ÁSIA PODE TER 10 MILHÕES DE INFECTADOS COM O HIV EM 2020, DIZ ESTUDO

6 07 2008

O número de pessoas infectadas com o vírus da Aids na Ásia poderia chegar a 10 milhões em 2020 se os governos locais não adotarem medidas para controlar a expansão do HIV, afirma estudo divulgado pelo governo indiano. O relatório, realizado por uma comissão independente formada por nove pesquisadores, conclama os países asiáticos a tomar medidas para evitar a expansão do vírus da Aids, segundo a agência de notícias “Ians”.

“Muitos países asiáticos estão ficando para trás em dar uma resposta à Aids. Com os níveis de resposta atuais, se prevê que 10 milhões de asiáticos estejam infectados pelo HIV em 2020″, alerta o documento.

Além disso, os responsáveis pelo relatório asseguram que a Aids poderia matar 500 mil pessoas por ano “se os Governos asiáticos não mudarem suas políticas”.

Segundo o estudo, que cobre um total de 26 países e que conta com o patrocínio de várias agências da ONU, a Aids se transformou na doença que mais mata entre a população de 15 a 44 anos no continente asiático.

Cerca da metade do total da população infectada na Ásia se encontra na Índia, onde em 2006 aproximadamente 2,5 milhões de pessoas portavam o vírus da Aids.

(Agência EFE – 01.07.2008 )





Projecto de ocupação dos tempos livres envolve pelo menos 15 mil jovens

6 07 2008

Luanda, 6/07 – Pelo menos 15 mil jovens estão desde o ano transacto envolvidos em diferentes actividades de sensibilização sobre VIH/Sida no quadro de um projecto do Ministério da Juventude e Desportos destinado à ocupação dos tempos livres da classe.

A informação foi prestada neste fim-de-semana à Angop pelo director Nacional da Juventude e Desportos, Cardoso José, quando falava à propósito dos projectos do seu pelouro relacionados ao preenchimento dos tempos livres da juventude.

“Podemos dizer que do somatório das várias actividades de grande impacto que envolveram a participação de jovens como operações stop sida, marchas e outras actividades na vertente do VIH/Sida e jovens nos tempos livres movimentamos mais de 15 mil jovens” – frisou.

O projecto denominado “VIH/Sida e jovens nos tempos livres”, segundo o responsável, encontra-se “bastante” avançado no desenvolvimento de actividades específicas nas diferentes áreas, estando já constituidos núcleos em 14 das 18 províncias do país, com excepção do Kwanza- Norte, Malange, Kuando-Kubango e Bengo.

Tem uma vertente recreativa e é apoiado financeira e tecnicamente pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), visando, essencialmente, a promoção e massificação da informação relativa ao combate a Sida.

De âmbito nacional, o progrma tem estado a aproveitar as actividades desportivas de grande impacto como foram os casos dos Campeonatos Africanos das Nações em Basquetebol e Andebol que o país albergou para fazer passar a informação relacionada à pandemia.

Nesta vertente, acrescentou, o seu pelouro está já a trabalhar fundamentalmente nas províncias que vão acolher o Campeonato Africano das Nações em Futebol, a ter lugar no país em 2010, para criar mais informação sustentada em torno do VIH/sida na perspectiva da ocupação dos tempos livres da juventude.

Segundo o responsável, a vertente de trabalho do Ministério tendo em vista a ocupação dos tempos livres da juventude é sobretudo estrutural, isto é tentar criar condições à partida que permita aos jovens por si mesmos desenvolver acções concretas na vertente da ocupação deste período.

“A nosso propósito quanto as casas da juventude e os centros comunitários, para além da vertente de formação em liderança juvenil e dinâmicas de grupo, também tem uma vertente de ocupação salutar dos tempos livres” – frisou.

Nesta vertente, disse ainda, o seu pelouro está igualmente a desenvolver um projecto de carácter turístico para o conhecimento da realidade sócio-económica do país, no quadro do programa Angola Jovem denominado “Vamos conhecer Angola”.

