GUINÉ-BISSAU: Epidemia de cólera chega à capital

10 07 2008

Guiné-Bissau está às voltas com uma epidemia de cólera: já foram registados até agora 272 casos e nove mortes em todo o país.

Os primeiros casos da doença ocorreram em Maio, época de chuvas, na região de Tombali, no Sul do país, mas os esforços das autoridades sanitárias não impediram o avanço da doença.

Na capital Bissau já foram registados 172 casos e duas mortes. A maioria dos bairros periféricos desta cidade já foi atingida.

A ministra da Saúde da Guiné-Bissau, Eugénia Saldanha, reconhece que a doença está a alastrar-se. “Já perdemos nove vidas, perdas que poderiam ter sido evitadas”, diz.

Quase endémica na Guiné-Bissau, a cólera causa uma infecção intestinal aguda, com sintomas como diarréia e vômito, que podem matar se não tratados imediatamente.

A doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é “um dos principais indicadores de desenvolvimento social”, pois ocorre geralmente em países em desenvolvimento, onde as estruturas de água e esgoto são precárias.

A OMS destaca o fornecimento adequado de água potável, o descarte de fezes humanas, e condições higiénicas de alimentação como essenciais para evitar a doença.

Medidas de controle

Uma enfermaria com mais de dez profissionais foi preparada no Hospital Simão Mendes, em Bissau, para receber os doentes de cólera. Até o início da semana, seis pacientes estavam internados em estado grave.

O tratamento é relativamente simples: basta que a pessoa seja rehidratada oralmente para a reposição de fluidos. Em casos mais severos, é necessária hidratação intravenosa.

O director do hospital, Agostinho Semedo, alerta, porém, que a instituição não tem estrutura para lidar com uma epidemia em larga escala.

“Ainda temos um estoque razoável de medicamentos e soro, mas alguns expiram no final do mês. Precisamos impedir que a epidemia fuja do controle das autoridades”, afirma.

Saldanha refere também que, embora os centros de saúde em Bissau estejam preparados para atender os doentes, obstáculos como falta de água potável complicam o tratamento.

“Em muitos centros estamos confrontados com a falta de água canalizada, que pode dificultar o atendimento aos pacientes de cólera”, explica.

Como medida de prevenção, a ministra da Saúde também pediu à população que suspenda as cerimónias tradicionais como toca-choros, esmolas, baptizados e fanados.

Tais cerimónias geralmente envolvem abate de animais em grande quantidade, manuseio de alimentos sem controlo e troca de alimentos entre pessoas, que são vias prováveis de transmissão de cólera.

(PlusNews – 10.07.2008 )





G8 disponibiliza 50 mil milhões de dólares para combate às doenças infecciosas

10 07 2008

O G8 comprometeu-se, esta terça-feira, a aplicar 60 mil milhões de dólares no combate à SIDA e à malária em África durante os próximos cinco anos e confirmou o compromisso do grupo de duplicar a sua ajuda ao continente até 2010.

Os países mais industrializados do mundo comprometeram-se, esta terça-feira, no Japão, a aplicar 60 mil milhões de dólares no combate à SIDA e à malária em África durante os próximos cinco anos.

«Reiteramos o nosso compromisso de prosseguir os esforços para trabalhar com vista a fornecer pelo menos 60 mil milhões de dólares durante cinco anos para combater as doenças infecciosas e reforçar a saúde» em África, lê-se num comunicado.

O compromisso de pagar 60 mil milhões de dólares para lutar contra a malária e a SIDA tinha sido tomado pelos líderes dos EUA, Reino Unido, Japão, Alemanha, França, Itália, Rússia e Canadá na cimeira de Heiligendamm, na Alemanha.

O grupo confirmou também o compromisso, assumido há três anos na cimeira de Gleneagles, na Escócia, de duplicar, para 50 mil milhões de dólares, até 2010 a ajuda ao desenvolvimento do continente africano.

(TSF – 08.07.2008 )





Zimbabwe lança novo medicamento antituberculose

10 07 2008

O Zimbabwe anunciou, terça-feira, o lançamento para breve dum novo remédio para combater a tuberculose ligada à sida, que mata cerca de cinco mil pessoas por semana no país.

Segundo o ministro da Saúde, David Parirenyatwa, este novo medicamento designado por “isoniaside, protege os seropositivos da infeção pela tuberculose, uma das doenças frequentemente associadas à sida.

