QUÉNIA: Mais educação resulta em menos gravidez e HIV na adolescência

30 07 2008

AIRÓBI, 30 Julho 2008 (PlusNews) – Manter as meninas quenianas na escola e assegurar que elas tenham acesso a educação sobre sexo e HIV tem um efeito dramático na diminuição de futuros índices de HIV, segundo especialistas.

“Os jovens não têm a informação da qual precisam, e a taxa de abandono escolar, particularmente por meninas, ainda é muito alta”, informou Rosemarie Muganda-Onyando, directora executiva do Centro de Estudos da Adolescência (CSA, em inglês), que pesquisa o comportamento de adolescentes e implementa programas direccionados a eles.

“Abandonar a escola assegura uma vida de pobreza para essas meninas, e muitas delas acabam seropositivas porque as dinâmicas de poder homem-mulher tornam-se ainda mais acentuadas contra elas”, disse.

Embora o governo tenha dado início à educação primária gratuita em 2003, aproximadamente um milhão de crianças de idade escolar não estão a frequentar a escola. Cerca de 13 mil raparigas quenianas abandonam a escola todos os anos como resultado de gravidez, e cerca de 17 por cento das meninas já tiveram relações sexuais antes dos 15 anos. A seroprevalência entre mulheres quenianas de 15 a 24 anos é de cerca de cinco por cento, comparada com apenas um por cento dos homens.

A Pesquisa Demográfica e de Saúde do Quénia de 2004 revelou que raparigas mais escolarizadas eram menos propensas a casar cedo, mais propensas a fazer um planejamento familiar, e seus filhos têm maior probabilidade de sobrevivência.

De acordo com Fundo das Nações Unidas para a Infância, meninas não escolarizadas são mais propensas a contrair HIV/ Sida, que se espalha muito mais rapidamente entre elas do que entre raparigas que tiveram alguma escolaridade.

O Ministério da Educação tem um currículo de prevenção ao HIV/ SIDA e educação sexual que foca em escola primária e secundária, mas não há horário pré-determinado para tratar do assunto, deixando que professores e directores da escola decidam onde encaixar a disciplina.

“Eu gostaria de ver uma educação sobre sexo e HIV que fosse obrigatória e abrangente – e não apenas o básico, mas algo que vá além e ensine as crianças a tornarem-se responsáveis por seus actos e a ter mais controle sobre seu futuro”, afirmou Muganda-Onyando. “Não foram treinados professores suficientes para esse tipo de educação, então as crianças estão saindo da escola com qualificações académicas, mas sem muitas ferramentas para a vida.”

Esses não foram os únicos obstáculos: a forte influência dos fundamentalistas cristãos no financiamento à resposta ao HIV no Quénia também teve um papel importante no impedimento ao ensino de educação sexual nas escolas.

“Também há resistência por parte dos pais, muitos deles pensam que a escola não é o lugar para aprender sobre sexo”, disse ela.

Essa falta de informações significa que as meninas não estavam a praticar sexo seguro. Uma pesquisa de 2003 feita pelo governo observou que apenas 25 por cento das mulheres entre 15 e 24 anos registaram ter usado preservativo com um parceiro que não fosse seu cônjuge ou com quem não morasse.

Escolas mal-equipadas para educação sexual

Escolas em áreas rurais remotas, e áreas urbanas carentes são frequentemente mal preparadas para tratar de educação sexual; muitas nem chegaram a ver o currículo do governo.

''Quando investigamos sobre a gravidez das meninas, é sempre com um homem mais velho (…) Trabalhamos com a polícia local para processá-los.''

“Nós não temos educação sexual ou sobre o HIV; o governo não nos deu qualquer material ou formação, então, nós não sabemos por onde começar”, disse Christopher Barassa, director da escola primária e secundária Genesis Joy, em Mathare, segundo maior favela de Nairóbi.

Embora registada no Ministério da Educação e na prefeitura de Nairóbi, a escola é considerada “informal” devido a sua localização e falta de infra-estrutura; não possui pátio ou casas de banho, de forma que a escola é cercada de “despojos voadores” – fezes em sacos plásticos que são jogadas – e lixo. Todos os estudantes são da favela, e Barassa diz que mantê-los na escola pode ser difícil.

“Nosso índice de abandono não é muito alto, o maior problema é gravidez na adolescência”, disse ele. A política da escola é encorajar meninas a retornar à escola após o parto, mas muitas se sentem estigmatizadas ou não têm quem cuide de seus filhos e, portanto, não retornam.

“Quando investigamos sobre a gravidez das meninas, é sempre com um homem mais velho (…) acima de vinte e às vezes acima de trinta anos”, disse ele. “Trabalhamos com a polícia local para processá-los – recentemente tivemos um caso de um homem de 31 anos de idade preso por casar com uma de nossas alunas que tinha apenas 15 anos.”

Ele observou que muitos pais na favela não têm o controlo adequado porque seu trabalho os mantém longe de seus filhos, às vezes por dias. Como resultado, as crianças aprendem sobre sexo através de fontes erradas, tais como as diversas salas de cinema que permitem que crianças assistam filmes pornográficos.

“Além de tudo, as meninas têm que viver no mesmo quarto em que seus pais até que amadureçam, e muitas delas presenciam seus pais durante a prática sexual, então aprendem cedo sobre sexo”, afirmou Barassa. “Às vezes elas arrumam um homem quando ainda são muito jovens para poder sair daquela situação.”

Mais educação sexual, menos sexo

O CSA realiza projectos com o objectivo de diminuir o índice de desistência escolar de meninas e de ensiná-las sobre saúde reprodutiva e sexual, incluindo HIV.

“Os projectos formam professores para ensinar ferramentas para a vida, para criar espaços seguros nas escolas onde as meninas possam discutir livremente os problemas que estão a enfrentar, e para fomentar a relação “mentor-aprendiz” entre as alunas mais novas e mais velhas, de forma que as mais novas tenham com quem contar”, disse Muganda-Onyando do CSA.

“Um dos maiores problemas tem sido a quebra dos nossos sistemas tradicionais africanos, em que uma tia ou avó era responsável pela educação sexual… Dizem que discussões sobre sexo na África são um tabu, mas isso não é verdade”, disse ela. “Nós perdemos aqueles sistemas através da colonização e modernização, e eles não foram substituídos; esses projectos estão a tentar trazer de volta aquele sistema de apoio.”

O CSA também cria laços com a comunidade, encorajando os pais a desempenharem um papel activo na aprendizagem de suas crianças sobre sexo, e a terem eles mesmos um comportamento mais responsável.

A iniciativa, que está a ser implementada em mais de 100 escolas por todo o país, teve um resultado positivo até então; escolas participantes observaram uma queda significante de gravidez na adolescência, maior índice de retenção e conclusão da educação escolar e aumento da auto-estima e autoconfiança entre meninas, que, por sua vez, levou a maiores notas nos testes.

“As meninas também precisam de ajuda em relação a uniformes, livros e outras necessidades materiais da escola”, disse o director Barassa. “Se uma menina tem tudo o que precisa para a escola, ela pode ficar na escola e concentrar-se nos estudos, e não irá procurar um homem mais velho para comprar o que ela precisa em troca de sexo”.

(PlusNews – 30.07.2008 )





Seropositivos ainda vêem desconfiança

30 07 2008

A qualidade e a esperança de vida aumentaram 13 anos na última década para os infectados com VIH/sida graças aos novos tratamentos médicos, mas quem vive com o vírus em Portugal diz que a sociedade não acompanhou essa evolução.

“Para um portador, as dificuldades em obter emprego ou crédito à habitação, por exemplo, são as mesmas que existiam quando a doença era considerada terminal”, disse à agência Lusa um seropositivo que soube da sua infecção há 21 anos. Pedro Silvério Marques, 62 anos, reformado com carreira profissional na gestão de empresas, faz análises regularmente e segue os novos tratamentos prescritos, que considera um “enorme salto em frente”.

Kamal Mansinho, chefe do Serviço de Infecciologia do Hospital Egas Moniz, Lisboa, corrobora: “Nunca se avançou tanto e em tão pouco tempo no tratamento de uma doença vírica como se avançou com o HIV”. Na sua perspectiva, a melhoria é notória “quer do ponto de vista da qualidade de vida, quer da frequência das infecções associadas que motivavam longos internamentos”.

Segundo Eugénio Teófilo, médico do Hospital dos Capuchos, Lisboa, “os novos medicamentos são realmente muito mais potentes e menos tóxicos, permitindo controlar e reduzir significativamente a carga viral das pessoas infectadas”, acrescentou.

“A grande diferença é que deixei de ter o risco de todas as doenças oportunistas que estavam associadas ao VIH e a minha carga viral é agora imperceptível”, diz Pedro Silvério Marques.

O mesmo se passa com Luís Mendão, outro seropositivo que falou à Lusa. Mas deixa o alerta: “Embora em determinados meios se registe algum avanço na aceitação social dos seropositivos, isso não é a regra no mundo do trabalho”, frisou. “Há trabalhadores que vêem os seus contratos não serem renovados apenas por existirem suspeitas de que é portador de VIH”, acrescentou.

(JN – 30.07.2008 )





Morte por sida registou descida de dois milhões

30 07 2008

Decresceu o número de mortos por sida no Mundo e também diminuíram em 2007 as novas infecções. Portugal vem citado no relatório ONUSIDA num conjunto de 15 países com maior cobertura pela terapia com antiretrovirais.

Em 2007 morreram de sida menos dois milhões de pessoas que no ano anterior. O mundo tinha, no mesmo período, 33 milhões de infectados pelo VIH.

Destes, a parte mais significativa concentrava-se nos países africanos a Sul do Sara, que têm também o número mais elevado de mulheres infectadas. Ali, onde apenas um terço dos seropositivos tem acesso a tratamento, o drama da doença espalha-se para as gerações mais novas: já há 12 milhões de órfãos. Na infecção em adultos, a Suazilândia tem a taxa mais elevada do mundo: 26% da sua população.

A ONUSIDA, parceria das Nações Unidas com outras organizações para contrariar a devastação da sida, sublinha no seu relatório ontem divulgado que a diminuição do número de infecções e óbitos se deve a duas razões: estendeu-se um pouco a cobertura das terapias antiretrovirais e, em algumas regiões do mundo, as populações começaram a aderir ao uso de preservativos quando há parceiros múltiplos.

