MOÇAMBIQUE: “O HIV mudou-me e mudou minhas relações”

8 07 2008

A moçambicana Luciana Silva só descobriu que era seropositiva quando estava grávida de seu quinto filho. E aí, tudo desmoronou: o seu marido saiu de casa, o bebé nasceu infectado e ela se viu sozinha e discriminada.

Mas ela não se deu por vencida: arregaçou as mangas e, uma por uma, foi enfrentando as dificuldades. Aos poucos, a vizinhança deixou de discriminá-la. O seu marido voltou para casa, após saber que ele também era seropositivo. O seu filho Silvano crescia saudável e feliz, rodeado pelos irmãos mais velhos.

Hoje, aos 32 anos, Silva experimenta a calmaria junto da prole e do marido, e aproveita para partilhar a sua experiência com outros, no seu trabalho como activista.

“Acho que o HIV me mudou e mudou as minhas relações”, diz.

MOÇAMBIQUE: “O HIV mudou-me e mudou minhas relações”
Nasci na província da Zambézia, na zona centro de Moçambique, em 1976. Tenho cinco filhos e o último, de quatro anos, também é seropositivo. Sou casada e o meu marido também está infectado.

Já tenho o HIV há muito tempo. No final de 2003, eu engravidei, mas vivia doente. Tinha muitas dores de cabeça, até que resolvi ir ao hospital para fazer testes. Foi quando descobri que era seropositiva.

O médico que me deu o diagnóstico não me falou nada sobre a prevenção da transmissão vertical, que ajuda a evitar a passagem do vírus da mãe para bebé, e quando eu ia à maternidade também não falava que tinha o HIV. Na época, as grávidas não precisavam de fazer o teste de HIV.

O meu quinto filho, Silvano da Silva, nasceu em 2004. Ele é seropositivo.

Família normal

O meu marido saiu de casa quando soube que eu estava infectada, porque não queria partilhar a vida com uma seropositiva. Ele não sabia que também tinha o HIV.

Sofri muito quando isso aconteceu, porque tinha que viver sem o meu parceiro e cuidar de cinco filhos, um deles ainda bebé.

Contei aos meus filhos e à minha família que era seropositiva. Nunca escondi nada. Os meus filhos aceitaram bem. Na época eles eram pequenos, o mais velho tinha 14 anos.

Os meus vizinhos souberam que o meu teste havia dado positivo e eu vivi momentos de muita discriminação. Mas, curiosamente, todos os que me discriminavam hoje são seropositivos como eu. Hoje o HIV não é mais novidade onde eu moro.

Quando soube que também era seropositivo o meu marido voltou para casa. Ele estava muito mal, mas agora está até gordo!

Apesar de precisar de um pouco mais de cuidado, Silvano está bem saudável. Dos cinco, ele é o que me dá menos trabalho: enquanto os outros pegam malária, ficam com diarréia, ele nunca teve nenhuma doença. E os irmãos o tratam normalmente.

Apesar de eu, meu marido e um de meus filhos sermos seropositivos, levamos uma vida normal. A nossa família é igual às outras.

Mais abertura

Sou religiosa e frequento a Igreja Fiel de Jesus Salvador. Meus irmãos da igreja rezam muito por mim e pela minha família. Isso ajuda-me muito.

Depois de descobrir que sou seropositiva, tornei-me activista e dou palestras sobre a prevenção. Sou membro da associação OVARANA (“De mãos dadas estamos juntos no combate ao HIV/SIDA”, na língua mácua).

Acho que o HIV mudou-me e mudou as minhas relações. Agora eu digo a todos que sou seropositiva. Hoje mesmo falei com a família do meu marido, encorajando-os a fazer o teste.

Eu e o meu marido também somos mais companheiros, mais amigos. Tanto que, depois de cinco filhos, decidimos casar oficialmente no ano que vem.

Também tenho mais abertura para falar com os meus filhos. O mais velho, hoje com 18 anos, está numa fase em que está cercado de raparigas. Levei-o para fazer o teste de HIV. Esperei do lado de fora e quando o resultado saiu, ele veio me contar. Deu negativo.
(PlusNews – 07.07.2008 )


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Uma resposta

11 02 2009
Finias Jackson

Sou um jovem de 25 anos de idade. Estudante no terceiro ano da Universidade.

Bem. Li a historia do casal infectdo.

Eu tou a viver uma outra situação. Estou a viver com uma seropositiva e ja temos uma filha que felizmente devido ao tratamento vertical a filha é sero -negativa. Eu ja fiz varios testes de HIV e todos foram negativos, a minha parceira discobriu que é positiva a mais de cinco anos e encontrando-se a tomar antiretrovirais durante o mesmo tempo.
Levei quase dois anos para me decidir para retirar da casa mas mesmo assim decida pelo menos mew afastar não muito distante mas sim proximo da minha filha e da mão prestando toda a assistencia necessária.

Gostaria de saber se um dia uma vez eu ja pratiquei relações sexuais com ela sem nenhuma protecção o virus podera surgir no meu organismo ou não.

Faço teste de HIV sempre ja fiz mais de cinco vezes e nenhum deu positivo todos deram negativo.

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