“Estamos muito preocupados pelos riscos de co-infecção, uma situação em que os pacientes de HIV e da sida são infectados por outras doenças, nomeadamente pela tuberculose, com todos os seus efeitos devastadores”, afirmou.

O novo medicamento tem como objectivo fazer com que este doentes não contraiam a tuberculose além do VIH e da sida”, afirmou Parirenyatwa.

Apesar da redução do número de infecções durante os últimos anos, o Zimbabwe é um dos países mais duramente atingidos pelo HIV/Sida.

(Panapress – 09.07.2008 )





Alerta de Meliço-Silvestre. Sida: Ideia de existência de tratamento “pode abrandar prevenção”

10 07 2008

A ideia de que a sida “já pode ser tratada” tende a suscitar “abrandamentos na prevenção” da doença, alertou hoje, em Coimbra, o médico Meliço-Silvestre, ex-responsável da Unidade de Missão da Luta Contra a Sida.

Meliço-Silvestre, director do Departamento de Doenças Infecciosas dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), falava no congresso “Cidades, Saúde e Segurança 2008″, que termina quarta-feira.

A propósito dos riscos de propagação do vírus da sida (VIH) entre os toxicodependentes, Meliço-Silvestre admitiu que o consumo de drogas pela via endovenosa diminuiu nos últimos anos, o que poderá ser benéfico para o combate à doença.

No entanto, disse recear que o consumo de novas drogas, pela via oral, “leve depois a uma actividade sexual mais liberta de constrangimentos”, ou seja, sem uso de preservativo, o que acaba por potenciar os riscos de contaminação.

Com as actuais tendências do mundo das drogas, optando os consumidores mais por substâncias como anfetaminas ou ecstasy, “pode acontecer” que as pessoas “aligeirem a prevenção no final de uma noite na discoteca” e noutros espaços de diversão nocturna.

Por outro lado, o catedrático de Medicina dsa Universidade de Coimbra disse que “há hoje medicamentos comprados na Net que são pura falsificação”, não produzindo os efeitos que são publicitados quanto ao tratamento da sida.

Em Portugal, segundo o orador, nas unidades de saúde públicas vocacionadas para o combate a esta doença, era hábito os seus responsáveis “não recusarem tratar” imigrantes dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), mesmo estando em situação irregular.

“Eles vinham dos PALOP quase de propósito. Mas isso começa-se a saber e os governos começam a ficar nervosos”, disse o médico dos HUC, lembrando que têm aumentado as “restrições económicas” nos serviços públicos, incluindo na saúde.

Em 2006, registaram-se em Portugal seis novos casos de infecção pelo VIH por dia, segundo Meliço-Silvestre.

Trinta e dois mil portugueses “vivem com a infecção” actualmente.

“Portugal é o quarto país da Europa Ocidental com novos casos de VIH, a seguir ao Reino Unido, França e Alemanha”, sublinhou.

Revelou que, em unidades públicas, como a de Doenças Infecciosas dos HUC, “há sobretudo doentes que não seguiram os tratamento, que se desinteressaram completamente da vida”.

“As tais cidades saudáveis acabam por criar também guetos, onde as doenças têm uma dinâmica própria”, observou o ex-chefe da Unidade de Missão da Luta Contra a Sida.

(Público – 08.07.2008 )





Rede Nacional de Pessoas vivendo com VIH/Sida realiza encontro

10 07 2008

A Rede Nacional de Pessoas vivendo com VIH/Sida (RNP+Angola) vai realizar, de 15 a 17 deste mês, o seu primeiro encontro com o objectivo de se fortalacer e ampliar as actividades em cuidados e apoio aos necessitados.

Segundo fonte da RNP+Angola, o encontro, que vai reunir os 18 pontos focais da rede, representantes de ONG-Sida nacionais e internacionais, do governo, das Nações Unidas e convidados do Brasil e Moçambique, visa ainda criar um ambiente de apoio às pessoas com VIH, promovendo, expandindo e fortalecendo a rede nacional.

Adiantou que a liderança no desenvolvimento e gestão dos serviços a partir de cuidados domiciliares, vai melhorar de forma mais eficaz a promoção da participação activa das pessoas com VIH/Sida nos serviços de adesão do tratamento com anti-retrovirais, profilaxia, identificação e tratamento das infecções oportunistas é outro objectivo da reunião que decorrerá na comuna do Mussulo, município da Samba.