Esta mudança de comportamentos é também assinalada relativamente a algumas regiões de África, como a correspondente aos Camarões, onde a iniciação sexual antes dos 15 anos deixou de ser tão comum como antes.

Apesar de os números globais indiciarem uma relativa travagem na disseminação da doença, a ONUSIDA constata que em algumas regiões ou países aumentou a taxa de novas infecções. É o caso da China, Indonésia, Quénia, Rússia, Ucrânia, Moçambique e Vietname.

A Europa de Leste e a Ásia central viram duplicar as suas taxas desde 2001. Por outro lado, em países como a Alemanha, Canadá e Estados Unidos, aumentou a taxa de infecção passada entre homens. No caso de África são as relações heterosexuais as que mais contribuem para o aumento do número de infectados.

Com excepção de África, as novas contaminações ocorrem em maioria por uso de drogas injectáveis, prostituição (e seus frequentadores) e relações não protegidas entre homens. Um dos progressos constatados pela ONUSIDA tem a ver com a passagem de novas infecções das grávidas para os fetos. Houve, em 2007, menos 40 mil casos no mundo. Mas esta realidade não esconde uma outra: a nível mundial, no ano passado, mais 370 mil crianças com menos de 15 anos ficaram infectadas, continuando a tendência verificada logo no começo do século. Isto faz com que vivam com VIH dois milhões de crianças. E, mais uma vez, é em África que estes casos se concentram, numa taxa de 90%.

Portugal partilha com 15 países (entre os quais alguns minúsculos reinos da Oceania, mas também a Dinamarca, Alemanha e Israel) uma classificação relativa aos casos com cobertura por terapias antiretrovirais. Estaremos com 75% de cobertura. A mesma lista indica que estarão com cobertura de 50 a 75% países como a Suécia, Luxemburgo e a Noruega. A Europa ocidental tinha, em 2007, cerca de 800 mil pessoas infectadas, enquanto os Estados Unidos tinham 1,2 milhões.

Só com o tratamento de todos os infectados até 2010 se poderia inverter o andamento da doença por volta de 2015, lembra o relatório citando os objectivos do Milénio. Para tanto serão necessárias mais verbas e uma estratégia que combine medicação com prevenção.

(EDUARDA FERREIRA/JN – 30.07.2008 )





Novo método para estudar melhor vírus da hepatite B

30 07 2008

Medicina. O recurso a um novo método, pulverização com água, permitiu a um grupo de investigadores holandeses e norte-americanos estudar a estrutura molecular do vírus da hepatite B e compreender melhor o mecanismo de infecção. Acreditam poder, no futuro, bloquear a produção do vírus

Investigadores recorrem à pulverização

Um grupo internacional de investigadores caracterizou a estrutura e composição do vírus da hepatite B através de um novo método de pulverização, permitindo assim uma melhor compreensão do seu mecanismo da infecção.

Este foi o resultado de um estudo realizado por investigadores holandeses e norte-americanos publicado na edição de ontem da revista PNAS, da Academia de Ciências dos Estados Unidos.

Devido às suas grandes dimensões, a estrutura molecular do vírus tem sido difícil de estudar por métodos convencionais.

Foi por isso, e para este projecto em especial, que Charlotte Uetrecht e Albert Heck, da Universidade de Utreque, e colegas em Amesterdão e nos EUA desenvolveram um espectrómetro de massa modificado que pode pulverizar o vírus intacto.

Em resumo, o método consiste em pulverizar o vírus com água através de uma carga eléctrica de alta tensão – semelhante ao princípio da transmissão por espirros do vírus da constipação – e separar depois o vírus da água, possibilitando o seu exame individual.

Com este método, os cientistas conseguiram observar a estrutura molecular e a composição do vírus da hepatite B, que pode causar graves danos ao fígado humano. Na sua perspectiva, isso torna possível, no futuro, bloquear a produção do vírus e, desse modo, combater a infecção.

A tecnologia desenvolvida pode também ser usada para identificar outros vírus, como os que podem eventualmente ser usados como armas por terroristas. A espectrometria de massa é uma tecnologia que permite identificar moléculas, sendo utilizada, entre outras aplicações, para fazer despistagem de drogas e identificar vestígios de tinta em investigações médico-legais.

O vírus da hepatite B, descoberto em 1965, transmite-se através do contacto com o sangue e fluidos corporais de uma pessoa infectada, da mesma forma que o vírus da imunodeficiência humana (VIH), mas é mais infeccioso. – (Lusa/DN – 30.07.2008 )





PS admite acabar com discriminação de infectados

30 07 2008

HIV/sida. Bloco de Esquerda apresentou um diploma para impedir tratamento desigual na escola, na saúde e no acesso ao crédito bancário. PS, pela voz de Ricardo Rodrigues, promete apreciar os méritos da proposta bloquista e diz estar sempre disponível para luta contra toda a discriminação

O PS diz que vai estudar lei do BE após as férias

Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada socialista, garantiu ao DN que o PS “está sempre disponível a analisar todas as propostas que vão ao encontro do combate à discriminação, designadamente o apresentado pelo Bloco para proibir a discriminação dos portadores de HIV/sida”.

Apesar de não conhecer em detalhe o diploma do Bloco – que entrou na Assembleia da República mesmo antes das férias parlamentares de Verão – ” não podendo, por isso, avaliar a bondade das soluções propostas”, Ricardo Rodrigues referiu que este será analisado no reinicio dos trabalhos parlamentares e alertou para o facto de se “poder exigir no universo do público medidas mais activas de combate à discriminação do que no sector privado”.

Na escola pública, por exemplo, nunca se deverá verificar qualquer discriminação de alunos ou docentes portadores de qualquer tipo de deficiência , mas o mesmo é mais difícil de exigir no privado, em que a inscrição é voluntária.

Refira-se que, ao apresentar um diploma que proíbe a discriminação dos portadores de HIV/sida, o Bloco quer, designadamente, impedir “a recusa ou o condicionamento de aquisição, arrendamento ou subarrendamento de imóveis, assim como a recusa na celebração de contratos de seguros”. Na verdade, os portadores de HIV/sida, tal como acontece com pessoas que são portadoras de outras deficiências ou tem um risco de morte acrescido , acabam por ficar muitas vezes impossibilitadas de recorrerem ao crédito para compra de habitação.

Noutros casos as instituições bancárias concedem o crédito mas os seguros são significativamente mais caros dos que os de clientes com melhores condições de saúde.

O Bloco de Esquerda lembra, na justificação de motivos deste diploma, que “as características da discriminação têm sofrido mudanças de forma e conteúdo ao longo dos anos”. Frisam que, “se até ao princípio dos anos 90, esta se erigia de forma directa e ostensiva, de então para cá tem assumido um modo mais insidioso mas nem por isso menos violento”.

Exemplo disso mesmo são situações de discriminação no mundo do trabalho, na escola e nos próprios serviços de saúde.

O diploma do BE “vincula todas as pessoas singulares e colectivas, públicas ou privadas”. Assim, é proibida “a recusa a limitação ou o impedimento de acesso aos cuidados de saúde prestados em estabelecimentos de saúde públicos ou privados”.

Dados recentes revelam que em Portugal, a epidemia de sida continua a constituir um alarmante problema de saúde pública. De acordo com as estimativas da ONUSIDA, citadas pelo BE, “podem existir, no nosso país, cerca de 50 000 pessoas infectadas pelo HIV, só estando notificados, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica de Doenças Transmissíveis (CVEDT), cerca de 32 500 destes casos (Dezembro 2007), situando-se, a sua maioria, na faixa etária dos 30 aos 34 anos”. Segundo o BE, o Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Infecção HIV/sida 2007-2010 adverte para a existência de concepções erradas quanto ao modo de transmissão do vírus HIV e identifica contextos onde a discriminação é mais insidiosa, nomeadamente o local de trabalho e a escola, onde crianças e adultos se confrontam com «processos inaceitáveis de discriminação.

(EVA CABRAL/DN – 30.07.2008 )





PAÍSES DA AMÉRICA LATINA TROCAM EXPERIÊNCIAS SOBRE PREVENÇÃO DA AIDS ENTRE ESTUDANTES

30 07 2008

Países da América Latina trocam experiências sobre prevenção da Aids entre estudantes

A prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Aids pela educação de crianças, adolescentes e jovens é o tema central da 1ª Reunião de Ministros da Educação e da Saúde da América Latina e Caribe, que acontece na cidade do México, de 1º a 3 de agosto. A secretária de Educação Básica, Maria do Pilar Lacerda, representa o ministro Fernando Haddad na reunião.nzoni)

O Ministério da Educação, segundo a secretária, vai em busca de experiências bem sucedidas testadas no continente e que possam enriquecer o programa brasileiro, mas também vai relatar o que é e como funciona o Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), ação que hoje está presente em cerca de 100 mil escolas públicas de 400 municípios. O SPE, que integra o Programa Saúde nas Escolas, é um projeto desenvolvido pelos ministérios da Educação e da Saúde, com o apoio de três organismos internacionais: Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Educação (Unesco), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Maria do Pilar tem expectativa de que o debate e a troca de experiências no México possam resultar na elaboração de políticas conjuntas entre os países do continente para a prevenção do HIV e da Aids entre os estudantes da educação básica. A secretária lembra que no começo dos anos 80 a doença se manifestou entre os homossexuais, depois chegou aos heterossexuais e nos últimos anos está vitimando as mulheres. Nesse contexto, explica, é necessário, urgente e dever do Estado levar a informação a professores e alunos.

Dados do Ministério da Saúde mostram que as ações de prevenção da Aids no país, dentro e fora da escola, estão produzindo resultados. Em 1988, para cada grupo de 100 mil habitantes, 21,3 estavam infectados; em 2007, esse número caiu para 13,9.

Na agenda do encontro, a secretária vai participar de uma série de reuniões de trabalho, da reunião de ministros e do encontro de mulheres líderes da América Latina e Caribe para discutir o avanço, o controle e programas de prevenção da Aids entre as mulheres.