O projecto é uma iniciativa do Ministério mas será desenvovida por grupos organizados de jovens através de excursões, com apoio das estruturas centrais e das diferentes direcções provinciais apoios concretos no sentido da realização destas actividades.

No quadro deste projecto está a ser preparado para breve a deslocação de uma caravana de estudantes universitários que, partindo de Luanda, vai percorrer o país numa iniciativa destinada a tomar contacto da realiade socio-económica no interior do país e vai culminar com actividades académicas e sócio-culturais de educação cívica na perspectiva eleitoral na província do Huambo.

(AngolaPress – 06.07.2008 )





Máquinas de preservativos expoem a delicada relação entre sexo e adolescência, destaca revista Isto É

6 07 2008

Até outubro deste ano, 400 máquinas de preservativos deverão estar disponíveis nas escolas da rede pública segundo informações do Programa Nacional de DST/Aids. A iniciativa despertou a atenção de pais para a delicada relação entre adolescentes e sexualidade precoce. A liberdade e a a facilidade em obter o preservativo estimularia ainda mais uma iniciação sexual? O assunto é destaque desta semana da revista Istoé. “Quem tem vontade faz. Não há falta de camisinha que impeça”, diz o psicólogo Ari Rehfeld, professor de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). “É melhor que a proteção esteja disponível”, diz o especialista. Veja a matéria.

Camisinha para Todos

A realidade do sexo precoce levou o Ministério da Saúde a criar um projeto que colocará máquinas de distribuição gratuita de preservativos nas escolas públicas a partir de 2009. Tal iniciativa despertou a atenção da sociedade para a delicada relação entre adolescentes e sexualidade. Pais e educadores se perguntam até que ponto a garotada – com hormônios em ebulição – está preparada para tamanha liberdade e se a facilidade em obter o preservativo estimularia ainda mais uma iniciação sexual prematura. Na década de 1980, 13% das meninas e 35% dos meninos perdiam a virgindade antes dos 15 anos. No começo dos anos 2000, os números saltaram para 32% e 47%, respectivamente.

O anúncio da instalação dos equipamentos foi feito pelo ministro José Gomes Temporão durante o 7o Congresso Brasileiro de Prevenção a DST/Aids, em Florianópolis. Com a máquina, os estudantes ganharão autonomia na retirada das camisinhas, diferentemente do que acontece hoje em 10% das instituições públicas que já distribuem nove preservativos por mês a cada aluno sob o controle de um coordenador, dentro do projeto piloto Saúde e Prevenção nas Escolas. Um estudo do Ministério com 102 mil alunos, de idades entre 13 e 24 anos, revelou que 47% deles já têm vida sexual e 9,7% não têm dinheiro para comprar camisinha. O que se questiona é se a ausência de preservativo contém a libido de alguém.

“Quem tem vontade faz. Não há falta de camisinha que impeça”, diz o psicólogo Ari Rehfeld, professor de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). “É melhor que a proteção esteja disponível”, diz o especialista. “Nas escolas e em casa. Os pais deveriam colocar o preservativo para os filhos na lista de supermercado.” Rehfeld afirma que, do ponto de vista emocional, o acesso torna a descoberta da sexualidade um processo mais natural e saudável.

Um dos mitos que se criaram sobre as máquinas é que elas seriam motivo de constrangimento. Há o medo de que as meninas sejam consideradas “fáceis” e que os garotos tímidos virem alvo de piadas do tipo “você não sai com ninguém, não precisa de camisinha”. Bobagem, diz Rehfeld. “Eles já compram em locais públicos.” O estudante Leonardo Del Paggio, 16 anos, confirma a teoria do psicólogo. “Nem eu nem meus amigos temos vergonha de comprar. Tem em qualquer vendinha e não acho caro. Mas se tivesse de graça na escola todo mundo pegaria, com certeza”, diz Leo, que estuda em um colégio particular de um bairro nobre de São Paulo.

