ETIÓPIA: Subida de preços de alimentos afectam os seropositivos

2 07 2008

ADDIS ABABA, 2 Julho 2008 (PlusNews) – Sempre que Bellatu Bakane vai ao mercado local na capital etíope, Addis Ababa, ela não consegue evitar o sentimento de frustração.

“Fico zangada porque sempre que eu vou, os preços dos alimentos subiram”, disse a mãe de três filhos, de 38 anos. “Porque os preços dos produtos alimentares estão a subir, comemos cada vez menos.”

Muitos etíopes estão a passar sem algumas refeições e a dispensar alguns “luxos” como vegetais, ovos, uma vez que a combinação de seca e a subida de preços aperta os já magros orçamentos. Mas para Bakane isto se torna particularmente perigoso; há dois anos ela foi diagnosticada seropositiva e começou a tomar antiretrovirais.

Se a sua dieta for demasiado fraca, a sua saúde pode se deteriorar em breve.

“O tratamento ARV não pode funcionar se a pessoa não come o suficiente; é aqui onde o preço dos produtos alimentares têm mais impacto”, disse Gideon Cohen, coordenador da iniciativa de alimentação para etíopes seropositivos do Programa Mundial de Alimentação (PMA) das Nações Unidas.

A má nutrição enfraquece as defesas do corpo contra o vírus, acelera o desenvolvimento do HIV e SIDA, e torna difícil tomar os ARVs. O ART pode ainda aumentar o apetite e é impossível reduzir alguns efeitos colaterais e promover a aderência ao regime de ARV se os medicamentos devem ser tomados com alimentos, segundo funcionários da saúde.

À medida que sobem os preços dos alimentos, os etíopes sofrem; podem estar enfraquecidos e incapazes de trabalhar, têm menos reservas financeiras, e podem estar cada vez mais excluídos da sociedade.

As irmãs de Bakane, que vivem no mesmo bairro, não lhe dão o apoio que famílias etíopes muitas vezes dão uns aos outros nas horas difíceis. Quando ela vai ao escritório do governo local para receber ajuda alimentar, os funcionários tratam-lhe mal.

“As minhas irmãs e vizinhos não falam comigo porque sou seropositiva,” disse. “Eu nunca poderia recorrer à minha família para ajuda.”

Fico zangada porque toda vez que vou [ao mercado] os preços subiram. Com os preços mais altos, comemos cada vez menos.
Até agora, os medicamentos a têm mantido suficientemente saudável para produzir e vender injera, um pão esponjoso e alimento básico na Etiópia, feito de um cereal chamado teff, num mercado. Ela ganha cerca de cinco birr etíopes (US$ 0,52) por dia. Mas não é suficiente para alimentar os seus filhos, além de sua sobrinha em idade escolar e da sua meia-irmã, que vivem com ela.

Seca é outro factor

Os preços dos alimentos aumentaram em 40 por cento no ano passado, segundo a Agência Central de Estatística do país, mas alguns alimentos básicos aumentaram ainda mais rapidamente.

Bakane diz que um quilo de trigo, que custava 2,25 birr (US$ 0,23) no ano passado, agora custa-lhe mais 6.50 birr (US$ 0,68)

O médico de Fikirte Tshomay disse-lhe para parar de amamentar o seu filho de oito meses para diminuir o risco de lhe transmitir o vírus, e em vez disso dar-lhe leite de vaca, mas isto é economicamente impossível.

Seu marido, militar, morreu de uma doença relacionada à SIDA antes de o bebé nascer. Tshomay e seu filho têm que sobreviver com uma pensão de 265 birr (US$ 27,60), mas só o leite lhe custaria 1696 birr por mês.

Tshomay está a alimentar o seu filho com uma mistura de farinha de milho e soja indicada para crianças mal nutridas, localmente conhecida por Famex. “Isto não é suficiente”, disse ela.

Tanto Bakane como Tshomay recebem ajuda do PMA, que dá a cada uma delas uma ração mensal de cerca de 40 kg de trigo, dois litros de óleo de cozinha, e um pequeno saco de feijão. Isto não cobre todas as necessidades da família, mas ajuda.