Prevenção na escola – O projeto Saúde e Prevenção nas Escolas é o modelo de prevenção das DST/Aids que será apresentado no encontro no México. Em execução há quatro anos, é dirigido a estudantes e professores de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e do ensino médio das escolas públicas. Os materiais do SPE, preparados pelos ministérios da Educação e da Saúde, abordam a temática da saúde e da prevenção para adolescentes, jovens e professores. Esses conteúdos são distribuídos para as escolas e para os núcleos das escolas responsáveis pelo SPE. Os núcleos recebem três tipos de materiais: um caderno com as diretrizes do projeto; um guia para formação de profissionais da educação e da saúde; e o kit Eu preciso fazer o teste HIV/Aids?, com três produtos: guia do professor, folheto do estudante e dois CD-rom com os mesmos conteúdos.[14]

Para os estudantes, os ministérios fizeram um caderno, tipo agenda, que reúne informações em linguagem dirigida aos pré-adolescentes e adolescentes. O caderno traz textos curtos com perguntas, testes e respostas sobre DST/Aids e uso da camisinha; aborda temas sobre alimentação saudável e também sobre excessos, como de frituras; informa sobre livros, filmes, páginas na internet, jogos, hobbies. Ao lado de cada quadradinho com informações e desenhos, há uma página de agenda para o aluno fazer anotações.

(Segs – Portal Nacional de Seguros – 29.07.2008 )





Cerca de 34 mil portugueses infectados com Sida em 2007

30 07 2008

Cerca de 34 mil portugueses estavam infectados com o vírus de HIV no ano passado, segundo um relatório da ONU divulgado esta terça-feira. À TSF, o coordenador nacional da Luta Contra a Sida congratulou-se com a diminuição de mortes associadas à doença.

O mesmo relatório adianta também que o número de mortes de adultos e crianças portuguesas no ano passado devido à doença foi inferior a 500.

Enquanto a estimativa de 2001 apontava para cerca de 7700 mulheres maiores de quinze anos infectadas com o vírus da Sida no país, esse número subiu para 9400 em 2007.

O mesmo documento coloca Portugal na lista de 16 países onde existe mais de 75 por cento de cobertura de tratamento antiretrovirico para adultos e crianças com HIV/Sida em estado avançado.

Em Fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que o número de casos de SIDA diagnosticados em território nacional tinha diminuído entre 2000 e 2000, já que enquanto em 2000 foram diagnosticados 1022 novos casos de infecção, em 2006 o número baixou para 577.

Ouvido pela TSF, o coordenador nacional da Luta Contra a Sida confirmou estes dados afirmando que «diminuiu a mortalidade associada à infecção», bem como os «casos clinicamente mais graves», enquanto o número de pessoas em tratamento «aumentou extraordinariamente».

Henrique de Barros acrescentou que o «número de novos casos de infecção também está a diminuir», sobretudo decorrente ao facto de a principal causa de transmissão estar associada ao consumo de drogas.

Henrique de Barros, coordenador nacional da Luta Contra a Sida, congratula-se com diminuição de mortes provocadas pela Sida em Portugal

(TSF – 30.07.2008 )





Ejaculação precoce tende a desaparecer com intimidade entre parceiros, diz Jairo Bouer

30 07 2008

O médico Jairo Bouer conversou nesta terça-feira com os internautas sobre temas relacionados à sexualidade, saúde e comportamento. Veja abaixo a íntegra do bate-papo.

_________________________________________________________________
(06:53:29) jonas pergunta para Jairo Bouer: Olá Jairo boa noite ! Tenho 20 anos e acho meu pênis pequeno,ele mede 15 cm…se eu fizer a cirurgia de retirada do prepúcio no pênis, ele vai aumentar ?

(07:12:55) Jairo Bouer: jonas, a cirurgia de retirada de prepúcio não aumenta o tamanho do pênis. Pode dar uma aparência maior, mas não aumenta. Você está acima da média brasileira, que é de 13, 14 cm.

(06:53:32) Juma fala para Jairo Bouer: POSSO ESTAR GRAVIDA MESMO MENSTRUANDO NORMALMENTE?

(07:13:36) Jairo Bouer: juma, por definição, a mulher grávida não menstrua. Algumas mulheres, porém, podem ter perda de sangue. Quando isso acontece, é preciso procurar médico para saber se está tudo em ordem.

(07:04:16) carlinha fala para Jairo Bouer: caro Dr.Jairo tenho uma pergunta que sempre me persegue só consigo atingir orgasmo através do clitóris isso é normal?

(07:14:51) Jairo Bouer: carlinha, muitas garotas têm essa dúvida, porque é mais fácil para elas atingir o prazer com a estimulação do clitóris. Elas reclamam que não chegam lá com a penetração. Mas com a prática, a intimidade com o parceiro e variações é possível transferir o orgasmo para a penetração.

(07:04:36) Roberto Valdo fala para Jairo Bouer: Jairo , o que vc acha dessa teoria que tem rolado por aí sobre a aids ser uma doença homeopática, digo, que possa ser curada via força de vontade

(07:16:04) Jairo Bouer: Roberto Valdo, eu não acredito muito nessa teoria, não. A gente sabe que a aids é causada pelo HIV, que mina a capacidade de defesa do organismo. Agora, o estado emocional pode influenciar na evolução da aids nessa pessoa. Quem está mais desanimado, triste, pode ter mais problemas. Mas isso não quer dizer que ela possa ser curada só com a força de vontade.

(07:07:10) lais pergunta para Jairo Bouer: porque é mais fácil sentir prazer na masturbação com o jato de água do que com a mão ?

(07:16:37) Jairo Bouer: lais, isso é uma questão muito pessoal. Existem várias maneiras e cada menina acha seu jeito.

(07:09:07) Maurinho fala para Jairo Bouer: Boa noite Dr. Eu saí com uma garota e fomos ao meu apartamento(eu moro sozinho) nós nos conhecemos a um bom tempo, mas só como amigos. Durante o sexo, o corpo dela começou a tremer(mais precisamente o quadril) e ela ficou muito envergonhada. É normal? Era só orgasmo?

(07:17:29) Jairo Bouer: Maurinho, o tremor pode ser por causa do orgasmo, de uma questão emocional, pode ser a questão do prazer. Nada para se preocupar muito, pelo contrário, ela não precisava ficar envergonhada.

(07:10:32) michel fala para Jairo Bouer: Boa noite Jairo !!! Contrai candidíase a um ano atrás,fui no medico q me passou uma pomada e sarei rapidamente…a 3 meses tive relação desprotegida novamente e contrai de novo, tanto o remédio como a pomada não melhoram os efeitos…eu to me entupindo de remédios por minha conta e as vezes meu corpo inteiro coça o que devo fazer ?

(07:19:02) Jairo Bouer: michel, você está fazendo tudo errado. Primeira coisa errada: transar sem camisinha. Segundo, você não sabe se contraiu candidíase de novo. Terceiro: você não sabe se os remédios são os mais adequados para te tratar, se estão dentro do prazo de validade, entre outras coisas. O melhor a fazer é procurar o médico para ele dar uma organizada de novo nisso. O dermatologista vai te ajudar.

(07:13:38) lindinha fala para Jairo Bouer: Jairo, boa noite para você! É possível o aumento de lactobacilos na flora vaginal com a queda na resistência? O que pode-se fazer para melhorar esse quadro?

(07:19:46) Jairo Bouer: lindinha, de fato, quando tem uma queda na resistência ela pode alterar sua flora vaginal e isso pode favorecer o surgimento de corrimento ou infecção. Procure o ginecologista para ele avaliar e indicar o tratamento mais adequado.

(07:14:06) Maxx fala para Jairo Bouer: Dr. Jairo, os aparelhos que são anunciados para o aumento do pênis funcionam?

(07:20:14) Jairo Bouer: Maxx, não. Infelizmente esses extensores ou cirurgias têm resultados muito limitados e não são indicados pelos urologistas.

(07:16:45) gisele fala para Jairo Bouer: Jairo, existe orgasmo anal?

(07:20:57) Jairo Bouer: gisele, qualquer pessoa pode ter orgasmo dependendo da forma como ela é estimulada. Mas não há uma estrutura específica para o orgasmo no ânus. De qualquer forma, é possível ter orgasmo com o sexo anal.

(07:17:01) legendary(H) fala para Jairo Bouer: tenho 18 anos e tenho ejaculação precoce. Como contornar esse problema. Sou homem.

(07:22:18) Jairo Bouer: legendary(H), boa parte dos homens tem ejaculação precoce no início da vida sexual. Com a prática, com o tempo e intimidade, a ejaculação precoce tende a melhorar. Se isso não acontecer, vale a pena procurar ajuda de um especialista para contornar a situação. Normalmente, a ejaculação tem a ver com ansiedade de performance.

(07:19:20) Rexor fala para Jairo Bouer: Jairo, existe alguns pontos brancos na base inferior do meu pênis. Não faço idéia do que possa ser e tenho um pouco de vergonha de procurar um médico. O que poderia ser isso?

(07:23:21) Jairo Bouer: Rexor, pode ser alergia, candidíase, não dá para saber sem fazer um exame visual. Procure um médico dermatologista para ele olhar e avaliar. É normal a gente ter vergonha de ir no médico, mas o médico está mais do que acostumado com essa situação.

(07:19:36) florzinha fala para Jairo Bouer: é possível ficar grávida 2 semanas após a menstruação ter encerrado?

(07:23:58) Jairo Bouer: florzinha, é possível sim, florzinha. Depende muito do ciclo de cada mulher. Se você tem menstruação de 28 em 28 dias ou de 30 em 30 dias, tem esse risco, sim.

(07:19:58) Guilherme fala para Jairo Bouer: Dr. Bouer, o que é a fimose?

(07:24:55) Jairo Bouer: Guilherme, fimose é um estreitamento do prepúcio, aquela pele que cobre o pênis. Essa pele é muito pequena e dificulta a saída da glande, entre outras coisas. Se você tem esse problema, é melhor procurar um urologista para ver o que pode ser feito.

(07:21:12) loboh fala para Jairo Bouer: Jairo, qual a média de tempo entre o fim do estirão e o crescimento total do pênis?