O que parece natural para os adolescentes, não convence totalmente os pais.

Alguns se sentem divididos entre a tranqüilidade e a aflição com o novo projeto. É a angústia que sente a mãe de Leonardo, a comerciante Ângela Del Paggio, 47 anos. “Sou a favor do projeto, pois é um caminho para evitar gravidez e doenças, mas, ao mesmo tempo, tenho receio. Para meu menino mais novo, de dez anos, acho cedo demais saber que isso existe na escola. Mesmo que ele não tenha permissão para retirar a camisinha, vejo como um estímulo à iniciação sexual precoce”, afirma a comerciante.

A psiquiatra Ivete Gattás, da Unidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Universidade Federal de São Paulo, entende o sentimento de Ângela. Apenas disponibilizar o preservativo não educa. “A novidade deve vir acompanhada de uma orientação, que mostre limites e riscos.” Ivete ressalta que há avanços na educação sexual, mas ela continua falha. “Ainda se mostra pouco ao jovem como ele pode buscar o prazer e conhecer seu próprio corpo.”

Com o apoio do Programa Municipal de DST/Aids, quatro escolas de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, distribuem camisinhas desde 2004. Elas se tornaram um bom exemplo em orientação sexual. “Damos o preservativo, mas pais e alunos participam todos os meses de palestras de médicos e especialistas sobre sexualidade”, explica a coordenadora do programa, Lucille Soares. O resultado é positivo: o número de casos de gravidez indesejada caiu mais de 50%.

A máquina de distribuição de camisinhas foi desenvolvida por alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), de Santa Catarina. O projeto, escolhido no ano passado num concurso, lembra um caixa eletrônico e tem capacidade para 600 preservativos, explica Najara dos Anjos, um dos membros da equipe. “As cores claras e o design jovial é para que os adolescentes se identifiquem”, diz Najara. O equipamento de tecnologia nacional será fabricado por cerca de R$ 400.

(SUZANE FRUTUOSO/Agencia de Notícias da AIDS – 04.07.2008 )





Pesquisa mostra que nova-iorquinos fazem sexo sem proteção

6 07 2008

Muitos nova-iorquinos continuam tendo relações sexuais sem proteção e com vários parceiros, o que fez chegar a 60.000 o número de novos casos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e de gestações indesejadas, informou o Departamento de Saúde e Saúde Mental da cidade.

De acordo com o relatório “Os nova-iorquinos estão fazendo sexo seguro?”, baseado em uma pesquisa feita por telefone, os números sobre comportamentos sexuais de risco, particularmente entre os homossexuais masculinos, continuam altos.

Em 2006, mais da metade dos casos de gravidez foi decorrente do não uso de preservativo, assim como os 3.745 novos diagnósticos de contaminação por HIV.

Segundo o relatório, 11% dos nova-iorquinos – 610.000 pessoas – disseram que ter tido mais de um parceiro sexual no último ano.

A pesquisa também revelou que 5% dos entrevistados casados ou em relações estáveis tiveram dois ou mais parceiros nos últimos 12 meses.

Dos que admitiram ter tido mais de um parceiro, apenas 60% disseram ter usado preservativo em sua última relação, número que diminui para 43% entre os que vivem em relação estável mas tiveram relações com terceiros no último ano.

“Dezenas de milhares de nova-iorquinos se arriscam fazendo sexo inseguro. Reduzir a quantidade de parceiros e usar preservativos de maneira correta e constante reduzem a probabilidade de infecções por DSTs”, lembrou o secretário de Saúde da cidade, Thomas Frieden.

(Agência EFE – 04.07.2008 )





SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Bússola da SIDA

6 07 2008

Quase dez anos depois do primeiro estudo de seroprevalência, São Tomé e Príncipe prepara-se para descobrir em que direcção vai a epidemia de SIDA no arquipélago.

