FUNDO QUER TER PATENTES PARA FABRICAR REMÉDIOS BARATOS PARA PAÍSES POBRES

12 07 2008

A Unitaid, a agência internacional criada em 2006 para comprar remédios para Aids, tuberculose e malária, deu o primeiro passo para estabelecer um mecanismo para enfrentar o custo proibitivo dos medicamentos, que acabam ficando fora do alcance da população mais pobre. A agência está aprovando a criação de uma comissão de especialistas que deverão explorar a viabilidade de um “fundo para patentes”.

Em teoria, o fundo deteria as licenças de remédios patenteados, que poderiam ser usadas para fabricar esses remédios a um custo mais baixo para os países pobres. A princípio, o fundo irá enfocar remédios para crianças com Aids, bem como pacientes adultos que desenvolveram resistência às drogas de primeira linha.

Apesar de as patentes para a maioria dos remédios de primeira linha contra Aids terem expirado e estarem mais acessíveis graças aos fabricantes de genéricos, ainda existem patentes para muitos medicamentos pediátricos de segunda linha. Nos países mais pobres, apenas uma minúscula parcela da população em tratamento contra Aids consegue obter as os medicamentos mais recentes.

As patentes contra drogas podem ser complexas e envolver múltiplos detentores, como universidades e governos que apoiaram aspectos da pesquisa em troca de royalties. Portanto, o uso dessas patentes pode exigir negociações extremamente complexas.

A comissão deve incluir, a princípio, apenas cinco especialistas em direito de patentes e um orçamento de aproximadamente 2 milhões de dólares. “A comissão pode solicitar licenças para remédios de segunda geração”, diz James Love, um antigo defensor de remédios mais baratos. “Os detentores das patentes poderão dizer sim ou não – mas, se disserem não, poderão receber críticas da comunidade internacional.”

A Unitaid foi criada em 2006 pelo um grupo de países, incluindo Brasil, Grã-Bretanha, Chile, França, Noruega. Os Estados Unidos não participam. Ela é financiada por uma taxa cobrada nas passagens de avião.

Fonte: G1/New York Times

(Agência de Notícias da AIDS – 11.07.2008 )





UNIFESP DESENVOLVE TESTE DE TROPISMO PARA IDENTIFICAR PACIENTES QUE PODEM RECEBER NOVO ANTI-RETROVIRAL

12 07 2008

Atualmente, um dos remédios que podem combater o vírus HIV pelo co-receptor CCR5 é o Maraviroc (nome comercial Celsentri) fabricado pela Pfizer. No entanto, o anti-retroviral não está dentro do consenso terapêutico brasileiro por enquanto. No ano passado, a diretora do Programa Nacional de DST/Aids, Mariângela Simão, disse que havia um problema de conflito de interesse com o medicamento (saiba mais). Isso porque o teste de tropismo era apenas disponível nos Estados Unidos.

“O teste de tropismo desenvolvido aqui no Brasil chega para facilitar o acesso ao tratamento de muitos portadores do HIV,” comemora Diaz. O HIV pode usar duas “portas” para entrar nas células sadias – os co-receptores CCR5 ou CXCR4. No decorrer da infecção, o vírus apresenta afinidade por uma ou outra “porta” de entrada. Para saber se o paciente é portador de HIV com afinidade pelo co-receptor CCR5, é necessária a realização de um exame que se chama teste de tropismo. Esse teste determina por qual das portas (CCR5 ou CXCR4) o vírus entra nas células.

“Usamos uma técnica de genotipagem para realizar os estudos e não de fenotipagem como é feito nos Estados Unidos e conseguimos ótimos resultados”, disse Ricardo Diaz.

Segundo ele, a meta agora é negociar com o Ministério da Saúde para o teste ser disponibilizado no serviço público mais a frente. O laboratório privado Centro de Genomas já deve realizar os testes em um período de curto-prazo.

Segundo o pesquisador, a realização do teste antes do tratamento permite a utilização do medicamento justamente naquela população que pode se beneficiar de maraviroc e de outros produtos que chegarem ao País no futuro.

Esse desenvolvimento, realizado na Unifesp, foi uma iniciativa independente do pesquisador Diaz e contou com o apoio financeiro internacional da Pfizer Inc. Por meio de uma técnica que utiliza o mapeamento genético do HIV, o teste de tropismo desenvolvido pelo médico consegue detectar o tropismo CCR5 ou CXCR4 e, assim, identificar o tratamento adequado a cada paciente. O teste que acaba de ser desenvolvido pela Unifesp estará disponível para os pacientes mediante solicitação médica.

Segundo release do laboratório Centro de Genomas, no Brasil, milhares de pacientes em tratamento para o HIV têm resistência a um ou mais medicamentos do coquetel antiAids. Desse grupo, aproximadamente 40% a 60% são portadores do HIV que usa o co-receptor CCR5 como porta de entrada nas células. São esses pacientes que poderão se beneficiar do tratamento com estes medicamentos conhecidos como antagonistas do CCR5.

(Rodrigo Vasconcellos/Agência de Notícias da AIDS – 10.07.2008 )