(07:25:43) Jairo Bouer: loboh, estirão é a fase mais intensa de crescimento do adolescente. No final do estirão, ainda não terminou o desenvolvimento sexual completo do homem, que vai até aos 17 anos.

(07:21:31) cíntia fala para Jairo Bouer: faço tratamento com psiquiatra há 4 meses estou sentindo leve melhora na depressão, em qto tempo normalmente deve ser o tratamento

(07:27:05) Jairo Bouer: cintia, os tratamentos para depressão são tratamentos de longo prazo. Leva de 4 a 6 semanas para ter uma melhora no quadro e, para os casos mais leves, dura pelo menos seis meses. Antes da alta, porém, é preciso ter uma alta do médico que só vem com uma melhora muito boa.

(07:23:55) mariabh fala para Jairo Bouer: quem tem hpv tem que avisar o parceiro e pode ser feito sexo oral?

(07:28:09) Jairo Bouer: mariabh, olha, tem que avisar sim, porque o HPV é sexualmente transmissível. Depois não adianta nada tratar a lesão se o parceiro continua com o problema. O sexo oral também transmite o HPV. Os dois têm que ser tratados.

(07:24:15) Moreninho-RJ fala para Jairo Bouer: Olá Jairo Boa Noite!! Que Doenças corremos risco de pegar quando fazemos sexo oral

(07:28:26) Jairo Bouer: Moreninho-RJ, a maioria das DSTs pode ser transmitida pelo sexo oral.

(07:24:26) deus grego fala para Jairo Bouer: Dr.Jairo numa relação a mulher pode chegar ao orgasmo quantas vezes .

(07:29:19) Jairo Bouer: deus grego, a mulher diferente do homem, tem um fenômeno chamado orgasmo múltiplo, que é quando ela engata um orgasmo atrás do outro. Diferente do homem, que tem uma limitação maior.

(07:25:07) ana fala para Jairo Bouer: Dr. minha medica disse que tenho o ovário meio virado não entendi direito… mas isso dificulta a relação sexual…. ?

(07:29:46) Jairo Bouer: ana, talvez ela tenha falado que vc tenha o útero um pouco virado, mas isso não dificulta sua vida sexual.

(07:27:07) gisele fala para Jairo Bouer: é verdade q esperma faz bem pra pele?

(07:30:23) Jairo Bouer: gisele, isso é um mito. Tem uma série de produtos mais higiênicos que tem um efeito bem melhor. Não precisa passar esperma na pele.

(07:27:30) MaRiáh pergunta para Jairo Bouer: Jairo, tenho um grande problemas, já transei várias vezes e toda vez que vou gozar não consigo, pois parece que vou fazer xixi. isso é normal? o que eu devo fazer para gozar tranquilamente ?

(07:31:08) Jairo Bouer: MaRiáh, você tem que diferenciar a sua sensação do orgasmo e a sensação da vontade de urinar. Recomendações básicas: fazer xixi antes da relação sexual e relaxar na hora do orgasmo.

(07:28:56) Padre Júlio BH fala para Jairo Bouer: Porque não volta a orientar os jovens, num canal aberto

(07:31:56) Jairo Bouer: Padre Júlio BH, a gente mantém um programa para jovens no canal Futura e logo esse canal volta a ser exibido na TV Cultura, provavelmente entre setembro e outubro, e também aqui no UOL.

(Ciência e Saúde – 29.07.2008 )





ONU diz que Brasil e México são países mais afetados por HIV na A. Latina

30 07 2008

Genebra, 29 jul (EFE).- Brasil e México continuam sendo os países com mais pessoas infectadas pelo HIV na América Latina, região onde a epidemia se mantém estável há uma década, segundo o relatório anual do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids, em inglês), divulgado hoje em Genebra.

O documento destaca que o fato de o Brasil ter aplicado “um enfoque simultâneo em garantir o acesso aos serviços tanto de prevenção quanto de tratamento do HIV ajudou a manter estável sua epidemia”.

Além disso, o Unaids considera um êxito o fato de que o acesso generalizado ao tratamento anti-retroviral a todos os soropositivos brasileiros ter reduzido pela metade a taxa de mortalidade por aids entre 1996 e 2002.

No entanto, o Unaids insiste na elevada prevalência do HIV entre a população carcerária do Brasil.

“Os níveis de conhecimento do HIV entre os presos parecem ser altos, mas o acesso aos serviços de prevenção nas cadeias continua sendo insuficiente”, destacou.

Na América Latina, sem contar o Caribe, foram registrados 140 mil novas contaminações no ano passado. No mesmo período, 63 mil pessoas morreram em conseqüência de doenças relacionadas com a aids, elevando o número total de latino-americanos soropositivos para 1,7 milhão. Desse total, 730 mil são brasileiros e 200 mil, mexicanos.

Sobre as formas de transmissão, mais da metade dos casos do México (57%) são atribuídos a relações homossexuais sem proteção. Outro dos meios de contágio mais comuns acontece entre as prostitutas. Isto acontece sobretudo na América Central, em países como Honduras, Guatemala e El Salvador.

No entanto, o relatório destaca que um programa intensivo de promoção do uso de preservativo reduziu os níveis de incidência em Honduras.

Um dos temas que mais preocupam o Unaids é o crescente número de mulheres infectadas em relações sexuais sem proteção com seus parceiros, que antes fizeram sexo com outro homem sem preservativo ou compartilharam seringas contaminadas.

Exemplo disso é o Uruguai, onde se estima que as relações sexuais sem proteção sejam os causadores de dois terços dos novos casos de HIV notificados.

Um dado positivo da América Latina é a diminuição dos casos de infecção causada pelo consumo de drogas intravenosas. Em Buenos Aires, por exemplo, apenas 5% dos novos contágios registrados entre 2002 e 2005 se deveram à troca de seringas contaminadas.

Na Argentina, assim como na Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, a prevalência do HIV se dá entre homens que mantêm relações sexuais com outros homens.

Das 33 milhões de pessoas soropositivas no mundo, a América Latina ocupa a terceira posição, atrás da África Subsaariana, com 22 milhões, e do Sudeste Asiático e Sul da Ásia, com 4,2 milhões. Ainda há 1,5 milhão de contaminados no Leste Europeu e 1,2 milhão na América do Norte.

Os outros soropositivos se concentram no Extremo Oriente (740 mil), Europa Ocidental e Central (730 mil), Norte da África e Oriente Médio (380 mil), Caribe (230 mil) e Oceania (74 mil).

China e Rússia são dois dos países onde mais houve aumento dos casos de aids.

Em países ocidentais, como Alemanha e Reino Unido, também foi detectado avanço da doença, enquanto Ruanda e Zimbábue registraram retrocesso, em parte relacionado ao uso de preservativos ou certas proibições que obrigaram a população a mudar seu comportamento sexual.

Entre os países com maior índice de infecções por HIV, figuram Indonésia, Quênia, Moçambique, Papua Nova Guiné, Vietnã e Austrália.

Há dados positivos no relatório, como notáveis progressos em países gravemente afetados pelo HIV graças à maior prevenção das contaminações.

Além disso, em outros países da África – que continua sendo o continente mais afetado pela epidemia – detectou-se que os jovens demoravam mais tempo para terem relações sexuais completas (com penetração), reduzindo o risco de contaminação.

Estes indícios foram registrados em Burkina Fasso, Camarões, Etiópia, Gana, Malauí, Uganda e Zâmbia.

O relatório destaca o exemplo de Camarões, onde o percentual de jovens que tinham relações sexuais antes dos 15 anos de idade caiu de 35% para 14%.

“Estas mudanças de parâmetros sexuais são uma grande conquista”, declarou em entrevista coletiva o diretor-executivo do Unaids, Michel Sidibe.

No entanto, segundo o Unaids, só 40% dos jovens de 64 países têm informação básica sobre o HIV e suas conseqüências.

A África Subsaariana tem as dois terços de todas as pessoas que vivem com HIV no mundo. O Unaids destaca que a epidemia mundial se estabilizou quanto ao percentual de pessoas infectadas.

“O programa de prevenção está dando bons resultados”, disse Sidibe.

No entanto, o Unaids não esconde que diariamente ocorrem 7.500 novos contágios, o que tem provocado aumento do número total de pessoas infectadas, que já alcança 33 milhões, 15,5 milhões delas mulheres.

Este número é o resultado das 2,7 milhões de novas infecções e das 2 milhões de mortes relacionadas à aids registradas em 2007.

No ano passado, 370 mil crianças foram contaminadas com o HIV, aumentando para 2 milhões o número de menores de 15 anos que sofrem de aids.

O texto destaca que em praticamente todas as regiões do mundo, menos na África Subsaariana, o HIV afeta desproporcionalmente às pessoas que usam drogas injetáveis, os homossexuais e as prostitutas.

“Estamos fazendo muitos progressos, mas devemos ser realistas, ainda há muito que fazer porque o realizado não é suficiente para lutar contra a doença”, afirmou Sidibe.

O relatório, redigido com as informações fornecidas por 147 países, será apresentado detalhadamente na 17ª Conferência Internacional sobre a Aids, que acontecerá de 3 a 8 de agosto na Cidade do México.

(EFE – 29.07.2008 )





MOÇAMBIQUE: Mães prudentes e bebés saudáveis

30 07 2008

BEIRA, 29 Julho 2008 (PlusNews) – O número de grávidas seropositivas a testar para HIV e a procurar os serviços de corte vertical está a aumentar na província de Sofala, na região central de Moçambique, segundo as autoridades locais de saúde.

No primeiro trimestre deste ano, o teste de HIV foi oferecido a 34.200 gestantes nas consultas pré-natais. Das 31.303 que aceitaram, 5.567 foram seropositivas. Destas, 3.902 administraram nevirapina para evitar a transmissão do vírus ao bebé.

“O número aumentou bastante em relação ao mesmo período no ano passado”, disse Juvenaldo Amos, coordenador provincial das grandes endemias, na direcção provincial de Saúde (DPS) de Sofala. Segundo ele, o aumento é calculado em números absolutos.

Nos três primeiros meses de 2007, 29.433 grávidas foram registadas em consultas pré-natais. O teste de HIV foi oferecido a 17.693 delas, das quais 3.395 aceitaram. Das 1.167 que testaram positivo, 791 usaram a nevirapina.