O PMA ajuda a alimentar 111 mil seropositivos e suas famílias, disse Cohen, mas a crise global de alimentos complicou os planos de expandir a iniciativa para abranger mais 43 mil pessoas nos próximos três anos.

A severidade da seca afectou 4,6 milhões de pessoas, e também significa que as Nações Unidas e outras agências não podem comprar alimentos nos mercados locais, enquanto os preços dos alimentos no mundo todo esticaram seus orçamentos – o programa de alimentação do HIV/SIDA da PMA na Etiópia já está 44 por cento acima do orçamento e teve que contrair empréstimo de outras agências da ONU.

Cerca de oito por cento da população urbana da Etiópia é seropositiva, e mesmo aqueles que recebem ajuda foram forçados a fazer escolhas difíceis.

“Eu não consigo dar comida suficiente à minha família,”, disse Sirkalem Yiffa, 30 anos, mãe de dois filhos, que descobriu há três que era seropositiva. “Eu também estou preocupada sobre como arranjar comida suficiente para mim mesma para tomar os antiretrovirais.”





Drogba, Eto’o, Zidane e Ronaldinho participam em jogo de gala no Mali

2 07 2008

Bamako, Mali (PANA) – Várias estrelas internacionais do futebol como o Francês Zinedine Zidane, o Brasileiro Ronaldinho, o Espanhol Raúl, o Camaronês Samuel Eto’o e o Ivoiriense Didier Drogba são aguardadas em Bamako em Dezembro próximo para um jogo de gala em benefício dos doentes e órfãos da sida, soube a PANA de fonte segura na capital maliana.

O jogo, sob o patrocínio do capitão dos “Águias” do Mali e jogador do Real Madrid da Espanha Mahamadou Diarra “Djilla”, é organizado pela Aliança da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) contra a Sida e pelos seus parceiros, como a Fundação para a Infância da Primeira Dama do Mali, Lobo Traoré Touré.

A Aliança da CEDEAO contra a SIDA é uma associação que se fixou como objectivo a luta contra a sida, o paludismo, a tuberculose e o cancro.

Criada em Outubro de 2003, ela agrupa desportistas, artistas, jornalistas, comunciadores e operadores económicos.
(Panapress – 02.07.2008 )





Máquinas de preservativos geram pôlemica

2 07 2008

projeto pedagógico dos ministérios da Saúde e Educação vem dividindo opiniões no âmbito escolar e familiar. Implantar ou não implantar? Eis a questão

A Organização das Nações Unidas (ONU) defende a criação de uma zona específica (nas escolas) onde os alunos possam obter, com confidencialidade, preservativos e informações sobre as doenças transmitidas sexualmente.

Hoje os jovens representam 50% de todas as novas infecções de HIV, e, portanto, são o principal alvo de campanhas. Além das máquinas de preservativos nas escolas, a ONU sugere uma série de atividades a desenvolver nos estabelecimentos de ensino.

Miguel Fontes, coordenador da John Snow Brasil, consultoria especializada em marketing social, avalia essa ação do governo. “A máquina de preservativos na escola influencia no debate sobre sexualidade responsável. .Sexo deve ser considerado como algo normal e parte integral do bem-estar da vida das pessoas, sejam jovens, adultos ou idosos”, afirma

Já dizia Aristóteles que os jovens são apaixonados, irascíveis, e capazes de ser levados pelos impulsos, sobretudo os impulsos sexuais em relação aos quais não exercem nenhum autocontrole. Além disso são volúveis e instáveis nos seus desejos, os quais são tão transitórios quanto veementes.

E por isso muitas vezes vemos jovens mergulhando nesse universo sem estarem preparados física ou psicologicamente, apenas por aventura, para seguir o restante da turma.

