrevista hoje a Angop, a directora adjunta do Instituto Nacional de Luta contra a Sida, Lúcia Furtado, disse que isto implica que do número estimado de pessoas infectadas (200 mil), 80 por cento não sabe do seu estado serológico, ou seja, não sabe que tem a doença.

De 1985 ao primeiro trimestre de 2008 foram notificados 40 mil 911 casos de VIH/Sida.

Acrescentou que este ano, o número de infectados tende a aumentar, a julgar pela quantidade de casos novos registados no primeiro trimestre deste ano, comparados com os 12 mil 355 notificados em 2007.

Durante o primeiro trimestre, foram testadas 29 mil 702 adultos, dos quais três mil 261 tiveram resultado positivo. Foram igualmente testadas dois mil 810 crianças menores de 15 anos e 245 delas tiveram resultado positivo.

Do número de infectados, 36 mil 974 estão a ser acompanhadas e destes apenas 14 mil 118 têm critérios para iniciar o tratamento com anti-retrovirais.

Por outro lado, desde 2004 até o primeiro trimestre deste ano foram ainda testadas 134 mil 643 mulheres grávidas, sendo encontrados 4 mil e noventa e oito testes positivos.

O país conta com 159 centros de aconselhmaneto e testagem voluntária, que, de acordo com as prioridades do Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS), deverá aumentar gradualmente até estender-se por todo o país.

Luanda foi a província que mais testes realizou (10 mil 103), seguida do Cunene (4.303) e Cabinda (4.108).

O INLS tem como prioridades estender os serviços de aconselhamento e tratamento voluntário a todas as unidades hospitalares com consulta a mulher grávida, bem como o programa de prevenção da transmissão vertical do VIH/Sida a todas os centros de atendimento à mulher grávida onde existam salas de parto.

Estima-se que 200 mil angolanos estejam contaminados pelo VIH/Sida, o que corresponde a uma taxa de prevalência de 2.1 por cento.

Para melhor controlo da doença, em 2007 criaram-se sistemas de registos informatizados para a notificação de casos de VIH/Sida, de acompanhamento de pessoas vivendo com VIH e de aconselhamento e testagem voluntária.

Assim, no primeiro sistema foram analisadas 5 mil 398 fichas informatizadas e concluiu-se que a infecção tem maior prevalência no sexo feminino, na faixa etária dos 20 aos 49 anos.

Com base nos sistemas criados o ano passado, até o primeiro trimestre deste ano foram analisadas mil 203 fichas e concluiu-se que 72 por cento (884) delas foram do sexo feminino e 27,7 do sexo masculino, com uma média de idade de 31 anos, mostrando uma clara feminização da epidemia.

O Cuenene continua a liderar a lista de províncias mais afectadas, com uma prevalência de 9.6 por cento, seguida da Lunda Norte com 6.8 por cento. Kwanza Sul, Bié e Uíge têm menos de um por cento.

Em 2007 foram registados 12 mil 355 novos casos. De 1985 a Dezembro de 2007 foram notificados 36 mil 886 seropositivos no país.

(AngolaPress – 10.07.2008 )