Durante quatro meses, todos os hospitais e centros de saúde distritais terão montados postos-sentinela para testes de despistagem. A testagem é voluntária e anónima. O estudo, que também abrangerá dados sobre sífilis, terá início em meados deste mês.

As informações colectadas nesse período permitirão que as autoridades sanitárias são-tomenses saibam se a seroprevalência está a aumentar ou a diminuir no país.

“Esses dados vão permitir orientar os nossos trabalhos de prevenção”, diz Alzira do Rosário, directora do Programa Nacional de Luta Contra a SIDA (PNLS). “Pretendemos saber se as nossas mensagens de sensibilização estão a ser entendidas pela população.”

O estudo será financiado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV e SIDA, Organização Mundial da Saúde e o Fundo Global de Luta Contra a SIDA, Malária e Tuberculose.

O primeiro inquérito de seroprevalência em São Tomé e Príncipe foi feito em 1999. O primeiro caso de infecção foi notificado em 1987, tendo o primeiro doente de SIDA no arquipélago surgido quatro anos depois.

O arquipélago de 155 mil habitantes na costa do Gabão, junto da linha do Equador, tem uma seroprevalência de 1,5 por cento, uma das mais baixas da África.

Dados oficiais mostram que hoje existem 328 pessoas em seguimento, 98 em tratamento antiretroviral e 50 mulheres no programa de corte vertical.

Atenção especial

Militares e profissionais do sexo serão especialmente encorajados a fazerem o teste.

Segundo Rosário, embora toda a população possa ser considerada de risco, os militares requerem atenção extra. Uma das razões para tal é a idade: as Forças Armadas são-tomenses são compostas por jovens entre 18 e 23 anos.

“Eles vivem num regime fechado de uma a duas semanas e quando saem podem ter relações ocasionais”, afirma.

Atingir as profissionais do sexo será outro desafio do estudo.

Para trabalhar com esse grupo, o PNLS contará com a ajuda da organização não-governamental italiana Alisei, que usará educadoras de pares para ir de porta em porta nos distritos de Água Grande, Lembá, Lobata e na região do Príncipe.

“Convencer as profissionais de sexo a fazerem o teste não é uma tarefa fácil”, comenta Mariângela Reina, coordenadora da Alisei. “Elas têm medo de ser apontadas e discriminadas.”

O estigma ainda é um dos principais problemas na cena do HIV em São Tomé e Príncipe. A discriminação é tão grande que até hoje ninguém teve a coragem de assumir publicamente a sua seropositividade.

“Temos que lidar com pessoas com essa doença como lidamos com pessoas com o paludismo”, sugere Reina.

(PlusNews – 04.07.2008 )





Professores zambianos morrem vítimas de SIDA

6 07 2008

As doenças ligadas ao VIH/Sida matam anualmente cerca de 600 docentes por ano na Zâmbia, de acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Secundário do país.
“O número é alarmante e a minha organização, que decidiu não ficar inactiva, tenciona reforçar os programas de HIV/Sida para mudar a tendência”, declarou o secretário-geral da organização, Evan achayi, citado ontem pelo diário oficial “Times”.
Segundo o responsável, o sindicato criou estruturas locais de coordenação de programas para buscar uma solução para a questão.
O secretário-geral adjunto do sindicato, Emmanuel Zulu, deplorou o número de mortos e declarou que a organização fará com que cada pessoa possa conhecer a sua seroprevalência.
Zulu, que é o ponto nacional do programa de HIV/Sida nos locais de trabalho, notou que o sindicato está a realizar campanhas de sensibilização e mobilização.

(Jornal de Angola – 03.07.2008 )





ÁFRICA DO SUL: Existe uma melhor maneira de dizer “infecção oportunista”?

6 07 2008

CIDADE DO CABO, 3 Julho 2008 (PlusNews) – Depois de mais de um quarto de século de pandemia de SIDA, tem havido um largo dicionário de jargões associado à infecção pelo HIV, mas isto não tem facilitado a comunicação entre médicos e pacientes.