(O Pantaneiro OnLine – 01.07.2008 )





REDES DIVULGAM MOÇÃO PELA INCLUSÃO SOCIAL DE PESSOAS COM HIV NA SOCIEDADE E CRITICAM CRIMINALIZAÇÃO DA TRANSMISSÃO POR HIV

2 07 2008

A Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+), o Movimento Nacional de Cidadãs Posithivas (MNCP) e a Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/Aids, na ocasião do encerramento do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids, em Florianópolis (SC) no último sábado, elaboraram um Manifesto pela inclusão social dos soropositivos na sociedade. As redes de ativistas ainda criticaram a criminalização da transmissão do vírus da Aids. “Transformar a transmissão pelo HIV em crime hediondo, como sinalizam alguns parlamentares, pode traduzir que cidadãos e cidadãs brasileiros só aprendem com punições. Somos contra esta postura política que aumenta o estigma, o preconceito e a discriminação, que insiste em separar “saudáveis” de “insalubres””, diz o documento. O texto foi lido pela por uma ativista do Grupo VHIVER de Belo Horizonte (MG) durante o encerramento do evento. Veja na íntegra.

MANIFESTO PÚBLICO DA RNP+, MNCP E RNJVHA:
PELA INCLUSÃO SOCIAL DAS PESSOAS VIVENDO COM HIV E AIDS

As pessoas vivendo com HIV/AIDS inseridas na Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+), no Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) e na Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNJVHA), firmam, conjunta e historicamente, a defesa de uma política de inclusão social que garanta a melhoria da qualidade de vida das Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (PVHA) para além das esferas da Saúde e da Assistência.

Mudanças sociais significativas ocorreram nestes 25 anos desde o isolamento do HIV, em 1983, principalmente no que diz respeito ao perfil e às vulnerabilidades individual, social e potencial das PVHA. Junto a essas mudanças, se faz necessária a adequação das políticas públicas em consonância com a conjuntura social, política e econômica das PVHA brasileiras.

Necessitamos acionar os poderes legislativos para que haja a adequação e/ou a ampliação da legislação existente, bem como a construção de outras políticas que garantam às PVHA o pleno exercício de sua cidadania, o que leva à uma articulação interministerial, pois consideramos que a questão das DST e do HIV/AIDS extrapola a área da Saúde.

Entendemos que o exercício pleno da cidadania relaciona-se diretamente com os direitos humanos, ao acesso às políticas públicas sociais do Estado brasileiro, em consonância com o Artigo 6º da Constituição Cidadã de 1988 (“São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”), vinculada a uma resolutiva rede de proteção social.

Estamos a alguns passos de sermos encarados e encaradas como criminosos. Transformar a transmissão pelo HIV em crime hediondo, como sinalizam alguns parlamentares, pode traduzir que cidadãos e cidadãs brasileiros só aprendem com punições. Somos contra esta postura política que aumenta o estigma, o preconceito e a discriminação, que insiste em separar “saudáveis” de “insalubres”. Cresceria dia após dia a segregação social e, conseqüentemente aumentaria a marginalização das PVHA. Assim, somos veementemente contra a criminalização da transmissão do HIV.

A RNP+, o MNCP e a RNJVHA, reivindicam ainda, o respeito à saúde sexual e aos direitos reprodutivos das PVHA, com ênfase à política de atenção integral à saúde da mulher, atendendo às especificidades sem discriminação de gênero, raça, cor, credo, etnia, religião e orientação sexual.

No que se refere à realidade de adolescentes e jovens vivendo com HIV/AIDS, precisamos que sejam incluídos e incluídas pelo projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Ainda em relação a adolescentes e jovens vivendo com HIV/AIDS institucionalizados em Casas de Apoio, são necessárias políticas de desistitucionalização, de suporte e apoio, para que não sejam tutelados e abandonados ao completarem determinada idade e consequentemente viverem nas ruas. Reivindicamos a formulação de uma Política que promova jovens e adolescentes vivendo com HIV/AIDS à categoria de cidadãos e cidadãs. Queremos que adolescentes e jovens que vivem com o HIV/AIDS sejam respeitados integralmente como pessoas humanas que são, mediante políticas públicas favoráveis às suas necessidades.

Finalmente, faz-se necessário o fortalecimento das sustentabilidades técnica, política e financeira, por meio de ações e estratégias concretas que incentivem o protagonismo das PVHA, prioritariamente para aquelas inseridas na RNP+, no MNCP e na RNJVHA.