Esse aumento nos números têm uma importância ainda maior em Sofala. Com cerca de 1,7 milhão de habitantes, Sofala tem uma seroprevalência de 25 por cento, uma das mais altas do país, cuja média nacional é 16 por cento.

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA (ONUSIDA), nascem por ano 30 mil bebés seropositivos em Moçambique. Mais de metade morre antes de completar um ano.

Perdem-se candidatas

Apesar dos números animadores, Amos explica que perdem-se candidatas ao corte vertical em cada etapa do processo: nas consultas pré-natais, no aconselhamento e na maternidade.

“O estigma e discriminação em relação às pessoas vivendo com o vírus é o maior obstáculo que dita a desistência das gestantes”, disse o médico.

Ir à consulta pré-natal é, por si só, um desafio nas zonas rurais.

Segundo um relatório do Ministério da Saúde sobre mortes maternas hospitalares, apenas 52 por cento dos partos no país são atendidos por profissionais. O estudo foi feito no primeiro trimestre de 2008 nas províncias de Sofala, Zambézia e cidade de Maputo.

“As mulheres grávidas fazem o teste, o resultado é positivo. Elas fazem as consultas e depois não voltam mais”, lamentou.

Das grávidas diagnosticadas seropositivas em Sofala no primeiro semestre, 34 por cento tiveram o bebé em casa, o que dificulta a administração de nevirapina, mostram dados da DPS de Sofala.

Amos inclui outros factores na prevenção da transmissão vertical: que a mãe pratique sexo seguro, seja aconselhada a ter o bebé num hospital para receber assistência e frequente uma unidade sanitária até que a criança complete 18 meses e seja testada novamente.

“O corte vertical não se resume apenas a dar uma colher de nevirapina à mãe durante o parto e ao bebé antes das suas primeiras 72 horas”, disse.

Malabarismo da verdade

A falta de apoio familiar também dificulta a adesão ao corte vertical, já que muitas mulheres, por medo de abandono, não revelam a sua condição aos maridos e familiares.

''Os familiares do meu marido disseram-me que [ao não amamentar]eu estava a violar um princípio ético fundamental, o que dava direito ao divórcio. A minha única opção foi deixar o lar.''

Foi o que aconteceu com a doméstica Teresa Xavier, hoje grávida de oito meses. Ela e seu filho caçula, de três anos, são seropositivos.

“Eu soube da minha seropositividade nesta gravidez…Mas tive medo de contar ao meu marido, porque pensei nas consequências para os nossos outros cinco filhos”, disse.

Ela mudou de táctica quando o seu filho menor testou seropositivo às vésperas de completar dois anos. “Discretamente, obriguei o meu marido a fazer o teste de HIV”, contou.

O resultado dele veio positivo.

“Daí me abri, mas vivi momentos conturbados, a ponto de ele separar utensílios domésticos e me proibir de cozinhar para as crianças. Mas agora o ambiente voltou a normal”, contou.

Nesta gravidez, Xavier usa nevirapina e conta com a assistência do Grupo de Mães Seropositivas, um grupo de apoio e partilha de informações do programa de prevenção da transmissão de mãe para filho (PTV) do governo.

Depois do parto

Uma gestante seropositiva tem um risco de 30 por cento de transmitir o vírus ao bebé. Essa probabilidade cai pela metade com o corte vertical.

Mas em muitos casos, esse raciocínio não funciona. Josina Celso, 27 anos, descobriu ser seropositiva quando estava grávida, mas não ousou contar ao marido. Os seus familiares, entretanto, descobriram que ela escondia a dose de nevirapina que recebeu na clínica.

Uma vez descoberta, a briga foi séria. A jovem foi acusada de ter traído o marido e trazido a doença para o lar.

“Tivemos uma briga, que nem os meus familiares, nem os do meu marido, nem os meus padrinhos conseguiram conciliar”, disse.

As brigas continuaram depois do nascimento da filha, por causa da amamentação, já que o bebé também pode ser infectado pelo leite materno. Recomenda-se que as mães seropositivas dêem fórmula aos seus filhos para evitar o contágio.

Para que a sua filha não fosse infectada, Celso recusou-se a amamentá-la, apesar da insistência dos familiares. A decisão lhe custou o casamento.


Photo: Voices of Positive Women
HIV e gravidez: o resultado pode ser um bebé saudável

“[Os familiares do marido] disseram-me que estava a violar um princípio ético fundamental, o que dava direito a divórcio. A minha única opção foi deixar o lar”, disse.

Educação e extensão

Amos, da DPS de Sofala, também enfatiza a falta de seguimento de muitas mães seropositivas após o parto.

Segundo ele, a DPS testou apenas 611 crianças aos 18 meses este ano, das 3.655 que deveriam ter retornado. Das crianças testadas, 146 estão em tratamento antiretroviral.

Para se ultrapassar estas dificuldades, estão em curso trabalhos de sensibilização nas comunidades, formação de activistas e parteiras tradicionais.

Amos disse que o maior desafio é atingir a meta do governo de oferecer o corte vertical a 80 em cada 100 mulheres grávidas até 2010.

Para isso, Sofala pretende estender a PTV a mais 76 unidades sanitárias, acrescendo às 26 que já o oferecem em 12 distritos, mas a falta de pessoal e recursos são os principais impedimentos da expansão.

(PlusNews – 29.07.2008 )





ÁFRICA: Homofobia a ajudar na propagação do HIV

29 07 2008

LIMBÉ, 29 Julho 2008 (PlusNews) – Os persistentes e crescentes surtos de violência contra membros da comunidade de homossexuais masculinos em África está a colocar em risco os esforços para combater o HIV, tanto dentro deste grupo como na população em geral, alertaram activistas contra a SIDA num recente encontro em Limbé, Camarões.

A extrema vulnerabilidade dos membros da comunidade de homossexuais masculinos em relação ao HIV no continente foi enfatizada no encontro, organizado pela organização não-governamental francesa AIDES, e os seus parceiros, que reuniu activistas da SIDA vindos de países francófonos africanos.

Calcula-se que a seroprevalência média entre homens que fazem sexo com homens (HSH) é de quatro a cinco vezes mais alta do que na população no geral, com picos em determinadas áreas.

Em Bamako, capital do Mali, testes de triagem realizados entre centenas de HSH mostraram que a taxa de infecção era cerca de 37 por cento, segundo a ARCAD-SIDA, uma organização no Mali que apóia pessoas vivendo com HIV/SIDA. Estatísticas oficiais estimam a taxa de infecção na população em 1,3 por cento.

No Senegal, uma pesquisa feita em 2005 mostrou que 21,5 por cento de HSH na capital, Dakar, estavam infectados com HIV, comparados à seroprevalência nacional de 0,7 por cento.

O relatório “Fora do Mapa” de 2007, produzido pela Comissão Internacional de Direitos humanos para Gays e Lésbicas (IGLHRC, em inglês), uma organização americana que defende os direitos dos homossexuais, destacou que “a vulnerabilidade dos gays e lésbicas não é devida a qualquer predisposição biológica, mas resulta de uma interacção de violação dos direitos humanos e desigualdades sociais que agravam o risco de HIV.”

Criminalização da homossexualidade

Segundo a IGLHRC, 38 dos 53 países africanos ainda consideram a homossexualidade como uma ofensa punível a diferentes níveis, incluindo prisão.

Este é o caso nos Camarões, onde 11 pessoas foram presas em 2007 por actividade homossexual, segundo um relatório de 2008 da Anistia Internacional, uma organização dos direitos humanos. Por falta de cuidados, um dos prisioneiros morreu de uma infecção relacionada com o HIV/SIDA poucos dias após a sua libertação.

Steave Nemande, médico e presidente da organização de direitos humanos Alternatives Cameroun, acredita que ao criminalizar a homossexualidade “legitima-se a homofobia social e cria-se medo entre os HSH, que se expõem a maiores riscos para viverem a sua vida sexual secretamente.”

No Senegal, a homossexualidade continua ilegal, embora em 2005 os HSH tenham sido integrados nos programas de SIDA. Aqui a “caça ao homem” e prisões que aconteceram durante os últimos meses, seguindo a publicação de fotos de um festival gay nos jornais locais, forçaram alguns membros da comunidade homossexual a exilarem-se, e outros, incluindo alguns infectados pelo HIV, a esconderem-se – e a pararem o tratamento.

Mesmo em países sem legislação sobre homossexualidade, tais como a Costa do Marfim, MSM ainda estão longe de poder reivindicar os seus direitos, disse Hervé Beuté, membro da Arc-en-Ciel+, uma associação de prevenção de HIV/SIDA para MSM. “Continuamos a lutar para que os (HSH) tenham acesso aos centros de saúde.”


Photo: Reinnier Kazé/IRIN
A ONG Alternatives Cameroun proporciona serviços de HIV/SIDA gratuitos para HSH

Membros da comunidade morreram de HIV/SIDA sem terem cuidados de saúde, depois de terem sido rejeitados por algumas unidades sanitárias, disse. Ele acrescentou que ele próprio foi “vítima de violência algumas vezes” durante campanhas de prevenção para HSH.

Comunidades mal informadas

“No continente, cada vez mais HSH estão organizando campanhas de prevenção, contudo, nunca vão ser efectivos enquanto continuarem a ser caçados e/ou a serem presos, ou mesmo excluídos das estratégias oficiais de combate a pandemia”, disse David Monvoisin, membro da Africa Gay – um grupo de luta contra a SIDA entre as comunidades homossexuais – que também trabalha com a ONG francesa AIDES.

Philippe (sem o sobrenome) está a ser monitorado por um centro que oferece informação gratuita e cuidados para HSH, recentemente aberto pela Alternatives Cameroun em Douala, a grande cidade portuária.

Ele decidiu arriscar-se a revelar a sua orientação sexual e o seu estado de seropositivo para dar a apoio a outros, “na esperança de que isto servirá de exemplo aos outros para que haja mais discussão sobre a doença entre os HSH e profissionais de saúde”.

