UNIFESP DESENVOLVE TESTE DE TROPISMO PARA IDENTIFICAR PACIENTES QUE PODEM RECEBER NOVO ANTI-RETROVIRAL

12 07 2008

Atualmente, um dos remédios que podem combater o vírus HIV pelo co-receptor CCR5 é o Maraviroc (nome comercial Celsentri) fabricado pela Pfizer. No entanto, o anti-retroviral não está dentro do consenso terapêutico brasileiro por enquanto. No ano passado, a diretora do Programa Nacional de DST/Aids, Mariângela Simão, disse que havia um problema de conflito de interesse com o medicamento (saiba mais). Isso porque o teste de tropismo era apenas disponível nos Estados Unidos.

“O teste de tropismo desenvolvido aqui no Brasil chega para facilitar o acesso ao tratamento de muitos portadores do HIV,” comemora Diaz. O HIV pode usar duas “portas” para entrar nas células sadias – os co-receptores CCR5 ou CXCR4. No decorrer da infecção, o vírus apresenta afinidade por uma ou outra “porta” de entrada. Para saber se o paciente é portador de HIV com afinidade pelo co-receptor CCR5, é necessária a realização de um exame que se chama teste de tropismo. Esse teste determina por qual das portas (CCR5 ou CXCR4) o vírus entra nas células.

“Usamos uma técnica de genotipagem para realizar os estudos e não de fenotipagem como é feito nos Estados Unidos e conseguimos ótimos resultados”, disse Ricardo Diaz.

Segundo ele, a meta agora é negociar com o Ministério da Saúde para o teste ser disponibilizado no serviço público mais a frente. O laboratório privado Centro de Genomas já deve realizar os testes em um período de curto-prazo.

Segundo o pesquisador, a realização do teste antes do tratamento permite a utilização do medicamento justamente naquela população que pode se beneficiar de maraviroc e de outros produtos que chegarem ao País no futuro.

Esse desenvolvimento, realizado na Unifesp, foi uma iniciativa independente do pesquisador Diaz e contou com o apoio financeiro internacional da Pfizer Inc. Por meio de uma técnica que utiliza o mapeamento genético do HIV, o teste de tropismo desenvolvido pelo médico consegue detectar o tropismo CCR5 ou CXCR4 e, assim, identificar o tratamento adequado a cada paciente. O teste que acaba de ser desenvolvido pela Unifesp estará disponível para os pacientes mediante solicitação médica.

Segundo release do laboratório Centro de Genomas, no Brasil, milhares de pacientes em tratamento para o HIV têm resistência a um ou mais medicamentos do coquetel antiAids. Desse grupo, aproximadamente 40% a 60% são portadores do HIV que usa o co-receptor CCR5 como porta de entrada nas células. São esses pacientes que poderão se beneficiar do tratamento com estes medicamentos conhecidos como antagonistas do CCR5.

(Rodrigo Vasconcellos/Agência de Notícias da AIDS – 10.07.2008 )


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