Linguistas na Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, estão a começar a analisar as interacções entre os pacientes e os médicos em lugares seleccionados na Província do Cabo Ocidental, e concluíram que muitos médicos sentem-se mal ao falar de assuntos profundamente pessoais, como sexo e sexualidade.

Depois de gravar conversas entre médicos e seus pacientes, a linguista Christine Anthonissen e a sua equipa concluíram que os médicos eram por vezes vagos, omitiam tópicos difíceis, ou falavam de maneira a reduzir qualquer tensão que o paciente pudesse sentir durante a visita.

Falando quarta-feira na abertura da Sexta Conferência Anual de Comunicação, Medicina e Ética na cidade do Cabo, na África do Sul, ela disse que parte da ofuscação pelos médicos era para mascarar o seu próprio desconforto.

“Alguns médicos ainda se sentem desconfortáveis ao lidar com algo que não seja comprimidos ou reparar um braço partido, mas que seja chegar mais perto do paciente e falar de coisas como estilo de vida”, disse Anthonissen, sugerindo que seria bom que todos os médicos sul-africanos tivessem alguma formação em aconselhamento sobre HIV.

Ajuda necessária

Mais pesquisas da universidade mostraram que mais de uma década após o apartheid, muitos médicos sul-africanos continuam a fazer consultas principalmente em Inglês ou Afrikaans; na melhor das hipóteses, estas são segundas línguas para a maioria dos sul-africanos.

''Alguns médicos ainda se sentem desconfortáveis ao lidar com algo que não seja comprimidos ou reparar um braço partido.''

Para preencher esta lacuna, os médicos muitas vezes recorrem às já sobrecarregadas enfermeiras que podem falar alguma das outras nove línguas nacionais, mas as enfermeiras relutam em acrescentar responsabilidades adicionais e não-remuneradas à sua carga de trabalho, disse Anthonissen.

Numa clínica do Cabo Ocidental, o problema foi resolvido usando conselheiros seropositivos de uma organização não-governamental local. Berna Gerber, outro investigador de Stellenbosch que analisou um pequeno número de interacções entre médicos, pacientes e estes conselheiros, concluiu que muitos pacientes os viam como adições positivas à clínica.

Gerber disse que os conselheiros não só traduziam os comentários do médico de inglês para o isiXhosa, mas que também dão conselhos enquanto traduziam.

Usar conselheiros baseados na comunidade como tradutores poderia aliviar a falta de tradutores profissionalmente treinados nas unidades sanitárias governamentais, ao mesmo tempo que dão aos pacientes acesso adicional aos serviços de HIV e SIDA, como grupos de apoio, sugeriu Anthonissen.

“A verdade é que não haverá suficientes intérpretes formados num futuro próximo, e esta pode ser a melhor solução”, disse. “É uma oportunidade de emprego para eles, e eles fazem um trabalho incrível.”





GLOBAL: Quando o HIV/SIDA é um desastre?

6 07 2008

JOHANNESBURG, 3 Julho 2008 (PlusNews) – Fornecer serviços relativos a HIV/SIDA a pessoas foragidas de conflitos armados ou desastres naturais parece, à primeira vista, complicado demais quando se tenta atender às necessidades imediatas de uma emergência.

Ao falhar em tratar das pessoas afectadas pelo HIV em tais situações, no entanto, organizações de apoio poderiam estar a causar ainda mais problemas, advertiu o Relatório de Desastres Naturais de 2008, publicado em 26 de Junho pela Federação Internacional da Cruz Vermelha e Sociedades Crescentes Vermelhas (IFRC, em inglês).

O relatório deste ano focou-se em HIV/SIDA – a primeira vez em que o relatório tratou de apenas uma condição – e observou que omitir as necessidades específicas das pessoas vivendo com HIV/SIDA poderia aumentar o risco de novas infecções e “agravar condições existentes”.

