GUINÉ-BISSAU: Epidemia de cólera chega à capital

10 07 2008

Guiné-Bissau está às voltas com uma epidemia de cólera: já foram registados até agora 272 casos e nove mortes em todo o país.

Os primeiros casos da doença ocorreram em Maio, época de chuvas, na região de Tombali, no Sul do país, mas os esforços das autoridades sanitárias não impediram o avanço da doença.

Na capital Bissau já foram registados 172 casos e duas mortes. A maioria dos bairros periféricos desta cidade já foi atingida.

A ministra da Saúde da Guiné-Bissau, Eugénia Saldanha, reconhece que a doença está a alastrar-se. “Já perdemos nove vidas, perdas que poderiam ter sido evitadas”, diz.

Quase endémica na Guiné-Bissau, a cólera causa uma infecção intestinal aguda, com sintomas como diarréia e vômito, que podem matar se não tratados imediatamente.

A doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é “um dos principais indicadores de desenvolvimento social”, pois ocorre geralmente em países em desenvolvimento, onde as estruturas de água e esgoto são precárias.

A OMS destaca o fornecimento adequado de água potável, o descarte de fezes humanas, e condições higiénicas de alimentação como essenciais para evitar a doença.

Medidas de controle

Uma enfermaria com mais de dez profissionais foi preparada no Hospital Simão Mendes, em Bissau, para receber os doentes de cólera. Até o início da semana, seis pacientes estavam internados em estado grave.

O tratamento é relativamente simples: basta que a pessoa seja rehidratada oralmente para a reposição de fluidos. Em casos mais severos, é necessária hidratação intravenosa.

O director do hospital, Agostinho Semedo, alerta, porém, que a instituição não tem estrutura para lidar com uma epidemia em larga escala.

“Ainda temos um estoque razoável de medicamentos e soro, mas alguns expiram no final do mês. Precisamos impedir que a epidemia fuja do controle das autoridades”, afirma.

Saldanha refere também que, embora os centros de saúde em Bissau estejam preparados para atender os doentes, obstáculos como falta de água potável complicam o tratamento.

“Em muitos centros estamos confrontados com a falta de água canalizada, que pode dificultar o atendimento aos pacientes de cólera”, explica.

Como medida de prevenção, a ministra da Saúde também pediu à população que suspenda as cerimónias tradicionais como toca-choros, esmolas, baptizados e fanados.

Tais cerimónias geralmente envolvem abate de animais em grande quantidade, manuseio de alimentos sem controlo e troca de alimentos entre pessoas, que são vias prováveis de transmissão de cólera.

(PlusNews – 10.07.2008 )


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