Posto isso, a efetivação de uma política de inclusão social garantirá substancialmente a melhoria da qualidade de vida das Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (PVHA) para além da Saúde e da Assistência.

Se antes nos escondíamos para morrer, hoje nos mostramos para viver!!!

Texto lido por
Camila Pinho

Jovem-mulher-lésbica vivendo com HIV, do Grupo VHIVER de Belo Horizonte (MG), ativista nos três movimentos descritos neste manifesto, no encerramento do VII Congresso Brasileiro de Prevenção às DST/Aids

Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+)
Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP)
Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNJVHA)
(Agência de Notícias da AIDS – 01.07.2008 )





Internet e viagra aumentam as doenças sexualmente transmissíveis

2 07 2008

O estudo realizado pela Agência de Protecção da Saúde atribui parte da culpa às relações casuais começadas pela internet e aos medicamentos para disfunções erécteis.

As chamadas DST (doenças sexualmente transmissíveis) têm aumentado em todas as idades apesar de todas as campanhas de prevenção que aconselham o preservativo.

O aumento das DST é maior em pessoas com mais de 45 anos, 4445 casos foram registados, quase metade das infecções são verrugas genitais. Os herpes são a segunda mais frequente, um em cada cinco diagnósticos.

A ratio geral das infecções mais que duplicou nos oito anos sobre os quais incide a pesquisa, passou de 16,7 portadores de DST em cada 100 mil pessoas (antes de 1996) para 36,3. O que significa um aumento muito significativo nas faixas etárias mais velhas quando comparadas com as mais jovens.

Dr. Babtunde Olowokure, da Agência de Protecção de Saúde explicou que «as estratégias de saúde sexual são focadas nos jovens com menos de 25 anos mas as nossas investigações indicam que os maiores comportamentos de risco não ocorrem tanto nos jovens mas em pessoas com mais de 45 anos».

«Os mais velhos têm maior probabilidade de estarem solteiros e não se preocupam tanto com o uso do preservativo porque já não existe o rico de uma gravidez» , acrescentou

(SOL com agências – 02.07.2008 )





MOÇAMBIQUE: HIV atrás das grades

2 07 2008

CHIMOIO, 1 Julho 2008 (PlusNews) – O sexo entre prisioneiros é uma realidade na Cadeia Provincial de Manica, conhecida como “Cabeça de Velho”, por estar localizada nas proximidades de um monte histórico exactamente com esse formato.

“Por falta de opção, alguns homens procuram noutros homens o que deveriam receber de suas esposas ou de outras mulheres”, diz Carlos Alid, garimpeiro de 38 anos.

Preso desde 2005 por crime de falsificação de moeda, Alid ainda tem quatro anos pela frente. Ele descobriu ser seropositivo num teste voluntário na cadeia e desconfia ter sido infectado durante a reclusão.

Segundo Alid, alguns presos mais novos mantêm relações sexuais com os mais velhos em troca de comida e protecção, já que muitos são jovens pilha-galinhas e não têm apoio das famílias.

Essas relações sexuais nem sempre incluem preservativos, o que aumenta exponencialmente o risco de infecção pelo HIV.

Devido ao tabu que cerca as relações entre indivíduos do mesmo sexo, muitos presos seropositivos preferem dizer que foram infectados antes de serem detidos, uma vez que não são permitidas visitas conjugais na cadeia.

Mas a realidade é outra, diz Elsa Thaibo, directora de saúde da cidade de Chimoio, responsável por proporcionar assistência médica àquela prisão.

“Das análises que fizemos, constatamos que alguns presos foram infectados antes de serem detidos, mas a maioria foi infectada dentro da cadeia”, aponta.

HIV atrás das grades

Segundo dados oficiais da Cadeia Provincial de Manica, a maior da província, a seroprevalência na prisão é de 4,5 por cento entre os cerca de mil reclusos, entre homens e mulheres. Não há dados discriminados por sexo.

“Tem sido muito difícil manter este [visitante] do lado de fora. Não se pode vê-lo chegar e é impossível vê-lo ser transmitido”, afirma Francisco Mate, director da cadeia.