De acordo com o IFRC, “a epidemia de SIDA é desastrosa em muitos níveis”, e embora seja errôneo falar em um desastre global, em cerca de 14 países ela poderia certamente ser chamada de desastre.

“Na Suazilândia, por exemplo, 26 por cento da população – um em cada quatro adultos – é seropositivo. Essa é a maior seroprevalência do mundo… Isso é um desastre.”

Mas o HIV também foi considerado um desastre para muitos grupos marginalizados em países com baixa prevalência – tais como usuários de drogas injetáveis, homens que fazem sexo com homens e profissionais do sexo –, onde esses grupos foram estigmatizados e frequentemente criminalizados, apresentando alto risco de infecção, segundo o IFRC.

Fugindo do conflito

À medida que o tratamento para o HIV torna-se mais difundido, organizações humanitárias deveriam preparar-se para situações de emergência nas quais milhares de pessoas em tratamento antiretroviral (ARV) são forçadas a fugir do local onde elas conseguem a medicação e os serviços, destacou o relatório.

“Independente da nossa vontade, pessoas com HIV estão a viajar com o vírus, eles são deslocados com o vírus, portanto, é preciso que a comunidade humanitária responda às suas necessidades”, afirmou Patrick Couteau, coordenador de HIV para o IFRC na África Austral.

Na África Austral, onde aproximadamente um milhão de pessoas morrem de doenças relacionadas à SIDA todo ano, deslocamento foi particularmente relevante.

Milhões de pessoas migraram na região por razões económicas ou por outras razões, enquanto milhares foram deslocadas da África do Sul devido aos recentes ataques xenófobos contra imigrantes. Muitos retornaram aos seus países de origem.

Foi esse o caso de Moçambique, que agora se vê às voltas para registar e dar assistência a milhares de cidadãos que voltaram assustados com a xenofobia do outro lado da fronteira.

O impacto de tal deslocamento foi ainda maior para moçambicanos seropositivos, que recebiam seu tratamento na África do Sul.

''Muitos chegaram debilitados, em condições críticas de saúde, alguns estavam há dias sem comer e sem os seus medicamentos.''

“Muitos chegaram debilitados, em condições críticas de saúde, alguns estavam há dias sem comer e sem os seus medicamentos”, contou Filipe Francisco Siueia, da comissão técnica do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), em Maputo.

Françoise Le Goff, director da zona da África Austral do IFRC, disse que tais transtornos são “absolutamente catastróficos” para seropositivos, que têm acesso limitado a água limpa e alimento, e não poderiam conseguir seus ARV durante o deslocamento ou vivendo em acampamentos organizados pelo governo.

“A conclusão é que nossa resposta ao HIV está falhando em acompanhar a complexidade do que ainda é um desastre em desenvolvimento, e nós ainda estamos lutando para responder eficientemente”, acrescentou Couteau.

Quando o desastre assola

2007 será lembrado como um ano particularmente ruim, com um número excepcionalmente alto de desastres naturais: na África, 23 países foram atingidos por inundações que há décadas não eram tão severas; na Ásia, dezenas de milhares foram afectados por inundações em Bangladesh, Índia, Nepal e China.

Cientistas previram que desastres naturais serão mais frequentes e intensos como resultado de mudanças climáticas.

Onde o HIV se encaixa? O relatório reconheceu que embora fosse “impossível” fazer uma relação directa entre mortalidade por HIV e desastres naturais ocorridos em 2007, “não há dúvida de que tais eventos tiveram impacto negativo nos milhões de pessoas infectadas ou afectadas pelo HIV”.

Pessoas seropositivas sofrem os mesmos impactos que todas as outras pessoas, mas certos problemas afectam-lhes ainda mais.

“Todos sofrem quando um desastre interrompe o fornecimento de medicamentos, mas para alguém que está a tomar antiretrovirais, qualquer interrupção do tratamento médico pode causar resistência ao tratamento”, enfatizou o relatório.

