Responsável considera fraca participação juvenil no combate à Sida

3 07 2008

O secretário executivo da Rede Angolana das Organizações de Serviços de Sida (ANASO), António Coelho, considerou hoje, quarta-feira, em Luanda, fraca a participação da juventude nas acções de combate ao HIV, bem como a sua adesão à testagem voluntária.

Falando à Angop sobre “Como a juventude encara o HIV/Sida e outras infecções de transmissão sexual (ITS)”, António Coelho frisou que apesar de ser um grupo bastante vulnerável e ter cada vez mais informação há uma resistência por parte deste em aceitar o problema.

Segundo o responsável, tal atitude resulta da não adesão às normas de prevenção e mudança de comportamento, face a uma epidemia que cresce em todo país.

“Apesar do Governo e ONG terem intensificado as acções de sensibilização, informação e dispor de serviços especializados, o índice de jovens envolvidos no combate é muito baixo”, frisou.

Esta situação, salientou, obriga os intervenientes a apostarem na realização de estudos para avaliar as causas deste comportamento e encontrar estratégias mais eficazes.

“A juventude é para nós um grupo bastante importante, a par das mulheres, trabalhadoras de sexo e crianças por causa da vulnerabilidade que apresentam relativamente ao HIV”.

Na sua óptica, é preciso envolvê-los na abordagem do tema e incutir que a Sida é um problema sério, cuja solução passa pela contribuição de todos e não só dos infectados ou afectados.

Para aumentar a afluência aos Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV) apontou como soluções a luta contra o estigma, a melhoria da qualidade da informação prestada aos cidadãos tendo sempre em atenção o grupo alvo, divulgação da sua localização nas comunidades.

Como reflexo da lenta mudança de comportamento, referiu que nem mesmo o facto de nos últimos anos o Ministério da Saúde e parceiros terem aumentado a capacidade de diagnóstico do HIV e outras ITS leva a maioria dos jovens a despertar sobre a importância de conhecer o seu estado serológico.

Outros aspectos apontados são o início precoce da actividade sexual (42 porcento antes dos 15 anos), a mudança constante de parceiros e a recusa no uso do preservativo durante as relações.

Estudos realizados por ONG ligadas ao sector, sobretudo a massificação da camisinha como método preventivo, indicam que 70 dos inquiridos não usam o preservativo, mesmo conhecendo o Vih.

Para tentar melhor a situação, a Anaso pretende trabalhar até 2010 na mobilização de cerca de 340 mil jovens dentro e fora do sistema de ensino, como resultado de uma parceria com Ministério da Educação e as comunidades.

Segundo o responsável, o crescimento da participação juvenil nesta luta vai resultar no fortalecimento das ONG e controlo da doença.

(AngolaPress – 02.07.2008 )