CIDADE DO CABO, 3 Julho 2008 (PlusNews) – Depois de mais de um quarto de século de pandemia de SIDA, tem havido um largo dicionário de jargões associado à infecção pelo HIV, mas isto não tem facilitado a comunicação entre médicos e pacientes.
Linguistas na Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, estão a começar a analisar as interacções entre os pacientes e os médicos em lugares seleccionados na Província do Cabo Ocidental, e concluíram que muitos médicos sentem-se mal ao falar de assuntos profundamente pessoais, como sexo e sexualidade.
Depois de gravar conversas entre médicos e seus pacientes, a linguista Christine Anthonissen e a sua equipa concluíram que os médicos eram por vezes vagos, omitiam tópicos difíceis, ou falavam de maneira a reduzir qualquer tensão que o paciente pudesse sentir durante a visita.
Falando quarta-feira na abertura da Sexta Conferência Anual de Comunicação, Medicina e Ética na cidade do Cabo, na África do Sul, ela disse que parte da ofuscação pelos médicos era para mascarar o seu próprio desconforto.
“Alguns médicos ainda se sentem desconfortáveis ao lidar com algo que não seja comprimidos ou reparar um braço partido, mas que seja chegar mais perto do paciente e falar de coisas como estilo de vida”, disse Anthonissen, sugerindo que seria bom que todos os médicos sul-africanos tivessem alguma formação em aconselhamento sobre HIV.
Ajuda necessária
Mais pesquisas da universidade mostraram que mais de uma década após o apartheid, muitos médicos sul-africanos continuam a fazer consultas principalmente em Inglês ou Afrikaans; na melhor das hipóteses, estas são segundas línguas para a maioria dos sul-africanos.
Para preencher esta lacuna, os médicos muitas vezes recorrem às já sobrecarregadas enfermeiras que podem falar alguma das outras nove línguas nacionais, mas as enfermeiras relutam em acrescentar responsabilidades adicionais e não-remuneradas à sua carga de trabalho, disse Anthonissen.
Numa clínica do Cabo Ocidental, o problema foi resolvido usando conselheiros seropositivos de uma organização não-governamental local. Berna Gerber, outro investigador de Stellenbosch que analisou um pequeno número de interacções entre médicos, pacientes e estes conselheiros, concluiu que muitos pacientes os viam como adições positivas à clínica.
Gerber disse que os conselheiros não só traduziam os comentários do médico de inglês para o isiXhosa, mas que também dão conselhos enquanto traduziam.
Usar conselheiros baseados na comunidade como tradutores poderia aliviar a falta de tradutores profissionalmente treinados nas unidades sanitárias governamentais, ao mesmo tempo que dão aos pacientes acesso adicional aos serviços de HIV e SIDA, como grupos de apoio, sugeriu Anthonissen.
“A verdade é que não haverá suficientes intérpretes formados num futuro próximo, e esta pode ser a melhor solução”, disse. “É uma oportunidade de emprego para eles, e eles fazem um trabalho incrível.”
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