“A escassez de alimentos é árdua para todos, mas para uma pessoa vivendo com HIV, a má nutrição pode acelerar a progressão da infecção.

O relatório alertou que as dimensões da epidemia global poderiam ser afectadas se a mudança climática causasse significativa movimentação populacional entre áreas com níveis de prevalência de HIV muito variáveis.


Photo: Tebogo Letsie/IRIN
Assistência a seropositivos: no topo da lista?

Mas fazer com que o HIV não seja excluído da agenda de emergências é sempre um desafio quando há tantas outras prioridades urgentes.

Segundo Siueia, do INGC, em situações de desastre, as prioridades são suprir as necessidades básicas das vítimas, como água e alojamento. Outros itens, como medicamentos para seropositivos, vêm mais abaixo na lista.

Mas Amós Sibambo, coordenador da Rede Nacional de Associações de Pessoas Vivendo com HIV/SIDA (Rensida), defende que é preciso convencer as organizações de apoio de que assistir os seropositivos nessas situações também é uma emergência.

“Diante de tantas outras necessidades, o HIV se torna secundário. Mas temos que lembrar que essas pessoas escaparam do desastre, mas podem morrer por falta de ARVs”, destacou.

“Não existe consciência das organizações”, continuou. “Mesmo em situações de calma, o HIV ainda não é prioridade. Em situações de calamidade fica ainda pior.”

O IFRC incita às organizações de apoio que estão a planejar uma resposta à emergência a levar em consideração a seroprevalência na área do desastre, fortalecer a habilidade das instituições existentes de resistir ao evento catastrófico e restituir os serviços de saúde altamente necessários o mais rápido possível.

“Ao mesmo tempo, os aspectos relacionados ao desenvolvimento de respostas ao HIV devem ser levados em consideração, particularmente em áreas de risco crónico” acrescentou. “O HIV/SIDA é uma crise de longo prazo. O apoio humanitário tem um papel a desempenhar, mas as agências deveriam reconhecer que é apenas parte de uma resposta mais abrangente, e deveria ser claro quanto ao que pode e o que não pode ser alcançado”.

(PlusNews – 03.07.2008 )





Campanha HIV/sida Pensa que tem um anjo em casa?

6 07 2008

Se não sabia, fica a saber: a infidelidade pode ser uma porta de entrada da infecção HIV/sida. E não pense que está a salvo só porque é casado ou porque tem uma relação estável há muitos anos. Não acredite, sobretudo, que tem um anjo lá em casa. Em traços gerais, é este o mote da nova campanha de prevenção que a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida apresenta hoje em Lisboa.
O objectivo principal é o de alertar para o facto de toda população sexualmente activa estar em risco de infecção e levar as pessoas a agir em conformidade – nomeadamente usando preservativo e fazendo testes para saber se estão ou não infectadas. Pepê Rapazote e Sílvia Rizzo (na foto) são dois dos actores que participam na irónica campanha, que começa a ser exibida a partir de segunda-feira na RTP1, RTP2, SIC, TVI e na SIC Mulher e, a partir do dia 10, nos cinemas.
Posteriormente, a campanha estende-se à imprensa e a mupis de exterior. A ideia é chamar “a atenção para o facto de não existirem pessoas imunes à infecção, nem pela idade, nem pelo estatuto social ou económico, muito menos pelo estado civil”, explica a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida que decidiu abordar esta questão pela primeira vez em Portugal porque “é preciso desmistificar a ideia de que a sida é um problema de grupos de risco”. Margarida Carpinteiro, Susana Mendes, Maria João Abreu e Marques d’Arede são outros actores que participam nesta iniciativa pioneira. Hoje, na apresentação vão estar também alguns dos actores que deram a cara noutra campanha exibida em Outubro passado – esta sobre “as cinco razões para não usar preservativo”. Os actores vão ser premiados com um agradecimento público do Ministério da Saúde.

(Público – 03.07.2008 )