Entre Janeiro e Maio deste ano, dos 246 prisioneiros – entre homens e mulheres – examinados, 43 foram diagnosticados seropositivos. Desses, oito estão em tratamento antiretroviral (ARV).

Por falta de opção, alguns homens procuram noutros homens o que deveriam receber de suas esposas ou de outras mulheres.
Para enfrentar essa situação, o Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV e SIDA recomenda que as autoridades admitam que o sexo entre homens existe e que sejam adoptadas medidas de prevenção.

Há três anos, várias cadeias em Moçambique rejeitaram a proposta de distribuir camisinhas entre os presos, argumentando que nelas não havia homossexualismo.

“O governo já entendeu que a distribuição de preservativos na cadeia não promove o homossexualismo, mas contribui para a prevenção do HIV. Por isso, começou a distribuir camisinhas”, conta Thaibo.

Além das relações sexuais não protegidas, especialistas apontam a partilha de agulhas para a injecção de drogas e instrumentos para a tatuagem não esterilizados como factores de propagação de HIV dentro das cadeias.

“As autoridades prisionais não conseguem controlar as práticas de risco”, diz David Demo, 33 anos, na cadeia há dois, por homicídio.

Sinais de mudança

Mas nem só de camisinhas vive a prevenção.

Por causa disso, muitas organizações não-governamentais têm trabalhado com os reclusos na Cadeia Provincial de Manica.

Além de distribuir preservativos, o grupo Shinguirirai (amparo, na língua Shona) faz palestras, educação de pares, dá assistência psicológica e ajuda os presos a aderirem ao tratamento.

Rui João, 27 anos, é um dos activistas da Shinguirirai na cadeia.

Detido em 2006 na ala de alta segurança, pela morte de um vizinho, João descobriu ser seropositivo em Setembro de 2007 e começou a tomar antiretrovirais na prisão. Hoje ele divulga informações sobre a epidemia e ajuda os que estão em tratamento a seguirem as recomendações médicas.

Photo: André Catueira/PlusNews
Reclusos tomam banho de sol
“Abordamos a questão do homossexualismo e o seu impacto no agravamento dos índices de contaminação por HIV. Há muita aderência nas palestras”, conta João.

Os funcionários da cadeia também são alvo das campanhas de consciencialização.

Com o apoio do Núcleo Provincial de Combate à SIDA, a Shinguirirai organizou no ano passado formações em que funcionários e presos aprenderam como sensibilizar os seus companheiros sobre a SIDA.

Segundo João, a cadeia não oferece condições para que os seropositivos vivam de maneira saudável, com uma dieta nutritiva e ambiente adequado, o que é fundamental para o sucesso do TARV.

Algumas ONGs e instituições religiosas têm procurado suprir essas deficiências com refeições balançadas e assistência médica aos reclusos seropositivos dois sábados por mês, mas a necessidade continua.

Mesmo assim, o director Mate acredita que há sinais de mudança.

“Houve uma altura que morria-se bastante na cadeia por falta de cuidados, mas agora baixou, porque não é fácil um preso ver um colega a morrer. Aos poucos estamos a conseguir alguma coisa”, diz.
(PlusNews – 01.07.2008 )





CAMARÕES: Em busca da alma gémea positiva

2 07 2008

DOUALA, 1 Julho 2008 (PlusNews) – Quando Clémentine Banzoat, 41 anos e mãe de dois filhos, soube que era seropositiva há nove anos, ela perdeu não somente seu companheiro, pai de seu segundo filho, mas também seu emprego.

Após vários relacionamentos que não deram certo com homens seronegativos, ela decidiu procurar um parceiro seropositivo para formar uma família.

“Eu estou à procura de um homem seropositivo, em tratamento ou não, mas em boa forma e ambicioso como eu”, disse ela. “Não está fácil de achar.”

Ela admitiu que tem medo de passar o resto de sua vida sozinha. “É muito mais fácil enfrentar a doença e compartilhar as preocupações a dois.”