Tais iniciativas são indispensáveis, porque muitos HSH “não são instruídos e ignoram todos ou quase todos os métodos de prevenção”, dise Aboubakar Dabo, membro da ARCAD-SIDA, no Mali. Segundo um estudo realizado em 2006 por esta organização, 77 por cento dos HSH inquiridos tinham tido relações íntimas sem protecção.

”Muitos HSH estavam certos de que não há risco de infecção na penetração anal”, disse Yves Jong, coordenadora da unidade de saúde e prevenção da Alternatives Cameroun.

Perigosa existência clandestina

Mesmo quando os HSH estão cientes, a sua exclusão da maioria das políticas de saúde no continente significa que é difícil para eles obter o que necessitam para se proteger da infecção. O problema mais frequente é o acesso ao gel lubrificante, explicou Monvoisin. “Muitos (HSH) usam manteiga ou óleo mas, infelizmente, isto danifica os preservativos.”

A existência clandestina em que as comunidades gay são forçadas a se esconder os expõe não só ao risco do HIV, mas também o resto da população: porque eles não podem viver abertamente como homossexuais, muitos também têm relações sexuais com mulheres, ou são até casados, destacaram os activistas.

No Mali, “a maioria dos homossexuais – 88 por cento, segundo um estudo – são bissexuais, o que aumenta a propagação da doença”, disse Dabo.

Os governos africanos devem, por isso, agir o mais rapidamente possível para proteger os grupos vulneráveis no interesse de toda a população, insistiram os participantes do encontro nos Camarões.

Enquanto os MSM forem ignorados, todos os esforços de combate à SIDA no mundo estão condenados ao fracasso”, concluiu Joel Nana, do gabinete africano da IGLHRC.

(PlusNews – 29.07.2008 )





QUÉNIA: Nada substitui o apoio quando se toma ARVs

29 07 2008

MERU, 25 Julho 2008 (PlusNews) – “Nós [pessoas vivendo com HIV] devemos alimentar-nos bem, evitar o estresse – não é bom para você – e, se puder, por favor, se afaste de qualquer coisa que o aborreça e vá assistir Vitimbi [uma novela popular] ou cantar sua música favorita… Seja feliz e optimista.”

Essa é parte da mensagem que Dorothy Kendi* dá à sua “classe” de seropositivos no hospital do distrito de Meru, no leste do Quénia. Seus alunos ouvem-na avidamente, interrompendo-a de vez em quando com questões sobre dieta, adesão ao tratamento antiretroviral (ARV), entre outros assuntos relacionados ao modo de vida.

Kendi vive com o vírus há 23 anos, durante os quais acumulou um valioso conhecimento. Ela também se tornou parte fundamental do Zingatia Maisha (ZM) (Foco na vida, em Swahili), um projecto que teve início em 2006 e teve apoio do importante grupo farmacêutico GlaxoSmithKline através da Elizabeth Glaser Paediatric AIDS Foundation (EGPAF), assim como da African Medical and Research Foundation e do Ministério da Saúde, entre outros.

O projecto habilita comunidades a participar do programa de tratamento e cuidados com o HIV, e foca em encorajar as pessoas que vivem com HIV/SIDA a ter um papel mais activo na resposta ao HIV.

“Zingatia Maisha veio para ajudar aqueles dentre nós que estão infectados. Aqueles em tratamento ARV foram treinados para seguir à risca as prescrições do medicamento, e aprendemos sobre hábitos adequados de nutrição e como viver de maneira positiva”, disse.

Rogers Simiyu, director do programa para a EGPAF, afirmou: “O número de pessoas com resultados positivos estava sobrecarregando os estabelecimentos e profissionais de saúde, então decidimos ir à comunidade buscar apoio para os programas.”

Ele acrescentou que o projecto foi particularmente útil no aspecto de adesão, porque apesar de muito esforço ter sido empregado para aumentar o número de pessoas a receber ARVs, não foi feito o suficiente para mantê-las no tratamento.

“Indivíduos seropositivos normalmente visitam a clínica uma vez por mês, mas vivem na comunidade pelos outros 29 dias. É importante para elas que haja sistemas de apoio nas suas redes sociais”, afirmou.

Rede de segurança

A iniciativa do ZM promove grupos de apoio a crianças, jovens e adultos. Líderes de grupo auxiliam no encaminhamento de clientes e rastreamento de interrupções no tratamento ARV, enquanto os membros jovens e adultos seropositivos reúnem-se em pares como “companheiros de tratamento”, para checar o estado de saúde e bem-estar geral do outro. Os grupos realizam actividades de geração de renda para melhorar o bem-estar sócio-económico dos membros.

''Indivíduos seropositivos normalmente visitam a clínica uma vez por mês, mas vivem na comunidade nos outros 29 dias. É importante que haja sistemas de apoio nas suas redes sociais.''

Kendi, líder de um grupo de apoio Mwiteria de Meru, está entre os diversos voluntários que treinam visitantes para o abrangente centro de tratamento do hospital. Por exemplo, toda segunda-feira pela manhã, quando crianças infectadas se reúnem com seus pais ou responsáveis no seu dia na clínica, ela discute a adesão ao ARV, apoio pediátrico psicossocial e estigma.

“Utilizar pessoas seropositivas para passar essas mensagens é realmente proveitoso – eu já ouvi muitas vezes eles dizerem que eles sabem onde o sapato aperta”, comentou Simiyu, da EGPAF. “Eles entendem exactamente o que as pessoas estão passando e podem lidar com eles de igual para igual.”

Ele afirmou que os grupos de apoio proporcionaram uma “rede de segurança” crucial para as pessoas recentemente diagnosticadas seropositivas, porque a discriminação ainda é alta no Quénia e os grupos agiram como uma boa proteção contra a atitude negativa da sociedade.

“Nas nossas palestras no centro e em campanhas na comunidade, nós também enfatizamos a importância de formar ou fortalecer grupos de apoio [de HIV/SIDA], de revelar sua condição, de mudança de comportamento, alimentação saudável, e discutimos infecções oportunistas”, disse Zablon Kithinji*, representante do grupo de apoio Kagendo, de Meru.

Profissionais de saúde locais afirmaram que o projecto ZM e seu envolvimento com a comunidade tiveram um impacto significativo no tratamento e apoio a pessoas vivendo com HIV na região.

“O sistema de grupos de apoio encorajou as pessoas a discutir livremente a SIDA, há uma grande disseminação de conhecimento no nível comunitário e, o que é interessante, mais pessoas estão dispostas a saber seu estado [de HIV]”, disse James Gitonga, oficial de saúde pública de Meru.

Simiyu afirmou que o hospital de Meru observou que o tempo de consulta diminuiu porque muitos pacientes vinham ao centro já providos do conhecimento adquirido com as campanhas comunitárias realizadas pelos grupos de apoio.

O Quénia já perdeu mais de três mil enfermeiros nos últimos cinco anos, a maioria para empregos na Europa e nos Estados Unidos. Com o objectivo de sustentar os programas de HIV, pessoas leigas estão cada vez mais a envolver-se nos aspectos menos técnicos do tratamento.

(PlusNews – 25.07.2008 )





BE quer garantir acesso a casa a quem tem VIH/sida

29 07 2008

Projecto de lei. Bloco legisla sobre discriminação na escola e no trabalho

Infectados com dificuldade em obter empréstimos bancários

Os portadores de VIH/sida são frequentemente impedidos de arrendar ou comprar casa própria, desde logo pelo facto de os bancos exigirem seguros de saúde e de vida que os infectados não conseguem obter.

Ao apresentar um diploma que proíbe a discriminação dos portadores de VIH/sida, o BE quer, designadamente, impedir “a recusa ou o condicionamento de aquisição, arrendamento ou subarrendamento de imóveis, assim como a recusa na celebração de contratos de seguros”.

O BE lembra que “as características da discriminação têm sofrido mudanças de forma e conteúdo ao longo dos anos”. Frisam que “se, até ao princípio dos anos 90, esta se erigia de forma directa e ostensiva, de então para cá tem assumido um modo mais insidioso mas nem por isso menos violento”.

Exemplo disso mesmo são situações de discriminação no mundo do trabalho, na escola e nos próprios serviços de saúde. O diploma do BE “vincula todas as pessoas singulares e colectivas, públicas ou privadas”. Assim, é proibida “a recusa a limitação ou o impedimento de acesso aos cuidados de saúde prestados em estabelecimentos de saúde públicos ou privados”.

Nas instituições escolares fica proibida “a recusa, a limitação ou o impedimento de acesso a estabelecimentos de ensino público ou privado, assim como a qualquer meio de compensação ou apoio adequado às necessidades específicas dos alunos portadores de VIH/sida”, bem como a “constituição de turmas ou a adopção de outras medidas de organização interna nos estabelecimentos de ensino público ou privado segundo critérios de discriminação com base na doença”.

(Diário de Notícias – 29.07.2008 )





Meninos sul-africanos são violentados com frequência, diz estudo

29 07 2008

LONDRES (Reuters) – Dois em cada cinco meninos matriculados em escolas sul-africanas admitem já ter sofrido violações sexuais, segundo um estudo de uma revista a ser publicado na terça-feira.

De acordo com o levantamento da revista BioMed Central’s International Journal for Equity in Health, as agressões partem principalmente de mulheres adultas. Colegas de escola vêm em segundo lugar.

“Este estudo revela um abuso sexual endêmico contra meninos do qual já se suspeitava, mas que era até agora mal documentado”, escreveram Neil Andersson e Ari Ho-Foster, do Centro de Pesquisas de Doenças Tropicais, de Johanesburgo.

De acordo com eles, a pesquisa mostra a necessidade de se promover a conscientização contra a violência sexual na África do Sul, e mostra que o problema afeta gravemente os esforços contra a Aids no país, epicentro da epidemia global do vírus HIV.

“Crianças sexualmente abusadas também ficam mais propensas a adotar comportamentos de alto risco com relação ao HIV”, escreveram os pesquisadores.

A pesquisa entrevistou 127 mil meninos de 10 a 19 anos em 1.200 escolas sul-africanas.

Entre os rapazes de 18 anos, 40 por cento disseram já ter sido obrigados a fazer sexo, e metade disse ter feito sexo consensual.