Durante o encontro, Brasil e Moçambique apresentarão as suas experiências na luta contra o VIH/Sida, serão traçadas estratégias de apoio às pessoas doentes, bem como serão exibidos dois filmes, nomeadamente “Coração mais forte”, “Cenários de África” e “Farda de combate”.

A iniciativa deste encontro é do UNICEF, ONUSIDA e Instituto Nacional de Luta contra a Sida na expectativa de se reduzir os casos de transmissão vertical e de mortalidade infantil e apoiar as crianças orfãs e vulneráveis.

(AngolaPress – 09.07.2008 )





Doentes com SIDA poderão visitar Pequim

10 07 2008

Apesar da República Popular da China não permitir a entrada de portadores do vírus da SIDA, poderá ser feita uma excepção durante a realização das Olimpíadas de Pequim. Juntamente com os portadores desta doença, também os portadores de outras doenças venéreas ou mentais poderão ter autorização para entrar no país asiático.

Mao Qun’an, porta-voz do Ministério da Saúde chinês, adiantou, em Novembro do ano passado, que para esta situação, inédita desde 1988, poder ser concretizada, terá de ser passada uma emenda na lei de Regulação da Supervisão e Gestão da SIDA.

Todavia, não há ainda uma data definida para a resolução desta situação, nem se sabe quando irão voltar a ser fechadas as portas às pessoas que sofrem deste tipo de doenças.

Segundo o diário “Shanghai Daily”, as pessoas que entrarem no país com estas doenças irão estar sob controle permanente por parte das autoridades sanitárias. Para além desta situação, também vão ser autorizados animais de estimação, um por pessoa, incluindo cães-guia para cegos.

(Record – 09-07-2008 )





Portadores de VIH/sida abandonam tratamento

10 07 2008

O Programa Nacional de Luta contra a Sida (PNLS), no Cunene, está preocupado pelo facto de portadores do VIH/Sida, na região, abandonarem constantemente o tratamento.
Segundo a coordenadora da instituição, Cândida Alcina, que não avançou o número de casos, está em execução um projecto de revitalização dos serviços de saúde, onde estão integrados todos os programas sanitários primários.
Nos municípios e comunas onde ainda não existem centros de aconselhamento e testagem voluntária sobre o VIH/Sida o diagnóstico e a terapia dos doentes é feita nos locais de residência.
De acordo com a coordenadora, neste projecto destaca-se o aumento do pessoal ligado ao diagnóstico da patologia. Foram formados 120 novos técnicos de saúde nas áreas de laboratório, farmácia, enfermagem, estatística e vigilância, de modo a atingir as diversas localidades da província do Cunene.
Cândida Alcina sublinhou que o projecto inclui ainda a extensão da terapia a nível do interior dos municípios de Curoca, Cuvelai e às comunas de Kalueque, Chiedi e Mongua, nas circunscrições do Kwanhama, Ombadja e Namacunde.
Aumentar a oferta do teste voluntário, bem como implementar o programa de corte vertical em todas as unidades sanitária onde se efectuam partos, constituem objectivos do projecto.
A província do Cunene possui 13 centros e postos de aconselhamento e testagem voluntária sobre o VIH/Sida (CATV).

(Jornal de Angola – 09.07.2008 )





ÁFRICA DO SUL: Praga de três letras

10 07 2008

Todos sabem como o tratamento para HIV/SIDA tornou-se enfim disponível aos sul-africanos comuns. É uma história que opõe a ciência e a razão à negação e à superstição, de um longo combate onde os activistas da SIDA acabaram por vencer os políticos.

Hoje o efeito do tratamento antiretroviral (ARV) tornou-se um antídoto familiar e confortante para os anos em que se assistiu, de forma impotente, as pessoas sucumbirem ao vírus. Com o direito dos africanos pobres ao ARV estabelecido e sua capacidade de aderir a um tratamento que dura a vida toda demostrado, o novo desafio é garantir que cada africano seropositivo que necessite deste tratamento o receba.

Se tivéssemos mais médicos e enfermeiros, é o que nos dizem; se tivéssemos melhores sistemas de saúde e a vontade política necessária, poderíamos atingir a meta do acesso universal ao tratamento.

No livro Praga de Três Letras (Three-Letter Plague, em inglês), o escritor e jornalista sul-africano Jonny Steinberg examina a premissa implícita nesta meta: se o tratamento é disponível, as pessoas irão buscá-lo.