Como Banzoat, muitas pessoas que vivem com o HIV têm dificuldade em encontrar o parceiro ideal, o que há três meses levou a filial da Sociedade para Mulheres e SIDA em África (SWAA) da província de Littoral a lançar um serviço de encontros.

Frédéric Alone, que dirige o programa, disse que tinham recebido “pedidos constantes e crescentes de pessoas doentes que monitorizamos” para lançar o serviço.

Uma das coordenadoras do programa, Nadège Yawé, orientadora psicossocial, já tinha começado a organizar encontros. “A coisa de que mais me orgulho é de ter conseguido formar dois casais há seis meses”, disse ela.

Embora um dos casais não tenha durado muito tempo devido a problemas financeiros, o segundo casal está cada vez mais unido. “Os dois estão realmente a realizar-se e planejam oficializar sua relação”, disse Yawé.

Ainda no estágio inicial, o serviço de encontros já registrou mais de 20 pessoas seropositivas, na maioria mulheres. “Isto não é surpresa, primeiro porque há mais mulheres do que homens seropositivos nos Camarões, e segundo porque os pacientes homens em geral não desejam ser reconhecidos”, continuou ela.

Achar um par

Os anúncios são inscritos em um livro de encontros, e quando dois perfis são compatíveis a agência convida as duas pessoas para um primeiro encontro. Se dá certo, a agência monitoriza o progresso da relação.

“O nosso envolvimento limita-se ao aconselhamento, principalmente em relação ao uso do preservativo durante as relações sexuais, e às precauções a serem tomadas se o casal deseja ter filhos”, disse Yawé.

Recomenda-se aos casais que desejam ter filhos que “pensem nos métodos modernos de procriação [como lavagem de esperma], ou que comecem o tratamento e tenham relações sexuais não protegidas somente durante o período fértil”, explicou Madelaine Mbanguè, coordenadora da unidade HIV/SIDA do hospital Laquintinie em Douala, grande porto comercial dos Camarões.

SWAA Littoral não é a única organização a encorajar o encontro de seropositivos. A maior vantagem é que as pessoas que vivem com o vírus evitam o risco de rejeição, estigma e discriminação que podem sofrer caso eles encontrem um parceiro negativo”, disse o psicólogo Guy Bertrand Tengpé.

“Ser rejeitado por seu parceiro, e sofrer a estigma e discriminação por parte das pessoas próximas cria problemas psicológicos… [que podem] levar à depressão”, disse ele. A pessoa corre o risco de “perder toda a vontade de continuar o tratamento e desenvolve mecanismos de compensação como o alcoolismo, cigarro ou drogas, que prejudicam sua saúde.”

Nem sempre melhor

Entretanto, encontrar um parceiro com o mesmo estado serológico não é garantia de um bom relacionamento. Banzaot passou recentemente por esta experiência quando separou-se de seu parceiro oito meses após o começo do namoro.

“Eu tive que terminar o relacionamento porque meu parceiro era muito infiel e não queria fazer sexo protegido”, disse ela.


Photo: Reinnier Kaze/IRIN
Clementine Banzoat, 41 anos e dois filhos, está em busca do amor

Tengpé também chama atenção para o fato de que “Existe… um risco de auto-marginalização; pessoas que têm medo de ter sua seropositividade revelada… [e/ou] esperam ser discriminados, e [evitam]… relacionamentos com [pessoas seronegativas] ou outros que não foram testados.”

Mesmo reconhecendo “a intenção nobre deste tipo de iniciativa” para evitar a progapação do vírus, ele disse estar preocupado com o fato de que isto poderia “contribuir para criar ou provocar uma baixa auto-estima, uma falta de auto-confiança e de confiança na capacidade de desenvolver relacões emocionais com os outros, seja qual for o estado serológico.”

Lucie Zambou, presidente do RECAP+, rede de associações para pessoas que vivem com o HIV nos Camarões, concordou: “Eu não me oponho fundamentalmente a este tipo de relacionamento, mas [eles não deveriam], a longo prazo, criar dois mundos separados, como pessoas seropositivas de um lado, e os seronegativos do outro.”

(PlusNews – 01.07.2008 )