Cerca de um terço disse ter sofrido violação de outros homens, 41 por cento de mulheres adultas, e 27 por cento dizem ter sofrido abusos de homens e mulheres.

O estudo não avaliou o número de meninas que sofrem abusos sexuais.

(Michael Kahn/O Globo Online – 28.07.2008 )





UGANDA: Pobreza levando a abuso sexual infantil no norte

29 07 2008

GULU, 28 Julho 2008 (PlusNews) – A pobreza extrema está a forçar meninas de até 14 anos a casamentos precoces e prostituição em regiões do norte de Uganda afetadas pela guerra, diz um novo relatório de organizações não-governamentais (ONG) locais.

A conjunção da extrema pobreza, de um grande número de famílias chefiadas por crianças e da alta mobilidade de famílias internamente deslocadas são alguns dos fatores que levaram a abusos sexuais ou prostituição de raparigas, segundo a Organização Gulu de Apoio às Crianças (GUSCO, em inglês) e a Rede de Fortalecimento da Comunidade Acholi.

As duas ONGs, que fornecem apoio a crianças afetadas pelo conflito armado, entrevistaram mais de 100 pessoas entre Dezembro de 2007 a Fevereiro de 2008, num estudo efetuado em razão do aumento significativo do número de casos de abuso sexual de crianças registados nos distritos de Gulu e Amuru, no norte de Uganda.

As estatísticas obtidas nos arquivos da polícia regional do norte do país indicam cerca de 1.300 casos registados de abuso sexual de meninas entre Janeiro e Junho de 2008. Os distritos de Gulu e Amuro registaram o maior número de ocorrências.

Centenas de milhares de pessoas internamente deslocadas (IDP, em inglês) no norte de Uganda, que fugiram de suas casas durante duas décadas de guerra entre os rebeldes do Exército de Resistência do Senhor (LRA, em inglês) e o governo ugandês, vivem em acampamentos “satélite” situados entre os acampamentos oficiais de IDP e seus vilarejos natais enquanto esperam recuperar suas terras.

Muitas crianças ficaram sozinhas nos acampamentos oficiais de IDP para que continuassem a freqüentar a escola. “Sem o acompanhamento dos pais, elas ficam vulneráveis ao abuso sexual”, disse o relatório.

Contrariamente a normas internacionais que estipulam a idade adulta em 18 anos, em muitas regiões do norte de Uganda as meninas são consideradas adultas aos 16 anos. “As meninas são forçadas pela família a casarem-se entre 15 e 18 anos por motivos econômicos, isto é, pelo dote”, disse o relatório. “Após os 18 anos, elas são consideradas por certas comunidades como “oruta” [“usadas”, na linguagem Acholi] ou “ogek” [desperdiçadas].”

Participantes do estudo também disseram que os homens procuravam parceiras sexuais jovens porque acreditavam que havia menos probabilidade de elas serem infectadas pelo HIV. Segundo o Ministério da Saúde, a prevalência do HIV na região centro norte de Uganda é de 8,2 por cento, comparada à média nacional de 6,4 por cento.

''Meus pais morreram, foram assassinados por rebeldes, e esse é meu único meio de sobrevivência.''

Muitas raparigas, ao lutarem para conseguir comida e roupas, começaram a freqüentar bares locais na espera de atrair soldados ou homens de negócios. “Meus pais morreram, foram assassinados por rebeldes, e este é o meu único meio de sobrevivência. Eu ganho entre cinco mil shillings [US$ 3] e oito mil shillings [US$ 5] por dia de clientes de boates e bares”, disse uma menina de 15 anos em Gulu.

“Temos casos de meninas em que meninas são vendidas em bares para sexo em troca de dinheiro, enquanto outros homens exploram meninas que trabalham como babás em suas casas”, disse Joseph Kilama, oficial da proteção da infância no distrito de Gulu. “Sabe-se que um grande número de meninas menores de 18 anos, que trabalham ilegalmente como garçonetes, sofre abuso sexual de clientes embriagados.”

Segundo resultados do estudo, entre os culpados por abuso sexual de crianças encontram-se provedores de assistência humanitária, homens de negócios, fazendeiros, professores, parentes e equipas armadas, como membros da LRA ou soldados das Forças Nacionais de Defesa da População da Uganda.

“Esta região tem estado em conflito e crianças continuam a ser abusadas sexualmente e psicologicamente”, disse o comandante da polícia regional, Phenihensas Arinaitwe. Segundo ele, a polícia recebe no mínimo cinco denúncias de abuso sexual de crianças por dia.

Melhores mecanismos de denúncia

Segundo os pesquisadores, o aumento da conscientização em relação ao abuso sexual de crianças e ao HIV levou ao recente aumento do número de denúncias destes crimes, que são tradicionalmente pouco denunciados.

“Campanhas freqüentes de sensibilização ao HIV/SIDA, que incluem a difusão de serviços de prevenção disponíveis para sobreviventes de estupro e abuso sexual, encorajaram as pessoas a denunciar estes casos com mais freqüência”, disse o relatório.

Muitos profissionais da saúde requerem que seja feita uma queixa junto à polícia antes que o paciente receba profilaxia pós-exposição, o que também aumentou o número de denúncias à polícia de casos de abuso sexual de crianças.

“Os participantes também notaram o impacto positivo da participação da população na promoção da sensibilização aos direitos [das vítimas] e do procedimento de denúncia. Isto inclui o papel dos líderes locais, pais de vítimas e agentes da policia… As pessoas geralmente tendem a ouvir aqueles que conhecem e em quem confiam”, diz ainda o relatório.

Francis Odokorach, diretor de programas da GUSCO, apontou para a lacuna entre o número de casos denunciados e o número daqueles que chegam aos tribunais. “Poucos casos chegam até o juiz”, disse ele. “Existem muitos motivos para isso, inclusive o fato de que alguns pais usam a denúncia como meio de extorquir dinheiro dos culpados.”

(PlusNews – 28.07.2008 )





Perto de vinte angolanos na conferência internacional sobre o VIH/Sida

29 07 2008

Luanda, 27/07 – Técnicos dos ministérios da Saúde, da Reinserção Social, da Educação e da Promoção da Mulher deixam hoje, domingo, o país com destino ao México, onde vão participar, de 03 a 08 de Agosto, na Conferência Internacional sobre o VIH/Sida.

O encontro, que vai contar também com a participação de especialistas das Forças Armadas, de ONG e seropositivos, congregará especialistas de cerca de 150 países.

Segundo a directora nacional de luta contra a Sida, Dulcelina Serrano, neste evento, Angola apresentará quatro painéis, uma sessão satélite sobre a resposta nacional no combate a essa doença, cujos oradores serão o vice-ministro da Saúde, José Van-Dúnem, ela própria e um portador do VIH.

Acrescentou que os angolanos vão ainda apresentar posters que retratarão a situação epidemiológica do país, num contexto difícil, e experiências no âmbito da prevenção primária e da transmissão vertical.

Para Dulcelina Serrano, estes congressos, que se realizam de dois em dois anos, têm permitido a partilha de experiências e a aquisição de conhecimentos, quer a nível científico ou da sociedade civil, que podem ser adaptadas no país.

Durante o encontro, em que estarão presentes representantes regionais da Organização Mundial da Saúde, dos quais o angolano Luís Gomes Sambo, serão realizadas outras actividades, como a exibição de um filme em que a principal protagonista é uma angolana portadora do VIH/Sida.

(AngolaPress – 27.07.2008 )





A luta contra a Aids na África

29 07 2008

A síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) foi reconhecida em meados de 1981, nos Estados Unidos da América, quando pacientes do sexo masculino que faziam sexo com outros homens, e residiam em São Francisco ou em Nova York, apresentaram comprometimento do sistema imune e dois tipos de doenças até então pouco conhecidas: o sarcoma de Kaposi e a pneumonia por Pnemocystis carinii.

Em 1983, o primeiro agente etiológico foi identificado. Tratava-se de um retrovírus humano, atualmente denominado vírus da imunodeficiência humana (HIV-1). Em 1986, um segundo vírus, estreitamente relacionado ao HIV-1, foi denominado HIV-2. Sabe-se que uma grande família de retrovírus relacionados a eles está presente em primatas não humanos na África Sub-Saariana.

Seguramente o HIV-1 e o HIV-2 passaram a infectar o homem há varias décadas, mas ganharam projeção a partir dos anos 80, a ponto de transformar casos isolados em uma das maiores pandemias de todos os tempos.

Desde o início, antes mesmo da identificação dos agentes etiológicos da Aids, já se dispunham de evidências epidemiológicas de que outros grupos populacionais apresentavam risco de contrair a doença, tais como receptores de sangue e derivados, usuários de drogas ilícitas por via venosa, filhos de mães soropositivas através da transmissão verticais e profissionais de saúde expostos a sangue de pacientes soropositivos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, as relações heterossexuais são hoje a principal forma de transmissão do HIV do ponto de vista global. São indícios da magnitude da transmissão heterossexual o aumento do número absoluto e relativo de mulheres com AIDS, a diminuição da razão homem-mulher a quase 1/1 e o aumento da transmissão de mãe para filho, principalmente nos países em desenvolvimento.

Estima-se que 33,2 milhões de pessoas vivam com Aids no mundo, sendo que mais de 60% de todas as novas infecções têm ocorrido em mulheres e crianças, a grande maioria residindo no Sub-Saara africano.

A transmissão materno-fetal do HIV deve ser a causa de pelo menos 90% das infecções pediátricas, atingindo em alguns paises da África patamares alarmantes que variam de 30 a 45%, enquanto que em paises desenvolvidos não ultrapassam 2%.

A Angola, um país da costa ocidental da África com aproximadamente 18 milhões de habitantes, foi colonizada por Portugal no século 15 e assim permaneceu até a sua independência, em 1975. Naquele ano eclodiu a guerra civil, que perdurou até 2002. Essas duas guerras abalaram todos os sistemas e serviços do país, incluindo o da saúde, gerando a necessidade premente de se reconstruir toda a infra-estrutura hospitalar, bem como formar, capacitar e aperfeiçoar os profissionais da área de saúde.