Steinberg, recusando-se a ser levado pelo zelo quase missionário ao tratamento de grupos de pressão tais como a Campanha de Acção pelo Tratamento da África do Sul e a organização médica internacional Médicos sem Fronteiras (MSF), tenta responder à questão espinhosa de saber por que tantos sul-africanos se recusam a fazer o teste HIV ou a tomar os ARVs, apesar da disponibilidade de bom tratamento.

Ele procura respostas no distrito rural de Lusikisiki, no Cabo Oriental, onde a MSF foi pioneira no uso de clínicas de saúde subutilizadas e com poucos recursos para fornecer tratamento ARV a milhares de pessoas da região. Num lugar onde os ARVs são disponíveis em clínicas locais ao invés de hospitais distantes, onde uma equipa bem treinada de conselheiros leigos apóia enfermeiras na distribuição dos medicamentos, ainda existem pessoas com doenças relacionadas à SIDA que preferem ficar em casa e morrer.

Hermann Reuter, personagem central da narrativa de Steinberg, que dirigiu o programa da MSF em Lusikisiki até o mesmo ser transferido às autoridades locais em 2006, fornece uma explicação: se uma pessoa viaja uma longa distância para chegar até um centro de saúde e ainda tem que esperar horas para ser mal-atendida ou mandada embora por uma enfermeira, ela não volta mais.

Sem investimento e adesão do governo, o alcance do programa da MSF era limitado. Reuter insiste no fato de que se as clínicas tivessem energia eléctrica e água corrente, estoques de medicamentos e equipamentos, e contassem com uma equipa de profissionais da saúde bem pagos, os pacientes afluiriam.

Com a suspeita de que a explicação de Reuter explica só parte de uma história muito mais complexa, Steinberg engaja Sizwe Magadla, 29 anos, morador da região, para ajudá-lo a investigar mais fundo.

''Não é uma doença que procuras ter. Esperas que ela venha a ti, então lidas com ela.''

Bem-sucedido proprietário de uma pequena loja, Magdla recebeu uma boa educação e é rico para os padrões deste vilarejo remoto e pobre. Ele conhece os perigos do HIV; como a maioria dos sul-africanos, ele viu pessoas próximas adoecerem e morrerem por causa do vírus. Ele também sabe que há uma grande possibilidade de que ele mesmo seja seropositivo. E apesar de tudo isto, ele recusa-se a fazer o teste.

“Não é uma doença que procuras ter”, disse ele a Steinberg. “Esperas que ela venha a ti, então lidas com ela.”

Durante os 18 meses que Steinberg passou a visitar regularmente Magadla e a usá-lo como intérprete, os motivos que o jovem rapaz lhe dá para não fazer o teste são tão contraditórios e complexos quanto o mundo onde vive.

Aos olhos de Magadla, as pessoas da região que recebem o tratamento ARV, que são a prova de que os “comprimidos mágicos” funcionam, estão em conflito com sua profunda desconfiança dos homens brancos e de sua medicina.

Ele sabe que o HIV é transmitido através de relações sexuais não protegidas, mas também acredita no poder de espíritos malignos. Ele compra uma “cura” à base de ervas para sua prima seropositiva, mas leva-a junto com seu namorado à clínica.

No mundo de Magadla, a vergonha e o medo do HIV são uma ameaça tão grande quanto o próprio vírus.

“Se eu souber que sou seropositivo, eu vou morrer mais rápido… Saber que meu sangue é sujo, sentir isto cada vez que acordo de manhã, não demoraria muito para eu morrer”, disse.

Em Praga de Três Letras, Steinberg levanta mais questões do que pode responder sobre a crise da SIDA na África do Sul e o que ela significa para o país, mas sugere que se trata de um enigma que a ciência ocidental não pode resolver sozinha. As pessoas, em toda sua complexidade, estão no centro da pandemia, e são suas esperanças e seus temores, crenças e motivações que devem ser compreendidos para que metas como o acesso universal possam ser atingidas.

(PlusNews – 09.07.2008 )





VIH/Sida: Pagamentos a associações já saldados, mas seis meses sem receber levaram à saída de técnicos

10 07 2008

Lisboa, 09 Jul (Lusa) – O pagamento dos subsídios em atraso a organizações com projectos na área do VIH/Sida já foi feito, mas seis meses sem receber da Coordenação Nacional levaram à saída de vários técnicos em pelo menos duas associações.

