A ministra da Saúde Manto Tshabalala-Msimang abriu a primeira conferência nacional de tuberculose (TB) da África do Sul na semana passada com boas notícias: departamento pelo qual é responsável irá adquirir tecnologia que reduzirá o tempo necessário para diagnosticar TB resistente a medicamentos de quatro meses para menos de uma semana.
A África do Sul está lutando contra a crescente incidência de TB resistente a multidroga (MDR), uma forma da doença que não responde ao tratamento padrão com medicamentos de primeira linha. A dificuldade de diagnosticar MDR-TB usando o método actual de cultivo de culturas num laboratório especialmente equipado é que muitos pacientes infectam inúmeras outras pessoas ou morrem antes que saia o resultado do exame.
Embora 7.369 casos de MDR-TB tenham sido diagnosticados em 2007, de acordo com números do departamento de Saúde, é possível que mais casos não tenham sido detectados.
O novo exame de diagnóstico, que usa um método molecular sofisticado, foi desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Fundação para Novos Diagnósticos Inovadores e testado numa pesquisa de campo na África do Sul conduzida pelo Conselho de Pesquisas Médicas e pelos Serviços de Laboratório da Saúde Nacional.
Segundo a declaração da OMS, a pesquisa produziu resultados encorajadores o bastante para que o exame com base no DNA fosse iniciado em 16 países com alto índice de TB. No entanto, envio do novo equipamento e formação de pessoal para manuseá-lo aconteceria nos próximos quatro anos. Lesoto é, até o momento, o único país equipado para fazer o exame.
O discurso de Tshabalala não deu importância aos números alarmantes de casos de TB na África do Sul, que estão entre os mais altos do mundo, e focou nos pequenos progressos feitos nos últimos dois anos: uma queda de um por cento no número de infecções por TB entre 2006 e 2007, e um aumento na taxa nacional de cura de 55 por cento em 2005 para 63 por cento em 2006 – ainda muito abaixo da taxa de 85 por cento de cura recomendada pela OMS para que se alcance a meta de reduzir o índice global de TB.
“Estamos indo na direcção certa”, insistiu Tshabalala, “e com o suporte dos nossos parceiros (…) alcançaremos nossas metas”.
Nem todos presentes na conferência mostraram o mesmo optimismo que a ministra.
“Parece que existe uma lente cor-de rosa que a ministra está querendo colocar sobre a TB”, diz Paula Akugizibwe, uma oficial de formação e defesa de TB/HIV da Aliança de Direitos da África Austral (ARASA, em inglês), uma parceria regional de organizações não-governamentais, baseada em Windhoek, Namíbia.
“É importante enfatizar as conquistas, mas não podemos deixar que isso encubra os desafios urgentes”, comentou.
O surgimento de MDR-TB é amplamente reconhecido como consequência de falhas no controle de TB no país. Resistência a medicamentos é normalmente o resultado da interrupção dos seis meses de tratamento de primeira linha que os pacientes devem cumprir. A tuberculose é curável, mas na África do Sul ainda é a principal causa de morte natural e um dos principais factores por trás da decrescente expectativa de vida do país.
Lesley Odendal, do grupo de pressão Treatment Action Campaign (TAC), apresentou uma análise crítica do plano estratégico do governo para TB de 2007 a 2011. Ela identificou distribuições insuficientes de orçamento, falha em responder adequadamente a problemas críticos como suprimento de medicamentos e controle de infecções, e a falta de detalhes sobre como implementar o objectivo de integrar programas de TB e HIV como alguns dos pontos fracos do plano.
“Há uma falta de estrutura para prestação de contas, de tomada de decisão e de senso de urgência”, informou aos delegados.
Tesoureiro nacional do TAC e director executivo do Projecto de Lei da SIDA, Mark Heywood foi ainda mais longe: “Há um abismo entre a retórica e a falta de acção”, disse.
Ele descreveu o plano estratégico como “um enorme passo adiante”, embora preocupado com a possibilidade de não ser mais que uma lista de desejos, caso o governo não sustente isso com liderança política e recursos.
“O plano irá falhar”, disse ele, a menos que o governo dê uma série de passos, incluindo a identificação e implementação de medidas de emergência, coordenação de uma campanha massiva de informação e desenvolvimento de um plano de recursos humanos para TB.
(PlusNews – 08.07.2008 )
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