Em 2002, foi criada em Angola a Comissão Nacional da Luta contra o HIV/Sida e Endemias considerando que a Lei Constitucional da República, no seu artigo 47, reconhecia o direito da população à assistência médica e medicamentosa e que era um dever do Estado a promoção das medidas necessárias. A Comissão foi constituída por diversas Instituições e liderada pelo próprio Presidente da República. Em dezembro do mesmo ano, o Ministério da Saúde de Angola, motivado a agilizar o processo, firmou parceria com médicos, enfermeiros e gestores brasileiros, experientes em trabalhos de prevenção, diagnóstico e tratamento da infecção pelo HIV/Aids.

Sem dúvida, o excepcional trabalho desenvolvido pelo Programa Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde do Brasil – referência mundial – capacitou e capacita profissionais e serviços, à semelhança do que ocorreu com os da Casa da Aids do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a ultrapassarem as nossas fronteiras, levando conhecimento e ações a outros paises, como é o caso de Angola.

As autoridades de saúde angolanas, assessoradas pelos profissionais brasileiros, implantaram os Programas de Aconselhamento e Testagem Voluntária para o HIV e o de Prevenção da Transmissão Materno-Fetal, adaptados às condições sócio-econômico-médicas do país, considerando que a transmissão vertical era a principal via de transmissão do HIV em crianças, responsável por mais de 90% do total de casos em menores de 15 anos de idade e que as taxas da infecção pelo HIV em grávidas estavam aumentando, tornando-se a segunda forma mais freqüente de transmissão depois das relações heterossexuais.

O Programa de Prevenção da Transmissão Materno-Fetal do HIV em Angola consiste em: ofertar o teste anti-HIV a todas as gestantes; estabelecer normas de avaliação da infecção pelo HIV em grávidas que não fazem as consultas de pré-natal, através do teste rápido durante o trabalho de parto ou no período expulsivo; disponibilizar os medicamentos antiretrovirais – esquema de três drogas para as gestantes infectadas, AZT injetável para a mãe durante o trabalho de parto e oral para os recém-nascidos durante os primeiros 42 dias de vida; realizar o parto cesariano apenas quando houver indicação obstétrica e sugerir o leite artificial, desde que as condições financeiras assim o permitissem.

Os resultados conseguidos pelo Programa de Prevenção da Transmissão Materno-Fetal do HIV em Angola situam-se entre os mais expressivos do mundo e levaram à implantação de outros, tais como Biossegurança nas unidades sanitárias, Melhoria da Capacidade de Resposta dos Hospitais de Angola, Especialização e Pós-Graduação de profissionais da área de saúde no Brasil, bem como capacitaram o país a pleitear recursos de entidades internacionais e implementar novos projetos como o do Sangue Seguro, Tuberculose e Hepatites.

As bases do caminho para um melhor controle da infecção pelo HIV/Aids em Angola estão estabelecidas e temos orgulho de afirmar que nós brasileiros contribuímos para esse processo.

(David Everson/MÉDICO INFECTOLOGISTA/Jornal do Brasil- 27.07.2008 )





Taxa de escolarização da mulher demostra competência para assumir qualquer função

29 07 2008

O historiador angolano António Panguila disse sábado, em Luanda, que a taxa de escolarização das mulheres está cada vez mais alta, o que demonstra que ela tem competência necessária para assumir função a nível dos poderes Legislativo, Executivo e Judicial.

António Panguila, que falava durante um pequeno almoço-conferência, subordinado ao tema “O papel da mulher africana no desenvolvimento das sociedades”, organizado pelo grupo da Mulher Africana, referiu que hoje o mundo já dá mostras dessa conquista.

Segundo o orador, a promoção da mulher passa pela emancipação do próprio homem, pois ele tem que admitir que a mulher é companheira e parceira no processo de desenvolvimento social.

Na óptica de António Panguila, a mulher possui um papel triplo: mãe, esposa e trabalhadora, salientando que esta capacidade de gerir estes diferentes momentos dá-lhe a condição de orientar o parceiro (homem) nas questões de desenvolvimento.

Exemplificou, por outro lado, que na economia informal africana, sobretudo na angolana, é notória a presença de muitas mulheres neste tipo de mercado de trabalho, tornando-as líderes das suas famlílas.

“Na economia formal vemos que nos lugares de decisões há cada vez mais mulheres com grande performance, que permite contribuir, com substância, para o desenvolvimento do país”, salientou, adiantando que em Angola ja se vê mulheres em quase todos os postos de decisão.

De acordo com o prelector, Angola deu mostras, nos últimos anos, que tem vindo a prestar maior atenção às mulheres, por ser um grupo social marginalizado mesmo pela própria história, com a criação do Ministério da Família e Promoção da Mulher.

A palestra realizou-se em alusão ao Dia da Mulher Africana, a assinalar-se a 31 deste mês, e nela participaram senhoras angolanas de vários estratos sociais.

O Grupo da Mulher Africana é uma associação não governamental, sem fins lucrativos, constituída por embaixatrizes africanas e mulheres angolanas de vários estratos sociais.
A organização foi fundada em Março de 2007 e tem como objectivo promover o intercâmbio entre vários países africanos, por forma a criar o bem-estar das populações africanas, no combate às endemias como o VIH/Sida.

(AngolaPress – 27.07.2008 )





Itália: Vaticano nega que proibir a contracepção tenha ajudado a propagar HIV/SIDA

29 07 2008

Cidade do Vaticano, 25/07 – Quarenta anos depois da publicação da encíclica do Papa Paulo XI, “Humanae Vitae” proibindo o uso da pílula anticoncepcional, cerca de 60 organizações católicas dissidentes pediram ao Papa Bento XVI que autorize a contracepção numa carta publicada hoje, sexta-feira, e imediatamente considerada sem fundamento pelo Vaticano.

O Vaticano foi enfático ao negar as acusações dos católicos dissidentes segundo as quais a proibição pela Igreja do uso de métodos anticoncepcionais contribuiu para a propagação do Hiv/sida.

As 60 organizações católicas, provenientes de vários países europeus, americanos e latino-americanos, denunciaram os “efeitos catastróficos” da proibição da contracepção entre os pobres e mais fracos nesta carta aberta publicada pelo Corriere della Sera.

Nela, os católicos reivindicam o direito de “planear sua vida familiar, de forma segura e com boa consciência”.

Esta iniciativa pouco habitual tornou-se pública no 40ª aniversário da publicação da encíclica Humanae Vitae, que fundamenta a proibição da contracepção pela Igreja Católica.

“Este documento firmado pelo Papa Paulo VI em 25 de Julho de 1968, provocou na época uma oposição sem precedentes no seio da Igreja Católica”, reconheceu nesta sexta-feira o Osservatore Romano, o jornal do Vaticano.

A publicação definiu este texto, que tem valor de lei para a Igreja Católica, uma posição adoptada contra a “contracepção por meios artificiais, o hedonismo e as políticas de planeamento familiar”.

Os assinantes da carta aberta consideram que a política promovida pela encíclica “coloca em risco a vida das mulheres e expõe milhões de pessoas ao vírus do HIv/sida”.

“Os efeitos desta proibição foram particularmente devastadores no sul do mundo, onde a hierarquia católica exerce uma influência considerável sobre as políticas de planeamento familiar”, destacaram as organizações.

O Vaticano, por sua vez, julgou “manifestamente infundada” as acusações feitas na carta aberta ao Papa, segundo a qual a interdição dos métodos contraceptivos pela Igreja Católica teria contribuído para a difusão do virus.

O porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, disse que “a acusação segundo a qual a posição católica é a causa da difusão do HIv/Sida e, portanto, da dor e da morte é manifestamente infundada”.

Segundo ele, a difusão do virus é totalmente independente da confissão religiosa das populações e da influência das hierarquias eclesiásticas, e as políticas voltadas a combater o Hiv/Sida fundadas na difusão dos preservativos são amplamente fracassadas.

O porta-voz destacou, além disso, que os grupos que assinaram a carta são “muito pouco representativos da Igreja católica. Ele os acusou de não falar de amor, assunto principal da encíclica, “que parece não lhes interessar em nada”.

“É evidente que não se trata de um artigo que exprime uma posição teológica ou moral mas de uma propaganda paga em favor do uso dos anticoncepcionais”, acrescentou ainda o padre Lombardi.

“Precisamos também nos perguntar quem a pagou e por quê?”, concluiu.

A encíclica Humanae Vitae (“Da vida humana”) foi publicada em 25 de Julho de 1968 e descreve a postura que a Igreja Católica tem em relação à vida sexual humana. Em síntese, proíbe o aborto ou qualquer meio artificial para evitar a fecundação, sendo, no entanto, possível o uso, por motivos graves e justificados, de meios exclusivamente naturais de regulação da natalidade.

O Papa Bento XVI reafirmou em 10 de Maio passado a validade da encíclica Humanae Vitae para a Igreja actual.

(AngolaPress – 25.07.2008 )





Swazilânda: Cifra da população swazi cai para 18 por cento em 10 anos

29 07 2008

Pigg´s Peak (Swazilândia), 25/07 – A população da Swazilândia, pequeno país da África Austral assolado pela Sida, baixou em pelo menos dezoito por cento em 10 anos, disse hoje, sexta-feira, um ministro, citando cifras do recenseamento de 2007.

Segundo o recenseamento de Maio de 2007, o reino da Swazilândia contava com um milhão e dezoito mil e 449 habitantes, dos quais 78 por cento viviam em zonas rurais, informou o ministro do Plano e do Desenvolvimento Económico, Absalom Dlamini, na cidade de Pigg`s Peak (norte do país), durante a jornada mundial da população.

Nesse país, onde pelo menos 40 por cento dos adultos são seropositivos ou doentes da sida, viu a sua população a decrescer em 218.672 pessoas desde o precedente censo, efectuado em 1997 (um milhão, 237 mil e 121 habitantes), seja uma queda de 18 por cento.

Para a representante local do Fundo da ONU para a População (FNUAP), Aisha Camara, esse novo recenseamento monstra que a “Swazilândia é um país que fez poucos progressos na redução da mortalidade infantil e a das mulheres”.

Segundo Camara, 589 mulheres sobre 100 mil morrem anualmente no parto na Swazilândia, país pobre e encravado entre a África do Sul e Moçambique.

(AngolaPress – 25.07.2008 )