Em declarações à Agência Lusa, Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa contra a Sida, lamentou que o “estrangulamento financeiro” sentido durante seis meses levou “vários técnicos que eram uma mais-valia a sair por não poderem continuar sem receber”.

“Compreendo o desânimo, o agastamento, a frustração de não saberem como é que a situação iria continuar e por terem contas para pagar como toda a gente. Qualquer pessoa que trabalha com qualidade merece o seu vencimento”, declarou.

Para que os utentes continuassem sem pagar consultas, a Liga contou com o apoio de “mecenas e sócios”.

Vários apoios também possibilitaram à Abraço continuar a assegurar “algumas áreas mais complicadas como os apoios domiciliários”, mas houve dois técnicos que saíram da organização.

Margarida Martins explicou que as eleições na associação impossibilitaram um pedido de empréstimo bancário e que a situação vivida nos últimos seis meses obrigam a “repensar alguns projectos, como a cozinha”.

A mesma responsável referiu ter começado a contactar o Ministério da Saúde em Novembro para acautelar a situação, porque a lei “pode ser alterada, mas não se podem pôr em causa os doentes”.

A Fundação Portuguesa à Comunidade contra a Sida continua sem receber, mas devido à necessidade de apresentar uma rectificação de uma acta de uma reunião. Segundo a presidente do organismo, Filomena Frazão, o estatuto de fundação não possibilitou o recurso a empréstimos, mas contou também com apoio dos mecenas.

Ricardo Fernandes, responsável da Positivo, informou ter recebido o financiamento há cerca de três semanas e ter conseguido manter a “situação mais ou menos controlada, pagando entre 20 a 30 por cento” dos salários dos seus técnicos, que foram “muito compreensivos”.

“Mas ao fim de seis meses, a compreensão já não chega e não sei o que se poderia fazer, se a situação não se resolvesse”, referiu.

A Associação Sol também já recebeu e garantiu que no último ano conseguiu manter as portas abertas por a direcção ter colocado dinheiro próprio, ajuda da sociedade civil e um empréstimo bancário, uma vez que um atraso de 60 dias na entrega da candidatura ao financiamento estatal impossibilitou receber essas verbas.

À Lusa, os responsáveis das associações lançaram algumas críticas.

A Fundação alertou para o encurtamento do prazo proposto para desenvolvimento de projectos de prevenção, enquanto a Liga Portuguesa lamentou que o “trabalho complementar para cumprir o Plano Nacional de Saúde não tenha sido tratada com respeito nos seis meses”.

Pela parte da Abraço, Margarida Martins afirma que “se aposta no cavalo errado” por a Coordenação Nacional “chumbar” projectos na área da prevenção entre os heterossexuais, um grupo em maior risco, ou em Setúbal, uma zona com muita carência de acompanhamento directo. No caso específico de Setúbal, Margarida Martins explicou que a associação não apresentou um documento da Segurança Social de garantia de apoio dentro de quatro anos, o “prazo que têm para negociar essa verba”.

Teresa de Almeida, responsável da Sol, informou que irá enviar uma carta à ministra da Saúde para a convidar a visitar a associação e transmitir-lhe que “não se pode dar assistência a tantas crianças com apenas seis auxiliares”. A presidente lamentou ainda que o coordenador nacional para a infecção VIH/Sida esteja a financiar um projecto que “nunca viu”.

“Podia ter aqui sacos de batata em vez de crianças”, referiu.

Contactado pela Agência Lusa, o coordenador Henrique Barros escusou-se a fazer comentários sobre as críticas.

O financiamento aos projectos das organizações não governamentais passou a ser regulado por um decreto-lei, publicado em 2006, que alterou a duração do financiamento para um máximo de quatro anos, tendo também aumentado de 80 para 100 por cento o montante atribuído a projectos que prestam cuidados sociais ou de saúde às pessoas que vivem com a infecção.

Segundo dados da coordenação, foram submetidas 39 candidaturas para projectos a implementar em 2009, das quais 23 projectos de prevenção, nove projectos de apoio social e extra-hospitalar e sete projectos de formação, num total de cerca de 2,15 milhões de euros.

(PL/Lusa/Fim – 09.08.2008 )





ÁFRICA DO SUL: Plano contra TB difere entre promessa e realidade

10 07 2008

A ministra da Saúde Manto Tshabalala-Msimang abriu a primeira conferência nacional de tuberculose (TB) da África do Sul na semana passada com boas notícias: departamento pelo qual é responsável irá adquirir tecnologia que reduzirá o tempo necessário para diagnosticar TB resistente a medicamentos de quatro meses para menos de uma semana.

A África do Sul está lutando contra a crescente incidência de TB resistente a multidroga (MDR), uma forma da doença que não responde ao tratamento padrão com medicamentos de primeira linha. A dificuldade de diagnosticar MDR-TB usando o método actual de cultivo de culturas num laboratório especialmente equipado é que muitos pacientes infectam inúmeras outras pessoas ou morrem antes que saia o resultado do exame.

Embora 7.369 casos de MDR-TB tenham sido diagnosticados em 2007, de acordo com números do departamento de Saúde, é possível que mais casos não tenham sido detectados.

O novo exame de diagnóstico, que usa um método molecular sofisticado, foi desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Fundação para Novos Diagnósticos Inovadores e testado numa pesquisa de campo na África do Sul conduzida pelo Conselho de Pesquisas Médicas e pelos Serviços de Laboratório da Saúde Nacional.

Segundo a declaração da OMS, a pesquisa produziu resultados encorajadores o bastante para que o exame com base no DNA fosse iniciado em 16 países com alto índice de TB. No entanto, envio do novo equipamento e formação de pessoal para manuseá-lo aconteceria nos próximos quatro anos. Lesoto é, até o momento, o único país equipado para fazer o exame.

O discurso de Tshabalala não deu importância aos números alarmantes de casos de TB na África do Sul, que estão entre os mais altos do mundo, e focou nos pequenos progressos feitos nos últimos dois anos: uma queda de um por cento no número de infecções por TB entre 2006 e 2007, e um aumento na taxa nacional de cura de 55 por cento em 2005 para 63 por cento em 2006 – ainda muito abaixo da taxa de 85 por cento de cura recomendada pela OMS para que se alcance a meta de reduzir o índice global de TB.

“Estamos indo na direcção certa”, insistiu Tshabalala, “e com o suporte dos nossos parceiros (…) alcançaremos nossas metas”.

Nem todos presentes na conferência mostraram o mesmo optimismo que a ministra.

''É importante enfatizar as conquistas, mas não podemos deixar que isso encubra os desafios urgentes.''

“Parece que existe uma lente cor-de rosa que a ministra está querendo colocar sobre a TB”, diz Paula Akugizibwe, uma oficial de formação e defesa de TB/HIV da Aliança de Direitos da África Austral (ARASA, em inglês), uma parceria regional de organizações não-governamentais, baseada em Windhoek, Namíbia.

“É importante enfatizar as conquistas, mas não podemos deixar que isso encubra os desafios urgentes”, comentou.

O surgimento de MDR-TB é amplamente reconhecido como consequência de falhas no controle de TB no país. Resistência a medicamentos é normalmente o resultado da interrupção dos seis meses de tratamento de primeira linha que os pacientes devem cumprir. A tuberculose é curável, mas na África do Sul ainda é a principal causa de morte natural e um dos principais factores por trás da decrescente expectativa de vida do país.

Lesley Odendal, do grupo de pressão Treatment Action Campaign (TAC), apresentou uma análise crítica do plano estratégico do governo para TB de 2007 a 2011. Ela identificou distribuições insuficientes de orçamento, falha em responder adequadamente a problemas críticos como suprimento de medicamentos e controle de infecções, e a falta de detalhes sobre como implementar o objectivo de integrar programas de TB e HIV como alguns dos pontos fracos do plano.

“Há uma falta de estrutura para prestação de contas, de tomada de decisão e de senso de urgência”, informou aos delegados.

Tesoureiro nacional do TAC e director executivo do Projecto de Lei da SIDA, Mark Heywood foi ainda mais longe: “Há um abismo entre a retórica e a falta de acção”, disse.

Ele descreveu o plano estratégico como “um enorme passo adiante”, embora preocupado com a possibilidade de não ser mais que uma lista de desejos, caso o governo não sustente isso com liderança política e recursos.

“O plano irá falhar”, disse ele, a menos que o governo dê uma série de passos, incluindo a identificação e implementação de medidas de emergência, coordenação de uma campanha massiva de informação e desenvolvimento de um plano de recursos humanos para TB.

(PlusNews – 08.07.2008 )